18 de jun de 2017

Se Temer é chefe, saiba quem faz parte da quadrilha

Temer com dois de seus homens
Se Michel Temer é o chefe da mais perigosa organização criminosa do Brasil, na definição do criminoso confesso Joesley Batista, quem são os membros da quadrilha?
Aqui, uma tentativa de identificar a tropa do Michel, que governa o Brasil desde maio do ano passado.

Eliseu Padilha – é secretário da Casa Civil e tem uma forte ligação com Michel Temer desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. Logo depois que a Câmara dos Deputados, então presidida por Michel barrou a instalação da CPI que investigaria a denúncia de compra de votos para a emenda da reeleição, foi nomeado ministro dos Transportes. A nomeação foi o resultado da pressão exercida por Michel Temer sobre Fernando Henrique Cardoso, conforme este narra em seu Diários da Presidência.

Geddel Vieira Lima – era o braço direito de Michel Temer na Câmara dos Deputados, primeiro quando este foi líder da bancada e depois presidente da casa. Num dos episódios narrados por Fernando Henrique, quando houve impasse na nomeação de Padilha para o Ministério dos Transportes, Temer engoliu seco. No mesmo dia, Geddel foi à imprensa e detonou o governo, por causa das denúncias da compra de votos. Resultado: Padilha foi nomeado, Geddel parou de criticar e Temer seguiu com tranquilidade na Presidência da Câmara dos Deputados. “O PMDB chegou ao nível da chantagem”, registou Fernando Henrique. Nos governos Lula e Dilma, Geddel ocupou ministérios e a diretoria da Caixa Econômica Federal, de onde Joesley Batista e outros empresários conseguiam empréstimos a juros baixos, pagando propina. Nos primeiros meses do governo Temer, chegou a ministro da Secretaria de Governo, mas caiu depois que pressionou o ministro da Cultura a liberar a construção de um prédio em área tombada de Salvador. Segundo o ministro, Marcelo Calero, Temer tentou ajudar Geddel e também o pressionou. Ontem, pelo Twiter, Calero se vingou: “Bangu neles”.

Moreira Franco – Ex-governador do Rio de Janeiro,  era um político decadente em 1998, quando perdeu a eleição para o Senado. Mas encontrou refúgio na assessoria especial de Fernando Henrique Cardoso, por indicação de Michel Temer.  Deixou de disputar votos em eleições majoritárias e continuou na área onde sempre se deu bem: bastidores, principalmente no contato com empresários. Foi quem coordenou o Programa Ponte para o Futuro, que deu as diretrizes para os corte dos gastos sociais e as reformas trabalhistas e da Previdência. Genro de um antigo chefe político do Rio, Amaral Peixoto, é sogro de Rodrigo Maia, eleito duas vezes no governo de Michel Temer para presidir a Câmara dos Deputados.

Eduardo Cunha – Quando Temer se elegeu vice-presidente, na chapa de Dilma Rousseff, assumiu as operações da dupla Temer Geddel na Câmara. Negociava emendas e projetos de lei e ameaçava com requerimentos de informações e CPIs empresários de quem queria arrancar dinheiro. Respondia a Temer, conforme Joesley Batista, mas era dois em um se comparado a Temer/Geddel. Tinha conhecimento legislativo e, ao mesmo tempo, agia com truculência.

Todos os coronéis têm subesquemas – Lúcio Funaro, por exemplo, é ligado a Eduardo Cunha –, mas no topo da pirâmide se encontra Michel.

Capitães

Wagner Rossi – já foi coronel, mas perdeu a patente depois que foi demitido do Ministério da Agricultura, no governo de Dilma Rousseff, onde estava por indicação de Michel Temer. Na gestão de Rossi, a revista Veja publicou reportagem que mostrava a ação de um lobista no interior do Ministério da Agricultura – ele chegou até a distribuir dinheiro vivo a assessores da comissão de licitação (ver tópico Júlio Froes, franco atirador). Foi o responsável por aproximar Temer de Joesley Batista, cliente do Ministério da Agricultura. Por intermédio de Rossi, Michel usou o jatinho de Joesley para férias da família, em janeiro de 2011. Rossi tem um grande trunfo: é pai de Baleia Rossi, deputado federal, líder da bancada do PMDB, posto que pertenceu a Michel Temer 22 anos atrás, no governo Fernando Henrique Cardoso.

Rodrigo Rocha Loures – chegaria rapidamente a coronel não fosse o flagrante que o mostra correndo com uma mala de dinheiro de propina destinada a Michel Temer. Era assessor de Temer quando este, vice-presidente, assumiu a articulação política no governo Dilma e chegou à Câmara logo depois do golpe. Com poderes plenos, Temer tirou Osmar Serraglio da Câmara e abriu vaga para Rocha Loures, primeiro suplente do Paraná, assumir. Isso mostra que Serraglio, um peba segundo Aécio Neves (chefe de outra organização), não chegou a ministro por méritos próprios. Era o único jeito de ajeitar Loures na Câmara, onde Michel Temer tem poderes de imperador.

Sandro Mabel – foi deputado federal sob Temer presidente da Câmara. Ex-empresário, tem ligação com industriais e agricultores do centro-oeste. Trabalhava no Palácio do Planalto, em sala próxima de Temer, mas desertou depois que o cerco da Procuradoria da República ao Palácio do Planalto se fechou.

José Yunes – Foi deputado estadual quando Temer era procurador geral do Estado no governo Montoro e depois secretário de Segurança, nos anos 80. Era assessor de Temer quando confessou ter servido de mula para receber 4 milhões de reais de propina da Odebrecht . Segundo ele, a encomenda era para Eliseu Padilha, um coronel da tropa. Ele teria sido apenas o transportador. Yunes tem outras ligações com Temer. Estão no nome de Temer alguns imóveis incorporados pela empresa da família de Yunes. Yunes é também primo do criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de Temer, hoje empenhado em evitar a prisão do presidente.

Tenentes

Gustavo da Rocha Vale – subchefe para Assuntos Jurídicos da Secretaria da Casa Civil (Eliseu Padilha). Cresceu no conceito da organização quando elaborou o parecer que fundamentou a decisão de Michel Temer, então interino, de tirar da presidente Dilma Rousseff o direito de usar aviões da FAB. No caso do edifício de Salvador objeto de interesse de Geddel, também agiu para tentar convencer o ministro da Cultura a ceder ao pleito.

Marcelo Caetano – Secretaria da Previdência Social no Ministério da Fazenda, é quem dá a cara para explicar a reforma que destroça a previdência pública. Antes de aparecer com sua cabeça iluminada para explicar até onde queria baixar o facão, reuniu-se com empresários de fundos de previdência privada.

Sargento

Mílton Ortolan – era o secretário executivo do Ministério da Agricultura quando estourou o escândalo do lobista Júlio Froes. Foi o primeiro a cair, mas não foi desamparado. Joesley Batista conta que, a pedido de Temer, passou a pagar-lhe 20 mil reais por mês. O ministro Wagner Rossi caiu em seguida, mas também não ficou ao léu. Joesley, atendendo a Michel Temer, lhe garantia um mensalão de 100 mil reais. Nenhum deles disse de quem partiu a ordem para manter no Ministério da Agricultura um homem da mala (outro, não Loures, ver tópico Júlio Fores). Ortolan voltou para sua cidade de origem, Americana, onde tinha sido secretário municipal e hoje dirige uma entidade espírita.

