23 de abr. de 2017

Santo vai atrás de tuiteiro que o chamou de “corrupto”


Alckmin recebeu R$ 12 milhões da Odebrecht de forma clandestina, dizem delatores



Carlos Armando Paschoal, o CAP, diretor da Odebrecht, disse que Alckmin entregou a ele o cartão de visitas do cunhado. Nas planilhas, Alckmin é o “Santo”



Um dos executivos da Odebrecht, Benedicto da Silva Júnior, disse que Alckmin levou R$ 10 mi em 2014

Textos resumidos (siga o link para a íntegra):


No dia 13 de dezembro, por seis votos a um, a base de Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa paulista aprovou o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da merenda escolar. Nenhuma linha sobre o dinheiro encontrado nas contas de Jeter [Rodrigues] e [José] Merivaldo constou do documento. Nenhum deputado [Fernando Capez, ex-presidente da Assembleia e aliado de Alckmin] teve proposta de investigação. As grandes perguntas acabaram sem resposta: O que foi feito do R$ 1,3 milhão pago em propina? Qual o destino dos R$ 622 movimentados por Jeter e Merivaldo? Onde foram parar os R$ 700 milhões que faltam na conta? […] Além deles, foram citados o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, o Moita, e o chefe de gabinete da Secretaria da Educação, Fernando Padula.


O deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo Fernando Capez (PSDB) foi acusado por delatores da Odebrecht de receber recursos não declarados para sua campanha eleitoral em 2010. Segundo os delatores Benedicto Júnior, o BJ, e Carlos Armando Paschoal, o CAP, o tucano foi destinatário de R$ 100 mil pagos em três parcelas pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como “departamento da propina”.


O Twitter terá que fornecer os dados cadastrais de seis usuários ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). O governador ingressou com a ação cautelar com objetivo de conseguir os dados para, em um segundo momento, ingressar com ação contra cada autor das publicações. Os seis perfis, segundo a ação, são os que possuem maior número de publicações ofensivas a Alckmin no Twitter. Na ação, o governador alega que esses perfis listados têm, constantemente, extrapolado o direito de expressão e liberdade de pensamento: Betelgeuse (@prof_fabio666), Alexandre de Moraes (@alemoraesduarte), Usuário CPTM e Metrô (@UsuarioCPTM), Paulo de Lima (@PAULAO777), Carlos M. Heraclio (@carlosmheraclio) e CaduLorena (@cadulorena). Entre essas expressões estão “ladrão”, “ladrão de merenda”, “nazifascista” e “inescrupuloso”. Na ação, proposta ANTES de ser divulgado que seu nome aparece na delação premiada da Odebrecht, Alckmin também diz que foi ofendido por um usuário que o chamou de “corrupto” e afirmou que ele teria recebido propina da empreiteira.

No Viomundo
Leia Mais ►

Como fazer o novo com o velho: Da Fundação Saint-Simon a Emmanuel Macron

O súbito aparecimento de um novo partido político, «En Marche!», no cenário eleitoral francês, e a candidatura do seu presidente, Emmanuel Macron, à presidência da República não devem nada ao acaso. Os partidários da aliança entre a classe dirigente francesa e os Estados Unidos não aparecem aqui pela primeira vez.

Henry Hermand, um dos principais criadores da Fundação Saint-Simon, apadrinhou a carreira de Emmanuel Macron. Ele foi o seu padrinho aquando do seu casamento em 2007. Ele fê-lo entrar, em 2012, para o Eliseu e criou o seu partido político no Instituto Montaigne, em 2016.
É impossível compreender o súbito aparecimento na cena política partidária de Emmanuel Macron sem conhecer as tentativas que a precederam, as de Jacques Delors e de Dominique Strauss-Kahn. Mas, para compreender quem manobra nos bastidores, é necessário dar uma volta ao passado.

1982 : a Fundação Saint-Simon

Académicos e directores de grandes empresas francesas decidiram, em 1982, criar uma associação afim de promover «o encontro entre os pesquisadores em ciências sociais e actores da vida económica e social, [e] de difundir para o público os conhecimentos produzido pelas ciências humanas e sociais». O que deu na Fundação Saint-Simon.

Durante quase vinte anos, este organismo impôs o ponto de vista de Washington em França, criando o que os seus detractores chamaram «o pensamento único». A Fundação decidiu dissolver-se, em 1999, após as greves de 1995 e o fracasso da reforma do sistema de pensões.

A Fundação organizou 70 seminários anuais em que participaram a cada sessão umas quarenta pessoas. Ela publicou 110 Notas mensais e uns quarenta Livros. Finalmente, de forma mais discreta, ela organizou um jantar mensal reunindo académicos, chefes de empresa do CAC40(Bolsa de Paris) e os principais patrões de imprensa do país.

Durante estes jantares, não apenas se harmonizavam os pontos de vista, como os patrões da imprensa decidiam os assuntos que iriam abordar e a maneira como os tratariam. Progressivamente, o pluralismo da imprensa apagou-se perante o «dever de informar», depois perante o «poder de formar» as mentes.

Por um lado a Fundação fora criada pelo historiador François Furet e pelo sociólogo Pierre Rosanvallon, por outro pelo lobista Alain Minc, pelo industrial Roger Fauroux, pelo banqueiro Jean Peyrelevade e, finalmente, pelo editor Yves Sabouret e pelo intelectual Jean-Claude Casanova. O seu financiamento fora imaginado por Henry Hermand, uma eminência parda da esquerda não-comunista.

