7 de jun de 2017

"Vossas Excelências" brilhando na Globo News. E o Vale Tudo em nome da moralidade


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Dilma Rousseff na abertura do III Salão do Livro Político


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A estranha conexão Janot-Mainardi


Nenhuma dor de cotovelo jornalística, pelo “furo” ter sido de outro e nenhuma crítica à turma do Diogo Mainardi por publicarem, o que é antes um dever jornalístico.

Mas a liberação dos registros de vôo do jatinho de Joesley Batista que levou Michel Temer e Marcela – além de outras cinco pessoas – para um resort na Ilha de Comandatuba (BA), em janeiro de 2011,  transportou o então vice-presidente para um pós-expediente em Brasília e trouxe a trupe de volta a São Paulo para um site de extrema-direita revela algo sobre o responsável pela investigação, o sr. Rodrigo Janot, sob a guarda de quem estão estes documentos.

Sim, porque se trata de algo tão explosivo que não pode ser tratado com irresponsabilidade. Ou merece ficar em sigilo para permitir que a investigação avance ou, já que o segredo de Justiça foi levantado por Luiz Fachin, deve ser tratado abertamente.

Os documentos são notícia e, por isso, os publico apesar do vergonhoso “adonamento” que fizeram da imagem, que não tem direito autoral por ser, simplesmente, uma reprodução do que é um documento público, parte integrante de um inquérito. Mas tudo bem, a vida é dura e a propaganda é grátis.

Repito, não se trata de um “furo” convencional, onde um repórter apura o que ninguém ainda levantou, mas de uma “doação seletiva” de um documento processual da maior gravidade, sob a guarda da PGR.

Não é a primeira vez que isso acontece: há dois meses a mesma turma  cobriu em  tempo real o depoimento de Marcelo Odebrecht a Sérgio Moro, transmitido – e são fortes as suspeitas de que por alguém do MP – de dentro do gabinete do juiz, que se irritou ao ponto de parar a audiência.

Esta conexão “antagonista” do Ministério Público com a turma de Mainardi , uma vez que não houve reação do Procurador Geral, tem um beneplácito que autoriza a qualquer um a dizer que é patrocinada por Rodrigo Janot.

E o coloca, portanto, na posição de “vazador”. E como vazamento é crime, não é difícil concluir o adjetivo a que ele passa a concorrer.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O julgamento no TSE só prova que, com Gilmar, não corremos o risco de sair do buraco




A única certeza no julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE é a de que um país com Gilmar Mendes não corre o menor risco de dar certo.

Somos uma piada institucional.

Os dois grandes momentos destes dias foram, em ordem de excrescência: os meritíssimos combinando como fariam para não faltar ao lançamento do livro de Luiz Fux, ali presente; e o suposto “embate” entre Gilmar e o relator Herman Benjamin.

Os ânimos se exaltaram principalmente na discussão em torno da validade do conteúdo de delações premiadas, como as de executivos da Odebrecht.

Herman Benjamin: Aqui, na Justiça Eleitoral, nós não trabalhamos com os olhos fechados. Esta é a tradução desse princípio da verdade real.

Gilmar Mendes: Vossa Excelência teria que manter o processo aberto e trazer as delações da JBS. E talvez na semana que vem as delações de Palocci. Para mostrar que o argumento de vossa excelência é falacioso. Há limites que o processo estabelece.

Herman Benjamin: O que se quer é que o TSE feche os olhos à prova da Odebrecht.

Outro trecho, este especial:

Gilmar Mendes: Essa ação só existe graças ao meu empenho, modéstia às favas. Vossa Excelência hoje é relator e está brilhando na televisão do Brasil todo.

Herman Benjamin: Vossa excelência sabe que eu prefiro o anonimato, muito mais. Um juiz dedicado a seus processos, que não tem nenhum glamour. Aliás, processo em que se discute condenação de A, B, C ou D, em qualquer natureza, não tem e não deve ter nenhum glamour pessoal.

Herman Benjamin: Não escolhi ser relator, preferia não ter sido relator, mas tentei cumprir a minha… só cumpri o que foi deliberação do tribunal.