Franco-atiradores

José Baptista Lima Filho – era coronel da Polícia Militar quando Temer assumiu a Secretaria de Segurança Pública pela segunda vez, no governo Fleury.  Desde então, segundo investigação da Polícia Federal, se tornou operador de Temer. Ricardo Saud, diretor da JBS, diz que ele também foi mula, mas do próprio presidente. A empresa lhe entregou 1 milhão de reais em propina que deveria ser encaminhada ao próprio Temer. Está em nome de Lima uma fazenda em Duartina, interior do Estado, para onde Temer costuma ir com frequência. Em uma ocupação depois do golpe, militantes do MST encontraram na fazenda documentos destinados a Temer. Na empresa onde o coronel Lima dá expediente, a Polícia Federal encontrou documentos relacionados à reforma da casa de parentes de Temer e também a offshores – empresas de paraíso fiscal.

Arlon Vianna (à esquerda) e Michel Temer: pau para toda obra
Arlon Vianna – é chefe de gabinete do escritório regional da Presidência da República em São Paulo e biombo de Michel Temer no Estado. Todos os pedidos dirigidos a Temer que guardem relação com São Paulo passam por ele.  Arlon é tesoureiro do PMDB no Estado e suas ações podem ser interpretadas como as intenções de Temer. Por exemplo, Temer autorizou a candidatura de Marta Suplicy a prefeita de São Paulo, em 2016, depois que ela deixou o PT. Mas Temer trabalhou mesmo foi por João Doria, do PSDB. A evidência é que Arlon, longa manus de Temer, colocou seu pessoal para trabalhar por Doria e divulgou notas pela rede social que detonavam Marta, em plena campanha.  Para os peemedebistas, era a senha: Temer está com Doria. Agora se sabe que Arlon fazia mais do que operar politicamente para Temer. Ele cuidou da reforma da casa da sogra de Temer.

Júlio César Froes Fialho – Lobista, sem cargo no serviço público, despachava no interior do Ministério da Agricultura, na gestão de Wagner Rossi, em 2011. É um mistério sua presença lá. Wagner Rossi, o ministro, é de Ribeirão Preto, Mílton Ortolan, seu secretário executivo, de Americana, e Júlio morava em Sorocaba, onde Michel Temer tinha uma forte base eleitoral. Mas Rossi e Ortolan assumiram a culpa. Segundo testemunhas, Júlio Froes chegou a distribuir dinheiro vivo a assessores que atendiam seus pleitos, especialmente na comissão de licitação.  Ao ser entrevistado, agrediu o repórter da Revista Veja, com socos que quebraram um dente. Mais tarde, se descobriu que Júlio Froes já tinha cumprido pena de três anos de cadeia por tráfico de drogas. Júlio também não foi desamparado. Alguns meses depois, o prefeito de Votorantim, cidade vizinha de Sorocaba, nomeou a mulher de Júlio para um cargo de assessoria. Antes de ser flagrado, Júlio também promovia cursos em câmara municipais do interior de São Paulo, para ensinar “boas práticas” legislativas.

Edgar ou Edgard – Na gravação que o diretor da JBS Ricardo Saud fez de suas conversas com Rodrigo Rocha Loures, aparece o nome de Edgar ou Edgard, que poderia ser outra mula de Michel Temer, já que o coronel Lima já estaria muito visado.

No círculo próximo de Michel, existe o Edgard Silveira Bueno Filho, que foi assessor de Michel Temer, quando este era chefe da procuradoria do Estado, no governo Montoro.

Quando Michel foi para a Secretaria de Segurança Pública, Edgard o acompanhou e ali permaneceu até ser nomeado por José Sarney para uma vaga de desembargador no Tribunal Regional Federal em São Paulo, que estava sendo criado. Servia a dois Temer. Michel, na Procuradoria e na Secretaria de Segurança, e Feud, irmão mais velho de Michel, advogado, de quem Edgard foi formalmente sócio. O escritório tinha como sócio o tio de Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, o criminalista que defende Temer.

Depois de se aposentar do Tribunal, Edgard foi advogado de Roberto Elias Cury num processo em que este representa os interesses de uma família proprietária de um imóvel desapropriado pela União para abrigar o Tribunal Regional Federal, o mesmo em que Edgard havia sido desembargador.

Cury cobrava da União 210 milhões pela desapropriação em 2001, dez vezes mais o valor de mercado. Cury, o cliente de Edgard, ex-assessor de Michel, era nada menos que o maior credor de indenizações do poder público, não só da União.

Por uma área na Serra do Mar, ele cobrou 1,2 bilhão de reais, por se apresentar como proprietária de terrenos desapropriados para implantação do Parque Estadual da Serra do Mar, criado no governo Montoro, no qual Temer foi chefe da Procuradoria do Estado e tinha como braço direito Edgard Silveira Bueno Filho.

A Procuradoria é que dá a palavra final nos processos de desapropriação. Quando o escândalo do prédio do Tribunal veio à tona, o jornalista Frederico Vasconcellos lembrou da ligação de Edgard com Michel Temer. Diz Frederico, no meio de uma matéria, para apontar o elo político de Edgard:

— Bueno (Edgard) já dividiu escritório de advocacia com o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP).

Seria este o Edgard indicado por Rodrigo Rocha Loures para sucedê-lo na tarefa de carregar as malas de dinheiro de Temer?

Esta é uma boa pista para a Polícia Federal seguir, se dela sobrar algum delegado independente depois que se colocou em curso o plano de Aécio Neves (líder da outra organização) para abafar a Lava Jato.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Sobre palestras e a apropriação do público pelo privado


Credores têm melhor memória do que devedores 
 (Benjamin Franklin).

Prezado ex-colega Deltan Dallagnol,

Primeiramente digo "ex", porque apesar de dizerem ser vitalício, o cargo de membro do ministério público, aposentei-me para não ter que manter relação de coleguismo atual com quem reputo ser uma catástrofe para o Brasil e sobretudo para o sofrido povo brasileiro. Sim, aposentado, considero-me "ex-membro" e só me interessam os assuntos domésticos do MPF na justa medida em que interferem com a política nacional. Pode deixar que não votarei no rol de malfeitores da república que vocês pretendem indicar, no lugar de quem deveria ser eleito para tanto (Temer não o foi), para o cargo de PGR.

Mas, vamos ao que interessa: seu mais recente vexame como menino-propaganda da entidade para-constitucional "Lava Jato". Coisa feia, hein? Se oferecer a dar palestras por cachês! Essa para mim é novíssima. Você, então, se apropriou de objeto de seu trabalho funcional, esse monstrengo conhecido por "Operação Lava Jato", uma novela sem fim que já vai para seu infinitésimo capítulo, para dele fazer dinheiro? É o que se diz num sítio eletrônico de venda de conferencistas. Se não for verdade, é bom processar os responsáveis pelo anúncio, porque a notícia, se não beira a calúnia é, no mínimo, difamatória. Como funcionário público que você é, reputação é um ativo imprescindível, sobretudo para quem fica jogando lama "circunstancializada" nos outros, pois, em suas acusações, quase sempre as circunstâncias parecem mais fortes que os fatos. E, aqui, as circunstâncias, o conjunto da obra, não lhe é nada favorável.