Todas estas personalidades eram, então, conhecidas pelas suas ligações com um poderoso grupúsculo norte-americano: os neo-conservadores («neo-cons»-ndT). Estes intelectuais trotzkistas acabavam de se juntar ao Presidente republicano Ronald Reagan. Indo para além dos conceitos de «direita» e de «esquerda», eles afirmavam combater o estalinismo e querer «democratizar» o mundo por todos os meios. Não escondiam a sua admiração pelo filósofo Leo Strauss, teórico de uma ditadura mundial iluminada. Alguns, dentre eles, criaram o National Endowment for Democracy (NED) e o United States Institut of Peace. Apesar das aparências, estas duas fundações foram concebidas como instrumentos ao serviço dos «Cinco Olhos», isto é, do acordo conjunto entre os Serviços Secretos da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos, da Nova Zelândia e do Reino Unido.

À partida, a Fondation Saint-Simon beneficiou de subvenções da John M. Olin Foundation, que tinha convidado François Furet a ensinar em Chicago. Este organismo norte-americano, situado bem à Direita, já tinha financiado os trotzkistas neo-conservadores. Rapidamente, a Fundação Saint-Simon aderiu ao The Hague Club (o Clube de Haia), uma supra-estrutura da Fundação Rockefeller encarregue de financiar umas trinta associações europeias atlantistas com fundos da CIA, e depois da NED.

É pois com o dinheiro dos serviços secretos norte-americanos que foram organizados os jantares mensais reunindo académicos de renome e os patrões do CAC40 em volta dos directores da Études, da Esprit, da Europe 1, do L’Expansion , do L’Express, do Le Figaro, do Libération, do Le Matin de Paris, do Le Monde, de M6, do Nouvel Observateur, da RTL e dos jornalistas-vedeta da Antenne2 e da TF1.

Nos anos 90, quando o sociólogo britânico Anthony Giddens lança a «Terceira Via» para adaptar a retórica socialista à economia de mercado, a Fundação Saint-Simon celebra com entusiasmo este passe de mágica usado por Bill Clinton e Tony Blair.

JPEG - 35.2 kb
Anne Sinclair, jornalista vedeta da TF1 e membro da Fondation Saint-Simon, e o seu amigo Jacques Delors, candidato oficial da Fundação à presidência da República.

1993: a operação Jacques Delors & Martine Aubry

Em 1993, os membros da Fundação Saint-Simon decidiram lançar o seu próprio candidato à presidência da República: o Presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors. Simultaneamente, eles prepararam a ascenção em força da filha do seu candidato, a Ministro do Trabalho Martine Aubry, destinada a tornar-se a sua Primeira-ministro.

Jacques Delors, então socialista, tinha começado a sua carreira política à Direita, no gabinete de Jacques Chaban-Delmas. Martine Aubry, então socialista, tinha começado como responsável de relações públicas do grupo Pechiney, cujo director Jean Gandois se tornará «o patrão dos patrões».

Enquanto os orgãos de imprensa cujos directores eram membros da Fundação começavam a tecer elogios sobre Jacques Delors e a sua filha, o tesoureiro da Fundação, Alain Minc, criou nas instalações da Fundação duas organizações distintas:

- a Associação Nacional de Empresas para a Inserção (ANEI), afim de implicar grandes empresas na campanha eleitoral de Delors.
- a Associação de amigos da Fundação Agir contra a Exclusão (FACE), para financiar a ascensão Aubry.

Após o fracasso de François Bayrou no congresso dos Democratas-sociais (CDS), Jacques Delors tomou consciência da impossibilidade de criar uma nova maioria reunindo os socialistas e os centristas. Desistiu pois de concorrer à eleição presidencial. O ANEI foi dissolvido e os seus activos foram transferidos para a FACE

O programa político da Fundação Saint-Simon e dos Delors, pai e filha ,era fazer da França o pilar da União Europeia. Previa fazer da França o “hub” europeu desenvolvendo nela os transportes rodoviários transversais e basear a economia num um aumento da mão de obra. Convinha, portanto, manter as mulheres no trabalho e aumentar a imigração. No período de transição, a fim de conter o desemprego, seria preciso reduzir o tempo de trabalho.

Este programa foi parcialmente aplicado, a seguir, com o governo Jospin, muito embora então a conjuntura internacional tivesse mudado. Em 1998 e 2000, a França adoptou as 35 horas, desta vez contra a opinião do patronato que as apoiava em 1993-1995, e aumentou a imigração laboral. O resultado foi o oposto ao imaginado em 1993: o desemprego cresceu inexoravelmente. A manutenção das mulheres no mundo do trabalho colocou novos problemas em termos de creches, de tempo de permanência das crianças na escola, e finalmente de baixa do nível dos alunos. Neste contexto, a presença maciça de imigrantes desestabilizou todo o sistema social.

1995: a operação Juppé-Notat de reforma das pensões

O projecto de lei do Primeiro-ministro Alain Juppé (Direita) sobre a reforma das pensões foi apoiado pela revista Esprit e pelo sindicato CFDT (Esquerda); o conjunto coordenado pela Fundação.

Foi durante esta campanha que o sociólogo Alain Touraine emergiu como porta-voz dos São Simonianos.

No entanto, face às gigantescas greves de Dezembro de 95, o projecto de lei teve que ser retirado. Vítima do seu falhanço, a Fundação Saint-Simon não tardou a dissolver-se.

2000: o Instituto Montaigne

Em 2000, o grupo de seguros AXA criou um novo “think-tank”, o Instituto Montaigne. Cedo, ele publicou um trabalho colectivo de académicos e chefes de empresa, Le Courage de réformer («A coragem de reformar-ndT). Depois coloca o jornalista Philippe Manner como director. Este havia sido formado pela Fundação Rockefeller no Centro Bellagio, que abriga o The Hague Club.

O Instituto Montaigne milita por reformas económicas e sociais em todos os pontos idênticas às que a Fundação Saint-Simon pretendia realizar. Em 2004, ele redigiu a Charte de la diversité en entreprise («Carta da Diversidade na empresa»- ndT), imediatamente apoiada pela FACE e hoje em dia adoptada por inúmeros grupos.

