25 de mai de 2017

Entrevista com Mino Carta e Lalo Leal : jornalismo e resistência


Mino Carta e Lalo Leal participaram do programa Melhor e Mais Justo na TVT e falaram sobre como o jornalismo é imprescindível para história do País neste momento. Assista à entrevista completa.

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General Villas Bôas não pode ir à casa do FHC Brasif!

Nada como escapar da reforma (sic) da Previdência...




O Ministro do Exército, general Villas Bôas, subordinado ao general Etchegoyen, o do golpe fajuto, foi à Fundação ("fundada" sob pilares de grana indevida de empreiteiro...) Fernando Henrique Cardoso Brasif dar uma palestra sobre "segurança nacional".

E lá disse um conjunto de obviedades sobre a situação do país.

O general Villas Bôas, quando comandou a Amazônia, parecia ser um militar nacionalista!

Hoje, percebe-se, alinhou-se à UDN-Casa Grande, que deu o Golpe de 64, o de 2016 e onde se inscreve, desde que abandonou o marxismo, o Príncipe da Privataria, patrono da Privataria Tucana.

O general Villas Bôas, na ativa não pode frequentar a casa de quem:
‣ militou fervorosamente no Golpe contra uma Presidenta que não cometeu crime de respnsabilidade;

‣ de quem agora se diz "velho", como se velho não fosse, desde que abandonou um marxismo de ocasião - seu mentor na faculdade era marxista - para se filiar à corrente de pensamento que vem do Visconde de Cayru, aquele que, como "conselheiro" de D. João VI, abriu os portos aos ingleses - um patrono do entreguismo pátrio;

‣ de quem recebeu "favores indevidos" do Emílio Odebrecht;

‣ quem comprou um apartamentaço do banqueiro Safdié;

‣ cujo "primeiro filho" levou uma grana do Cerveró;

‣ que pagava mesada à suposta mãe de um filho que, na verdade, era de um bioólogo - segundo a Veja do Mario Sergio Conde -, através de uma empresa de nome "Brasif";

‣ quem assinou o Tratado de Não-Proliferação das Armas Atômicas;

‣ quem desarmou as Forças Armadas;

‣ quem ia submeter à indigente inanição o programa do submarino nuclear;

‣ quem vendeu a Petrobrax;

‣ quem vendeu a Vale a preço de banana.

O general Villas Bôas melhor faria se quieto permanecesse, até recolher-se à reserva.

Esse é outro que, ao fim, parece ter pulado para o outro lado da linha do trem, depois que o Presidente ladrão poupou os militares da reforma (sic) da Previdência.

Viva o Brasil!

Viva o Marechal Lott!

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Juiz autoriza Cunha a formular mais perguntas a Temer

Ex-presidente da Câmara é réu em processo que investiga fraudes no FI-FGTS


O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, autorizou o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a elaborar mais perguntas a serem encaminhadas ao presidente Michel Temer. Ele é testemunha num processo em que Cunha é réu por irregularidades no Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS). Vallisney deu três dias para a defesa fazer novas perguntas. Em perguntas elaboradas anteriormente, Cunha sugeriu participação de Temer em irregularidades.

"Não vejo qualquer objeção à formulação de novas perguntas à testemunha Michel Miguel Temer Lulia, diante das novas informações acostadas aos autos", decidiu Vallisney em despacho assinado na última quarta-feira. Cunha está preso desde outubro do ano passado em Curitiba em razão da Operação Lava-Jato. Por ser presidente, Temer tem direito a responder as perguntas por escrito. Ele não é obrigado a comparecer pessoalmente.

Em fevereiro, Vallisney já tinha determinado que todas as perguntas feitas até então por Cunha fossem encaminhadas a Temer. Mas o juiz fez uma ressalva: o presidente "poderá se reservar ao direito de não responder a perguntas impertinentes ou autoincriminatórias". Temer não chegou a respondê-las porque, em razão de recursos apresentados por Cunha no Tribunal Regional Federal da 1ª Regiao (TRF1), houve atrasos na tramitação da ação penal.

Entre as 19 perguntas já prontas, Cunha questiona, por exemplo, se Temer tem conhecimento de oferecimento de propina ao ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Moreira Franco. Em outra, se doações para campanha do PMDB estavam condicionadas à liberação de recursos do FI-FGTS, administrado pela Caixa.

