11 de abr de 2017

Xadrez da lista de Janot, o senhor do Tempo


Peça 1 – o vazamento da lista da Janot

A divulgação da lista de inquéritos autorizados pelo Ministro Luiz Fachin não significa que, enfim, a Lava Jato resolveu tratar as investigações com isonomia, que o pau que dá em Chico dá em Francisco.

O Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot continua dono absoluto do calendário. Através do controle do ritmo das investigações, ele decide monocraticamente quem vai e quem não vai ser condenado.

Durante três anos, toda a carga foi em cima do PT e, especialmente, de Lula. Em três anos de investigações, há cinco ações em andamento contra Lula, uma perseguição impiedosa que culminou com o vazamento, ontem, da suposta delação de Marcelo Odebrecht, sob as barbas do juiz Sérgio Moro e ele alegando a impossibilidade de identificar o vazador. Some-se a informação do procurador Deltan Dallagnol de que o único vazamento efetivo de informações foi para o blogueiro Eduardo Guimarães. O que significa que todas os demais vazamentos ocorreram sob controle estrito da Lava Jato.

Os 83 inquéritos misturam de tudo, de problemas formais de prestação de contas a suspeitas de manipulação de licitações. Independentemente da maior ou menor gravidade das acusações, todos passam à condição de suspeitos e/ou corruptos. Trata-se de uma tática tranquila, que criminaliza as pequenas infrações e dilui as grandes acusações.

Peça 2 – as circunstâncias em jogo

A caçada a Lula tem três pontos frágeis:

1.     Até agora, ausência de uma prova palpável sequer contra ele.

2.     A perseguição implacável contra Lula.

3.     A seletividade das investigações, não investindo contra nenhum aliado do sistema.

Com a divulgação dos inquéritos, há duas intenções óbvias:

1.     O sistema (não a Lava Jato) responde à acusação de seletividade, às vésperas do julgamento do alvo preferencial, Lula.

2.     Ao mesmo tempo, mantém o governo Michel Temer refém.

A suposição de que a lista irá paralisar o mundo político provavelmente não será confirmada. Nas próximas semanas se verá uma aceleração dos trabalhos legislativos, visando aprovar o maior número de medidas antissociais, para garantir o pescoço.

Peça 3 – as consequências da lista

Com a lista de Janot, tenta-se resgatar a credibilidade perdida do sistema judicial, com a parcialidade e a seletividade gritantes da Lava Jato.

Levaram três anos para iniciar uma investigação contra Aécio, que era mencionado na primeira delação de Alberto Yousseff. Até hoje não iniciaram as investigações contra José Serra, apesar de um relatório sobre Paulo Preto estar na PGR desde março de 2015.

Com o estardalhaço de 83 inquéritos, passado o carnaval inicial, a PGR permanecerá dona do tempo. Acertará contas com Renan Calheiros e Fernando Collor, adiará indefinidamente os inquéritos contra seus aliados e terá às mãos a metralhadora, para apontar contra quem ousar enfrentar seus supremos poderes.

Os objetivos são óbvios:

1.     Tentativa de inabilitar de Lula para 2018, agora sob o manto da isenção.

2.     Vida tranquila para José Serra e Aécio Neves, que terão morte política natural, desde que deixaram a condição de grandes campeões brancos contra a ameaça Lula.

3.     Congresso sob a mira dos inquéritos, deixando de lado qualquer veleidade de coibir abusos do MPF.

Luís Nassif
No GGN
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A imbecilidade dos médicos está se tornando insuperável e insuportável

http://blogdorovai.revistaforum.com.br/2017/04/11/a-imbecilidade-dos-medicos-esta-se-tornando-insuperavel/

Generalização é sempre algo bestial. Por isso, adianto, não quero generalizar aqui. Inclusive porque conheço muita gente boa praticando medicina. Gente que tem todo o meu respeito.

Como também há gente séria no jornalismo. E uma das coisas que mais se faz neste blogue é criticar a mídia.


Mas hoje, o alvo é outro. São os médicos. Porque eles andam ultrapassando todos os limites.

Um bando de idiotas que se arvoram em uma casta especial está acabando com a possibilidade de o Brasil avançar na área de saúde porque entende a medicina apenas como mercadoria.

E porque acredita que pode tudo, incluindo todos os tipos de desrespeito aos direitos humanos, não só aos seus pacientes, como também à sociedade.

Prefeitos brasileiros que atuam com responsabilidade sabem que não há categoria mais difícil para lidar do que a médica.

Mesmo quando se paga bons salários, são poucos os profissionais que trabalham as horas contratadas. Porque a corporação criou uma tal de hora médica, que não existe na lei, mas que vigora na prática.

Se o “doutor” tem que trabalhar 4 horas e deveria atender 12 pacientes em média neste período, ele atende 12 pacientes em 1h, 1h30 e se pica para o consultório que às vezes fica na frente do posto de saúde onde atua.

Não me peça para apresentar provas disso. Porque elas são abundantes e basta pesquisar no google para verificar a quantidade de reportagens que mostram médicos fraudando cartões de ponto.

Mas isso tudo vem sendo jogado para debaixo do tapete, como se fosse apenas um desvio de conduta individual. Como se não houvesse um problema estrutural ético que hoje afeta boa parte da categoria.

Ontem duas notícias relativamente bizarras estavam relacionadas ao comportamento de médicos. A agressão de um tal Marcos, cirurgião plástico que age de forma absolutamente escrota e violenta com a garota com quem mantinha relacionamento na casa do BBB. E a foto de um grupo de estudantes de medicina com a calça arreada fazendo com a mão a imagem de uma vagina, que viralizou nas redes.

Em ambos os casos, a resposta das entidades médicas foi um track. Não podemos nos pronunciar porque não se trata disso ou daquilo. Porque não diz respeito a prática médica e tal.

E vem sendo assim sempre.

Até porque essas entidades médicas foram criadas para proteger a corporação e nada mais.

Se você já viveu um erro médico na sua família sabe bem do que estou falando. Mesmo quando um outro profissional admite que seu colega de branco errou, ele não topa corroborar a denúncia. Se você vai a um órgão de classe fazê-la, será desencorajado o tempo todo.

Na lógica da ética médica está a defesa do colega antes de tudo. E assim vai se praticando no Brasil uma medicina pouco humana e irresponsável.

