15 de mai de 2017

Versão de Mônica não bate nem com a do marido


Vídeo preparado pelo internauta Paulo de Andrade comprova a fragilidade do depoimento de Mônica Moura, que disse em sua delação premiada que seu marido, o publicitário João Santana, foi alertado diretamente pela presidente deposta Dilma Rousseff sobre a iminente prisão do casal pela Lava Jato.

Em sua versão sobre os fatos, Mônica Moura diz que a própria Dilma telefonou para avisar João Santana da prisão. E que quem a avisou foi o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Fomos avisados que foi visto um mandado de prisão assinado em cima da mesa de alguém na Polícia Federal", diz ela.

O problema é que João Santana, em sua delação, contradiz o depoimento de Mônica. "Nunca veio um alerto seja de quem fosse, de alguém do governo, dizendo 'olha, saiu o decreto'. Nós soubemos pela notícia", relata Santana, em referência à imprensa.

Assista abaixo aos dois trechos.



No 247
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O impasse do TSE: se quiserem cassar Dilma, têm de cassar Temer


O Ministério Público Eleitoral pediu, outra vez, a cassação da chapa Dilma-Temer.

O procurador Nicolao Dino quer que sejam anulados os votos, porque a campanha da chapa teria usado “caixa 2”.

Como todas as outras, aliás.

A de Aécio, a de Eduardo Campos que virou de Marina , a do presidente do Senado, Eunício Oliveira, a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Todos estão no “bololô” da lista da Odebrechte ninguém foi julgado por isso. A´té agora são todos apenas e igualmente investigados.

Mas a cruzada moralista quer cassar Dilma e, por isso, vai ter de levar Michel Temer junto, a menos que Gilmar Mendes opere o escandaloso “milagre” da separação de campanhas: os votos que elegeram Dilma estão conspurcados, mas estes mesmos votos elegeram Temer honradamente…

É claro que a cassação de Temer será pró-forma: basta um recurso ao Supremo Tribunal Federal para que ele continue no cargo.

Mas é um desastre político sem tamanho, porque o mundo saberá que o Brasil tem um presidente condenado à perda do cargo, que se mantém por um arranjo dos ministros da corte.

A alternativa é a eleição indireta de um presidente até janeiro de 2019 e não há dose cavalar de Rede Globo ou capas de Veja que façam o povo brasileiro aceitar que o lugar de presidente não seja ocupado por alguém ainda mais ilegítimo que o minúsculo Michel Temer.

O resultado é que vão jogar ainda mais lenha na fogueira do ressentimento-2018 e, se somarem a isso uma manobra para tornar Lula inelegível, farão dele – concorrendo ou não – o vitorioso do processo eleitoral.

O ódio é tanto que vão tomar uma gravíssima decisão – consumar o assassinato político com a ineligibilidade de Dilma – transformar o presidente já roto que temos em um molambo que segue na cadeira porque os “doutores data vênia” do STF decidem que “não vem ao caso” consumar o julgamento da corte eleitoral.

E a todas estas o Brasil afundando e se arreganhando para os interesses de um mundo de financistas daqui e de fora que nos quer fazer regredir ao estado de selva, com a ajuda dos doutos magistrados.

Que Deus proteja o Brasil de seus juízes e promotores!

Fernando Brito
No Tijolaço
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O estadista Bolsonaro


O Painel da Folha dá destaque à tentativa de Bolsonaro mudar sua imagem. E diz: "a ideia é construir um vestal de estadista para o deputado". 

Construir um vestal de estadista? Parece que a responsável pela coluna não conhece o sentido da palavra. Vestal era a virgem romana que cuidava do templo da deusa Vesta. Usa-se para falar de pessoa que quer passar por muito honesta. Certamente, o que os assessores de Bolsonaro querem é construir para ele uma implausível veste de estadista.

Páginas adiante, o jornal recupera o processo em que o então capitão Bolsonaro foi julgado no Supremo Tribunal Militar, em 1987. Não há nada de novo nas acusações; é da época em que Bolsonaro anunciava que ia praticar atos terroristas. A informação nova é o relato, nos autos, do comportamento do acusado, amedrontado feito um ratinho e pedindo desculpas a seus superiores. O que só confirma o que já se sabia: por trás de tanta bazófia se esconde um covardão.

