14 de jun de 2017

O Globo: Funaro entrega Geddel em depoimento


Agora há pouco, Jaílton de Carvalho, em O Globo:

O operador Lúcio Bolonha Funaro está prestando um novo depoimento à Polícia Federal no inquérito para investigar o presidente Michel Temer e o ex-assessor Rocha Loures pelos crimes de corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça. Funaro foi chamado para esclarecer algumas questões relativas ao primeiro interrogatório a que foi submetido no último dia 2. O operador deverá ainda fornecer mais detalhes dos casos mencionados anteriormente. As revelações do operador podem aumentar complicar a situação de Temer e do ex-ministro Geddel Vieira Lima, entre outros.

No primeiro depoimento, Funaro acusou Geddel de fazer sondagens para saber se ele iria mesmo fazer acordo de delação premiada, como estava sendo ventilado pela imprensa. O ex-ministro, um dos principais aliados de Temer, teria ligado várias vezes para a mulher de Funaro em busca de informações sobre os planos do operador. Numa conversa com Temer, em 7 de março deste ano, o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, disse que estava pagando mesadas a Funaro e ao ex-deputado Eduardo Cunha para que os dois não fizessem delação. Temer teria dito, “tem que manter isso. Viu ?”.

Funaro afirmou também que até ser demitido, Geddel era o principal interlocutor de Batista no governo. A questão é importante porque, ainda na conversa com Temer, Batista diz que, com Geddel fora de cena, precisaria de um novo interlocutor. Temer indica, então, Rocha Loures para tratar de “tudo” com o empresário. Dias depois, o ex-assessor sai a campo, trata de decisões e cargos estratégicos do governo com Batista. Num outro momento, é filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, operador da propina da JBS.

Funaro operava para Cunha na Caixa Econômica Federal, tal como Fábio Cleto, que já o confessou. Lá, Geddel  e Moreira Franco agiam sob as ordens de Michel Temer.

Há um ano, noticiou-se que “a Eldorado Celulose, empresa do grupo J&F, que também é dono da JBS, pagou cerca de R$ 33 milhões em contratos de consultoria na área de energia para empresas ligadas a Lúcio Bolonha Funaro, que é apontado como operador do deputado Eduardo Cunha.”

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Com a saída de tucanos históricos, o PSDB mostra sua face real: corrupto como Michel Temer

Semler pediu as contas
Com a saída de acadêmicos respeitáveis como Miguel Reale – ele é o autor do anteprojeto da Constituição de 1988 — e de lideranças empresariais progressistas como Ricardo Semler, o PSDB perde a última camada de verniz que poderia associá-lo a algo que lembrasse, ainda que remotamente, a social democracia.

O que sobra é a face de Michel Temer, que entrou na política pelas mãos de Fernando Henrique Cardoso.

No final da ditadura militar, a jornalista Sílvia Luandos era presidente do Diretório do PMDB em Indianópolis (bairro de São Paulo) quando apresentou Temer a Fernando Henrique, que se preparava para assumir o Senado no lugar de Franco Montoro.

“Conheço Michel Temer de muitos anos. Ele entrou no PMDB por meu intermédio”, registrou Fernando Henrique, no seu Diários da Presidência.

Em 1988, Fernando Henrique e Sílvia Luandos deixaram o PMDB para fundar o PSDB.

Michel fez menção de acompanhá-los, mas ficou no antigo partido.

Era um deputado medíocre, que por duas vezes – 1986 e 1990 –, chegou à Câmara como suplente.

Ele ganha importância no parlamento em 1995, no primeiro ano de Fernando Henrique Cardoso.

A bancada do PMDB, numa articulação que tem as digitais do então presidente da República, o elege líder da bancada.

Era para ser Luiz Carlos Santos, mais independente que Michel Temer em relação ao governo federal.

Mas a bancada surpreende e comunica a Luiz Carlos Santos, numa reunião à noite, que o líder seria Michel.

Foi, digamos assim, um golpe contra a liderança de Luiz Carlos Santos.

Mas este, raposa velha da política, ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, já sabia e tinha negociado com Sérgio Motta, sócio e homem forte de Fernando Henrique, sua nomeação para a liderança do governo.

Um deputado que participou dessa reunião conta que os deputados, articulados por Michel Temer, chamaram Luiz Carlos Santos para dizer que ele não seria mais o líder do partido.