Mas isso é apenas parte do problema. O maior deles é que se perdeu o princípio humanista da profissão.

Converse com um jovem médico, com raríssimas exceções, e eu conheço algumas delas, eles buscam estudar especialidades que “deem dinheiro”. E reclamam de maneira absolutamente desrespeitosa de pacientes mais pobres quando têm de atendê-los.

Os médicos em geral são filhos da classe média alta, que gastam de 6 mil a 10 mil por mês para fazer um curso na área. E que depois de seis anos querem recuperar cada centavo do que “investiram”.

Sim, medicina como investimento. E um médico como uma empresa.

Outro dia ouvia uma conversa de um grupo de jovens médicos e o discurso de um deles, com o qual todos concordaram, me chamou muito a atenção.

Ele falava de sua carreira como se um projeto capitalista. Algo do tipo, meu objetivo para os próximos cinco anos é uma receita líquida de 40 mil mensais em média, se possível 50 mil. E depois desse período quero entrar num outro patamar.

E para chegar neste outro patamar ele alinhava cursos de especialização que faria e até contatos que buscaria manter em atividades sociais.

Em poucos momentos onde a conversa passou pelo SUS, neste grupo, foi para se falar de corrupção e de como é nojento atender essa gente que nem toma banho direito. Sim, um deles disse exatamente isso.

Sinceramente, amigos, hoje não tenho dúvida alguma de que vai ser preciso criar uma nova classe médica para se mudar o padrão de saúde no Brasil.

Com essa mentalidade majoritária, baseada numa formação que só seleciona filhos da classe média alta e com essas entidades que só se preocupam em defender que os privilégios da corporação se mantenham, o Brasil nunca terá um sistema de saúde público de qualidade.

Na área de saúde, a corrupção é um problema. Como em muitas outras áreas. Mas no Brasil, a forma como boa parte dos nossos médicos entende sua profissão e se comportam em relação aos seus pacientes e à sociedade é algo que contribui em muito para nos colocar no patamar atual.

O tal cirurgião Marcos e os meninos de calça arreada fazendo o gesto de uma vagina, infelizmente, não são exceções entre os seus.

Aliás, recordo-me de uma cena quando ainda estava no colégio e fui ver uma disputa esportivas universitária. O grupo de jovens da medicina entrou no ginásio da disputa explodindo galinhas com bombinhas que tinham bombinhas sido colocadas nas suas cloacas. Morriam de rir.

Como também sempre foram os mais agressivos nos trotes. E os mais violentos nas festas.

Enquanto isso for sendo tratado só como exceção, você, amigo paciente, terá muito do que reclamar.



Em SC, universidade apura foto em que alunos de medicina fazem alusão a órgão sexual feminino

Episódio semelhante já havia sido registrado no Espírito Santo, onde instituição de ensino também abriu sindicância.

Segundo universidade, alunos que aparecem em foto são do último semestre (Foto: Reprodução/Facebook)

"Segundo universidade, alunos que aparecem em foto são do último semestre (Foto: Reprodução/Facebook)"

A Universidade Regional de Blumenau (Furb) informou nesta terça-feira (11) que instalou uma comissão para apurar o caso de uma foto, que circula nas redes sociais, em que cinco estudantes do último semestre de medicina da universidade fazem um gesto em alusão à genitália feminina.

Um episódio semelhante ocorreu no Espírito Santo, em que alunos de medicina da Universidade de Vila Velha (UVV) aparecem em uma foto publicada nas redes sociais vestindo jaleco, com as calças abaixadas até os tornozelos e fazendo o mesmo gesto com as mãos. Uma sindicância foi aberta, informou a UVV na segunda-feira (10).

Em nota, a reitoria da Furb escreveu que "ao tomar conhecimento de imagem veiculada nas redes sociais de alguns estudantes em postura ofensiva à sociedade, incompatível com os valores que regem a nossa Instituição, repudia o episódio. Conforme nosso Regimento Geral, instalamos uma comissão para apuração dos envolvidos, obedecendo os preceitos legais".

No Facebook, um post criticando a foto teve mais de 3 mil compartilhamentos em cinco horas: "Parece que os futuros médicos de Blumenau acharam bonito e resolveram imitar. Dá para parar ou é tão difícil assim ser ético?", escreveu a autora do post. O G1 procurou a jovem e pessoas que comentaram, mas não havia conseguido contato até a publicação desta notícia.

A universidade não divulgou os nomes dos alunos envolvidos, mas confirmou que eles são estudantes do último período. Dois deles aparecem de jaleco e estetoscópio.

Além da assessoria de imprensa da universidade, a reportagem entrou em contato com o Centro Acadêmico de Medicina e com o Departamento de Medicina, e deixou contatos telefônicos e e-mail, mas nenhum dos estudantes que aparecem na foto havia se manifestado sobre o episódio até a publicação desta notícia.
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Temer espia a todos na rede. É a “NSA” — privada — do golpismo?


Usar o monitoramento de dados para definir políticas de comunicação não é novidade nem é ilegal.

Mas “patrulhar” a rede com outras finalidades, inclusive policiais, é um abuso que uma sociedade democrática não pode permitir.

A Folha, entretanto, revela que o Governo Michel Temer está pagando a uma empresa privada para fazer o monitoramento das redes sociais com fins que vão além de “afinar” seu discurso de comunicação.

Uma agência publicitária de São Paulo, a Isobar Brasil (antiga Agência Click), é responsável por esse serviço de “big data” (processamento de grande volume de dados) desde 2015.

A empresa monitora a internet em busca de focos de manifestações, identificando quem são os influenciadores nas redes e as principais demandas políticas. As informações são enviadas a órgãos públicos, inclusive agentes de segurança.

A reportagem recorda que “o monitoramento em redes sociais para ‘vigilância’ de órgãos públicos foi proibido pelos termos de uso do Facebook ” e que, no Brasil, o Marco Civil da internet, de 2014, determina que dados pessoais, como postagens e informações públicas do perfil, não podem ser usados por terceiros sem “consentimento livre, expresso e informado” dos usuários.

Um governo sem legitimidade menos ainda pode fazer isso.

Até agora estão sem explicação convincentes as visitas de Temer à embaixada americana e as atividades da Abin, sob seu governo, inflitrando-se em manifestações de oposição para ações que vão muito além da simples informação.