A assessoria dele reagiu chamando a reportagem de "idiota", "imbecil" e "uma merda". Serão essas as vestes de estadista?

Luis Felipe Miguel
No Esquerda Caviar
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Nassif: o novo golpe sendo preparado


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Ciro Gomes deixaria candidatura à presidência por Aécio

 Em 2009 

Depois de um encontro com o governador Aécio Neves, em Minas Gerais, o deputado Ciro Gomes, do PSB do Ceará, afirmou que pode retirar sua candidatura à presidência se Aécio for candidato.



17/07/2009

Ciro Gomes diz que abriria mão de candidatura por Aécio


Amália Goulart e Marina Schettini

O deputado federal Ciro Gomes (PSB) admitiu ontem, ao visitar o governador Aécio Neves (PSDB) em Belo Horizonte, que abriria mão de sua eventual candidatura à Presidência da República se o mineiro vencer a disputa interna no ninho tucano e for lançado candidato. Ou seja, Ciro concorreria à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da silva (PT) somente se o seu desafeto político, o governador de São Paulo, José Serra, se tornar candidato pelo PSDB, em detrimento da candidatura de Aécio. Os dois tucanos disputam a vaga pela legenda. "O governador Aécio sendo candidato a presidente da República descomprime gravemente a necessidade estratégica de eu apresentar uma candidatura. Não quer dizer que não tenha que ser porque isto depende do meu partido", afirmou.

Segundo Ciro, o país estaria em boas mãos se a disputa ficasse entre o governador mineiro e a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Aécio retribuiu o gesto, afirmando que estará, compartilhando com Ciro seus ideais políticos, independentemente do lado que vão estar em 2010. "Independente do que ocorrerá no próximo ano, Ciro e eu estaremos muito próximos. Se pudermos construir algo juntos, tenho certeza de que será muito bom para o Brasil", afirmou o mineiro. Aécio disse que é preciso "um pouco de utopia" para "quem sabe" tornar o sonho de caminhar com Ciro realidade. "Utopia é nós podermos estar juntos em um projeto de Brasil", afirmou. Ciro e Aécio admitiram, no entanto, ser remota a possibilidade de comporem uma chapa em 2010.

Nos bastidores, o socialista estaria mesmo discutindo, no momento, a possibilidade de se candidatar ao governo de São Paulo em uma aliança com o PT. Ontem, ele não descartou a hipótese quando disse que "por enquanto" está tratando da candidatura presidencial.

Fontes ligadas às articulações garantiram que as negociações entre o socialista com o PT paulista estão adiantadas e que os afagos a Aécio são uma maneira de Ciro se cacifar politicamente.

Depois de se encontrarem em Belo Horizonte, o deputado federal e o governador mineiro seguiram juntos para Mariana para um evento oficial do governo mineiro. Não estava prevista a ida de Ciro, mas o governo estadual improvisou e até mesmo entregou uma medalha de condecoração ao socialista. Na ocasião, os dois voltaram a trocar afagos. Eles foram acompanhados pelo ex-presidente Itamar Franco (PPS).

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A cola

A ideia de reunir a turma 25 anos depois da formatura parecera ótima, mas o César se arrependeu de ter aceito o convite assim que viu quem sentaria ao seu lado na churrascaria. O Marçal. Logo o Marçal!

– E aí, velho?

– Tudo bem. E você?

– Quero saber tudo. Casado? Divorciado? Filhos? Netos?

– Casado. Dois filhos.

– Grande!

O Marçal o cutucara. Aquilo ele tinha esquecido. O Marçal cutucava.

O “grande” viera acompanhado de uma cutucada no braço. A cutucada doera.

– E você? – perguntou César, tentando se afastar do Marçal.

– Dois casamentos. O que é que eu estou dizendo? Três. Acabei de me divorciar da terceira. Nenhum filho. 

– É mesmo?

– Você não pensa que eu esqueci, pensa?

– Do quê?

– Da cola que você não me deu.

– Cola? Eu?

– Você não lembra? Claro que lembra. A cola que eu pedi e você negou. Por princípio. Lembra?