Coube a Geddel Vieira Lima dar a notícia a Luiz Carlos Santos:

— Nosso candidato a líder da bancada é Michel Temer – disse Geddel.

Luiz Carlos Santos respondeu:

— O meu também. Quanto a mim, serei líder do governo.

Luiz Carlos Santos sobreviveu, mas, à sombra de Fernando Henrique, foi Michel Temer quem subiu.

O então deputado José Aristodemo Pinotti, que era do PMDB, me contou que, alguns dias depois, Temer reuniu a bancada para comunicar que haviam fechado acordo para apoiar o governo federal.

“200 mil cash e 50 mil por mês a cada deputado”, disse. “E dois ministérios de porteira fechada”, acrescentou.

Dois anos depois, com o compromisso de mudar a Constituição para aprovar a emenda da reeleição, Michel Temer se elegeu presidente da Câmara dos Deputados, novamente com o apoio de Fernando Henrique.

A emenda da reeleição, como se sabe, só foi aprovada com a compra de votos.

Pelas contas de Pedro Simon, então senador do PMDB, pelo menos 150 deputados venderam o voto.

E assim chegamos a segunda-feira da semana passada, quando o PSDB, orientado por Fernando Henrique Cardoso, decide se manter no governo – o que significa apoiar Temer.

Em troca, o PMDB garante a sobrevivência de Aécio Neves, presidente do PSDB, outro que cresceu à sombra de Fernando Henrique.

No futuro, quando analisarmos o estado de putrefação da política brasileira, Fernando Henrique Cardoso terá, necessariamente, um papel de destaque.

Michel Temer e Aécio não existiriam sem a sua liderança.

Joaquim de Carvalho
No DCM
Leia Mais ►

A louca cavalgada de Augusto Nunes contra Lula na Jovem Pan

Ele
Aos 67 anos de idade, o jornalista Augusto Nunes foi contratado pela rádio Jovem Pan no início deste ano para uma espinhosa missão: preencher a vaga aberta com a demissão do repórter investigativo de direita Claudio Tognolli no programa matinal de variedades da emissora, o Morning Show.

Biógrafo oficial de personalidades impolutas como o delegado Romeu Tuma Jr. e o cantor Lobão, Tognolli caíra em desgraça, supostamente, como ele mesmo revelou, por ter se indisposto com Reinaldo Azevedo, hoje na Bandeirantes, à época a estrela maior da guinada ultraconservadora da rádio, aprofundada a partir de 2014 pelo herdeiro e atual presidente da Pan, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o “Tutinha”.

Ironicamente, Nunes, que também dá seus pitacos no noticioso Jornal da Manhã, foi apresentado aos ouvintes do Morning Show como uma  voz que iria reforçar a diversidade ideológica  do programa (pausa para uma gargalhada).

Afinal, quem acompanha suas múltiplas carreiras (blogueiro da Veja, âncora do Roda Viva e apresentador do programa Os Livres, da TV Cidade Verde, afiliada da Bandeirantes, no Mato Grosso) acostumou-se com as raivosas diatribes antipetistas e obscurantistas do personagem.

Por sua vez, numa emissora que abrigou e/ou abriga, profissionais do calibre de Rachel Sheherazade, Marco Antonio Villa e do próprio Azevedo, Nunes sentiu-se em casa para emitir barbaridades e massacrar a informação, sem compromisso com a verdade ou preocupação com o ridículo.

Um dos pontos altos de sua trajetória nestes poucos meses a serviço da Jovem Pan foi seu posicionamento de absoluto apoio à brutal intervenção policial promovida pelo governador Geraldo Alckmin e pelo prefeito João Dória na cracolândia, no domingo, 21 de maio, um dos pilares da política higienista da dupla tucana, a internação compulsória dos usuários de drogas da região, criticado por 10 entre 10 autoridades em saúde pública, à frente o médico Drauzio Varella.

Ao deitar falação sobre o tema, Nunes criticou os opositores dessas medidas, acusando-os de completo desconhecimento desse  grave problema de saúde pública. Ao mesmo tempo, apresentou-se como uma espécie de autoridade no assunto, esgrimindo o fato de residir nas vizinhanças da cracolândia, isto é, na avenida São Luiz, um dos endereços mais caros da capital paulista (seria o mesmo que alguém que morasse nas imediações de um quartel se arvorasse em autoridade na arte da guerra ou do vizinho de um hospital  que pretendesse sair receitando tratamentos a seus amigos e parentes).

