13 de jun de 2017

Primo devolve R$ 1,5 milhão da propina de Aécio


Preso na Operação Patmos, Frederico Pacheco de Oliveira, primo do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), devolveu, nesta terça-feira 13, a quantia de R$ 1,5 milhão que havia sido paga em propinas pela JBS – e que estava desaparecida; segundo seus advogados, essa é a única informação que pode ser prestada por ora; nos meios jurídicos, especula-se que Frederico teria já feito uma delação premiada contra o ex-presidenciável tucano, que, hoje, teve outra má notícia: sua irmã, Andrea, permanecerá presa por decisão do Supremo Tribunal Federal; com isso, já está formada uma maioria no STF que poderá também votar pela prisão de Aécio no próximo dia 20


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A bolinha de papel de Mirian Leitão


Não gosto de me meter em brigas de jornalistas. Mas o episódio abaixo teve intenções políticas óbvias, que transcendem as meras quizílias corporativas.

Estamos em plena era das redes sociais. Hoje em dia, celulares captam PMs assassinando pessoas em ruelas escuras, políticos sendo escrachados na rua, em casa, em aviões. Um funcionário da United foi filmado retirando um passageiro do avião.

Segundo a jornalista Mirian Leitão, no dia 3 de junho, ou seja, dez dias atrás, ela foi escrachada em um avião da Avianca por um grupo do PT. Segundo Mirian, não foi uma manifestação qualquer, foram duas horas (!) de ofensas.

"Durante o voo foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. Não filmei porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias”.

Segundo depoimento do advogado Rodrigo Mondego, no Facebook, presente ao voo (https://goo.gl/p6x7KH)

Cara Miriam Leitão,

A senhora está faltando com a verdade!

Eu estava no voo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime. O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de voo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso.



Um incômodo, certamente, mas irrelevante, em que sequer seu nome foi mencionado, ao contrário da versão da jornalista, de ter sido vítima de duas horas de escracho.

Um segundo depoimento foi de Lúcia Capanema, professora de Urbanismo da UFF - Universidade Federal Fluminense (https://goo.gl/JjWSSA)

“(...) Fui a última a entrar no avião, e quando o fiz encontrei um voo absolutamente normal. Não notei sua presença pois não havia nenhum tipo de manifestação voltada à sua pessoa. O episódio narrado por mim na semana passada a respeito da entrada de um agente da Polícia Federal no voo 6342 da Avianca no dia 03 de junho foi confirmado em nota oficial pela própria companhia aérea. Você pode dizer na melhor das hipóteses que não viu o agente, mas não pode afirmar que "Se esteve lá, ficou na porta do avião e não andou pelo corredor". Andou, dirigiu-se ao passageiro da poltrona 21A e ameaçou-o (https://goo.gl/KpX9P9).

Durante as duas horas de voo nada houve de forma a ameaçá-la, achincalhá-la ou mesmo citá-la nominalmente. Por duas ou três vezes entoou-se os já consagrados cânticos "o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo" e "a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura"; cânticos estes que prescindem da sua presença ou de qualquer pessoa relacionada a empresa em que você trabalha, como se pode notar em todas as manifestações populares de vulto no país. Veja bem, estávamos a apenas seis fileiras de distância e eu só fui saber de sua presença na aeronave na segunda-feira seguinte, depois de ter escrito o relato publicado por várias fontes de informação da mídia alternativa. (...)

Quem falou a verdade, eles ou Mirian?

Nada melhor do que a prova do pudim.

Alguém pode imaginar uma cena dessas, de duas horas de escracho, em um voo comercial em uma das rotas aéreas mais frequentadas do país, passar em branco durante dez dias, sem uma menção sequer nas redes sociais ou mesmo no próprio blog da jornalista? Não teve uma pessoa para sacar de seu celular e filmar as supostas barbaridades cometidas contra a jornalista. Não teve um passageiro para denunciar os absurdos no seu perfil? E a jornalista disse que não filmou por ter se sentido intimidada e estoicamente guardou durante dez dias as ofensas que diz ter sido alvo.

Sinceramente, como é possível a uma pessoa empurrar ostensivamente a cadeira de um passageiro, de uma senhora, sem provocar uma reação sequer dos demais? TIvesse sido alvo de um escracho real, teria toda minha solidariedade. Não foi o caso.

Mesmo assim, imediatamente – como seria óbvio – a denúncia de Mirian provocou manifestações de solidariedade não apenas de entidades de classe como de jornalistas que não se alinham ao seu campo de ideias. De repente, foram relevadas todas as opiniões polêmicas da jornalista, nesses tempos de lusco-fusco político, de ginásticas mentais complexas para captar os ventos da Globo, para que explodisse uma solidariedade ampla.

No início do governo Dilma, houve episódio semelhante com Mirian, com a tal manipulação de seu perfil na Wikipedia por algum funcionário do Palácio. As alterações diziam que ela teria cometido erros de avaliação em alguns episódios.

Não existe um personagem público que não tenha sofrido com interferências em seu perfil na Wikipedia. E tentar transformar em atentado político, por ter partido de um computador da rede do Palácio, é o mesmo que acusar uma empresa por qualquer e-mail enviado por qualquer funcionário.

Mesmo assim, Mirian tratou o episódio como se fosse uma ofensa profunda à sua moral e um ato de intolerância política.

O lance pegou uma presidente ansiosa por demonstrar solidariedade que, imediatamente, ordenou a abertura de um inquérito para apuração de responsabilidades. Um episódio insignificante ganhou, então, contornos de um quase atentado terrorista.

E, assim como agora, todos os amigo e adversários de Mirian esqueceram as diferenças, por alguns instantes, para se irmanar em um daqueles momentos em que todos amainam a visão crítica e se solidarizam com a suposta vítima.

