1 de jun de 2017

Temer é a craca do Jaburu


Ele se agarra ao cargo de forma patética, mas seu destino é mesmo a lata de lixo da História

Cracas são pequenos crustáceos que vivem fixados a rochas, conchas, corais, madeiras e outros objetos flutuantes. Até esses tempos medíocres de Michel Temer, as mais famosas cracas do país eram as que vivem agarradas aos pilares da Ponte Rio-Niterói. Houve até mesmo quem acreditasse que elas seriam capazes de corroer as bases de concreto erguidas nos anos 70. Mas, agora, as manobras obscuras e desesperadas de Temer para permanecer no cargo fazem surgir um novo tipo de crustáceo: o presidente da República que, mesmo sabendo que seus dias estão contados, agarra-se ao poder a qualquer preço, na tentativa de ganhar uma sobrevida. Diante dos acontecimentos recentes, como a nomeação de um ministro da Justiça de ocasião, não há qualquer dúvida. Michel Temer é a craca do Palácio Jaburu.

Chega a ser espantosa a ousadia de Temer, em seus movimentos para continuar na Presidência. No julgamento do TSE, depois de nomear dois dos sete ministros, ele alardeia que vai escapar por quatro votos a três. Ou seja, mesmo com todas as provas de irregularidade no financiamento da chapa Dilma-Temer, a maioria do Tribunal votaria contra a impugnação, preservando o mandato de Temer. É bem possível que este seja o resultado do julgamento marcado para o dia 6 de junho. Afinal, quem presidirá a sessão será o ministro Gilmar Mendes, que, além de amigo pessoal de Temer, não costuma dar muita atenção à opinião pública. Gilmar já avisou que não se deve contar com o TSE para resolver a crise política.

Outra frente que ameaça Temer é a dos vários pedidos de impeachment encaminhados à presidência da Câmara. Mas aí Temer sua situação é confortável. Ele tem razão para acreditar que Rodrigo Maia não levará qualquer iniciativa adiante, o que vale, inclusive, para o pedido da Ordem dos Advogados do Brasil que se fundamenta nos fatos, e não nas fitas. Com sua cara de quem tem medo da própria sombra, Maia afirmou que não tem pressa para examinar as petições. Alega preocupação com a governabilidade, quando, na verdade, faz parte do esquema Temer. Vale lembrar que Rodrigo Maia é genro do ministro Moreira Franco, um dos que convenceu Temer a não renunciar. Acima de tudo, Moreira teme perder o foro privilegiado.

Temos então a terceira frente de batalha: o inquérito no STF que investiga se Temer cometeu os crimes de obstrução de Justiça, corrupção ativa e participação em organização criminosa. Neste caso, se tivesse um pouquinho de simancol, ele deveria jogar a toalha e pedir a renúncia antes de passar o vexame da condenação. Pelas decisões do ministro-relator Edson Fachin, fica claro que a batata de Temer está assando. Além de autorizar a PF a interrogar o presidente, Fachin pediu pressa na conclusão do inquérito. Tudo indica que, ao fim do prazo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar denúncia contra o presidente. Caberá à Câmara examiná-la. Se for aprovada por dois terços dos deputados, a denúncia vai ser apreciada pelo plenário do STF. Se acatada pelo STF, Temer será afastado do cargo por 180 dias. Condenado, perderá o mandato em definitivo.

Não importa qual será o mecanismo, o certo é que Michel Temer vai acabar no lixo da história. Resta saber se a craca do Palácio Jaburu vai se agarrar ao cargo até a última hora.

José Trajano
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Diário do Hoje em Dia, um jornal enrolado

Sede do Hoje em Dia ocupada em BH
Um grupo de cerca de 200 ex-funcionários do jornal Hoje em Dia, ocupou, nesta quinta-feira, 1, a antiga sede da publicação, na Rua Padre Rolim, em Belo Horizonte. Demitidos em fevereiro do ano passado, os ex-funcionários afirmam ainda não ter recebido seus direitos trabalhistas, além do salário do último mês no emprego.