Outra pérola da figura, desta vez uma demonstração de seu descompromisso com os fatos, aconteceu na edição desta quarta feira, 14, no Morning Show, por conta da denúncia da jornalista Miriam Leitão, que supostamente teria sido vítima de assédio e ofensas de militantes do Partido dos Trabalhadores num voo da Avianca.

Ao comentar o episódio, os integrantes do programa, Nunes entre eles, atribuíram a responsabilidade ao ex-presidente Lula, que teria insuflado a militância contra Miriam, em um discurso durante o Congresso do PT na semana passada – na verdade, Lula ridicularizou a funcionária da Globo, criticando-a pelas sucessivas bolas fora em seus comentários sobre economia.

Para reforçar o que acredita ser um viés antidemocrático do ex-presidente, Nunes, do alto de sua ignorância bem posta, mencionou o caso da analista Sinara Polycarpo, demitida pelo Santander, após Lula pedir sua cabeça, por enviar aos clientes do banco um relatório com projeções pessimistas para a economia brasileira diante de uma eventual vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais.

Detalhe: tratava-se, na verdade, da reeleição de Dilma e a demissão de Sinara ocorreu em julho de 2014, quatro anos depois de Lula ter deixado a presidência da República.

Além de cometer esse erro crasso, Nunes foi mais longe: depois de sustentar que o falecido Emilio Bottin, então presidente do banco espanhol, foi obrigado a colocar a funcionária no olho da rua, propôs que a indenização de R$ 450 mil obtida por ela na Justiça do Trabalho fosse bancada por Lula.

Miguel Enriquez
No DCM
Leia Mais ►

Os jornalistas bandidos de estimação do PT



Resposta da Dilma ao salafrário: https://t.co/Xh8CkKrOYk


No Esquerda Caviar
Leia Mais ►

Estado capturado


Em seu alentado voto, o ministro Herman Benjamin levantou uma questão importante que não parece ter recebido a devida atenção. Se as delações premiadas são corretas, como ficam as leis que foram aprovadas mediante o pagamento de suborno a autoridades? Apesar de parte dos esquemas de desvio ter sido desmantelada, muitos desses diplomas continuam em vigor, gerando milionárias vantagens para empresas corruptoras e distorcendo a livre concorrência.

Para dar uma ideia da escala do problema, vale rememorar o levantamento feito pela Folha em dezembro passado mostrando que apenas duas medidas provisórias encomendadas pela Odebrecht renderam ao grupo R$ 8,4 bilhões entre 2006 e 2015. A MP 255/05 diminuiu a tributação sobre a nafta, reduzindo os custos operacionais da Braskem, o braço petroquímico da Odebrecht. Já a MP 677/15 permitiu à Braskem comprar energia mais barata da Chesf. Pelo par, o grupo teria pago R$ 17 milhões em propinas — sob qualquer análise, um negócio da China. Só a Odebrecht teria comprado nove MPs.

Não há muita dúvida de que a coisa decente a fazer é tentar identificar os dispositivos que entraram de contrabando e revogá-los se ainda estiverem em vigor. Em tese, o vício de origem na aprovação dessas leis já é razão suficiente para considerá-las inválidas. É preciso, porém, que alguém, preferencialmente uma força-tarefa envolvendo os três Poderes, faça um levantamento exaustivo dos “jabutis”, e o Judiciário os anule, cobrando ressarcimento se couber.

Aqui já não estamos mais falando de corrupção e sim de um fenômeno ainda mais daninho para a democracia, que é a captura do Estado por interesses privados. Ela é pior do que a corrupção, pois, se corruptos concorrem uns com os outros e lidam com algum tipo de incerteza, aqueles que compram leis não enfrentam competidores nem correm risco de o negócio não sair como planejado.

Helio Schwartsman
No Blog da Luciana Oliveira
Leia Mais ►

PSDB deu o Golpe para o PMDB governar



Leia Mais ►

Como fabricar uma denúncia contra Lula, segundo a Lava Jato

Primeiro passo para promover devassa na vida de Lula é achar uma brecha no meio das empreiteiras da Lava Jato. Depois, é preciso detectar um elo entre a empresa do ex-presidente e a corrupção na estatal. Caso as evidências não sejam suficientes, dê tiro para todo lado: use o sítio de Atibaia e o triplex no Guarujá. Se nada der certo, recorra à delação


O Estadão divulgou nesta terça (13) que a Polícia Federal, sem finalizar a investigação, encaminhou o inquérito contra a LILS - empresa de palestras de Lula - para o Ministério Público Federal, em Curitiba (PR). A apuração deve ensejar a quarta denúncia que a equipe de Deltan Dallagnol pode apresentar a Sergio Moro contra o ex-presidente.

