19 de mai. de 2017

Delator diz que JBS deu propina a Kassab e a Raimundo Colombo do PSD - assista




O delator Ricardo Saud, diretor da holding J&F Participações, disse em sua delação premiada que a JBS pagou R$ 10 milhões ao diretório nacional do PSD, para ter tratamento diferenciado na licitação para privatização do serviço de água e esgoto da Casan em Santa Catarina.

Segundo o delator o secretário da Fazenda, Antônio Marcos Gavazzoni participou da negociata.

Dos R$ 10 milhões, dois teriam sido pagos em dinheiro vivo, dissimulados numa operação da rede de supermercados Angeloni.

Esta é a segunda acusação com teor semelhante, ela já apareceu nas colaborações premiadas de ex-diretores da Odebrecht na Operação Lava Jato.

Colombo distribuiu a seguinte nota de esclarecimento
"O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, contesta com veemência as declarações feitas pelo delator da JBS sobre doações relativas à campanha eleitoral de 2014.

Ressalta que a empresa, conforme a legislação eleitoral vigente, fez doações ao diretório nacional do PSD, que repassou para a campanha do partido em Santa Catarina.

A doação feita pela JBS foi dentro da legislação eleitoral de forma oficial na conta bancária do partido e está registrada na prestação de contas apresentada e aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral".
Por sua vez a rede Angeloni distribuiu a seguinte nota:
COMUNICADO

Temos histórico de relacionamento de muitos anos com a JBS, que deve ser um dos maiores fornecedores da maioria das redes de supermercados. O pagamento pelos produtos adquiridos deste fornecedor é tradicionalmente feito através de depósito bancário, mas, num determinado momento, recebemos a solicitação da JBS para que algumas duplicatas fossem pagas em carteira.

Foi então encaminhado o pedido ao Departamento Financeiro para que efetivasse os pagamentos da forma solicitada. Não houve qualquer participação direta por parte do presidente do Grupo, que apenas autorizou os pagamentos por acumular o cargo de diretor comercial da empresa.

Todos os títulos, inclusive esses em carteira, encontram-se devidamente contabilizados, quitados e as tratativas entre as partes registradas em correspondências eletrônicas.

Ficamos surpresos com as notícias veiculadas, pois, conforme afirmado por um dos delatores, jamais tivemos conhecimento do que se tratava. Estávamos considerando apenas a regularidade do procedimento comercial.

A.Angeloni & Cia. Ltda.
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O que explica o desespero da Globo?

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/geral/o-que-explica-o-desespero-da-globo/

Famiglia Marinho pede derrubada de Temer e aumenta turbulência política

A Globo tem pressa. E se desespera. Porque as reformas já pararam. Se o caminho para tirar Temer for o TSE, isso pode levar dois a três meses! Até lá, o clima nas ruas vai ferver. E a possibilidade de aprovar as reformas se evapora se tudo não estiver resolvido até agosto ou setembro…


O editorial de O Globo hoje, pedindo a renúncia de Temer, é demonstração de fraqueza e desespero.

A Globo nunca precisou manifestar por escrito suas posições para mover os cordões do poder. Dessa vez, deixou o roteiro – por escrito!

Desde ontem, estava claro que família Marinho, alinhada ao Partido da Justiça, deseja a rápida substituição de Temer por um governo “técnico” – que conclua as “reformas” e dê sustentação para a Lava-Jato concluir sua tarefa principal: impedir Lula de ser candidato.

Como afirmamos aqui: a Globo deseja “limpar” o golpe. Temer no poder cria uma dissonância: se Dilma foi afastada em nome da moralidade (grande mentira, sabemos), como se explica que uma gangue esteja hoje no controle do país?

A Globo nunca quis moralidade. O grande projeto é desregulamentar o mercado de trabalho, tirar direitos sociais e abrir o Brasil pra investimento estrangeiro. De quebra, a família Marinho poderia passar a empresa nos cobres, desde que a Lei de Telecomunicações seja alterada e a TV possa assim ser vendida a algum investidor estrangeiro.

Temer servia como operador dessa agenda – que foi rejeitada nas urnas. E por isso trata-se de um golpe! A vontade majoritária foi desprezada, e o programa derrotado 4 vezes no voto estava sendo implantado na marra.

Mas o timing da PF e da JBS acelerou as contradições, expondo de forma dramática a desagregação do bloco que deu o golpe. Numa linguagem mais “sociológica”, poderíamos dizer que desde 2013 o Brasil vive uma ampla “crise de hegemonia”. O bloco sob o qual Lula e Dilma governavam rachou, mas um novo bloco não conseguiu ainda impor sua hegemonia de forma desorganizada. É como se a disputa seguisse indefinida, agravando a crise e abrindo possibilidades para todo tipo de saída.

E aí entramos no segundo eixo desse editorial: o desespero. O tempo corre agora contra a Globo.

A Globo tem pressa. E se desespera. Porque as reformas já pararam. Se o único caminho para tirar Temer for o TSE, isso pode levar dois a três meses! Até lá, o clima nas ruas vai ferver. E a possibilidade de aprovar as reformas se evapora se tudo não estiver resolvido até agosto ou setembro…

Fora isso, a crise expõe mais e mais contradições. Agora Gilmar Mendes também aparece nas delações e pode ser submetido a impeachment, já que tramava com Aécio formas de influenciar votos no Senado.

Temer decidiu ficar, e expõe assim as contradições dos dois grupos golpistas: de um lado, a direita política, de outro o Partido da Justiça. O que unia os dois era derrubar Dilma e aplicar a agenda ultra-liberal.