Na época,  praticamente falida, a Ediminas, proprietária do jornal, foi vendida a um grupo de empresários, do qual faria parte o ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz.

Atualmente abandonado e em péssimo estado de conservação, o  prédio foi citado na delação de Joesley Batista, da JBS, sobre suas ligações perigosas com o senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Segundo Joesley, a JBS adquiriu em novembro de 2015 o imóvel, como forma de esquentar uma operação de repasse ilegal de recursos para o pagamento de dívidas de campanha pelo enrolado senador, mais conhecido como “mineirinho” pela turma da Lava Jato. O valor da compra, efetuada pela J&F, holding que controla a JBS, foi de R$ 17.354.824.

Desse total, R$ 14 milhões foram pagos à Ediminas – o restante teria sido embolsado pelo senador. Em sua delação, o empresário afirmou que o próprio Aécio indicou a aquisição do “predinho”, que estava visivelmente superfaturado e no qual a JBS não tinha o menor interesse. “Não estávamos atrás de comprar um prédio em Belo Horizonte”, afirmou aos procuradores.
O ex-prefeito de Montes Carlos, Ruy Muniz
Pelo lado editorial, a exemplo da maior parte da imprensa mineira, o pasquim se notabilizou pelo engajamento total no apoio ao tucano Aécio Neves.

Um dos pontos altos do anti-jornalismo praticado pelos editores do Hoje em Dia foi a manipulação de uma pesquisa eleitoral, produzida pelo instituto Veritá, que apontava uma vantagem de 14 pontos de Aécio sobre Dilma, às vésperas do segundo turno.

Conforme denunciaram o proprietário do instituto, Adriano Silvoni, e o responsável pela pesquisa, Leonardo de Assis, a pesquisa havia sido feita com dados de todo o país, o que impossibilitava a utilização dos dados em separado por Estado. Desnecessário dizer que os números falseados foram utilizados pela campanha do tucano na TV como se fossem verdadeiros, comprometendo, inclusive a credibilidade do Véritas.

Como apurou a Lava Jato, o engajamento do Hoje em Di, foi devidamente recompensado, não apenas pela contribuição da JBS. Segundo os peritos da Polícia Federal, a Ediminas Editora Gráfica, dona do jornal, foi contemplada, entre outros, com um repassse direto  não declarado de R$ 2,5 milhões, efetuado pela construtora Andrade Gutierrez, uma das principais financiadoras da campanha de Aécio.

No entanto, o apoio incondicional do Hoje em Dia a Aécio acabou sendo de pouco valia, tanto para o candidato, quanto para a Ediminas. Com 5.428.821 votos, Aécio foi fragorosamente derrotado por Dilma Roussef, que obteve 5.979.422 votos.

Humilhação suprema, no Estado que governou por dois mandatos obteve apenas 47,59% dos sufrágios, abaixo dos 48,36% de sua média nacional. Além disso, seu candidato Pimenta da Veiga ficou a 11 pontos percentuais do governador eleito, o petista Fernando Pimentel (53% contra 42%).

Por outro lado, as maracutaias praticadas em seu departamento comercial e na redação de seu jornal não impediram que a Ediminas entrasse em estado falimentar. Em fevereiro de 2016, o Hoje em Dia foi passado adiante a um grupo encabeçado pelo empresário Ruy Muniz, à época prefeito do município de Montes Claros.

Sim, ele mesmo. Trata-se do mesmíssimo prefeito mineiro homenageado como um exemplo de probidade a ser seguido por sua mulher, a deputada federal Raquel Muniz (PDS-MG), ao votar sim pela abertura do processo de cassação da presidente Dilma Rousseff. “Meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com a sua gestão”, afirmou a caricata Raquel, dando pulinhos de satisfação na dantesca sessão da Câmara na tarde daquele domingo, 17 de abril.

O mito durou menos de 24 horas. No dia seguinte, dois meses depois de assumir o controle do Hoje em Dia seu marido, eleito pelo PSB, foi preso pela PF, acusado de crimes de estelionato, prevaricação, falsidade ideológica, entre outros. Candidato à reeleição, em 2016, foi derrotado nas urnas pelos eleitores de Montes Claros.