Numa dessas altercações, Benjamin sugeriu: “Vossa excelência tem que pedir desculpas a si mesmo”.

Gilmar nunca pediu perdão a nada e nem a ninguém e agora é tarde demais.

Deveria se desculpar para o povo brasileiro, mas eis duas abstrações (as desculpas e o povo) que GM ignora.

Nada que esteja associado a Gilmar Mendes merece ser chamado “superior”. É uma contradição em termos.

Os shows dos juízes e o casamento com a mídia fizeram um mal enorme a uma figura vaidosa como Gilmar Mendes.

Ele mesmo se auto acusa ao dizer que o outro deve lhe ser grato por “brilhar na TV”.

Ora. Ninguém quer espetáculo algum, especialmente deles, e sim sobriedade, discrição e algo remotamente parecido com justiça.

Mas é isso o que viraram as cortes e essas estrelas: uma coleção de Latinos achando que são Mick Jaggers.

Os colegas são cúmplices amedrontados. O único que confrontou Gilmar foi o destemperado Joaquim Barbosa, quando lhe avisou que o ministro não estava falando com “os seus capangas do Mato Grosso”.

O próprio Benjamin, preparado e bem intencionado, diante das grosserias e ofensas pesadas do interlocutor, fez questão de lembrar que eles amigos pessoais “há mais de 20 anos” (imagine se não fossem).

Medo. Gilmar mete medo em seus pares.

Em qualquer país sério, não estaria ocupando a cadeira. Foi flagrado em reuniões no Jaburu, fora da agenda, com Michel Temer, pegando carona no avião presidencial etc (sem contar quando foi pilhado num grampo com Aécio Neves prometendo intervir para o velho companheiro tucano junto ao senador Flexa Ribeiro, do PSDB do Pará).

Nas poucas vezes em que foi instado a responder por seus abusos, deu de ombros, montado na certeza inabalável de que ele pode tudo e jamais será incomodado.

São décadas de serviços prestados ao que o Brasil tem de pior. O TSE sacramenta Gilmar Mendes como a maior vergonha nacional.

De certo modo, é o homem certo na hora certa. Não para nos redimir ou dar esperança, mas para mostrar a que ponto descemos.

Assistir a essas sessões resultam na convicção de que, com Michel ou sem Michel, não temos chance de sair do buraco como nação porque ele está tampado pelo beiço buliçoso de Gilmar Mendes.

O resto é detalhe.

Kiko Nogueira
No DCM
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Lula mostra o que o jn esconde

"Instituto nunca recebeu terreno da Odebrecht!"


Do Facebook do Presidente Lula:

O que o Jornal Nacional não mostra em sua edição: o Instituto lula nunca recebeu terreno algum da Odebrecht. Não recebeu nem jamais receberia nada de graça.

Foi isso o que disse Alberto Lovera, ex-gerente financeiro da Odebrecht e testemunha de acusação intimada pelos procuradores da Lava Jato, sobre o assunto.



No CAf
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Prevendo absolvição de Temer, Janot prepara denúncia ao STF


Como quem vai para um combate, neste momento, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, separa e azeita o armamento com que partirá para cima de um adversário que, acredita ele, não estará tão fraco quanto estaria se viesse a ser condenado à perda de mandato pelo TSE.

E podem crer que será armamento pesado o que se empregará a partir do final de semana, usando os métodos já bem conhecido dos brasileiros, de vazar para as revistas semanais e para a Globo.

Será a preparação do oferecimento de denuncia contra Michel Temer, ainda em junho.

Até lá, não se descarte disparos de calibre mais baixo, como o vazamento, para o site da turma do Diogo Mainardi, do relato sobre o uso do jatinho de Joesley Batista por Marcela e Michel Temer.

Mas ainda não é a hora, como no antigo filme de faroeste, do duelo em OK Corral.

