24 de mai. de 2017

Brasil em transe: tudo pode acontecer…



Era tão óbvio quanto o escurecer ao final do dia que estávamos caminhando para uma convulsão social. Alguns, como este blogueiro, já previam isso há alguns meses.

Num primeiro momento parecia que a crise econômica seria o combustível desta explosão. Também foi, mas não só.

Este imenso pipocar de tudo também tem relação com a derrocada do governo Temer e com a criminalização da política que está inviabilizando qualquer pacificação.

Há quem ache isso bom. Tanto à direita quanto à esquerda.

Do ponto de vista à esquerda, alguns defendem que o atual sistema político tem que ser jogado fora. E que uma grave crise pode abrir espaço para algo novo.

Do ponto de vista à direita, já há quem sonhe com um desfecho via endurecimento e um golpe dentro do golpe. Onde setores do judiciário, mídia, grandes empresários e forças de segurança se juntariam pra acabar com o impasse. Criando uma democracia fake, onde não haveria sequer eleições em 2018.

Evidente que essas duas posições não são majoritárias (pelo menos ainda) no debate. A mais à esquerda é quase ingênua. Tem possibilidades absurdamente remotas neste contexto.

Já à direita não. O ato institucional com outro nome assinado pelo ministro da Defesa hoje abre uma fresta para o lado mais truculento.

É provável que ele não resolva o problema de Temer, que está desmoralizado. Mas quem vier depois dele pode usá-lo para botar ordem na casa.

O braço de ferro sobre o futuro do Brasil está sendo jogado por inúmeras forças neste momento. Não é jogo de amadores. Mas ao mesmo tempo muitos amadores estão na disputa.

E quando isso acontece, qualquer coisa pode acontecer.

Mas o que parece mais provável, se o campo da política (com o PSDB e tudo junto, pra plagiar o senador Romero Juca) não se somar por uma imediata Diretas Já, é que pior vai acontecer.

E não me parece que devo dizer aqui o nome disso. O pior é o que já vivemos antes.
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Temer cometeu crime de responsabilidade ao acionar Exército contra protesto, apontam juristas

Foto: Tiago Macambira/Jornalistas Livres
Art. 15. O emprego das Forças Armadas na defesa da Pátria e na garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, e na participação em operações de paz, é de responsabilidade do Presidente da República, que determinará ao Ministro de Estado da Defesa a ativação de órgãos operacionais, observada a seguinte forma de subordinação:

§ 2º A atuação das Forças Armadas, na garantia da lei e da ordem, por iniciativa de quaisquer dos poderes constitucionais, ocorrerá de acordo com as diretrizes baixadas em ato do Presidente da República, após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, relacionados no art. 144 da Constituição Federal.

§ 3º A atuação das Forças Armadas, na garantia da lei e da ordem, por iniciativa de quaisquer dos poderes constitucionais, ocorrerá de acordo com as diretrizes baixadas em ato do Presidente da República, após esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, relacionados no art. 144 da Constituição Federal. § 3o Consideram-se esgotados os instrumentos relacionados no art. 144 da Constituição Federal quando, em determinado momento, forem eles formalmente reconhecidos pelo respectivo Chefe do Poder Executivo Federal ou Estadual como indisponíveis, inexistentes ou insuficientes ao desempenho regular de sua missão constitucional.

– Lei Complementar nº 97/1999

“Medida autoritária, inconstitucional e ilegal. Uma afronta às liberdades públicas, claro crime de responsabilidade”. Assim definiu a coordenadora do curso de Direito da Fundação Getúlio Vargas Eloísa Machado sobre o decreto de Garantia de Lei e da Ordem (GLO) acionado por Michel Temer para repressão do protesto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O Presidente determinou o Emprego das Forças Armadas no país até dia 31 de maio deste mês, valendo-se de uma lei que prevê a situação em caso de policiamento insuficiente. Para ela, bem como para grande parte da comunidade jurídica, Temer cometeu crime de responsabilidade, passível de impeachment.

Dentre tantas violações do governo Temer, causou espanto o uso das Forças Armadas para manter a plataforma do governo sustentada por falta de legitimidade popular e imposição de medidas inconstitucionais e draconianas para a população, como as Reformas Trabalhista e da Previdência. Esse decreto já foi utilizado outras vezes, como, por exemplo, na ocupação da Maré no Rio de Janeiro pelo Governo Dilma e na “crise” penitenciária em Manaus, já com o governo de Michel Temer. Ambos casos despertaram inúmeras críticas.

No caso atual, Temer é protagonista do escândalo das recentes divulgações de áudio entre ele e o empresário da JBS Joesley Batista; sua base governista no Congresso está esvaziada e pressionando pela renúncia; e, ainda, o presidente lida com a histórica resistência popular que pelo processo de impeachment contestado, bem como pela falta de legitimidade política para impor as reformas. No último domingo, 21, ele fez um pronunciamento em rede nacional contrariando opositores e situacionistas no sentido de que não renunciaria. O protesto por sua queda era esperado e inevitável.

Para o Professor de Constitucional da Fundação Getúlio Vargas, Rubens Glezer, no caso específico do decreto para reprimir manifestação popular não era cabível tal atitude sequer em tese – “A atuação das Forças Armadas é disciplinada no na lei em hipóteses que o policiamento ostensivo não é suficiente, o que claramente não é o caso. Além disso, houve evidente abuso na decretação do período que compreende 24 de maio a 31 de maio, um período injustificável que coincide com a agenda do governo. Flerte perigosíssimo com o estado policialesco sem limites”.