Em 2012, publicou um segundo livro colectivo, Réformer par temps de crise. Após a saída de Claude Bébéar da direcção da AXA, o seu sucessor à cabeça da empresa, Henri de Castries, torna-se o presidente do instituto.

JPEG - 62.8 kb
Anne Sinclair novamente, mas desta vez com o seu esposo, Dominique Strauss-Kahn, candidato oficioso de Terra Nova à presidência da República.

2008: Terra Nova

Em 2008, um colaborador de Dominique Strauss-Kahn, Olivier Ferrand, criou a associação Terra Nova, nas instalações emprestadas por Henry Hermand. Este novo “think-tank” visa trazer a modernidade norte-americana para a vida económica, social e política da França. Ele funciona no modelo do Progressive Policy Institut criado por Bill Clinton e pelo senador pró-Israel Joseph I. Lieberman.

Tal como a Fundação Saint-Simon com o Crédit Lyonnais, a Terra Nova mantêm relações estreitas com os bancos, principalmente com o Rothschild & Cie.

Em 2011, a Terra Nova organizou a primeira primária do Partido Socialista com a ajuda da National Endowment for Democracy, que enviou para Paris o seu especialista, Tom McMahon. A idéia era de fazer adoptar por outros partidos além dos socialistas um candidato único, Dominique Strauss-Kahn, de maneira a que ele fosse capaz de passar a primeira volta da eleição presidencial e de ganhá-la. O Director do Fundo Monetário Internacional, «DSK» devia fazer entrar os franceses na globalização.

Infelizmente, ele foi preso nos Estados Unidos pouco antes da primária na qual foi substituído por Martine Aubry. A filha de Jacques Delors passou a primeira volta, mas foi eliminada na segunda por François Hollande.

À morte de Olivier Ferrand, o secretário-geral da CFDT, François Chérèque, sucedeu-lhe na presidência da Terra Nova.

JPEG - 31.1 kb
Melhor que Bill Clinton e Tony Blair : Emmanuel Macron, o genro ideal.

2016: a operação Emmanuel Macron

Este longo preâmbulo permite compreender o lançamento da operação Emmanuel Macron.

Depois de se formar na ENA, Emmanuel Macron iniciou-se, em 2004, na empresa de Jean-Pierre Jouyet. Este último é um antigo colaborador de Roger Fauroux (o presidente da Fundação Saint-Simon) e de Jacques Delors (o candidato presidencial da Fundação). Em seguida Jouyet tornou-se ministro de Nicolas Sarkozy (Direita), depois secretário-geral do Eliseu de François Hollande (Esquerda).

Emmanuel Macron faz então um desvio pelo banco Rothschild & Cia. Em seguida entra no Eliseu como adjunto de Jean-Pierre Jouyet. Nesta função, ele substitui outro sócio-gerente da Rothschild & Cia, François Pérol.

Em 2006, Emmanuel Macron ingressa no Partido Socialista e na Fundação Jean Jaurès, do qual uma parte do financiamento é assegurado pelos trotzkistas neo-cons da National Endowment for Democracy (NED). Em 2007, ele junta-se aos Gracques(Gracos-ndT), um grupo de antigos patrões e de altos-funcionários, do qual Jean-Pierre Jouyet é o dinamizador. Esta associação tenta organizar uma aliança entre o Partido Socialista e os Centristas.

Em 2012, Emmanuel Macron torna-se Young leader (líder júnior- ndT) da Fundação Franco-Americana, da qual Philippe Manière (o director do Institut Montaigne) e Alain Minc (o tesoureiro da Fundação Saint-Simon) são os administradores. É sob recomendação do mesmo Alain Minc, que Emmanuel Macron se torna Research Fellow na London School of Economics, assim que ele deixa o Eliseu em 2014.

Em Maio e Junho de 2014, Emmanuel Macron é convidado para a reunião anual do Grupo de Bilderberg. A agenda previa tanto a questão do intercâmbio de Inteligência inter-estados, como a arquitetura do Médio-Oriente póst-Primaveras árabes. Esta instituição foi criada à margem da OTAN que garante directamente a segurança da mesma, independentemente do país onde se reune. O seu actual presidente é o Francês Henri de Castries, CEO da AXA e presidente do Institut Montaigne

Em 2016, nas instalações do Institut Montaigne, Emmanuel Macron cria o seu próprio partido, En Marche!, com a ajuda de Henry Hermand (um dos principais mecenas da Fundação Saint-Simon, depois da Terra Nova). Depois de se ter longamente explicado nos écrans da televisão, o homem morreu em Novembro de 2016, aos 92 anos. A originalidade deste partido é que, durante os seus primeiros oito meses, ele não terá nem programa, nem propostas, somente um candidato às presidenciais. Isso não o impedirá de vir a ser acompanhado por todo o tipo de personalidades políticas que não tiveram necessidade que lhes explicassem o que eles já sabiam: o programa de Macron é o mesmo de Delors e de Strauss-Kahn.

Se a candidatura de Jacques Delors visava fazer da França o pilar da União Europeia, a de Emmanuel Macron como a de Dominique Strauss-Kahn pretende levar os eleitores (já não se ousa dizer os «franceses») para a globalização. O apoio dado pelos média(mídia-br) é muito mais fácil do que há duas décadas atrás, já que eles estão concentrados e que os seis maiores patrões da imprensa são a favoráveis à globalização.

Sendo Macron candidato às presidenciais, Aubry renuncia desta vez a apresentar-se à primária Socialista. Em Fevereiro de 2017, François Bayrou, que não tinha conseguido levar os Democratas-sociais a apoiar Jacques Delors, dá o seu apoio a Emmanuel Macron.

Assim é que se consegue fazer novo com o velho. Todos os anos os franceses celebram a festa do «Beaujolais Nouveau», depois regressam aos seus afazeres. Porque, ao contrário da «França eterna» de Gaulle, esta simpática água-pé não se conserva.