O magistrado aceitou ainda o pedido do Ministério Público Federal (MPF) para incluir duas novas testemunhas de acusação: o executivo Benedicto Júnior, da Odebrecht, que firmou acordo de delação premiada; e ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que ainda tenta um acordo. Pinheiro já era testemunha de defesa de Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador de Cunha. Ele vai ser ouvido em 20 de junho. As demais testemunhas ainda vão ter seus depoimentos marcados.

A defesa de Cunha também solicitou sua absolvição sumária pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas Vallisney negou o pedido. Segundo o juiz, houve prescrição apenas quanto ao crime de violação de sigilo funcional, tanto que, no momento do recebimento da denúncia, esse delito ficou de fora da ação penal.

"Por todo o exposto, não tendo sido apresentados elementos que pudessem afastar ou descaracterizar, in limine, os crimes de corrupção, prevaricação e lavagem de dinheiro, narrados na denúncia, não sendo, portanto, caso de absolvição sumária, determino o prosseguimento da instrução processual desta ação penal", determinou Vallisney.

A defesa também solicitou a suspensão da homologação do acordo de delação do empresário Alexandre Margotto, porque foi feita pelo próprio Vallisney. Na avaliação da defesa, não caberia ao juiz fazer isso. Vallisney discordou.

"Ao contrário do que sustenta a defesa, não há qualquer nulidade na homologação do acordo de colaboração premiada de Alexandre Margotto, realizada por este Juízo, considerando que o colaborador é corréu no presente processo, forneceu informações relacionadas aos fatos ora apurados e a autoridade com prerrogativa de função mencionada em suas declarações não figura como denunciado nestes autos", escreveu Vallisney.

O ex-deputado fez outros pedidos, comum para que fossem fornecidos novos documentos, mas eles também foram negados. "Todos eles já foram examinados, não tendo sido apresentados novos elementos/argumentos que justifiquem uma reanálise desses requerimentos", decidiu Vallisney. Quanto ao pedido para juntar ao processo os acordos celebrados pela Odebrecht e pela Gol, o juiz disse que ainda vai tomar uma decisão.

No Globo
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Lava Jato e imprensa montaram farsa com agendas da Petrobrás

Órgãos de mídia deram destaque sem qualquer checagem a informação falsa da equipe do procurador Deltan Dallagnol sobre reuniões de que participou Lula quando era presidente da República

Em dia em que Lava Jato e imprensa dizem que Lula 
estava em reunião privada com executivos da Petrobras,
o então presidente e comitiva eram recebidos em Riad,
na Arábia Saudita
Foto: Ricardo Stuckert
Em conluio com procuradores da Lava Jato em Curitiba, a Rede Globo, a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo produziram semana passada mais uma farsa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agendas de ex-diretores da Petrobras, anexadas pelos procuradores à ação sobre o tríplex do Guarujá, foram manipuladas pela imprensa de forma a apontar uma falsa contradição no depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro.

A juntada de “documentos” sobre supostas “reuniões” de Lula com a diretoria da Petrobras não foi fruto da descoberta de algum segredo em um trabalho de investigação sério, mas uma tentativa tosca de reescrever a história e criminalizar atos como viagens oficiais ao exterior, reuniões interministeriais e cerimônias da Presidência acompanhadas pela imprensa.

Uma irresponsabilidade que atenta contra o papel institucional do Ministério Público em uma democracia. Parece que para a equipe de Deltan Dallagnol, o crime de Lula foi ter sido presidente da República. E a mesma imprensa que acompanhou e divulgou essas agendas durante os dois mandatos de Lula, agora dá manchetes sem checar nem mesmo seus próprios arquivos.

A fraude começou a ser montada em 15 de maio, cinco dias depois do depoimento de Lula. Naquela data, os procuradores anexaram 78 documentos aos autos, sem explicitar o propósito. Destes, 27 são cópias de agendas de ex-diretores, registrando “reuniões”, “almoços” e “jantares” com Lula. As cópias das agendas foram entregues pela Petrobrás aos acusadores de Lula, mas não à sua defesa.

Na manchete de 17 de maio, a Folha afirmou: “Lava Jato contraria com documentos fala de Lula a Moro”. Segundo o jornal, as agendas mostrariam que Lula não teve apenas duas reuniões com a diretoria da Petrobrás em seu governo, como ele havia declarado a Moro, mas, pelo menos, 23. O Estadão destacou “reuniões de Lula” com três ex-diretores condenados na Lava Jato. O Jornal Nacional juntou as duas coisas, elevou para 28 as supostas “reuniões” e citou o Ministério Público como fonte de suas ilações, numa reportagem de três minutos.