Sempre achei isso muito curioso. Muitos membros do Ministério Público não se medem com o mesmo rigor com que medem os outros. Quando fui corregedor-geral só havia absolvições no Conselho Superior. Nunca punições. E os conselheiros ou as conselheiras mais lenientes com os colegas eram implacáveis com os estranhos à corporação, daquele tipo que acha que parecer favorável ao paciente em habeas corpus não é de bom tom para um procurador. Ferrabrás para fora e generosos para dentro.

Você também se mostra assim. Além de comprar imóvel do programa "Minha Casa Minha Vida" para especular, agora vende seu conhecimento de insider para um público de voyeurs moralistas da desgraça alheia. É claro que seu sucesso no show business se dá porque é membro do Ministério Público, promovendo sua atuação como se mercadoria fosse. Um detalhe parece que lhe passou talvez desapercebido: como funcionário público, lhe é vedada atividade de comércio, a prática de atos de mercancia de forma regular para auferir lucro. A venda de palestras é atividade típica de comerciante. Você poderia até, para lhe facilitar a tributação, abrir uma M.E., não fosse a proibição categórica.

E onde estão os órgãos disciplinares? Não venha com esse papo de que está criando um fundo privado para custear a atividade pública de repressão à corrupção. Li a respeito dessa versão a si atribuída na coluna do Nassif. A desculpa parece tão abstrusa quanto àquela do Clinton, de que fumou maconha mas não tragou. Desde quando a um funcionário é lícita a atividade lucrativa para custear a administração? Coisa de doido! É típica de quem não separa o público do privado. Um agente patrimonialista par excellence, foi nisso que você se converteu. E o mais cômico é que você é o acusador-mor daqueles a quem atribui a apropriação privada da coisa pública. No caso deles, é corrupção; no seu, é virtude. É difícil entender essa equação.

Todo cuidado com os moralistas é pouco. Em geral são aqueles que adoram falar do rabo alheio, mas não enxergam o próprio. Para Lula, não interessa que nunca foi dono do triplex que você qualifica como peita. Mas a propaganda, em seu nome, de que se vende regularmente, como procurador responsável pela "Lava Jato", por trinta a quarenta mil reais por palestra, foi feita de forma desautorizada e o din-din que por ventura rolou foi para as boas causas. Aham!

Que batom na cueca, Deltan! Talvez você crie um pouco de vergonha na cara e se dê por impedido nessa operação arrasa a jato. Afinal, por muito menos uma jurada ("Schöffin") foi recentemente excluída de um julgamento de um crime praticado pelo búlgaro Swetoslaw S. em Frankfurt, porque opinara negativamente sobre crimes de imigrantes no seu perfil de Facebook (http://m.spiegel.de/panorama/justiz/a-1152317.html). Imagine se a tal jurada vendesse palestras para falar disso! O céu viria abaixo!

Mas é assim que as coisas se dão em democracias civilizadas. Aqui, em Pindorama, um procuradorzinho de piso não vê nada de mais em tuitar, feicebucar, palestrar e dar entrevistas sobre suas opiniões nos casos sob sua atribuição. E ainda ganha dinheiro com isso, dizendo que é para reforçar o orçamento de seu órgão. Que a mercadoria vendida, na verdade, é a reputação daqueles que gozam da garantia de presunção de inocência é irrelevante, não é? Afinal, já estão condenados por força de PowerPoint transitado em julgado. Durma-se com um barulho desses!

Eugênio Aragão
No GGN
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Joesley, a arma da Globo contra Temer, é só mais uma peça no tabuleiro anti-Lula

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2017/06/18/joesley-a-arma-da-globo-contra-temer-e-so-mais-uma-peca-no-tabuleiro-anti-lula/


A entrevista de Joesley para a revista Época é de uma desfaçatez poucas vezes vista no jornalismo. Porque, em primeiro lugar, não é jornalismo.

É um acordo de empresas e empresários.

A JBS e a Globo construíram um pacto de que é preciso derrubar Temer para que ambas se salvem.

Este blogueiro já havia denunciado isso quando a delação de Joesley vazou pela coluna de Lauro Jardim. Uma fonte do blogue relatou que a informação chegou ao colunista por cima. E por isso, mesmo sem ter tido acesso ao áudio, Jardim topou registrar que Temer teria dado aval ao empresário-bandido de Goiás para que comprasse o silêncio de Cunha.

No papo que teve com o presidente-bandido há muita coisa absolutamente criminosa, mas não isso: “Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio de Cunha” . E esse foi o titulo da nota que botou fogo no noticiário de 17 de maio.

A entrevista de Época é mais uma peça deste jornalismo de joint-venture entre a JBS e a Globo. O dono dos bois brasileiros fala o que bem entende e o repórter só pergunta o que o patrão mandou. Porque nenhum repórter com dois dedos de independência deixaria tantos buracos como os já apontados, por exemplo, por Leandro Fortes em seu blogue.

Mas o atento leitor pode retorquir. Qual nada, Rovai, não foi um repórter, foi o próprio editor responsável da publicação que entrevistou Joesley, o sempre atento Diego Escosteguy, aquele que não dormiu na noite anterior à condução coercitiva de Lula e que ficou postando tweets cifrados anunciando o que estava prestes a acontecer.

Pois, é, amigos. Isso não havia passado despercebido pelo blogueiro. E é mais uma demonstração clara do acordo. O editor-chefe de Época é conhecido pelo seu estilo nada jornalístico. E pela pena alinhada que lhe garantiu subir degraus não só improváveis como impossíveis para um jornalista com o não-talento que detém.

Mas mais impressionante é como a não-entrevista virou blocos no Jornal Nacional. Um massacre semelhante ao que Lula sofreu na véspera de sua delação premiada. Quando a Globo já havia sido avisada pelos vazadores do MP ou pelo juiz de Curitiba que haveria a operação de São Bernardo, para onde, inclusive, mandou seus helicópteros.

Mas por que tanta ódio contra Temer? Por que a Globo quer a cabeça do líder da festa junina do PMDB. Festa junina tem o quê, amigos? Tem bingo? Tem pamonha? Tem quentão? Tem quadrilha…

A Globo quer a cabeça de Temer, mesmo ele tentando fazer todas as reformas, porque o ilegítimo presidente pensou em segurar a Lava Jato. Mas para fazer isso, Temer poderia atrasar o processo contra Lula. E o ex-presidente teria condições de disputar a eleição presidencial de 2018.

Mas tem um outro mas. E se Lula disputasse e a Globo tivesse ficado no barquinho afundado de Temer, ela não teria condições de liderar um movimento por uma candidatura que fizesse frente ao ex-presidente.

E a Globo já está mais do que nunca à procura deste novo Collor. Ela, segundo uma fonte quente dos corredores do Jardim Botânico, estaria fazendo pesquisas qualitativas para encontrar o terno perfeito do candidato pra enfrentar Lula, caso ele consiga disputar em 2018.