Thierry Meissan
No Desacato
Leia Mais ►

Globo tem “sala de guerra” contra Lula


Não é possível precisar desde quando eles funcionam, mas a TV Globo opera dois endereços de e-mail que são mais que reveladores  da postura da empresa diante da Lava Jato.

O primeiro é o CGJ-LAVANEWS@tvglobo.com.br>, onde CGJ é Central Globo de Jornalismo. Lava News, claro, dispensa explicações.

O segundo é o  jornalismo-saladeguerra-bsb@tvglobo.com.br, cujo nome é a mais perfeita tradução da forma que a emissora encara a operação capitaneada por Sérgio Moro.

Quem sabe o inspirador tenha sido a sala de guerra criada por Ken Adams para o filme Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick,  da qual se dizia ser “um lugar onde jogam poquer com nossas vidas”.

É, de fato, uma guerra, aquela em que, como registrou o jornalista norte-americano Harold Carter, faz da verdade a sua primeira vítima.

E, ao ver do “general” Ali Kamel, tão bem sucedida que ele despejou e-mails de elogios e agradecimentos a toda a “tropa” envolvida no combate.

Não é preciso explicar que, na guerra, há um inimigo a ser destruído.

É assim que a Globo encara o  seu.

Lula deve ser destruído, missão na qual ela conta com suas tropas auxiliares, porque toda a mídia se alinha ao que ela diz.

Os meninos da Globo estão, de fato, de parabéns.

Resta saber se serão tão bem sucedidos quanto os velhos generais do tempo do Boni, no tempo em que manipular um debate eleitoral bastava para derrotar seus desafetos, ainda que ao preço de  entregar o país a Fernando Collor.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Como se fosse um crime - Mídia afirma que Petrobras beneficiou a Braskem, mas não conta que a Brakem pertence à própria Petrobras

http://www.maurosantayana.com/2017/04/como-se-fosse-um-crime-midia-afirma-que.html


A última de certos meios de comunicação é acusar Lula de ter beneficiado a Odebrecht, via Braskem, em detrimento da Petrobras, como se a Petrobras fosse uma empresa e a Braskem outra, totalmente separadas, diferentes e concorrentes.

Tudo lindo, maravilhoso, se a Petrobras não fosse - coisa que não foi divulgada com o mesmo estardalhaço - uma dos maiores donos da Braskem, na qual é sócia da própria Odebrecht.

Logo, beneficiando a Braskem, que também lhe pertence, a Petrobras não estaria beneficiando a si mesma, ao menos em parte, não apenas colhendo o lucro e os eventuais "benefícios proporcionados à Braskem", mas também fornecendo matéria prima para ser modificada por uma empresa que lhe pertence, para agregar valor a insumos que produz, e vendê-los mais caro, como produtos acabados, no mercado?

Qual seria o sentido para a Petrobras, de concorrer com a Braskem, logo consigo mesma, ou de vender a ela Nafta a preços mais caros, prejudicando uma empresa que já era dela mesmo?

Mesmo que não seja exatamente isso, ou que a sociedade na Braskem não tenha sido positiva para a Petrobras - coisa que parece difícil, diante do estrondoso "carnaval" que pretende apresentar a Petrobras como uma inocente vítima da Braskem e do próprio Lula - a omissão da informação, que é absolutamente relevante nesse tema, é ululantemente óbvia, do ponto de vista da descarada intenção de se enganar e manipular a opinião pública.

Descontado isso, e pressionado por uma ideologia neoliberal nefasta que não aceita mais empreendimentos 100% "estatais" no país, Lula pode ter feito isso porque achava bom para a nação que ela tivesse mais um, ou ao menos um grande grupo empresarial brasileiro na área petroquímica, no caso, a Odebrecht.

O atual governo - e a fascistada que ladra na internet - prefere criar "campeões" estrangeiros na área, vendendo indústrias gigantescas como a Petroquímica Suape a outros países, pelo equivalente a cinco dias de faturamento da Petrobras, ou cerca de 10% dos recursos que foram investidos para construí-la.
Leia Mais ►

Aloprado da TV Cultura leva bronca

O "historiador" Marco Antonio Villa é um típico aloprado. Ele utiliza concessões públicas de rádio e televisão — como a TV Cultura e a rádio Jovem Pan, dois notórios palanques tucanos — para destilar a sua agressividade e as suas loucuras. Com sua obsessão doentia ao chamado "lulopetismo", ele virou um ativo militante contra os governos Lula e Dilma e contra o ex-prefeito Fernando Haddad. Por suas calunias e difamações, ela já foi alvo de vários processos na Justiça. 

A partir da concretização do "golpe dos corruptos", ele deixou de lado seus discursos raivosos contra os "bandidos" e se tornou um bajulador rastaquera da máfia de Michel Temer. Dizem, até, que virou conselheiro informal do Judas. Seu ativismo fascistóide, porém, causa problemas às emissoras que o contratam, resultando em perda de audiência e de credibilidade. Isto talvez explique a bronca que levou nesta semana do conselho curador da TV Cultura — segundo relato do jornalista Maurício Stycer publicado na Folha neste domingo (23). Vale conferir:

TV Cultura pede menos 'discursos de ódio' e mais pluralidade aos jornalistas

O "Jornal da Cultura" registrou no último dia 3 de abril média de 1,1 ponto em São Paulo (cada ponto no Ibope equivale a 199,3 mil indivíduos). Apesar da baixa audiência, a edição se tornou item de colecionador entre advogados.

O comentarista Marco Antonio Villa estava especialmente "bravo" naquele dia, como notou o apresentador William Ferreira. Ao comentar o convite do governador de Minas, Fernando Pimentel, para que o ex-presidente Lula participasse das celebrações do 21 de abril, em Ouro Preto, Villa disse: "Dá nojo! Nojo da gente ver, como brasileiro que tem sangue nas veias, que um bandido, um ladrão como Lula vai homenagear Tiradentes. É a segunda morte de Tiradentes!"