O GGN aproveitou a notícia para revisitar o que a Lava Jato levantou até agora sobre as palestras de Lula, tendo em vista que o inquérito da PF, iniciado há quase 2 anos, é inconclusivo e, além disso, em delação premiada, Alexandrino Alencar apontou que não houve nenhum ato de corrupção nos contratos entre a Odebrecht e a LILS.

A partir de informações extraídas dos pedidos de quebra de sigilo de dados da empresa de Lula, e da decisão de Sergio Moro autorizando as ações que deram origem à operação Aletheia, é possível traçar o roteiro do que já foi realizado. Ou, olhando de outro ângulo, um tutorial de como fabricar mais uma denúncia contra o ex-presidente - que já acumula 3 só nas mãos de Moro. 

PASSO 1 - ENCONTRANDO A JANELA

Foi investigando o chamado clube das empreiteiras e os pagamentos de propina relacionados a contratos da Petrobras que a Lava Jato achou uma brecha para arrastar Lula para Curitiba.

A partir da quebra de sigilo fiscal das empresas Camargo Corrêa, UTC, OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, a força-tarefa detectou o pagamento de pouco mais de R$ 9 milhões à LILS, entre 2011 e 2014.

A Lava Jato visualizou "fortes indícios de que Lula tem relação próxima com os executivos das empreiteiras envolvidas nas condutas delitivas."

Em setembro de 2015, Moro concordou com o primeiro pedido de quebra de sigilo dos dados da LILS, feito pelo MPF, em cima de 4 motivos:

(1) eram "altos" os valores que Lula recebeu das "empreiteiras participantes do cartel" da Petrobras para fazer palestras;

(2) era "reduzido o quadro de empregados da entidade, a indicar a vinculação dos recursos transferidos pelas empreiteiras com a pessoa que melhor personifica a empresa;

(3) os pagamentos por empresas são "contemporâneos" da "possibilidade de influência [de Lula] nas indicações de diretores da Petrobras envolvidos no esquema de corrupção";

(4) existia a "possibilidade de utilização de pessoa jurídica para transferir recursos espúrios entre os corruptores e os corrompidos, como já visto em relação a outros beneficiários do estratagema delituoso sob investigação."

PASSO 2 - ACHANDO UM ELO ENTRE PETROBRAS E EMPRESAS DE LULA

No 4º tópico para defender a quebra de sigilo da LILS, o MPF basicamente usou José de Filippi Junior como o elo entre eventual pagamento de propina na Petrobras em favor do PT e o ex-presidente Lula.

O argumento consiste no fato de que Filippi ocupou a tesouraria do partido em 2006, ano em que Lula buscou a reeleição e, segundo delatores da Lava Jato, teria recebido R$ 2,4 mihões em caixa 2 para sua campanha.

Um das informações usadas para sustentar essa tese foi o pagamento de R$ 400 mil pela QUIP à LILS, em 2013. A empresa era integrada pela Queiroz Galvão, UTC e IESA. 

Como Fillipi, além de tesoureiro do PT, veio a ocupar a presidência do Instituto Lula por alguns meses em 2011, a Lava Jato forjou uma ponte entre os negócios pessoais do ex-presidente e a propina na Petrobras.


PASSO 3 - PERGUNTANDO ÀS PESSOAS ERRADAS

Aquela primeira quebra de sigilo da LILS, autorizada por Moro em 2015, revelou que a empresa "recebeu pagamentos de cerca de R$ 21.080.216,67 entre 2011 e 2014, sendo que R$ 9.920.898,56 foram provenientes das empresas Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, UTC e Queiroz Galvão, todas envolvidas no esquema criminoso da Petrobras."

Com esses números em mãos, os procuradores perguntaram a executivos da OAS Empreendimentos sobre as palestras de Lula. Mas os interrogados "afirmaram que não se recordam de ter sido noticiada palestra do ex-presidente Lula dentro da OAS ou custeada pela mesma" e "a partir de tais depoimentos, reforça-se a hipótese de que a LILS possa ter sido usada para dissimular o recebimento de vantagens indevidas."