As relações de promiscuidade entre a máquina policial e a Justiça, que se evidenciaram na condução de Alexandre de Moraes só confirma o alcance do jogo sujo que, afinal, levou esta gente ao poder.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Prefeito de Rio Grande critica silêncio e omissão de Sartori na defesa do Polo Naval

Alexandre Lindenmeyer: “Há uma política de silêncio por parte do governo do Estado”.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), vem cultivando um misto de silêncio e omissão diante da ameaça real de desmonte do Polo Naval de Rio Grande. A mobilização que reúne prefeitos e parlamentares de diferentes partidos, além de representantes de universidades, sindicatos e outras entidades da sociedade civil em defesa da indústria naval no Estado e no País não conta até agora com a participação ativa do governador e do governo como um todo. O registro dessa ausência foi feito nesta segunda-feira (10) pelo prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer, e pelo deputado federal Henrique Fontana (PT), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval Brasileira, que se reuniram em Porto Alegre para conversar sobre os próximos passos da mobilização em defesa do Polo Naval.

Lindenmeyer fez questão de destacar que o tema da indústria naval não é uma pauta que diz respeito apenas a Rio Grande, São José do Norte ou ao Estado do Rio Grande do Sul, mas envolve uma mudança de visão de desenvolvimento da indústria brasileira:

“Tivemos uma inversão de projetos agora que nos fez passar de 80 mil trabalhadores empregados na área para pouco mais de 30 mil atualmente. Em Rio Grande, chegamos a ter 21 mil postos de trabalho e hoje estamos reduzidos a três mil. Em 2016, entre outubro e novembro, tivemos mais de quatro mil demissões. Temos os maiores ativos do Hemisfério Sul em termos de indústria naval com altíssimo valor tecnológico agregado, com grande possibilidade de acúmulo. Países como Inglaterra, Noruega, Canadá, China, Coréia do Sul, Índia e Rússia seguiram esse caminho. Podemos fazer isso ou seguir o exemplo de Angola e Nigéria que só extraem o petróleo sem produzir valor agregado para os seus países”.

O prefeito destacou que essa pauta da defesa da indústria naval e da política de conteúdo local mobiliza hoje sete frentes parlamentares no Congresso, envolvendo os mais variados matizes políticos e partidários, inclusive do próprio PMDB. “Participei de uma reunião dessas sete frentes parlamentares com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB/CE), outros senadores e o prefeito de Angra dos Reis, que também é do PMDB. Tivemos várias manifestações entendendo que é estratégica para o país a defesa dessa indústria pelo que ela agrega em termos de oportunidade de emprego e de agregação de valor”.

No Rio Grande do Sul, porém, ressaltou Lindenmeyer, há uma política de silêncio por parte do governo do Estado. “Esse sentimento acaba gerando um sentimento de que há uma concordância com essa mudança de política industrial que a Petrobras está aplicando”. O prefeito relata que chegou a ser recebido pelo governador em uma audiência e que este, depois de alguma resistência, participou de uma reunião em Brasília com o ministro de Minas e Energia. Mas depois o que se seguiu foi o silêncio.

“Recentemente, o presidente do Legislativo de Rio Grande solicitou uma audiência com Sartori, mas ouviu do chefe de gabinete que esse tema não era da alçada do governador, mas sim do secretariado. Eu espero que haja uma revisão de posicionamento por parte do governador e que ele venha para a linha de frente dessa pauta. É difícil acreditarmos que o governo do Estado vá dar as costas para um tema desses, a não ser que essa seja uma decisão política do governo em favor da exportação de empregos, de tecnologia e de geração de impostos para outros países”.

O processo de desmonte do Polo Naval já afeta a economia de Rio Grande e do Estado como um todo. Lindenmeyer citou alguns números para ilustrar a natureza desse impacto. “Em Rio Grande, saímos de um orçamento de mais de R$ 200 milhões, em 2009, chegamos a algo em torno de R$ 700 milhões em 2016, mas, para este ano, estamos prevendo uma retração de algo entre 70 e 75 milhões, sendo que cerca de 55 milhões desse valor é de ICMS. Esses números mostram porque o governador do Estado precisa estar na linha de frente dessa pauta. O impacto dessa retração em termos de desemprego não se limita a Rio Grande. É por isso que a Associação dos Prefeitos da Zona Sul está apoiando a nossa pauta. Entre estaleiros e projetos já executados em Rio Grande tivemos investimentos de cerca de R$ 6 bilhões, um valor superior aos R$ 5,3 bilhões da Celulose Riograndense, apontado como o maior investimento no Estado nos últimos anos”.

Alexandre Lindenmeyer rebateu ainda as afirmações feitas recentemente pelo presidente da Petrobras, Pedro Parente, em uma entrevista para a rádio Gaúcha. “Nós somos plenamente favoráveis à apuração de toda corrupção, com a responsabilização dos envolvidos, mas devemos seguir o exemplo de outros países que puniram os corruptos sem acabar com as suas indústrias e o conhecimento acumulado pelas mesmas ao longo de décadas. Parente também faz uma fala totalmente equivocada quando diz que a Petrobras não tem qualquer função social a cumprir, como se fosse uma empresa privada como a Shell e não tivesse nenhum papel estratégico a cumprir para o desenvolvimento do país. Pelas estimativas que recebemos, com 216 milhões de dólares terminamos a P-71. Já a construção dessa plataforma na China custará pelo menos 400 milhões de dólares. Agora, a Petrobras anuncia que vai, até 2021, construir dezenove plataformas. É inadmissível que esse emprego seja gerado lá fora e não no Brasil”.

“Está em curso de crime de altas proporções contra a economia brasileira e a economia gaúcha. O polo naval representa para o Rio Grande do Sul hoje o que o polo petroquímico representou há algumas décadas, constituindo-se em dos vetores mais potentes de política de desenvolvimento industrial, que está, progressivamente, sendo perdido. Isso está acontecendo com um silêncio omisso do governador Sartori que é quase inacreditável”, disse Henrique Fontana. Para o deputado, o governador deveria estar ao lado do prefeito Alexandre Lindenmeyer nesta luta que é de interesse de toda a população gaúcha. “O presidente da República tem que dizer se vai deixar a P-71 apodrecer ancorada no estaleiro em Rio Grande ou se vai concluí-la”.

