5 de mai de 2017

Encontro com Mujica



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Rede Globo veta propaganda contra reforma da Previdência na final do Mineiro

Central Única dos Trabalhadores iria comprar placa de publicidade no Independência para criticar reforma proposta pelo governo Temer


A ideia da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de publicizar a luta contra a reforma da previdência na final do Campeonato Mineiro, no domingo, entre Atlético e Cruzeiro, foi frustrada na tarde desta sexta-feira (5) pela "Rede Globo", detentora oficial dos direitos de transmissão do torneio. De acordo com a presidente da CUT de Minas, Beatriz Cerqueira, em publicação no Facebook, o acordo entre entidade e o Galo, mandante da partida, já estava selado, mas a TV, de última hora, negou autorização.

Em contato com a reportagem, Cerqueira confirmou que o acordo estava certo entre a CUT e uma empresa que faz a intermediação para os patrocínios dos jogos. "A emissora vetou argumentando 'cunho político'", disse.

Pelo Facebook, ela agradeceu o Atlético e criticou a postura da emissora. "Passando por aqui para agradecer ao Clube Atlético Mineiro pelo respeito ao nosso material e a nossa luta! Compraríamos uma placa de anúncio no Independência para o próximo jogo. O Clube, que tem o mando de campo, deu ok. Tudo certo! Mas a TV que vai transmitir o jogo não autorizou. "Mídia democrática", hein!?", escreveu.

O texto que seria exibido na peça publicitária dizia: "Morrer sem se aposentar: é isso a reforma da previdência. Diga não!". A reportagem entrou em contato com as assessorias do Atlético e da "Rede Globo", mas, até o momento, não houve resposta.

Lucas Ragazzi
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Superintendente da Polícia Rodoviária Federal de SC pede exoneração por pressão política


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O Correio Braziliense tem de responder pelo crime de divulgar o endereço de José Dirceu. E quem vazou?

Dirceu cercado na garagem
Foto Dida Sampaio/Estadão
José Dirceu foi cercado por mais de uma centena de pessoas ao chegar ao edifício onde foi morar em Brasília ao sair da prisão.

Foi na noite de quinta, dia 4.

Fascistas do “movimento” Nas Ruas invadiram a garagem, deram socos no carro e gritaram “ladrão”, “vagabundo”, “filho da puta”, “maldito”, “volta pra cadeia” etc.

Um pixuleco foi erguido em frente ao prédio. Faixas elogiando Moro e a Lava Jato eram portadas.

A extremista Joice Hasselmann foi até lá gravar um vídeo se jactando de estar na frente da casa da “mente criminosa do PT”. Mostrava as crianças (“que beleza”, dizia ela).

Se Dirceu não tivesse proteção policial, seria linchado. Deus sabe o que poderia ocorrer com a mulher Simone Patrícia Tristão Pereira e a filha Maria Antônia, de 6 anos.

Fotógrafos e cinegrafistas estavam presentes, registrando para a posteridade aquela excrescência.

Invasão de propriedade privada é crime previsto no artigo 150 do Código Penal. Mas eles podem.

Como descobriram o destino de Dirceu?

O Correio Braziliense conseguiu dar uma matéria com o serviço completo: nome do bairro, foto, descrição da vizinhança. Não havia como errar.

É crime, também.

O artigo 153 do Código Penal prevê pena de um a quatro anos de detenção, mais multa, àquele que “divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou não nos sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública”.

Às 19h daquele dia, a colunista Vera Magalhães, do Estadão e da Jovem Pan, fez piada no Twitter: “Melhor é o advogado do Dirceu pedir sigilo do endereço. Galera do WhatsApp já postando foto da quadra, manifestação na janela… inocentes”.

O que Vera sugeriu de maneira debochada, cruel e irresponsável já havia sido feito.

Roberto Podval, defensor de Dirceu, encaminhou uma petição a Sergio Moro requerendo que o endereço permanecesse “em sigilo, para o fim de se evitar tumultos”.

Quem vazou os dados? Algum dia saberemos? Precisamos de provas ou bastam convicções?

No país dos “cidadãos de bem”, é permitido, desejado e estimulado que se atropelem a lei, a democracia e o estado de direito em nome de um certo combate à corrupção.