A farsa desmorona quando se compara o que está escrito nas agendas da Petrobras e o que Lula realmente fez nas datas indicadas. Por exemplo: das 27 agendas, três se referem a recepções oferecidas por chefes de Estado a Lula e sua comitiva, em viagens internacionais: uma pelo presidente da China Hu Jintao, outra pelo rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, e outra pela presidenta do Chile, Michelle Bachelet.

Pelo menos 14 agendas referem-se à participação de ex-diretores em cerimônias públicas nas quais Lula estava presente, em inaugurações, visitas a instalações da Petrobras ou em reuniões interministeriais, como as do Conselho Nacional de Política Energética. Não se tratam, portanto, de reuniões com a diretoria da Petrobras, muito menos de agendas com diretores específicos. E tudo realizado com cobertura da mídia.

Para verificar a veracidade das agendas (o que no jornalismo se chama checagem), basta conferir as datas mencionadas com a agenda de viagens nacionais e internacionais do ex-presidente Lula, que está disponível no site da Presidência da República.

As agendas da Petrobras mencionam duas supostas reuniões do delator Paulo Roberto Costa em Brasília, que não podem ser confirmadas porque o atual governo retirou do site da Presidência as agendas diárias de Lula. Mas o próprio delator afirmou, em dois depoimentos ao juiz Sergio Moro, um deles feito ontem (24), que nunca teve reuniões individuais com o ex-presidente Lula. Confira:
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Paulo Roberto da Costa fez essa declaração como testemunha, ou seja, com a obrigação de falar a verdade. Ele já havia dito o mesmo em depoimento anterior, mas a imprensa ignorou este fato para sustentar a farsa das agendas.

Não há dúvida de que as agendas foram plantadas no processo para desqualificar o depoimento de Lula em 10 de maio, o que nem mesmo seus maiores adversários conseguiram fazer. Uma imprensa imparcial ao menos teria checado os fatos antes de publicá-los sob o viés dos detratores de Lula. E não precisaria se esforçar tanto, pois muitos desses eventos foram noticiados pelos próprios jornais, como está registrado neste documento.

Lula foi o presidente brasileiro que mais visitou as diversas instalações da Petrobras em todo o País, em eventos públicos relacionados à empresa, que viveu forte valorização durante o seu mandato. Mais de 60 dessas visitas foram registradas pela imprensa. Quanto às reuniões com a diretoria, conforme declarou no depoimento, foram mesmo raríssimas. E Lula citou duas: uma para discutir o plano estratégico da empresa e outra para decidir o cancelamento de leilões para exploração de petróleo em áreas do pré-sal, quando ele foi descoberto, em 2008.

Os dados no link abaixo mostram a verdade sobre as agendas da Petrobras, revelam o golpe baixo dos procuradores de Curitiba e denunciam a indigência e parcialidade de um jornalismo que se comporta como papagaio da Lava Jato para difamar Lula.

Anexo:
PDF icon lava_jato_e_imprensa_montam_farsa.pdf7.3 MB

No Lula
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Folha descaradamente, mente


Líderes do PT no Senado, Gleisi Hoffmann, e do PT na Câmara, Carlos Zarattini, desmentem manchete da Folha.com de que os ex-presidentes Lula, FHC e Sarney estão articulando uma saída para crise política que não passe pelo povo

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Elegância

Um dos delatores da JBS comentou no seu depoimento que o presidente Temer não foi elegante ao pedir um milhão para ele, dos milhões que cruzavam à sua frente. Segundo o delator, só o Kassab fez o mesmo. Notava-se uma certa decepção na voz do delator ao contar que Temer reivindicara uma beirada do propinato em trânsito para o seu bolso. De um Kassab não se esperava outra coisa. Mas de um presidente da República? O corruptor lamentava o ocorrido. Uma certa etiqueta fora rompida. Uma certa presunção de elegância – presente até entre bandidos – fora frustrada.

A Presidência do Brasil parece um daqueles touros mecânicos sobre os quais poucos se equilibram, e o que varia é a maneira de cada um ser derrubado, com mais ou com menos elegância. Nenhum presidente deposto caiu mais dramaticamente do que o Getúlio. Jânio caiu ridiculamente, Jango pateticamente, Tancredo surpreendentemente. Os generais encontraram uma maneira prática de evitar a queda e o vexame: desligaram o touro e o mantiveram desligado por 20 anos. Collor caiu sem perder a linha. Dilma idem, com a desculpa adicional de ser a primeira mulher a montar no touro.