Esse molde já estaria se desenhando. E seria alguém com um toque Macron, o novo presidente francês. Mas que teria mais chances de vitória se fosse do Nordeste e não do Sudeste ou Sul do país.

Um jovem líder, com rosto de homem de bem, moderno e conversador ao mesmo tempo, com discurso de pastor, família Doriana e com uma vida de sucesso e superação.

O terno é este. E para que a Globo possa empinar essa pipa ela precisa se lavar do Temer.

Ao mesmo tempo precisa tentar se livrar de Lula de qualquer jeito. Porque mesmo com esse bom moço que está a pescar por aí, ela corre risco de vê-lo derrotado pelo sapo barbudo.

Tudo que a Globo está fazendo com Temer, todo o acordo com Joesley, todo esse jornalismo de joint-venture tem um único nome por trás, Lula. É a ele que a vênus platinada quer derrotar.

E por isso não tem bobagem maior do que esse papo de que a entrevista de Joesley foi feita por encomenda para inocentar o ex-presidente. Joesley não tem como detonar Lula, porque não tem nada contra ele. E mesmo assim a Globo deu um jeito de transformar uma frase solta em uma de suas manchetes.

Não há acordo possível entre Lula e a Globo. A distância que os separa hoje é um Mar Vermelho sem um Moisés que possa abri-lo ao meio.

E por isso quem quiser entender o que vai acontecer em 2018 tem que buscar olhar pra essa guerra entre os dois partidos políticos que restaram no país, Lula e a Globo.

Só um deles vai vencer.
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Entrevista de Joesley coloca a faca no pescoço de Barroso, Rosa e Fux, que na terça decidem se prendem Aécio


O que está em andamento em Brasília, enquanto você lê este texto, é o epílogo de um confronto que começou nos bastidores assim que foi revelada a gravação de uma conversa entre o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e o presidente do PMDB, senador Romero Jucá.

Foi em março de 2016, quando Jucá era ministro do Planejamento de Michel Temer. Trata-se do conhecido roteiro para “estancar a sangria”, ou seja, frear a Operação Lava Jato.

Primeiro, o impeachment de Dilma Rousseff, depois um acordão nacional pilotado por Temer, “com o STF, com tudo”.

É óbvio que, desde então, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vem monitorando os movimentos dos inimigos.

Um dia o jornalismo investigativo talvez revele os métodos que utilizou.

É possível que, como afirma o dono da JBS, as gravações de Michel Temer e Aécio Neves tenham sido fruto de uma iniciativa individual do empresário para garantir o futuro.

Também é possível que Joesley tenha sido instruído a montar a armadilha, em troca de obter um acordo de delação premiada vantajoso.

Marcelo Miller, um dos auxiliares mais importantes de Janot, deixou o Ministério Público Federal e o Grupo de Trabalho da Lava Jato oficialmente no dia 6 de março de 2017, transferindo-se para o escritório de advocacia que cuidou da delação premiada da JBS.

No dia 7, Joesley gravou Temer em encontro noturno no Palácio Jaburu. No dia 24 de março, Joesley gravou o presidente do PSDB, Aécio Neves, em um hotel de São Paulo.

Está claríssimo que Miller levou pelo menos algum tempo preparando a transição entre os dois empregos.

Cabe perguntar: ele deu instruções, ainda que informalmente, a Joesley? Repassou informações do MPF a seus futuros parceiros de escritório? Soube antes que o futuro cliente gravaria Temer e Aécio? Soube das operações controladas da Polícia Federal?

Uma das entregas de dinheiro vivo feitas pelo executivo da JBS Ricardo Saud ao suspeito de ser o homem da mala de Temer, o então deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), aconteceu no dia 24 de abril, quando Miller já ocupava o novo emprego.

Agora, Época e Joesley fazem de conta que a entrevista do empresário foi dada apenas por insistência da revista. Contem outra.

A bomba foi programada para explodir às vésperas da decisão da primeira turma do STF de prender ou não preventivamente Aécio Neves.

Prender Aécio terá consequências políticas profundas para Temer e o PSDB.

A jogada de Janot com a entrevista de Joesley expõe alguns ministros do STF ao escrutínio da opinião pública, já que lá atrás, no plano antecipado por Jucá, o acordão teria a benção inclusive da Corte.

É provável que, àquela altura — antes do impeachment de Dilma –, Jucá estivesse crente de que o poder de ação de Gilmar Mendes nos bastidores seria o suficiente para garantir o freio na Lava Jato.

Desde então, o que aconteceu?

Janot e Gilmar tornaram pública a guerra que travavam nos bastidores, o ministro relator da Lava Jato, Teori Zavascki, morreu de forma suspeita, Michel Temer cimentou seu trato com o PSDB indicando um segundo tucano, Alexandre de Moraes, para o STF.

Podemos dizer, hoje, que o STF está “em disputa”.

Por 3 a 2, a primeira turma manteve na cadeia a irmã de Aécio Neves, Andrea. Os ministros Marco Aurélio e Alexandre de Moraes foram derrotados.

Agora, especialmente à luz da entrevista de Josley Batista, os olhos se voltam para Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux. São os três votos que podem colocar Aécio na cadeia.

Joesley falou várias vezes em ORCRIM, organização criminosa, durante a entrevista à Época. É o linguajar dos procuradores.

É como Janot talvez tente denunciar Temer em algumas semanas, como chefe de organização criminosa.

Joesley fez o papel esperado dele na entrevista: apontou Temer como o número um da quadrilha, Aécio como o número dois. Loures, Andrea e o primo de Aécio entram como coadjuvantes.

Janot tem pressa. Ele conta com a prisão do Mineirinho para aprofundar o racha no PSDB, derrubar Michel Temer e com ele Caju, Angorá e Primo. Babel pode ir em cana a qualquer momento e Carangueijo só terá razão para fazer delação premiada quando todo o esquema desmoronar.

Janot precisa de um resultado prático até 17 de setembro, quando deixa o cargo. É óbvio que ele pretende emplacar seu sucessor, Nicolao Dino*. Para isso precisa mostrar resultados e conter Temer.

Se sobreviver até lá, Temer pode simplesmente descartar a lista tríplice dos mais votados em eleições internas do MPF e indicar um engavetador-geral da República. Alguém duvida que o faria?

Luiz Carlos Azenha

PS do Viomundo: *Também concorrem ao cargo os procuradores Carlos Frederico, Mario Bonsaglia, Ela Wiecko, Raquel Dodge, Sandra Cureau, Franklin Rodrigues da Costa e Eitel Santiago.

Abaixo, o bate-boca entre Gilmar Mendes (na condição de presidente do TSE) e Nicolao Dino (na de vice-procurador eleitoral) durante a sessão que rejeitou a cassação da chapa Dilma-Temer. Dino arguiu o impedimento do ministro Admar Gonzaga, que acabou votando apesar de ter sido advogado de Dilma Rousseff. É um bate-boca indireto entre Gilmar e Janot:


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Persistência no erro

Supostas declarações dos ex-ministros da Justiça, José Eduardo Cardoso e Tarso Genro (foto), em entrevista ao Estadão, reafirmando a justeza de indicar, para a Procuradoria Geral da República, o mais votado de uma lista tríplice estabelecida pela Associação Nacional dos Procuradores da República, revelam que setores importantes do PT continuam capitulados ao "republicanismo" que desarmou o partido e a esquerda para o inevitável enfrentamento entre classes e projetos.