Em resumo: o Hoje em Dia, fundado em 1988 pelo ex-governador Newton Cardoso, que até a ascensão de Aécio Neves notabilizou-se como um “primus inter pares” da corrupção na política  mineira, está em boas mãos. Seguramente, não fugirá à sua tradição.

Miguel Enríquez
No DCM
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PIB em alta? Devagar com o andor


Mesmo os “colunistas de mercado” reconhecem que a alta de 1% do PIB no trimestre (que é queda de 0,4% se comparado ao mesmo trimestre de 2016, que já foi um desastre) se deve a fatores muito localizados, que não podem ser interpretados como ‘recuperação econômica’.

Basicamente, o salto de 13,4% na agricultura (quase tudo dos 15,2% anual), puxado por uma valorização forte da soja no trimestre, que já se reverteu e ameaça, agora, virar queda forte. O mesmo está acontecendo com outro carro-chefe da produção rural, o milho.

Miriam Leitão, ao antecipar o índice de 1%, diz que a taxa “não se repetirá no segundo trimestre na mesma dimensão e há projeções de que poderá ser negativo.

Só mesmo um desesperado megalômano na sua pequenez  seria capaz de escrever no Twitter, como fez Michel Temer: “Acabou a recessão! Isso é resultado das medidas que estamos tomando. O Brasil voltou a crescer. E com as reformas vai crescer mais ainda”.

A indústria, como um todo, ficou 1% abaixo do primeiro trimestre de 2016. Na construção, menos 6,3% e na transformação, 1% de queda. A recuperação do preço do petróleo e do ferro foi a responsável pelo resultado positivo de 0,9%, produzindo um crescimento anual de 9,7% do seu PIB.

O mais preocupante é que a medida dos investimentos – tecnicamente chamada de Formação Bruta de Capital Fixo – que caiu, tanto no trimestre (-1,6%) quanto na comparação anual (-3,7%).  Hoje, isto representa 15,6% do PIB brasileiro, o menor nível desde a crise de 2008/9.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Aécio pede para intimidar deputado Rogério Corrêa — ouça



No DCM
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Diplomatas criticam uso da força para reprimir manifestações e pedem fim de 'tentações autoritárias'


Um grupo de 93 diplomatas e 25 oficiais e assistentes de chancelaria do Itamaraty divulgou, na quarta-feira, uma carta pública criticando o "uso da força" para conter manifestações e pedindo que líderes políticos "abram mão de tentações autoritárias, conveniências e apegos pessoais ou partidários em prol do restabelecimento do pacto democrático no país".

Leia a seguir a Carta Pública dos diplomatas:

Nós, servidoras e servidores do Ministério das Relações Exteriores, decidimos nos manifestar publicamente em razão do acirramento da crise social, política e institucional que assola o Brasil. Preocupados com seus impactos sobre o futuro do país e reconhecendo a política como o meio adequado para o tratamento das grandes questões nacionais, fazemos um chamado pela reafirmação dos princípios democráticos e republicanos.

2. Ciosos de nossas responsabilidades e obrigações como integrantes de carreiras de Estado e como cidadãs e cidadãos, não podemos ignorar os prejuízos que a persistência da instabilidade política traz aos interesses nacionais de longo prazo. Nesse contexto, defendemos a retomada do diálogo e de consensos mínimos na sociedade brasileira, fundamentais para a superação do impasse.

3. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a consolidação do estado democrático de direito permitiu significativas conquistas, com reflexos inequívocos na inserção internacional do Brasil. Atualmente, contudo, esses avanços estão ameaçados. Diante do agravamento da crise, consideramos fundamental que as forças políticas do país, organizadas em partidos ou não, exercitem o diálogo, que deve considerar concepções dissonantes e refletir a diversidade de interesses da população brasileira.