Como o Temer cairá do touro, se cair, ninguém sabe. Pouco se falou do milhão por fora que ele pediu para o delator da JBS, talvez porque, em comparação com os bilhões que enchem os ares, um milhão pareça mais uma gorjeta do que uma propina. E há a possibilidade de o corruptor ter mentido. Seja como for, o que Temer precisa antes de mais nada é recuperar a pose. O conselho vale para todo o mundo: elegância, gente.

Nunca é demais lembrar que as consequências de corrupção revelada, no Brasil, nunca são muito radicais. Ninguém fica arruinado para sempre, nenhuma carreira política se interrompe, o tempo reconstrói qualquer reputação abalada. Corruptos se desculpam, corruptores confessos deixam para trás uma República deflagrada e voam para Nova York, e tudo bem. Se fosse no Japão, já teriam acontecido no mínimo 17 haraquiris.

Luís Fernando Veríssimo
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Jornalismo e hegemonia nas capas dos jornais impressos


Os dados da Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM, 2016), divulgados no começo deste ano não deixam margem de dúvidas à questão: “Em que meio de comunicação o(a) sr(a) se informa mais sobre o que acontece no Brasil?”, as respostas das 15.050 pessoas ouvidas no levantamento foram, pela ordem: 63% (TV); 26% (Internet); 7% (Rádio); 3% (Jornal); e 1% (Outros). Não obstante ter a menor taxa dentre os meios de comunicação tradicional, o jornal impresso é, paradoxalmente, o mais confiável: 60% entre os que confiam sempre, somados aos que confiam muitas vezes. Enquanto isso, as mídias sociais ainda patinam neste quesito: sites da internet (20%); a confiança nas notícias que circulam nos blogs é apenas de 11% e nas redes sociais, 14%.

Vou observar um momento desta etapa avançada do golpe, que agora tem como alvo o ilegítimo ocupante do Palácio do Planalto, Sr. Michel Temer, a partir das capas dos principais jornais impressos do país, em suas edições de 19 de maio, um dia após seu primeiro pronunciamento público a respeito da delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, proprietários da JBS. Os jornais Estadão, Folha de S. Paulo e O Globo espelharam posições diversas, no que foram acompanhados pela maioria dos veículos. Resta evidente a falta de consenso entre as frações do capital (financeiro, industrial, rural etc.) que se unificaram para apear Dilma do poder, e que agora não se entendem sobre o rumo que pretendem dar ao governo Temer.

É provável que ainda encontremos, no senso comum, guarida a explicações que passam pelos conceitos de manipulação, dominação de classe, influência ou persuasão. Penso que para entendermos o papel cada vez mais potente da mídia noticiosa na formação da opinião pública, faz-se imprescindível falarmos em hegemonia das ideias na esfera pública. A sociedade consome a informação jornalística nas fontes alimentadas pela mídia secular (nos suportes tradicionais e nos meios digitais), apesar do notável crescimento das mídias alternativas (ou independentes), na internet.

   

O verbo renunciar figura nas três manchetes, mas há diferenças sensíveis que se desdobrariam, do ponto de vista político-midiático, nas horas seguintes ao primeiro “Dia do Fico” do ainda presidente. Em O Globo, o leitor vai encontrar (na linha de apoio dupla) uma acusação de prevaricação e cumplicidade – Temer ouviu o empresário corrupto relatar “crimes”. N’O Estadão, prevalece uma tensão ao factual, escorado depois num editorial furibundo “denunciando” o “vazamento” – expediente sórdido fartamente utilizado contra os adversários Lula/Dilma, em passado recentíssimo pelo vetusto diário paulista.

Finalmente, a Folha de S. Paulo se lhe oferecia uma “chave” que Temer usaria em seu segundo “Dia do Fico” (no sábado, 20 de maio, à tarde): o mote de que o áudio teria problemas técnicos e seria, portanto, “inconclusivo”. A Folha reagia ao “furo” tomado de seu concorrente carioca (o colunista Lauro Jardim, ex-Veja, agora atuando n’O Globo) dando uma boia de salvação para um Temer “encurralado” (selo da própria Folha). Nessa linha escreveria, dois dias depois, seu proprietário, o empresário e Diretor de Redação Otávio Frias Filho: “Ainda é cedo para dizer que a administração Temer acabou”.