O juiz em nome de quem esses criminosos agem já os absolveu a priori. A Justiça é para você.



Kiko Nogueira
No DCM
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Outra carta da Dorinha

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, não revela sua idade e diz que não comemora mais aniversário “para não banalizar a data”. Nega, no entanto, que ela e o Ruy Barbosa “ficaram” durante uma festinha no Catete. Depois de tantas plásticas Dorinha está pensando em fazer um teste de DNA para saber se ela ainda é ela, pois desconfia que só o que sobrou de autêntico foi o botox. Dependendo do resultado do teste, se lançará como candidata à Presidência da República, já que a Lava Jato respingou em todos os possíveis candidatos homens e, segundo Dorinha, se a História do Brasil prova alguma coisa é que presidente homem não dá certo. “Cromossomo não é neurônio” é outras das suas frases de campanha; Ela procura o apoio de uma sigla decente, já que as indecentes estão todas comprometidas. Espera formar uma coligação, sendo esta a primeira vez na sua vida em que pede uma aliança sem precisar dizer que está grávida. Sua campanha... Mas deixemos que a própria Dorinha nos conte. Sua carta veio, como sempre, escrita com tinta roxa em papel violeta, cheirando a “Mange Moi”, um perfume condenado pelo Vaticano.

“Caríssimo: beijíssimos! Sim, minha campanha está nas ruas, seguida, por enquanto, apenas pelos cachorros. Nas pesquisas estou empatada com não sabem ou não quiseram opinar. Mas as pesquisas são falhas: ignoram um grande segmento da população, formado por todos os meus ex-maridos. (No momento, por sinal, estou livre como um táxi, e só aceitando corridas curtas). Contratei um marqueteiro para orientar minha campanha, mas o despedi depois que ele sugeriu que eu me apresentasse com os netos, para ganhar o voto coisa mais fofa. Eu sempre disse que netos são iguais às rugas para mostrar a idade, com a diferença que para as rugas tem cremes. Vou cuidar da minha própria imagem na TV, expondo meu ideário político e econômico (por exemplo: sempre achei que não há nada de mal com a concentração de renda se for feita com bom gosto) e os meus seios. Quero ver um candidato homem fazer o mesmo sem recorrer ao silicone. Para concorrer em 2018, só sobrarão candidatos que a Odebrecht não quis comprar, o que nos leva a indagar se não tem algum defeito. Sobrarão candidatos probos e retos. Quer dizer, tão chatos que, quando falam em comícios, o público aplaude microfonia. Enfã, estou na luta e espero o seu voto. Da tua Dorinha”.

Luís Fernando Veríssimo
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Paulo Pimenta: o Golpe 2.0





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O palhaço, o capitão e os caciques: um painel da Reforma Política que quer quebrar tudo em Brasília


A reforma política que está sendo discutida na Câmara pode dar uma bem-vinda sacudida no nosso sistema eleitoral, mas, infelizmente, é cedo pra comemorar. Essa é a sexta comissão montada na Casa para debater o tema desde 2003, a segunda nesta legislatura, poucos avanços de fato ocorreram, então já dá pra ver que o tema é espinhoso. Para que vigorem em 2018, as mudanças têm de ser aprovadas antes de outubro e  quem vai acatá-las ou rejeitá-las são os congressistas que historicamente se beneficiam do sistema como ele é.

As evidências de que é hora de uma funilaria geral na forma como escolhemos nosso líderes são várias, mas podemos começar de maneira singela, refletindo sobre o termo Tiririca. Atualmente ele tem três acepções. É o apelido de um palhaço deputado (não confundir com deputado palhaço), uma resistente erva daninha, e um dos fenômenos mais debatidos no sistema eleitoral brasileiro: o Efeito Tiririca.

Nos idos de 2010, Tiririca (o palhaço) abalou o mundo político ao se eleger com mais de um milhão de votos e garantir ao seu partido, o fisiológico PR, outras três cadeiras (e meia) na Câmara. Em 2014, ele repetiu a façanha, levando consigo figuras como o Capitão Augusto e seus míseros 46 mil votos. A despeito da mirrada popularidade, o PM teve o mérito de trazer alguma galhardia a Brasília. Defensor da ditadura, ele dá expediente de farda, com direito a medalhas e condecorações (Bolsonaro deve ruborizar sempre que o colega adentra o recinto).