Acontece que Temer, mais do que qualquer agenda, defende a sobrevivência dele mesmo e da gangue que o cerca.

A Globo ajudou a instalar no poder um grupo que vai permanecer ali o quanto puder, para garantir o foro privilegiado.

Seria fundamental, para a gangue midiática, instalar rapidamente um governo eleito indiretamente, para completar a destruição de direitos e acabar de abrir o país – inclusive para investimentos estrangeiros nas comunicações. Mas no poder há outra gangue. Que vai usar todas as armas para resistir.

É curioso ver o editorial da Família Marinho invocar os interesses “dos cidadãos de bem”. Onde estavam esses “cidadãos de bem” quando a ditadura matava e torturava com apoio da Globo? Ou quando Collor arruinava o país com beneplácito da família Marinho? E quando FHC comprava a reeleição? Ou quando as empreiteiras e conglomerados privados enchiam as burras dos tucanos?

A Globo descobriu os cidadãos de bem recentemente?

 
Por isso, tenho aqui invocado a velha fórmula de Brizola: se a Globo está de um lado, fiquemos do outro!

Claro, não estou dizendo que devemos defender a gangue temerária. Mas apontando para duas questões: a esquerda e os movimentos populares vão servir de massa de manobra pra derrubar Temer, e na sequência ver a Globo instalar Carmen Lúcia/Meireles/Armínio Fraga no poder?

Para o campo popular, o melhor que pode acontecer é Temer ficar, expondo as contradições da direita liberal, esgarçando o tecido golpista. Que seja longa a agonia do governo golpista, expondo as vísceras do falso moralismo e dos tais “cidadãos de bem”.

Deixemos o “Fora, Temer” para os editoriais da Globo. Quem pariu mateus que o embale. A palavra de ordem do lado de cá já não é “Fora, Temer”. Mas “Diretas-Já” e “Parem as Reformas”.

Vamos pra rua pedir que o povo decida qual programa será implantado no Brasil. Ou seja, lutamos pela Democracia e contra o desmonte do Estado Nacional.

Enquanto isso, podemos até nos divertir um pouco com o desespero da Globo. E dizer: “Temer, resista!”
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Dilma: “Chegou a hora: diretas, já”

http://dilma.com.br/dilma-diretas-ja/

“A crise política, iniciada em novembro de 2014 com a recusa dos golpistas em aceitar o resultado das urnas, foi agravada pelo impeachment fraudulento.

O Brasil continua sangrando com os retrocessos impostos pelo governo golpista. Agora está sem rumo, diante das graves acusações lançadas nos últimos dias.

Na democracia, a regra é clara: o poder emana do povo e em seu nome é exercido. Nenhuma eleição indireta terá a legitimidade para tirar o país do abismo em que foi mergulhado.

A única saída para a crise são eleições diretas, já!”

DILMA ROUSSEFF
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Entenda o golpe de mestre de Joesley Batista via Teoria dos Jogos

O empresário Joesley Batista deu um xeque-mate. Fez uma jogada de mestre. A perplexidade de alguns contracena com a ação eficiente de Joesley, sócio da JBS, para salvar seu grupo empresarial e sua liberdade, típica de quem domina a lógica do novo modelo de compra e venda de informações. Farei uma análise via Teoria dos Jogos, tema que tenho procurado estudar [1]. Sou favorável à delação premiada, embora reconheça que há certa ambiguidade e ausência parcial de regras claras sobre o modo de produção desse modelo negocial. Para entender o êxito da estratégia definida por Joesley e seus advogados, seguirei o seguinte trajeto:

1) as investigações estavam chegando aos interesses de seu grande conglomerado empresarial, cujos lucros foram de R$ 4,6 bilhões em 2015 e de R$ 694 milhões em 2016, sendo necessário agir para (i) manter a vitalidade da empresa e (ii) mitigar os efeitos da ação penal sobre a liberdade dos sócios;

2) para obter a estratégia dominante/dominada, abrem-se duas táticas: (i) passiva: aguardar o desenrolar das investigações, tomando-se medidas preventivas, arriscando-se em um processo penal cujos estragos seriam postergados no tempo (que custa dinheiro), com a real possibilidade de sanções patrimoniais e principalmente a prisão dos envolvidos internamente, dentre eles Joesley; (ii) ativa: agir para produzir material capaz de ser trocado no mercado da delação premiada, atualmente em pleno funcionamento no sistema processual penal brasileiro. A escolha foi pela segunda opção, lançando-se a campo. Na avaliação de riscos, a tática adotada é a dominante para qualquer um que pense como um “homem de negócios”;

3) adotada a tática ativa, surge a necessidade de que as informações tenham valor de troca, ou seja, de que seja possível chamar a atenção dos compradores (Ministério Público e Polícia Federal) pela qualidade e relevância, bem assim do fator impacto de seu conteúdo;

4) inventariar a informação exigia um duplo movimento entre o passado e o futuro. De um lado, levantou-se o que tinha de informação capaz de chamar a atenção dos compradores e, por outro lado, diante da oportunidade de consolidar as informações produzindo gravações que seriam a prova real, agiu de modo eficiente. O portfólio de provas a se mostrar foi bem desenhado, contando com a coprodução de agências estatais, capazes de atestar a regularidade e a cadeia de custódia: ação controlada, monitoramento do dinheiro por chip etc. Como bom negociador do mercado, o delator sabia que precisava de algo raro, valioso e irrefutável;