4. Para que esse diálogo possa florescer, todos os setores da sociedade devem ter assegurado seu direito à expressão. Nesse sentido, rejeitamos qualquer restrição ao livre exercício do direito de manifestação pacífica e democrática. Repudiamos o uso da força para reprimir ou inibir manifestações. Cabe ao Estado garantir a segurança dos manifestantes, assim como a integridade do patrimônio público, levando em consideração a proporcionalidade no emprego de forças policiais e o respeito aos direitos e garantias constitucionais.

5. Conclamamos a sociedade brasileira, em especial suas lideranças, a renovar o compromisso com o diálogo construtivo e responsável, apelando a todos para que abram mão de tentações autoritárias, conveniências e apegos pessoais ou partidários em prol do restabelecimento do pacto democrático no país. Somente assim será possível a retomada de um novo ciclo de desenvolvimento, legitimado pelo voto popular e em consonância com os ideais de justiça socioambiental e de respeito aos direitos humanos.
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Enquanto uma comediante é demitida nos EUA por uma piada indigente com Trump, Silvio financia Gentili

Eles

O fato mais escandaloso acerca do ataque indigente de Danilo Gentili a Maria do Rosario é ele ainda estar empregado no SBT.

Silvio Santos continua, portanto, o maior patrocinador de um discurso de ódio abjeto.

O repúdio generalizado — me refiro a quem tem bom senso — deveria levar o dono da emissora a tomar a atitude óbvia de desligar o ex-humorista.

Ao não fazê-lo, Silvio se torna cúmplice da ignomínia e dá a Gentili o salvo conduto para subir o tom da barbárie mais e mais.

Igualmente ensurdecedor é o silêncio dos demais funcionários. Ninguém, em departamento algum, se manifestou.

É coisa de uma empresa doente, num país idem em tempos doentios.

Compare ao que acaba de ocorrer nos EUA.

A CNN mandou embora a comediante Kathy Griffin depois que ela publicou um vídeo em que aparece segurando a cabeça ensanguentada de Donaldo Trump.

Seu colega de longa data, o âncora Anderson Cooper, pontuou que ficou “chocado” e que considerava a imagem “nojenta e completamente inapropriada”.

Kathy, que apresentava o tradicional programa de Ano Novo da casa, pediu desculpas, falando que “foi longe demais”. Não há liberdade de expressão que justifique uma aberração desse quilate.

A CNN é abertamente crítica a Donald Trump, que a acusa de fabricar “fake news”.

Numa coletiva durante a campanha, ele deu uma dura numa repórter. A “organização” para a qual ela trabalhava era “terrível”.

Ainda assim, a CNN se recusou a bancar alguém que passou claramente do limite da civilidade. A sociedade exige uma providência.

Por aqui, seguimos rumo ao penhasco enquanto gente como Silvio, do alto de sua iniquidade, financia fascistas seguidos por outros fascistas.

Ha-Hai.





Kiko Nogueira
No DCM
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O Estadão deixa Moro?


O  editorial de hoje do Estadão revela um posicionamento muito diferente daquele que o jornal vinha assumindo e pode ser sinal de uma mudança de orientação da oligarquia paulista que ele, como ninguém, representa.

Referindo-se à defesa incondicional feita ontem em Portugal por Sérgio Moro, o tradicional jornalão ressalva que faltam, frequentemente, provas para sustentar o que é dito pelos delatores.

(…) as múltiplas acusações feitas pelo Ministério Público contra figurões do mundo político estão baseadas somente, ou principalmente, nas delações, sem que venham acompanhadas de provas materiais suficientes para uma condenação. Quando muito, há provas testemunhais, nem sempre inteiramente dignas de crédito ou confiança. Criou-se um ambiente em que as delações parecem bastar. Se é assim, o objetivo não é fazer justiça, mas uma certa justiça.

Certamente isso não foi escrito para Lula, mas recomendo que os advogados do ex-presidente recortem e colem nas suas alegações finais sobre o processo do “triplex”, porque o encaixe é evidente e completo.

E isso não é tudo, leia só como Dr. Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente, não teria escrito melhor:

Há tempos ficou claro que certos membros do Ministério Público têm a pretensão de purgar o mundo político daqueles que consideram nocivos. Para esse fim, basta espalhar por aí, por meio de vazamentos deliberados, que tal ou qual político foi citado nesta ou naquela delação para que o destino do delatado esteja selado, muito antes de qualquer tribunal pronunciar sua sentença.