Aliás, é bom lembrar que Wyatt Earp e Doc Holliday mataram os irmãos McLaury e Billy Clanton, mas acabaram demitidos da polícia.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Não toquem no cabelo de Loures


Se essa é a condição para o ex-assessor de Temer contar tudo o que sabe, ninguém ouse raspar suas madeixas

Enquanto prossegue o julgamento imprevisível da chapa Dilma/Temer no TSE, a Polícia Federal aperta o cerco nas investigações sobre crimes de corrupção e obstrução de Justiça cometidos pelo presidente Michel Temer. Mesmo que escape da cassação do mandato pelo TSE (se condenado, deve entrar com recurso), Temer dificilmente deixará de ser alvo de denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, com base no inquérito a cargo da PF. Por mais que ele insista em negar as relações dolosas com Joesley Batista, nenhum dos argumentos resiste ao flagrante de seu ex-assessor Rodrigo da Rocha Loures saindo do restaurante Camelo, na rua Pamplona, em São Paulo, com uma mala carregada de notas no valor total de R$ 500 mil.

Numa variante da expressão francesa “cherchez na femme” (procure a mulher), os manuais sobre apuração de crimes recomendam “follow the money”. E é exatamente isso que a PF está fazendo ao centrar o foco das investigações na mala de dinheiro recebida pelo ex-deputado Loures. Mais do que uma simples evidência, é uma prova robusta de corrupção. Por mais que a defesa de Temer questione a qualidade das gravações feitas por Joesley no Palácio Jaburu, fica claro que Rocha Loures era o homem de confiança do presidente encarregado de fazer a ponte com a JBS, no lugar do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Uma das perguntas da PF a Temer é a seguinte: “Vossa Excelência confirma tê-lo indicado (Rodrigo) para tal função? Se sim, quais temas estavam compreendidos nessa interlocução?”.

Na verdade, das 82 perguntas que a PF encaminhou a Michel Temer, quase a metade trata das relações do interrogado com seu ex-assessor. A começar pela pergunta que abre o interrogatório: “Qual a relação de Vossa Excelência com Rodrigo da Rocha Loures?”. A terceira questão é ainda mais específica: “Rodrigo da Rocha Loures é pessoa da estrita confiança de Vossa Excelência?”. Como se vê, “Vossa Excelência” está com a corda no pescoço. O ex-assessor de total confiança, evidentemente, agiu em nome do chefe. E a mala de R$ 500 mil era apenas o primeiro de uma série de pagamentos semanais que, ao fim de 20 anos, somariam cerca de R$ 600 milhões.

Diante do flagrante, a defesa de Rocha Loures diz que seu cliente foi vítima de uma “cilada” armada pelo dono da JBS, Joesley Batista. Chega a ser ridículo. O sujeito tem um encontro com um diretor da JBS num restaurante, sai dali com uma mala nas mãos recheada de reais e afirma que foi vítima de armação. Além disso, só devolveu o dinheiro depois de ser denunciado e assim mesmo faltavam R$ 35 mil. Portanto, Loures não tinha qualquer dúvida sobre o conteúdo da mala. Não só recebeu os R$ 500 mil sem pestanejar, como gastou parte da quantia. Onde está a cilada?

Rocha Loures é a testemunha-bomba contra Temer. Se abrir a boca encerrará a carreira política do chefe. Diz o ministro Padilha que o ex-assessor não fará delação porque é um homem “ético”. Já Temer afirma que Loures é de “boa índole”. Se o Palácio elogia o ex-deputado e torce por seu silêncio, é porque ele tem muita coisa a revelar. Em ofício ao STF, a defesa de Loures pediu que não lhe seja imposto “tratamento desumano e cruel” e que ele não tenha o cabelo cortado. Se essa for uma condição para que Rocha Loures conte tudo o que sabe, o ideal é que os agentes penitenciários não toquem num fio de cabelo do ex-assessor de Temer. Deixem suas madeixas em paz!

Octávio Costa
No Ultrajano
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Temer caminha, enfim, para ser campeão de popularidade — entre presidiários

O Edgar está batendo a foto
Vejam vocês as voltas que o mundo dá.

Mal amanhecia o dia na linda e ensolarada Natal e a Polícia Federal cumpria, mais do que um mandado de prisão, uma espécie de justiça poética contra um dos maiores e mais inescrupulosos traidores da democracia brasileira, o ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Henrique Alves é o que poderíamos chamar, se possível fosse, de um Aécio Neves piorado.