17/04/2016- Brasília- DF, Brasil- Sessão especial para votação do parecer do dep. Jovair Arantes (PTB-GO), aprovado em comissão especial, que recomenda a abertura do processo de impeachment da presidente da República. Na foto, Dep. Tiririca (PR-SP).Foto: Nilson Bastian/ Câmara dos Deputados
O deputado Tiririca (PR-SP) votação na Câmara em 2016. Foto: Nilson Bastian/ Câmara dos Deputados
Foto: Nilson Batista/ Câmara dos Deputados
Então criou-se o mito do Efeito Tiririca: puxadores de voto que arrastariam multidões ao Congresso. Coleguinhas jornalistas fizeram as contas e chegaram a números assustadores. Em 2014, apenas 7% dos deputados haviam sido eleitos com votos próprios. Seriam 36 deputados, num total de 513. Só que sabe como é, jornalista fazendo conta é sempre um treco perigoso, e a coisa não era bem assim.

O cálculo que se fez foi dividir o número de cadeiras pelos votos válidos, chegando-se a um quociente eleitoral. Cada vez que atinge esse quociente, um partido tem direito a uma cadeira. Até aí tudo bem. O problema é que o quociente é uma média.

Quando alguns poucos políticos recebem uma quantidade muito grande de votos, a média se desloca para cima. Como consequência, a maioria, que recebe votações mais normaizinhas, fica abaixo dela. Isso, em si, não pode ser considerado um problema, se a escolha do eleitor estiver sendo respeitada. E, pasmem, ela está.

Isso ficou claro numa pesquisa feita pelo cientista político Márcio Carlomagno, considerando as eleições de 2008 a 2014. Ele comparou os políticos mais votados com os que de fato terminaram eleitos e concluiu que a diferença era muito pequena. No caso da Câmara, 92% dos que conquistaram cadeiras estavam entre os mais votados. Só uma minoria de 8% foi arrastada por puxadores de voto. “Essa ideia de que eu voto em um e outro é eleito se tornou senso comum e colabora pro descrédito com a política”, disse. “Mas na verdade não passa de um fenômeno residual.”

Ah, ufa, que bom, né? Bem, não exatamente. Primeiro porque lá se vai uma boa desculpa para termos o nosso Congresso burlesco. Segundo porque puxar votos é apenas uma faceta do fenômeno Tiririca. A outra, essa, sim, mais relevante, diz respeito ao personalismo que nosso sistema estimula.

Ao longo das décadas, o modelo brasileiro evidenciou o candidato em detrimento do partido, o que faz surgir figuras famosas, bizarras e caricatas, que se fixam na cabeça do eleitor. A persona  pública vale mais do que as propostas apresentadas. Em parte por conta disso, partidos lançam vários nomes que concorrem entre si, ajudando a criar um sistema de caos que, nas eleições passadas, contou com 463.375 candidatos a vereador.

E para organizar esse circo?

Diante de toda essa confusão não seria mais fácil simplesmente eleger os mais votados e fim de papo? Bem, não exatamente. Porque aí, no sistema batizado de “distritão”, aparecem outras distorções. Primeiro, as minorias perdem espaço. Uma vez que vale a voz da maioria simples, e que os humanos tendem a escolher representantes que defendam seus interesses, ficaria quase impossível eleger um político que lutasse pelo direito dos homossexuais, por exemplo.

Além disso, os votos que não vão para o vencedor são simplesmente dispensados. Por isso siglas podem ter uma multidão de eleitores e mesmo assim acabar sem representação. Em 1993, por exemplo, numa eleição desse tipo, o partido “Progressista Conservador” do Canadá conquistou 16% dos votos, mas só 0,7% das cadeiras. Essa não parece, portanto, a melhor saída. Mas, afinal, há alguma saída?

