24 de abr de 2017

Mídia e Manipulação das Massas: uma fatal combinação capaz de derrubar governos ou levantar ditaduras como a nazista

Como a grande mídia consegue manipular a opinião pública para fazer prevalecer a sua agenda política e suas pautas, o que acaba favorecendo o conservadorismo em detrimento da democracia, seja na Alemanha de 1933, ou no Brasil em 2013.

Mídia, informação e política.

A história dos meios de comunicação está visceralmente ligada à política de massas. Na verdade a mídia ganha força no momento em que se percebe a necessidade de construir consenso em torno de determinada agenda política. As primeiras experiências nesse sentido aconteceram nas guerras. Ora, nos conflitos militares é fundamental o engajamento popular. É preciso soldados dispostos a matar e a morrer em nome de ideais que nem sempre estão muito claros. Por este motivo, guerras são impopulares.

O filósofo Noam Chomsky destaca a campanha do presidente Woodrow Wilson como o primeiro caso de uso intensivo da propaganda governamental. Wilson queria entrar na Primeira Guerra mundial, mas tinha que enfrentar a resistência da opinião pública, em sua maioria pacifista. Os americanos não viam sentido em mandar seus filhos para lutarem numa guerra distante, que não ameaça as fronteiras país. Foi criada então a comissão de propaganda governamental, a Comissão Creel, e em seis meses de massiva propaganda, segundo Chomsky, uma população pacifista foi transformada em ardorosos entusiastas da guerra. Qual seria o papel da informação na construção desse consenso? Entender essas complexas relações entre opinião individual e manipulação política é o objetivo desse texto.


A informação, como veremos, tem uma função complementar à da propaganda. Seja num regime democrático, seja numa ditadura, é fundamental o controle das notícias que chegam até os telespectadores. O filósofo Michel Foucault dizia que o poder só é efetivo quando ele constrói saber. Caso contrário, há resistência. Nesse sentido, a mídia é um mecanismo estratégico para a circulação desses saberes. Não há como separar jornalismo de política.

Antes, porém, é preciso um entendimento do funcionamento dos regimes democráticos e das ditaduras. A propaganda política atua de modo parecido nesses dois sistemas políticos, pois ela está ligada à política de massas e não à democracia, como normalmente se pensa. Esse erro ocorre porque os analistas percebem apenas uma das acepções do conceito de democracia. Chomsky mostra que o conceito de democracia é ambivalente, tendo duas definições possíveis: a primeira seria aquela em que o povo participa ativamente dos destinos coletivos e, portanto, tem acesso a educação de qualidade e os canais de informações são acessíveis e diversificados. A outra considera que o povo deve ser mantido afastado dos assuntos públicos e, por isso, o acesso à informação, assim como a percepção da realidade, deve ser restrito. Podemos concluir, dessas duas noções propostas por Chomsky, que, na história humana, a mídia tem o papel de difundir essa primeira concepção no plano simbólico e a segunda na prática.

Desde Maquiavel, ou talvez de Júlio César, a ciência política sabe que para o exercício do poder as aparências são mais importantes que os fatos. De nada adianta um político ser honesto se ele é visto como corrupto. O inverso também é verdadeiro: um político que é percebido como probo pela população terá caminho livre para praticar a corrupção.

Sem dúvida o controle das informações é o elemento central nessa “guerra simbólica”. Como veremos adiante, um crime que aparentemente é um fato isolado, se trabalhado, pode ser usado para fortalecer ou enfraquecer um determinado governo. Por exemplo, se dez pessoas cometem um homicídio num dia e isso é apresentado em números: “hoje 10 pessoas morreram”, o impacto público será pequeno. Porém, se a mídia escolher um desses casos e ficar martelando diariamente, contando sobre como vivia o rapaz morto, sobre a sua namorada chorando no enterro, sobre o sofrimento dos seus pais etc.; a comoção será muito maior. Irá causar empatia no público. Outras pessoas poderão colocar-se no lugar da vítima e chegar à conclusão que elas também podem sofrer tais barbaridades. Assim, a sensação de insegurança aumenta. Os dados são os mesmos, a violência também, mas a forma como a informação chega até os lares é completamente distinta e isso tem efeitos políticos. A frase atribuída ao líder soviético Joseph Stalin explica de maneira brilhante a ideia que estamos mostrando aqui: “um morto é uma tragédia, um milhão de mortes é uma estatística”.


A produção das notícias jornalísticas possui impressionante similaridade com a da propaganda política. E isso vale tanto para as ditaduras quanto para as democracias. No Mein Kampf, Hitler dizia que a propaganda deve ser sempre popular, direcionada às massas. Por tal motivo, ela deveria chegar a todos de maneira igual, e deveria ser compreendida por todos, desde os mais inteligentes até aqueles com limitadas faculdades de cognição. Em outras palavras, a propaganda deve ser direta, simples e fácil de ser assimilada. Para Hitler, as massas seriam como as mulheres, pois seriam movidas pela paixão e não pela razão. Assim, a ação propagandística deve destacar determinadas características, estereotipá-las, de modo a sedimentar tais representações da memória coletiva. Essas foram as bases da propaganda nazista. A produção das informações seguiam o mesmo princípio. Não por acaso, uma das primeiras ações dos nazistas ao chegarem ao poder foi criar o Ministério do Reich Para Esclarecimento Popular e Propaganda, sob liderança de Joseph Goebbels, o famoso chefe de propaganda nazista. Goebbels controlava não apenas a propaganda, mas também a produção das informações que chegavam aos alemães. Como veremos, ambas eram produzidas e pautadas nos mesmos pressupostos, porém os objetivos eram diferentes.

Chomsky escreveu obras importantes sobre o que ele chamou de “desorientação do rebanho”. Em “Mídia: propaganda e manipulação política”, o filósofo mostra algumas técnicas usadas para criar o consenso na opinião pública:

1) Instigar a população. A melhor forma de instigar a população é disseminando o medo. Um gato dificilmente escolheria atacar um cachorro, mas, caso esteja acuado, suas unhas afiadas podem ser sua única salvação. Uma população amedrontada pode ser mais facilmente manejada.

2) Representação como realidade. Mas como criar esse medo coletivo? Usando esta segunda técnica. O caso do homicídio, citado acima, é um bom exemplo. O medo não provém necessariamente da violência, mas da possibilidade que as pessoas percebem delas mesmas serem as vítimas. Como veremos adiante, os nazistas souberam manejar de forma magistral o uso da violência, de modo que ela aumentasse e o povo alemão se sentisse mais seguro. “É necessário, também, falsificar a realidade e completamente a história. Essa é outra maneira de superar tais restrições doentias: passar a impressão de quando atacamos alguém, na verdade estamos nos protegendo e nos defendendo de agressores e monstros perigosos” (Chomsky).

3) Cortejo dos inimigos. Nesse caso, trata-se de tirar a atenção, ou desviar, dos problemas centrais. Estamos falando não apenas da velha política do pão e do circo. As pessoas precisam de distração, mas apenas programas de auditórios não possuem esse poder. Elas necessitam de algo para se preocupar, então são dados problemas e com suas respectivas soluções. Esse problema pode ser o inimigo, tal como os judeus para os nazistas, ou uma caricatura da realidade. O transporte não funciona? É porque ele é público, vamos privatizá-lo que tudo se resolve. A taxa de homicídios está alta? Culpa dos direitos humanos, vamos aumentar o rigor das leis, diminuir a maioridade penal e a criminalidade deixará de ser uma preocupação.