Outra cutucada. Mais forte.

– Não me lembro de nada.

– Lembra, lembra. Você era o primeiro da turma. Não me deu cola por uma questão de princípios. E ainda me deu uma lição sobre princípios. Por causa dos seus princípios, eu quase rodei no exame. Me formei ali, ali. Com as minhas notas baixas, sem qualquer recomendação, não tinha nenhum perspectiva depois da formatura. Fui trabalhar vendendo carros. E sabe o que eu sou hoje? Hein? Hein?

Cutucada. Cutucada.

– O quê?

– Milionário! Ao contrário de você que é... O que você é, mesmo?

– Advogado.

– Advogado, claro. Você se formou como primeiro da turma. Todas as portas se abriram para você. Aposto que é um advogado corretíssimo. Tem uma vida corretíssima, uma mulher corretíssima, filhos corretíssimos. Tudo que merece um homem de princípios. Grande!

– Pare de me cutucar.

– O quê?

– Não me cutuque! 

– Salsichão?

O garçom colocara um espeto entre os dois. César fez um gesto para Marçal.

– Você primeiro.

– Não, não. Você. Quem tem princípios, principia.

– Vamos esquecer essa história? Afinal, fazem 25 anos.

Marçal ficou em silêncio, olhando para o seu prato vazio. Não aceitou salsichão. Nem coração de galinha. Quando veio a picanha, virou-se para César e cutucou-o outra vez no braço. Desta vez, de leve. Pediu:

– Me fale da sua família. Da sua vida.

E confessou que quando vira o César na mesa pedira para sentar ao seu lado. Precisava saber tudo a seu respeito. Tudo. Numa boa. Sem ressentimentos. Como tinham sido os 25 anos com princípios do César, em contraste com os seus 25 anos sem princípios, em que fracassara em três casamentos, não tivera filhos, não fizera nada de útil, só enriquecera. O César se importava?

– Não – disse César. – Só não me cutuque.

Razão.

(Da série Poesia numa Hora Destas?!)

Você quer razão para um porre?

No fim deste corre-corre

– a gente morre!

Luís Fernando Veríssimo
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Temer mente descaradamente em propaganda oficial


Em tese, a publicidade oficial existe para que governos possam fazer campanhas de interesse público. Campanhas de saúde ou de trânsito, por exemplo.

No Brasil de Michel Temer, ela foi distorcida e se transformou em instrumento de propagação das mais deslavadas mentiras.

É o que ocorre, nesta segunda-feira, com a nova peça publicitária do governo federal.

Na campanha feira para celebrar seu primeiro ano de governo, Michel Temer, que é rejeitado por 92% dos brasileiros, enumera diversas mentiras.

Ele diz, por exemplo, que aqueceu a economia, quando o Brasil enfrenta os piores indicadores em dez anos. Na semana passada, por exemplo, o comércio divulgou a maior queda em 14 anos.

Temer afirma ainda que ampliou o investimento público em infra-estrutura, quando os dados oficiais revelam uma queda de 61%.

A campanha oficial também mente ao dizer que seu governo não gasta mais do que arrecada, quando entregou um rombo de R$ 179 bilhões no ano passado e deve repetir a dose neste ano.

Além disso, Temer, que tem nove ministros investigados, diz ainda ter ampliado a transparência na gestão pública e fortalecido a cidadania, ampliando assim os horizontes dos brasileiros.

As pesquisas, no entanto, revelam que nunca um ocupante do Palácio do Planalto foi tão rejeitado. E não há propaganda que resolva.

No 247
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Porque não há registros na conta de e-mail “2606iolanda@gmail.com”?


Há uma polêmica nas redes sobre se é falsa ou verdadeira a história dos e-mails da conta 2606iolanda@gmail.com, que a mulher de João Santana, o ex-marqueteiro, diz ter sido usada num mirabolante sistema de comunicação secreta, pelo qual, em teoria, deixar as mensagens como rascunho permitiria que o texto fosse lido em outro computador, em outro lugar, sem que “circulasse pela rede”.