Para o Advogado da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares e Colunista do Justificando Patrick Mariano, Temer, na prática, decretou estado de sítio -“É estarrecedor que no dia em que a Corte Interamericana de Direitos Humanos julga o caso do Vladimir Herzog e 10 trabalhadores rurais são assassinados pela polícia em uma ação de despejo, Rodrigo Maia e Temer baixam um decreto para que as forças armadas sejam usadas contra as manifestações até o dia 31 de maio. O decreto deixa nas mãos do ministro da defesa a forma como se dará o uso das forças armadas, ou seja, estamos, na prática, vivendo um Estado de sítio decretado por um governo ilegítimo”.

Mariano também entende que o decreto consolidou a prática de crime de responsabilidade pelo Presidente da República – “Ou seja, o governo Temer caiu e hoje só se sustenta pelo uso das forças armadas. Espero que os comandantes militares não se prestem à defesa de um governo corrupto, ilegítimo e irresponsável e que o STF processe por crime de responsabilidade Michel Temer”.

No campo das instituições, o decreto de Temer já é contestado. Em sessão no Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio Mello afirmou durante seu voto: “Presidente [do STF, Cármen Lúcia], voto um pouco preocupado com o contexto e espero que a notícia não seja verdadeira. O chefe do poder Executivo [Temer] teria editado um decreto autorizando o uso das Forças Armadas no Distrito Federal, no período de 24 a 31 de maio“.

Márcio Sotelo Felippe, colunista no Justificando e Procurador do Estado, resume as intenções de Temer ao editar o decreto – “Desmoralizado, sem condições éticas e políticas de exercer a presidência, Temer quer intimidar pela força. Incidentes em protestos não são novidades e a democracia convive com isso em qualquer lugar do mundo”.

“A medida é abusiva e mostra o quanto está sendo nocivo para o país esse governo, ultrapassando limites perigosos. Temer fora já” – concluiu.

No Justificando
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A fraude de um ministro golpista

Golpista Osmar Terra posta foto de 2005 de prédio em chamas e atribui a manifestantes

O ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, publicou nesta quarta em suas redes sociais uma imagem de um edifício em chamas, atribuindo a ocorrência a manifestantes.

“Punição tem que ser exemplar para quem faz isso quem lidera”, escreveu.

É uma fraude.

A fotografia é de um incêndio ocorrido em 2005 no prédio no INSS, que destruiu parte de um prédio da Previdência Social em Brasília, no Setor de Autarquias Sul, a poucos metros da Esplanada dos Ministérios.

No Verdades Ocultas
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Temer chama exército para conter vandalismo e Camara quebra o pau


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Golpe da Globo, dos canalhas e do gal. Etchegoyen


Primeiro, foi o Golpe da Globo, concretizado no Congresso dos canalhas, canalhas, canalhas. Agora, é a vez do Golpe Militar fajuto - o golpe do general Etchegoyen concretizado na tarde de hoje em Brasília.




24/V: o AI-5 do Temer

O Golpista convocou o Exército contra o povo!

O Conversa Afiada publica artigo mortífero de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

O governo Temer mudou de qualidade hoje. Para pior. Com uma penada, o golpista instalado no Planalto convocou as Forças Armadas para reprimir manifestações. É o 13 de dezembro de 1968 deste governo, data em que a ditadura baixou o infame Ato Institucional número 5. Num ato falho, mas simbólico, a primeira versão do documento trazia como data 24 de DEZEMBRO.

O decreto é assinado por Raul Jungmann e o general Sergio Etchegoyen. O primeiro até outro dia se dizia comunista. Hoje a máscara caiu de vez. Não passa de aprendiz de Kornilov, que defendia o czar e organizou tropas para conter a revolução na Rússia. O general russo chegou a plantar um golpe de Estado e colheu um retumbante fracasso. Foi varrido do mapa, como deve acontecer com Jungmann.

Etchegoyen integra uma linhagem reveladora. Seu avô e seu pai fizeram história como repressores e aliados dos momentos mais sombrios da história brasileira. O general deve estar esfregando as mãos pela chance de entrar na galeria familiar com as mesmas credenciais.

Quem vê nisso uma demonstração de força do governo usurpador está redondamente enganado. Não passa de desespero agonizante de um “presidente” ilegítimo, fantoche da grande mídia e dos tubarões do capital, abandonado até por quem apostou no golpismo.

Temer e o chefete da Câmara que sonha em ocupar o Planalto de bermuda vinho não têm nada a oferecer ao Brasil do povo. Só tiros, bombas e cacetada, além da roubalheira desavergonhada. Foi o que se viu hoje em Brasília frente a uma manifestação pacífica.

A tentativa de reviver a tragédia de 1964/68 está destinada a acabar em farsa. Os motivos saltam à vista. Temer está isolado. Seus principais assessores, tudo gente de “boa índole”, arrepiam carreira ou estão no xadrez. A tal base parlamentar ruiu como um castelo de cartas. O Planalto vive um clima de salve-se quem puder, em que ladrões roubam ladrões e desaparecem até com dinheiro de propina. Mais importante de tudo: as ruas estão cada vez mais cheias.

A sangria só vai acabar quando o povo retomar o direito de eleger diretamente o presidente e um Congresso dignos desses nomes.
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Lindbergh Farias denuncia possíveis infiltrados para promover violência em Brasília



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A barbárie do golpe: escombros, mortos, exército na rua – chegamos a 1968, sem AI-5

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/38208/


A barbárie se completa com o decreto de Temer: um estado de sítio molambo, disfarçado, covarde, típico de um velhaco que pode levar o Brasil ao abismo.

O prefeito da maior cidade do país caminha em meio aos escombros. Tinha acabado de mandar demolir um prédio na crackolândia, com moradores dentro.