4) Percepção seletiva. Em junho de 2013 houve manifestações em massa no Brasil. As pautas não eram muito claras, mas a insatisfação com a corrupção era algo presente em quase todos os protestos. O governo brasileiro, tentando acalmar os ânimos, propôs uma reforma política que pretendia atacar o problema de forma estrutural. Foi então que começou uma campanha que o cientista político Jessé de Souza chamou de “fulanização da corrupção”. Ou seja, o problema deixou de ser estrutural e passou a ter nome, partido e cor. As insatisfações, que inicialmente eram difusas, passaram a ter um alvo e seu peso foi jogado nas costas de um pequeno grupo. Resultado, os três partidos com o maior número de membros cassados por corrupção (PMDB, PSDB e DEM) escaparam da histeria coletiva e assumiram as rédeas da política. A única forma de entender tal contradição, ou seja, como manifestações contra a corrupção favoreceram os corruptos, é estudando como se forma isso que Chomsky chamou de percepção seletiva da realidade. Esse assunto será aprofundado na última parte do texto.

5) Crie slogans vazios e genéricos. “Todos pela paz”. “Apoie o povo brasileiro”. “Contra a corrupção”. “A favor de democracia”. “Liberdade duradoura”, etc. Essas frases são chamativas, possuem apelo, porém seus significados são vazios. Quem seria contra a paz? Quem defenderia a corrupção? Políticos corruptos defendem o fim da corrupção. George W. Bush, se perguntado, dirá que é um ativista da paz mundial. Conceitos genéricos produzem consenso porque não dizem nada, não incomodam ninguém. No momento que são traduzidos em políticas, eles precisam ser interpretados e quem os interpreta possui uma grande margem para manobrá-los. Por exemplo, “liberdade duradoura” é uma frase chamativa e agradável aos ouvidos. Porém, esse foi o nome dado à operação militar no Iraque que matou milhares de pessoas para destruir armas de destruição em massa que não existiam. Quem seria a favor da Guerra do Iraque? Poucos. Mas com um slogan vazio e genérico: “apoie o povo americano”, “lute pela liberdade”, “ajude nossas tropas”, etc., fica mais fácil colocar um país em guerra em busca de nada.

Esse texto, em suma, pretende analisar o poder político dos meios de comunicação em dois momentos distintos:

1) em 1933 a Alemanha nazista e a função da mídia na construção do Reich;

2) em 2013 o Brasil e o papel da comunicação na crise que culminou com o fim do ciclo do Partido dos Trabalhadores na presidência.

Antes, porém, é preciso apresentar um problema. Há milhares de exemplos em que a propaganda/informação massificada obteve sucesso e conquistou os objetivos inicias. Há também inúmeros casos que não. Os telespectadores são tratados como seres passivos, mas eles processam e transformam as informações que recebem. Na conclusão, tentaremos compreender o motivo da manipulação funcionar em alguns casos e não em outros.


Alemanha, Janeiro de 1933.

 

Ao contrário do que muitos pensam, Hitler chegou ao poder sem nunca ter vencido uma eleição. Em 1932, os nacionais-socialistas haviam conquistado 230 cadeiras no parlamento, o que os tornava o maior partido, mas não os dava maioria. Nas eleições para presidente do mesmo ano, Hitler perdeu para o marechal Hindenburg, alcançando 36,77% dos votos. Enfim, nas urnas, os nazistas não chegaram nem perto de obter a maioria do eleitorado.

Em janeiro de 1933, portanto, o líder nazista era parte de um governo de coalizão extremamente instável, cuja maioria estava com os conservadores. Em poucos meses, porém, ele conseguiu instaurar uma ditadura sem grandes questionamentos por parte do povo alemão. Em 23 de março a Lei Habilitante, assinada por Hinderburg, o concedia amplos poderes. Os comunistas já estavam sendo presos e os primeiros campos de concentração inaugurados.

Como isso foi possível? Para responder essa pergunta, é preciso destacar que havia elementos no discurso nazista que atraía os conservadores, como: o nacionalismo, a oposição ao Tratado de Versalhes, o rearmamento, a hostilidade ao marxismo e o desprezo pela democracia. Porém, mesmo seduzidos por tais ideias, os conservadores não tinham força para levá-las adiante. Estavam paralisados num momento de caos social e econômico. Nomear Hitler como chanceler foi uma tentativa desastrosa de recuperar as bases sociais do partido, que estavam se desintegrando. O efeito foi contrário. No poder, os nazistas esmagaram a oposição e controlaram as antigas elites.

O prestígio do nacional-socialismo, nesses primeiros meses, não veio da recuperação econômica. Por mais que eles logo mostrassem êxito nessa área, não se recupera a economia de um país do dia para noite. O fator principal da popularidade da extrema-direita foi o resgate do orgulho nacional, que estava ferido desde o fim da Primeira Guerra Mundial. A República de Weimer era vista como o símbolo da derrocada nacional, por tal motivo, havia poucos dispostos e defender as instituições vigentes.

As primeiras medidas de impacto, portanto, foram no campo simbólico, do imaginário político nacional. O sistema parlamentarista estava desgastado, assim como a democracia liberal. Ambos eram percebidos como os causadores da instabilidade política, econômica e social que o país passava. Muitos lembravam com saudosismo do antigo Império Alemão.

No dia 21 de março foi inaugurado o novo Reichstag. Goebbels recebeu a missão de preparar a cerimônia de acordo com as diretrizes do partido. Todos os detalhes foram milimetricamente pensados para transmitir a imagem que o governo havia construído de si mesmo. A data, por exemplo, remetia à primeira inauguração do parlamento, em 1871, época da Unificação Alemã. O historiador Peter Longerich descreveu assim a cerimônia:

“O lugar incorporava de modo especial a tradição monarquista e militar da Alemanha-Prússia: na Igreja da Guarnição de Potsdam, achavam-se os túmulos dos reis prussianos, Frederico Guilherme I e Guilherme II, e, até fim da Primeira Guerra Mundial, nela ficavam expostos os estandartes e bandeiras conquistados pelo exército prussiano desde as guerras de libertação. Lá se devia realçar e celebrar a aliança dos nacionais-socialistas com os conservadores de direita. A expressão dessa aliança seria principalmente o aperto de mãos solene durante o qual o chanceler do Reich, de fraque e cartola, faria uma profunda reverência diante de Hindenburg, que estaria envergando uma farda de marechal de campo do exército imperial. Goebbels concebeu uma cerimônia devidamente grandiosa e clássica.”

As cenas dos desfiles militares acompanhados por uma multidão em êxtase são impressionantes. O cortejo das SA e do exército alemão demonstrava não apenas união das forças armadas, como também entre o velho e o novo. A reverência de Hitler à Hindenburg deve ser vista com cautela. A cerimônia de Potsdam marcou mais que uma união entre conservadores e nacionais-socialistas. Desde a crise de 1929 os votos dos conservadores vinham migrando para a extrema-direita. A união entre ambos fora feita quando Hindenbrug convidou Hitler para o governo de coalizão. Mas, como vimos, a ideia dos conservadores era manter Hitler sob controle. Em Potsdam, contudo, essa aliança é resignificada.