E depois se diz que são as redes sociais que criam a pós-verdade.

Luís Nassif
No GGN
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A “barra pesada” no caso Temer-Aécio-JBS


A 1ª Turma do STF manteve presa Andrea, irmã do senador afastado (ou quase afastado) Aécio Neves e o ministro Luiz Edson Fachin decidiu tirar do presídio da Papuda o “homem da mala” de Temer, Rogério Rocha Lourdes.

Cada uma destas coisas tem um significado para além do ato judicial.

No caso de Andrea não há dúvidas de que é um sinal para o julgamento do pedido de prisão do presidente (também afastado, ou quase) do PSDB, daqui a uma semana. Sinal, evidentemente, negativo para o tucano.

A recusa do Senado em consumar seu afastamento piora em muito a sua situação, porque é argumento de mão cheia de que, em liberdade. continua com capacidade de obstruir a Justiça. Como aliás, indica a decisão do PSDB de seguir no governo, em todos os jornais apontada, em parte, como condição para que o PMDB o ajude a escapar. Inclusive, claro, na votação do Senado para que possa ser processado de imediato.

Já a remoção de Rocha Loures, decidida sob ameaças vagas, como a de um telefonema dado a seu pai, provindo ”de um conhecido da família que lhe avisou estar o requerente correndo risco de vida caso não concordasse com a delação premiada” tem toda a pinta de ter efeito vitimizador. Que diabos pode significar relatar algo assim e não entregar o nome do portador da ameaça?

Assim como alegar que Joesley Batista, que  “comprou’ meio mundo”, poderia “mandar infiltrar alguém no sistema penitenciário nacional”, além do que, “setores da oposição podem lançar mão de expediente semelhante”. Ora, se existe alguém interessado em “calar a boca” do “homem da mala” está justamente do outro lado, a mando de quem ele apanhava o dinheiro.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Qual a aposta da Globo?


Está nítido, nas últimas semanas, que o principal veículo de comunicação alterou sua linha político-editorial.

Durante mais de dois anos, desde o início da ofensiva golpista, sua lógica era seletiva e focada: criminalizar e interditar o PT, o governo Dilma e o ex-presidente Lula. Assim atuava, ao lado do restante da mídia monopolista, em conluio com setores do MPF, da PF e do Poder Judiciário.

As gravações do proprietário da JBS com Temer, associadas ao flagrante contra Aécio Neves, levaram o grupo empresarial à conclusão que sua estratégia fracassara: os partidos e políticos tradicionais da direita não serviam mais de anteparo contra o PT e a esquerda, o campo progressista retomava capacidade de mobilização e apoio social, o crescimento constante de Lula nas pesquisas eleitorais revelava que a seletividade da Lava Jato perdera efeito e se voltava contra os golpistas.

O cavalo de pau da Globo, nessas circunstâncias, foi passar a um bombardeio generalizado de todo o sistema político, como preço a pagar para impedir o retorno das forças populares ao governo. A seletividade deveria ser enterrada, com Temer e o PSDB passando ao centro dos ataques por certo tempo, até que houvesse recuperação de eficácia da narrativa comunicacional.

A Globo lançou-se a uma guerra atômica contra o sistema, compreendida como o único caminho para atacar a esquerda com certa credibilidade e chance de êxito.

Essa mudança torna a situação mais complexa para o bloco petista.

Há quem aposte, na prática, em uma aliança implícita com Temer e os partidos conservadores, colocando o combate à criminalização da política como alvo central.

Seria grave erro cair nessa armadilha, ainda que a denúncia contra o arbítrio e as violações constitucionais deva continuar a receber ampla e crescente atenção.

Tudo o que a esquerda não pode fazer é esmaecer sua identidade, fotografada ao lado da coalizão que tomou o governo de assalto, mesmo que seja como papagaio de pirata. Nada ajudaria mais a nova orientação da Globo.

Ao contrário, deveria ganhar ainda mais impulso a centralidade do combate contra o governo usurpador e suas contrarreformas, em favor de imediatas eleições para presidente da República.

O novo comportamento da principal emissora do país abre uma fissura no bloco golpista, desloca potencialmente setores médios para a oposição e abre caminho para uma potente escalada do campo popular, permitindo que o petismo e seus aliados recuperem espaço como alternativa anti-sistema.

A propagação de atos políticos-culturais contra Temer e por diretas, muitas vezes convocados por artistas liberados pela Globo, é um sinal positivo dessa contradição que se estabeleceu nas elites.

Se formos firmes, audaciosos e generosos, tempos melhores virão.

Breno Altman
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Como funcionava e quem blindava a turma de Aécio


Rogério Correia (à esquerda): “Todos sabiam das denúncias contra o Aécio, só que preferiram ignorá-las solenemente e blindar o senador de forma absurda”. No topo, da esquerda para a direita: ministro Gilmar Mendes, juiz Sérgio Moro, PGR Rodrigo Janot. Na coluna à direita, de cima para baixo: ex-PGR Roberto Gurgel, ex-procurador de MG  Alceu José Torres Marques, Danilo de Castro. No pé, Oswaldo Borges da Costa, Oswaldinho, e Danilo de Castro com Antonio Anastasia.

Ao disputar a presidência da República, em 2014, Aécio Neves, queridinho da Globo, Veja, Isto É, Época, Estadão, Folha, recebeu apoio maciço da grande mídia, que prontamente incorporou o slogan dos marqueteiros dele — “o homem preparado para governar o Brasil”.

Neto do doutor Tancredo, bonitão, tucano.

Um perfeito menino do Rio, com “brasão” tatuado no braço.

Um príncipe.