O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval lembrou que o Brasil passou, em razão da política de valorização do conteúdo local, de dois mil para 83 mil trabalhadores na indústria naval. “Em Rio Grande, nós tínhamos 21 mil trabalhadores. Perdemos cerca de 18 mil desses empregos aqui no Estado, o que representa um impacto muito pesado. Estamos mobilizados agora, em uma operação emergencial, pois o nosso paciente está na UTI. Se não forem tomadas medidas emergenciais para salvar a indústria naval brasileira, nós veremos o sucateamento de investimentos estimados em torno de R$ 30 bilhões. Não se pode usar o tema da corrupção para destruir empregos e política de desenvolvimento industrial de um país. A Siemens, por exemplo, esteve envolvido em graves problemas de corrupção, inclusive em São Paulo, mas os alemães não destruíram a empresa por conta disso. A solução para o problema da corrupção não é a Petrobras se tornar uma exportadora de empregos para a China, Taiwan ou Singapura”, defendeu Fontana.

Diretor Presidente da Associação Arranjo Produtivo Local Polo Naval e de Energia RS (APL) e vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Danilo Giroldo, também contestou a recente fala de Pedro Parente, principalmente no que diz respeito ao papel da Petrobras no desenvolvimento econômico e social do país. “O fato de se criar uma estatal de economia mista, sob controle do Estado, por si só, já é uma política pública. As estatais de economia mista estão submetidas à Constituição Federal e têm que cumprir os interesses do Estado inclusive na questão do desenvolvimento. Isso está bastante claro na história da Petrobras e não é só o Brasil que faz. Muitos países fazem isso, especialmente em uma área estratégica como é a da indústria naval”.

Giroldo lembrou o que aconteceu em Rio Grande com o desenvolvimento dessa indústria. “Com o polo naval, a arrecadação municipal quadruplicou, a renda dobrou, o número de participantes no Bolsa Família caiu 35% em função da situação de pleno emprego. Ouvir o presidente da Petrobras dizer que ela não é um instrumento de políticas públicas é algo muito grave. Essa é a finalidade dela, senão o setor seria todo privado. Ela é, obviamente, um instrumento de política pública”.

Marco Weissheimer
No RSUrgente



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Fachin põe Golpe na cadeia

Mineirinho enfim ganha uma


De Fausto Macedo, o ganhador do cobiçado "Troféu Conexões Tigre", no Estadão:

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de inquérito contra nove ministros do governo Temer, 29 senadores e 42 deputados federais, entre eles os presidentes das duas Casas – como mostram as 83 decisões do magistrado do STF, obtidas com exclusividade pelo Estado. O grupo faz parte do total de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht, todos com foro privilegiado no STF. Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, não aparecem nesse conjunto porque não possuem mais foro especial.

O Estado teve acesso a despachos do ministro Fachin, assinados eletronicamente no dia 4 de abril.

Também serão investigados no Supremo um ministro do Tribunal de Contas da União, três governadores e 24 outros políticos e autoridades que, apesar de não terem foro no tribunal, estão relacionadas aos fatos narrados pelos colaboradores.

Os senadores Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, e Romero Jucá (RR), presidente do PMDB, são os políticos com o maior número de inquéritos a serem abertos: 5, cada. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente do Senado, vem em seguida, com 4.

O governo do presidente Michel Temer é fortemente atingido. A PGR pediu investigações contra os ministros Eliseu Padilha (PMDB), da Casa Civil, , Moreira Franco (PMDB), da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia, Helder Barbalho (PMDB), da Integração Nacional, Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores, Blairo Maggi (PP), da Agricultura, Bruno Araújo (PSDB), das Cidades, Roberto Freire (PPS), da Cultura, e Marcos Pereira (PRB), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Padilha e Kassab responderão em duas investigações, cada.

As investigações que tramitarão especificamente no Supremo com a autorização do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte, foram baseadas nos depoimentos de 40 dos 78 delatores.

Os relatos de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo, são utilizados em 7 inquéritos no Supremo. Entre os executivos e ex-executivos, o que mais forneceu subsídios para os pedidos da PGR foi Benedicto Júnior, (ex-diretor de Infraestrutura) que deu informações incluídas em 34 inquéritos. Alexandrino Alencar (ex-diretor de Relações Institucionais) forneceu subsídios a 12 investigações, e Cláudio Melo Filho (ex-diretor de Relações Institucionais) e José de Carvalho Filho (ex-diretor de Relações Institucionais), a 11.

Os crimes mais frequentes descritos pelos delatores são de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, e há também descrições a formação de cartel e fraude a licitações.

Imunidade

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), é citado nos pedidos de abertura de dois inquéritos, mas a PGR não o inclui entre os investigados devido à “imunidade temporária” que detêm como presidente da República. O presidente não pode ser investigado por crimes que não decorreram do exercício do mandato.

Lista

Os pedidos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foram enviados no dia 14 de março ao Supremo. Ao todo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao STF 320 pedidos – além dos 83 pedidos de abertura de inquérito, foram 211 de declínios de competência para outras instâncias da Justiça, nos casos que envolvem pessoas sem prerrogativa de foro, sete pedidos de arquivamento e 19 de outras providências. Janot também pediu a retirada de sigilo de parte dos conteúdos.

Entre a chegada ao Supremo e a remessa ao gabinete do ministro Edson Fachin, transcorreu uma semana. O ministro já deu declarações de que as decisões serão divulgadas ainda em abril. Ao encaminhar os pedidos ao STF, Janot sugeriu a Fachin o levantamento dos sigilos dos depoimentos e inquéritos.