A reverência do líder nazista não demonstra uma submissão ao presidente, mas é uma honraria ao marechal, herói da Primeira Guerra Mundial, que remetia a um passado glorioso, pré-republicano, que os nazistas queriam reviver. O que estava sendo construído era uma narrativa de continuidade entre o segundo e terceiro Reich, que ignorava a republica. Os trajes militares do presidente deixavam isso bem claro. Enfim, mais que uma aliança política entre essas vertentes da direita, Potsdam representou um supremacia do projeto nazista.

O objetivo de Potsdam era apresentar para a população os nazistas como continuadores das glorias dos antigos impérios. O historiador Robert Gellately escreveu: “O povo alemão, desprezando os políticos alemães que haviam fracassado por completo em ajudá-los, viu-se pronto a colocar sua confiança e compreensão nas mãos de alguém que poderia reconectá-los com o que sentiam ser os elementos mais soídos da tradição alemã”. A organização militar, o impacto provocado pelas marchas e o sentido de unidade eram a antítese perfeita da desorganizada república.


O nazismo, porém, não era feito apenas de propaganda. O regime também praticava a coerção. E o povo precisava ser instruído sobre as novas práticas. É nesse aspecto que o controle das informações aparece como complemento à propaganda. Nos dia 13 de março, os nacionais-socialistas haviam criado o Ministério do Esclarecimento Popular e da Propaganda. Segundo Goebbels, a tarefa do Ministério seria a de “mobilizar o espírito” do povo alemão e o entusiasmo popular. A visão do Reich em relação à imprensa seguia a mesma lógica da produção artística: “a arte não é um conceito absoluto, apenas ganha vida a partir da vida das pessoas”. Não haveria, portanto, arte sem viés político, nem notícia. Como o Partido se dizia o representante do povo alemão, seria fácil concluir que as críticas ao governo seriam encaradas como propaganda estrangeira, bolchevique, judaica ou as três coisas ao mesmo tempo. Jornais comunistas e alguns liberais logo seriam invadidos por radicais das SS e das SA. A maioria dos jornais liberais, porém, preferiu não contrariar as novas diretrizes políticas e passaram a apoiar o regime.

Como lembra Richard Evens, o Terceiro Reich não era uma ditadura comum. Os nazistas se diziam a verdadeira expressão da alma alemã. Havia a preocupação de transmitir a imagem de unidade entre povo e partido, por meio do “endosso” permanente das medidas tomadas. Ou, nas palavras de Evans: “o regime colocou-se desde o início em um estado de permanente consulta plebiscitária das massas”. Obviamente que essa “democracia participativa” era aparente e não real. Porém, a aparência de unidade servia para persuadir aqueles que desconfiavam do governo. Servia também para manter a oposição em silêncio, de modo que ela perecesse inexistente.

Quem seria contra a “opinião pública”?

O Terceiro Reich foi construído alternando coerção seletiva e consentimento. A coerção era dirigida aos grupos marginalizados e a instituição responsável era a política e os órgãos de segurança. O consentimento era direcionado ao restante da população e o veiculo responsável era a imprensa e a máquina de propaganda do governo. Os primeiros campos de concentração começaram a ser construídos já em 1933, para abrigar os perseguidos políticos. Não havia um projeto de limpeza étnica, como se configuraria mais tarde. As primeiras medidas contras os judeus foram extremamente tímidas. Nesse momento, o inimigo principal era a esquerda e os marginais sociais. A repressão era tão grande que logo as prisões ficaram lotadas. Para resolver esse problema, os campos de concentração começaram a ser inaugurados. Muitos deles em instalações improvisadas.


Um dos primeiros campos criados foi o de Dachau, construído numa antiga fábrica de pólvora. Não houve nenhuma tentativa do governo em esconder a existência do local. Nem poderia, ele ficava a apenas cinco quilômetros de Munique. Segundo Gellately, no dia em que os primeiros prisioneiros chegaram, havia uma multidão de curiosos à espera para vê-los entrando na prisão. Os alemães haviam sido informados que ali seria o espaço reservado para os comunistas, que estariam conspirando contra a nação.

Himmler afirmou nos jornais que, caso fossem soltos, esses elementos subversivos voltariam às atividades criminosas e a paz social não seria alcançada. E esta era a grande questão. A imprensa alemã não escondia do público que os direitos individuais estavam sendo violados, mas colocava essa prática como necessária para que a ordem fosse restabelecida. Como também mostra Gellately, as notícias de roubos, furtos e mortes, que infestavam os jornais na República de Weimer, desapareceram. A violência aumentou com a ascensão dos nazistas, porém era uma violência localizada, que tranquilizava o cidadão comum. Assassinos soltos podem matar qualquer um. Quando a violência é praticada pelo Estado, de forma altamente seletiva, e as pessoas são informadas pela imprensa quem seriam os alvos, a tranquilidade é maior. “Uma lista de 10 de abril de 1934 mostra que das 2.405 pessoas em campos de concentração na Bavária. 1.531 (62,5%) eram acusados de envolvimentos com comunismo; 222 (9,1%) estavam confinados por alta traição e outras 33 (1,3%) por formas menos graves de traição. Algumas dessas últimas talvez também pudessem ser comunistas, o mesmo sendo possível para os outros 98 prisioneiros (4%) acusados de atividades marxistas” (Gellately). Como podemos ver, a quase totalidade das prisões estavam direcionadas à esquerda. Não havia ninguém preso, por exemplo, por ser judeu nos primeiros anos. O povo alemão sabia que, caso ele não fosse comunista, não seria incomodado.


A imprensa procurava destacar os aspectos “positivos” da política de segregação. Segundos os jornais, os campos de concentração teriam o caráter “educacional”. Muitos também diziam que era uma oportunidade que o Estado daria aos comunistas de refletiram sobre o mal que estavam causando à sociedade. Quando Dachau foi construído, por exemplo, os periódicos locais festejavam dizendo que ele abrira novos postos de trabalho e desenvolveria a região. Sempre preocupados com o “mercado”, os jornais liberais saudavam Dachau como “algo que traria nova esperança ao mundo empresarial”. Outros diziam que ele seria o “ponto de virada econômico” e o “início de dias mais felizes”. Outra publicação estampava que a pequena cidade de 8.000 habitantes havia se tornado o lugar mais famoso da Alemanha. Hoje Dachau virou um dos principais símbolos do terror nazista, lembrado como um dos campos de concentração mais cruéis, que chegou a abrigar 180 mil presos. Porém, quando da sua inauguração, o local era festejado na imprensa.

 

Apenas em 1933 foram construídos 160 campos de concentração na Alemanha. Todos eles elogiados e apresentados como necessários para a volta da tranquilidade e para a recuperação econômica. As palavras usadas para descrever o que estava ocorrendo eram cuidadosamente escolhidas. Os eufemismos, também eram constantes. As mortes eram relatadas como “autodefesa”. Os detidos seriam “reeducados” e estariam sob “custódia protetora” do Estado, para que pudessem “recuperar a razão”. Gellately destaca uma reportagem que dizia que os campos eram necessários, pois o “hóspedes” não eram criminosos, mas pessoas “seduzidas” pelo comunismo. Portanto, não precisariam de uma punição, mas de uma “reeducação”, que seria feita por meio de novas “terapias”. O jornal era categórico: “provavelmente a maneira mais humana de lidar com elementos subversivos”. Outra matéria dizia que os comunistas “envenenavam a atmosfera”. A analogia é interessante, considerando que muitos deles seriam mortos com gases tóxicos.