Do outro lado do Brasil, dez corpos se amontoam, em meio a mais um massacre de trabalhadores rurais no Pará. A polícia paraense teria promovido a matança. O uso da força, sem disfarces, sempre foi a linguagem da elite brasileira: escravocrata, ardilosa, antipopular.


Trabalhadores em marcha contra as “reformas” de Temer são atacados brutalmente pela polícia em Brasília. Bombas, porrada, tiros.

Prédios ministeriais incendiados. Brasília arde. A direita de facebook diz que há “vândalos” nas ruas.

Vândalos.


Derrubar direitos trabalhistas e mudar a Previdência, impondo um programa econômico derrotado nas urnas: esse o verdadeiro vandalismo que ameaça o país desde que um golpe derrubou a presidenta eleita.

A Globo e os bancos querem uma semi-democracia sem povo. O mercado já decidiu: as urnas não valem, o que valem são as decisões nas mesas das corretoras e dos operadores das bolsas.

Queimaram votos, vandalizaram a democracia, colocaram meganhas pra lançar bombas contra com o povo. E o vandalismo é de quem?


A barbárie se completa com o decreto de Temer: um estado de sítio molambo, disfarçado, covarde, típico de um velhaco que pode levar o Brasil ao abismo.

O Exército está nas ruas em nome da lei e da ordem.

A Lava-Jato e a Polícia Federal podem tudo.

Enquanto isso, tucanos pisam nos pobres da crackolândia e os mortos se amontoam no Pará (também, sob governo do PSDB).

A Democracia agoniza. Parecemos às vésperas de um momento decisivo. Ou as garantias civis retornam. Ou o Brasil escravocrata, de sempre, vai impor a ordem, a morte e o terror.

Em 1 ano de golpe, caminhamos de 64 a 68. Já é possível ver o abismo que a Globo, os bancos e os tucanos cavaram com seus pés. Uma parte dos golpistas já foi tragada pelo abismo. Mas ameaçam lançar o país inteiro no buraco.

Sete dias de Exército nas ruas de Brasília, segundo o decreto criminoso de Temer. Sete dias para virar o jogo ou assistir ao enterro definitivo da Democracia.
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Brasília em chamas: Temer declara guerra ao povo


O governo Temer escancarou sua face. Além de uma máquina de corrupção, o usurpador do Planalto mostrou dirigir uma máquina de guerra contra o povo.


Mais de cem mil pessoas reuniram-se pacificamente em Brasília pedindo a renúncia do fantoche, eleições diretas e dando um sonoro não às reformas liquidadoras da aposentadoria e dos direitos trabalhistas. O que encontraram? Soldados armados até os dentes e dispostos a atacar uma manifestação democrática.

Há dezenas de feridos. Um deles, pelo menos, foi atingido por uma bala e está no hospital. Bombas de gás e de efeito (i)moral são disparadas incessantemente contra trabalhadoras, trabalhadores e jovens desarmados. Um cenário típico dos tempos de ditadura militar.

Temer e sua quadrilha não tem qualquer condição de continuar no poder. Sua ofensiva contra a manifestação de hoje não deixa dúvidas. Mais e mais, o governo golpista só pode recorrer à repressão. Não há argumento capaz, numa democracia, de defender por mais nem um dia um mandatário enlameado dos pés à cabeça pela corrupção explícita e tingido de sangue de manifestantes.

A permanência no Planalto do fantoche a serviço de interesses reacionários é uma verdadeira provocação ao povo brasileiro. Os números não mentem: 14 milhões de desempregados, milhões de famílias em desespero, milhares de empresas fechando, inadimplência se alastrando. Agora, repressão covarde em larga escala. Tudo isso obra de uma administração ilegítima e desmoralizada até mesmo entre muitos que embarcaram na aventura golpista.

A tragédia vista hoje em Brasília é um novo sinal de que a mobilização popular é o verdadeiro inimigo dos poderosos. Os conchavos para impor um presidente eleito indiretamente por este Congresso de paus mandados nem de longe representa uma saída para o país. Mais do que nunca, é hora de sair às ruas e gritar: Fora Temer. Diretas Já.

Leandro Pedrosa
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Lava Jato e dois destinos, o juiz e o jornalista, Asmodeus e Gabriel


Mefistófeles ouviu as queixas do jornalista. Era o mais talentoso da sua geração e nunca tivera oportunidades no ambiente burocrático das redações. Era o mais inteligente da escola, mas nunca tivera a habilidade para ser sociável e reconhecido apenas pelos seus méritos.

Ele queria o poder e Mefistófeles concedeu. Você será o primeiro, se aceitar comandar as forças das trevas, ser o arauto do ódio e da intolerância, o chefe dos templários, o espírito de Átila e a voz dos hunos, o verdugo incumbido de executar os inimigos feridos no campo de batalha. Em troca eu lhe darei séquitos de bárbaros, legiões de criaturas das sombras, o comando do mercado da intolerância, que revistas, jornais, rádios e TVs ambicionam.

E assim foi feito. Mergulhou no mais profundo do esgoto humano, armou-se da retórica mais tenebrosa, espalhou ódio, intolerância, executou inimigos e foi compensado. Seu discurso foi agasalhado pelo segundo maior partido político, a mídia se abriu para o seu reinado e ele foi transportado para os píncaros do jornalismo, como o porta-voz máximo da intolerância.

Chegando ao topo, sentiu que faltava algo. As chamas do ódio espalhavam-se por todos os poros da nação e as fogueiras da inquisição passaram a queimar os seus. E, aos seus pés, via como seguidores o populacho mais selvagem, babando ódio, dividindo suas atenções com artistas pornôs, youtubers de terceira, uma turba vociferante e desqualificada.

Olhou então para o juiz que construíra sua reputação colocando tijolos de jurisprudência no edifício da civilização, o trabalho lento e pertinaz de trazer a luz. E o invejou.