A LISTA DOS ALVOS

Senador da República Romero Jucá Filho (PMDB-RR)

Senador Aécio Neves da Cunha (PSDB-MG)

Senador da República Renan Calheiros (PMDB-AL)

Ministro da Casa Civil Eliseu Lemos Padilha (PMDB-RS)

Ministro da Ciência e Tecnologia Gilberto Kassab (PSD)

Senador da República Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

Deputado Federal Paulinho da Força (SD-SP)

Deputado Federal Marco Maia (PT-RS)

Deputado Federal Carlos Zarattini (PT-SP)

Deputado Federal Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara

Deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA)

Deputado federal Milton Monti (PR-SP)

Governador do Estado de Alagoas Renan Filho (PMDB)

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Wellington Moreira Franco (PMDB)

Ministro da Cultura Roberto Freire (PPS)

Ministro das Cidades Bruno Cavalcanti de Araújo (PSDB-PE)

Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB)

Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços Marcos Antônio Pereira (PRB)

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Blairo Borges Maggi (PP)

Ministro de Estado da Integração Nacional, Helder Barbalho (PMDB)

Senador da República Paulo Rocha (PT-PA)

Senador Humberto Sérgio Costa Lima (PT-PE)

Senador da República Edison Lobão (PMDB-PA)

Senador da República Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Senador da República Jorge Viana (PT-AC)

Senadora da República Lidice da Mata (PSB-BA)

Senador da República José Agripino Maia (DEM-RN)

Senadora da República Marta Suplicy (PMDB-SP)

Senador da República Ciro Nogueira (PP-PI)

Senador da República Dalírio José Beber (PSDB-SC)

Senador da República Ivo Cassol

Senador Lindbergh Farias (PT-RJ)

Senadora da República Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Senadora da República Kátia Regina de Abreu (PMDB-TO)

Senador da República Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)

Senador da República José Serra (PSDB-SP)

Senador da República Eduardo Braga (PMDB-AM)

Senador Omar Aziz (PSD-AM)

Senador da República Valdir Raupp

Senador Eunício Oliveira (PMDB-CE)

Senador da República Eduardo Amorim (PSDB-SE)

Senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE)

Senador da República Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)

Senador da República Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

Deputado Federal José Carlos Aleluia (DEM-BA)

Deputado Federal Daniel Almeida (PCdoB-BA)

Deputado Federal Mário Negromonte Jr. (PP-BA)

Deputado Federal Nelson Pellegrino (PT-BA)

Deputado Federal Jutahy Júnior (PSDB-BA)

Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS)

Deputado Federal Felipe Maia (DEM-RN)

Deputado Federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS)

Deputado Federal Jarbas de Andrade Vasconcelos (PMDB-PE)

Deputado Federal Vicente “Vicentinho” Paulo da Silva (PT-SP)

Deputado Federal Arthur Oliveira Maia (PPS-BA)

Deputada Federal Yeda Crusius (PSDB-RS)

Deputado Federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)

Deputado Federal José Reinaldo (PSB-MA), por fatos de quando era governador do Maranhão

Deputado Federal João Paulo Papa (PSDB-SP)

Deputado Federal Vander Loubet (PT-MS)

Deputado Federal Rodrigo Garcia (DEM-SP)

Deputado Federal Cacá Leão (PP-BA)

Deputado Federal Celso Russomano (PRB-SP)

Deputado Federal Dimas Fabiano Toledo (PP-MG)

Deputado Federal Pedro Paulo (PMDB-RJ)

Deputado federal Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)

Deputado Federal Paes Landim (PTB-PI)

Deputado Federal Daniel Vilela (PMDB-GO)

Deputado Federal Alfredo Nascimento (PR-AM)

Deputado Federal Zeca Dirceu (PT-SP)

Deputado Federal Betinho Gomes (PSDB-PE)

Deputado Federal Zeca do PT (PT-MS)

Deputado Federal Vicente Cândido (PT-SP)

Deputado Federal Júlio Lopes (PP-RJ)

Deputado Federal Fábio Faria (PSD-RN)

Deputado Federal Heráclito Fortes (PSB-PI)

Deputado Federal Beto Mansur (PRB-SP)

Deputado Federal Antônio Brito (PSD-BA)

Deputado Federal Décio Lima (PT-SC)

Deputado Federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)

Ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho

Governador do Estado do Rio Grande do Norte Robinson Faria (PSD)

Governador do Estado do Acre Tião Viana (PT)

Prefeita Municipal de Mossoró/RN Rosalba Ciarlini (PP), ex-governadora do Estado

Valdemar da Costa Neto (PR)

Luís Alberto Maguito Vilela, ex-Senador da República e Prefeito Municipal de Aparecida de Goiânia entre os anos de 2012 e 2014

Edvaldo Pereira de Brito, então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010

Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais/Codemig

Senador Antônio Anastasia (PSDB-MG)

Cândido Vaccarezza (ex-deputado federal PT)

Guido Mantega (ex-ministro)

César Maia (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal

Paulo Bernardo da Silva, então ministro de Estado

Eduardo Paes (PMDB), ex-prefeito do Rio de Janeiro

José Dirceu

Deputada Estadual em Santa Catarina Ana Paula Lima (PT-SC)

Márcio Toledo, arrecadador das campanhas da senadora Suplicy

Napoleão Bernardes, Prefeito Municipal de Blumenau/SC

João Carlos Gonçalves Ribeiro, que então era secretário de Planejamento do Estado de Rondônia

advogado Ulisses César Martins de Sousa, à época Procurador-Geral do Estado do Maranhão

Rodrigo de Holanda Menezes Jucá, então candidato a vice-governador de Roraima, filho de Romer Jucá

Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio

Eron Bezerra, marido da senadra Grazziotin

Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu, em nome de quem teria recebido os recursos – a38

Humberto Kasper

Marco Arildo Prates da Cunha

Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho

José Feliciano

No CAf
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William Nozaki: Nova classe trabalhadora é contra aumento de impostos, mas valoriza os serviços públicos



Entre os objetos de análise, fenômenos como o avanço do consumo, do neopentecostalismo e do empreendedorismo popular.

A pesquisa (na íntegra, ao final) demonstra uma intensa presença dos valores liberais do “faça você mesmo”, do individualismo, da competitividade e da eficiência.

No geral, é uma população que tendencialmente acredita na política, mas não crê em partidos. Reconhece a importância da coletividade, mas almeja crescer individualmente. Busca transformações, mas é pouco afeita a rupturas. Anseia por novas idéias, mas é também pragmática.

A partir dessa pesquisa, o cientista político e economista William Nozaki elaborou o artigo abaixo sobre a nova classe trabalhadora.

por William Nozaki

Em comparação com os últimos cinquenta anos, o Brasil teve, nos governos Lula e Dilma, uma experiência inédita na transformação de sua estrutura social.

As políticas de elevação real do salário mínimo, de expansão da oferta de crédito e de ampliação dos programas de transferência de renda, entre outras, estimularam o crescimento do PIB com base no avanço do mercado interno e originaram um tripé socioeconômico virtuoso caracterizado pelo aumento do mercado formal de trabalho, pela redução da pobreza e pela melhora na distribuição de renda.