O êxito nazista aconteceu porque eles souberam manejar as instabilidades. Quando chegaram ao poder, 40% da população estava desempregada. Os outros 60% estavam em dificuldade ou receosos de serem os próximos a perderem o emprego. A violência explodia. Os valores morais eram percebidos como algo que estava sendo desvirtuado. Ou seja, a insegurança atingia a todos, as angústias eram enormes.

Os nazistas, então, passaram a escolher grupos localizados e direcionavam a eles os efeitos da crise. Por exemplo, a Lei de Restabelecimento do Funcionalismo Público, que expulsava os judeus das funções públicas, não era apenas uma punição, mas uma forma jogar o problema de desemprego no colo das minorias. O mesmo pode ser dito em relação à violência, que era cometida pelos militantes radicais nazistas. Enquanto os membros das SA e das SS estavam nas ruas atacando a oposição, o governo apresentava os campos de concentração como a solução para tirar essas práticas do dia a dia das cidades. Ela seria setorizada e praticada em espaços reservados. Longe dos olhares da sociedade. A função dos jornais era construir uma justificativa “ética” para essas práticas. A população não seria incomodada. Os problemas não desapareceram, mas foram domados. Finalmente, os alemães poderiam dormir em paz.

Como podemos ver, todos as estratégias de manipulação, indicadas por Chomsky, estavam presentes. Tomar a representação como realidade. Estereotipar o inimigo. Adoção de slogans vazios. Seletividade das informações. Escolha minuciosa das palavras, etc. Munidos dessas armas, os nazistas construíam uma realidade na qual o genocídio fora aos poucos sendo apresentado e explicado à população como algo natural e inevitável.

Os direitos individuais eram cerceados, mas poucos se importavam, afinal criminosos precisam ser punidos de alguma forma. Depois foram os deficientes, nada mais natural, pensavam, pois eles transmitem genes defeituosos. O mesmo foi dito quando o assunto eram os comunistas, estes conspiravam e “contaminavam a atmosfera”. Quando essas práticas passaram a fazer parte do cotidiano, houve o que Hannah Arendt chamou de colapso ético. O mal se tornou banal. Gays, ciganos, judeus e várias outras categorias em breve seriam incluídas e exterminadas. Por fim, o alemão que dormia tranquilo por não ser criminoso, deficiente, judeu, comunista, gay ou cigano, acordou em meio a uma guerra mundial. A barbárie chegara na porta da sua casa.


Brasil, Junho de 2013.

Imagine que um extraterrestre chegasse à Terra e, por azar, pousasse justamente no Brasil. Sua missão seria explicá-lo, de forma sucinta, os últimos quatro anos da história brasileira. Palavras como Dilma, PT, Michel Temer, Lula, José Dirceu e mensalão não fariam nenhum sentido para ele e você não teria tempo de entrar nessas definições.

Por favor, antes de continuar a ler esse texto, tente construir uma narrativa rápida dos eventos que temos vivenciado nos últimos anos, sem recorrer a conceitos pré-estabelecidos. Vou ficar aqui esperando para depois contar a minha versão.

Caso me dessem essa árdua tarefa, eu explicaria da seguinte forma: o povo brasileiro foi às ruas em 2013 para se manifestar. A popularidade da presidenta era alta, porém, havia problemas. Os manifestantes queriam mais investimento em educação, em saúde, transporte mais barato e menos corrupção. Enfim, reivindicavam melhorias nos serviços públicos. Até aí, tudo bem. O problema foi o resultado. Os investimentos públicos estão sendo cortados, as empresas privatizadas, os direitos sociais estão evaporando e os corruptos assumiram o poder. O ET perguntaria: “então veio a revolução?”. Minha resposta: não, muitos se deram por satisfeitos. Tenho certeza que ele entraria na nave espacial e nunca mais voltaria ao Brasil. Melhor assim, essa história de colonização nunca deu certo mesmo.


Vamos aos fatos. Segundo o ranking do TSE os partidos mais envolvidos em casos de corrupção são DEM, PMDB e PSDB. O PT aparece na décima posição com 2,9% dos políticos cassados. (Uma pausa no texto para evitar o ódio causado pela desatenção: não estou falando que não haja casos de corrupção do PT, estou apenas dizendo que, segundo o ranking do TSE, o partido não está entre os primeiros). O DEM possui 20,4%, um número quase 10 vezes superior. As diferenças são ainda maiores se consideramos que o PT possuía na época uma bancada muito maior que a do DEM e estava no poder há mais de 10 anos e, obviamente, tinha mais acesso ao dinheiro público. Depois de três anos de manifestações, em que a população dizia que o gigante havia acordado, o resultado foi:



Os partidos mais corruptos foram os que mais cresceram. Nos últimos anos, PMDB e PSDB passaram a ser os dois maiores partidos. O trio que lidera o ranking da corrupção passou a controlar a presidência da república e a maior cidade do Brasil. O caso do PP é igualmente interessante, pois este partido também lidera a lista dos políticos envolvidos na Operação Lava-Jato. O PT, por outro lado, amargou uma queda de 59% dos votos em relação às últimas eleições. Como isso foi possível?

Como podemos ver pelos números, nosso amigo de outro planeta fez a escolha certa ao ir embora. Nós, terráqueos, contudo, não podemos simplesmente entrar numa nave e deixar essa balbúrdia para trás. Resta-nos apenas a difícil missão de explicar essas grotescas contradições. Há um caminho para entendermos o que aconteceu e ele já foi esboçado: as pessoas tomaram a representação como realidade. Sim, caímos nas mesmas armadilhas dos nossos antepassados.

Antes de qualquer coisa, é preciso entender que o caso brasileiro é diferente daqueles que apresentamos até agora. Estávamos analisando a manipulação midiática feita em consonância com as estruturas de governo. Vimos, por exemplo, como a imprensa ajudou os EUA a entrarem na Primeira Guerra Mundial e como os jornais auxiliaram o Terceiro Reich a se consolidar. No caso brasileiro, a ação foi oposta, a mídia trabalhou para desestruturar o governo. Portanto, muitas das estratégias elencadas por Chomsky foram “viradas ao avesso”.

As Jornadas de Junho de 2013, como ficaram conhecidas, iniciaram-se com protestos locais, organizados por um movimento pouco conhecido na época, chamado MPL (Movimento Passe Livre). As passagens de ônibus haviam aumentado e os manifestantes queriam revogar tais aumentos. A brutalidade da polícia militar fez com que as manifestações fossem aumentando e ganhando corpo.

A imprensa, inicialmente, agiu como o esperado. Colocou-se contra os protestos. O cientista político Jessé Souza fez um estudo das reportagens diárias que eram exibidas no Jornal Nacional, que, segundo o professor, é o porta voz do pensamento conservador. As primeiras referências às manifestações apareceram no dia 10 de junho. Dessa data até o dia 17 era enfatizado o “tumulto” provocado pelos protestos. Motoristas presos nos engarrafamentos eram entrevistados. Especialistas apareciam afirmando que, caso o aumento das passagens fossem revogados, as prefeituras teriam que tirar dinheiro da educação e da saúde. Enfim, a seletividade agia de modo a deslegitimar o processo.