5) no atual contexto, nada melhor do que gravações de conversas para causar o impacto direto, irrefletido, imediato e avassalador. Se não há o produto, seria necessário o criar. A produção de material probatório então precisava de uma estratégia de aquisição que, habilmente, contou com o planejamento estratégico de ações, coordenadas para comprovação das conversas, devidamente gravadas, a entrega de dinheiro, previamente identificado e com localização por chip eletrônico, tudo para comprovar a cadeia de custódia do dinheiro. Delineado o curso tático, promoveu-se com pleno êxito, juntando-se, em ordem: a) conversas gravadas indicando a realização das condutas; b) efetivação das ações programadas; c) filmagens e monitoramento eletrônico do trajeto do dinheiro; c) preservação das fontes e do material produzido;

6) a consolidação do material de alto valor fez com que fosse possível, invertendo a tendência passiva, a negociação dos termos finais da delação, mediante cooperação, pagamento de multa relevante, mas incapaz de impedir a continuidade das atividades, evitando-se, ainda, a prisão. Xeque-mate desferido, rei encurralado, delação homologada, segue-se adiante com novos desafios do mercado. Aliás, com informação privilegiada sobre corte de juros e alta do dólar, o que fez o nosso personagem: utilizou a informação para operar seus interesses, “rifando” o Brasil, como aponta o jornal Valor Econômico.

Os juristas do processo penal baunilha não entendem muito bem como isso se passa. Tenho insistido em ler o processo penal pela via da Teoria dos Jogos justamente para indicar um design de compreensão dos processos penais reais, cujo palco probatório deixou de ser no Poder Judiciário, para se resolver na fase de investigação, onde uma gravação vale ouro, a saber, gravações são o novo Habeas Corpus.

O império da tecnologia e das múltiplas possibilidades de gravação fizeram com que, se alguém quer agir de modo a se precaver ou se garantir, deva começar a gravar tudo e todos, em qualquer situação, dado que isso pode ter valor no futuro. Não se trata mais de produção de verdades, mas, sim, de pura análise de custo-benefício em face de um processo penal transformado em um balcão de negócios de compra e venda de informações, pena e liberdade.

P.S. Você pode ser perguntar por que alguns meios de comunicação que sempre defenderam os protagonistas, agora, inverteram o jogo. A questão é meramente econômica: a) a informação é relevante e com gravações, hot notícia; b) quem der o furo da informação ganha mais acessos e melhora a audiência; c) a JBS é um anunciante importante aos meios de comunicação; d) na análise de custo-benefício, não há questões morais ou éticas; e) quando o time está perdendo, economicamente, vale a pena mudar de lado e ganhar. Eis o jogo do mercado midiático. Ler Ramonet ajudaria a compreender.

[1] MORAIS DA ROSA, Alexandre. Guia do Processo Penal Conforme a Teoria dos Jogos. Florianópolis: Empório do Direito, 2017, especialmente o capítulo 17, que aprofunda a discussão sobre a Justiça negociada, delação premiada, enfim, o mercado do processo penal.

Alexandre Morais da Rosa é juiz em Santa Catarina, doutor em Direito pela UFPR e professor de Processo Penal na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e na Univali (Universidade do Vale do Itajaí).
No Conjur
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Globo descobre só agora que Temer é corrupto e pede sua renúncia


Peça central do golpe parlamentar de 2016, que derrubou a presidente legítima e honesta Dilma Rousseff, a Globo descobre agora que instalou na presidência da República um dos maiores corruptos da história política do Brasil: ele mesmo, Michel Temer; feito o estrago, a Globo pede a renúncia de Temer em editorial e já trabalha para impedir que o povo brasileiro reencontre a democracia por meio de eleições diretas; leia

A renúncia do presidente

Um presidente da República aceita receber a visita de um megaempresário alvo de cinco operações da Policia Federal que apuram o pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às onze horas da noite na residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo: "Fui chegando, eles abriram. Nem perguntaram o meu nome". A simples decisão de recebê-lo já guardaria boa dose de escândalo. Mas houve mais, muito mais.

Em diálogo que revela intimidade entre os dois, o empresário quer saber como anda a relação do presidente com um ex-deputado, ex-aliado do presidente, preso há meses, acusado de se deixar corromper por milhões. Este ex-deputado, em outro inquérito, é acusado inclusive de receber propina do empresário para facilitar a vida de suas empresas no FI-FGTS da Caixa Econômica Federal. O presidente se mostra amuado, e lembra que o ex-deputado tentou fustigá-lo, ao torná-lo testemunha de defesa com perguntas que o próprio juiz vetou por acreditar que elas tinham por objetivo intimidá-lo.

Ao ouvir esse relato do presidente, o empresário procura tranquilizá-lo mostrando os préstimos que fez. Diz, abertamente, que "zerou" as "pendências" com o ex-deputado, que tinha ido "firme" contra ele na cobrança. E que ao zerar as pendências, tirou-o "da frente". Mais tarde um pouco, em outro trecho, diz que conseguiu "ficar de bem" com ele. Como o presidente reage? Com um incentivo: "Tem que manter isso, viu?"

Não é preciso grande esforço para entender o significado dessa sequência de diálogos. Afinal, que pendências, senão o pagamento de propinas ainda não pagas, pode ter o empresário com um ex-deputado preso por corrupção? Que objetivo terá tido o empresário quando afirmou que, zerando as pendências, conseguiu ficar de bem com ele, senão tranquilizar o presidente quanto ao fato de que, com aquelas providências, conseguiu mantê-lo quieto? E, por fim, que significado pode ter o incentivo do presidente ("tem que manter isso, viu"), senão uma advertência para que o empresário continue com as pendências zeradas, tirando o ex-deputado da frente e se mantendo bem com ele?