Entretanto, a retração do ciclo econômico e a crise política provocaram a interrupção do processo de inclusão social, de distribuição de renda e de mobilidade social.

Se, por um lado, tal fenômeno desperta o medo ou o ressentimento pelo declínio social, por outro lado, a crise reabre uma janela de oportunidades fazendo com que parte da população perceba a importância, nas suas trajetórias individuais, das políticas públicas implementadas pelo chamado período do lulismo.

Essa combinação de fatores tem como uma de suas principais consequências a formatação de uma nova subjetividade entre as camadas populares das grandes cidades do país.

Trata-se de um grupo social cujos valores e votos permanecem em disputa, defendem o empreendedorismo, mas apoiam intervenções do Estado e comungam relações de comunidade e vizinhança; defendem a moralidade tradicional, mas rechaçam a repressão extrema e aceitam novas configurações familiares; defendem o livre-funcionamento do mercado, mas reclamam maiores investimentos governamentais em serviços e equipamentos públicos.

Para compreender essas mudanças em sua inteireza, é preciso empreender uma análise que ultrapasse as leituras baseadas nas informações de renda e rendimentos, é preciso incorporar outras variáveis como estrutura ocupacional, acesso a mercadorias privadas e a serviços públicos, padrões de consumo, entre outros. Esse são os elementos que nos permitem uma aproximação, ainda que muito preliminar, sobre as preferências desse novo grupo social.

Sob essa perspectiva o que se evidencia é que o mais adequado é denominar o estrato que ascendeu socialmente e economicamente nos últimos anos de nova classe trabalhadora urbana.

Do ponto de vista ocupacional, trata-se de vendedores, balconistas, motoristas, motoboys, profissionais de telemarketing, Os diversos tipos de auxiliares que atuam em empresas e comércios, recepcionistas, cabeleireiros, garçons e uma heterogeneidade de trabalhadores qualificados.

Do ponto de vista da educação, seus integrantes na maioria são aqueles que utilizam as escolas públicas ou escolas particulares com mensalidades mais baixas; e, do ponto de vista da saúde, são aqueles que necessitam dos hospitais públicos ou de planos de saúde mais baratos.
Esse balanceio instável entre os serviços públicos e as possibilidades privadas mais “em conta” se reproduz em outras esferas: habitação, transporte, segurança, alimentação, cultura, lazer, entretenimento etc.

Por esses motivos, ao contrário da classe média estabelecida que se queixa dos impostos inadvertidamente, a nova classe trabalhadora percebe com contrariedade o aumento de impostos, taxas e tarifas pois sua elevação lhe afeta mais diretamente o poder de compra, mas ela também reconhece a importância e a necessidade dos serviços públicos pois depende deles mais frequentemente.

Essa nova classe trabalhadora, em grande medida, trabalha de dez a catorze a catorze horas por dia, tem dois ou mais empregos, trabalha de dia enquanto estuda a noite, e, nas grandes cidades, enfrenta horas de transporte público enquanto se desloca entre a casa e o trabalho.

Também por esses motivos, ao contrário da classe média tradicional, que tudo atribui ao mérito individual, a nova classe trabalhadora percebe sua ascensão como fruto do esforço individual e de privações, mas sabe que precisa contar frequentemente com alguma rede de solidariedade e laços fraternos entre os amigos, os vizinhos e a igreja.

Mais do que outros estratos, esse grupo se beneficiou da expansão do crédito ao consumidor e está satisfeito com a possibilidade de adquirir novos bens considerados indispensáveis para o conforto doméstico e para a melhora na qualidade de vida na cidade.

Também por esses motivos, ao contrário da classe média estabelecida, esse grupo queixa-se menos das taxas de juros abusivas e está mais disposto a encontrar sua sociabilidade pelos caminhos do consumo, o que não equivale ao consumismo, pois trata-se ainda do consumo de bens duráveis como eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

Esse conjunto de ambiguidades leva a crer que a cultura política da nova classe segue sendo uma questão em disputa.

Para compreender a relação entre as preferências econômicas e políticas dessa nova classe trabalhadora é fundamental considerar que o aumento do poder de compra possibilitou o acesso a novos canais de formação e informação, mais do que isso: tais canais têm sido ocupados, sobretudo, por um número significativo de jovens, e é a partir desse grupo que se irradiam certas opiniões políticas e eleitorais.

A progressiva ampliação do acesso à educação e à internet tem promovido uma importante mudança em suas exigências e interesses políticos. No atual contexto, o eixo da formação da opinião familiar ou comunitária passa a ter um peso mais decisivo dos jovens. A propósito, a maior parte desses jovens tem níveis de escolaridade mais elevados do que os dos pais, estão conquistando uma melhor inserção profissional e seguem atentos para as mudanças tecnológicas, por isso eles são ouvidos com maior atenção dentro das suas famílias e comunidades, atuando como referências importantes para a formação de opinião, concorrendo com a própria televisão.

Do ponto de vista religioso, o avanço do neopentecostalismo não significa necessariamente uma adesão imediata à chamada teologia da prosperidade, a igreja é mais importante do que a teologia, ou seja: o espaço de convívio e acolhimento acaba cumprindo a função de criação de laços e de prestação de serviços.

Essa disposição para a mudança, entretanto, passa por marcos ambivalentes: essas pessoas acreditam na política, mas não crêem em partidos; reconhecem a importância da coletividade, mas almejam crescer individualmente; buscam transformações, mas são pouco afeitos a rupturas; anseiam por novas idéias, mas são também pragmáticos.

Em suma, esse novo caldo cultural exigirá renovações tanto na forma como se realiza a política partidária quanto no conteúdo das políticas públicas que se implementam.

A mistura entre valores do individualismo, da ascensão pelo trabalho e do sucesso pelo mérito, com valores mais solidários e coletivistas relacionadas à atuação do Estado, à universalização de direitos, à ampliação da inclusão social, permeiam a visão de mundo e o imaginário dessa nova classe trabalhadora das periferias de São Paulo.

Sendo assim, qualquer tipo de explicação dualista: progressistas vs. conservadores, esquerda vs. direita, liberais vs. estatistas incorre numa simplificação grosseira, feita ou por desconhecimento e ingenuidade ou por má fé e oportunismo.

William Nozaki é cientista político, economista, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, coordenador do mestrado Estado, governo e políticas públicas FPA/FLACSO.