Para começar, isso é uma tolice, porque, óbvio, para ficar acessível é preciso que o texto vá para os servidores do Gmail, que registram o IP (Internet Protocol, uma espécie de “RG eletrônico”) de onde foi criado e de onde foi acessado e lido o tal rascunho. Depois, porque não leva dois minutos e uma googlada para saber como criar e-mails piratas ou antirrastreio, se você que fazer algo clandestinamente.

secretomail

Há até uma curiosa forma do tipo “Missão Impossível” em que você obtém um endereço de e-mail que dura apenas 10 minutos e se “autodestrói” em  10 minutos. Coloco aí acima um exemplo, feito por mim, um leigo completo em “hackerias”, do “desaparecimento” do endereço de email.

Mas, além de haver meios de fazer que não a bobagem do rascunho, há outras coisas que chamam a atenção.

Na ata notarial que Monica Moura apresentou como prova, faltam informações que deveriam estar lá.

Acompanhe o passo a passo.

Dia 22 de fevereiro de 2016 – É criado o “rascunho” que se pretende prova. É o mesmo dia em que foi noticiada a ordem de prisão de Monica Moura, por volta de seis da manhã. Neste momento, com fuso de uma hora a menos, ela está na República Dominicana. Volta no dia seguinte e, em princípio, não tem acesso a computador desde então, a menos que transfira conta e senha para seus advogados.

Dia 13 de março de 2016– Anuncia-se a troca de advogado de Monica Moura: sai Fabio Tofic Simantob, contrário aos acordos de delação premiada, tal como são feitos hoje e entre Juliano Campelo Prestes, “especialista” em delações e, como quase todos os “especialistas” em delações, de Curitiba.

Dias 29 de abril e 1° de maio de 2016 – a conta de e-mail é acessada, conforme registro na caixa de entrada. Não é possível afirmar se algo foi deletado, sem ter sido aberta, na ocasião, a “lixeira”, que está oculta sob a aba “Mais⇓”, E nada apareceria, ainda assim, se tivesse sido usada a opção “excluir definitivamente”, que zeraria o armazenamento temporário. Neste caso, após uma pesquisa no servidor (ou servidores)  do Google e, assim mesmo, praticamente impossível hoje, um ano depois.

Dias 4 e 5 de maio  de 2016 a senha foi trocada e o Gmail registrou a mudança, que voltaria a acontecer no dia 12 de julho, véspera do registro em cartório do conteúdo da conta de e-mail, que teve uma atividade – partida de outro local que não se pode precisar, oito minutos antes do acesso que foi registrado notarialmente.

Perguntas óbvias:

1- Se, como diz Monica, Dilma tinha acesso à conta com a senha – que só mudaria em maio, dois meses e meio depois da prisão do casal – ela não teria apagado todo o conteúdo?

2 – Quem apagou os textos anteriores que Monica alega ter havido?

3- Se Dilma ou Giles Azevedo, seu assessor, como diz a empresária, tinham acesso à conta, porque não apagaram um texto do dia 22/2/16, data da divulgação da ordem de prisão do casal, cumprida apenas no dia seguinte?

4- Quem – e por qual razão – teve acesso ao site, trocou senhas e não teve interesse em deletar um rascunho escrito do dia em que a prisão se tornou conhecida?

Parece que tais perguntas, embora óbvias, não ocorreram aos doutos procuradores da República que interrogaram Monica e igualmente passam dispensadas por nossos jornalões.

Se este blog usasse os critérios de checagem das informações que usam eles,  o MP e o Ministro Edson Fachin – que homologa e libera para divulgação algo assim grave à honra de uma pessoa, sem exigir maiores verificações – eu teria arruinado até o meu tataraneto, tamanhas seriam as indenizações por dano moral.

Mas, como eu não sou criminoso nem delator, não posso acusar a quem eu quiser, nem como eu quiser.

Em compensação, posso pensar. E deixo para meus coleguinhas a tarefa de descobrir para qual escritório e com quais ligações autua o rapaz, que nem estagiário da OAB é, mandado ao cartório para produzir o polêmico documento.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Comigo não, barraqueiros!