Esses diálogos falam por si e bastariam para fazer ruir a imagem de integridade moral que o presidente tem orgulho de cultivar. Mas houve mais. O empresário relata as suas agruras com a Justiça, e, abertamente, narra ao presidente alguns êxitos que suas práticas de corrupção lhe permitiram ter. Conta que tem em mãos dois juízes, que lhe facilitam a vida, e um procurador, que lhe repassa informações. Um escândalo. O que faz o presidente? Expulsa o empresário de sua casa e o denuncia as autoridades? Não. Exclama, satisfeito: "Ótimo, ótimo".

Não é tudo, porém. Em menos de 40 minutos de conversa, o empresário ainda encontra tempo para se queixar de um ex-funcionário seu, atual ministro da Fazenda. Diz, com desfaçatez, que tem enfrentado resistência no ministro da Fazenda para conseguir a troca dos mais altos funcionários do governo na área econômica: o secretário da Receita Federal, a presidente do BNDES, o presidente do Cade e o presidente da CVM. Pede, então, que seja autorizado a usar o nome do presidente quando for novamente ao ministro da Fazenda com tais pleitos. O que faz o presidente? Manda-o embora, indignado? Não, de forma alguma. O presidente autoriza: "Pode fazer".

Este jornal apoiou desde o primeiro instante o projeto reformista do presidente Michel Temer. Acreditou e acredita que, mais do que dele, o projeto é dos brasileiros, porque somente ele fará o Brasil encontrar o caminho do crescimento, fundamental para o bem estar de todos os brasileiros. As reformas são essenciais para conduzir o país para a estabilidade política, para a paz social e para o normal funcionamento de nossas instituições. Tal projeto fará o país chegar a 2018 maduro para fazer a escolha do futuro presidente do país num ambiente de normalidade política e econômica.

Mas a crença nesse projeto não pode levar ao autoengano, à cegueira, a virar as costas para a verdade. Não pode levar ao desrespeito a princípios morais e éticos. Esses diálogos expõem, com clareza cristalina, o significado do encontro clandestino do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. Ao abrir as portas de sua casa ao empresário, o presidente abriu também as portas para a sua derrocada. E tornou verossímeis as delações da Odebrecht, divulgadas recentemente, e as de Joesley, que vieram agora a público.

Nenhum cidadão, cônscio das obrigações da cidadania, pode deixar de reconhecer que o presidente perdeu as condições morais, éticas, políticas e administrativas para continuar governando o Brasil. Há os que pensam que o fim desse governo provocará, mais uma vez, o atraso da tão esperada estabilidade, do tão almejado crescimento econômico, da tão sonhada paz social. Mas é justamente o contrário. A realidade não é aquilo que sonhamos, mas aquilo que vivemos. Fingir que o escândalo não passa de uma inocente conversa entre amigos, iludir-se achando que é melhor tapar o nariz e ver as reformas logo aprovadas, tomar o caminho hipócrita de que nada tão fora da rotina aconteceu não é uma opção. Fazer isso, além de contribuir para a perpetuação de práticas que têm sido a desgraça do nosso país, não apressará o projeto de reformas de que o Brasil necessita desesperadamente. Será, isso sim, a razão para que ele seja mais uma vez postergado. Só um governo com condições morais e éticas pode levá-lo adiante. Quanto mais rapidamente esse novo governo estiver instalado, de acordo com o que determina a Constituição, tanto melhor.

A renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que é melhor para si, mas para o país, esta acabará sendo a decisão que Michel Temer tomará. É o que os cidadãos de bem esperam dele. Se não o fizer, arrastará o Brasil a uma crise política ainda mais profunda que, ninguém se engane, chegará, contudo, ao mesmo resultado, seja pelo impeachment, seja por denúncia acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. O caminho pela frente não será fácil. Mas, se há um consolo, é que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro para percorrê-lo. O Brasil deve se manter integralmente fiel a ela, sem inovações ou atalhos, e enfrentar a realidade sem ilusões vãs. E, passo a passo, chegar ao futuro de bem estar que toda a nação deseja.
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Nildo Ouriques: Uma análise da conjuntura



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O escândalo e a cobertura de Temer


Menos de uma semana após comemorar seu primeiro ano à frente da Presidência da República, Michel Temer foi surpreendido ontem por informações veiculadas na coluna de Lauro Jardim, na edição online do jornal O Globo. Segundo a reportagem, o dono da JBS, Joesley Batista, gravou uma conversa na qual contou ao peemedebista estar pagando uma mesada ao deputado Eduardo Cunha, que atualmente está preso no Paraná, e ao doleiro Lúcio Funaro para que não fizessem delações premiadas, ao que Temer teria respondido: “Tem que manter isso, viu?” O material faz parte de um acordo de delação premiada assinado pelo empresário junto ao Ministério Público.

A coluna também revelou que Aécio Neves, presidente do PSDB, principal partido da coligação que sustenta o governo de Michel Temer, teria recebido R$ 2 milhões de reais de Batista. Ao acertarem a entrega do dinheiro, Neves teria comentado: “Tem que ser um que a gente mata antes de fazer delação”. A entrega teria sido filmada pela Polícia Federal e o dinheiro teria sido repassado a um assessor do Senador Zezé Perrella (PMDB-MG) – o dono do helicóptero que transportou 445 quilos de pasta base de cocaína apreendidos pela Polícia Federal em novembro de 2013. O delator também afirmou que o ex-ministro Guido Mantega seria o responsável por repassar pagamentos para parlamentares do Partido dos Trabalhadores e agiria como um “operador” junto ao BNDES.