No início da noite de 17 de maio, assim que caiu na rede a reportagem de O Globo, revelando grampos-bomba, ele começou a se transformar:

* Joesley Batista, dono da JBS, havia gravado uma conversa de 30 minutos com o senador e presidente nacional do PSDB, pedindo-lhe R$ 2 milhões.

*O dinheiro vivo, entregue a um primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, foi depositado na conta de empresa do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Na manhã do dia seguinte, 18 de maio, ao olhar-se no espelho, ele viu um sapo.

O primo Fred e a irmã, Andrea Neves, tinham sido presos em suas casas, na Grande Belo Horizonte.

Andrea é considerada operadora do irmão nas irregularidades investigadas pela Lava Jato. Fred foi o administrador financeiro da campanha de Aécio à presidência.

O seu gabinete no Senado, a casa em Brasília, o apartamento no Rio de Janeiro e o em Belo Horizonte foram alvo de busca apreensão pela Polícia Federal (PF).

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento imediato de atividades parlamentares, mandou apreender o passaporte e o proibiu de ter contato com outros investigados.

No final da tarde, menos de 24 horas após a denúncia vir a público, Aécio pediu o afastamento da presidência do PSDB. Em comunicado oficial, disse:
“Me dedicarei diuturnamente a provar a minha inocência e de meus familiares para resgatar a honra e a dignidade que construí ao longo de meus mais de 30 anos de vida dedicada à política e aos mineiros, em especial”.
A cada dia, novas denúncias são divulgadas. Aguarda-se para breve a delação de Oswaldo Borges da Costa, o Oswaldinho, principal operador de Aécio, inclusive na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).

O príncipe virou irremediavelmente cururu. Aquele que, quando morre, nem formiga come.

Pesquisa da CUT/Vox Populi divulgada na segunda-feira passada (06/06) sobre intenção de voto para presidência da República em 2018 aponta nessa direção. Aparece com zero por cento de intenção de voto.

“Aécio ludibriou os brasileiros”, disse há alguns dias o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

“Judiciário, Ministério Público, imprensa e mesmo boa parte dos eleitores tinham conhecimento das denúncias envolvendo o senador Aécio”, rebate o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), em entrevista exclusiva ao Viomundo.

“Eu mesmo entreguei a essas instituições — em alguns casos várias vezes — documentos demonstrando improbidade administrativa, corrupção, truculência contra os que dele discordavam, entre outros crimes do senador Aécio”, atenta Rogério.

“Assim como eu sempre passei amplamente à grande imprensa essas denúncias”, frisa.

“Só que todos preferiram ignorá-las solenemente e blindar Aécio de forma absurda”, põe o dedo na ferida.

Segue a íntegra da nossa entrevista.

Nos últimos 13 anos, o senhor remou contra a maré na Assembleia Legislativa. Foi praticamente uma voz solitária, persistente, contra os malfeitos de Aécio Neves, Antônio Anastasia e o PSDB de Minas. Tem ideia de quantas representações fez contra as gestões deles ao Ministério Público Estadual (MPMG) e ao Ministério Público Federal (MPF)?

Rogério Correia – Nossa! Muitas, a maioria contra o Aécio. No levantamento que acabamos de fazer, a pedido de vocês, do Viomundo, nós elencamos uma porção delas. Mas há muito mais coisas.

Eu não coloquei, por exemplo, os parentes do Aécio que trabalharam nos seus governos para não dizerem que é um problema pessoal.

Não incluí também a perseguição implacável aos que ousassem discordar ou denunciar Aécio, tornando-se seus “inimigos”. Desse modus operandi de Aécio resultaram, por exemplo:

*Tentativa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) de cassar o meu mandato.

*Prisão do jornalista Marco Aurélio Carone e o fechamento do jornal dele, o Novo Jornal.

* No mesmo dia da prisão do Carone,  houve invasão da casa do jornalista Geraldo Elísio – o Picapau –, com busca e apreensão de computador, pen-drives e documentos.

*Perseguição ao lobista Nílton Monteiro, que atuou nos bastidores tucanos e também foi preso.

*25 processos contra a Beatriz Cerqueira, coordenadora do SindUTE-MG e da CUT-MG, para intimidar a sua atuação sindical.

Conhece o Aécio?

— Eu mal o conheço. Nós nos cumprimentamos umas poucas vezes em atividades institucionais. O meu problema em relação a ele não é pessoal.

Devido à minha persistência em denunciar os malfeitos dele, muitos brincam comigo: “isso é caso de amor (risos). Não é, claro! (risos, de novo)”.

O meu problema é com o que representam politicamente o aecismo e o PSDB mineiro. Eles provocaram o desmonte do Estado de Minas!

Esse processo começou com Eduardo Azeredo [1995 a 1999] e Fernando Henrique Cardoso [na presidência da República, 1995 a 2003].

Todo o setor financeiro de Minas foi entregue a empresas privadas, preferencialmente de amigos. Venderam o Bemge, o Credireal, a Minas Caixa. Venderam a Cemig. Até o Mineirão foi entregue à iniciativa privada dos amigos.

A Lei Kandir [Lei complementar nº87, de 13 de setembro de 1996], do governo Fernando Henrique, liquidou Minas!

Por quê?

– Nós paramos de cobrar imposto de empresa exportadora. Em consequência, a mineradora explora minério de Minas e não paga imposto para Minas. Isso nos sufocou de tal maneira que o Estado perdeu o seu potencial de crescimento.

Da edição da Lei Kandir até hoje, Minas deixou de receber R$135 bilhões de impostos das empresas exportadoras de minério.

Hoje, a União cobra-nos uma dívida de R$ 80 bilhões! Se fizéssemos o acerto de contas, Minas seria credora de R$ 55 bilhões.