No Viomundo
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Após perguntas sobre Aécio Neves, juiz Sérgio Moro pede para encerrar entrevista da BBC


As perguntas que o jornalista Ricardo Senra, correspondente da BBC Brasil em Washington, fez em um encontro exclusivo com Sergio Moro, durante a passagem do juiz da Lava Jato pela Harvard Business School, em Cambridge, nos Estados Unidos, deixou o magistrado desconfortável.

O vídeo, publicado nesta segunda (10) pela BBC Brasil, mostra Moro incomodado com as perguntas espinhosas que foram pipocando ao longo do bate-papo, a ponto de pedir para que a entrevista fosse encerrada antes do previsto.

O juiz Sérgio Moro pede para encerrar a entrevista logo após duas perguntas sobre seu comportamento em evento ao lado do senador Aécio Neves (PSDB) e sobre uma rápida questão relacionada ao abuso de autoridade.

Moro nega qualquer conflito ético nas fotos em que aparece sorrindo ao lado do senador Aécio Neves (PSDB), que tem foro privilegiado e teria acertado repasses de R$ 50 milhões, segundo executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, após o leilão para a construção da hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia, em dezembro de 2007. Diz que é normal tirar fotos, ouve mais uma pergunta e pede para encerrar a entrevista.


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Para se salvar, Odebrecht mira em Lula

Blog de extrema direita transmitiu "delação" ao vivo!


O Conversa Afiada reproduz texto do blog Tijolaço, de Fernando Brito:

Odebrecht tenta, mas não tem nada contra Lula

Transmitido “ao vivo” por um site de extrema-direita acumpliciado à “República de Curitiba”, o depoimento de Marcelo Odebrecht, contra Lula, limitou-se a dizer o que os jornais já publicavam.

Como não interessaria aos advogados de Lula vazar acusações, só o próprio juízo ou o Ministério Público são a fonte óbvia do vazamento, embora Sérgio Moro faça jogo de cena.

Deixe-se isso de lado. o que foi dito?

Um prédio “para o Instituto Lula” que não é e não foi do Instituto Lula.

Uma conta, que se dizia para ele, que não tem nenhum sinal de vantagem pessoal, até porque já com ele fora do governo.

Mas a delação, hoje, não precisa de prova.

Contra Lula, então, nem pensar.

Alem do apartamento que é dele, mas não é dele, agora temos um prédio do instituto dele, mas não é do instituto dele.

A nota de resposta de Lula à “linha direta” do vazadouro é seca. Fatos são o que importa. Versão é apenas o que convém dizer:

“O ex-presidente Lula teve seus sigilos fiscais e telefônicos quebrados, sua residência e de seus familiares sofreram busca e apreensão há mais de um ano, mais de cem testemunhas foram ouvidas em processos e não foi encontrado nenhum recurso indevido para o ex-presidente. Lula jamais solicitou qualquer recurso indevido para a Odebrecht ou qualquer outra empresa para qualquer fim e isso será provado na Justiça. Lula não tem nenhuma relação com qualquer planilha na qual outros possam se referir a ele como “Amigo”, que nem essa planilha nem esse apelido são de sua autoria ou do seu conhecimento, por isso não lhe cabe comentar depoimento sob sigilo de justiça vazado seletivamente e de forma ilegal”.

Lula, em resumo, desafia os delatores a terem as provas que não têm.

Mas hoje, sabe-se, provas são dispensáveis.
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Lula fala com a Rádio Meio Norte, do Piauí


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Xadrez de Barroso, o último dos brasileiros honestos


Cena 1 – abrem-se as cortinas do espetáculo e aparecem os deuses vaidosos

O Ministro Luiz Fux se exibia como roqueiro. Mais ligado ao espírito boêmio das Arcadas, Eros Grau perpetrou um romance erótico. Com esses olhos que a terra há de comer, assisti Dias Toffoli dar uma aula de história do Brasil para uma plateia formada por Ministros, desembargadores e juízes federais.

Na sua aposentadoria, o ex-Ministro Ayres Britto se superou e, antes de se confessar poeta, revelou-se um admirador da... física quântica. Isso.

Sobre esse seu encanto com a física quântica e outros temas, assim se pronunciaram os leitores do Blog (https://goo.gl/UtJLGZ) comentando entrevista concedida por ele ao se aposentar (https://goo.gl/gBEMPZ).

Gustavo Corolow:

Numa entrevista só, o ministro conseguiu juntar charlatães indianos da pior categoria; uma ignorância sobre o "canto dos pássaros" e sobre a suposta falta de agressividade dos herbívoros que constrangeria uma criança de 7 anos; física quântica de autoajuda; uma frase de Einstein tirada do contexto para explicar seus processos mentais confusos e sua aplicação heterodoxa da teoria do domínio do fato, que ele deve também deve ter conhecido em um livro de autoajuda espiritual.

Dinarte22

Confundir Einstein com Heisemberg e teoria da relatividade com Quântica, só pode sair de uma mente que usa suas decisões como poesia. Licença poética. Metido a intelectual, com uma pobreza de espirito que nos choca. 

Vinicius Carioca

Eu só consegui ler até esta parte:

"E isso não é invencionice, decola de um juízo de Einstein, que em 1905, físico quântico que era, cunhou uma expressão célebre: "efeito do observador"."

De que Einstein o Ayres Britto está falando?!

Qualquer um com conhecimento mínimo de história da ciência sabe que Einstein considerava os quanta como um artifício matemático, sem muita relação com a natureza da matéria, e apenas foi convencido do contrário no fim de sua vida.

Isso que dá aprender "física quântica" com gurus.

JVicente

.....”Quando você é contemplativo, você contempla essa água, o copo antes de beber. O toque da sua mão no cristal. Eu estou acordado, como quem está atento. Mas estou descontraído, como quem está dormindo”.

Quê viagem meditativa; seria interessante saber em que escola ele aprendeu a meditar ou qual a marca da maionese que ele usa. (...)Bohr, Heisenberg, de Broglie, Born, Schrödinger, Bell, e demais devem estar todos se revirando nos túmulos.

Cena 2 – sai Ayres Britto e entra em cena Barroso

O feitiço da popularidade fácil é um veneno para personalidades mais vulneráveis. Perde-se o pudor que se exige de um magistrado, o senso de ridículo que se imagina no jurista. É como um sujeito que enfeita a beca com balangandãs.