Falando sobre a situação calamitosa das finanças do Estado do Rio, Villa observou: "O Tribunal de Justiça está comprado pelo governador". Disse ainda que há vários "desembargadores ladrões" no Estado.

E acrescentou: "E olha que vai ter repercussão em Brasília com a delação do Sérgio Cabral. Eu sei até o nome do ministro que ele comprava quando era do Tribunal de Justiça e que hoje tá lá em Brasília. É bom lembrar: um carioca que tem um cabelo com topete. Vocês vão pensando quem é."

Em outro trecho, suprimido pela TV Cultura da versão hoje disponível em seu site, Villa falou do senador Roberto Requião (PMDB-PR), a quem chamou de "a Maria Louca do Paraná": "É aquele cara que você não compra um carro usado, que pode dar uma nota de três reais pra você ou bater a sua carteira".

Uma semana depois, no dia 10, o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, ao qual a TV Cultura está vinculada, se reuniu. Do encontro, saiu uma reflexão sobre os comentários de Villa, encaminhado à direção da emissora, no qual se lamenta que o comentarista esteja se manifestando por meio de "verdadeiros discursos de ódio e de incitamento à violência".

Mais importante, o conselho aprovou novas diretrizes para o jornalismo da TV Cultura. O documento, ao qual este colunista teve acesso, faz recomendações óbvias, mas que não vêm sendo cumpridas pela emissora. O texto diz, por exemplo, que a pluralidade político-ideológica "deve efetivar-se nas escolhas das pautas e das reportagens, na seleção e na orientação dos entrevistados e dos entrevistadores".

O Conselho Curador observa, ainda, que âncoras, apresentadores e editores precisam "garantir a sua credibilidade pelo exercício da isenção crítica". O documento pede também "mais debate, mais diferença, mais contraposição de ideias".

E, por fim, observa que "o jornalismo público de qualidade" não pode servir de "tribunas para a divulgação de ofensas, denuncismos e discursos de ódio".

Em artigo publicado na Folha nesta quinta-feira (20), três membros do Conselho Curador, o jornalista Jorge da Cunha Lima e os advogados Belisário dos Santos Jr. e Rubens Naves, cobram algo semelhante da TV Cultura: "Deve manter compromisso igualmente firme com a diferenciação entre comentários e análises acolhidos e protegidos sob o princípio da liberdade de opinião e os denuncismos inconsequentes".

As recomendações do Conselho Curador à direção da TV Cultura ocorrem no mesmo momento em que, após revelação da Folha, a emissora reconhece publicamente ter censurado um programa musical, o "Cultura Livre", apresentado por Roberta Martinelli, para "não difundir ideias ou fatos que incentivem a polarização".

Os excessos cometidos pelo comentarista político são apenas a ponta visível de um problema maior. A TV Cultura está diante de um grande desafio, que é reverter a sua perda de relevância.

Altamiro Borges
Leia Mais ►

Ocupar não é só um direito, é um dever


Leia Mais ►

Delatores denunciam governador de Santa Catarina e PSD

Raimundo Colombo, teria sido o responsável por pedir cerca de R$ 13 milhões em caixa 2 à Odebrecht, desde 2010, para campanhas estaduais do seu partido


O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, teria sido o responsável por pedir cerca de R$ 13 milhões em caixa 2 à Odebrecht, desde 2010, para campanhas estaduais do PSD, o seu partido. As informações estão no acordo de delação firmado pelos executivos da empreiteira Fernando Reis e Paulo Roberto Welzel. "[Ele] estava sempre renovando os pedidos", afirmou Reis em um dos vídeos gravados pela Procuradoria-Geral da República. Os pagamentos teriam sido feitos sob o codinome "Ovo" e, mais tarde, "Galego".

Em seu relato, Reis afirma que, em 2010, foi procurado pelo então senador e candidato ao governo Colombo para pagamento de doação à sua campanha. Naquele ano, a empreiteira teria pagado R$ 2 milhões em caixa 2 ao atual governador.

Reis afirma que "apesar de não ter havido nenhum ajuste sobre qual seria a contrapartida do senador caso se tornasse governador, Colombo mostrou-se favorável à privatização da Companhia de Águas e Saneamento (Casan), o que era de interesse da Odebrecht Ambiental".

Colombo teria também apresentado um programa de governo que incentivava a participação privada no setor elétrico, com venda de parte da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), e no setor de logística.

Ainda de acordo com o depoimento de Reis, o encontro para tratar da doação teria sido intermediado por Ênio Branco e aconteceu no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ênio é diretor de novos negócios na Celesc. Para o delator, o pedido teria sido "expressamente de caixa 2", já que Colombo não queria ter sua campanha vinculada à Odebrecht como doadora oficial.

O outro delator, Paulo Robero Welzel, subordinado a Reis, confirmou que operacionalizou o pagamento acordado e que, por orientação de Colombo, o valor foi entregue a José Carlos Oneda, atual diretor de finanças na Celesc.

Novos pedidos. Reis narra diversos encontros com Colombo na sede do governo de Santa Catarina, o Palácio do Agronômico, em Florianópolis. Em um deles, em 2011, o governador teria pedido R$ 3 milhões para o então candidato à Prefeitura de Florianópolis César Souza Júnior (PSD), que foi eleito.

Já em 2014, Colombo voltou a se encontrar com o executivo da Odebrecht, prometendo reformas administrativas em Santa Catarina e voltando a usar o leilão da Casan como moeda de troca. Os delatores da Odebrecht afirmam ter pagado R$ 5 milhões em caixa 2 ao político durante a campanha daquele ano.

Na reta final das eleições de 2014, um novo pedido de doação: dessa vez de R$ 2 milhões, feita pelo secretário da Fazenda, Antonio Marcos Gavazzoni. O dinheiro foi entregue a André Agostini Moreno, apontado como primo do governador.