Pertencente a uma das famílias coronelistas que dominam e exploram o estado do Rio Grande do Norte há décadas, é o típico moralista que jamais fez outra coisa a não ser viver e se beneficiar da política. 

Por inacreditáveis 44 anos consecutivos, Alves perambulou pelo Congresso Nacional sem absolutamente nada a acrescentar de importante para o país, para o estado, para o povo ou para quem quer que seja que não fosse a sua própria família.

Como um peemedebista que se preze, jamais aceitou ficar longe do poder. Ideologia, como se sabe, não é exatamente o forte dos caciques de um partido que sempre esteve na situação e que ostenta a mundialmente inédita marca de possuir entre seus quadros, três presidentes sem um único voto.

Henrique Alves, precisamos lembrar, foi o primeiro ministro de Dilma a abandoná-la uma vez posto em curso o Titanic do golpe.

Justamente quando mais a ex-presidenta precisava do apoio daqueles que a cercavam nos ministérios, foi justamente quando Alves mostrou a matéria do que é feito.

Umbilicalmente ligado a gente como Moreira Franco, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima e tantos outros além, é claro, do próprio Michel Temer, curiosamente Alves também passa a ser o primeiro dos ministros que traíram Dilma a ocupar mais uma das inexistentes vagas do nosso maravilhoso sistema prisional.

Acusado de ter embolsado R$ 7,15 milhões ligados à construção de um dos mais belos estádios da Copa do Mundo, o Arena das Dunas, Henrique Alves carrega consigo para a prisão informações de seus atuais correligionários que podem elevar essa cifra a valores exponencialmente maiores.

Não podemos esquecer, evidentemente, que o agora ilustre detento ainda possui pelo menos duas outras ações em que é réu envolvendo quantias não menos modestas em países como a Suíça onde Eduardo Cunha fez escola.

A julgar pelo que sabe e pela sua disposição em permanecer preso, não tarda até que outros figurões do estado como o presidente nacional do DEM, José Agripino Maia e o seu próprio primo, o não menos traidor, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) voltem a estrelar novas cenas da institucionalizada corrupção nacional.

Pois bem, o cadavérico Michel Temer sequer havia se recuperado da notícia de mais esse fantasma a lhe assombrar, quando mais um colega de partido, desta vez o deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), era preso pela PF ao desembarcar no aeroporto internacional de Brasília.

Celso Jacob foi condenado pelo STF a cumprir pena de sete anos e dois meses de reclusão por crimes de falsificação de documento público e dispensa indevida de licitação, ainda quando era prefeito de Três Rios-RJ.

Pois é! No mesmo dia em que a pesquisa CUT/VOX POPULI escancara a indiscutível liderança do ex-presidente Lula em todos os cenários apresentados com uma larga margem de intenção de votos, Alves e Jacob engrossam as fileiras de uma inusitada estatística política eleitoral.

Michel Temer caminha para ter estatisticamente mais popularidade entre presidiários do que entre cidadãos no seu pleno exercício de cidadania.

Eis o que espera o usurpador da Pátria.

Carlos Fernandes
No DCM
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Briga Gilmar Mendes-Herman Benjamin no julgamento de Temer acirra diferenças entre facções do golpe


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Gilmar tenta defender Temer e toma humilhante invertida de Hernan no TSE


O ministro Gilmar Mendes, com a velha e conhecida pose de magistrado dublê de pecuarista mato-grossense, se deu muito mal nesta terça-feira (6) no embate com o relator do processo que pode levar à cassação da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer.

Quando Herman Benjamin fazia ainda a introdução de suas considerações, o ministro do STF, ora no exercício do cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aparteou para fazer uma desnecessária observação ‘Temos uma situação singular, que não é comezinha, que é a impugnação de uma chapa presidencial’.

Na sequência, após citar as inúmeras cassações que o TSE já fez envolvendo parlamentares, vereadores e prefeitos, deu o alerta que pretendia, dizendo que o TSE estaria ‘cassando mais do que a ditadura’ e, não satisfeito, ainda complementou, asseverando que ‘mais importante que o resultado do julgamento’ era conhecer como funcionam as campanhas presidenciais.

