13 de abr de 2017

Emilio delata os Marinho: petrolão começou com “sociedade privada” de Odebrecht e Globo


No minuto 12:45, Emilio Odebrecht menciona a organização, pela Odebrecht, de uma “sociedade privada”, com participação da Globo, com objetivo de fazer lobby pela privatização da telefonia pública e pela quebra do monopólio do Estado no setor de petróleo.

É um lobby diretamente ligado ao financiamento político do PSDB e do governo FHC.

A delação de Emilio Odebrecht está muito interessante. O empresário é um contraste chocante com os burocratas do Ministério Público, que não tem a mínima ideia de como funciona a vida real no mundo da política e dos negócios.

Pelo depoimento de Emilio, fica evidente que a Lava Jato começa com Odebrecht e Globo organizando, para o governo, o arcabouço jurídico dos setores de telecomunicação e petróleo, no Brasil, durante os anos seguintes. É o início do “petrolão”.

O famigerado “cartel das empreiteiras” foi idealizado inicialmente por uma sociedade privada formada por Odebrecht e Globo.

Se eu fosse um blogueiro sensacionalista, poderia dizer que se a Odebrecht é o pai, a Globo é a mãe do petrolão.

Lula era um elemento estranho nas grandes negociatas. Um “Amigo” politicamente simpático, porque interessado em ampliar a infra-estrutura do Brasil e financiar a exportação nacional de serviços de engenharia, uma liderança política a quem a Odebrecht tentava agradar com ajudas financeiras às campanhas eleitorais do PT.

No mesmo vídeo, Emilio admite que sua empresa financiou, via caixa 1 e 2, as duas campanhas de Fernando Henrique Cardoso, de quem era muito próximo.

No vídeo, o procurador parece um personagem de Porta dos Fundos, ultranervoso com as citações a FHC, tentando fugir, em vão, de assuntos que possam envolver o PSDB.

Escute com atenção e tire suas conclusões.



Miguel do Rosário
No Cafezinho
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A Justiça assume o poder, sem voto nem povo

http://rodrigovianna.revistaforum.com.br/geral/38054/

O sistema político implodiu. A República de 1988 chegou ao fim, mesmo que ainda tenha forças para se arrastar moribunda pelo chão.


O Poder Judiciário e o Ministério Público, numa aliança prolongada com a Globo e a mídia comercial, assumem o poder. Reparem: são 3 poderes que não se submetem à chancela do voto. MPF, STF e Globo. E se retroalimentam, absorvendo a legitimidade que tiraram do sistema político.

A cobertura da Globo sobre a lista de Facchin/Janot segue a lógica esperada: 10 minutos de bombardeio intenso contra Lula, e uma cobertura muito mais diluída quando os alvos são tucanos. Mas a novidade é essa: rompeu-se a blindagem tucana.

O PSDB deveria anotar essa data: 12 de abril de 2017. Desde hoje, o partido perdeu a utilidade como contraponto ao PT. Serra, Aécio, Alckmin e FHC (ah, o aluno de Florestan Fernandes não conhece a História brasileira?) cumpriram o destino de Lacerda: usaram o moralismo e a histeria das classes médias para tramar o golpe contra Dilma. E no fim acabaram tragados pela onda que ajudaram a fomentar.

Este blogueiro escreve sobre isso desde 2015 – como se pode ler aqui. Engana-se quem pensa que Moro e a Lava-Jato cumprem uma agenda tucana. A agenda do Partido da Justiça, em aliança com a Globo, segue ritmo próprio. A aliança com o PSDB era meramente tática. E se desfez.

O objetivo não era destruir o PT, mas implodir o Estado nacional. O que em parte já se conseguiu.

No sistema político, Lula é o único ainda com capacidade de liderança para enfrentar a direita togada. Aqui e ali, personagens de outros partidos parecem intuir que de Lula poderia vir alguma reação. Inclusive FHC (agora sob investigação da Justiça) já deu mostras de que seria preciso algum freio no moralismo togado. Parece pouco, e parece vir tarde demais.

Moro e a Lava-Jato ainda precisarão manter o bombardeio para destruir Lula.

A cobertura do escândalo no JN, neste dia 12 de abril, foi uma sucessão de “Facchin disse”, “o STF pediu”, “Moro recebeu os autos”. A Justiça no centro absoluto do poder. O Executivo e o Legislativo colocados de joelhos.

O clima agora é de salve-se quem puder.

A sina de 64 se repete. Os espertalhões do golpismo acharam que empunhariam o poder. Mas a derrubada do trabalhismo significa que o poder está agora nas mãos de uma corporação sem votos, associada à família mais rica do Brasil: a família Marinho. O verde oliva, nesse golpe do século XXI, foi substituído pelo tom negro das togas.