O VI Congresso do PT votou resoluções críticas e auto-críticas dessa postura, mas lideranças e correntes seguem renitentes na posição que levou o petismo ao cadafalso como ovelhas ao abatedouro.

"Republicanismo" é o nome moderno de uma concepção que considera o Estado como acima das classes e território neutro de disputa, fruto das ideias liberais, incluindo versões adocicadas do socialismo como as do italiano Norberto Bobbio.

Essa concepção se fortalece na crítica ao marxismo, para o qual o Estado é sempre a ditadura de uma classe social hegemônica, mesmo na sua forma democrática e eleitoral. A formulação marxista conduz à conclusão que, quando eventualmente partidos da classe trabalhadora chegam ao governo, devem agir com firmeza e determinação para submeter o máximo de casamatas e trincheiras institucionais ao seu comando, preparando-se para a contraposição de classe que fatalmente ocorrerá no interior do poder público.

O petismo que se alinha à opinião de Cardoso e Genro, nesse debate, optou pelo caminho do liberalismo de Bobbio. Os resultados já conhecemos. Triste que persistam no erro.

Breno Altman
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Temer, Moro e FHC, aliados dos EUA, na rota do Brasil de volta à colônia


Muitos amigos e desafetos me criticam e dizem que culpo o juiz Sérgio Moro por tudo. Falam que sou adepto da teoria da conspiração e que deliro nos meus textos.

Vou tentar ser o mais didático possível. No teatro em que estudei, aprendi que o volume de nossa voz tem que ser audível para que o último da platéia nos ouça, só assim estaremos falando com todos.

Na comunicação, temos que ser claros para que todos, do mais culto ao menos letrado, entendam o que escrevemos para que não haja dúvidas, o que não quer dizer que concordam com o texto. Até porque, segundo Nelson Rodriguez, “Toda unanimidade é burra”.

Mas vamos ao texto. Na matéria “ Trump lança doutrina imperial para intervir na América Latina” (4) fica claro que o presidente dos EUA não está preocupado com a democracia, distribuição de renda e muito menos com política social nesses países. Trump também rompe a política de seu antecessor, Obama, com Cuba, mas o que ele quer mesmo é o petróleo da Venezuela e do Brasil.

Na Venezuela, os EUA tentam sem trégua derrubar os governos bolivarianos para se apossar do petróleo. Chegaram a derrubar Hugo Chavez por 47 horas, que voltou nos braços do povo(3). E contra Maduro, sucessor de Chávez assistimos nas manchetes: Assembleia da Venezuela abre processo político para afastar Maduro (1) e a Suprema Corte da Venezuela anula decisão da assembléia contra Maduro (2).

No Brasil, as pretensões dos EUA estão bem encaminhadas. Os tucanos tentaram, quando governo, privatizar a Petrobrás, sem êxito. Não desistiram e agora voltam como parte do governo do golpista Michel Shell Temer e colocaram, na Petrobrás, nada menos, que um tucano que foi ministro do apagão de FHC e que, quando membro do Conselho de Administração da Petrobrás, virou réu em processo movido por petroleiro por venda de ativo (8).

Pedro Parente realiza os sonho dos gringos, já que está liquidando a Petrobrás, vendendo tudo, sem licitação, para quem quer e pelo preço que ele mesmo decide. Nessas negociatas estão indo áreas do pré-sal, petroquímicas como a de Suape, malhas de dutos do sudeste, NTS, fábricas de fertilizantes de bicombustíveis etc.

Aí entra a participação do juiz Sergio Moro, chefe da operação Lava Jato. Esse juiz é premiado da Globo e essa emissora, no governo de FHC, se acumpliciou com os tucanos na tentativa frustrada de privatizar a Petrobrás. Na época a Globo comparava a empresa a um paquiderme e chamava os petroleiros de marajás. Em sua saga de destruição da Petrobrás, a Globo lança o editorial em dezembro de 2015:“O pré-sal pode ser patrimônio inútil”.

Entretanto a Lava Jato não investiga o governo de FHC na Petrobrás, várias vezes denunciado e com inúmeras queixas envolvendo seu próprio filho (5,6).

E Moro, responsável pela Operação que investiga a Petrobrás, permite que Pedro Parente entregue um patrimônio de valor inestimável burlando toda uma legislação. Nem denúncia no MPF, em dezembro de 2016, denunciando Parente ao MPF fez a Lava Jato sair da Omissão. Muito pelo contrário, o MPF saiu acusando o autor da denúncia (7,8).

Muitos críticos chamam Moro de agente da CIA. Não posso afirmar, mas os fatos falam por si: esse juiz, além de ser conivente com a entrega criminosa da Petrobrás, com FHC e Parente, ainda permitiu os vazamentos diários sempre visando ao enfraquecimento da empresa.

Ele ainda convocou os procuradores estadunidenses para investigar a Petrobrás e mandou os maiores corruptos da Petrobrás testemunharem contra a empresa em tribunais americanos.

A farsa dos tribunais americanos é dizer que a queda dos valores das ações da Petrobrás foi por conta da corrupção. O mundo sabe que a depreciação dos valores dos papeis de todas as petroleiras no mundo, incluindo a Petrobrás, foi por conta da tramoia dos EUA e da Arábia Saudita.

Eles aumentaram a oferta de petróleo no mercado internacional para prejudicar os países produtores, entre eles, Rússia, Irã, Venezuela e Brasil. Assim os preços do petróleo caíram de US$ 140 para US$ 30.

Dizer que Temer, Moro e FHC são aliados dos EUA, na rota do Brasil de volta à colônia, é fato, delírio ou teoria da conspiração?










Emanuel Cancella, OAB/RJ 75.300, ex-presidente do Sindipetro-RJ, fundador e ex diretor do Comando Nacional dos Petroleiros, da FUP e fundador e coordenador da FNP , ex-diretor Sindical e Nacional do Dieese, sendo também autor do livro “A Outra Face de Sérgio Moro”
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Entrevista: Boaventura de Sousa Santos


Referência mundial no campo da ciência social, o premiado pensador Boaventura de Sousa Santos esteve no Brasil para lançar seu novo livro A difícil democracia (Boitempo Editorial). Em uma análise primorosa da situação política atual, Boaventura discute o que chama de “democracia de baixa intensidade”, reflete sobre as causas das crises que envolvem países da América Latina, Europa e África e, principalmente, alerta para a urgente necessidade de ‘reinventar as esquerdas’, subtítulo da obra. O sociólogo chama a atenção para as consequências políticas, econômicas e sociais depois de períodos em que o poder esteve com as esquerdas. Alerta para a ameaça fascista aberta sob a bandeira do combate à corrupção, que se impõe como proteção à democracia.