Gavazzoni pediu ainda doações de R$ 500 mil aos então candidatos a deputados estaduais Gelson Merisio (PSD), o "cunhado", e José Nei Ascari (PSD), o "herdeiro".

Os depoimentos dos delatores foram enviados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que irá decidir sobre a andamento da investigação contra o governador.

Leilão. Em 2011, já como governador, Colombo enviou uma PEC à Assembleia autorizando o leilão de 49% da Casan. Como a constituição de Santa Catarina previa referendo para venda de parte da companhia, o governador apresentou a PEC excluindo essa necessidade. O atual senador Dalírio Beber (PSDB) na época era presidente da companhia. Até então, a venda de ativos da Casan não foi realizada.

Ainda que os pagamentos tenham sido feitos, Fernando Reis deixou claro que Colombo e seus aliados não cumpriram os acordos com a construtora. "Pelo visto, nós não aprendemos e continuamos caindo reincidentemente nessa questão de acreditar nessa sedução "

Outro lado

O governo do Estado de Santa Catarina diz em nota que "a versão dos delatores da Odebrecht sobre contribuição para campanha que está sendo noticiada é absurda, carregada de mentiras, ódio e revanchismo". Segundo o texto, durante esta gestão, "não foi celebrado contrato, não foi feito nenhum pagamento nem foi concedida qualquer vantagem à empresa citada". "A Casan não teve uma única ação vendida a quem quer que seja e continua sendo inteiramente pública", continua. O governo afirma ainda que "está pronto para esclarecer todos os pontos de uma eventual investigação, se essa vier a ser instaurada".

Já Antonio Marcos Gavazzoni divulgou nota na qual diz que "há um equívoco do delator Paulo Welzel em relação ao meu nome". O próprio Welzel, como é possível verificar no vídeo de sua delação, faz questão de dizer que houve equívoco, que nunca me conheceu e pede correção do depoimento. O que digo pode ser verificado no vídeo de sua delação". Ele aponta ainda contradição entre as falas dos delatores Fernando Reis e Welzel sobre o mesmo evento. "Não há contra mim nenhum processo instaurado. Acredito que, como esta, haja outras contradições e erros nas delações em relação a outras pessoas. É fundamental o discernimento neste momento conturbado da nossa conjuntura política", conclui.

Leia Mais ►

Melhores momentos

A ideia era cada um descrever o seu melhor momento. O ponto mais alto de sua vida, diferente de tudo que viera antes e de tudo que viria depois. Sua apoteose pessoal.

Um contou que seu melhor momento fora terminar um elefante de argila numa aula de Trabalhos Manuais. Lembra Trabalhos Manuais? Tinha 7 ou 8 anos. O elefante de argila ficara bom. Feito de memória, até que ficara muito bom. Nada na vida o deixara tão contente como aquele elefante de argila.

A Bela contou: “Foi a primeira vez que acertei um pudim. Minha mãe vivia dizendo que eu não acertava o pudim porque era muito nervosa. Fazia tudo certo, não errava nos ingredientes, não errava na mistura, mas, de alguma maneira, meu nervosismo se transmitia ao pudim e o pudim desandava. O pudim também ficava nervoso. No dia em que acertei o pudim, tive uma crise de choro. Saí da cozinha para não influenciar o pudim, que poderia ter uma recaída. Mas, na mesa, quando minha mãe disse ‘O pudim é da Bela’ e todo o mundo aplaudiu, meu Deus do céu. Nunca mais senti a mesma coisa. Nem quando nasceram os gêmeos. Nunca mais”.

Já outra disse que nada se igualara a ter o primeiro filho. “Olha aí, até hoje não posso contar que me emociono. E o engraçado é que foi um sentimento extremamente egoísta. Me enterneci por mim mesma. Eu olhava aquela coisinha, tão bem feitinha, e me achava formidável, até ficava com ciúmes quando só elogiavam o bebê. Eu é que queria festa. Queria dizer ‘fui eu, fui eu, ele é apenas o produto da minha genialidade’. No meu marido, coitado, eu nem pensava. Ele não tinha nada a ver com aquilo. E eu não deixei ele acompanhar o parto. Sempre considerei pai acompanhando parto uma espécie de penetra. Alguém querendo participar de uma glória que não merece, como prefeito inaugurando obra da administração anterior. A glória era só minha. Aliás, em todo o processo de procriação, parto, essas coisas, o homem é um penetra. Sem duplo sentido, claro. O primeiro filho. Sem dúvida nenhuma, o primeiro filho... Depois, o desgraçado cresceu e foi aquilo que todo o mundo sabe.”

Para outro, foi a formatura o maior momento. Outro, o primeiro caso. Não, não o primeiro caso, assim, caso. O primeiro caso como advogado! Outro contou que seu maior momento fora a vez em que acertara uma bicicleta no futebol. “Nunca tinha tentado uma bicicleta antes, mas do jeito que a bola veio não havia alternativa. Fechei os olhos e fiz o que tinha visto outros fazerem. Atirei-me para trás, pedalei no ar e senti o segundo pé acertar a bola. Quando me levantei do chão vi que a bola tinha entrado no ângulo, bem no ângulo da goleira. Não havia plateia para aplaudir, era um jogo de praia. O goleiro adversário, ressentido, só disse ‘Sorte’. 

Em seguida, foi a vez da Thaís, e a Thaís arrasou. Contou como foi sua apoteose. A justificativa da sua existência, o prêmio final por todo o seu empenho em viver com bom gosto e gastar o dinheiro do Gegê com inteligência. Foi a vez em que entrou no café do Hotel Carlyle, de Nova York, no meio do show do Bobby Short, acompanhada por uns brasileiros que nunca tinham conseguido entrar no lugar, e quando a viu o Bobby exclamou “Thaís”!