Se Moro mandar o camburão da PF parar na frente da casa de qualquer empresário/jornalista/operário/professor, a condenação já estará estabelecida. A Justiça pode tudo. Todos são suspeitos.

Caminhamos para um caos, num Estado que se desmonta.

Das ruas pode vir alguma resistência. Mas o fato é que vivemos numa espécie de 1968, sem AI-5 declarado.

Esse tipo de processo baseado na caça às bruxas e no denuncismo permanente tende a devorar inclusive seus filhos. A lógica é essa. E o caminho estará aberto para as falanges fascistas e histéricas que votavam no PSDB e agora tentarão conduzir ao poder algo muito pior. O caos será prolongado.
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Emilio Odebrecht critica hipocrisia do PIG


O empresário e principal acionista do Grupo Odebrecht diz que a relação de corrupção entre empresas e governantes existe no Brasil há mais de 30 anos. Para ele, a imprensa age com demagogia denunciando essa prática apenas agora. "Acho que todos deveriam fazer uma lavagem de roupa suja nas próprias casas". Emílio confessou que mantinha relações pessoais e negócios com Lula, ACM, FHC, Hugo Chávez e José Eduardo Santos (presidente de Angola).

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Moro ajudou Temer a encobrir reunião do achaque


O mais importante, agora, é que se investiguem os fatos nos depoimentos dos executivos da Odebrecht com muito mais afinco do que as alegações e, de toda a batelada de informações que ontem vieram à tona um fato com local, hora e participantes absolutamente definidos, caracterizando um verdadeiro achaque, coordenado pessoalmente pelo então candidato a vice-presidente da República e hoje o homem no comando do país.

Um fato que não pode permanecer no limbo pela simples alegação de que ele, por salvaguarda constitucional, não pode ser criminalmente responsabilizado até que se encerre a sua passagem pelo Palácio do Planalto, até porque há outros participantes que detinham (e um deles ainda detém) funções públicas.

Foi essa situação, chocante e escusa, da qual Sérgio Moro protegeu o Sr. Michel Temer ao vetar a pergunta de número 34 da lista de questões feitas por Eduardo Cunha a ele, que transcrevo, literalmente:

34-“Vossa Excelência tem conhecimento se houve alguma reunião sua com fornecedores da área internacional da Petrobrás com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político na Avenida Antônio Batuíra, nº 470, em São Paulo/SP, juntamente com João Augusto Henriques?”

Pois agora surge a informação precisa desta reunião: foi neste endereço, no dia 15 de julho de 2010, às 11h30. Não é preciso muito esforço, está na lista telefônica que ali é o escritório de Michel Elias Lulia Temer, telefone  3816-39XX

Temos um fato concreto, com data, hora, local e lista de participantes. Há fartos meios de prova, como passagens aéreas e agendas dos envolvidos. E não há um pedido de ajuda para campanha, mas um ato de exigir vantagens financeiras para a assinatura de um contrato.

Esta é a primeira providência: confirmar, objetivamente,  a reunião do achaque, o destino e a forma dos pagamentos da impressionante quantia de US$ 40 milhões (por favor, evite-se histórias de mochilas, para que não se tenha de fazer as contas do volume, porque é maior do que uma caixa d’água de mil litros cheia até à boca com notas de R$ 100).

Isto é, faço questão de apresentar aos neojornalistas e neopoliciais-procuradores, abastecidos de convicções, o que antigamente chamávamos de “Sua Excelência, o fato”.

Ou para esta imensa teia que temos aí só interessam as “moscas selecionadas”?

As denúncias em relação a Lula, Dilma e outros que estão fora do poder devem ser apuradas, mas estão na base do “tenho certeza de que era para eles”.

Esta tem nome, sobrenome, endereço e fartas impressões digitais.

Vai prevalecer o veto do Doutor Moro e a Procuradoria e a mídia também vão deixar para lá, pois não vem ao caso?

É pior: Temer presidiu, em seu escritório, sessão para tomar US$ 40 mi


Escritório político de Temer, na Avenida Antônio Batuíra (para quem não se lembra era Batuíra um dos apelidos de Eliseu Resende na planilha da Odebrecht)  em São Paulo, no Alto de Pinheiros, no dia 15 de julho de 2010, às 11h30.

Esse foi o momento do roubo que Dilma Rousseff desconfiava, segundo o depoimento de Marcelo Odebrecht, enfocado no post anterior.

Michel Temer estava à cabeceira da mesa em que se acertou o pagamento de US$ 40 milhões de propina relativos a 5% de um contrato da empreiteira com a Petrobras.

Em volta dele, Rogério Araújo, outro executivo da Odebrecht, e os então deputados federais Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN), todos do PMDB, além do lobista João Augusto Henriques.

O ex-executivo, então presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, Márcio Faria da Silva diz que ali se acertou o tal contrato da Petrobras que despertou as suspeitas de Graça Foster e de Dilma Rousseff , que seria adjudicado em favor da companhia e que o PMDB contaria com ajuda financeira para campanha política, o que foi concordado por Temer”, escreveu no termo escrito que entregou.