O comentarista de política da Rede Globo, Arnaldo Jabor, fez o seguinte comentário no dia 16 de junho:

“Mas afinal o que provoca um ódio tão violento contra a cidade? Só vimos isso quando a organização criminosa de SP queimou dezenas de ônibus, não pode ser por causa de 20 centavos. A grande maioria dos manifestantes são filhos de classe média, isso é visível. Ali não havia pobres que precisassem daqueles vinténs. Os mais pobres ali eram os policias apedrejados, ameaçados com coquetéis molotovs e que ganham muito mal. No fundo tudo é uma imensa ignorância política. É burrice misturada a um rancor sem rumo. Há talvez a influência da luta da Turquia, justa e importante contra o islamismo fanático, mas aqui se vingam de quê? Justamente a causa deve ser a ausência de causas. Ninguém sabe mais por qual motivo lutar, em um país paralisado por uma disputa eleitoral para daqui a um ano e meio. O governo diz que está tudo bem, apesar dos graves perigos no horizonte, como inflação, fuga de capitais, juros e dólar em alta. Por que não lutam contra o projeto de emenda constitucional 37, PEC 37, por exemplo, que será votada no congresso, para impedir o Ministério Público de investigar, talvez eles nem saibam o que seja a PEC 37, a lei da impunidade eterna. Esses caras vivem no passado de uma ilusão. Eles são a caricatura da caricatura violenta da caricatura de um socialismo dos anos 50 que a velha esquerda ainda defende aqui. Realmente esses revoltosos não valem nem 20 centavos.”

Jabor é apresentado como um homem livre para opinar sem as amarras do “jornalista imparcial”. Porém, como veremos abaixo, suas opiniões seguem a linha jornalística da Rede Globo. A principal característica do comentário acima, diante de um telespectador conservador, é a tentativa de isolar os manifestantes. Os membros do MPL seriam jovens de classe média, sem causa, ignorantes, rancorosos, caricaturas de comunistas e não valeriam nem 20 centavos. Essa interpretação dos fatos estava de acordo com a linha adotada pela imprensa até aquele momento. No dia 13, por exemplo, o jornal Folha de São Paulo publicou um editorial em que dizia:

“Sua reivindicação de reverter o aumento da tarifa de ônibus e metrô de R$ 3 para R$ 3,20 –abaixo da inflação, é útil assinalar– não passa de pretexto, e dos mais vis. São jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária, que buscam tirar proveito da compreensível irritação geral com o preço pago para viajar em ônibus e trens superlotados.(…)

No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei. Cumpre investigar, identificar e processar os responsáveis. Como em toda forma de criminalidade, aqui também a impunidade é o maior incentivo à reincidência.” (Editorial: Retomar a Paulista, 13/06/2013)

Como podemos ver, a opinião da Folha era a mesma da Rede Globo que, por sua vez, era idêntica ao que “pensava” Jabor. Tudo não passava de arruaça promovida por jovens de classe média, inebriados pelo “passado da uma ilusão”, referência que Jabor fez ao historiador François Furet.

Pois bem, de forma impressionante, no dia 17, portanto no dia seguinte, a cobertura jornalística muda completamente. O mesmo Jabor reaparece lendo o seguinte texto:

“À primeira vista esse movimento parecia uma pequena provocação inútil, que muitos criticaram erradamente, inclusive eu (riso debochado). Nós temos democracia desde 1985, mas democracia se aperfeiçoa, senão decai. Entre nós quase tudo acabava ou em pizza ou em paralisia entre os três poderes. O Brasil parecia desabitado politicamente. De repente reapareceu o povo. De repente o Brasil virou um mar. Uma juventude que estava calada desde 92. Uma juventude que nascia quando Collor caía, acordou. Abriram os olhos e viram que temos democracia, mas uma república inoperante. Os jovens despertaram porque ninguém aguenta mais ver a república paralisada por interesses partidários ou privados. Só há dois perigos: a tentação da violência e o vazio. Se tudo virar batalhas campais, a coisa se destrói. Se virar um movimento abstrato, genérico demais, tudo se esvai. É preciso uma política nova se reinventando. Mas com objetivos concretos. Como, por exemplo, a luta contra o Projeta de Emenda Constitucional 37, a PEC 37, que será votado na semana que vem para limitar o Ministério Público. Quem defende a sociedade. Se tudo correr bem, estamos vivendo um momento histórico lindo e novo. Os jovens terão nos dado uma lição. Democracia já temos, agora temos que formar uma república.”

Essa transcrição é um excelente exemplo para entendermos como a manipulação jornalística é realizada. Não só pela flagrante mudança de opinião do articulista, que ocorreu literalmente do dia para noite, mas pela forma como os protestos são apresentados.

Primeiro, é preciso destacar que as manifestações haviam mudado. Inicialmente, como dito, elas tinham um foco definido, o aumento da passagem, e por isso incomodavam. Porém, as imagens da violência policial instigaram outros grupos a irem para a rua. Insatisfações difusas se encontraram no mesmo espaço. Cada um tinha uma pauta particular. O único elemento que os unia eram os slogans vazios que, como descrito no início do texto, nada dizem. A pauta anticorrupção colocou a extrema esquerda e a extrema direita lado a lado. Ambos gritavam palavras de ordem genéricas, mas as entendiam de modo bastante distinto.


Diante dessas mudanças, a imprensa percebeu que, partindo dessas reivindicações vazias, poderia pautar esses manifestantes. O comentário do Jabor não reproduz apenas clichês como “de repente reapareceu o povo” ou frases que deixariam os cientistas políticos de cabelo em pé como “democracia já temos, agora temos que formar uma república”. Há também uma tentativa de dar um sentido aos protestos.

Como o leitor já deve ter reparado, ele ignorou o MPL e falou diretamente para o público conservador que estava indo às ruas: “Se virar um movimento abstrato, genérico demais, tudo se esvai. É preciso uma política nova se reinventando. Mas com objetivos concretos”. Como Chomsky mostrou, apelar para frases abstratas é uma maneira eficaz para desmobilizar o povo. Mas, nesse caso, o objetivo era usar as insatisfações para jogar o peso nas costas do governo federal. Jabor, então, mostrou aos manifestantes que ir às ruas levantando cartazes contra a corrupção não levaria a nada. Era preciso uma pauta concreta. “Como, por exemplo, a luta contra o Projeta de Emenda Constitucional 37, a PEC 37, que será votado na semana que vem para limitar o Ministério Público”. Mais uma vez ele menciona a “PEC da impunidade”.

A partir desse momento, percebendo a falta de direção dos manifestantes de direita, que tinham muita raiva, porém pouca sensibilidade para a política, a Globo tentaria direcionar essas pessoas. Por isso a mudança de postura. A ordem veio de cima e não foi apenas uma mudança de opinião comentarista. Toda a cobertura seria reformulada.



O experimento deu certo. Cartazes contra a PEC 37 começaram a aparecer nas manifestações. Muitos, quando perguntados, não sabiam responder o que era essa PEC, mas se colocavam contra o projeto, afinal ela “favoreceria a impunidade”.