Na disputa acirrada pela narrativa, registro ainda o debate sobre a qualidade da perícia contratada pela Folha (que serviu de base ao segundo discurso de Temer, dia 20, sábado). Nas páginas da Folha, Ricardo Caires dos Santos foi apresentado como “perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo”. Santos assegurara para a Folha que havia mais de 50 pontos de edição no áudio da conversa Joesley/Temer.

O mesmo perito, ouvido pela reportagem d’Jornal Nacional (TV Globo) e pelo O Globo, iria dizer outra coisa: “Autor de laudo citado por Temer usou equipamento amador para encontrar supostas edições”. Aos jornalistas do JN/G1, Santos – bacharel em direito e corretor de imóveis – declarou que “seu trabalho é apenas inicial e que qualquer conclusão depende de uma outra perícia. Ele negou que o áudio da conversa tenha 50 pontos de edição, como apontado pela Folha. Segundo ele, são 14 pontos de edição, entre 15 e 20 pontos de corte e diversos trechos de ruído. Mas disse que ele não tem condições de apontar onde estão os pontos de edição”. Por fim, uma informação esclarecedora d’O Globo: “Ricardo Caires dos Santos costuma se apresentar como perito do Tribunal de Justiça de São Paulo, mas é apenas um prestador de serviços eventual da Justiça, sem nenhum vínculo com o tribunal”.

Outras Capas: Disputa da Hegemonia

Para o saudoso professor e pesquisador Adelmo Genro Filho, o jornalismo é uma forma social de conhecimento, cuja dimensão por excelência é o singular – aquilo que é único, e não se repete. O eixo da singularidade, explorada em várias capas e manchetes, foi a concordância do ainda presidente Temer à compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, preso em Curitiba.

Numa rápida mirada nalguns dos principais jornais impressos do país, fora do eixo Rio-São Paulo, o que se vê é justamente uma produção social de sentidos que envolve o conjunto imagem-palavra, caras e bocas e trejeitos dos personagens abatidos pela delação dos magnatas do açougue JBS: Temer e Aécio Neves, o senador afastado de suas funções pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vejamos algumas dessas capas.

   

A narrativa evocada pelos jornais Correio Braziliense (CB, Brasília, DF), Estado de Minas (EM, Belo Horizonte, MG) e o Diário de Pernambuco (DP, Recife, PE), três veículos de larga tradição na história da imprensa brasileira, se conecta com a produção social de sentidos consolidada nas páginas da tríade hegemônica (Folha, Estadão e O Globo), embora haja traços específicos em cada um deles – transcendente à informação de que o ainda presidente não renunciara.

O fato destacado pelo CB, por exemplo, é a abertura de inquérito no STF para investigar Temer (e o afastamento de Aécio), sobre duas imagens que se complementam: o senador mineiro fazendo “beicinho” e Temer exasperado… No Estado de Minas, a manchete se conjunta à imagem – “Eu sei o que fiz”, deixando à imaginação do leitor o tipo de lambança praticado pelo ocupante do Palácio do Planalto. Por fim, os lábios crispados de Temer, naquela que considero gráfica e jornalisticamente a melhor das capas que pude analisar: o Diário de Pernambuco alinha, verticalmente a imagem de um presidente abatido pelo “míssil” da delação da JBS, combinando imagens da mobilização no Recife, com uma hierarquia de contexto que vai à possível debandada da base aliada do ainda presidente no Congresso, passando pelo impacto na economia, no cenário internacional indo até a paralisação das votações das reformas (trabalhista e previdenciária).

O professor e pesquisador Dênis de Moraes destaca: “A teoria da hegemonia de Gramsci permite-nos meditar sobre o lugar crucial dos meios de comunicação na contemporaneidade, a partir da condição privilegiada de distribuidores de conteúdos, como proposto por Karl Marx (MARX e ENGELS, 1977, p. 67): “transportam signos; garantem a circulação veloz das informações; movem as ideias; viajam pelos cenários onde as práticas sociais se fazem; recolhem, produzem e distribuem conhecimento e ideologia”. Os veículos ocupam posição distintiva no âmbito das relações sociais, visto que fixam os contornos ideológicos da ordem hegemônica, elevando o mercado e o consumo a instâncias máximas de representação de interesses”.