O valor? Nada menos que o equivalente da US$ 40 milhões, ou R$ 120 milhões.

Diz a Folha:

Segundo seu relato, Temer afirmou que qualquer problema com ela seria resolvido pelos “rapazes”, Eduardo Cunha e Henrique Alves. “Sinalizando para o colo dele, disse que os dois rapazes iam resolver os assuntos necessários de interesse do PMDB.”

Outros delatores da Odebrecht confirmaram a versão de Márcio Faria, com a apresentação de documentos de pagamentos no Brasil e no exterior.

Michel Temer está morto. E a autópsia mostra como Eduardo Cunha chegou à presidência da Câmara e ele à presidência da República.



Fernando Brito
No Tijolaço
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CUT/Vox Populi: Popularidade de Temer evapora

Só 5% dos entrevistados consideram ótimo ou bom o desempenho do peemedebista na presidência, aponta pesquisa. Para 51%, piorou o combate à corrupção


A popularidade de Michel Temer não para de cair, aponta uma nova rodada da pesquisa do instituto Vox Populi encomendada pela Central Única dos Trabalhadores. Segundo o levantamento realizado entre 6 e 10 de abril, apenas 5% dos entrevistados consideram o desempenho do presidente ótimo ou bom. Esse percentual era de 8% em dezembro do ano passado e de 14% em outubro.

No outro extremo, 65% classificaram a atuação de Temer como ruim ou péssima. A deterioração da imagem do peemedebista impressiona. Em outubro passado, em sua melhor fase, o presidente era reprovado por 34%.


A maior rejeição a Temer foi registrada no Nordeste (78%), a menor, no Centro-Oeste (57%).

Nem Dilma Rousseff no auge de sua impopularidade e às vésperas do impeachment foi tão mal avaliada. Os índices de ótimo e bom atribuídos à presidenta em sua pior fase oscilaram de 13% a 10% em diferentes pesquisas. Em único levantamento o apoio ficou em um dígito: 9% em uma enquete do Ibope.

A pesquisa CUT/Vox Populi aponta ainda uma leve piora na percepção dos brasileiros sobre o combate à corrupção. Para 51%, ele está pior com Temer na presidência da República. Em dezembro, essa era a opinião de 49% dos entrevistados.


Inflação e desemprego

A pesquisa registra uma pequena melhora das expectativas em relação à inflação e ao aumento do desemprego. No caso dos preços, 63% apostam que eles vão continuar a subir (eram 71% em dezembro).

Quanto ao fechamento de postos de trabalhos, recuou de 70% para 65% o percentual daqueles que acreditam em uma aceleração das demissões nos próximos seis meses.


A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Foram 2 mil entrevistas em 118 cidades.

No CartaCapital
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Manifesto do Projeto Brasil Nação


O Brasil vive uma crise sem precedentes. O desemprego atinge níveis assustadores. Endividadas, empresas cortam investimentos e vagas. A indústria definha, esmagada pelos juros reais mais altos do mundo e pelo câmbio sobreapreciado. Patrimônios construídos ao longo de décadas são desnacionalizados.

Mudanças nas regras de conteúdo local atingem a produção nacional. A indústria naval, que havia renascido, decai. Na infraestrutura e na construção civil, o quadro é de recuo. Ciência, cultura, educação e tecnologia sofrem cortes.

Programas e direitos sociais estão ameaçados. Na saúde e na Previdência, os mais pobres, os mais velhos, os mais vulneráveis são alvo de abandono.

A desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. A sociedade se divide e se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito.

No conjunto, são as ideias de nação e da solidariedade nacional que estão em jogo. Todo esse retrocesso tem apoio de uma coalizão de classes financeiro-rentista que estimula o país a incorrer em deficits em conta corrente, facilitando assim, de um lado, a apreciação cambial de longo prazo e a perda de competitividade de nossas empresas, e, de outro, a ocupação de nosso mercado interno pelas multinacionais, os financiamentos externos e o comércio desigual.

Esse ataque foi desfechado num momento em que o Brasil se projetava como nação, se unindo a países fora da órbita exclusiva de Washington. Buscava alianças com países em desenvolvimento e com seus vizinhos do continente, realizando uma política externa de autonomia e cooperação. O país construía projetos com autonomia no campo do petróleo, da defesa, das relações internacionais, realizava políticas de ascensão social, reduzia desigualdades, em que pesem os efeitos danosos da manutenção dos juros altos e do câmbio apreciado.