As análises do Manchetômetro têm mostrado consistentemente um viés da grande mídia contrário ao PT. Esse viés favoreceu o PSDB na eleição de 2014 e vinha favorecendo Michel Temer, cujo governo a mídia trata de maneira bem mais benevolente do que tratou o de sua predecessora Dilma Rousseff. Mas as revelações do dia de ontem colocaram esse padrão de posicionamento da grande em cheque. A Rede Globo, campeã do antipetismo, foi responsável pelo furo que abalou o governo Temer e ameaça lançar Aécio Neves atrás das grades. Como explicar tal mudança brusca?

Neste artigo nos debruçamos sobre a cobertura que a grande mídia dedicou ao mais recente escândalo, logo em seguida a sua eclosão, no esforço de lançar algum sentido aos fatos. Para tal, é preciso antes colocar as coisas em perspectiva.

Cobertura de Temer: um ano de governo

Desde que Michel Temer tomou posse, o governo federal tem recebido tratamento bastante favorável por parte da grande mídia brasileira, especialmente se comparado ao governo de Rousseff, como já demonstramos em trabalho anterior. Mas será que podemos dizer o mesmo acerca da cobertura da pessoa de Michel Temer? Vejamos no gráfico abaixo como foi a cobertura do peemedebista desde sua posse até o dia 12 de maio, quando completou um ano de governo. O gráfico mostra o número de notícias publicadas nos três jornais estudados pelo Manchetômetro (Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, O Globo) e Jornal Nacional, agregadas em períodos de duas semanas.

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O noticiário político costuma ser formado majoritariamente por notícias neutras e contrárias. Como fica nítido no gráfico acima, em seus primeiros meses de governo, Michel Temer contou com certa boa vontade por parte da grande mídia – algo que já havíamos identificado na cobertura do governo federal e que a literatura de Ciência Política chama de Lua de Mel. Com exceção de sua segunda semana de governo, até o início de novembro, a cobertura do presidente foi majoritariamente neutra, e o número de notícias favoráveis a seu respeito esteve longe de ser desprezível, chegando a ultrapassar o de notícias contrárias. Ao final do ano de 2016, o número de notícias contrárias ultrapassa o noticiário neutro. Desde então, as duas curvas têm se mantido relativamente próximas, com proeminência mais frequente do noticiário contrário nas últimas semanas. As notícias ambivalentes e favoráveis, porém, continuam em patamar significativo – fato não verificado na cobertura de seus predecessores petistas – apesar dos péssimos índices de popularidade que o peemedebista tem mantido.

O caso revelado ontem pode representar uma alteração significativa do noticiário sobre Temer. Vejamos a seguir como as edições do Jornal Nacional e dos jornais impressos veiculadas após o escândalo repercutiram o vazamento da delação de Joesley Batista.

Jornal Nacional

“O Brasil mais uma vez em choque”: assim começou, na noite da última quarta-feira (17), uma edição histórica do Jornal Nacional. A primeira chamada tinha como personagem principal o Presidente da República, Michel Temer, acusado de envolvimento em esquema de corrupção. A gravação que deu origem à denúncia não foi exibida, diferentemente do que ocorreu no episódio do vazamento de áudios envolvendo o ex-presidente Lula e a então presidenta Dilma Rousseff. A fala de Temer foi lida pelo âncora William Bonner: “Tem que manter isso, viu?”. A notícia possuía potencial embaraçoso até para os âncoras e repórteres, que apresentavam visível insegurança nas falas e erros frequentes, como o Bonner que ao apresentar Temer, chamou-o de “ex presidente”. Sem dúvida, a divulgação recente dos acontecimentos afetou o desempenho dos jornalistas.

Além da pauta explosiva divulgada pouco mais de uma hora antes do início do Jornal Nacional, outra característica desta edição foi sua curta duração. Usualmente, o Jornal Nacional dura em torno de 40 minutos, chegando às vezes até a 1 hora. A edição da noite passada teve apenas 25 minutos e 34 segundos, ou 1.534 segundos, dos quais 802 foram dedicados ao caso de Temer e ao dono da JBS. É importante destacar que mais da metade deste tempo (540 segundos) foi dedicada a fala de correspondentes que entravam no ar diretamente de Brasília, na tentativa mal sucedida de trazer novas informações, seja do Supremo, da Câmara ou do Palácio do Planalto. No final das contas, a “notícia bombástica”, tal como a nomeou o telejornal, se resumiu a apresentações simplórias de trechos da notícia publicada no jornal O Globo, e ocupou um total de 262 segundos na edição.

Outra notícia do pacote da delação de Joesley teve como tema o áudio de Aécio Neves, Senador da República e Presidente do PSDB, pedindo 2 milhões de reais e o vídeo da entrega do dinheiro a seu primo, que foi por ele indicado para receber a propina (123 segundos). Em semelhança à cobertura sobre Temer, o Jornal Nacional se restringiu a apresentar as informações veiculadas pelo jornal O Globo e não mostrar áudios e vídeos. Das conversas transcritas, a que causa maior espanto foi aquela na qual Aécio comenta acerca de Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador, pessoa que receberia o dinheiro: “tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação”. Nenhum dos citados na notícia da delação de Joesley Batista recebeu espaço para o contraditório.