Meu Deus, o Estadão “lulou”, virou “petralha”, avermelhou-se?

Fique calmo e leia mais uma linha, para entender:

Foi exatamente o que aconteceu no episódio envolvendo o presidente Michel Temer. Em mais um vazamento de material em poder do Ministério Público, chegou ao conhecimento dos brasileiros uma gravação feita pelo empresário Joesley Batista com Temer na qual o presidente, segundo se informou, teria avalizado a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha. Quando a íntegra da gravação foi finalmente liberada, dias depois, constatou-se que tal exegese era, no mínimo, controvertida. Mas em todo o episódio prevaleceu a interpretação feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para quem o diálogo é expressão cabal de uma negociata – e isso bastou para Temer ser visto por muitos como imprestável para permanecer no cargo de presidente.

Ah, sim, não há provas contra Michel Temer, exceto um assessor seu carregando uma mochila de R$ 500 mil, um encontro às escuras com Joesley Batista e um “pode tratar de tudo com ele” do presidente referindo-se ao homem da mala.

No caso de Lula, não havia um centésimo disso, mas o Estadão jamais teve dúvidas em pré-condena-lo e endeusar o agora criticado Moro.

Portanto, não é santa a declaração dos Mesquita de que  “agenda nacional, em meio a uma das mais graves crises da história, foi definitivamente contaminada pelo pressuposto de que o Brasil só será salvo se a classe política for desbaratada, como se fosse uma quadrilha.” Leia-se, no lugar de classe política, os políticos “com classe” do PMDB e do PSDB.

Não é santa, mas serve, porque é preciso que quem embalou este Mateus o reduza ao que é: um dissolvedor da ordem democrática, não da corrupção que, como se viu no episódios das malas rochalourdinas e aecianas.

O Estadão, que já chocou a ditadura militar, parece que percebeu que caminhamos para outra, onde será preciso colocar um data venia entre os ingredientes.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Suplente de Aécio Neves no Senado é réu em ação por improbidade administrativa

Elmiro Alves do Nascimento (DEM) é empresário na cidade de Patos de Minas e ex-secretário de Agricultura do governo Anastasia.
Foto: Guilherme Bergamini / ALMG.
O primeiro suplente do senador afastado Aécio Neves (PSDB/MG), o ex-deputado estadual Elmiro Alves do Nascimento (DEM), atualmente empresário e produtor rural em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, é réu em um processo desde 2013 por improbidade administrativa na 5ª Vara da Fazenda Estadual de Belo Horizonte. Elmiro é acusado de contratar três servidores públicos para o seu gabinete, enquanto deputado na Assembleia Legislativa de Minas, mas, na verdade, segundo o processo, eles trabalhavam em outras empresas ou propriedades de Elmiro. Os “funcionários fantasmas” teriam causado um dano de R$458 mil ao erário.

Os servidores contratados, Márcio Lopes Cançado, Dário Rodrigues Caixeta Campos Júnior e Wellington Ney da Silva, “nunca exerceram suas atribuições porque estavam vinculados a outros afazeres no interior do estado”, consta na Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual (MPE), em 2011. A denúncia foi recebida pelo juiz Manoel dos Reis Morais em outubro de 2013.

Os “funcionários fantasmas” também são réus no processo. “Simplesmente, foram alocados no serviço público, sem qualquer vinculação fática, sem cumprimento de horário etc.”, consta no processo, cuja audiência de instrução e julgamento está marcada para o 21 de setembro próximo.

De acordo com o escritório do DEM, Elmiro vive atualmente em Patos de Minas, como empresário. Ele administra fazendas e quatro empresas: a Incorporadora Limoeiro, de empreendimentos imobiliários; a Sociedade Patense de Radiofusão; a Rádio Clube de Patos e a Elmiro Alves do Nascimento (ME), essa de fabricação de produtos à base de café. Elmiro é ex-prefeito da cidade e foi secretário de Agricultura e Abastecimento na gestão de Antônio Anastasia (PSDB), além de ter ocupado outros cargos públicos.