Para o governo, a causa da grande recessão atual é a irresponsabilidade fiscal; para nós, o que ocorre é uma armadilha de juros altos e de câmbio apreciado que inviabiliza o investimento privado. A política macroeconômica que o governo impõe à nação apenas agravou a recessão. Quanto aos juros altíssimos, alega que são “naturais”, decorrendo dos déficits fiscais, quando, na verdade, permaneceram muito altos mesmo no período em que o país atingiu suas metas de superávit primário (1999-2012).

Buscando reduzir o Estado a qualquer custo, o governo corta gastos e investimentos públicos, esvazia o BNDES, esquarteja a Petrobrás, desnacionaliza serviços públicos, oferece grandes obras públicas apenas a empresas estrangeiras, abandona a política de conteúdo nacional, enfraquece a indústria nacional e os programas de defesa do país, e liberaliza a venda de terras a estrangeiros, inclusive em áreas sensíveis ao interesse nacional.

Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país.

O governo antinacional e antipopular conta com o fim da recessão para se declarar vitorioso. A recuperação econômica virá em algum momento, mas não significará a retomada do desenvolvimento, com ascensão das famílias e avanço das empresas. Ao contrário, o desmonte do país só levará à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento.

Para voltar a crescer de forma consistente, com inclusão e independência, temos que nos unir, reconstruir nossa nação e definir um projeto nacional. Um projeto que esteja baseado nas nossas necessidades, potencialidades e no que queremos ser no futuro. Um projeto que seja fruto de um amplo debate.

É isto que propomos neste manifesto: o resgate do Brasil, a construção nacional.

Temos todas as condições para isso. Temos milhões de cidadãos criativos, que compõem uma sociedade rica e diversificada. Temos música, poesia, ciência, cinema, literatura, arte, esporte – vitais para a construção de nossa identidade.

Temos riquezas naturais, um parque produtivo amplo e sofisticado, dimensão continental, a maior biodiversidade do mundo. Temos posição e peso estratégicos no planeta. Temos histórico de cooperação multilateral, em defesa da autodeterminação dos povos e da não intervenção.
O governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária.

Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos.

Nossos pilares são: autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente – os pilares de um regime desenvolvimentista e social.

Para termos autonomia nacional, precisamos de uma política externa independente, que valorize um maior entendimento entre os países em desenvolvimento e um mundo multipolar.

Para termos democracia, precisamos recuperar a credibilidade e a transparência dos poderes da República. Precisamos garantir diversidade e pluralidade nos meios de comunicação. Precisamos reduzir o custo das campanhas eleitorais, e diminuir a influência do poder econômico no processo político, para evitar que as instituições sejam cooptadas pelos interesses dos mais ricos.

Para termos Justiça precisamos de um Poder Judiciário que atue nos limites da Constituição e seja eficaz no exercício de seu papel. Para termos segurança, precisamos de uma polícia capacitada, agindo de acordo com os direitos humanos.

Para termos liberdade, precisamos que cada cidadão se julgue responsável pelo interesse público.

Precisamos estimular a cultura, dimensão fundamental para o desenvolvimento humano pleno, protegendo e incentivando as manifestações que incorporem a diversidade dos brasileiros.

Para termos desenvolvimento econômico, precisamos de investimentos públicos (financiados por poupança pública) e principalmente investimentos privados. E para os termos precisamos de uma política fiscal, cambial socialmente responsáveis; precisamos juros baixos e taxa de câmbio competitiva; e precisamos ciência e tecnologia.

Para termos diminuição da desigualdade, precisamos de impostos progressivos e de um Estado de bem-estar social amplo, que garanta de forma universal educação, saúde e renda básica. E precisamos garantir às mulheres, aos negros, aos indígenas e aos LGBT direitos iguais aos dos homens brancos e ricos.

Para termos proteção do ambiente, precisamos cuidar de nossas florestas, economizar energia, desenvolver fontes renováveis e participar do esforço para evitar o aquecimento global.

Neste manifesto inaugural estamos nos limitando a definir as políticas públicas de caráter econômico. Apresentamos, assim, os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil Nação.

1 Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde

2 Taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil

3 Superávit na conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva

4 Retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade

5 Reforma tributária que torne os impostos progressivos

Esses cinco pontos são metas intermediárias, são políticas que levam ao desenvolvimento econômico com estabilidade de preços, estabilidade financeira e diminuição da desigualdade. São políticas que atendem a todas as classes exceto a dos rentistas.

A missão do Projeto Brasil Nação é pensar o Brasil, é ajudar a refundar a nação brasileira, é unir os brasileiros em torno das ideias de nação e desenvolvimento – não apenas do ponto de vista econômico, mas de forma integral: desenvolvimento político, social, cultural, ambiental; em síntese, desenvolvimento humano. Os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil são seus instrumentos – não os únicos instrumentos, mas aqueles que mostram que há uma alternativa viável e responsável para o Brasil.

Estamos hoje, os abaixo assinados, lançando o Projeto Brasil Nação e solicitando que você também seja um dos seus subscritores e defensores.