Procurou então Mefistófeles e lhe propôs: agora que tenho o poder, eu quero o respeito. Não quero mais ser o capanga: quero ser o conselheiro.

Mefistófeles refugou: isso não estava no combinado. E o jornalista decidiu percorrer o novo caminho por conta própria. Por algum tempo revestiu-se de dignidade, combateu o ódio que ele próprio disseminara, as fogueiras que ele espalhara, com um senso de lealdade para com os seus e de coragem raros entre os súditos de Mefistofeles.

Porém, quando se despiu da capa vermelha flamejante da ambição e colocou o manto corajoso dos princípios, Mefisto considerou o trato desfeito e o jogou do alto do penhasco.

Enquanto caía, cruzou com o juiz que subia, com beca de Ministro do Supremo.

O juiz nascera tímido. Faltava-lhe coragem e destemor para as grandes batalhas. Por isso, fez carreira semeando o bem e tentando a unanimidade, conquistando o respeito, sendo o pai dos desassistidos, o jurista dos vulneráveis, a alma boa dividida entre grandes questões morais e o escritório de advocacia das causas menores, que também não era de ferro.

Reconhecido, entrou para o Olimpo do direito. E de lá contemplava com olhos úmidos o gozo de prazer dos poderosos. Via o jornalista espirrando ódio por todos os poros, cavalgando a intolerância, e infundindo temor. E o invejou.

Procurou Mefistófeles e lhe propôs: eu tenho o respeito, agora quero o poder. Não quero mais o papel do bonzinho que, no colégio, se intimidava com o grupo dos valentões, cuja timidez encobria o gozo pela violência. Quero comandar os valentões, ser aceito por eles. Além disso, sem a aliança com as legiões das sombras, corria o risco de ter sua vida devassada, sua reputação colocada em dúvida, o sucesso do escritório ameaçado.

E Mefistófeles topou na hora. Imediatamente, o juiz trocou o manto da sobriedade pela capa flamejante do poder e fechou um pacto de sangue com as sombras. Com os olhos rútilos de sangue, passou a autorizar todos os esbirros do poder, todos os desrespeitos aos direitos. Tornou-se temido e poderoso.

Até o dia em que liberou 2.040 gravações de conversas sem interesse jornalístico e deu o empurrão final no poder do jornalista, vazando uma conversa irrelevante com uma fonte.

Foi quando Mefistófeles surgiu na sua frente:

- Imprudente! Não se contentou com todo o poder que lhe dei? Como ousa afrontar um dos tabus do centro do meu poder, a mídia, vazando a conversa de um jornalista com a fonte?        

E o sacrifício do jornalista, que por um momento se fez digno, ajudou a conter as ameaças contra o jornalismo e a abrir os olhos da mídia e do país para o Asmodeus que fugiu ao controle.



Luís Nassif
No GGN
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Caso Reinaldo Azevedo: solidariedade com puxão de orelhas

Galeria 33° Prêmio Abril de Jornalismo: Reinaldo Azevedo e Renato Dutra
Pablo Neruda descreve, muito bem, qual é a situação atual do blogueiro ex-Veja: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro de suas consequências”.

Liberdade é uma palavra que Azevedo diz apreciar por demais, infelizmente mais para justificar uma postura desprezível do que para buscar um sistema onde as pessoas possam, efetivamente, gozar de sua plena liberdade sem consequências desastrosas para seus pares.

Livre, leve e solta esteve a Veja, hoje, para aceitar a demissão de um dos seus ícones e, justiça seja feita, pautada por uma tremenda injustiça. Não vou mentir, eu até abriria um vinho para comemorar ações que diminuam o alcance de alguém que fale e escreva tanta bobagem, mas o método que culminou na queda de Azevedo foi por demais nefasto ( mais repulsivo que seus textos medonhos), portanto, não há o que comemorar.

Solidariedade ao Tio Rei, com justiça, já li aos montes : desde Pablo Villaça – que deixou Cannes de lado para escrever no Face – até Fernando Brito, no Tijolaço, passando, também, por Renato Rovai (Revista Fórum),  Kiko Nogueira (DCM), o Pulitzer Glenn Greenwald (The Intercept), o pessoal do Jornalistas Livres e [spoiler alert] meu amigo do peito e chefe, editor do Cafezinho Miguel do Rosário que deve soltar um texto daqui a pouco.

Enfim, a blogosfera progressista é, com razão, unânime na solidariedade à Reinaldo contra o absurdo que o MP promoveu ao divulgar escutas que nada tem a ver com os autos do processo em questão.

Contudo, não posso deixar escapar esse momento para, no mínimo, pedir uma reflexão a Reinaldo e seus fãs, afinal,não adianta somente ser solidário sem tentar, efetivamente, melhorar o conjunto de consequências que levaram a prática injusta. E, nesse sentido, a grande realidade é que Azevedo e seus seguidores são fortemente responsáveis pela sistema injusto que os puniu.

Em outras palavras, eles foram picados pela serpente que ajudaram a chocar  e aqui, objetivo como o BuzzFeed, estão alguns motivos.

1 – Defesa do grampo entre Lula e Dilma

Em sua nota, Reinaldo reclama (com autoridade) sobre a divulgação ilegal do grampo o qual foi vítima, chegando a argumentar “se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é crítico ao trabalho da patota” .Pois é, quando a grampeada foi a presidenta Dilma, e a divulgação (também ilegal) foi feita por Moro para barrar Lula, Azevedo defendeu com unhas e dentes.

Hoje, Reinaldo é vítima do método que tanto utilizou para o seu desejado Golpe.