Atônito, o país assiste ao barraco entre o Ministro Gilmar Mendes e o Procurador-Geral da República. O que espanta não são os argumentos, mas o baixo nível do embate. Não se trata de uma discussão jurídica, mas de uma verdadeira incontinência verborrágica. E agora, parece, tendo o Ministro esgotado seu primeiro pente de balas envolvendo a filha do Procurador-Geral no entrevero, quer, no uso do segundo pente, arrastar-me para a sua briga de fim de feira pela xepa.

Lembro o título de um conhecido livro autobiográfico, no qual o historiador alemão Joachim Fest relata ter recusado fazer parte do mainstream nazista no Terceiro Reich: "Ich nicht!", em português, "Eu, não!" Onde a opinião própria é reprimida pelo ódio coletivo estimulado por mídia de massa e pelas instituições que deveriam zelar pelos direitos fundamentais, é deveras difícil nadar contra a corrente, manter-se fiel às suas convicções. Quem experimenta rejeitar os falsos truísmos é castigado por intensa estigmatização na forma de bullying, mobbing ou bashing. Na internet, os ataques se dão por cyberbullying, agressões verbais destinadas a ferir sentimentos e desencorajar o debate. Sou forçado a me acostumar a isso, não sem elevado custo emocional. Faço-o por ser um cabeça-dura, que não se deixa dobrar quando tem certeza da correção de sua atitude.

Numa época em que a intolerância e a balbúrdia vêm se tornando norma de conduta no espaço público, o barraco entre um Ministro do STF e o Procurador-Geral da República não deveria causar surpresa. Causa, isso sim, desconforto e tristeza profunda assistir a tamanho rebaixamento das nossas instituições.

Aos fatos.

O clima entre as duas autoridades não anda bem há algum tempo. Mais precisamente, a partir do momento em que o chefe do Ministério Público não conseguiu evitar as investigações contra a turma falso-moralista da direita orgânica brasileira, representada por Aécio Neves, Aloísio Nunes Ferreira, José Serra et caterva. Enquanto o MPF vinha atirando apenas nos governos do PT e em seus aliados de sempre e de outrora, o Ministro não se incomodava. Na verdade, os pífios "elementos de convicção" até então expostos ao voyeurismo público, alimentado por uma mídia partidária e sem compromisso com o país, vinham a calhar para dar substância a processos que visavam, no TSE, à cassação do mandato e à inelegibilidade de Dilma Rousseff. Prestavam-se a aplacar a bronca do Ministro com a circunstância de o Senado, ao impedir a Presidenta, não ter cassado seus direitos políticos. Achava, de certo, que lograria fazê-lo no tribunal que preside, graças à mistura das ações ali em curso com os falsos achados da operação "Lava Jato". O Ministro não conseguia esconder sua "Schadenfreude", termo alemão que resume incomparavelmente o – amiúde mesquinho – comprazimento com a desgraça alheia. Uma vez relator do pedido do MPF de instaurar inquérito contra Aécio Neves, mudou de tom. Quis inviabilizar a iniciativa. A insistência de Rodrigo Janot impediu isso. Até as pedras sabem das afinidades entre Aécio e o Ministro Gilmar. Mas nada se fez a respeito. Por que será que o Procurador-Geral da República não opôs exceção de suspeição à época?

O primeiro confronto maior deu-se, porém, com a divulgação da lista de Marcelo Odebrecht, envolvendo oito ministros do governo golpista de Temer em supostas práticas de corrupção. Aos costumes, Gilmar não foi gentil. Acusou o Ministério Público de promover entrevista em off para antecipar ilicitamente a quebra do sigilo judicial sobre a lista. De imediato o chefe do MPF atestou ao Ministro "disenteria verbal" e "decrepitude moral". "Starker Tobak!" – literalmente, "tabaco forte", diria um alemão. No Brasil atual, diríamos: "É dose!". Os fatos são notórios e foram amplamente divulgados na mídia.

Em novo momento, o chefe do MPF resolveu arguir a suspeição do Ministro Gilmar Mendes para a relatoria de habeas corpus impetrado em benefício de Eike Batista. O Ministro Gilmar havia determinado a soltura do empresário, desagradando o Procurador-Geral. Agora, este lhe atribuía ter ignorado que sua esposa, Dra. Guiomar Feitosa Mendes, é sócia do escritório de Sérgio Bermudes, advogado de Eike. Por regra do CPC, o Ministro estaria impedido de atuar no feito, segundo o chefe do MPF.