O processo de conformação de uma opinião pública favorável ao golpe que levou ao impeachment de Dilma Rousseff esclarece, de forma definitiva, o peso que a mídia jogou, desde o anúncio da eleição da ex-presidente, em outubro de 2014. Impedida, sem crime de responsabilidade, por um Congresso de maioria corrupta (e investigada), Dilma tem seu nome associado à corrupção sem nunca ter sido acusada ou investigada. Mas, no rito sumário do tribunal da mídia, no qual os veículos ocupam papel triplo (promotores/acusadores, juízes e júri popular), Dilma é culpada independente de provas, para boa parte da população, hegemonizada pela atuação conjunta das forças políticas e sociais, em fina sintonia com aquilo que Gramsci entendia como “arena da luta de classes, a sociedade civil”. Ou ainda, como escreveu Moraes (fonte cit.), tal arena pública vista como “um campo de dissonâncias, palco de conflitos e duelos, ora para reforçar o exercício da hegemonia, ora para enfraquecer os consensos firmados”.

As capas dos principais jornais impressos do país, aqui brevemente analisadas, refletem, direta e verticalmente, esse esforço para continuar construindo a hegemonia, num processo de golpe inconcluso. Pelo que se pode depreender, passados os primeiros dias após a delação dos irmãos Joesley & Wesley, da JBS, a estratégia é mudar algo para manter tudo como está. Ou seja: Temer será pressionado a sair de cena, para dar lugar a alguém entronizado pelo Congresso Nacional, em eleições indiretas. A condição sine qua non já indicada com clareza pela tríade Folha/Estadão/O Globo é uma só: Henrique Meirelles (ministro da Fazenda) continua, qualquer que seja o sucessor de Temer, para garantir a nefasta política de retirada de direitos e entrega do que ainda resta do patrimônio nacional. O professor Luis Felipe Miguel (UnB) traduziu precisamente, em postagem no Facebook: “O recado é claro: a vontade popular não pode atrapalhar a vontade do ‘mercado’”.

De outro lado, ressurge um movimento de massa unificado em torno de duas bandeiras: Fora Temer e Diretas Já!. A ver as cenas dos próximos capítulos.

Samuel Lima
No Desacato
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Rio dá o primeiro sinal concreto de convulsão social no Brasil


Materializaram-se no centro do Rio os primeiros sinais da grande convulsão social que vem sendo anunciada por cientistas políticos e economistas, inclusive por mim, como consequência da crise econômica e política sem precedentes em que estamos mergulhados. Presenciamos a consequência direta do aumento do desemprego, da contração da economia por três anos seguidos, do estrangulamento dos serviços públicos estaduais, da ação inexperiente e estúpida da Lava Jato que não conseguiu separar empresários de empresas levando virtualmente à bancarrota cadeias produtivas de centenas de empresas.

A receita fiscal desaba e o Governo comandado por Meirelles corta gastos reais do setor público enquanto defende os interesses dos banqueiros e financistas cobrindo com déficits gigantescos as despesas com juros estratosféricos. É um acinte. Jamais tivemos situação similar em nossa história. O Rio, duplamente estrangulado pela dívida junto à União e a queda da receita do petróleo, juntamente com a queda de receitas devida à depressão geral, tornou-se a vanguarda do caos para o qual inexoravelmente caminha todo o país. Como o resto do país, está nas mãos de uma canalha neoliberal, cuja menor culpa é a corrupção.

Sim, que se some todo o dinheiro roubado e manipulado desde o mensalão ao petrolão, acrescentando-se o dinheiro da carnificina política promovida pela JBS, e estaremos longe, muito longe dos quase 8% do PIB retirados da riqueza de todos os brasileiros em dois anos, aos quais virá se acrescentar mais um ano de contração já contratada. Para um país em desenvolvimento, é uma tragédia. Achar que isso não tem consequências sociais faz parte da ignorância da classe dominante e da indiferença das elites políticas. Já estamos mergulhados em convulsão social. Não é impossível que a situação se converta em guerra civil.

O domínio por bandidos do centro do Rio, perto de duas delegacias policiais e de um comando do Exército, é a indicação mais óbvia de que já estamos no meio caos. Houvesse aqui um Lênin com um partido comunista revolucionário organizado e, na desordem absoluta, alguém gritaria: “todo o poder aos sovietes!”. É fato que isso está de alguma forma ultrapassado, assim como está ultrapassada uma intervenção militar convencional para o restabelecimento da ordem, na medida em que a fonte da desordem dessa vez, diferente de 64, não é a suposta ameaça comunista, mas é a própria classe dominante e as elites políticas dirigentes.