30 de março de 2017 

Subscritores originais
  • Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista
  • Eleonora de Lucena, jornalista
  • Celso Amorim, embaixador
  • Raduan Nassar, escritor
  • Chico Buarque de Hollanda, músico e escritor
  • Mario Bernardini, engenheiro
  • Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico
  • Roberto Schwarz, crítico literário
  • Pedro Celestino, engenheiro
  • Fábio Konder Comparato, jurista
  • Kleber Mendonça Filho, cineasta
  • Laerte, cartunista
  • João Pedro Stedile, ativista social
  • Wagner Moura, ator e cineasta
  • Vagner Freitas, sindicalista
  • Margaria Genevois, ativista de direitos humanos
  • Fernando Haddad, professor universitário
  • Marcelo Rubens Paiva, escritor
  • Maria Victoria Benevides, socióloga
  • Luiz Costa Lima, crítico literário
  • Ciro Gomes, político
  • Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, economista
  • Alfredo Bosi, crítico e historiador
  • Eclea Bosi, psicóloga
  • Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga
  • Fernando Morais, jornalista
  • Leda Paulani, economista
  • André Singer, cientista político
  • Luiz Carlos Barreto, cineasta
  • Paulo Sérgio Pinheiro, sociólogo
  • Maria Rita Kehl, psicanalista
  • Eric Nepomuceno, jornalista
  • Carina Vitral, estudante
  • Luiz Felipe de Alencastro, historiador
  • Roberto Saturnino Braga, engenheiro e político
  • Roberto Amaral, cientista político
  • Eugenio Aragão, subprocurador geral da república
  • Ermínia Maricato, arquiteta
  • Tata Amaral, cineasta
  • Marcia Tiburi, filósofa
  • Nelson Brasil, engenheiro
  • Gilberto Bercovici, advogado
  • Otavio Velho, antropólogo
  • Guilherme Estrella, geólogo
  • José Gomes Temporão, médico
  • Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, historiador
  • Frei Betto, religioso e escritor
  • Hélgio Trindade, cientista político
  • Renato Janine Ribeiro, filósofo
  • Ennio Candotti, físico
  • Samuel Pinheiro Guimarães, embaixador
  • Franklin Martins, jornalista
  • Marcelo Lavenere, advogado
  • Bete Mendes, atriz
  • José Luiz Del Roio, ativista político
  • Vera Bresser-Pereira, psicanalista
  • Aquiles Rique Reis, músico
  • Rodolfo Lucena, jornalista
  • Maria Izabel Azevedo Noronha, professora
  • José Marcio Rego, economista
  • Olímpio Alves dos Santos, engenheiro
  • Altamiro Borges, jornalista
  • Reginaldo Mattar Nasser, sociólogo
  • José Joffily, cineasta
  • Isabel Lustosa, historiadora
  • Odair Dias Gonçalves, físico
  • Pedro Dutra Fonseca, economista
  • Alexandre Padilha, médico
  • Ricardo Carneiro, economista
  • José Viegas Filho, diplomata
  • Paulo Henrique Amorim, jornalista
  • Pedro Serrano, advogado
  • Mino Carta, jornalista
  • Luiz Fernando de Paula, economista
  • Iran do Espírito Santos, artista
  • Hildegard Angel, jornalista
  • Pedro Paulo Zaluth Bastos, economista
  • Sebastião Velasco e Cruz, cientista político
  • Marcio Pochmann, economista
  • Luís Augusto Fischer, professor de literatura
  • Maria Auxiliadora Arantes, psicanalista
  • Eleutério Prado, economista
  • Hélio Campos Mello, jornalista
  • Eny Moreira, advogada
  • Nelson Marconi, economista
  • Sérgio Mamberti, ator
  • José Carlos Guedes, psicanalista
  • João Sicsú, economista
  • Rafael Valim, advogado
  • Marcos Gallon, curador
  • Maria Rita Loureiro, socióloga
  • Antônio Corrêa de Lacerda, economista
  • Ladislau Dowbor, economista
  • Clemente Lúcio, economista
  • Arthur Chioro, médico
  • Telma Maria Gonçalves Menicucci, cientista política
  • Ney Marinho, psicanalista
  • Felipe Loureiro, historiador
  • Eugênia Augusta Gonzaga, procuradora
  • Carlos Gadelha, economista
  • Pedro Gomes, psicanalista
  • Claudio Accurso, economista
  • Eduardo Guimarães, jornalista
  • Reinaldo Guimarães, médico
  • Cícero Araújo, cientista político
  • Vicente Amorim, cineasta
  • Emir Sader, sociólogo
  • Sérgio Mendonça, economista
  • Fernanda Marinho, psicanalista
  • Fábio Cypriano, jornalista
  • Valeska Martins, advogada
  • Laura da Veiga, socióloga
  • João Sette Whitaker Ferreira, urbanista
  • Francisco Carlos Teixeira da Silva, historiador
  • Cristiano Zanin Martins, advogado
  • Sérgio Barbosa de Almeida, engenheiro
  • Fabiano Santos, cientista político
  • Nabil Araújo, professor de letras
  • Maria Nilza Campos, psicanalista
  • Leopoldo Nosek, psicanalista
  • Wilson Amendoeira, médico
  • Nilce Aravecchia Botas, arquiteta
  • Paulo Timm, economista
  • Maria da Graça Pinto Bulhões, socióloga
  • Olímpio Cruz Neto, jornalista
  • Renato Rabelo, político
  • Maurício Reinert do Nascimento, administrador
  • Adhemar Bahadian, embaixador
  • Angelo Del Vecchio, sociólogo
  • Maria Theresa da Costa Barros, psicóloga
  • Gentil Corazza, economista
  • Luciana Santos, deputada
  • Ricardo Amaral, jornalista
  • Benedito Tadeu César, economista
  • Aírton dos Santos, economista
  • Jandira Feghali, deputada
  • Laurindo Leal Filho, jornalista
  • Alexandre Abdal, sociólogo
  • Leonardo Francischelli, psicanalista
  • Mario Canivello, jornalista
  • Mario Ruy Zacouteguy, economista
  • Anne Guimarães, cineasta
  • Rosângela Rennó, artista
  • Eduardo Fagnani, economista
  • Rebeca Schwartz, psicóloga
  • Moacir dos Anjos, curador
  • Regina Gloria Nunes de Andrade, psicóloga
  • Rodrigo Vianna, jornalista
  • Lucas José Dib, cientista político
  • William Antonio Borges, administrador
  • Paulo Nogueira, jornalista
  • Oswaldo Doreto Campanari, médico
  • Carmem da Costa Barros, advogada
  • Eduardo Plastino, consultor
  • Ana Lila Lejarraga, psicóloga
  • Cassio Silva Moreira, economista
  • Marize Muniz, jornalista
  • Valton Miranda, psicanalista
  • Miguel do Rosário, jornalista
  • Humberto Barrionuevo Fabretti, advogado
  • Fabian Domingues, economista
  • Kiko Nogueira, jornalista
  • Fania Izhaki, psicóloga
  • Carlos Henrique Horn, economista
  • Beto Almeida, jornalista
  • José Francisco Siqueira Neto, advogado
  • Paulo Salvador, jornalista
  • Walter Nique, economista
  • Claudia Garcia, psicóloga
  • Luiz Carlos Azenha, jornalista
  • Ricardo Dathein, economista
  • Etzel Ritter von Stockert, matemático
  • zcarlos, publicitário