“A frustração pode plasmar-se numa opção política pelo fascismo, sobretudo se a frustração for vivida muito intensamente, se for acirrada pela mídia reacionária, se houver à mão bodes expiatórios, estrangeiros ou estratos sociais historicamente vítimas de racismo e sexismo”, escreve. Para ele, o crescimento de movimentos fascistas “é funcional aos governos de direita reacionária na medida em que lhe permite legitimar mais autoritarismo e mais cortes nos direitos sociais e econômicos, mais criminalização no protesto social em nome da defesa da democracia.”

Autor reconhecido e premiado no mundo todo, Boaventura escreve sobre sociologia do direito, sociologia política, epistemologia e estudos pós-coloniais, movimentos sociais, globalização, democracia participativa, reforma do Estado e direitos humanos, além de fazer trabalho de campo em Portugal, no Brasil, na Colômbia, em Moçambique, em Angola, em Cabo Verde, na Bolívia e no Equador. Entre seus livros mais importantes estão Um discurso sobre as ciências (1988), Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade (1994), Reinventar a democracia (1998), Democracia e participação: o caso do orçamento participativode Porto Alegre (2002), Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos (2013), A cor do tempo quando foge: uma história do presente – crônicas 1986-2013 (2014), O direito dos oprimidos (2014) e A justiça popular em Cabo Verde (2015).

Boaventura recebeu a reportagem dos Jornalistas Livres para uma conversa sobre Brasil, colonialismo, esquerdas e democracia. “O capitalismo nunca atua sozinho. Ele atua com o colonialismo e atua com o patriarcado, isto é, com o racismo e com a violência contra as mulheres. Não é uma forma de dominação que seja capaz de conviver exclusivamente com o trabalho assalariado. Tem que desqualificar seres humanos, sejam os trabalhadores, sejam os jovens negros, as mulheres negras, as mulheres em geral, e portanto o colonialismo não acabou. Nós vivemos em sociedades coloniais com imaginários pós coloniais.”

Sobre o Brasil, Boaventura afirma: “O País estará em um impasse durante um tempo. O neoliberalismo é uma farsa e está sendo implementado aqui exatamente como farsa, até que as forças populares de esquerda se dêem conta que é possível uma alternativa política. Os partidos de esquerda, em nenhuma condição, se devem aliar a partidos de direita. A esquerda tem que se aliar com a esquerda. Se não é possível uma aliança com outros partidos de esquerda, mantenha-se na oposição até que essas condições sejam criadas. Não podemos governar na base de conciliação com grupos de direita que no momento oportuno nos largam, como aconteceu com o PMDB e com o PSDB, não sejamos ingênuos.”

Ele diz que a saída pode estar em um novo partido de esquerda, que esteja baseado mais nos movimentos sociais e menos nos interesses partidários. “O presidente Lula é um fator muito importante. Se ele voltar à presidência, não vai poder governar como governou. Se ele não voltar a ser presidente, o mito estará intacto. A aceitação que ele continua a ter é absolutamente notável e todos os cientistas políticos deveriam estudar no mundo. Lula foi uma parte muito importante do passado, vai ser uma parte importante do futuro. Mas é preciso que digamos publicamente que temos consciência para pressionar eventualmente um presidente Lula ou um candidato Lula a atenuar um pouco a ideia da conciliação e a unir-se mais ao movimento popular. Nós não vamos estar numa década de Lula paz e amor. Não há condições para isso.”

Entrevista: Gustavo Aranda e Maria Carolina Trevisan, Jornalistas Livres
Fotografia:
Ângelo Lorenzetti
Apoio:
Daniel Grilli
Agradecimentos:
Ivana Jinkings
Yumi Kajiki

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Réu por improbidade, deputado ligado a Cunha chama Joesley de “meliante” e “cachorro”


O vice-líder da bancada do PMDB na Câmara, Carlos Marun (MS), chamou Joesley Batista, da JBS, de “meliante” e “cachorro” ao comentar, neste sábado, a entrevista que o empresário concedeu à Revista Época. Em nota sobre as acusações feitas por Batista, de que presidente Michel Temer é chefe de uma quadrilha, Marun disse que o dono da rede de frigoríficos faz um “desfile de acusações genéricas”. O deputado peemedebista é um dos mais ferrenhos integrantes da tropa de choque do governo.

“Não é demais lembrar que este cachorro (forma como os delatores colaboradores eram conhecidos durante a ditadura) esteve por mais de 40 minutos gravando o presidente e nada conseguiu tirar dele de realmente criminoso ou comprometedor”, afirma no comunicado. “É óbvio que orientado por sua defesa o meliante tenta proteger seu escandaloso e benevolente acordo de delação, que está sendo contestado na Justiça já que a lei veda o perdão judicial a chefes de quadrilha delatores.”

Para Marun, a entrevista concedida por Joesley é “mais um capítulo” de uma “conspiração asquerosa” contra o presidente da República e as reformas. “Trata-se de mais um capítulo desta novela em que se constitui a conspiração asquerosa que tenta acabar com as reformas, depor o presidente Temer e garantir exílio dourado para Joesley e para os outros delinquentes que o cercam”, diz Marun.

No DCM
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Espaço

Já somos seis bilhões, não contando os milhões que nasceram desde o começo desta frase.

Se fosse um planeta bem administrado, isso não assustaria tanto. Mas é, além de tudo, um lugar mal frequentado. Temos a fertilidade de coelhos e o caráter de chacais, que, como se sabe, são animais sem qualquer espírito de solidariedade.

As megacidades, que um dia foram símbolos da felicidade bem distribuída que a ciência e a técnica nos trariam — um helicóptero em cada garagem e caloria sintética para todos, segundo as projeções futuristas de anos atrás — se transformaram em representações da injustiça sem remédio, cidadelas de privilégio cercadas de miséria, uma réplica exata do mundo feudal, só que com monóxido de carbono.

Nosso futuro é a aglomeração urbana, e as sociedades se dividem entre as que se preparam — conscientemente ou não — para um mundo desigual e apertado e as que confiam que as cidadelas resistirão às hordas sem espaço.

Os jornais ficaram mais estreitos para economizar papel, mas também porque diminui a área para expansão dos nossos cotovelos. Chegaremos ao tabloide radical, duas ou três colunas magras onde tudo terá que ser dito com concisão desesperada. Adeus advérbios de modo e frases longas, adeus frivolidades e divagações superficiais como esta.

A tendência de tudo feito pelo homem é para a diminuição — dos telefones e computadores portáteis aos assentos na classe econômica. O próprio ser humano trata de perder volume, não por razões estéticas ou de saúde, mas para poder caber no mundo.

No Japão, onde muita gente convive há anos com pouco lugar, o espaço é sagrado. Surpreende a extensão dos jardins do Palácio Imperial no centro de Tóquio, uma cidade onde nem milionário costuma ter mais de dois quartos, o que dirá um quintal. É que o espaço é a suprema deferência japonesa. O imperador sacralizado é ele e sua imensa circunstância.

Já nos Estados Unidos, reverencia-se o espaço com o desperdício. Para entender os americanos, você precisa entender a sua classificação de camas de acordo com o tamanho: queen size, tamanho rainha, king size, para reis e, era inevitável, emperor size, do tamanho de jardins imperiais. É o espaço como suprema ostentação, pois — a não ser para orgias e piqueniques — nada é mais supérfluo do que espaço sobrando numa cama, exatamente o lugar onde não se vai a lugar algum.