Como eu, o senador Roberto Requião vem advertindo para o risco de convulsão social e guerra civil no Brasil. Infelizmente, cresce a possibilidade disso. Hordas de desempregados, em busca de subsistência para si e para  a família, já estão subindo as favelas do Rio e de São Paulo estabelecendo articulações com o tráfico. Sabe-se que o tráfico, por sua vez, reforçou seu suprimento de armas de grande poder ofensivo mediante compras  da antiga guerrilha colombiana que está se despojando delas no processo de paz.  Gente, armas, desespero. Acaso é preciso outros elementos para deflagrar uma convulsão social?

O Estado do Rio não tem governo. O acordo em relação à dívida imposto pelo Governo federal, e aprovado por um Congresso incompetente e indiferente, tem como único objetivo forçar a privatização de ativos estaduais, no caso fluminense a Cedae. Não traz qualquer contribuição positiva ao povo.  Mantém a falência dos serviços públicos. Contribui, sim, para enriquecer os piranhas da privatização da água. Diante de tamanha traição aos cidadãos brasileiros e fluminenses não será surpresa que a associação desempregados/tráfico/milícias venha, por linhas transversas, vingar por nós, os alienados, o esbulho que está sendo feito contra a Nação.

Há saída? Sempre haverá. Mas que nenhum grupo ou partido pense que poderá sair dessa com ganhos absolutos impondo a outros derrotas absolutas!

J. Carlos de Assis
No GGN
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Nota da CUT: Maior Marcha da história

200 mil em Brasília por Nenhum direito a menos! Fora Temer! Diretas já!

Roberto Parizotti| Ilustração CUT
O eixo monumental de Brasília foi tomado por 200 mil manifestantes que protestaram de forma pacífica contra as reformas trabalhista e da Previdência exigindo a retirada imediata das propostas do Congresso, recusaram o "golpe dentro do golpe" com eleição indireta de presidente, defenderam que a palavra tem que ser dada ao povo soberano em eleições diretas já!

A participação da CUT, em unidade com todas as centrais, foi importante para o sucesso do Ocupa Brasília.

Mas, quando o início da Marcha chegou próximo ao Congresso Nacional, o Estado mostrou sua falta de preparo para receber uma manifestação democrática e a polícia, mais uma vez, agiu de forma repressora como sempre faz em atos de trabalhadores e trabalhadoras, que hoje, em Brasília, exerciam seu legítimo direito de manifestação. Milhares de mulheres, e homens, jovens e crianças foram recebidos com balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Temer se aproveitou disso para invocar as Forças Armadas para a defesa da "ordem", lembrando os piores momentos da ditadura militar.


A CUT e as demais centrais não vão esmorecer na luta em defesa dos direitos e da democracia, devendo reunir-se para discutir a continuidade da luta e, continuando a tramitar as reformas, adotar o chamado a uma nova greve geral maior do que paralisou o Brasil em 28 de abril.


A luta continua!
Nenhum direito a menos!
Fora Temer!
Diretas já!
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Falta de controle nas manifestações dá munição para mídia e governo

http://www.maurosantayana.com/2017/05/falta-de-controle-nas-manifestacoes-da.html


A falta de controle, por parte dos comitês de organização da manifestação de ontem, 24, em Brasília, acabou sabotando a pauta que levou a maioria dos manifestantes à Praça dos Três Poderes, que era a de pedido de realização de eleições diretas e de repúdio às reformas trabalhista e previdenciária.

Manifestação da oposição, qualquer que seja ela, não pode ser feita sem a organização de comitês de segurança formados por gente de confiança escolhida entre os próprios manifestantes.

Se até nos blocos dos trios elétricos de Salvador dá para separar o público, bastando para isso um cordão humano e uma simples corda, porque não tentar fazer o mesmo em uma manifestação dessa importância?

Não é a polícia que tem que revistar os "participantes".

Como ocorre em muitos países estrangeiros, quem tem que fazer isso, primeiro, são os próprios manifestantes, para possibilitar a rápida identificação de fascistas e infiltrados pagos que ali estão recebendo justamente para garantir que a imprensa e a opinião pública tenham razões suficientes para ficar contra e desancar quem está protestando.

Em política, qualquer cena de destruição e violência é passível de ser aproveitada pelo adversário.

Ao final da tarde de ontem em Brasília, a TV já reforçava, a todo instante, a ocorrência de atos de "vandalismo".

Justificava, com isso, a truculência da polícia, e lembrava, a cada cinco minutos, que se tratava de manifestações organizadas e "pagas" por centrais sindicais.

Reforçando, indireta e gostosamente, a bandeira do enfraquecimento dos sindicatos e do fim do imposto sindical obrigatório.