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O escândalo da Petroquímica Suape - a "Pasadena" do governo Temer

http://www.maurosantayana.com/2017/04/o-escandalo-da-petroquimicaa-suape.html


Com 9 bilhões de reais investidos e capacidade de produção de 640.000 toneladas de PTA e 450.000 toneladas de PET por ano, uma novíssima refinaria da Petrobras em Pernambuco está sendo vendida pela empresa para mexicanos pelo equivalente a apenas cinco dias de seu faturamento.

(Rede Brasil Atual) - Após a derrota de sindicatos - que deveriam ter insistido, em todo o país, com novas ações - o Judiciário autorizando a escandalosa venda da Petroquímica Suape e da Citepe, de Pernambuco, nas quais foram investidos 9 bilhões de reais - pela Petrobras, a mexicanos, pelo equivalente ao valor de pouco mais de cinco dias de seu faturamento.

Para que vender a Petroquímica Suape se, no final de 2015, a dívida da empresa era menos de dois bilhões, o equivalente, portanto, a apenas 2 anos vendas, se a sua receita líquida cresceu em 19% naquele ano e o seu prejuízo caiu em 35% frente a 2014?

Prejuízo esse cujas razões devem ser procuradas no próprio México, que, devido a um acordo de preferências tarifárias, por meio de empresas como a empresa que está comprando a refinaria, a ALPEK, vende milhares de toneladas de PET ao Brasil sem pagar um centavo de imposto, e é o principal concorrente, em nosso próprio país, da mesma Companhia Petroquímica Suape, obrigando-a a trabalhar com um baixo nível de ocupação de apenas 65% de sua capacidade instalada?

Ora, as perguntas que não querem calar, são, por que - se tocar a petroquímica é um mau negócio - nossos "hermanitos" mexicanos estão comprando a empresa, que, aliás, poderia ter sido negociada com compradores que têm potencial para pagar muito mais, como os chineses, por exemplo?

Ou, simplesmente, por que não se colocou, a esse preço de ocasião, a empresa para ser vendida em bolsa, diluindo o seu capital e beneficiando, com esse negócio de pai para filho, milhares de acionistas brasileiros?