Regimento

Com o afastamento de Aécio, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o nome de Elmiro ressurgiu no cenário político como primeiro suplente da chapa a assumir o cargo com a possível cassação do mandato de Aécio.

A assessoria de imprensa do Senado informou que a convocação de Elmiro só seria possível em três situações, conforme os artigos 45 do Regimento Interno do Senado e o 56 da Constituição Federal: em caso de vacância, de afastamento do titular para tomar posse como ministro, governador, secretário, prefeito ou chefe de missão diplomática, ou licenciamento do titular por motivo de doença ou interesse particular, desde que não ultrapasse o prazo de 120 dias. De acordo a assessoria, nenhum desses casos se aplica à situação de Aécio Neves.

Defesa

O advogado de Elmiro, Fabrício Souza Duarte, disse que o processo não é impedimento para seu cliente assumir a vaga de senador. “Ficou claro no decorrer da instrução do processo que as alegações do Ministério Público são improcedentes. Além disso, em eventual condenação provavelmente recorreremos, o que manteria todos os direitos do nosso cliente para assumir o mandato de senador”, afirmou o advogado.

Depois de afastado do cargo de senador, Aécio Neves licenciou-se da presidência nacional do PSDB para dedicar-se à sua defesa. Procurados pela reportagem do Hoje em Dia, os ex-funcionários não foram localizados.

Pedro Ferreira
No Limpinho&Cheiroso
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Aécio ajudou a montar Conselho que irá julgá-lo


O senador afastado Aécio Neves participou das discussões para a montagem do Conselho de Ética do Senado, que vai deliberar sobre pedido do PSOL-Rede pela cassação do seu mandato. Tucanos foram escolhidos a dedo para ajudar a barrar o requerimento. Assim como fizeram outros partidos com quem tem interlocução. Em outra frente, senadores investigados já falam em arrependimento por respaldarem a prisão de Delcídio do Amaral. Avaliam que isso deixou o STF à vontade para tentar de novo, mas que a dose não vai se repetir com Aécio.

O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) disse que foi surpreendido com sua indicação para suplente no conselho. “Minha decisão será à luz dos fatos. Não importa se é meu pai, minha mãe. Se for um parente, pago a pena com ele”, avisa.

No Amigos do Presidente Lula
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Quando se tem certeza da impunidade...

Recordar é viver:

Senador Aécio Neves vota para transformar a corrupção em crime hediondo

“É uma resposta entre tantas que o Congresso e o país precisam dar aos que querem um país que respeite os brasileiros”
A matéria é de 27/06/2013 e foi publicada originalmente no site do PSDB

O senador Aécio Neves votou a favor do projeto (PLS 204/2011) que transforma em crime hediondo a corrupção ativa e passiva. Com isso, o corrupto ou o corruptor não terão direito ao pagamento de fiança, a progressão para o regime semi-aberto e não poderão ser anistiados.

Na avaliação de Aécio Neves, a medida será mais um instrumento para se combater a corrupção no país, uma das maiores reivindicações da população.

“O Senado aprovou, na tarde desta quarta-feira, um projeto extremamente importante. Uma sinalização clara daqueles que querem ver o fim da corrupção no Brasil. O projeto trata como crime hediondo, a partir de agora, a corrupção passiva e ativa e outros crimes violentos, como o assassinato. É uma resposta entre tantas que o Congresso e o país precisam dar aos que querem um país mais justo, mais solidário e, sobretudo, um país que respeite os brasileiros”, disse o senador Aécio Neves.

A proposta que recebeu o apoio do senador Aécio Neves também incluiu na categoria de crime hediondo o peculato – roubo ou desvio de dinheiro ou bens ao qual o servidor público deve acesso no exercício de sua função.

O PLS 204/2011, de autoria do senador Pedro Taques (PDT-MT), tornou ainda o homicídio simples um crime hediondo. A aprovação do projeto ocorreu na tarde dessa quarta-feira (26-06-13).