O que era essa emenda constitucional? Será que ela era realmente era a PEC da impunidade? A PEC 37 limitava a atividade de investigação criminal às policias federal e civil. Ela estava longe de ser a “PEC da impunidade”, mas era uma medida para delimitar as atribuições de cada órgão. A polícia investiga, o Ministério Público acusa e a justiça julga. “A ideia aqui é que haja controles recíprocos e nenhum órgão possa monopolizar todas as ações e momentos processuais” (Jessé Souza).

Qual seria o interesse na Rede Globo nesse tema? Essa é uma pergunta que permanece sem resposta. Porém, é interessante destacar que nos anos seguintes, após o aparecimento da Lava-Jato, as investigações feitas pelo Ministério Público começariam a ser vazadas de modo seletivo para a mesma imprensa que defendeu de forma ardorosa o direito do órgão de investigar.

Segundo Jessé de Souza, ao passar a apoiar os protestos, a imprensa iniciou um processo de manipulação sistemática da realidade. As manifestações, que inicialmente eram voltadas para problemas locais, como os transportes, de responsabilidade dos estados e das prefeituras, com cobertura jornalística, passaram a serem “federalizados”. Slogans como “Muda Brasil” passaram aparecer no meio da multidão, um ano antes das eleições presidenciais. Grupos de direita, como o MBL e Revoltados Online, emergiram, sem explicar de onde vinham as verbas para tais movimentos, etc.


O site Manchetômetro, da UERJ, que mede o viés político da imprensa, publicou o seguinte gráfico sobre as manchetes dos jornais de 2014, ano eleitoral.


Como podemos ver há uma correlação entre o partido mais atacado pela imprensa e os resultados eleitorais de 2016. Com o advento da Operação Lava Jato, cujo início ainda permanece obscuro, os vazamentos seletivos foram usados para “fulanizar a corrupção”, nas palavras de Jessé de Souza. Os vazamentos de parte das delações, feitas sem nenhuma comprovação jurídica, repetidas à exaustão pela cobertura jornalística, permitiram que o problema da corrupção, que é estrutural, fosse manejado para o PT. Criando uma representação em que a corrupção tinha nome, cor e ideologia política. Ao jogar luz em um dos lados, a mídia deixou o outro na sombra, o que explicaria o crescimento das legendas de direita.

Enfim, a distorção sistemática da realidade, a seletividade das investigações e da imprensa, somados a erros do governo e às insatisfações populares; ajudam a explicar a gritante contradição de movimentos anticorrupção terem favorecidos, em última análise, os próprios corruptos.


Considerações Finais: O termo manipulação é correto?

 

Como vimos ao longo do texto, é correto afirmar que a mídia manipula de forma sistemática as informações que transmite. Porém, caso nosso objeto seja o receptor das mensagens, esse conceito se torna mais problemático. Como os alemães liam e entendiam as notícias sobre Dachau? Até que ponto as manipulações do Jornal Nacional foram as responsáveis pelo impeachment? É preciso lembrar que o PT sempre sofreu com ataques feitos pela imprensa e mesmo assim havia vencido quatro eleições.

Diante de fatos tão contraditórios, é possível chegar a conclusões opostas. Caso um pesquisador selecione dados sobre campanhas midiáticas que atingiram seus objetivos, ele “provaria” que os telespectadores são rebanhos que respondem de forma passiva aos estímulos midiáticos. O contrário também seria perfeitamente possível. Ao selecionar fatos em que a população agiu de modo contrário ao que era apregoado pela imprensa, como na recente vitória do Donald Trump nos EUA, seria possível concluir que o homem é racional e não é afetado pelas propagandas externas.

Ambas as afirmações são igualmente verdadeiras e falsas. A manipulação tem um papel importante na circulação dos saberes e na construção de narrativas políticas. Porém, ela não age no vazio. Um dos primeiros êxitos do Terceiro Reich foi o de recuperar os empregos perdidos. Caso tivessem falhado, talvez a propaganda não houvesse funcionado de forma tão eficiente. O mesmo vale para o segundo caso, existia uma crise no Brasil. O governo também cometeu erros. As insatisfações eram reais. Nada disso foi invenção da imprensa. Porém, a mídia teve papel fundamental na hora de direcionar essas insatisfações, de prometer o fim da crise quando o governo fosse trocado, etc.

Normalmente a mídia reforça e incita certos estereótipos preexistentes. A Alamana nazista não inventou o antissemitismo, mas o levou ao paroxismo. Caso Hitler resolvesse estimular o ódio contra os católicos, ou contra os protestantes, a propaganda teria falhado e ele provavelmente terminaria a vida num hospício. O mesmo pode ser dito no caso brasileiro, o medo da esquerda, da desordem e do comunismo tem uma história muito mais longa que o PT.

É preciso também separar a manipulação em duas esferas distintas: de curto e longo prazo. Em curto prazo, é mais fácil maquiar a realidade. Reforçar as aparências. Uma propaganda bem feita pode eleger um candidato, mas, ao governar, ele pode perder a popularidade em questão de meses. É isso, por exemplo, que está acontecendo na Argentina com o governo Macri. O abismo entre aparência e realidade vai se acentuando com o tempo, de modo que nenhum político vive apenas do apoio da imprensa ou da manipulação.

A Alemanha nazista, os jornais esconderam os fatos enquanto puderam. Em 1944 muitos alemães pensavam que estavam vencendo a guerra. Em 45, contudo, com bombas explodindo nas ruas, não havia mais como mentir. No caso brasileiro, o impeachment foi apresentado como a solução para os problemas reais que o país passava. Um comentarista de economia chegou a dizer que o PIB dobraria, que os empresários passariam a investir, que a corrupção acabaria, etc. Tal discurso é muito próximo ao da Alemanha nazista que, como vimos, afirmava que o inferno dos comunistas seria o paraíso dos alemães.


Tanto no Brasil quanto na Alemanha, todavia, nada do que foi prometido aconteceu. Muito pelo contrário. Em 2017 o país entrou na maior recessão da história. O desemprego cresce a cada dia, a renda desaba. O crescimento é uma promessa cada vez mais distante.

Não há manipulação que convença um homem desempregado que o país está uma maravilha. As pessoas estão percebendo que slogans vazios, como “não vou pagar o pato”, podem ter inúmeros significados. O pato dessa história pode ser você, que saiu às ruas com a camisa da CBF, ao lado do Romero Jucá, imaginando que estava combatendo a corrupção.

Mais uma vez, a realidade está se impondo às aparências. Na Alemanha ela veio em forma de mísseis lançados por aviões Russos. No nosso caso, resta esperar para sabermos como tudo irá terminar e torcer para que não seja tão doloroso.

Para saber mais

Robert Gellately – Apoiando Hitler
Richard Evans – O Terceiro Reich no Poder
Richard Bessel – Nazismo e Guerra
Peter Longerich – Goebbels: uma biografia
Noam Chomsky – Mídia Propaganda a Manipulação
Jessé de Souza – Radiografia do Golpe: entende como e por que você foi enganado

Eduardo Migowski
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Moro admite que depoimento de Léo Pinheiro pode ser falso

Ex-sócio da OAS alterou seu testemunho para incluir acusação a Lula e assim obter acordo de delação premiada com o MPF-PR

O juiz Sérgio Moro, responsável por processo que tem como acusados o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Léo Pinheiro, ex-sócio da construtora OAS, afirmou que o depoimento deste último à Justiça concedido na semana passada pode ter sido feito em meio a uma negociação do réu com o Ministério Público Federal para a obtenção de um acordo de delação premiada, e que pode conter inverdades, mas que o depoente tem direito de dizê-las.