O curioso é que a OAS Empreendimentos está envolvida na Lava Jato por ter sido responsável por executar o empreendimento da Bancoop, no Guarujá (SP), onde Lula é acusado de ter um triplex reformado pela mesma empresa. A OAS Construtora é outro braço do grupo, liderada por Léo Pinheiro, e teria muito mais dados sobre as palestras de Lula ou seu Instituto. 

Quem veio a falar à Lava Jato sobre as palestras de Lula foi Alexandrino Alencar, da Odebrecht, de maneira muito taxativa. Ele disse que os serviços foram contratados de forma "lícita e transparente". O vídeo foi divulgado no início de 2017, mas sem que a versão de isenção da LILS tivesse destaque na mídia. (Leia mais)

O GGN já mostrou, em outra reportagem, que o expediente de selecionar as testemunhas de acordo com as conveniências foi muito explorado pelos procuradores de Curitiba no caso triplex. Há vídeo de membros da força-tarefa perguntando até a um montador de armários se ele "achava" que o apartamento era do petista. A resposta carregou o "plim, plim" da Globo. (Leia mais)

PASSO 4 - ATIRANDO PARA TODOS OS LADOS

Em fevereiro de 2016, cinco meses após autorizar a devassa na LILS, Moro atendeu outro pedido da Lava Jato e ampliou as investigações sobre Instituto Lula e pessoas relacionadas ao ex-presidente na operação Aletheia, conhecida pelo episódio da condução coercitiva.

Naquele momento, Moro, diante das informações apresentar pelo MPF até então sobre a LILS, apontou a escassez de provas: "Não se pode concluir pela ilicitude dessas transferências [das empreiteiras a Lula], mas é forçoso reconhecer que tratam-se de valores vultosos para doações e palestras, o que, no contexto do esquema criminoso da Petrobras, gera dúvidas sobre a generosidade das aludidas empresas e autoriza pelo menos o aprofundamento das investigações."

Mas para levar adiante as suspeitas sobre possíveis crimes praticados por Lula com a empresa de palestras, Moro decidiu considerar as demais denúncias da Lava Jato contra o ex-presidente para fabricar um contexto mais amplo de "aparente ocultação e dissimulação de patrimônio", com "apartamento e o sítio, as reformas e aquisições de bens e serviços", que justificariam, então, a necessidade de investigar "a fundo" a LILS. 

Foi nesse mesmo despacho que Moro escreveu a frase que roubou os holofotes: "Embora o ex-Presidente mereça todo o respeito, isso não significa que está imune à investigação, já que presentes justificativas para tanto."

PASSO 5 - APELANDO PARA A DELAÇÃO

Como faz mais de um ano desde a Aletheia e o inquérito da PF sobre a LILS ainda assim terminou sendo inconclusivo, o jeito foi recorrer à delação premiada. 

Chama atenção, na reportagem do Estadão, que o antigo delegado que presidia o inquérito da LILS, Márcio Anselmo, passou o bastão adiante observando que era preciso anexar delações para dar sustança ao caso.

Até a famosa delação de Marcelo Odebrecht falando que criou uma conta chamada "Amigo" e depositou nela milhões de reais que teriam ficado "à disposição de Lula" - objeto de outra ação penal nas mãos de Moro - é oferecida como sugestão de anexo pelo delegado Anselmo.

Além disso, ele pede para inserir no inquérito notícias de jornais, do final de 2016, sobre a palestra que Lula fez no Nordeste contratado pela Cervejaria Petrópolis. 

O despacho de Anselmo é de março de 2017, mais de 18 meses após a Polícia Federal iniciar a devassa na LILS.



Cíntia Alves
No GGN
Leia Mais ►

Lula conversa com Rádio Difusora FM do Maranhão — assista na íntegra


Leia Mais ►

Fim da pretensão presidencial do PSDB?

O abraço de afogados que o PSDB decidiu dar no moribundo governo Temer desmascara completa e inapelavelmente o único verdadeiro objetivo dos tucanos em sua atuação política: aumentar a margem de lucro dos grandes empresários e os ganhos do capital especulativo por meio do ataque à combalida renda das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros.

Há pouco tempo o PSDB levantava, com o peito inflado, a bandeira do combate à corrupção, comandado pelo impoluto Aécio Neves, para disfarçar sua agenda de retirada de direitos da população.