2 – Ataque aos Movimentos Sociais

Desde o começo, a Lava-Jato tem sido denunciada por tentar promover o “estado policial” que Reinaldo se referiu em sua nota. Contudo, quando a operação era de interesse do jornalista, ele não poupou palavras para atacar movimentos sociais, como a FUP e o MTST de Boulos, que, naquele momento, já denunciava o que Azevedo descobriu outro dia.

Hoje, Reinaldo é vítima do estado policialesco que o ajudou a construir.

3 – Pedido de Impeachment no dia da vitória da Dilma

Uma das virtudes cruciais de democratas é saber perder, afinal, não há República que aguente atores políticos que fazem da derrota uma vingança, pois a instabilidade gerada deixa o país ingovernável. Mesmo assim, Azevedo não poupou esforços para derrubar Dilma desde o primeiro dia de sua vitória (foi o comentário do blogueiro “tem um Youssef no meio do caminho” que descambou para a discussão do impeachment na TVeja, no dia da vitória petista).

Hoje, Reinaldo é vítima da instabilidade que ajudou a criar.

4 – Capas da Veja “nojentas” já tiveram aos montes

Nem precisa escrever muito aqui. A Veja quase decidiu o pleito de 2014 a favor do Aécio, com a capa mais criminosa da história – a tal “eles sabiam de tudo” – sem o mínimo de verdade factual, servindo, apenas, de panfleto tucando pré votação. Reinaldo defendeu a Veja e a  capa quando foi conveniente.

Hoje Reinaldo é vítima de uma mídia canalha que ele ajudou a criar.

5 – Para barrar Lula como ministro, poderes ao Ministério Público

Quando Dilma tentou emplacar Lula como ministro, e recebeu uma forte interferência de sua prerrogativa como chefe do executivo, tanto do judiciário ( com Mendes sempre ele), quanto do parecer de Janot, Reinaldo curtiu. O jornalista chegou a pedir que o MP interviesse “clamando pela importância das instituições”. Pois é, Tio Rei, quem tem poder para barrar posse de um ministro, amigo, faz o que quer com um jornalista.

Hoje, Reinaldo é vítima dos “superpoderes” institucionais que ele ajudou a fomentar  

6 – Críticas a Lula na Onu

Que a Lava-Jato montou um estado de exceção nós estamos cansados de saber. Tanto é que Lula denunciou as práticas de Moro a ONU, para ver se os olhos internacionais jogavam alguma luz para a obscuridade que havia tomado conta do nosso judiciário. Naquela ocasião, Reinaldo preferiu defender as atitudes fascistas de Moro ao invés de dar razões às preocupações do ex-presidente. 

Hoje, Reinaldo é vítima do estado de exceção que ajudou a proteger.

7 – As mortes de Lula

Reinaldo “matou” Lula duas vezes, aqui e aqui. Lula, hoje, é a principal vítima da Lava-Jato e, sobretudo, a única esperança de curto prazo que o país tem de sair do caos institucional e barrar o avanço da ditadura jurídica, afinal, o único réu que tem força e coragem para peitar a república de curitiba é o ex-presidente. 

Ou seja, hoje, Reinaldo precisa de Lula vivo para sobreviver. 

Nessa história do Azevedo, talvez, nem Neruda conseguiria ser tão poético.

Tadeu Porto
No Cafezinho



Em 2016, Reinaldo Azevedo defendeu grampo e quebra de sigilo contra Dilma

Reinaldo Azevedo divulgou uma nota criticando a violação da garantia constitucional do sigilo de fonte.
Foto: Reprodução/Youtube
A Procuradoria Geral da República anexou, em inquérito da Operação Lava Jato, o conteúdo de conversas gravadas por interceptação telefônica entre o jornalista Reinaldo Azevedo, que mantem um blog na revista Veja, e Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves. Nestas conversas, Reinaldo Azevedo critica uma reportagem da Veja e a atuação do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Após a divulgação do fato, pelo site Buzzfeed, Reinaldo Azevedo anunciou que estava pedindo demissão da Veja e divulgou uma nota criticando a violação da garantia constitucional do sigilo de fonte e alertando para a instauração de um estado policial no país.

Já no dia 18 de março de 2016, em um episódio similar, o mesmo Reinaldo Azevedo defendeu a divulgação do conteúdo do grampo que atingiu a então presidenta da República, Dilma Rousseff (PT). Naquela ocasião, em um post intitulado “Dilma Rousseff quer prender Sérgio Moro, e eu quero prender Dilma Rousseff”, o jornalista escreveu em seu blog na Veja:

“Dilma não foi grampeada. Grampeados foram outros entes e pessoas que estão sob investigação. O problema é que eles todos estavam em linha direta com a presidente da República. (…) Não se tratou de escuta ilegal, mas legalmente determinada. A quebra do sigilo dessas mensagens, dado o contexto, é plenamente justificada. A única área de debate será o uso das gravações feitas quando já suspensa a quebra do sigilo. Muito provavelmente, não poderão ser empregadas como prova.”.

No Sul21



Memorial do rola-bosta


Eu invejo a maneira como muita gente, sobretudo na esquerda, entra em modo republicano assim que uma figura abjeta como Reinaldo Azevedo cai em desgraça.

Invejo, juro, essa pureza d’alma, essa compaixão cristã, essa energia namastê.

Porque, impuro que sou, depois de ouvir os diálogos de Reinaldo com Andrea Neves, aquela conversa de comadres ornamentada com troca de poemas decorados de almanaques de farmácia, não vi nenhuma relação repórter/fonte.

Vi, sim, um bajulador compulsivo com uma bandida revelada numa prosa imoral, como bem cabe a ambos.