E a convocação de tropas das forças armadas pelo presidente da República, em absurda "ação de garantia de lei e da ordem".

Sem esclarecer, com a mesma ênfase, que o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já havia desmentido ter pedido - em gesto por si só já absolutamente desnecessário e inadequado - tropas do exército, e, sim, da Força Nacional, para "colaborar" com a polícia do Distrito Federal na "defesa" dos prédios da Esplanada dos Ministérios.

Um pouco de estratégia e de informações históricas não fazem mal a ninguém.

O Movimento das Diretas Já só deu certo, do ponto de vista da ampla e bem-sucedida mobilização da sociedade brasileira - embora tenha perdido no Congresso depois - porque era suprapartidário, reunia as mais importantes organizações da sociedade civil, como a Igreja, a UNE e a OAB, tinha sido "costurado" politicamente antes de sair para a rua, era ordeiro, organizado e pacífico e primava pela organização.

Vou falar o que penso, porque não sou vaquinha de presépio.

Compreende-se a necessidade da oposição ir à luta nessa hora, em defesa, principalmente, da democracia.

Mas se for para sair no improviso, de qualquer jeito, e acabar servindo de plataforma para a ação de provocadores fascistas, dando tiro pela culatra, ajudando a parte mais canalha da mídia a justificar a truculência da polícia, o enfraquecimento dos sindicatos e o golpismo, insuflando as vivandeiras dos quartéis e alimentando um novo golpe dentro do golpe, quem saiu para as ruas que me desculpe, mas é melhor ficar em casa assistindo, indignado, pela televisão, à ação dos infiltrados e à deprimente repetição de velhos e costumeiros descuidos do passado.
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O Jaburu, apesar de proteção, passa a viver sob suspense e temor

A elevação do modo de protesto popular violento em Brasília, do vandalismo para o ataque típico de revolta civil, não foi um aviso.

Os avisos estão dados desde o colar de incidentes começados ainda no governo Dilma. Os ataques aos ministérios foram já o primeiro ato.

Quem até aqui não quis ver – nos governos e no Congresso, na imprensa/TV, no empresariado que influi na política – está confrontado pelos fatos: a situação interna do país mudou.

Iniciou-se um processo que, embora não irreversível, é propenso a avançar, sob o incentivo ignorante das classes privilegiadas, aqui sempre empedernidas e vorazes.

Só esses predicados podem levar à crença de que é possível impor, a um só tempo e impunemente, desemprego, ostentação de roubalheiras premiadas do dinheiro público, salários atrasados, cassação de direitos trabalhistas, redução dos miseráveis recursos e serviços da saúde, ainda piores condições de aposentadoria para quem de fato trabalha ou trabalhou, corte dos investimentos públicos e, pairando sobre ou sob esse conjunto idealizado pela classe dominante, uma composição imoral de governo.

As ações diretas do povo não seguem regras. Obedecem à lógica das suas contingências.

Nessa lógica está, hoje em dia, o alto grau de indignação e de violência – praticada e potencial – nas cidades difusamente armadas e mais suscetíveis a próximos capítulos da nova etapa de escalada. Caso notório de Rio e São Paulo, mas não só.

Brasília é mais vulnerável a ocorrências ditas de praça pública, na arrogância dos seus prédios e no convite das suas vidraças, não porém em armas à mão. São Paulo, território primordial para a comercialização de droga em dimensões nacionais, e Rio, território com enclaves bandidos, exemplificam melhor o risco que a Capital projeta sobre o país.

Michel Temer e seus parlamentares pretenderam mais uma atitude indecente. Na calada, não da noite, mas da bagunça mental que se generalizou, quiseram fazer na Câmara e no Senado aprovações que levariam o empresariado influente e imprensa/TV a ampará-los, em retribuição e por querer mais.

Em consequência, o Palácio do Jaburu, apesar de proteção especial, passa a ter horas, talvez noites e dias, de suspense e temor. A Câmara e o Senado deixam de saber quando poderão funcionar não ou, como ontem.

Forças Armadas são postas a reprimir, não bandidos, mas a gente comum. Alguma dúvida de que tirar Michel Temer é a única hipótese das chefias políticas e seu empresariado para atenuar as tensões do país? Mas no povo a ideia também única, que se constata por toda parte, é de que o país está entregue a ladrões. E ele em pessoa é uma vítima de todos os ladrões.

É apenas lógica e induzida a elevação do modo de enfrentamento popular.

Janio de Freitas
No fAlha
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