A primeira e mais óbvia razão para a compra pelos mexicanos, é que ela está sendo vendida a preço de banana, por acionistas da Petrobras - como fundos de investimento, por exemplo - que, querendo - nada os impede disso - podem comprar ações da ALPEK na Bolsa Mexicana de Valores antes, ou logo depois da concretização do negócio, lucrando, junto com os donos da Alpek, uma fortuna de bilhões de dólares na compra da refinaria por pouco mais de 10% do que foi investido no negócio.

Vendendo barato, com uma mão, e comprando com a outra, fora do país, um patrimônio que foi levantado com dinheiro de todos os brasileiros e que pertence majoritariamente a toda a população brasileira.

A segunda é que a ALPEK e o seu controlador, o Grupo ALFA, não passam, exatamente, por um bom momento - por isso suas ações estão ainda mais "baratas" do que o normal - e precisam produzir boas notícias.

O fundador do grupo ALFA, controlador da ALPEK, Armando Garza, faleceu na semana passada, e as ações da ALPEK já tiveram uma queda de 16% no primeiro trimestre de 2017, com uma baixa de valor de mercado de mais de 5 bilhões de pesos mexicanos.

Os investiddores mexicanos estavam preocupados com o futuro das ações da ALPEK devido à debilidade de seu relatório trimestral, justamente na área em que pretende se consolidar no Brasil, a de poliester e de polipriopileno, na qual suas vendas retrocederam em 3%, fazendo com que o seu EBTIDA tenha diminuído em 2016 em 7% com relação ao último trimestre de 2015.

Por tudo isso, a imprensa mexicana comemora ruidosamente em suas manchetes a compra da petroquímica de SUAPE pela ALPEK.

A aquisição aumentará, potencialmente, a produção de PTA do Grupo ALPEK em 33% e a de PET em 25% - pagando-se uma mixaria, a metade do valor que era esperada no início pelos observadores.

Calculava-se, na Cidade do México, que a compra poderia sair por um valor mínimo de 600 milhões de dólares - só os ativos valem várias vezes isso - quando o preço final ficou por pouco menos de 400 milhões, o equivalente a aproximadamente dois dias de faturamento da Petrobras, por um patrimônio no qual foram investidos, voltemos a lembrar, 9 bilhões de reais, que embute, na prática, o virtual controle do mercado brasileiro de um dos insumos mais usados em nossa economia.

A terceira razão do negócio, e a mais importante, para os mexicanos, é - independente da situação da ALPEK e a da Petrobras, que, com crescimento constante de sua produção neste ano, e um aumento no valor de suas ações de 200% nos últimos doze meses, é muitíssimo melhor do que a do grupo mexicano - é de interesse nacional, por sua natureza geopolítica e estratégica.

O México resolveu controlar a produção de polietileno, um artigo que se usa aos milhares de toneladas por dia, no Brasil - que tem um mercado maior que o mexicano e é o maior da região - para afastar o Brasil como concorrente e controlar o mercado desse insumo, nãao apenas aqui, no Brasil, mas, em dimensão continental, na América Latina como um todo.

Com a entrega da Petroquímica de Suape à ALPEK, o mercado brasileiro de PET passa a ficar nas mãos dos mexicanos, que poderão, a partir de agora, até mesmo fechar, no futuro, a fábrica pernambucana, ou diminuir a sua produção quando lhes der na telha.

Para isso, ele podem, por exemplo, aumentar as exportações de PET para o Brasil a partir de suas fábricas mexicanas, ou produzir, aqui, no Brasil, com petróleo vindo do México, beneficiando, indiretamente, a PEMEX, a companhia estatal de petróleo mexicana.

E regular a oferta em nosso mercado, para aumentar o preço do insumo, estabelecendo um virtual monopólio nessa área.

Cortando a possibilidade estratégica que o Brasil tinha de alcançar a autosuficiência na produção de PET e de produzir aqui mesmo com petróleo nacional, agregando valor ao petróleo produzido pela Petrobras.

Tirando do Brasil a possibilidade que ele tinha, com essa refinaria, de disputar a supremacia, com o beneficiamento direto de nossa crescente produção de petróleo, com os nossos maiores concorrentes nessa área, que são - ou melhor, eram, porque saímos praticamente do negócio depois de gastar bilhões montando essa unidade petroquímica para eles - justamente nossos hermanos do país dos tacos, do Chapolin Colorado e do Speedy Gonzalez, o Ligeirinho.

Os negócios envolvendo a compra, pela Petrobras, da refinaria norte-americana de Pasadena, com um controvertido prejuízo - foram pagos 7.200 dólares por barril de capacidade de processamento, em um ano em que a média de negócios nessa área (11 vendas de refinaria em todo o mundo) foi feita com preço mais alto, de 9.200 dólares o barril) tranformaram-se em uma das principais bandeiras da campanha midiota-jurídico-política que levou à derrubada de Dilma Roussef da Presidência da República.