Vi o irresponsável de extrema-direita de sempre, o rato que estimulou o ódio de classe e a indigência jornalística para se projetar no esgoto a céu aberto da mídia e, com isso, ganhar o dinheiro e a fama que jamais atingiria pelos méritos profissionais, repórter medíocre e irrelevante que sempre foi.

Agora, querem transformá-lo num mártir da liberdade de imprensa.

Então, apenas para registro, deixo aqui minha opinião definitiva sobre esse episódio: eu quero mais é que Reinaldo Azevedo e sua turba de dementes se afoguem na merda, para sempre.

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Informativo Paralelo — Ocupa Brasília - Diretas Já


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Renan muda votos do PMDB e enterra reforma trabalhista


Em entrevista dada na manhã de hoje, o líder do PMDB, Renan Calheiros, anunciou que vai usar seu direito de liderança e retirar os dois senadores que deram votos favoráveis à leitura do relatório favorável à reforma trabalhista tal como veio da Câmara dos Deputados.

A decisão inverte o placar registrado ontem, de 13 votos a favor e 11 contrários ao texto que agrada Michel Temer e “o mercado”.

Em gravação exibida pelo Poder360, (assista abaixo), Calheiros foi mais adiante e disse que, se fosse Michel Temer, teria demitido Henrique Meirelles por ter declarado que “com Michel ou sem Michel, vamos levar as reformas”, numa admissão explícita de que seguiria com as medidas independente da saída do presidente.

Temer, por sua vez,  articula, dentro do PMDB, a derrubada do atual líder do PMDB

Renan vai comparecer pessoalmente ao ato das centrais sindicais, cujos apoiadores começam a se deslocar para a Esplanada dos Ministérios, com previsão entre 50 e 100 mil pessoas. A PM de Brasilia, sempre avara nos cálculos quando a manifestação é de esquerda, admite que há 25 mil pessoas diante do Estádio Mané Garrincha.

Fernando Brito
No Tijolaço


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Após duas delações, todos os senadores da bancada catarinense estão citados na Lava Jato

Após a delação da Odebrecht envolver o nome do senador Dalírio Beber (PSDB), a colaboração da JBS tratou de colocar os outros dois senadores catarinenses na lista de citados. Paulo Bauer, líder do PSDB no Senado e Dário Berger (PMDB) são acusado de ter recebido dinheiro em dois contextos diferentes. Todos negam as acusações.
Dalírio Beber, Dário Berger e Paulo Bauer - Divulgação/ND
Dalírio Beber, Dário Berger e Paulo Bauer
Segundo os executivos da JBS, Berger teria recebido R$ 1 milhão, via doações dissimuladas, da cota de Renan Calheiros (PMDB-AL). A contrapartida seria votar em Renan na eleição à presidência do Senado. Berger diz que os valores nunca chegaram ao seu comitê de campanha. “Todos os recursos recebidos tiveram origens lícitas e estão registrados. Relativamente ao suposto valor, não tenho conhecimento, não o recebi”, afirmou por meio de nota.

Além disso, Berger disse que votou em Luiz Henrique da Silveira, senador catarinense que concorreu contra Renan ao cargo. “Grave ofensa à minha pessoa e à amizade e fidelidade para com meu amigo”, completou.

Já o nome de Bauer aparece em duas planilhas. A primeira marcada como sendo do “PSDB-Sergio Freitas/Serra” e que teria destinado R$ 100 mil da conta da JBS aberta para abastecer apoios a José Serra em 2010. Na época, Bauer concorreu ao Senado. Na segunda, seriam R$ 400 mil para a campanha ao governo do Estado, em 2014.

“A empresa JBS contribuiu para aquela campanha com R$ 100 mil de forma oficial e legal, de acordo com a legislação eleitoral vigente à época. A doação ocorreu em razão de solicitação feita por lideranças nacionais do PSDB à empresa, em favor de diversos candidatos do partido em vários Estados do país”, afirmou Bauer, também em nota.

Antes da delação da JBS, na colaboração da Odebrecht, Beber foi apontado como tendo articulado a doação de R$ 500 mil para a campanha de Napoleão Bernardes (PSDB) à Prefeitura de Blumenau. Na época, o senador rechaçou as denúncias. Sobre as novas delações, Beber se manifestou por meio de nota, afirmando que é a favor de que se investigue com transparência. “Continuo acreditando que ainda podemos lutar pelas reformas essenciais e urgentes para o Brasil, pois os interesses do país devem estar acima dos interesses políticos, individuais ou partidários”, completou.
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Globo em pânico: TSE decide discutir Eleições Diretas no Brasil em caso de cassação de Temer


Trecho de matéria publicada na coluna de Monica Bergamo, na Folha. TSE discutirá diretas já se cassar Temer
Caso a situação política se agrave e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decida pelo julgamento célere e a cassação de Michel Temer, a possibilidade de eleições diretas para a escolha do sucessor será discutida na própria corte.
PARA TODOS


De acordo com um dos ministros do tribunal, o TSE pode considerar que regra do Código Eleitoral que prevê eleição direta quando faltam mais de seis meses de mandato vale também no caso de Presidente da República –e não apenas de prefeitos, governadores e senadores.

No Esquerda Valente
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O golpe e o pecado de alianças com o inimigo de classe

Crime de rico a lei cobre,
O Estado esmaga o oprimido.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é permitido.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!
(hino A Internacional)

A realidade histórica que nossa esquerda política parece não ter compreendido até hoje é a da luta de classes. Não se trata necessariamente de um confronto físico, como imaginam fascistas ignorantes, mas de um confronto de condições políticas, econômicas e ideológicas. Há um antagonismo inexorável entre aqueles que se apropriam da riqueza social e aqueles que a produzem e padecem sob a tutela violenta dos apropriadores, ou, formulado de forma mais simples, entre os parasitas do capital e os expropriados do produto de sua força de trabalho.