Fonte: psdb
No Verdades Ocultas
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Paraná Pesquisas: 63,7% dos brasileiros querem Aécio na cadeia

A pesquisa revelou também que, diante da possibilidade de queda do presidente, 90,6% defendem a realização de eleições diretas, contra apenas 7,2% que preferem que a escolha seja feita pelo Congresso. Além disso, o levantamento aponta Lula em primeiro lugar para as eleições presidenciais de 2018.


De acordo com o levantamento feito pelo Instituto Paraná Pesquisas, 63,7% dos brasileiros querem que o senador afastado Aécio Neves vá preso. Aécio foi pego em grampo numa conversa com o dono da JBS, Joesley Batista, conspirando para sabotar a Operação Lava-Jato e negociando pagamento de propina de R$ 2 milhões.

A irmã de Aécio, Andrea Neves, e o seu primo Fred estão presos em Minas Gerais. Ainda há um pedido de prisão contra Aécio, que não foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

A pesquisa revelou também que, diante da possibilidade de queda do presidente, 90,6% defendem a realização de eleições diretas, contra apenas 7,2% que preferem que a escolha seja feita pelo Congresso. Além disso, o levantamento aponta Lula em primeiro lugar para as eleições presidenciais de 2018.

No Fórum
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Jornalistas ocupam prédio da JBS em BH que é prova da corrupção que une Aécio e a mídia

Jornalistas ocupam o prédio da JBS em BH, que era do jornal Hoje Em Dia

Jornalistas ocuparam na manhã desta quinta, dia 1º, o prédio onde funcionava o jornal Hoje em Dia, em Belo Horizonte. 

O imóvel, que está desocupado, pertencia à Ediminas, empresa que editava o jornal e quebrou.

Era um bem que poderia garantir o pagamento do salário dos profissionais de imprensa e as verbas de demissão.

Mas Aécio Neves, ao pressionar Joesley Batista para comprar o prédio a preço superfaturado em 2015, impediu a execução do bem e ficou com o dinheiro que poderia servir para pagar os ex-empregados.

Com a ocupação do prédio, os jornalistas pretendem mostrar que não houve apenas crime de corrupção com o negócio.

Houve fraude ao credor.

Os donos do imóvel tentam defender Aécio da acusação de que o dinheiro da venda teria ido para ele.

Mas o advogado dos ex-empregados procurou o dinheiro nas contas da empresa e de seus proprietários, mas não encontrou nada.

Na delação premiada, Joesley Batista não deixa dúvida sobre quem ficou com o dinheiro:

Eu acabei, através da compra de um prédio, não sei como lá em Belo Horizonte, por 17 milhões, esse dinheiro chegou nas mãos dele. 

O prédio valia bem menos. O diretor da JBS Ricardo Saud, que também prestou depoimento em colaboração com a Justiça, disse o seguinte a respeito da venda do prédio.

Esse prédio é o seguinte… O Aécio, desculpa a palavra, virou uma sarna em cima do Joesley. Ficava ligando: ele, a irmã, o primo, pra mim, pro Joesley… 24 horas… que ele saiu da campanha devendo demais, que precisava acertar a vida dele… que tava com dificuldade muito grande, que não tinha como não fazer e tal.

O procurador da república que tomou o depoimento perguntou:

— Pedindo dinheiro?

Ricardo respondeu:

— Pedindo dinheiro… dinheiro… dinheiro… propina… dinheiro não, propina. Propina… Propina…

Uma evidência de que era mesmo propina é que a J&F não está usando o prédio para nada. Ele está fechado.

Aécio Neves e a irmã, Andrea, impuseram um clima de terror na imprensa de Minas Gerais, que impediu a publicação de qualquer reportagem, artigo ou nota que contrariassem seus interesses.

Com o negócio do prédio do jornal Hoje em Dia, agora se vê que a relação entre eles e os empresários da imprensa ia muito além das questões editoriais.

O negócio sujo envolvendo a venda do prédio do jornal Hoje em Dia é exemplar porque revela um tipo de relação entre esquemas de governo como o de Aécio e a imprensa brasileira.