Importante: não foi só o Estado que deixou de receber, todos os municípios também.

E o Aécio?

– Veio depois, com a história do choque de gestão. Como Minas estava quebrada, era preciso “enxugar” o serviço público, ele partiu para o desmanche da saúde, educação, segurança pública.

Anastasia [secretário de Planejamento nos dois governos Aécio] foi inventor do choque de gestão, Aécio, o político que comandava o esquema.

Leia-se: administração pseudomoderna, nitidamente neoliberal, que “enxugou” o Estado, liquidou com a Educação, a Saúde e Segurança Pública. Hoje, nós temos poucos soldados. Professores mal remunerados, sem plano de carreira. A saúde, em descalabro.

Em 2015, ao tomar posse, o Pimentel [governador Fernando Pimentel] assumiu um Estado completamente quebrado, endividado, sem recurso para investir. Esse é o resultado dos governos do PSDB em Minas.

Como ele conseguiu isso?

– Por meio da blindagem absurda, que fez com que essa política do tucanato mineiro prevalecesse como se fosse pensamento único.

Além disso, toda a corrupção, o esquema de propinas, o jogo violento bem condizente com as características do próprio Aécio.

Ele conseguiu juntar uma tropa de choque parecida com a que o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, o ACM, tinha na Bahia — aqui, o deputado Sávio Souza Cruz o apelidou de “Aecinho Malvadeza” — e o ex-governador Sérgio Cabral [atualmente, preso em Bangu], no Rio de Janeiro. Uma junção terrível.

A coisa ficou tão grave que Aécio conseguiu ser candidato a presidente da República e perder a eleição em Minas. Se ele não tivesse sido derrotado aqui, seria o presidente da República.

Por que perdeu aí?

— As pessoas foram vendo que os os dois governos do Aécio [2003 a 2010] e o do Anastasia [2011 a 2014] eram uma farsa, apesar de toda a blindagem.

Considerando que a maioria das denúncias que o senhor fez  foi ignorada, arquivada pelas instituições que deveriam investigá-las, pensou alguma vez em desistir?

Nunca!

O que levou a persistir?

Alguém já disse: é possível você enganar uma pessoa a vida inteira ou enganar todo mundo durante algum tempo; já enganar todo mundo durante todo o tempo não é possível. Eu pensava comigo: um dia isso vai acabar. Espero ter contribuído, pelo menos, um pouco para isso acontecer.

Antes de o Aécio assumir o governo de Minas, como era a situação?

— Eu já fazia oposição ao Eduardo Azeredo, quando ele era prefeito de Belo Horizonte [1990 a 1993], e eu, vereador.

Em1999, eu assumi a cadeira de deputado estadual na ALMG e Itamar Franco, o governo de Minas (1999 a 2003).

Itamar já denunciava os tucanos. Ele interrompeu o ciclo neoliberal do Azeredo, enfrentou o Fernando Henrique…

Mas, ao assumir o governo de Minas em 2003, Aécio retomou o ciclo neoliberal com muito mais força. Aí, a minha oposição aos tucanos se ampliou.

Ao longo desses 13 anos, a chamada grande imprensa, Judiciário, Ministério Público ignoraram solenemente as suas denúncias contra o governador e o senador Aécio Neves. Agora, se dizem “surpresos”, “traídos”, “espantados”. O que acha dessa reação?

(risos) Todos tinham conhecimento desse conjunto de denúncias que você está publicando hoje. Eu mesmo entreguei a essas instituições os documentos demonstrando as irregularidades, como improbidade administrrativa, corrupção, truculência desmedida contra os que dele discordassem.  Assim como sempre passei amplamente à imprensa essas denúncias. Só que preferiram blindá-lo absurdamente.

Nesse processo de blindagem quem destacaria?

Para começar, o seu núcleo político-operacional:

Antonio Anastasia: inventor do choque de gestão.

Andrea Neves: comandava com mão de ferro a imprensa mineira. A “Goebbels” das Alterosas. De 2003 a 2010, comandou o poderoso e estratégico Grupo Técnico de Comunicação, por onde passava toda a verba de publicidade do governo de Minas destinada à mídia. Em troca, mantinha sob silêncio absoluto os fatos negativos referentes ao irmão.

Danilo de Castro: por enquanto está aparecendo pouco, mas era o secretário de governo; fazia as articulações com deputados, Judiciário e Ministério Público.

Frederico Pacheco de Medeiros: Homem de confiança de Aécio na Cemig, onde foi diretor de 2011 a 2015. Articulador da venda de 1/3 das ações da estatal mineira à empreiteira Andrade Gutierrez , Fred foi ainda coordenador financeiro da campanha de Aécio à presidência da República em 2014. Assim como Andrea, está preso desde 18 de maio.

Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho: principal operador de Aécio,  é casado com uma das filhas do banqueiro Gilberto Faria, que foi casado com dona Inês Maria, mãe de Aécio. Presidiu a Codemig. A equipe dele é que arrecadava o dinheiro de propina da Cidade Administrativa. Em 2014, Aécio cruzou o Brasil em campanha a bordo do jatinho particular do Oswaldinho. Muita coisa ainda vai aparecer dele, que pode ser preso.

E institucionalmente?

– Influência enorme tanto no MP quanto no TCE.

E o Ministério Público Estadual?

– Enorme influência também. Entre os procuradores-gerais de Justiça,  o pior foi o dr. Alceu José Torres Marques, que ficou lá 2009 a 2012. Alceu não era engavetador. Era pior. Era o arquivador. Se fosse contra o Aécio, matava no peito. Era só mandar para ele. Brincávamos que era o Aeceu.

O dr. Alceu também impediu promotores de investigarem o Aécio?