É escandaloso que, enquanto a maioria das brasileiras e dos brasileiros vive com salário mínimo ou até menos, devendo com ele cobrir suas despesas de habitação, vestuário, alimentação e educação dos filhos, uma minoria abastada não se contenta com seus polpudos ganhos do estado e exigem mesadas empresariais de 50, 500 mil ou até milhões, para garantir vantagens indevidas aos contratados em obras e serviços para a administração.

É preciso colocar a mão na cabeça e perguntar-se: que diabos alguém faz com uma mesada dessas??? Para quê tanto dinheiro? Para comprar SUVs, viver em apartamentos de luxo, frequentar jantares e coquetéis em ambientes para poucos e comprar roupas de custo imoral? Enquanto isso, nossos irmãos lascados se abrigam em barracos e barracões, de lona, de madeira, de alvenaria e latão, submetidos a todas intempéries possíveis, expostos a ratos, lacraias, baratas, escorpiões e a uma polícia violenta que em nada perde para os bandidos em crueldade. Captam água sem tratamento, convivem com esgoto a céu aberto e acessam a energia elétrica por gambiarras. Não têm assistência efetiva à saúde e a educação que lhes oferecem padece de permanente subinvestimento. Vestem-se com roupas velhas doadas ou mais novas, compradas em brechós. São obrigados a sair de madrugada de casa para se espremerem em condução publica cara e de péssima qualidade para chegar ao trabalho, onde abaixam a cabeça para não perder o emprego e comem de suas matulas simples esquentadas, quando possível, num microondas ou frias mesmo, quando o empregador não o disponibiliza. Chegam em casa à noite, fugindo dos assaltos e, esgotados, ainda cuidam de seus filhos e de suas filhas.

E nossa esquerda política, dizendo defender os desapropriados, não consegue, em nome de uma tal "governabilidade", deixar de parlamentar com os apropriadores aos sorrisos, fazendo-lhes concessões em troca de migalhas de poder. Migalhas, diga-se de passagem, até bem-vindas, porque permitem um mínimo de ação inclusiva e redistributiva. Mas são migalhas, nada mais do que migalhas, se comparadas com a capacidade da apropriação criminosa do patrimônio público e social.

Compreender a luta de classes implica não aceitar arranjos de poder em detrimento do esforço de empoderamento da classe trabalhadora e dos excluídos. É não aceitar conchavos espúrios com o inimigo de classe. Acertos táticos eventuais com setores reacionários são possíveis apenas quando não agravam o desequilíbrio de forças no enfrentamento da profunda iniquidade.

Os atores progressistas foram alvo de um ataque vil coordenado por políticos golpistas inescrupulosos, com apoio das instituições judiciais e parajudiciais e da mídia comercial. Seus objetivos são o completo aniquilamento do frágil estado social brasileiro, piorando as condições de vida de milhões de trabalhadores e excluídos, bem como a entrega barata dos ativos nacionais, submetendo o Brasil aos interesses dos Estados Unidos da América. Tudo em prol de negociatas que constituem um assalto à Nação e nossa capitulação ao crime organizado, incluído o tráfico internacional de drogas. Quaisquer alianças que preservem os interesses e objetivos dos usurpadores corruptos da soberania popular são incompatíveis com o projeto de um Brasil altivo, independente e inclusivo, sendo, por isso, inaceitáveis para quem padece da profunda desigualdade econômica e para quem tem consciência política.

Fala-se que os partidos parceiros do golpe, PMDB e PSDB, afundados na lama das megapropinas, procuram "uma solução" para a crise em que enfiaram o País com auxílio da mídia e das agências persecutórias. Qual a solução? Desfazer o golpe? Reinstituir a presidenta eleita arrebatada covardemente por quem lhe devia lealdade de vice? Devolver o poder à soberania popular, para que escolha o caminho a seguir? Não, nada disso. Isso seria coisa de esquerdista. Querem aprofundar a agenda do golpe e, de preferência, com apoio do PT.

Como assim? Os partidos do golpe estariam tentando convencer Temer a largar o osso o mais rapidamente possível, com garantias de leniência na persecução penal, para que possam manter o rumo das "reformas" com um sucessor escolhido por suas bancadas de trombadinhas entre pessoas que não têm nenhum compromisso com os interesses da maioria das brasileiras e dos brasileiros. E, segundo avaliação dos golpistas, não poderiam perder tempo, pois, do contrário, impor-se-ia, na contramão de seus planos anti-povo, a vontade das ruas.

Vencida a hipocrisia, reina, agora, o cinismo absoluto. É evidente que esse Congresso contaminado por práticas de gatunagem na sustentação de um governo golpista ilegítimo não tem condições de escolher o futuro Presidente da República sem contaminar, também, seu governo com sua extorsão criminosa de vantagens materiais. Só a soberania popular manifestada em eleições diretas e livres poderá restaurar a democracia e permitir a afirmação dos interesses nacionais e da maioria das brasileiras e dos brasileiros.

Acordos com as forças da reação e do golpe só podem ser estabelecidos dentro desse objetivo: a realização imediata de novas eleições. Nada menos. Nossa preocupação é precisamente impedir a aprovação de medidas anti-povo. Só o restabelecimento de um governo legítimo conseguirá barrar as articulações espúrias no Congresso. Exigimos respeito!