É provável que a ausência de uma cobertura mais elaborada seja justificada no pouco tempo entre a divulgação da notícia e o início do Jornal, porém outro ponto ganha importância na análise desta cobertura: os demais temas tratados nesta edição. Fato que não causará surpresa a um espectador atento do Jornal Nacional é que a única notícia nacional de teor negativo sem relação com Joesley Batista apresentada no programa tinha como objeto central o ex-presidente Lula. A ele foram dedicados especificamente 210 segundos de notícia – mais tempo que aquele dedicado a cobrir a gravação de Aécio Neves. 27 segundos da notícia foram dedicados a anunciar à derrubada da ordem de suspensão das atividades do Instituto Lula. O restante do tempo foi gasto em contrastar documentos do Ministério Público sobre o caso do triplex que apresentam agendamento de reuniões de Lula com os diretores da Petrobras e fragmentos do depoimento de Lula a Moro do dia 10 de maio no qual o ex-presidente afirmou ter tido apenas duas reuniões com tais diretores. Houve espaço para a defesa do ex presidente. Além deste espaço significativo na histórica edição do JN, Lula também foi citado no primeiro minuto do Jornal, durante as chamadas para as notícias mais importantes da edição, mesmo sem possuir ligação direta com a delação de Joesley Batista. Citado na delação, Guido Mantega é identificado pelo âncora como “ex-ministro dos governos Lula e Dilma”. É evidente que esta citação nos primeiros segundos do jornal, que não foi repetida quando da explanação do caso, é uma decisão editorial do Jornal Nacional.

Folha de S.Paulo

Proporcional ao impacto das notícias publicadas na noite de ontem (17), a Folha de S. Paulo teve a maior parte da capa da edição desta quinta-feira (18) ocupada com uma manchete e chamadas a respeito do caso JBS.

Considerando as páginas de opinião do jornal, entre as quatro colunas publicadas na quarta-feira (17), apenas aquela assinada por Bernardo Mello Franco tratava do julgamento no TSE da chapa Dilma-Temer. O autor, seguro de suas análises conjunturais, afirmou que “se Brasília não for atingida por um raio capaz de mudar este roteiro, restará saber de que forma o TSE vai “matar no peito” o julgamento”. Pois bem, na coluna de hoje, o mesmo autor afirma: “o raio acaba de cair sobre Temer”. Franco narra os últimos acontecimentos com tom fatalista, à prejuízo de Temer, e conclui apresentando as opções em alta nas rodas políticas: renúncia, impeachment e cassação via TSE: de fato, o raio caiu.

Os editoriais da Folha, por sua vez, não espelharam a massificação dessas notícias, tratando de outros dois temas, também em alta: Crise política de Trump e a ineficácia da polícia paulista. Ao fim, o humor também transmite seu recado sobre a maior empresa de carne bovina do mundo. Em uma charge intitulada “JBS – abatedouro nacional” o cartunista expõe peças de carnes penduradas com nome dos envolvidos no escândalo simulando o momento pós-abatimento, entre eles Temer, Aécio e Guido Mantega.

O Globo

O jornal carioca também dedicou a maior parte de sua capa à cobertura do novo escândalo. A manchete tem tom fatalista: “O país na incerteza: Temer é gravado ao dar aval a compra de silêncio de Cunha”. O texto relata o caso, e informa que Temer negou, em nota, as acusações. Uma imagem do presidente sozinho, sob um fundo negro, e de mãos espalmadas com a legenda “E agora?” ocupa quase toda a metade superior da página. Lê-se também abaixo da foto que o futuro do peemedebista é incerto na avaliação de políticos aliados e da oposição. Segundo o texto, Aécio disse que sua relação com Joesley era “só pessoal”.

Nas páginas de opinião do jornal O Globo, contudo, não há palavra sobre o novo escândalo. Um dos editoriais trata da “recuperação econômica”. O texto é inteiramente dedicado a criticar a política econômica implementada por governos petistas, destacar a importância do impeachment para a “reconstrução da economia” e tecer elogios ao governo Temer e sua equipe. O segundo editorial trata da crise política estadunidense. Na mesma página, lê-se na coluna de Carlos Alberto Sardenberg um texto intitulado “Do Lula que mandava ao que não sabia”, que versa ainda sobre o depoimento de Lula a Sérgio Moro realizado no último dia 10. Sardenberg dedica-se, em seu texto, a argumentar que Lula foi responsável por projetos não lucrativos da Petrobrás e do Banco do Brasil.

Na página seguinte, os colunistas Veríssimo e Demétrio Magnoli tratam da morte de Antonio Candido e das relações entre a China e a Eurásia, respectivamente. Já o articulista Chico D’Angelo faz uma defesa da Lei Rouanet e um elogio CPI que investigou sua aplicação. O segundo articulista convidado, João Luiz Mauad, critica ferrenhamente a política econômica dos governos Lula e Dilma e elogia a Operação Lava Jato.

Estadão

Seguindo a tônica adotada pelos outros jornais impressos, a capa do Estadão também foi tomada por notícias sobre o escândalo. Nas páginas de opinião, os articulistas convidados Roberto Macedo e Fernão Lara Mesquita tratam de criticar a política econômica e os programas sociais implementados por governos petistas. O segundo contém, inclusive, elogios a Michel Temer e sua equipe de economistas. Já em seus editoriais, o Estadão resolveu tratar de possíveis inconsistências no depoimento de Lula a Sergio Moro no que se refere a reuniões com diretores da Petrobrás, do problema da corrupção em presídios brasileiros (elogioso ao governo federal) e dos rumos da política econômica do governo Temer, também favoravelmente. Novamente, não há palavra sobre a polêmica ora envolvendo Temer.