– Sim. O Alceu tirou  da mão do promotor João Medeiros o processo da Rádio Arco-Íris  e arquivou. O promotor recorreu ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que não lhe deu ouvidos, porque lá também o aecismo tem voz predominante.

No Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), desde Itamar Franco, tinha um primo do Aécio chamado Tolentino que arrumava as coisas para os tucanos lá.

Não podemos nos esquecer da blindagem parlamentar-institucional. Aécio tinha controle absoluto da Assembleia Legislativa.

Via irmã Andrea?

Não, via Danilo de Castro, que recheava a base aliada de emendas, favores. Como Aécio tinha ampla maioria, ele não permitia que se criasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Mesmos singelos requerimentos para pedir notícias, esclarecimentos, dados — por exemplo, sobre o volume de recursos publicitários aprovados para a Rádio Arco-Íris – não eram aprovados. E quando aprovados, a presidência da Assembleia Legislativa não encaminhava e eles eram arquivados.

A partir daí, eles passaram a ter também um domínio no PSDB nacional. Eles montaram um esquema tão forte aqui que conseguiram sobrepor-se ao PSDB de São Paulo.

Qual a explicação para isso?

— Eles unificaram as elites aqui. Conseguiram uma unidade tão grande que saíram de Minas para o plano nacional, sempre em nome de Minas.

Só que não foi Minas. Foram as elites mineiras, o setor financeiro, o capital financeiro. Sobrepor isso a São Paulo era algo impensável. Eles conseguiram.

Quando o senhor diz “eles”, está se referindo ao núcleo político-operacional de Aécio?

– Sim. O Aécio também tinha — não sei se mantém agora – tentáculos em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, no Ministério Público Federal. Tanto que até agora o pau que deu em Chico não estava dando em Francisco.

No STF, frequentemente ele está tirando retratinhos com o Gilmar Mendes, pra lá e pra cá. Já o namorico com o Moro é recente…

Na verdade, o Aécio sempre teve um esquema nacional de muita proteção. Se esse sistema de proteção fosse só em Minas, ele já teria caído.

Agora, isso não se deve só ao esquema de blindagem. Tem a ver também com o fato de o Aécio ter sido escolhido pelas elites. Tem a ver com o modelo político e econômico que o Aécio e o grupo dele defendem para o Brasil.

Eles defendem os interesses dos mais ricos, das elites brasileiras. Essa unidade político-ideológica das elites, da direita, propiciou que ele crescesse tanto em Minas quanto no restante do País.

Voltando à blindagem do Aécio. No MPF, ela é muito evidente, tanto com o Gurgel quanto com o Janot, concorda?

– Concordo. O Janot só agora começou a agir. Veja bem. Quando a gente entrava com uma representação aqui, no MPF de Minas, contra o Aécio, ela ia para Brasília, porque ele tem foro privilegiado. Só que lá o procedimento não andava. Já aqui, eles não faziam nenhuma força para sequer separar o que tinha que ir para Brasília de outros elementos que podiam ser investigados pelo MPF, em Minas.

Por exemplo, a denúncia que fizemos contra o Aécio e Andrea por ocultação de patrimônio decorrente da Rádio Arco-Íris (veja quadro).

Nós protocolamos aqui, em Belo Horizonte, ela foi para Brasília. Eu e os deputados Sávio Souza Cruz e Antônio Júlio fomos até a Procuradoria Geral da República.

O PGR era o Roberto Gurgel, antecessor do Janot. Ele deixou na gaveta durante dois anos e dois meses. Depois, quando estava para sair, ele arquivou.

Nós também estivemos na PGR, em Brasília, por causa da Lista de Furnas (veja quadro). Na primeira vez, em 2014, deixamos todos os documentos no gabinete do doutor Janot.

Na segunda vez, em 31 de janeiro de 2015, entregamos, pessoalmente, nas mãos dele. Na ocasião, ele nos disse que “estranhou o fato de o processo da Lista de Furnas só ter chegado agora [31 de janeiro de 2015] à PGR, a partir da intervenção dos deputados petistas”.

Só que, em 25/01/2012, a procuradora criminal Andréa Bayão Pereira, na época no MPF/RJ, concluiu seu trabalho sobre a Lista de Furnas, comprovando o esquema de caixa 2.

E o Janot simplesmente ignorou a denúncia dela, que naquela altura já trabalhava com ele no MPF, em Brasília.

E a blindagem da mídia?

– Uma ou outra vez a gente conseguia furar o bloqueio da grande mídia, mas a grosso modo a blindagem em relação ao Aécio era absoluta.

A Andrea comprava o silêncio da mídia mineira. Só que essa mídia, além do silêncio em relação aos malfeitos do Aécio, atacava os adversários do Aécio.

A gente era vítima da “sua imprensa”, que se prestava o papel de injuriar, caluniar, quem não concordasse com Aécio Neves.

Nessa blindagem, incluem-se rádios e TVs de Minas. Uma blindagem absoluta, mesmo. Tanto que o dia em que a Andrea foi presa o Sindicato dos Jornalistas considerou o dia da liberdade de imprensa em Minas. Fizeram até festa.

E os órgãos de repressão?

Também faziam parte do esquema de blindagem do Aécio.

Nós tivemos a prisão do Carone, a prisão do Nilton Monteiro, a invasão da casa do “Picapau”, o fechamento do NovoJornal,

O Carone só não morreu, porque, felizmente, o secretário de Defesa Social à época, a meu pedido, transferiu-o de uma cela na Gameleira, onde estava tendo um infarto, para um hospital.

Eles torturavam  física e psicologicamente o Carone para que ele me denunciasse, dizendo que eu teria feito parte da falsificação da Lista de Furnas. Só que a lista é 100% verdadeira!