Os americanos ainda não se deram conta de que, quando chegar o dia em que haverá chineses embaixo de todas as camas do mundo, quanto maior a cama, mais chineses.

Luís Fernando Veríssimo
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Época tenta esconder Meirelles


Nós sabemos que no mundo da justiça-espetáculo as versões costumam ser mais importantes do que os fatos. Lembrei dessa regra ao ler o depoimento de 12 paginas de Joesley Batista a Época, reproduzido com tambores e trombetas na noite de sábado no Jornal Nacional. Alguns fatos e versões se encontram, indiscutivelmente, fora do lugar, formando uma construção que gera  resultados políticos óbvios. O maior exemplo envolve o papel do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, personagem numero 2 do governo comandado pelo "chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil" nas palavras de Joesley. 

Graças ao silêncio da Época, o cidadão brasileiro permanece sem saber o papel do  ministro da Fazenda Henrique Meirelles nos negócios do grupo.

É um clássico silencio ensurdecedor. Frequentador da porta giratória Estado-setor privado que lhe permitia deixar um cargo no primeiro escalão do governos Lula, e depois voltar na equipe de Temer, o nome "Henrique Meirelles" sequer é mencionado numa entrevista de 12 páginas. Nem uma única vez.

É uma falta de curiosidade espantosa, quando se recorda que entre 2003 e 2010, ele ocupou a presidência do Banco Central, onde era o grande cartão de visita que Lula apresentava ao mercado financeiro. Depois disso, entre 2012  e 2016,  foi presidente do Conselho de Administração da J&F, que administrava o conjunto de negócios bilionários do grupo. Também dirigiu o banco Original, dos mesmos sócios. Meirelles só deixou o cargo em maio do ano passado, para voltar ao governo, ocupando agora  o segundo cargo mais importante da República, como Ministro da Fazenda.

De seu gabinete saíram as principais linhas da atual política econômica, desde a emenda constitucional que definiu o congelamento de gastos pela inflação  como a reforma da Previdência, a reforma trabalhista. Estas medidas   definem — não é adjetivo, apenas conceito — o governo Temer como o mais reacionário da história republicana.

Nessa condição, seria indispensável saber: a partir de 2016, quando voltou ao governo, como Meirelles se comportou ao lado do "chefe da quadrilha mais perigosa?" Ajudou? Atrapalhou? Tentou impedir medidas ilegais? Deu conselhos? Quais propostas recusou, quais apoiou? Ajudou Joesley na fase 1, quando o chefe estava na quadrilha? Ou na fase 2, quando resolveu delatar? 

Não sabemos se apresentou algum contato dos velhos tempos.  Se participou de jantares na presença de amigos ou se ofereceu informações estratégicas.  

Alguma vez — quando era executivo da J&F — estranhou o desvio milionário e regular de recursos que eram enviados para esquemas políticos?

O que achava das conversas com Guido Mantega, um dos inimigos que deixou no governo?

Comportou-se como aquele tipo que, como gosta de lembrar o procurador da Lava Jato Luiz Fernando Lima, pode ser acusado de "cegueira voluntária"? 

É um comportamento que chama a atenção em qualquer hipótese.

Mesmo que a ideia seja demonstrar que atual ministro da Fazenda não passava de uma improvável Rainha da Inglaterra — eufemismo para definir o velho e bom testa-de-ferro — o leitor tem o direito de saber qual era sua função real. Mesmo porque um presidente de Conselho pode ter obrigações legais a responder no futuro. Não se trata de pré-julgar Meirelles nem imaginar coisas que não foram sequer insinuadas. A escola que leva a condenar sem respeito pela presunção da inocência não é a minha e só leva a reforçar um estado de exceção.

Só acho que não dá para esconder um personagem dessa estatura e achar ninguém vai perceber. Não é jornalismo. 

Também é fácil reconhecer que o silêncio sobre Meirelles atendeu a um propósito político.

Empenhadas num projeto de retirar Temer do Planalto,  as Organizações Globo têm outro plano para o Ministro da Fazenda e a equipe econômica. Querem que seja mantido no cargo de qualquer maneira, para garantir a continuidade das reformas. Nos primeiros momentos da crise, o próprio Meirelles  já se ofereceu, pelos jornais, para permanecer  no posto caso o presidente venha a ser afastado. Desse ponto de vista, o silêncio sobre seu papel — antes e depois — é providencial.

Essa postura seletiva, agora no sentido inverso, explica o esforço para minimizar as afirmações de Joesley sobre Lula, que compõem um depoimento obrigatório para quem responde a tantos inquéritos na Lava Jato. Numa cobertura séria, que envolve candidato a presidente que está em primeiro lugar nas pesquisas enfrenta uma caçada judicial de anos, era uma novidade e tanto. 

"Nunca tive uma conversa não republicana com o Lula," diz o empresário conta-tudo. "Não estou protegendo ninguém," acrescentou.

Referindo-se  às insinuações frequentes de que um dos filhos do presidente era sócio oculto da Fri-Boi, a mais conhecida empresa do grupo, Joesley deixa claro que se trata de uma mentira.

Em vez de dar o destaque ao testemunho pessoal, Época e a TV Globo deram prioridade a uma afirmação  que Joelsey não sustentou com fatos. O carnaval foi feito em torno da frase de que "Lula e PT institucionalizaram a corrupção."

Basta ler os diários de Fernando Henrique Cardoso no Planalto para encontrar provas de que o troféu originalidade está em disputa. Nem vamos lembrar de Fernando Collor de Mello, o protegido da Globo nos dois turnos de 1989. 

No volume 2 de seus diários, FHC relata que acabou cedendo a pressão de integrantes da "quadrilha mais perigosa"  e assim, explicitamente, após muita pressão de Temer-Geddel-Padilha, acabou nomeando o último para o Ministério dos Transportes — decisão que ele mesmo sabia ser questionável.

Então deu para entender. Estamos combinados.     

A estratégia do jogo: destruir Temer, proteger Meirelles, atacar Lula.

Paulo Moreira Leite
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Os fujões. Deputados seguiriam Temer como a Jim Jones?


O “plano” do Governo, anunciado hoje pela Folha, de fazer com que os deputados “fujam” da sessão que, provavelmente, será convocada para decidir se andará ou não a ação criminal contra Michel Temer é um sinal de que os movimentos deste governo são aqueles dos estertores, da agonia.

Reparem: é a ideia de ficar pela omissão, pela paralisia, pela ausência. Encolher-se, em posição fetal, diante do que sabem que virá, os tais “fatos novos” que, a esta altura, as cúpulas de Brasília sabem e que fizeram, semana passada, até Fernando Henrique prever a ruína da pinguela.

É, claro, ideia de jerico, que não tem chance de se realizar, porque, desde Jim Jones, não se tem notícia de suicídio coletivo desta monta.

A mortandade em larga escala que estamos vendo é o resultado de uma máquina de destruição das estruturas políticas que serviu ao PMDB, ao PSDB e à maioria dos parlamentares e que, agora, tomou o freio nos dentes e, cavalgada e espicaçada pela mídia, contra eles se volta.