Na resposta ao dramático apelo, o ministro Herman Benjamin foi fulminante e cirúrgico, desmontando a argumentação de Gilmar.

‘As ditaduras cassavam e cassam quem defende a democracia. O TSE cassa aqueles que vão contra a democracia. É uma enorme diferença’.

Atordoado, o presidente da Corte ainda retrucou: ‘De qualquer forma, nós temos que ser moderados’.

Hernan retomou e calou Gilmar: ‘a soberania do voto popular deve ser protegida das infrações’.

No Esquerda Valente
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Informativo Paralelo Mulheres na resistência ao golpe


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Quem é o misterioso Edgar suspeito de receber propinas em nome de Temer

Polícia Federal não faz ideia de quem seja Edgar, usado por Rodrigo Rocha Loures para receber propina em espécie da JBS, em nome do governo Temer. Pelas informações da Lava Jato, trata-se de alguém próximo do presidente e que trabalha de São Paulo. Na década de 1990, Temer dividiu escritório de advocacia com um Edgar


Uma das 82 perguntas que a Polícia Federal enviou a Michel Temer, a reboque das acusações da JBS à Lava Jato, questiona se o presidente conhece "Edgar".

"Vossa Excelência tem alguém chamado ‘EDGAR’ no universo de pessoas com quem se relaciona com certa proximidade? Se sim, identificar tal pessoa, mencionando a atividade profissional, eventual envolvimento na atividade partidária, descrevendo, ainda, a relação que com ela mantém."

O misterioso Edgar aparece em conversas gravadas por Ricardo Saud, da JBS, com Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer, preso no último sábado (3), após ser flagrado pela PF carregando uma mala com R$ 500 mil em propina. 

Um relatório da Lava Jato mostra que Saud, em encontro com Loures, citou um atual esquema de corrupção em benefício dos interesses do grupo J&F junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que renderia a coleta de R$ 500 mil em propina, em média, por semana. 

Saud demonstrou urgência em decidir quem seria o responsável por retirar o dinheiro. Loures, então, afirma que vai conversar com Edgar, que seria o novo responsável por intermediar o recebimento da propina, pois "outros caminhos estavam congestionados". 

"Pelo conteúdo da conversa", diz a Lava Jato, "a aceitação dos valores ilegitimos já tinha se processado, restando pendente de definição a forma como seriam realizados os pagamentos periódicos. Antecipadamente, RODRIGO LOURES mencionou que caberia à pessoa de EDGAR intermediar tais operações (uma vez que 'outros caminhos estavam congestionados'), chegando a aventar, ao final, a inserção de alguma empresa para a emissão de notas fiscais."

O pagamento com nota fiscal foi descartado por Saud e ficou acertado, então, que a transação seria em espécie e ocorreria em um colégio de São Paulo. "Ao tratarem mais a fundo dessa possibilidade, RODRIGO foi claro ao afirmar, em suma, que o 'coronel' não poderia mais apanhar o dinheiro, razão pela qual tal tarefa seria confiada a 'EDGAR' ou a 'RICARDO', este mencionado como "xará"." 

Coronel, para a Lava Jato, pode ser um amigo de Temer desde a década de 1990, que se chama João Baptista Lima Filho, mais conhecido como Coronel Lima - também objeto de perguntas da Polícia Federal ao presidente. A JBS afirma ter entregue ao Coronel Lima R$ 1 milhão em propina com destinação a Temer.

Edgar ainda não foi identificado pelos investigadores, mas Ricardo, o "xará" citado na conversa como alternativa a Edgar no recebimento de propina, é Ricardo Conrado Mesquista, vinculado à Rodrimar, na visão da Lava Jato.

Uma reportagem de 2001, da Folha, mostra que Temer também tem um Edgar em seu circulo de amizades desde os tempos de deputado federal. Trata-se de Edgar Silveira Bueno Filho. Não necessariamente o Edgar buscado pela força-tarefa. Mas um especialista em "agências reguladoras e concorrenciais", justamente o assunto que dá dor de cabeça à JBS.