Conclusão

É muito provável que as páginas de opinião dos jornais não tenham tido tempo ainda para reagir aos fatos ocorridos no final da tarde de ontem, e que editores optaram por estampar o assunto nas capas, para não parecerem defasados, mesmo que não tivessem material opinativo para disponibilizar a seus leitores. Mas essa particularidade revela claramente o paradoxo enfrentado pela grande mídia brasileira. Maior responsável pela redução da política à questão da corrupção, aposta na qual embarcou desde pelo menos meados da década passada, com a superexploração do escândalo do “Mensalão”, a grande mídia nacional também é apoiadora ferrenha das reformas neoliberais de Michel Temer, mais do que propriamente de sua figura política. As matérias das páginas de opinião analisadas acima mostram claramente a obsessão de editores e colunistas na defesa dessa agenda: ela dá o tom em todos os jornais impressos. Contudo, agora a mídia precisa resolver o problema da perda total de credibilidade daquele que levaria a cabo essa agenda, pois como os arautos midiáticos da “honestidade” podem defender aquele que é pego em gravação aconselhando uma pessoa sob investigação criminal de corrupção a continuar a cometer seus delitos, entre eles silenciar um ex-presidente da Câmara preso e comprar juízes e promotores?

Enquanto terminamos este artigo o Jornal Nacional reprisava uma cobertura altamente negativa em relação a Temer, mas que ao mesmo tempo mostrava o mandatário tentando uma reação por meio da coletiva que deu essa tarde. Se resolver revisar sua abordagem e voltar a se alinhar com Temer a grande mídia estará arriscando a pouca credibilidade que lhe resta. Temer se tornou radioativo. Aécio, um darling global, que era levemente desprezado pelos jornais paulistas, já é carta fora do baralho. Se Temer, agora lançado ao mar, não conseguir se recuperar, entraremos numa nova fase na crise política atual: a busca pelo salvador da pátria. E isso praticamente um ano e meio antes da próxima eleição. Façam suas apostas!
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Desenhando a queda de Temer e Aécio para os coxinhas


Na falta de outra coisa para dizer, os odiadores do PT, de Lula, da Dilma e da esquerda em geral, desde ontem, berram aos quatro ventos coisas como:

(1) E aí? Cadê a Globo golpista? (Porque quem revelou as delações foi "O Globo")

(2) E aí? Quem disse que a Lava Jato só existe para pegar o PT? (Porque acham que essa história tem a ver com a Lava Jato)

(3) E aí? Delação agora vale, quando é contra o PT não vale? (Porque enxergam semelhanças entre o falatório dos delatores da Lava Jato e as gravações do cara da JBS)

(4) E aí? Gravar a Dilma não podia, mas gravação do Temer vale? (Porque confundem um grampo irregular com um sujeito que grava uma conversa para se defender/incriminar alguém que lhe oferece risco)

Vamos lá.

1.

Lauro Jardim, o jornalista que revelou o conteúdo das gravações, não investigou nada, não descobriu nada. Essa história já vinha sendo tocada pelo MPF do DF, que acionou a PF para investigar. O resultado da investigação seria tornado público de qualquer forma, assim que chegasse ao STF para sua homologação. Repito: não era uma investigação de "O Globo". Quem daria a notícia primeiro era algo irrelevante. Calhou de ser o Lauro Jardim, porque ou caiu no colo dele, ou porque ele tem boas fontes entre os envolvidos na investigação — mérito dele, claro. Mas sua publicação não significa que "O Globo" mergulhou no caso porque faz um jornalismo investigativo, centrado no interesse do leitor e do país. Não foi "O Globo" que desconfiou na JBS e de suas relações com Temer, e saiu a campo para apurar algo. Os fatos revelados não são fruto da "imparcialidade" das Organizações Globo. Os fatos revelados são fruto de uma investigação do MPF.

2.

A Lava Jato não tem nada a ver com essas denúncias. O núcleo da PF e do MPF que tocou essa investigação não é o de Curitiba. O fato de o processo ter caído na mesa de Fachin, que também é relator dos processos da Lava Jato, é apenas uma coincidência. A Lava Jato segue sendo, sim, uma operação desastrada conduzida por um juiz despreparado que se dedica há três anos, sim, a incriminar o PT e os governos petistas. Os "efeitos colaterais" são, por exemplo, prisões e acusações a políticos de outros partidos, como Cunha. Aliás, desde o início da Lava Jato o que se vê é um fracasso retumbante do jornalismo investigativo brasileiro. Ninguém descobriu nada, ninguém foi atrás de nada. Tudo que foi/é publicado é fruto de vazamentos dos procuradores e do pavãozinho de Curitiba, que decidem o que querem que seja publicado e os jornalistas publicam feito cordeirinhos. Moro jamais incriminaria Aécio. Já deu mostras disso em vários interrogatórios. É famosa sua frase "não vem ao caso", num interrogatório qualquer, quando alguém citou gente do PSDB.

3.