Não é de se estranhar que a desculpa do governo Temer, de diminuir os prejuízos da construção da Petroquímica SUAPE - que por maiores sejam, um belo dia se pagariam e começariam a dar lucro - não desperte - neste país cada vez mais canalha e hipócrita - a mesma indignação por parte da imprensa e de milhares de carregadores de pato e de batedores de panela, que, sem embargo, como cidadãos, estão levando, na entrega de mão beijada dessa gigantesca refinaria aos mexicanos, um prejuízo várias vezes maior do que o primeiro.

Comprar uma empresa lá fora - expandido nossa influência no mundo - é um escândalo.

Repassar uma empresa brasileira, muito mais moderna, aumentando o poder de estrangeiros aqui dentro, para gringos, a preço de banana, é a coisa mais normal do mundo.
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Zuzu Angel agora é heroína da pátria, depoimento de Hildegard Angel


Iniciativa da deputada Jandira Feghali garantiu o nome da estilista como a primeira mulher heroína da história contemporânea brasileira. Para sua filha, Hildegard Angel, esse reconhecimento é fundamental para que aqueles anos da ditadura jamais se repitam.

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Lula fala com Mário Kertész, da Rádio Metrópole na Bahia


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O presente do algoz

As defesas dos acusados na Lava Jato receberam de Marcelo Odebrecht um presente de alto valor, embrulhado em afirmações devastadoras. Com a espontaneidade de uma conversa relaxada, ele emitiu na delação a Sergio Moro uma explicação que chegou à Lava Jato como uma inconveniência.

Depois de dizer que três quartos do custo estimado das campanhas eram caixa dois (o dinheiro não declarado pelo recebedor nem pelo doador), Odebrecht fez uma ressalva: esse dinheiro "não é necessariamente" de caixa dois da empresa, logo, "não é necessariamente" dinheiro ilícito.

Deliberada ou não, aí está uma afirmação que vai direto a um dos pontos mais sensíveis na maioria das acusações da Lava Jato a políticos. Todas as doações são dadas pelos procuradores como originárias do caixa ilegal dos doadores, o que leva à imediata consideração de que os recebimentos são crimes. As tentativas, por alguns advogados de defesa, de questionar tal dedução automática foram ignoradas pelos procuradores, incluído o procurador-geral Rodrigo Janot, e pelo juiz Moro.

A ressalva de Odebrecht traz uma base objetiva para que as defesas cobrem a procedência do dinheiro sem conexão clara com a corrupção. Vieram de dinheiro limpo e contabilizado ou de trapaças? Muitas doações de campanha suspeitas podem ser legais, mesmo se vindas de caixa dois empresarial: exigir dos candidatos que soubessem da intimidade contábil do doador seria um desatino. O provável é que farta maioria das doações esteja na ilegalidade, mas, em vista do que disse Odebrecht, todas precisariam ser verificadas para haver julgamentos corretos.

O presente de Odebrecht não fez mas deixou no ar uma segunda ressalva: Antonio Palocci. Com a dinheirama recebida, como portador de Lula, Palocci está compelido a explicar a posse de R$ 120 milhões que lhe foi atribuída. Ainda que o montante seja outro, Lula diz que nada recebeu. Quando lhe descobriram um patrimônio imobiliário de mais de R$ 20 milhões, Palocci recusou-se a explicá-lo além do exaurido "prestação de consultoria". A partir de Marcelo Odebrecht, será preciso mais. Ou veremos no PT um fato sem precedente.

Tradição

Desvio de dinheiro público destinado à saúde não é crime como os demais no gênero. Exige baixeza ainda maior. E essa é a acusação a Sérgio Côrtes, agora preso no Rio. Ameaçador, com histórico de incidentes, ex-secretário da Saúde no governo Cabral, Côrtes também é dos que não temeram a exibição do enriquecimento veloz e inexplicado. A Polícia Federal foi buscá-lo em uma das coberturas mais valiosas nas margens da lagoa Rodrigo de Freitas.

Cobertura, além do mais, com história. Seu proprietário anterior foi Mário Andreazza, o coronel que contratou, como ministro do general Médici, a construção da ponte Rio-Niterói e da Transamazônica.

Desempregador

Um bom exemplo do que se pode encontrar na "reforma trabalhista" a caminho: antes de decorridos 18 meses da demissão, as empresas não poderão contratar como pessoa jurídica o trabalhador que demitam. Assim, dizem o governo e seus deputados, serão evitadas as demissões para a recontratação com menores custos de mão de obra.

O que vai decorrer desse artigo do projeto: as empresas demitem e preenchem as vagas com novos trabalhadores na condição de firmas. Os demitidos vão engrossar a população de desempregados.

É o governo Temer em ação.

Janio de Freitas
No fAlha
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