Edgar Bueno é desembargador aposentado do Tribunal Regional Federal de São Paulo e foi presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais) em 1993. De acordo com a Folha, "dividiu escritório de advocacia com o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP)".

O advogado chegou a palestrar sobre a revisão judicial dos atos administrativos de órgãos reguladores e de defesa da concorrência em 2003, em seminário organizado pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal. 

O ex-sócio de Temer aparece ligado a escândalo envolvendo a desapropriação de um prédio pelo TRF, em 1990. O Ministério Público considerou a expropriação indevida porque o imóvel teria sido superfaturado (valia 10% do valor cobrado por ele). 

O caso, segundo o jornal, gerou à União um prejuízo de R$ 200 milhões. Após a investida do MP contra a desapropriação, o poder público recuou, mas não sem a família dona do imóvel entrar com uma ação bilionária de indenização. Edgar Bueno teria feito a defesa da família, contratado por Roberto Elias Cury. Leia mais aqui.

Pode ser apenas coincidência de nomes. Pode ser que não.

A prisão de Rocha Loures deve elucidar a dúvida sobre a identidade de Edgar.


Cíntia Alves
No GGN
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PGR pede devassa patrimonial de Aécio Neves, amigos e familiares


O procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para uma devassa no patrimônio do senador afastado Aécio Neves (PSDB), de familiares e de pessoas próximas a ele. O objetivo é investigar a participação de laranjas, testas de ferro e de “homens de palha” em possível enriquecimento ilícito do político. Uma das intenções de Janot é reservar os bens lícitos do tucano para garantir a reparação de danos e o pagamento de multas, caso fiquem comprovados os crimes.

Um dos motivos que levaram Janot a pedir investigação ao patrimônio de Aécio foi a delação premiada dos executivos da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud. Nela, eles descrevem relação “espúria” mantida entre a companhia e o senador.

Entre as revelações, está o pagamento de R$ 60 milhões a Aécio por meio de emissões de notas frias em 2014, quando foi candidato à presidência da República. O pagamento foi realizado em nome de empresas diversas, todas indicadas pelo tucano.

“O senador está tranquilo quanto à eventual apuração pela Receita Federal, diante da absoluta lisura de seu patrimônio e retidão de suas condutas. Ele jamais obteve qualquer valor ou vantagem indevida. Trata-se de acusações falsas”.

Alberto Zacharias Toron
Advogado de Aécio Neves

Houve, ainda, pagamento a políticos e partidos para que as legendas integrassem a coligação que apoiaria Aécio na campanha presidencial. Em todas as supostas ações criminosas, amigos e parentes do senador, incluindo outros parlamentares e assessores dele, estariam supostamente envolvidos, fato que estendeu a investigação.

Em contrapartida à propina paga pela JBS, o senador teria utilizado o mandato parlamentar para beneficiar diretamente interesses do grupo, como liberação de R$ 12,6 milhões de ICMS da JBS Couros e dos créditos de R$ 11,5 milhões de ICMS da empresa Da Granja, sediada em Uberaba.

Durante as investigações, conforme o documento, foram revelados fatos que apontam ocultação e dissimulação de valores, indicando possível lavagem de dinheiro. “Com efeito, a dinâmica dos fatos já delineados acerca do destino dos valores auferidos pelo senador Aécio Neves evidencia a existência de interpostas pessoas, empresas de fachada com vistas a dificultar a identificação da origem do dinheiro e os seus reais beneficiários”, diz o texto.

O procurador-geral da República ressalta que nos crimes comuns o dinheiro tende a voltar ao próprio investigado. Nos crimes de colarinho branco, no entanto, o rastreamento de bens deve ser estendido aos familiares e, eventualmente, a terceiros e agregados, com pelo menos cinco objetivos.

O primeiro seria recuperar bens, direitos ou valores que sejam proveito ou produto do crimes. Assegurar a reserva do bem lícito para garantir a reparação do dano e para pagar multas penais e despesas processuais, caso fique comprovado a ilicitude do ato, é outro intuito. Outro motivo da investigação é impedir novo financiamento de atividades ilícitas, ou seja, a retroalimentação das operações criminosas. A investigação tem, ainda, poder de impedir a permanência ou volta de dinheiro sujo à economia, e de entender como funciona o esquema de lavagem de dinheiro.