A proposta que a Câmara está debatendo traz algumas e não são das piores. Sim, o relator do pré-projeto, deputado Vicente Cândido (PT/SP), tem lá suas fraquezas. Saiu a público dizendo que uma anistia geral da politicada não seria má ideia, deixou fora do relatório a criminalização do caixa 2 e, ainda que não seja adepto da moda hipster, se acha no direito de envergar seu grisalho bigodinho em rede nacional. Apesar disso, o esboço de reforma que ele propõe parece bem intencionado.

Brasília - O relato, deputado Vicente Candido, apresenta parecer sobre reforma política em comissão especial sobre a matéria na Câmara dos Deputados (Wilson Dias/Agência Brasil)
Deputado Vicente Cândido (PT/SP)apresenta parecer sobre Reforma Política em comissão especial na Câmara dos Deputados
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Um dos pontos centrais é a migração para o voto em listas fechadas. Nele, os partidos divulgam seus candidatos organizados numa ordem fixa. Os eleitores escolhem a legenda e os votos são distribuídos entre os políticos naquela ordem predeterminada. Hoje, apesar de pouco se falar, o Brasil já usa um sistema de listas para eleger vereadores e deputados. Só que são listas abertas. O candidato é eleito por uma mistura de votos dirigidos a ele e ao partido. Quanto mais votos um partido recebe, mais nomes ele emplaca. E quanto mais votos um candidato recebe, mais alto na lista do partido ele fica posicionado.

Com a mudança para lista fechada, uma vez que a ordem da quadrilha é decidida antes do pleito, há esperança de que as siglas ganhem força e propostas passem a valer mais do que nomes. De que, em vez de apostar em Tiriricas e Russomanos, os partidos possam acabar impelidos a criar planos de governo, investir em identidades ideológicas, enfim, a fazer política. Para isso, segundo especialistas, seria necessário que se aumentasse a participação popular nas agremiações, com realização de prévias ou algo parecido, evitando que alguns “caciques” dominem o processo.
Eles vão se esconder atrás do quê, afinal? Do incorruptível PMDB? Do vestal PT? Do impoluto PSDB? Não parece a melhor das estratégias.
“Ah, mas é isso. Coisa de corruptos que querem se reeleger para sempre”, dirá o leitor impaciente. “É o povo da Lava Jato que quer esconder a cara e o nome atrás do escudo dos partidos”. O argumento pode até ser interessante numa primeiro momento. Mas não vai longe.

Eles vão se esconder atrás do quê, afinal? Do incorruptível PMDB? Do vestal PT? Do impoluto PSDB? Não parece a melhor das estratégias. E pior, não parece que alguém precise de estratégia? É só abrir o jornal. A lista do Fachin está aí: Renan Calheiros, Aécio Neves, Rodrigo Maia, foram todos escolhidos, re-escolhidos e escolhidos de novo. Democraticamente. O paradigma da corrupção, o Pelé do cambalacho, o Michelangelo da cara-de-pau, Fernando Collor de Mello, foi conduzido ao Senado pelo sistema eleitoral vigente. Duas vezes! E o pobre Tiririca não tem nada com isso.

Ao longo das 27 páginas em que esboça a reforma, o relator enumera outras vantagens do sistema em listas fechadas. O espaço para desvios e caixa 2 diminuiria, já que, em vez de fiscalizar meio milhão de candidaturas, como nas últimas eleições, o Tribunal Superior Eleitoral teria de monitorar apenas 35. Uma para cada partido.

O baixo índice de mulheres no Parlamento, atualmente em 9,9%, também poderia ser resolvido ali. Os partidos seriam obrigados a alternar o gênero a cada três candidatos, o que, no cenário atual, seria o equivalente a uma indicação feminina para cada três masculinas.

Por fim, claro, lá está o fator econômico. Afinal, sai mais barato criar campanhas para três dezenas de partidos do que para milhares de candidatos. A preocupação faz sentido. As eleições brasileiras estavam entre as mais caras do planeta e, em 2014, custaram aos partidos, sem contar os caixa 2, R$ 5,1 bilhões – ou o equivalente ao PIB do Suriname. Então veio a Lava Jato e nossa! O povo descobriu que as empresas que distribuíam essa dinheirama toda não eram apenas entusiastas da democracia. Elas cobravam favores em troca.