Com certeza, vai muito além das questões editoriais e não fica restrito a Minas Gerais.

Por trás de cada editorial favorável, pode-se apostar que, de forma direta ou indireta, tem dinheiro.

Já passou da hora de investigar a fundo todos os crimes dos irmãos Neves.

E os empresários da imprensa também têm contas a pagar.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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Deplorável é a palavra mais branda a aplicar-se a Torquato Jardim

Os Irmãos Marx eram três. Três são os Patetas. Os irmãos Metralha são três. Sucessos sugestivos, entre tantos possíveis, de que o número tem boas relações com o patético e o cômico. Talvez esteja aí a explicação para o sucedido aos selecionados de Michel Temer para ministros. No caso, os sucessivos no Ministério da Justiça, que se não chegam a ser um trio são, ao menos, uma trinca.

Secretário de Segurança do governo Alckmin, Alexandre de Moraes vivia seus dias opacos em tranquilidade. Oferecida pela atenção intermitente e ligeira dada no Estado ao êxito, interno e além divisas e fronteiras, do paulista PCC. Apesar da boa vida, topou passar por ministro da Justiça em uma composição ministerial já mal conceituada.

Era exposição demais para os fundos de Moraes. Logo a pretendida reputação de constitucionalista estava rebaixada à condição de plagiário, com a revelação pública de que se apropriou de texto alheio. Em retribuição a suas providências, quando secretário, para defender a imagem de recato de Marcela Temer, ganhou um lugar no Supremo Tribunal Federal. Sem que a toga encubra, jamais, o efeito da revelação de sua indevida coautoria.

Osmar Serraglio surgiu como relator na chamada CPI do mensalão. Não aproveitou o bom conceito feito então, voltando a ser um deputado federal sem aplausos e sem críticas. Pescado por Temer para substituir Alexandre de Moraes, Serraglio foi em geral identificado com aquele relator. Por pouco tempo.

Quem apareceu com a nomeação foi o Serraglio de ligação sorrateira com interesses ruralistas de más finalidades, como a ação contra índios para apropriações de terras.

Em complemento à nova imagem, uma gravação conectou-o à corrompida fiscalização de frigoríficos no Paraná. Se a própria voz lhe foi infiel, não foi mais cordial o seu "amigo de 30 anos" Michel Temer, que lhe pespegou alguma coisa nas costas. Parece que muito dolorosa, porque Serraglio nem foi à posse do sucessor. Como também não se mostrará no Ministério da Transparência, que poderia ser um raio-X.

Sabia-se pouco sobre Torquato Jardim, o que justifica ignorar-se ser pessoa apressada. Genro do professor Leitão de Abreu, que governou o país para encobrir a inabilitação absoluta de Médici e, em substituição a Golbery, de Figueiredo, não consta que tenha se aproveitado da relação familiar –uma raridade em Brasília daqueles e de todos os tempos.

Seus anos no Tribunal Superior Eleitoral ampliaram-lhe a imagem de sério e competente. Ministro da Transparência de um governo emparedado, Torquato Jardim irrompeu para a Justiça, em substituição a Serraglio, de modo repentino e abrutalhado. Michel Temer não perde oportunidades de errar. Mas o seguimento foi do novo escolhido.

Torquato Jardim não esperou ser ministro da Justiça de fato e de direito para devastar a sua imagem. Na primeira entrevista depois de escolhido, para Daniela Lima na Folha, exalou disposições subservientes. Não bastando a fuga às indagações, mesmo as mais simples, fez afirmações que entraram pelo grotesco e saíram na indicação de que trouxe um risco à continuidade de investigações importantes. A começar das que se apliquem a comprometimentos de Michel Temer.

Deplorável é a palavra mais branda a aplicar-se ao Torquato Jardim que emerge do cargo de ministro da Justiça de Temer. Mas a palavra merece companhia: deplorável e patético.

Integrantes da Lava Jato enfim estarão certos, e sem paranoias, se deduzirem que as investigações agora estão sob ameaça real de cerceamento.

Janio de Freitas
No fAlha
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