Para detê-la, o único remédio e aquele do qual mais fogem – e a mídia demoniza – é apelar à fonte de legitimidade do poder político: o voto popular.

Sem ele, as instituições brasileiras vão continuar se dissolvendo e acabaremos mergulhados naquilo que, talvez, seja o sonho secreto do Doutor Sérgio Moro em sua obsessão pelas Operação Mani Puliti.

Sílvio Berlusconi.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Bandidos de estimação do Globo jogam mais gasolina no fogaréu do cabaré do golpe



Introdução de Gilberto Freyre à autobiografia de Joaquim Nabuco “Minha formação” - http://www.grabois.org.br/portal/rese...

O golpe dos jaburus - http://outroladodanoticia.com.br/2016...
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As palestras de Dallagnol e os voos de Temer


Há algo em comum entre Michel Temer e Deltan Dallagnoll.

Divulgada a informação de que viajou para um encontro da LIDE em um avião da JBS, inicialmente Michel Temer admitiu a viagem – já que era para evento público -, mas negou o transporte. Disse que viajara em avião da FAB.

Informado de que a FAB desmentiria, admitiu o voo em aeronave privada. Mas informou não saber o nome do proprietário.

Quando o proprietário deu inúmeros detalhes demonstrando que Temer sabia, nada mais disse.


Divulgada a informação de que havia um site de eventos vendendo suas palestras a um custo entre R$ 30 mil a R$ 40 mil, o procurador Deltan Dallagnoll negou ter autorizado a venda. O site publicou uma nota se desculpando.

Mas não negou receber pelas palestras, porque eventos públicos, nem desmentiu os valores apregoados no site.

No seu perfil, no Facebook, a título de defesa, informou a destinação dos recursos:

(...) Em 2017, após descontado o valor de 10% para despesas pessoais e os tributos, os valores estão sendo destinados a um fundo que será empregado em despesas ou custos decorrentes da atuação de servidores públicos em operações de combate à corrupção, tal como a Operação Lava Jato, para o custeio de iniciativas contra a corrupção e a impunidade, ou ainda para iniciativas que objetivam promover, em geral, a cidadania e a ética.

Nunca divulguei isso antes para evitar que tal atitude fosse entendida como ato de promoção pessoal. Contudo, diante de ataques maldosos e mentirosos, reputo conveniente deixar isso claro para evitar qualquer dúvida de que o que me motiva é o senso de dever, como procurador e como cidadão.

Há alguns problemas nessa explicação.

Onde ele jogaria os recursos advindos das palestras?

Certamente Deltan não terá a menor dificuldade em explicar o caminho que os recursos de palestras percorreram para chegar ao setor público. Qualquer doação para o serviço público, “tal como a Operação Lava Jato”, só pode ser feita por pessoa jurídica de direito privado.

Assim como as delações da Lava Jato, sua confissão só terá valor se acompanhada de provas. No caso, o CNPJ da ONG criada para esse fim.

Se disser que os recursos estão em sua conta corrente, porque ainda não abriu a ONG, não terá cometido nenhum ilícito penal, porque o dinheiro é seu e fruto do largo investimento em autopromoção. Mas terá faltado com a verdade. E um super-herói não pode se permitir essa mácula da mentira em sua biografia.

Luís Nassif
No GGN
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Temer não tem condições de conduzir reformas nem "reformas"

O Brasil está sendo cobra­do pela ONU por pretender, com "reformas" das leis trabalhistas e de aposentadoria, transgre­dir o compromisso interna­cional, do qual é signatário, de não fazer qualquer retro­cesso em legislação de fins sociais e em direitos da pes­soa. Já sob cobranças por violação de direitos huma­nos, o Brasil curva-se à nova desonra com uma peculiari­dade: a transgressão vem de um governo sob acusa­ções de delinquência que in­cluem, além de grande parte do Congresso, o próprio ocupante da Presidência da República. Tudo muito coe­rente.

Michel Temer conta com as duas "reformas" para rece­ber do poder empresarial o apoio que o mantenha no Planalto até o fim de 2018. Até agora, nenhuma das gravações e acusações aba­lou esse apoio. É o que o PSDB, na condição de repre­sentante político das classes mais favorecidas, confirma com sua recente decisão de con­tinuar aliado a Temer e inte­grante do governo.

Falada inúmeras vezes, a pressa governista de aprovar as "reformas" é falsa. O Planalto não se move para isso. E seus parlamentares, ou se refe­rem a dificuldades na ban­cada governista, ou tapeiam com uma atividade inócua. Esticar no tempo é esticar o apoio do poder privado.

Quem pensar a sério na re­lação entre essas "reformas" e a situação atual do país, não pode fugir à obviedade simples e forte: Temer não tem condições de conduzir reformas nem "reformas". Sejam condições intelec­tuais, políticas, morais, e quaisquer outras. É só um fantoche. À espera de que alguém conte os seus feitos ou os silencie por dinheiro.

O Congresso, com mais de uma centena de deputados e senadores pendurados na Lava Jato, não tem condi­ções de examinar, discutir, aprimorar e votar projeto algum que tenha implicações mais do que superficiais. Está demonstrado na combinação do projeto do governo com as contribuições de parlamen­tares. Coisas assim: acordos entre o patronato e empre­gados poderiam desrespeitar e sobrepor-se às leis.

Isso é tão ilegal, obtuso e de tamanha sem-vergonhi­ce, que dificulta imaginar-se sua origem em gente de go­verno e do Congresso. E não é um, não são dois, ou pou­cos, comprometidos com a criação delirante. Com cada uma delas. São muitos.

No plano da intenção de­sumana, mesmo a mais sim­plória das medidas propos­tas representa o conjunto numeroso. É a redução do tempo vago a título de al­moço, de uma para meia ho­ra. Ninguém leva uma hora comendo. O desatino dos proponentes da redução desconhece que a hora é também para descanso, ao fim de quatro horas de tra­balho e antes de mais qua­tro. Não é preciso lembrar do trabalho operário: as quatro horas de pé dos vendedores de lojas fala de uma exaustão que centenas de deputados e senadores ja­mais sentiram. E se o expediente total não se altera, seja o das atuais oito horas ou das doze propostas, retirar meia hora de descanso não muda o tempo de atividade laboral. A redução do alegado almoço é só uma mani­festação a mais da nostalgia escravocrata.

O projeto governamental de "reforma" da Previdên­cia, por sua vez, estava tão carregado de arbitrariedades e desprezo por seres huma­nos, no original do ministro da Fazenda, que foi estraça­lhado por cortes – sem, no entanto, tornar-se inteligen­te e com alguma sensatez.

Não é preciso acrescentar leviandade alguma às que mantêm a crise. E a agra­vam a cada dia. Os dois te­mas das "reformas" não in­teressam só ao governo e à visão patronal. Revolvem a vida de uns 150 milhões de brasileiros. Ou mais. E isso não é coisa para ser mani­pulada por Michel Temer e seu grupo de políticos, la­ranjas, intermediários, cor­ruptores e corrompidos.

Janio de Freitas
No fAlha
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