Às vezes eles recorriam também ao Ministério Público, ao Tribunal de Justiça, para intimidar os adversários.

Há 25 processos contra a Bia Cerqueira, presidente do SindUTE e da CUT/MG. Eles diziam que a Bia favorecia eleitoralmente os adversários do Aécio.

O que ela fazia com os sindicalistas, no período eleitoral, era chamar a atenção, fazer debates, chamar todos os candidatos para ver a posição que tinham em relação à educação.

Como o PSDB é inimigo da educação pública, eles tentavam impedir o sindicato de dizer as posições de cada candidato. Nós demos um flagrante com TV e tudo em 3 policiais P2, que estavam nas costas dela, tentando coagí-la a reprimir a greve.

O Aécio já mandou recado ao Pimentel, via deputado federal petista Gabriel Guimarães, para fazer o senhor maneirar nas denúncias contra ele. E, aí?

Nós não vamos dar trégua. Não adianta o Aécio ligar pra deputado do PT, governador, senador, nem para o papa. Aliás, o Papa Francisco não iria atendê-lo.

Crédito da tabela abaixo: Conceição Lemes, Viomundo; o aeroporto de Montezuma fica próximo e não nas terras do pai de Aécio, falecido; Aécio e Andrea herdaram a fazenda. O Viomundo fez um minidocumentário lá.



Na fotomontagem, algumas das idas de deputados ao Ministério Público de Minas Gerais e à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, para denunciar malfeitos do senador Aécio Neves

Conceição Lemes
No Viomundo
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O PSDB segue o enterro como se fosse para uma festa de debutante

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2017/06/13/o-psdb-segue-o-enterro-como-se-fosse-para-uma-festa-de-debutante/

O PSDB decidiu que fica no governo Temer, mas o atual presidente do partido, Tasso Jereissati, faz um discurso de oposição.


Sai dizendo que “é uma incoerência que a  história nos colocou”. Como se o partido tivesse sido vítima dessa situação.

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, que foi o candidato do partido a presidência da República, só não foi preso ainda porque tem imunidade parlamentar.

Do contrário, estaria fazendo companhia à sua irmã e ao seu primo, que estão na cadeia por terem cometido crimes em seu favor.

E mesmo assim o atual presidente do partido, que o substituiu por isso, tem a cara de pau de vir a público e ainda fazer pose. Dizer que não votou nem em Dilma e nem em Temer.

Votou num quase presidiário. Que presidia o partido que ele agora comanda.

Tasso Jereissati, segundo a lenda, foi voto vencido na tentativa de desembarque do governo.

Conversa pra boi dormir.

Tasso foi escolhido pra garantir ao partido um discurso de divisão.

E para manter a porte de saída aberta. Porque no PSDB sempre foi assim, as decisões nunca são decisões. São parte de um enigma que pode dar em qualquer resultado.

O PSDB não tem como sair agora do governo Temer, porque todos os seus principais quadros estão amarrados nesta boia de salvação.

Todos estão sendo investigados e carregam inúmeras denúncias nas suas costas quentes. Além de Aécio, que está pra lá de enrolado, Serra, Alckmin, Aloysio Nunes, Marconi Perillo, Richa etc. Não tem um que possa dizer, tô tranquilo.

Sem Temer no governo, há a possibilidade de as eleições diretas vingarem. E o PSDB é contra isso. É contra o voto popular.

Um partido que faz da sua base de atuação a luta contra o voto popular, acabou. E o PSDB acabou.

Pode continuar como legenda, ganhar umas eleições, ficar com uns ministros num governo de bandidos, mas hoje é menor que um cara bizarro como Bolsonaro. Todas as vestais do tucanato juntas, não valem eleitoralmente um Bolsonaro. Essa é a questão. É assim que se faz a biópisia do morto político. Pela ausência de votos.

E Tasso, coitado, tem que ficar fazendo de conta que não se trata de um enterro. Mas de uma festa de debutantes. Não deve ser uma situação fácil a do atual presidente do PSDB. Mas eles estão acostumados a lidar com isso.
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Debate Barão de Itararé - Linchamento Midiático no Brasil


O linchamento midiático destrói reputações e tem se tornado expediente comum na política nativa. Ex-guerrilheiro do Araguaia e ex-presidente do PT, José Genoíno foi vítima desse processo, que teve forte impacto sobre a sua família. A experiência é tema do livro Felicidade fechada, escrito por sua filha, Miruna Genoíno, a ser lançado na quarta-feira (17), no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo. Na ocasião, a pedagoga participará de debate sobre o tema ao lado dos jornalistas Paulo Moreira Leite e Maria Inês Nassif.

A obra, publicada pela Editora Cosmos, contou com campanha de crowdfunding para garantir o seu financiamento. Como diz a página da campanha, “Felicidade fechada não é um livro sobre política, é um livro sobre a vida de uma família que sempre acompanhou com orgulho a trajetória, os sacrifícios, os desafios, de José Genoino, e que precisou se unir diante das muitas dificuldades: solidão, medo, abandono, tristeza, e que com isso, acabou encontrando amizade, solidariedade, generosidade e força para enfrentar com dignidade a injusta execração pública".


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Um governo criminoso e o PSDB


Ao contrário do que afirmam os idiotas da normalidade, não só existe uma crise institucional no país, como, mais grave do que isto, as instituições entraram em colapso. O Executivo e o Legislativo já tinham sua legitimidade perto de zero. Com o processo do golpe das reformas, não só agem contra os interesses populares, mas exercem uma ação de violência contra a soberania popular pela ação criminosa de aprovarem medidas pelas quais não foram mandatados pelos eleitores. Ademais, o governo ilegítimo de Temer é fruto de um ato ilegítimo do Congresso.