Enquanto em Brasília o MPF leva à frente, sempre com métodos policialescos e num viés moralista que nega a história, o desbaratamento de quadrilhas no poder político, em Curitiba permanece a intenção de destruir as lideranças de esquerda e, mais precisamente, do PT. A burguesia sabe cumprir seu papel. A destruição da política como um todo é a afirmação absoluta do poder econômico e do poder burocrático subserviente àquele. Na luta de classes, temos que combater isso com toda nossa energia. E, para tanto, não é bom confiar no ministério público, na polícia e no judiciário, instituições que fizeram papel sujo no golpe dos corruptos; instituições que não passam de instrumentos dos apropriadores criminosos, a quem sempre trataram com leniência que contrasta com a severidade do julgamento público e escandaloso do PT e da esquerda. Se hoje essas instituições não têm outra opção que a de se afirmarem no combate às forças corruptas, isso se dá porque foram atropeladas pelos fatos. Não o fazem, porém, para preservar os interesses nacionais, promover justiça social e proteger direitos dos mais fracos. Fazem-no na alavancagem corporativa e privilegiam bandidos aquinhoados, dando-lhes imunidade judicial porque expuseram seus comparsas. E ainda acham que isso é um prêmio para brasileiras e brasileiros!

É importante não nos iludirmos. A saída eventual de Temer não altera nada na correlação de forças. Os golpistas mudam de cara mas não de tática e nem de estratégia. As forças progressistas continuam a ser alvos de um ataque destrutivo, com campanha de desmoralização midiática e com perseguição implacável. E, nesse contexto, não pode haver concessão nenhuma. A luta de classes não desaparece num passo de mágica, num apelo demagógico à união de todos as brasileiras e todos os brasileiros. Aceitar esse apelo é aceitar a aliança entre estuprador e estuprada. Precisam reconhecer o golpe que deram e reconhecer, como força política legítima, os vencedores das eleições de 2014 e, só depois, conversaremos sobre acertos pontuais táticos que permitam o avanço de nossa luta.

Com inimigos de classe, só se negocia entre a capitulação deles e a vitória de trabalhadores e excluídos.

Eugênio José Guilherme de Aragão
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Mino Carta — Encontro com Jornalistas no Barão de Itararé



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A volta

Um dia, a mãe anunciou: “O pai de vocês está voltando”. Os filhos estranharam. O pai saíra de casa 25 antes e nunca mais voltara. Quando perguntavam para a mãe sobre o pai, ela respondia “Está viajando” e mudava de assunto. E agora chegara uma carta dele dizendo que estava voltando. Não sabia exatamente quando, mas mandaria algumas coisas na frente. 

Depois de uma semana, chegou o primeiro pacote. Tiveram que buscar no Correio, o pacote era grande. Continha, principalmente, meias. Meias de cano longo e de cano curto, meias para inverno e verão, algumas mais velhas, algumas mais novas. Um cantil. Um guia do Himalaia, com mapas e trilhas marcadas no mapa, e anotações nas margens numa língua indecifrável. Mas, principalmente, meias. Meias de todos os tipos. Meias de várias cores. Vinte anos de meias. 

O segundo pacote, mais pesado, chegou poucos dias depois. Sapatos e chapéus, incluindo botas com cadarço até em cima e duas cartolas, sendo uma com um coldre vazio na parte de dentro. Alguns troféus: uma coruja de bronze espetada num pedestal com dizeres em alfabeto cirílico; uma taça de prata com o nome, na base, da vencedora de uma corrida de planadores em Tessalonica, outro troféu pelo segundo lugar num concurso de salsa em Riga. Fotos emolduradas. A de uma mulher oriental sentada na asa de um planador, sorrindo. A de uma loira séria com a palavra “Chien!” e uma assinatura, “Marie Ange”. A de uma morena com um tapa-olho, com as palavras “Te quiero, Chuco”, assinada “Concepcion”. Uma foto do Henry Kissinger, com as palavras “Best wishes” e sua assinatura. Dois suéteres de lã. 

Sem saber o que viria nos pacotes seguintes, a mãe tratou de arranjar lugar para as coisas do marido. Mandou esvaziar um armário. Se faltasse lugar, usariam parte da garagem. Passaram-se semanas sem que chegasse outro pacote. Finalmente chegou um, menor do que os outros. Da mesma procedência: Nova Délhi. Este era de livros e cuecas. Os livros, quase todos, sobre ocultismo. E, no meio daquela semana, um telefonema surpreendente. Uma voz feminina, falando inglês com sotaque hindu, identificando-se como Iridia, querendo saber se já tinha chegado “the cage”. O quê? “The cage, the cage.” A mãe custou, mas entendeu. A gaiola! Não, ainda não chegara a gaiola. “The cage, not!”, disse a mãe, e a ligação caiu antes que ela pudesse perguntar quem era, e como estava o seu marido, e que gaiola era aquela.

Quase um mês depois, chegou a gaiola, junto com casacos, calças, um nebulizador, um aparelho para tirar a pressão e um bilhete, em inglês, com o descrição detalhada do tratamento que ele estava fazendo e que não poderia ser interrompido, e uma lista de remédios. Assinado “Iridia”. E com um PS: “Ele está levando o pássaro com ele”.

Passou um mês. Dois. Nada de novo pacote. E nada do viajante. Um dia, tocou o telefone e era a Iridia, querendo saber se ele tinha chegado bem e se podia falar com ele. Foi difícil fazê-la entender que ele não estava lá, que não voltara para casa. Então, a Iridia disse “Eu deveria ter adivinhado...”. Ele jurara que estava voltando para casa, que faria a conexão em Londres e estaria no Brasil em dois dias. Na certa, conhecera uma mulher no caminho. No avião ou no aeroporto em Londres. O pássaro teria atraído a atenção dela, eles já estariam morando juntos. Ela devia estar, naquele momento, ajudando-o a escolher meias novas. A mãe anunciou aos filhos que o pai ainda demoraria a chegar.

Luís Fernando Veríssimo
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