Título de eleitor
Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
O Supremo Tribunal Federal proibiu a doação de empresas para campanhas e os gastos eleitorais (descontando-se os caixa 2) despencaram para R$ 3 bilhões, ou o equivalente ao PIB da Guiana. O problema é que as eleições em que se escolhe presidente e governador são mais custosas e ninguém sabe como essa conta será paga.

O esboço da reforma propõe uma solução: financiamento público, através de um fundo com 2 bilhões de reais. Aliás, a reforma propõe solução para quase tudo (bigodes inapropriados à parte). As coligações, que fazem os partidos se aliarem com a ideologia que for (PCdoB beijando a boca do PR, Guilherme Boulos agarrando Regina Duarte), seriam proibidas nas eleições para deputados e vereadores.

A fim de diminuir a “barganha política”, os cargos de vice seriam extintos (esse deve ser o ponto predileto de Dilma). Não haveria mais reeleição e os mandatos passariam a durar cinco anos. Os parlamentares eleitos não poderiam deixar seus postos para ocupar cargos no Executivo. Por fim, após as duas primeiras eleições em lista, o sistema evoluiria e metade dos candidatos migraria para o sistema distrital misto. Nele, cada Estado ou município seria dividido em regiões menores e o eleitor escolheria um número reduzido de candidatos (talvez apenas um). Mais gente se lembraria em quem votou, o que ajudaria a aumentar a fiscalização e a cobrança por parte da população.

Ufa! Pareceu muita coisa? Um tanto messiânico, visto que só um ano e meio nos separa das próximas eleições? Pois essas são só algumas das propostas do texto de Cândido e isso tem despertado críticas. Ele parece amplo e profundo demais para haver consenso. Verdade que faz parte do jogo expandir as possibilidades para depois ir cedendo daqui, cortando de lá, até por fim aprovar o que for possível. Nesse caso, contudo, há um complicador.

Como foi dito lá em cima, o pessoal encarregado de levar a coisa a cabo é o mesmo que domina o sistema atual. O clássico problema democrático de legisladores relutando em cortar na própria carne. Em outras palavras, seria mais ou menos como achar que PCC, Comando Vermelho, Família do Norte e outras dezenas de facções criminosas poderiam sentar numa mesa em Brasília e resolver o caos dos presídios brasileiros. Bom, não custa tentar, não é mesmo?

Tomás Chiaverini
No The Intercept
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Aula Pública Opera Mundi: imprensa sabe cobrir questões dos direitos humanos?

Ana Luisa Gomes, doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP e curadora do prêmio Vladimir Herzog, explica como os meios de comunicação integram as dinâmicas sociais e são necessários para ajudar a dar publicidade a direitos básicos




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WikiLeaks: A CIA assume o controle dos navegadores no escritório

O WikiLeaks publicou sexta-feira uma nova infiltração, que revela como o malware chamado Arquimedes, usado pela CIA. Esta ferramenta permite tirar rapidamente o controle dos computadores em uma rede local (LAN), passando-se como uma sessão comum de navegador de Internet.

Normalmente as LANs são instaladas em conjuntos de vários dispositivos dentro de escritórios, mas também são usadas ​​por alguns usuários em suas casas.

A CIA espiona o histórico dos navegadores web dos usuarios

O malware infecta uma rede de computadores e envia o navegador neste computador para um servidor especial que procura vulnerabilidades enquanto o usuário não vê nada de suspeito. Desta forma, a CIA pode se infiltrar em redes locais para controlar e afetar os computadores que comp0õem a rede, diz o WikiLeaks.

Sobre a infiltração do Arquimedes, o WikiLeaks publicou um manual sobre o uso, elaborado pela CIA, e três anexos assim como o manual do programa malicioso Fulcrum, que permite a utilização de um computador infectado para afetar outro dispositivo de uma rede local, bem como espionar comunicações de tráfego HTTP dos computadores afetados. Isto é, o programa espiona o histórico dos navegadores web e permite ver as páginas que você visita.

Esta publicação faz parte de uma espionagem de grande escala dos arquivos de armas cibernéticas da CIA chamado Vault 7.

Outros vazamentos anteriores do WikiLeaks revelaram entre outras coisas que:

- A ferramenta Scribbles da CIA permite marcar e rastrear documentos criados com o software Microsoft Office filtrados por informantes ou roubados por "oficiais de inteligência estrangeiros".