A afirmação foi proferida pelo juiz quando o advogado de Lula indagou, antes que tivesse início o depoimento de Pinheiro na semana passada, a respeito da condição jurídica em que o réu se encontrava na oitivia que estava para começar.  

O defensor Cristiano Zanin Martins afirmou que a situação indefinida de Pinheiro era prejudicial à defesa de Lula. "Hoje, o interrogando tem direito de ficar calado e até mentir [pois é co-réu], mas se ele é delator, a situação se altera", disse Martins. lembrando que um colaborador da Justíça presta um depoimento atrelado à sua delação, que por sua vez é concedida dentro de uma estratégia acusatória montada pelo Ministério Público Federal. "Se há versões sendo negociadas, a Defesa tem que saber", ponderou o advogado.

Moro concordou com o defensor a respeito da possibilidade de ser mentira o que viria a contar Léo Pinheiro, entendendo que, como co-réu, ele teria direito a dar suas versões dos fatos, "quer sejam verdadeiras, quer não sejam verdadeiras". O juiz disse ainda que o fato de existir acordo em andamento sem que se saiba se isso vai ser efetivado não seria suficiente para suspender o andamento do processo.

O advogado Cristiano Zanin Martins solicitou à Procuradoria Geral da República uma investigação sobre o depoimento de Léo Pinheiro a Sergio Moro. Isso porque a imprensa publicou, dias antes da audiência em Curitiba, que Pinheiro "negociou" com os procuradores da Lava Jato os detalhes de tudo que deveria ser dito contra Lula. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, Pinheiro daria diante de Moro um "aperitivo" de tudo que poderia dizer contra Lula em sua delação premiada acordada com os procuradores da Lava Jato. Além disso, no mesmo dia da audiência de Pinheiro em Curitiba, o jornal Valor Econômico antecipou, com base em fontes ligadas ao processo, tudo que ele iria dizer e efetivamente disse.

No Lula
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Jessé Souza - Ilusões do Liberalismo



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Constellation

Minha primeira viagem de avião durou quatro dias. Porto Alegre a Miami. Não, o piloto não era o Santos Dumont. E não, não ficamos quatro dias no ar. Ia-se de Porto Alegre ao Rio de Janeiro num daqueles Douglas do tamanho aproximado de uma turbina dos jatos de hoje. No dia seguinte fazia-se o trecho Rio-Recife. No outro, Recife-Trinidade, no Caribe. Finalmente Trinidade-Miami.

Chegava-se alguns quilos mais magro, pois uma das atividades de bordo, nos aviões da época, era vomitar. O avião não precisava jogar para você vomitar. O avião não precisava nem decolar. O cheiro do interior dos aviões induzia ao vômito.

É a isso, crianças, que se referem aqueles saquinhos de papel com as palavras “Para indisposição”. Quer dizer “Vomite aqui em vez de no vizinho”.

Hoje ninguém vomita mais em avião, mas os saquinhos permanecem, talvez prevendo algum regurgitador nostálgico.

Com vômito e tudo, viajar de avião era coisa fina. As mulheres se vestiam com o melhor que tinham para entrar num avião. Os homens usavam gravata.

Me lembro de quando apareceu o Constellation” o avião mais bonito já construído até hoje. O fino do fino passou a ser viajar num ‘Constellation”.

Nada representava melhor a elegância de voar do que aquele avião comprido com algo de garça no seu formato.

Ouviam-se maravilhas da sua velocidade a turbo-hélices e do seu requintado serviço de bordo.

Nunca entrei num Constellation, que por isso mesmo ficou para mim como uma referência mítica, o símbolo de viajar com classe, ou simplesmente do prazer de ir para longe sendo bem tratado.

Jamais viajei tão bem quanto dentro de um Constellation na minha imaginação.

Estas lembranças são só para comentar como voar mudou, não só porque se massificou e os aviões ficaram maiores, mais rápidos e, apesar de tudo, mais seguros (e não cheiram mais), mas porque se perdeu aquela aura de prazer que começava no aeroporto, na expectativa de embarque numa experiência rara. Aquele espírito de Constellation imaginário.

Com o agravante das atuais medidas anti-terrorismo, o prazer antegozado virou martírio compartilhado, aqui, nos Estados Unidos e no resto do planeta. E não é preciso nem falar nas poltronas em que cabe só meio Jô Soares.

Hoje, em todos os aeroportos neurotizados do mundo, há um Constellation fantasma pousado no pátio, dizendo “Nunca mais, nunca mais”.

Luís Fernando Veríssimo
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A carta de Antonio Britto e as promessas do PMDB


Deputados estaduais do PMDB e da base aliada do governo José Ivo Sartori fizeram nos últimos meses declarações enfáticas chamando inclusive de mentirosos aqueles que apontam uma real ameaça de privatização do Banrisul pela atual gestão. “A chance do Banrisul ser privatizado é zero”, disse em fevereiro deste ano o líder do governo Sartori na Assembleia, deputa Gabriel Souza. Banrisul e Corsan estão fora do processo de privatizações, garantiu o secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes.

A credibilidade das declarações enfáticas das atuais lideranças do PMDB depende de uma certa amnésia em relação a promessas recentes e feitas em um passado não muito distante. No dia 27 de março de 2015, o governador Sartori, durante aniversário da TVE, destacou o trabalho desenvolvido pelos veículos da Fundação Piratini, afirmando que ele representava “uma obrigação do Estado, que é a de fazer comunicação social”. “Eu só tenho um desejo para compartilhar com vocês todos: Vida Longa à Fundação Piratini”, bradou o governador naquela ocasião. Poucos meses depois, anunciava a extinção da TVE e da rádio FM Cultura e a demissão de seus servidores.



A prática não é nova em se tratando de governos do PMDB no Rio Grande do Sul. Na campanha eleitoral de 1994, o então candidato do partido, Antonio Britto, enviou uma carta a todos os funcionários da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), garantindo que não iria privatizar a empresa e que aqueles que afirmavam isso eram mentirosos. Na carta, Britto afirmou:

“A chamada Frente Popular espalha boatos. Um deles: vou fechar ou vender a CRT. É uma bobagem. É uma mentira. Dentro de quatro anos, vamos juntos comemorar ter feito a CRT mais profissional, mais viável e mais eficiente do que nunca”.

Eleito governador, com o voto de muitos funcionários da CRT, Britto privatizou a empresa dois anos depois. Em seu governo também, Britto firmou um acordo de renegociação da dívida com o governo Fernando Henrique Cardoso, que foi apresentado na época como a solução definitiva. para a crise financeira do Estado. “Rio Grande liquida a dívida”, estampou em manchete o jornal Zero Hora, do Grupo RBS, que participou ativamente da privatização da CRT.

Mais de vinte anos se passaram, o Estado vive sob um novo governo do PMDB e os discursos se repetem. A crise que, supostamente teria sido liquidada no governo Britto, segue presente e as privatizações e uma nova renegociação milagrosa da dívida são apresentadas como as únicas soluções para o Estado não quebrar. O jornal Zero Hora publica diversas matérias insistindo que a “crise financeira da CEEE” justifica a privatização da empresa. As manchetes e editoriais do passado são varridas da memória.