A peça da Procuradoria-Geral da República foi de qualidade técnica sofrível. Confundiu suspeição com impedimento e incompatibilidade, demonstrando que o signatário não domina esses conceitos. Na minha experiência docente, qualquer aluno de Processo Penal em curso de Direito faria melhor. A aplicação analógica de institutos de processo civil no processo penal é muito problemática, pois cada disciplina tem seu marco normativo próprio e completo. Mas o pior é que o escritório de Sérgio Bermudes não patrocinava Eike Batista em feitos criminais. Já nos cíveis, tudo indica que a Dra. Guiomar não advogou.

Entre parênteses: o Procurador-Geral da República e o meio jurídico e político em geral conhecem bem as práticas controvertidas do Ministro Gilmar. Reúne-se com réus que deverá julgar, promove jantares para políticos, ostenta sem qualquer recato amizades e inimizades partidárias e opina na mídia sobre casos por decidir, sem cogitar no afastamento dos respectivos feitos. Reporta-se com pouca elegância a colegas e desafetos, longe do trato urbano e decoro que sua condição funcional lhe impõe.

Inúmeras foram as possibilidades do Ministério Público de enfrentar tais desvios de conduta. Ele poderia ter agido quando o Ministro concedeu provimento liminar para tornar sem efeito a posse de Lula no cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil de Dilma. Na prestação de contas da Presidenta Dilma Rousseff, a atuação do magistrado também foi tudo menos isenta. Mas nada aconteceu. Agora, no caso de Eike Batista, o chefe do MPF escolheu um caso fraco e ruim para mostrar sua musculatura. Para começar, a decisão do Ministro Gilmar motivadora da inconformidade do Ministério Público foi plenamente defensável. Estava mais que na hora de pôr freios ao abuso das prisões preventivas destinadas a extorquir delações. E, ao que tudo indica, nada o impedia de jurisdicionar. Houve-se o magistrado com raro equilíbrio. Fecham-se parênteses.

A resposta à ousadia do MPF não tardou. E o jogo foi baixo. A mídia simpática ao Ministro sugeriu que o Procurador-Geral também não poderia atuar, no âmbito da operação "Lava Jato", em casos da OAS, pois sua filha atuaria na defesa da empresa no CADE. Claro que o argumento era mais político que jurídico, pois não há hipótese clara de impedimento também aqui. Mas fez-se um carnaval ofensivo com esse factoide.

Insatisfeito, o Ministro Gilmar agora se reporta, em entrevista a "Veja", revista de baixo calão, à carta pública que escrevi há meses ao Dr. Rodrigo Janot, para lhe cobrar explicações (ou sugerir que me processe). Quer com isso acertar dois coelhos com uma cajadada. Insinua serem pouco republicanas as articulações do Procurador-Geral em benefício da sua indicação. Ora, ora. Jantares e encontros frequentados pelo Ministro Gilmar com e para Michel Temer, réu em processo em curso no TSE por ele presidido, certamente não são muito diferentes. Nem soou bem a viagem 0800 no avião presidencial com o réu, supostamente para as exéquias do ex-Presidente português Mário Soares em Lisboa, ainda mais que o Ministro sequer teria participado da programação oficial.

Articulações, conversas e encontros não autorizam dúvidas sobre a integridade do Procurador-Geral. São rotineiras em qualquer processo de indicação concorrida a cargos neste nosso Brasil. De encontros e articulações com esse fim participaram sem dúvida muitos dos colegas do Ministro para chegarem ao STF. Lembremos apenas o rega-bofe a bordo de uma embarcação-motel no Lago Paranoá, no qual Alexandre de Moraes conchavou com senadores que haveriam de questioná-lo dias mais tarde sobre sua aptidão ao cargo de Ministro do STF. O próprio Ministro Gilmar não teve dificuldades em se reunir a portas fechadas com o chefe do golpe Eduardo Cunha, contra o qual já corriam então investigações por corrupção no STF.