Traçar paralelos entre as delações dos investigados na Lava Jato, como os empreiteiros e ex-diretores da Petrobras, e essa delação do dono da JBS é uma desonestidade. Todos que acusam Lula & cia. na Lava Jato, até agora, não conseguiram apresentar uma prova sequer contra o ex-presidente. Um deles disse que Lula mandou destruir as provas (!) e por isso, infelizmente, não poderia apresentá-las. A marqueteira que quer salvar o rabo inventou um rascunho de e-mail sem data, remetente ou destinatário. Os indícios sobre o tal triplex são risíveis: contrato sem assinatura, duas visitas a um apartamento, acusações vazias sem uma única prova concreta — aliás, ainda tento entender onde está o crime em se interessar por um apartamento na praia. No caso do dono da JBS, há: gravações, filmagens, malas de dinheiro rastreadas com chips, fotos da entrega da grana, locais, horários, nomes, sobrenomes. Provas tão concretas e contundentes que um dia depois de a denúncia chegar ao STF os envolvidos estão sendo presos, processados, afastados de seus cargos e os inquéritos estão sendo imediatamente abertos. Tudo que a Lava Jato não faz, porque se dedica a produzir gráficos ridículos de PowerPoint e adota a máxima "não temos provas, mas convicções", o MPF e a PF, no caso da JBS, fizeram: investigaram, produziram provas, incriminaram os criminosos.

4.

Moro grampeou uma presidenta da República ilegalmente, e divulgou as conversas igualmente de forma ilegal. Foi uma ilegalidade autorizada por um juiz. Grampo de uma presidenta em exercício. Bem diferente, completamente diferente, de um sujeito esconder um microfone no bolso para se defender de uma situação da qual se sente vítima, para provar à PF aquilo que contou. Joesley informou à PF que iria gravar a conversa que possivelmente incriminaria Temer e foi autorizado a fazê-lo. Não foi a PF que grampeou ilegalmente o telefone ou a casa do presidente da República. O empresário, em sua delação, acusou Temer de participar de ilegalidades. Foi lá, gravou e provou aquilo que delatou.

Portanto, bonitinhos e bonitinhas, poupem-nos — e por "nós" entendam aqueles que sempre apontaram para o caráter golpista do impeachment, para as ilegalidades da Lava Jato e para a escrotice da ex-imprensa — desse discursinho bobo sobre não ter "bandido de estimação", "eu quero que peguem todo mundo", "corrupto tem mais é que ir pra cadeia, mesmo".

Graças às suas panelas e camisetas da CBF, à sua raiva do PT, de Lula, de Dilma, às suas loas ao deus mercado, à infalibilidade da iniciativa privada, ao discurso de ódio contra políticas sociais, bolsas, auxílios aos mais pobres e tudo mais que um governo popular representa, uma presidenta eleita por mais de 54 milhões de pessoas foi arrancada do poder injusta e ilegalmente, um governo legítimo foi bruscamente interrompido, e foi com seu apoio, bonitinho e bonitinha, que criminosos sabotaram o país, paralisaram a economia voluntariamente um dia depois de Dilma derrotar Aécio, organizaram o caos.

Vamos pagar por vossa burrice e ignorância por algumas gerações.

Flavio Gomes
No Esquerda Caviar
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Rescaldo de um terremoto político


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Meirelles, ex-JBS, é um indecoroso


O senhor Henrique Meirelles, na notícia acima, mostra o quanto é um homem sem qualquer noção de decoro e moralidade.

Ou melhor, um homem com uma única fidelidade: aos donos do dinheiro.

Não lhe passa na cabeça vaidosa que pôde ser bem sucedido como auxiliar (grifo, para que se compreenda bem) no governo de Lula porque este governo tinha propósito e legitimidade populares.

A mídia, sempre generosa com o “mercado”, deixa passar quieto que Meirelles, mais do que ninguém, está metido até o pescoço neste caso da JBS, porque foi nada menos que presidente de seu Conselho de Administração.

Ou será que os irmãos Batista, apresentados como os grandes mutreteiros da carne, que traficam influência e dão mesada a Eduardo Cunha ao tratar com Meirelles eram ascetas dignos de figurar num altar?

Henrique Meirelles faz Armínio Fraga parecer uma “reserva ideológica”. Ao menos assume que está a serviço de um projeto, enquanto aquele quer ser visto como uma espécie de “açougueiro profissional”, disposto a cortar, sem piedade, gastos sociais que são, em última análise, a própria vida de seres humanos.

Sua “obra” está erguida sobre um mar de infelicidades, angústias, sofrimentos, desesperos de quase 15 milhões de homens e mulheres sem trabalho, no sucateamento dos serviços públicos com que, miseravelmente, ainda podem contar e nas portas cerradas ao futuro pelos 20 anos de arrocho que, pelas mãos aduncas de Temer e do lixo parlamentar que o apoiava, com que manietou o orçamento público.

Se a economia é uma guerra, o Sr. Meirelles é apenas um mercenário do capital, a serviço de quem quer que seja que o mantenha como “coronel” da economia.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Joesley compra Temer desde 2010!

Tem muito mais do que "é importante manter isso"...


Depois de a Globo Overseas Investment BV dar uma rasteira na Fel-lha, morta de inveja, o detentor do cobiçado troféu Conexões Tigre empurra o MT para o centro e o fundo da cloaca, a da República Federativa da Cloaca, que promove a eugenia racial na política de emprego e subemprego!

Anexo Temer

O empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, descreveu a relação com o presidente Michel Temer em anexo de sua delação premiada. Os documentos foram entregues à Procuradoria-Geral da República (...) O anexo 9 trata do presidente e tem como título: Fatos diretamentes corroborados por elementos especiais de prova Michel Temer.


No CAf
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