Restava ainda o Judiciário com algum grau de legitimidade, em que pese as graves falhas na sua responsabilidade de salvaguardar a Constituição em face dos atropelos a que foi submetida pelas hordas congressuais e pela quadrilha de Temer que assaltaram o poder para obstruir a Justiça, para garantir o foro privilegiado a corruptos notórios e para bloquear a Lava Jato. Desde a última sexta-feira, o que restava de legitimidade ao Judiciário ruiu com a vergonhosa absolvição de Michel Temer no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. Temer foi absolvido por excesso de provas.

Um dos importantes aspectos do colapso institucional consiste em que os detentores do poder agem pelo arbítrio. Existem várias formas de arbítrio, sendo a principal, agir sem lei e contra a Constituição. Outra forma consiste em usar arbitrariamente a lei para perseguir quem se considera inimigo e para salvar a cabeça dos amigos.

É o que fez Gilmar Mendes com o processo de cassação da chapa Dilma-Temer. Quando Dilma estava no poder, Mendes foi decisivo para a abertura do processo. Quando se tratou do julgamento de Temer, ele apelou para a tese de que não se pode cassar a soberania popular do mandato. Esta é uma conduta tipicamente arbitrária, destrutiva da moralidade pública, forma de violência no exercício do poder. Gilmar Mendes é a face desnuda da desfaçatez, num país em que a regra do jogo é a desfaçatez. Mas nada se poderia esperar de um juiz que é conselheiro noturno de Temer e estafeta de Aécio Neves. A virulência da sua retórica mal disfarça a pobreza dos seus argumentos, os sofismas de sua falta de lógica, os andrajos de sua incultura jurídica.

Gilmar Mendes, associado a Aécio Neves, foi um dos principais artífices das instabilidade e da crise política que ceifou o mandato de Dilma. Sem rubor e com a truculência dos tiranetes, pregou a necessidade de estabilidade dos mandatos, justificando a absolvição de um presidente usurpador que foi flagrado cometendo vários crimes. A crise e o colapso das frágeis instituições democráticas e republicanas nascidas com a Constituição de 1988 têm seus verdugos: Aécio Neves, Eduardo Cunha, Gilmar Mendes, Michel Temer e José Serra. Foram secundados por muitos outros, que transformaram as instituições em escombros, interditando o penoso caminho de um breve período de consolidação democrática.

Temer e seus asseclas, depois de terem levado as instituições à ruína, agora estão dispostos a mergulhar o país na aventura do confronto campal para barrar investigações e para quebrar o que resta da funcionalidade da Justiça. A sua ousadia criminosa os leva a usar os instrumentos típicos das ditaduras - a espionagem, as ameaças e as chantagens. Usurpam os instrumentos de poder para se manterem no governo, fugindo da responsabilidade de responder pelos seus atos delinquenciais.

Os setores democráticos e progressistas da sociedade, junto com os movimentos sociais e os partidos de oposição, não podem ficar inertes a este embate. Devem exigir nas ruas a saída de Temer do governo e que ele seja levado a julgamento. As oposições pagarão um preço muito alto se assistirem passivamente o desfecho desta confrontação, pois, se não se mobilizarem, iludidas de que as eleições de 2018 resolverão esta crise, perceberão tardiamente que depois de garantir a permanência de Temer no governo, as forças que patrocinaram o golpe agirão para impedir a vitória de um candidato alinhado com as forças progressistas.

Permitir que Temer continue governando significa permitir a vitória de indignidade contra a indignação; da covardia contra a coragem; da imoralidade contra a decência moral; da corrupção contra a república. O momento de reconquistar a confiança da sociedade é agora, lutando contra esse governo que ofende o país e seu povo.

PSDB: Com Temer contra o Brasil

O PSDB escreveu, nos últimos anos, uma das histórias mais ignominiosas da vida política brasileira. Nascido como rebento do PMDB para combater-lhe a corrupção, não conseguiu negar a sua genética e tornou-se o avalista do governo mais corrupto e degradado de toda a história deste desditoso país. Levou para o esgoto a ilustração acadêmica de que sempre se gabava de ostentar e revelou-se tão corrupto quanto seu genitor, com o agravo de ter patrocinado um golpe contra a democracia, conspurcando a história de muitos democratas verdadeiros que se bateram contra o regime militar, a exemplo de Franco Montoro e Mário Covas, entre outros.

O PSDB precisa mudar com urgência o seu próprio nome, pois não é digno de manter a designação de "social-democracia". Um partido não pode ser "social" quando investe e agride violentamente os direitos sociais dos trabalhadores e do povo. Um partido não pode ser democrata quando patrocina golpes e é o principal sustentáculo de um governo corrupto e de um presidente que foi flagrado cometendo crimes.

O PSDB foi comandado até recentemente pelo pior aventureiro que apareceu na política brasileira nos últimos tempos. Um aventureiro que entrou com uma ação que desestabilizou a democracia, gerou a crise política e econômica, provocou a recessão e o desemprego, apenas para "encher o saco do PT". Essa irresponsabilidade não pode ser debitada apenas a Aécio, mas ao partido que deu aval a todo esse processo de vandalização das nossas instituições.

O PSDB não é apenas conivente com a destruição institucional e moral do Brasil, mas é seu artífice. As suas atitudes dolosas e danosas não podem ser escusadas, pois não pode alegar engano, consciente que é de sua ação deletéria. Neste momento em que o Brasil se esvai na desesperança, em que milhões de trabalhadores estão na ruína do desemprego e em que várias tragédias se multiplicam, a ilustração tucana está associada a uma inescrupulosa organização que tomou o poder para se salvaguardar dos seus crimes.