- A ferramenta Weeping Angel da CIA pode gravar, enviar e armazenar áudio através do microfone incorporado nas TVs inteligentes da série F da Samsung.

-O software Dark Matter é projetado para infectar produtos da empresa estadunidense Apple, mesmo depois de apagado o disco rígido e reinstalado o sistema operacional do dispositivo.

- O programa Marble disfarça os hackers da CIA, impedindo investigações legais e atribuindo ataques cibernéticos a vírus e cavalos de Tróia.

- Desde de outubro 2014 a CIA estuda a possibilidade de infectar sistemas de controle de modernos veículos para "fazer assassinato indetectável" caminhões.

O programa malicioso Hive é usado pela agência para enviar informações desde máquinas atacadas pela CIA e permite seu controle para executar tarefas específicas.

-A ferramenta Grasshopper, indetectável pela maioria dos programas antivírus, se destina a criar dados prejudiciais individualmente para o sistema Windows.
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Gilmar, Toffoli não tira blog do ar!

Justiça não pode derrubar o jornalismo digital


Do Poder360, de Fernando Rodrigues:

Justiça não pode tirar blogs e sites do ar, decide Dias Toffoli, do STF

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli concluiu em uma decisão liminar (provisória) que a Justiça não pode determinar a retirada do ar de blogs e sites sob pena de impedir a atividade jornalística. Toffoli suspendeu uma decisão judicial do Mato Grosso do Sul que havia determinado a exclusão da internet do “Blog do Nélio”, do jornalista Nélio Raul Brandão.

“Toda a lógica constitucional da liberdade de expressão e da liberdade de comunicação social aplica-se aos chamados ‘blogs jornalísticos’ ou ‘jornalismo digital’, o que resulta na mais absoluta vedação da atuação estatal no sentido de cercear, ou no caso, de impedir a atividade desempenhada pelo reclamante”, afirmou Toffoli na decisão favorável ao jornalista. Leia a íntegra da decisão.

Ao determinar que o blog fosse retirado do ar, o juiz Paulo Afonso de Oliveira, da 2ª Vara Cível de Campo Grande, havia atendido a um pedido da ASMMP (Associação Sul Mato-grossense dos Membros do Ministério Público). A associação alegou que informações publicadas no blog não eram verídicas.

Também foi argumentado que o jornalista teria descumprido determinações anteriores da Justiça para que se abstivesse de veicular textos com conteúdo considerado pejorativo ao MP do Mato Grosso do Sul e a seus integrantes. Conforme a decisão do juiz, se o blog fosse mantido no ar, o jornalista poderia ser preso.

Em seu despacho, Toffoli citou julgamento no qual o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu o amplo direito à liberdade de imprensa e afastou a possibilidade de controle prévio das publicações. Conforme a decisão do STF, esse controle deve ser feito após o exercício livre da atividade jornalística.

Para o ministro, a decisão da Justiça do Mato Grosso do Sul resultou em “inaceitável prática judicial inibitória e censória da liberdade constitucional de expressão”.

“Há plausibilidade na tese de que a determinação de retirada do domínio eletrônico ‘Blog do Nélio’ do ambiente virtual, sob pena de prisão do profissional em caso de descumprimento, constitui intervenção vedada ao poder de polícia estatal perante eventuais abusos no exercício da liberdade de manifestação de pensamento”, disse Toffoli.

“Note-se que a decisão reclamada impede, inclusive, a veiculação de notícias outras que sequer têm relação com as notícias que deram ensejo ao ajuizamento da ação”, completou o ministro.

Essa decisão de Dias Toffoli é um marco na jurisprudência sobre liberdade de imprensa e opinião no país. Como se trata – apesar de provisória – de uma posição do Supremo Tribunal Federal, a tendência é que esse entendimento possa ser seguido pelas instâncias inferiores da Justiça.