Para completar a humilhação, Thaís contou que Bobby Short pronunciou o “agá” do seu nome.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Xadrez da marmelada do tríplex de Guarujá


Talvez a rapaziada seguidora da novilíngua da Internet não saiba o significado da palavra “marmelada” – não o doce. Significa combinar de forma desonesta com o adversário o resultado final.

Entenda como se montou a marmelada do tríplex de Guarujá – cuja propriedade é atribuída a Lula.

O maior abuso cometido hoje em dia contra o Estado de Direito é o instituto da delação premiada. É escandalosa a sem-cerimônia com que a delação é manipulada pela Lava Jato, pelo PGR Rodrigo Janot e pelo juiz Sérgio Moro. É o maior argumento em defesa da Lei Antiabuso.

Em um processo, há os dois lados: a acusação e a defesa. E o juiz arbitrando o jogo.

Na teoria, o procurador não é exclusivamente a pessoa da acusação, mas o que busca a verdade. Só na teoria. Na prática, é como o delegado que não quer estragar um grande caso descobrindo a inocência do réu, ou o jornalista que não quer estragar a manchete com dúvidas sobre a culpa do suspeito.

O MPF só aceita a delação de quem diz o que ele, procurador, quer ouvir. O réu não pode dizer mentiras factuais. Mas nada impede que avance em ilações falsas sobre fatos – que é uma forma mais inimputável de mentir – ou afirmações não comprováveis e que, por isso mesmo, podem ser manipuladas ao seu gosto. O melhor, ao gosto do procurador.

Vamos entender melhor esse jogo de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, com a Lava Jato-Procurador Geral da República. Esta semana, Léo declarou que Lula é o verdadeiro proprietário do tríplex de Guarujá, apesar dos advogados de Lula terem mostrado escrituras comprovando que a OAS continua como única proprietária do tríplex

Lance 1 – a armação para pressionar Pinheiro e mudar a versão

O lance Léo Pinheiro foi cantado no dia 29 de agosto do passado (https://goo.gl/Pt4xbA), quando o Procurador Geral Rodrigo Janot intempestivamente suspendeu as negociações para a delação com base em um motivo ridiculamente primário: uma denúncia anódina contra o Ministro Dias Toffolli, publicado pela revista Veja, e imediatamente atribuída por Janot a Léo – sem nenhuma comprovação.

A delação de Pinheiro comprometia fundamentalmente os governos de Geraldo Alckmin e José Serra, relatando o sistema de propinas em obras públicas estaduais. Até então, o que se sabia das delações da Odebrecht é que se limitavam a relatar financiamentos de campanha por caixa 2 e que Léo Pinheiro avançaria expondo sistemas de propinas.

Escrevi na época:

Versão 1 – o PGR acusou advogados da OAS de terem vazado parte do pré-documento de delação de Léo Pinheiro, com o intuito de pressionar para que a delação fosse aceita. (...) A versão não se sustenta porque, além de ser ilógica – é evidente que o vazamento comprometeria a delação (...)

Versão 2 – imediatamente Janot suspendeu as negociações para a aceitação da delação do presidente da OAS, Léo Pinheiro. Para justificar a não tomada de decisão ante as 17 delações anteriores vazadas, alegou que a de Toffoli era diferente, porque a informação não existia. Ou seja, tratou drasticamente um vazamento irrelevante (porque, segundo ele, de fatos que não existiam) e com condescendência vazamentos graves.

Na atual edição de Veja, tenta-se emplacar uma nova versão: a de que o anexo (com o suposto vazamento) existia, mas não constava da pré-delação formalizada. Como fica, então, o argumento invocado para livrar os procuradores da suspeita de vazamento?

 (...) No dia 11 de agosto passado, a sempre atilada Mônica Bérgamo deu pistas importantes para entender os últimos episódios (http://migre.me/uMCbH)”

“A revelação feita pela Odebrecht sobre dinheiro de caixa dois para o PMDB, a pedido de Michel Temer, e para o tucano José Serra (PSDB-SP) tem impacto noticioso, mas foi recebida com alívio por aliados de ambos. Como estão, os relatos poupam os personagens de serem enquadrados em acusações mais graves, como corrupção e formação de quadrilha.

 (...) Neste final de semana, Veja traz o conteúdo total da pré-delação de Léo Pinheiro.

Há informações seguras de pelo menos um depósito na conta de Verônica Serra. Esse depósito não aparece na pré-delação da OAS divulgada pela Veja. Talvez apareça mais à frente, quando se avançar sobre os sistemas de offshore”.

Há a necessidade de ler a íntegra da próxima delação de Pinheiro, para uma avaliação melhor sobre a maneira como relatará os esquemas de São Paulo. Mas é fora de dúvida de que, para conseguir se livrar da prisão, Léo Pinheiro teve que se propor a entregar Lula.

Esta semana, as informações sobre o tríplex de Guarujá foram prestadas por ele ainda sem constar do acordo de delação. Mas, antes do início do depoimento, fontes da Lava Jato já antecipavam seu conteúdo, o que significa que já haviam chegado a um entendimento, visando o objetivo central da operação: inviabilizar a candidatura de Lula para 2018.

Lance 2 – a ideia fixa do tríplex

No depoimento prestado a Moro, Pinheiro faz um relato inverossímil das ligações com Lula.

Dizer que financiou o PT é verossímil, assim como o apoio dado ao Instituto Lula. É verossímil também que teria aceitado assumir o edifício do tríplex, por saber que o casal Lula tinha uma cota em seu nome. Afinal, quem não gostaria de ter um edifício tendo como um dos proprietários de imóvel um ex-presidente da República. É igualmente verossímil que tenha convidado o casal Lula-Marise a visitar o edifício, para ver se se interessavam pelo apartamento.

A partir daí, não há um elemento sequer que comprove que Lula ficou com o tríplex. Lula declarou ter visitado o edifício, não ter gostado do apartamento e não ter ficado com ele.

Há uma montanha de testemunhas e documentos comprovando que a OAS permaneceu como proprietária do edifício.