No Esquerda Valente
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Temer, o porto e o aeroporto. Com a pimenta de ACM


O novo escândalo sobre as relações entre Michel Temer e Joesley Batista é, agora, as supostas viagens dele e Marcela Temer no Learjet 45 PR-JBS do empresário.

É desvio de ordem ético-moral que só tem importância por demonstrar a longa intimidade com o homem que, agora, alega tê-lo subornado. E, no caso de ser provado que utilizou e o negou como fez ontem o Planalto, ser desnudado como o vil mentiroso que já demonstrou ser em outras questões, como a da “boa índole” de Rodrigo Rocha Loures.

Para a apuração dos atos de corrupção de Michel Temer, porém, muito mais relevante são os temas que vieram à tona sobre seus negócios (históricos e de amplo conhecimento nos meios políticos) no Porto de Santos.

É deles que trata hoje a coluna de Bernardo de Mello Franco, na Folha, valendo-se do testemunho de alguém que, em matéria de sordidez, sabia de muito: Antonio Carlos Magalhães.

Na estrada de Santos

Bernardo de Mello Franco, na Folha

Em junho de 1999, o senador Antonio Carlos Magalhães disparou: “Se abrirem um inquérito sobre o porto de Santos, Temer ficará péssimo”. Dezoito anos depois, a profecia de ACM volta a assombrar o presidente. O tema aparece em 9 das  perguntas que a Polícia Federal enviou ao Planalto.

“Vossa Excelência tem relação de proximidade com empresários atuantes no segmento portuário, especialmente de Santos?”, questiona o item 54. O interrogatório também trata do decreto dos portos, que Temer assinou no mês passado, renovando as concessões do setor sem licitação.

Os jornais registram a influência do peemedebista em Santos desde os anos 90. No segundo mandato do tucano, a Codesp passou ao comando de Wagner Rossi, um dos homens mais próximos do atual presidente. A estatal administra o porto e regula a atuação das empresas da área.

Em 2011, o Supremo Tribunal Federal abriu inquérito sobre Temer por suspeitas de corrupção na gestão do afilhado. O então vice-presidente foi investigado, mas a corte arquivou o caso por falta de provas.

Desta vez, há novas pistas sobre a atuação do peemedebista. Seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, preso na semana passada, foi gravado quando conversava com um empresário interessado no decreto dos portos. Os investigadores apuram as relações do homem da mala e de seu chefe com a concessionária Rodrimar, que já recebeu uma visita da PF.

Pelo teor do interrogatório, policiais e procuradores que investigam Temer parecem convencidos de que todos os caminhos levam a Santos.

Ao levantar a lebre, ACM afirmou que “as coisas morais nunca foram o forte do senhor Michel Temer”. O presidente devolveu de bate-pronto: “Em matéria de moral, dou de dez a zero nele. Comigo ele não vai avacalhar”. O senador baiano respondeu com outra provocação: “Eu não poderia avacalhá-lo, porque avacalhado ele já é. Não me impressiona sua pose de mordomo de filme de terror”.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Para entender a "nova esquerda", "nova direita" e os movimentos de rua


O Justificando Entrevista recebeu a Professora da Universidade Federal de São Paulo, Esther Solano, para falar sobre as novas frentes das ideologias, o "populismo de esquerda", e partidos de esquerda e direita que surgem no país.

Cada vez mais as pessoas estão interessadas na política, mas qual leitura fazer dos novos movimentos que têm alterado profundamente o cenário atual? Novas frentes e toda uma geração que vem sem pedir passagem para falar sobre seu futuro a partir de si própria, sem contar mais com a mediação dos espaços disponibilizados para que protestem dentro do limite. Exemplos disso, são os movimentos de secundaristas e as novas manifestações.

"(...) A esquerda constitucional e a esquerda de base: a militância de base que está muito mobilizada, então você tem milhões de movimentos sociais que estão realmente pulsando", explica Solano.

De outro lado, a direita traz o discurso antipolítica como marca de sua nova geração, e Solano fala um pouco sobre isso nesse programa.


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