A história política recente do Rio Grande do Sul é marcada, entre outras coisas, pela repetição dessa estratégia articulada entre governos do PMDB e a linha editorial do Grupo RBS. É uma estratégia que tem como ingredientes essenciais o cultivo da amnésia e do esquecimento junto à população. Por isso, nunca é demais lembrar as marcas vivas dessa estratégia como é a carta que Antonio Britto enviou aos funcionários da CRT em 1994. Há outra lembrança importante a ser resgatada também: derrotado por Olívio Dutra nas eleições de 1998, Britto negou-se a passar o cargo para seu sucessor e foi trabalhar como executivo de uma empresa que havia participado do processo de privatização da CRT.

No RS Urgente
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Xadrez do abuso e de um momento de bom-senso da Lava Jato

Adriano Juca (à esquerda), diretor jurídico da construtora Odebrecht, deixa tribunal em Nova York (EUA)

Peça 1 – o depoimento falso de Léo Pinheiro

O valor legal do depoimento de Léo Pinheiro ao juiz Sérgio Moro é nenhum. Zero.

Não se tratava de uma delação premiada – na qual o réu dá o depoimento sob juramento. Léo Pinheiro depôs na condição de co-réu, circunstância que o exime de depor, depondo, o livra do juramento. Ou seja, pode mentir, inventar, tergiversar sem risco.

Por todas essas razões, seu depoimento sequer fará parte do processo, não será levado em consideração, por não ter o menor valor legal.

Qual a intenção de Moro e dos procuradores, então, de arrancar essa delação informal? Meramente a de montar um carnaval com a Globo, visando esvaziar as manifestações do dia 3 de maio, em Curitiba, e até preparar o clima para uma arbitrariedade a mais contra a Constituição e os códigos.

Trata-se de mais um capítulo do país da Maracangalha, mais uma estaca fincada no caixão da Justiça e, especialmente, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Léo Pinheiro estava acompanhado de seus advogados da delação. No acordo com a Lava Jato incluíram essa cláusula desmoralizante para o sistema judicial: aceitar apresentar um aperitivo para criar mais um factoide jurídico-midiático.

Peça 2 – a leniência da Lava Jato

Esta semana foram apresentados os números da destruição de empregos provocado pela Lava Jato e pela política econômica: 600 mil apenas nas empreiteiras envolvidas pela operação. Se se pegar a cadeia produtiva e os setores afetados indiretamente, podem multiplicar no mínimo por 5.

Na fase inicial, a Lava Jato investiu como um bólido sobre as empreiteiras. Ainda na gestão Dilma, quando se tentava definir acordos de leniência que preservassem as empresas, o procurador Carlos Fernando Santos Lima ajudou a colocar gasolina na fogueira, com uma irresponsabilidade a toda prova.

Depois, houve uma disputa corporativa das mais insanas – que ainda persiste -, entre MPF, Advocacia Geral da União (AGU), Controladoria Geral da União (CGU) e, inacreditavelmente, até do TCU (Tribunal de Contas da União), um órgão meramente de assessoramento do Congresso – apesar da inegável qualidade do seu quadro técnico – para saber que é o dono da leniência.

À medida em que garantiu seu controle sobre a leniência, os procuradores da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, passaram a agir com mais bom-senso.

Recentemente, o próprio Carlos Fernando teve o torturante desafio de explicar ao pensador estratégico máximo do Estadão – o repórter de polícia Fausto Macedo – que empresas não devem ser punidas com o fechamento, como defendia o brilhante pensador.

O bom senso conduziu a um acordo razoável com a Odebrecht – e que não foi divulgado provavelmente porque juiz e procuradores consideraram missão impossível explicar a lógica para uma imprensa que só raciocina com os caninos.

1.     A Odebrecht conseguiu 6 meses de prazo, a partir das delações, com sigilo das informações de corrupção em outros países.

2.     Emílio Odebrecht conseguiu dois anos sem ser incomodado, para reestruturar a Odebrecht, impedindo sua quebra.

Os dois prazos eram essenciais. No primeiro caso, porque a Odebrecht contava com os recebimentos de obras no exterior para refazer seu caixa.

Louve-se a Lava Jato por esse acesso de bom-senso.

Peça 3 – o erro do acordo nos Estados Unidos

Mas aí provavelmente houve um erro estratégico da Odebrecht, pela falta de intimidade com acordos de leniência: resolveu apressar um acordo com autoridades norte-americanas, visando retomar rapidamente as obras naquele país.

Não atentou para uma cláusula nos acordos de leniência nos Estados Unidos, pela qual, assim que o acordo é homologado, as provas têm que ser encaminhadas às autoridades de todos os países onde foram cometidos atos de corrupção.

Mal fechou o acordo com os Estados Unidos, as provas da Odebrecht espalharam-se por todos os países, com suspensão de pagamentos e aplicação de multas elevadas. Só na pequeníssima República Dominicana, as multas chegaram a US$ 100 milhões.

Criou-se uma situação delicada para a solvência da empresa. É uma questão essencialmente de fluxo de caixa. Só que, para sair da enrascada, necessitaria haver um governo com pulso, e acima de qualquer suspeita, articulando uma operação de salvamento. E uma mídia minimamente qualificada para entender a importância dessas operações, visando impedir a quebra de empresas.

A propósito, quando a NET – sob controle da Globo – estava prestes a quebrar, foi articulada uma operação de salvamento, de capitalização capitaneada pelo BNDES. Naqueles tempos, ainda não havia o cartel da mídia, razão pela qual fui procurado antecipadamente por um diretor do BNDES – Fernando Gentil – explicando a operação, atrás da aprovação de colunistas independentes – certamente procurou outros jornalistas.

Nem havia o que discutir. Se não houvesse a capitalização, a NET quebraria e o BNDES perderia tudo o que emprestou e investiu. Disse-lhe que, para mim, a operação parecia perfeitamente lógica e justificada.

É um caso similar, esse da Odebrecht.

Luís Nassif
No GGN
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Mulheres da Pátria Grande - Segundo Episódio

 Imperdível 


"Mulheres do Oeste de sangue, da Pátria grandiosa e sem fronteiras para as que lutam, ocupam os latifúndios das terras roubadas da classe trabalhadora, espalham sementes de um outro mundo
possível, fazem a revolução nos chãos de fábricas, enfrentam seus patrões dentro das
empresas Oestinas e vivem na constante sede de justiça..."
Emocione-se assistindo ao segundo episódio da serie mensal do Portal Desacato.

O segundo episódio da série mensal do Portal Desacato estreia na próxima segunda-feira.
Com legendas em espanhol. Não perca!
Apresentação e narração: Claudia Weinman e Julia Saggioratto
Produção: Claudia Weinman, Julia SaggiorattoPedro Pinheiro
Roteiro: Claudia Weinman
Imagens: Claudia Weinman, Eduarda Machado, Julia Saggioratto e Pedro Pinheiro
Edição: Julia Saggioratto
Fotos: Claudia Weinman, Paulo Fortes e Pedro Pinheiro
Tradução: Raul Fitipaldi
Legendas: Tali Feld Gleiser
Ideia e Direção Geral de Jornalismo: Tali FG



Assista aqui, o Primeiro Episódio
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