Mas os brilhantes Sherlocks da Lava Jato transformaram o tríplex em questão de honra. Como é um caso mais ao alcance do chamado telespectador comum, a comprovação da posse do tríplex tornou-se uma obsessão.

Por conta dessa obsessão, já quebraram a cara ao descobrir que estava em nome de uma conta do escritório Mossak Fonseca. Promoveram o maior alarido, invadiram o escritório da Mossak, acessaram seu banco de dados e levaram duas pancadas simultâneas. A primeira, a constatação de que a offshore dona do tríplex era da OAS mesmo; a segunda, ao descobrir uma offshore de propriedade da família Marinho, da Globo.

Numa só tacada inocentaram o alvo e comprometeram o aliado.

Foi um custo varrer o elefante para baixo do tapete.

Lance 3 – a encomenda entregue por Pinheiro

Agora, Léo Pinheiro aparentemente cedeu e entregou a encomenda pedida.

Mas há um jogo curioso montado.

De um lado, deu declarações que, sem provas, não têm o menor valor penal. As provas, segundo antecipou o jornal O Globo, são terrivelmente ridículas: comprovações de reuniões com Lula, de telefonemas a funcionários do Instituto Cidadania. Junto, as delirantes provas colhidas pelos Sherlocks da Lava Jato que identificaram quatro (!) viagens em um ano de carros do Instituto até Guarujá.

Fica-se assim, então:

1.     As declarações de Pinheiro garantem alguns dias de cobertura intensiva no Jornal Nacional, preparando o ambiente para uma próxima condenação de Lula.

2.     Mas Pinheiro não entrega nenhuma prova comprometedora contra Lula, nem no caso do tríplex (que não deve ter mesmo), nem em nenhum outro caso relevante.

Além disso, o Código Penal proíbe que uma pessoa seja julgada duas vezes pela mesma acusação. E o caso do tríplex já foi julgado e anulado pela Justiça estadual de São Paulo, apresentada pelos procuradores estaduais.

Ou seja, a grande armação visando ou a prisão ou acelerar a condenação de Lula é ridiculamente frágil.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Distribuir inquéritos no STF pode gerar diferentes graus de justiça

A solução de distribuir entre os ministros do Supremo os 76 inquéritos autorizados pelo relator Luiz Edson Fachin pode apressar parte dos julgamentos de acusados na Lava Jato, mas tem um inconveniente básico. A diversidade na composição do tribunal leva ao risco, senão à certeza, de critérios jurídicos e interpretações pessoais diferentes para decisões de casos semelhantes. O resultado provável são diferentes graus de justiça.

Mesmo que os inquéritos com presença da Petrobras fiquem todos reservados ao ministro Fachin, permanece a característica geral dos casos: acima do envolvimento da estatal, trata-se de uma estrutura operativa de corrupção política e administrativa para saquear, em várias frentes, verbas públicas e mistas. Conviria muito, portanto, que os julgamentos respondessem também com unicidade jurídica nas inculpações e inocentações. 

A efetivar-se, a distribuição de inquéritos não será a primeira da Lava Jato no Supremo. O lote inicial de casos mandado pela Procuradoria-Geral da República ainda não dá informações sobre resultados da distribuição. Nem é provável que o faça com utilidade, porque a carga pesada começou a chegar agora. A ministra Cármen Lúcia providencia reforços ao quadro de juízes auxiliares. E nisso, em escala bastante maior e posta sob orientação e supervisão do relator, poderia estar o modo de evitar ou reduzir a distribuição e a possível disparidade de decisões dos casos. Os demais ministros têm muito com que se ocupar, na fila quilométrica dos processos em atraso.

Além da distribuição, o lote mais recente de acusados da Lava Jato é objeto de uma providência menos à altura do Supremo. A ministra Cármen Lúcia acha necessário – afinal, alguém acha – investigar o vazamento que se antecipou à liberação, pelo relator Fachin, da nova lista de acusados, que "O Estado de S. Paulo" publicou. A ministra estava nos Estados Unidos quando avisada da publicação.

Surpreendida, quis saber de Fachin o que o apressara. Enfim superada a dificuldade de localizá-lo, em descanso no interior paranaense, encontrou-o não menos surpreso. A presidente do STF não digeriu o vazamento. É compreensível e admirável.

Aquele, porém, não foi vazamento com aspas. Não foi ato seletivo de um juiz, ou procuradores, ou policiais, de veracidade incomprovada e dirigido para incentivar escândalos e exacerbar iras contra uma pessoa ou um grupo de pessoas. "Furos" jornalísticos provêm, quase todos, de vazamentos – mas de intenções honestas na origem e nos fins. Investigá-los requer cuidados com a diferença.

No caminho

Antonio Palocci, além de inteligente, é experiente, inclusive em situações de suspeito (como no caso do lixo e de outros da sua passagem como prefeito de Ribeiro Preto). Toda a parte divulgada de seu depoimento a Sergio Moro é uma arquitetura exemplar de ambiguidade.

Impossível concluir se Palocci prejudicou ou beneficiou o PT, Dilma, Lula e outros petistas, algum empreiteiro ou intermediário. 

De claro, só a certeza de que Palocci tem uma manobra preparada por trás da oferta, feita a Moro, de lhe "abrir um caminho" que levaria a ocupá-lo por mais um ano. Quanto a ele, não se sabe para onde Palocci caminha.

Negócios

A onda, apenas iniciada, sobre venda dos Correios por causa de prejuízos tem explicação simples. O crescimento das vendas pela internet faz do serviço de entregas um dos negócios mais promissores do Brasil, sendo já sucesso financeiro em muitos países. A conversa de prejuízo, a alegada falta de perspectiva e a liquidação de agências esvaziam o valor da empresa. Para privatização, com grupos já interessados e na ativa, no ano que vem.

É o governo Temer em ação. Até a próxima Lava Jato.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►