A decisão de permanecer no governo de Michel Temer – aquele senhor que foi pego falando placidamente sobre crimes com um megaempresário e cujo assessor pessoal foi flagrado com uma mala de dinheiro destinada ao chefe – é uma grande chutada de balde do partido. O recado é explicitado pelos próceres do tucanato sem que se perceba qualquer rubor de vergonha nas faces.

“O que importa são as reformas”, dizem eles. Todo o teatro de Aécio, Dória, Alckmin, etc. sobre corrupção era apenas isso: um patético teatro.

Os “cabeças pretas”, a ala mais jovem do partido, foi contra o desembarque decidido pelos “cabeças brancas” (Dória é o líder dos cabeças brancas apesar do impecável tingimento negro das madeixas).

Entretanto, no essencial, na convicção que repousa inabalável no coração de cada tucano, não há discordância.

Seja qual for a cor da cabeça, seja partidário da saída do governo Temer ou não, todo bom soldado do PSDB defende a continuidade do ataque brutal aos direitos trabalhistas e previdenciários de quem luta arduamente pela sobrevivência todo dia, faça chuva ou faça sol, Brasil afora.

Para completar o quadro de absoluta falta de vergonha na cara, a permanência do PSDB no governo Temer foi articulada por Aécio Neves – aquele senhor que foi gravado falando em mandar matar um possível delator -, que tenta garantir o apoio do PMDB à sua tentativa desesperada de sobrevivência política. O apoio do PMDB aos tucanos na eleição de 2018 também entrou na negociação republicaníssima.

Mais um detalhe bizarro: o PSDB foi o autor da ação que pediu a cassação da chapa pela qual Temer foi eleito, recém julgada pelo TSE. Tasso Jereissati, presidente do partido, questionado sobre permanecer em um governo que ele mesmo reconhece ter sido eleito por meio de ilicitudes, disse que “com certeza existe uma incoerência que a história nos colocou”.

Não coloque a culpa na história, senador. Foi a sanha tucana pelas reformas anti povo quem os colocou nesta situação deplorável.

Dar suporte a bandidos em nome de reformas rejeitadas por mais de 90% da população demonstra um descolamento da realidade além de qualquer limite razoável.

Como explicar um negócio desses em uma campanha eleitoral? Dizer “o nosso inimigo é o PT”, como repete alucinadamente João Doria, não vai tornar a falta de escrúpulos mais palatável.

Podemos estar presenciando o fim de qualquer pretensão presidencial do PSDB. O monopólio midiático vai ter que produzir um milagre para reverter um estrago desta magnitude.

Pedro Breier
No Blog do Miro
Leia Mais ►

O bonde de Aécio


O homem que fez mais que ninguém para levar o Brasil ao fundo do poço, o presidente afastado do PSDB, Aécio Neves, parece ter tido o dom de “contaminar” todo o ninho dos que promoveram o impeachment — sem provas de crime de responsabilidade — de Dilma Rousseff.

Da primeira fila do bonde de Aécio, que levou tucanos a uma manifestação contra a corrupção na avenida Paulista, em março de 2016, todos estão sob investigação por corrupção em inquéritos relacionados à Lava Jato: o próprio Aécio, o governador paulista Geraldo Alckmin e o “revolucionário” e hoje chanceler Aloysio Nunes.

Nos fundos da van estava Antonio Imbassahy, delatado por um ex-diretor da Odebrecht: a empreiteira teria dado R$ 300 mil ao então deputado federal em troca de favores.

Mesmo depois da denúncia, a carreira de Imbassahy seguiu normalmente: ele se tornou ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer, em substituição a outro suspeito, Geddel Vieira Lima.

Especula-se que Geddel será o próximo peixe grande a ser fisgado pela Lava Jato.

Também nos fundos da van podemos ver, na fotografia acima (lado superior esquerdo), o deputado Carlos Sampaio, ex-líder do PSDB na Câmara, que está sendo investigado pela suspeita de ter atuado para dificultar as investigações da CPI dos Correios.

Sampaio teria ajudado a obstruir a entrega de documentos do Banco Rural que poderiam comprometer Aécio Neves ou aliados na apuração, segundo a delação do ex-senador tucano-petista Delcídio do Amaral.

A lista de investigados que acompanhavam Aécio teve duas novas adesões.