Portanto, não misturemos as coisas. Não tentem colocar na sua briga de feirantes quem nada tem a ver com ela. Virem-se, Senhores! Se quiserem puxar cabelo, escoicear, bicar, morder ou arranhar-se, não envolvam estranhos que orientam suas vidas por princípios mais elevados que os seus e não disputam com Vossas Excelências esse nefando espaço político onde nada se faz para socorrer nossa tão atacada e vilipendiada jovem democracia. Poupem-nos! Comportem-se como a sociedade espera dos Senhores, honrem as graves funções que desempenham. Se não tiverem apreço pelas essências, salvem, ao menos as aparências.

Eugênio José Guilherme de Aragão
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Temer é derrotado até em enquete do PMDB


Todas as pesquisas recentes – Vox Populi, Ipsos, Ibope e Datafolha – confirmam que a popularidade do golpista Michel Temer está quase beirando o zero. O Judas é um sujeito odiado pelo povo brasileiro. Suas maldades – como a PEC que congelou por 20 anos os gastos em saúde e educação e as contrarreformas trabalhista e previdenciária – são rejeitadas pela ampla maioria da população, inclusive pelos “coxinhas” que apoiaram o golpe dos corruptos que depôs Dilma Rousseff. Agora, uma pesquisa encomendada pelo próprio partido do usurpador, o PMDB, confirmou este desastre federal. Foi o maior mico!

Até o final da noite deste sábado (13), 97% dos consultados pela internet rejeitaram a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo covil golpista. A pesquisa foi feita pela Fundação Ulysses Guimarães, órgão de estudos da sigla. Dos 25.048 internautas que responderam à pergunta, 24.186 (97%) disseram ser contra a reforma. Apenas 397 pessoas, o equivalente a 2%, responderam ser a favor da proposta. Outras 381 (2%) disseram não ter conhecimento sobre a matéria e 84 preferiram não opinar. Diante do vexame, o picareta Carlos Marun (PMDB-MS), que presidiu a comissão especial que analisou o projeto, choramingou: “Uma enquete dessas é um excelente palco para atuação dos nossos adversários contra a reforma”.

A pesquisa pode dificultar ainda mais as tentativas desesperadas da cúpula do PMDB de fechar questão em favor da reforma. Muitos deputados e senadores da legenda têm se queixado que a votação favorável poderá ser mortal para suas pretensões de reeleição. Eles reclamam que têm recebido mensagens e telefonemas de eleitores revoltados. Também relatam situações cada vez mais constrangedoras em suas bases eleitorais, com pichações, cartazes e folhetos com os nomes dos “traidores” que podem votar contra a aposentadoria de milhões de brasileiros. A pressão direta, afirmam, está ficando insuportável.

Se a pressão já é grande sobre o partido do Judas, imagine nas outras legendas? Siglas da base governista, como o PSB e o Solidariedade, já anunciaram que votarão contra a reforma. No PSDB, que observa apavorado seus caciques afundarem nas pesquisas – o cambaleante Aécio Neves já cogita ser candidato a deputado federal tal é o seu desgaste –, vários parlamentares ameaçam se rebelar e votar contra o golpe na aposentadoria. A enquete feita pelo PMDB deve gerar ainda mais pânico nestes oportunistas. Também deve apavorar Michel Temer, que morre de medo até de fantasmas. Ele sabe que será descartado como bagaço pelos empresários que financiaram o assalto ao poder caso a reforma da Previdência não vingue ou fique muito desfigurada.

Em tempo: As nove centrais sindicais existentes no Brasil já decidiram "ocupar Brasília" no dia 24 de maio para reforçar a pressão sobre os parlamentares. Em todos os Estados, plenárias unitárias têm sido realizadas para preparar as caravanas. As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem a quase totalidade dos movimentos sociais brasileiros, também reforçarão a marcha a Brasília. Após a vitoriosa greve geral de 28 de abril, esta mobilização será decisiva para mostrar a força da união dos trabalhadores. Ela, porém, não descarta a necessária e urgente pressão direta sobre os deputados e senadores em suas bases eleitorais. Escrachos, pichações, cartazes, telefonemas, e-mails e outras formas de contato pessoal costumam apavorar os parlamentares, que só pensam em seus mandatos. É preciso infernizar a vida dos bandidos que estão prestes a roubar a aposentadoria dos brasileiros!

Altamiro Borges
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