O entorno deste governo é um deserto ético, um pântano moral, onde vicejam corruptos seriais e achacadores de ofício. Cultiva-se ali a indiferença com a decência, a desavergonhada compulsão para a destruição da democracia a venda da dignidade moral em troca da destruição dos diretos sociais duramente conquistados.

Temer e seus sócios do PSDB precisam ser detidos, pois são a face política do modo como o capitalismo perverso e predador se constituiu no Brasil. São a expressão sádica da vontade escravocrata, daqueles que querem a destruição dos direitos para que os trabalhadores se tornem servos, daqueles que querem a flexibilização anárquica para que a exploração da mão de obra seja ainda mais despudorada e daqueles que querem a velhice desamparada para que os recursos públicos continuem, de forma mais voraz, a serem drenados pela impiedosa ganância do capital financeiro e do empresariado que constrói a sua riqueza com o dinheiro público. Este é o programa de Temer e do PMDB. Este é o programa do PSDB, sócio e cúmplice de um governo corrupto e criminoso. Temer é o presidente que o povo brasileiro não quer, mas que o PSDB, João Dória e Fernando Henrique Cardoso querem.

Aldo Fornazieri
No Blog do Miro
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Miguel Reale Jr. simboliza milhares de patos enganados pelo PSDB porque queriam se enganar

#Xatiado
Quando certa manhã Miguel Reale Júnior acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num pato monstruoso.

Reale foi um dos autores — os outros dois foram Janaina Paschoal e Hélio Bicudo — da peça que serviu de base para o impeachment de Dilma Rousseff.

Em seu discurso no Senado, ele disse o seguinte:

“Esse pedido, eu queria destacar, Srs. Senadores, é assinado também pelos movimentos sociais que mobilizaram o País ao longo de todo o ano de 2015. São os movimentos Vem pra Rua, Movimento Brasil Livre e os movimentos contra a corrupção. Não se trata, portanto, exclusivamente de uma iniciativa pessoal, porque vem corroborado por milhões e milhões de brasileiros”.

Na última segunda, Dia dos Namorados, Reale anunciou que vai se desfiliar do PSDB depois que o partido anunciou que continuará com o governo Temer.

Ex-ministro da Justiça de FHC, ele diz que cansou.

“Espero que o partido encontre um muro suficientemente grande que possa servir de túmulo”, disse ao Estadão.

“Foi difícil sair de um partido do qual fui vice-presidente em São Paulo, amigo de todos seus dirigentes, compartilhei ideais e esperanças, mas desisti diante de tantas vacilações e fragilidades onde não se pode ser fraco, que é diante da afronta à ética”.

Reale é o epítome do coxinha que foi às avenidas paulistas bater panela contra a “roubalheira do PT” e a “ditadura bolivariana” e agora finge estar surpreso com o resultado.

Em busca dos votos do PMDB no Senado para salvar Aécio Neves da cassação, o PSDB mantém o casamento com Temer.

Aécio, como se viu nos grampos, não é apenas uma liderança consagrada dos tucanos: é um operador que distribuía dinheiro para todos eles.

De Serra a Alckmin, passando por Tasso Jereissati e Marconi Perillo e Zezé Perrella — os tentáculos de Aécio estão por todos os lados. Como se livrar do sujeito?

Agora: Miguel Reale não sabia do Mineirinho? Miguel Reale nunca ouviu falar das barbaridades de Aécio em Minas ao longo de décadas? Miguel Reale não sabia que, com Dilma fora, assumiria Michel Temer? Miguel Reale não conhecia Michel Temer e nem Eduardo Cunha?

Miguel Reale Junior e as milícias fascistoides em nome das quais ele agiu foram enganados porque queriam ser enganados. No bojo da farsa, entregaram o país a essas duas velhas gangues.

Reale, canta com a gente o hit da dupla Henrique e Diego: “Co, co, copinho descartável/Me usou, amassou e jogou fora/E agora, meu amor, o que é que eu faço/Sem você o meu coração chora”.

Kiko Nogueira
No DCM
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Temer mata o PSDB a golpes de Aécio Neves


Quando veio à tona a gravação do ex-senador Sérgio Machado dizendo a Romero Jucá que “o primeiro a ser comido” seria Aécio Neves, muitos não percebemos que ali estava uma profecia.

Procure-se nela uma razão para a aparente incongruência do noivado tucano com o afundante Temer e se encontrarão razões do PSDB como as que Andrei Meireles, no site Os Divergentes, expõe, sem meias-palavras:

“Sempre souberam que jogar Michel Temer ao mar afogava antes Aécio Neves.

É aí que mora o perigo para o ninho inteiro.

Aécio não é apenas o político simpático, bem articulado, bom de voto, que quase se elegeu presidente da República.

Nas delações da Odebrecht, de outros grandes empreiteiros, e dos donos da Friboi, Aécio é descrito com apetite voraz por dinheiro. Muito dinheiro.

Como quem parte e reparte, deve ter ficado com alguma parte.

Mas, em um raro consenso entre políticos e investigadores, Aécio é identificado como um grande arrecadador para campanhas de aliados em Minas Gerais e no país afora. Nas mais variadas eleições.

Em todos os caixas: 1, 2, 3….

Acuado, ele agora está cobrando a conta. Quem, na reunião em que o PSDB bateu o martelo do “fico” no governo Temer, poderia atirar alguma pedra?

Os tucanos tentaram jogá-la com a mão alheia da Justiça Eleitoral.

Não deu certo.

Simples assim.”

Tristemente, vê-se que as palavras de uma outra gravação, esta na voz do próprio playgangster, não pode ser levadas à conta de simples piada: “tem que ser um que a gente manda matar antes de ele fazer a delação“.

Pois não é que morreram os tucanos, pela mão de Aécio e Temer?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Nassif: a guerra entre os poderes


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