A bordo estava o ministro das Cidades Bruno Araújo, do PSDB, que também é alvo da Lava Jato. Ele é suspeito de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Teria recebido 600 mil reais da Odebrecht em troca de serviços prestados por seu mandato de deputado federal no Congresso à empreiteira.

O sétimo investigado que estava no bonde do Aécio é o deputado federal Paulinho da Força, que hoje teve os direitos políticos suspensos pela Justiça federal. Acusação? Improbidade administrativa. Cabe recurso.

Paulinho militou fortemente pelo impeachment ao lado do hoje presidiário Eduardo Cunha e só se voltou contra o golpe de Michel Temer quando foi tragado pelas reformas que ajudou a deflagrar.

Um dos momentos mais constrangedores da votação do impeachment foi a paródia de Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (ver abaixo), cantada por Paulinho da Força no púlpito da Câmara:

Justiça decide por suspender direitos políticos do deputado Paulinho da Força

Quando presidente da Força Sindical, parlamentar do Solidariedade contratou fundação sem licitação


Brasília – O deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (SD-SP), teve os direitos políticos suspensos pela Justiça, por improbidade na utilização dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

De acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF), quando era presidente da Força Sindical, Paulinho contratou a Fundação João Donini sem licitação para dar cursos profissionalizantes a desempregados e pessoas de baixa renda utilizando recursos do FAT.

Além da suspensão dos direitos políticos pelo prazo mínimo de cinco anos, Paulinho da Força Sindical e outros réus, incluindo o responsável pela fundação, João Francisco Donini, foram condenados ao pagamento de multa.

Segundo o MPF, a Justiça apontou a inidoneidade da Fundação João Donini e registrou inconsistências repetidas nos cadastros de alunos, com duplicidade de CPFs.

Para o MPF, as provas revelam o prejuízo causado à efetiva e eficaz prestação de serviço público com dinheiro público por instituição “absolutamente desqualificada” para tanto.

De acordo com a denúncia, entre 1999 e 2000, a Força Sindical firmou três convênios com o Ministério do Trabalho para qualificação e requalificação profissional de trabalhadores desempregados ou sob risco de desemprego e também para micro e pequenos empreendedores e autônomos.

Em uma das parcerias, a Força teria contratado a Fundação Domini por R$ 215 milhões para ministrar esses cursos.

O parlamentar ainda não se pronunciou sobre o caso.



No Viomundo
Leia Mais ►

Para Eugênio Aragão, Temer pode ser afastado por cautelar; Kakay vê espetacularização

Para Kakay, hoje há “espetacularização do processo penal”.
Aragão diz que Temer “pede silêncio em relação à denúncia”
Foto: Antonio Cruz/Marcelo Camargo/ABR
A denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve oferecer nos próximos dias contra o presidente Michel Temer, passou a ser a principal peça do tabuleiro político após o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que absolveu a chapa vitoriosa na eleição presidencial de 2014 e deu novo fôlego a Temer.

Para o ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, a posição de Temer perante a iminente denúncia contradiz sua postura anterior. “A defesa de Michel Temer está reinterpretando tudo. Ele está preocupado em ter um grau de garantia que nunca se importou que os outros tivessem. Pede silêncio em relação à denúncia. Quer que a denúncia seja secreta? Ele nunca se preocupou com os outros, que tiveram suas vidas devassadas quando havia apenas suspeitas por força de delação. Nunca vi Michel Temer protestar contra abuso de autoridade. Mas agora, que é com ele, é diferente?”

A defesa do presidente tem acusado pressões da Procuradoria-Geral da República contra ele. O Palácio do Planalto e a PGR vivem clima tenso. Temer pode romper a tradição e não respeitar a lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) para escolher o sucessor de Rodrigo Janot, cujo mandato vai até setembro.

Na opinião de Aragão, a situação pode ficar ainda mais complicada para Temer com as novas denúncias. O ex-ministro acredita que o peemedebista poderá até ser afastado cautelarmente. “O que acho possível é estourar outro escândalo de proporções apocalípticas, suficiente para que haja um afastamento cautelar.”

Ex-integrante do Ministério Público Federal e aposentado recentemente, Aragão defende a tese de que uma medida de afastamento cautelar do presidente, por parte do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Procuradoria-Geral da República, deve ser considerada, se for revelado que Temer usou o cargo para inviabilizar o processo. “Para garantia da instrução penal e da aplicação da lei penal, ele pode ser perfeitamente afastado. Inclusive porque, ao que tudo indica, está cometendo um crime atrás do outro, utilizando a máquina administrativa em proveito próprio.”