No CAf
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Temer, Aécio e a bancada dos sujos no STF

O site ‘Congresso em Foco’ publicou nesta quarta-feira (3) um levantamento que até mereceria destaque no Jornal Nacional da TV Globo. Mas, lógico, “não vem ao caso”, como diria o juiz Sergio Moro. Segundo a reportagem, assinada por Joelma Pereira, PMDB e PSDB lideram a bancada dos senadores investigados pelo Supremo Tribunal Federal. O título da matéria é sacana – destaca Renan Calheiros e omite o nome do Judas. Mas o conteúdo é revelador. “Dono da maior bancada no Senado, o PMDB, do presidente Michel Temer, lidera o bloco dos investigados: 11 dos 22 peemedebistas respondem a inquéritos (investigações preliminares que podem resultar em processo) ou ações penais (processos que podem terminar em condenação) na corte. Desses, nove são alvos da Operação Lava Jato. Entre eles, o atual e o ex-presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Renan Calheiros (PMDB-AL)”.

Ainda de acordo com a matéria, “o PSDB, dono da segunda maior bancada no Senado, com 11 senadores em exercício, tem sete dos seus senadores enrolados no STF. Todos eles são suspeitos de participar do esquema de corrupção da Petrobras ou de receber dinheiro de origem ilícita de empreiteiras. Apenas Aécio Neves (MG), presidente da Executiva Nacional do partido, acumula sete inquéritos no tribunal. A sigla tem mais um nome envolvido e que não está contabilizado entre os sete, trata-se do senador Aloysio Nunes (SP), que atualmente comanda o Ministério de Relações Exteriores”. O PT surge em terceiro na lista – com quatro dos nove senadores petistas respondendo a investigações. Se estivesse em primeiro lugar, com certeza o levantamento seria destaque no JN.

O levantamento do site confirma que o sistema político brasileiro – nutrido pelos recursos privados de poderosas empresas – está podre e precisa urgentemente ser mudado. “Pela primeira vez na história, mais da metade dos senadores (53% dos 81 integrantes da Casa) está na mira do Supremo. Os números podem ser ainda maiores, já que o STF mantém sob absoluto sigilo algumas investigações contra autoridades com foro privilegiado... Juntos, os 42 senadores investigados acumulam 107 inquéritos e 15 ações penais. Oito deles já são réus. Ou seja, tiveram denúncia aceita pelo Supremo, que entendeu haver indícios de que cometeram os crimes atribuídos a eles pela Procuradoria-Geral da República. Entre os investigados, estão 28 suspeitos de receber dinheiro ilicitamente de empreiteiras ou do esquema de corrupção na Petrobras. Corrupção, lavagem de dinheiro, desvio ou apropriação de verba pública e crimes eleitorais e contra a Lei de Licitações são algumas das acusações que mais se repetem contra os senadores”.

Confira a lista dos senadores do PMDB, de Michel Temer, e do PSDB, de Aécio Neves, com pendências no STF:

* * *

PSDB

Aécio Neves (MG)

Antonio Anastasia (MG)

Cássio Cunha Lima (PB)

Dalírio Beber (SC)

Eduardo Amorim (SE)

José Serra (SP)

Ricardo Ferraço (ES)

PMDB

Dário Berger (SC)

Edison Lobão (MA)

Eduardo Braga (AM)

Eunício Oliveira (CE)

Jader Barbalho (PA)

Marta Suplicy (SP)

Kátia Abreu (TO)

Renan Calheiros (AL)

Romero Jucá (RR)

Valdir Raupp (RO)

Zezé Perrella (MG)


* * *

Em tempo: Apesar de o cambaleante Aécio Neves ser o recordista em denúncias de corrupção – “o presidente da executiva nacional do PSDB acumula sete inquéritos no tribunal” –, ele segue com um tratamento privilegiado por parte da mídia tucana. Nesta terça-feira (2), o tucano prestou depoimento à Polícia Federal em Brasília. Ele foi ouvido por cerca de uma hora na condição de investigado no inquérito de Furnas, que apura se o ex-governador mineiro recebeu propina do ex-diretor da estatal Dimas Toledo. A maioria dos brasileiros, porém, nem tomou conhecimento da cena. Afinal, não foi destaque na TV Globo. Não teve helicópteros, vazamentos ou fofocas dos “calunistas” da mídia. O “mineirinho” da lista da Odebrecht segue curtindo a vida nas praias do Rio de Janeiro.

Altamiro Borges
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