A razão de ordem pública seria a justificativa para afastar o presidente cautelarmente, defende Aragão. “É claro que a Constituição não prevê isso. Mas também não previa o afastamento de senadores, como Delcídio do Amaral e Aécio Neves, e o Supremo construiu essa tese. O que não pode é o país ficar nas mãos de uma pessoa desse calibre”, afirma.

Já o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, vê na atual discussão sobre a esperada denúncia de Janot contra Temer os mesmos problemas anteriores, que passam pela Lava Jato e acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Acho, na verdade, estranho que se anuncie uma denúncia com essa antecedência contra um presidente da República, sendo que nem mesmo terminou o inquérito ou a perícia nas gravações”, diz.

“Não tenho nenhuma simpatia pessoal pelo Temer, tenho simpatia pelas instituições. Os pré-julgamentos fazem parte desse momento punitivo que estamos vivendo, em que as pessoas acham que antes de começar o processo já tem que afastar. Não conheço a denúncia ainda, temos a expectativa da denúncia. Não acho que se afasta presidente da República com essa facilidade”, pondera Kakay.

O advogado defende que a preservação da dignidade da pessoa é uma das bases do processo penal e esse princípio deve ser respeitado, independentemente de quem seja o acusado. “Uma exposição como essa é uma espécie de pré-condenação. Tudo isso é grave e desnecessário. Estamos vivendo um momento de espetacularização do processo penal.”

A denúncia que Rodrigo Janot prepara, segundo tem sido divulgado, seria baseada nas delações da JBS e faria também a ligação de Temer à chamada “mala” com R$ 500 mil que teria sido recebida pelo ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor de Temer. Janot deve apresentar a denúncia ao Supremo. Segundo a Constituição, a abertura de processo precisa ser autorizada por dois terços da Câmara dos Deputados ou 342 votos. A votação é nominal.

Eduardo Maretti
No RBA
Leia Mais ►

Escândalo: Joesley banca Gilmar!

Impeachment, já!


Saiu na fAlha:​

Instituto de Gilmar Mendes recebeu patrocínio de R$ 2,1 milhões da J&F

O grupo J&F, que controla a JBS, gastou nos últimos dois anos R$ 2,1 milhões em patrocínio de eventos do IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), que tem como sócio o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ao ser questionado pela Folha sobre o assunto, o instituto disse que devolveu R$ 650 mil deste total no dia 29 de maio, após a revelação do acordo de delação premiada de executivos da empresa.

O IDP diz que, em razão de uma cláusula contratual relacionada à conduta ética e moral por parte do patrocinador, rescindiu um contrato assinado em 11 de junho de 2015 com o grupo.

Segundo a faculdade, os recursos foram destinados a cinco eventos, "além do suporte a um grupo de estudos em Direito do Trabalho, da concessão de bolsas de estudo para estudantes carentes e egressos do sistema prisional, cursos gratuitos para a comunidade".

De acordo com o IDP e a JBS, um dos congressos incluídos nos patrocínios ocorreu em abril, em Portugal, pouco mais de uma semana depois de sete executivos do frigorífico firmarem um acordo de delação com o Ministério Público Federal. Participaram daquele encontro magistrados, ministros do governo de Michel Temer, além de advogados e políticos.

A JBS, por meio da assessoria de imprensa, diz que gastou R$ 1,45 milhão desde 2015, sem mencionar a devolução de R$ 650 mil. A empresa cita três congressos patrocinados, sendo o último realizado em Portugal, neste ano, no valor de R$ 650 mil. (...)
Como se sabe, Gilmar e Joesley se encontraram no IDP e, não, no Supremo...

Gilmar admitiu que a família dele vende gado a Joesley.

Gilmar admitiu que votou contra seus interesses, ao votar contra a JBS: logo, não podia ter votado, já que estava moralmente impedido...

Se é que preceitos morais se aplicam aos dois - Gilmar e Joesley!

(Não deixe de assistir a "Gilmar não pode julgar, porque tem partido")

Ou mandam Gilmar embora do Supremo ou a Justiça brasileira vai para a mesma cloaca em que se enterrou seu patrocinador - do Gilmar -, o Fernando Henrique Cardoso.

Leia Mais ►