Ayres Brito se supõe poeta; Carmen Lúcia, uma frasista mineira. Ostensivos, como eles, ou discretamente vaidosos, de alguma forma a celebridade fácil mudou a face do Supremo.

De um período em que ninguém sabia o nome de um Ministro, saltou-se para o Olimpo das celebridades de um minuto, os deuses da mídia de massa, medidos pela fita métrica de uma mídia rasa, superficial, ou pelos likes das redes sociais.

Não são todos. Marco Aurélio de Mello é de uma sobriedade à toda prova, assim como Ricardo Lewandowski, e ambos ousam investir contra as unanimidades. Apesar do instante de fraqueza do selfie em um Shopping, Celso de Mello não gasta aspas à toa, assim como não gastava o aparentemente sisudo Teori Zavascki, nem a discreta Rosa Weber. E o exibicionismo de Gilmar Mendes tem objetivos claros.

Já Luís Roberto Barroso pertence à mesma categoria angelical das Carmens e Ayres, todos com uma humildade fora de série, mas ele, Barroso, como uma ambição maior: sonha em ser um novo Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, San Thiago Dantas, quem sabe Raimundo Faoro das redes sociais. E tornou-se um palpiteiro solene, com índice remissivo, notas de rodapé e bibliografia.

Em direito, diferencia-se o compilador do doutrinador. O primeiro é um compêndio de citações, julgados e referências bibliográficas; o segundo, é um intérprete da lei, o jurista de fato, que tem noção das referências jurídicas, olhos para ver o presente e acuidade intelectual para entender as transformações.

O mesmo vale para economistas e cientistas sociais.

Não tenho condições de analisar o jurista Barroso. Mas uma análise do cientista social Barroso traz um quadro nada animador sobre o jurista que pretende reinterpretar a Constituição para introduzir o Brasil na era civilizatória.

Cena 3 – o San Thiago pós-impeachment

O site Jota acaba de publicar o trabalho de Barroso, apresentado na Harvard Brazil Conference, na última semana (https://goo.gl/j8GWuj).

É uma compilação de citações transformadas, pelo uso excessivo, em lugares-comuns acessíveis a qualquer estudante secundário de uma boa escola.

Mesmo assim, Barroso chama o trabalho de ensaio.

Como ensaio, tem duas partes, 1. Os antecedentes coloniais; 2. O jeitinho brasileiro.

A bibliografia é extensa. Começa por Carlos Guilherme Mota, historiador que, por sua profundidade, é chamado por seus pares de Motinha. Depois, cita Boris Fausto, Sérgio Buarque de Holanda, Roberto DaMatta e ... Mirian Leitão. Cometeu uma injustiça enorme com outro pensador, Merval Pereira.

A primeira parte é uma compilação dos fatos que marcaram a colonização, presentes em qualquer bom site de educação.

Ele identifica três disfunções atávicas que marcam a trajetória do Estado brasileiro: o patrimonialismo, o oficialismo e a cultura da desigualdade.

A primeira ele sintetiza com o “rouba mas faz”, frase de enorme profundidade e poder de síntese.

A segunda, o oficialismo. Diz ele que “tudo” no Brasil depende do BNDES, Caixa Econômica Federal, dos Fundos de Pensão, a república da parentada e dos amigos.

Todas essas conclusões Barroso tira de “Raízes do Brasil”, obra de 1936 de Sérgio Buarque, antes da implantação do DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público), dos concursos públicos.

Ignora toda a estrutura do serviço público, com a criação de grandes corporações públicas, de um Ministério Público, do Judiciário, do Tribunal de Contas, da burocracia que atende aos diversos Ministérios, com outros vícios e outras virtudes. Ignora todo o processo de industrialização, a formação econômica e transforma todos os empreendedores brasileiros em meros mamadores da vaca Estado.

Tem-se uma realidade extremamente complexa, mas Barroso não conseguindo elaborar fora dos arquétipos de Sérgio Buarque, refletindo um Brasil rural.

A terceira, a cultura da desigualdade. No país mais desigual do mundo, Barroso vai buscar na carteirada – “sabe com quem está falando” – a expressão máxima da desigualdade brasileira. Toda uma bibliografia sobre a herança da escravidão na formação social do Brasil é deixada de lado. O universo de Barroso é apenas o dos colarinhos brancos, como se o Brasil até hoje fosse apenas o país dos degredados.

Cena 4 – o intérprete do jeitinho brasileiro

Finalmente, prepara o seu tratado sobre o jeitinho. Poderia dar como exemplo do “jeitinho”, a enorme flexibilidade intelectual do brasileiro de juntar um conjunto de informações esparsas, cobrir com notas bibliográficas e chama-las de ensaio. Mas preferiu exemplos mais ao rés do chão.

A definição do jeitinho é a convencional

“Em sua essência, o jeitinho envolve uma pessoalização das relações, para o fim de criar regras particulares para si, flexibilizando ou quebrando normas sociais ou legais que deveriam se aplicar a todos”.

Nos anos 90, o fim da pesada estatização do período anterior, a implementação de programas de qualidade, entendeu no “jeitinho” brasileiro um enorme potencial competitivo. No ambiente profissional dos programas de gestão, é a capacidade de resolver problemas, de buscar soluções fora do manual, de adaptar-se rapidamente a qualquer mudança de modelo.

No auge da autoestima nacional, pesquisas de institutos mineiros sobre o brasileiro revelavam que o “jeitinho” passava a ser visto como uma qualidade do brasileiro, ao lado do quesito “fibra”.

O cientista social, o cândido Barroso, no entanto, enxerga apenas a vertente da malandragem e cria uma regra de ouro para diferenciar o “jeitinho bom” do “jeitinho mau”: verificar se há prejuízo para outra pessoa, para o grupo social ou para o Estado.

Fica criado, assim, o Primeiro Teorema Moral de Barroso, o teste do pudim que, aplicado ao pé da letra princípio demonizaria toda a ação empreendedora do mercado.

Com notável capacidade de aprofundamento, Barroso explica que “na vertente negativa, a ideia de jeitinho  características que não são edificantes. Sem nenhuma intenção de hierarquizá-las, começo pelo improviso, a incapacidade de planejar, de cumprir prazos e, em última análise, de cumprir a palavra”.

E dá como exemplo máximo o que ele chama de desorganização da Copa: “Quando a data finalmente chegou, nem os estádios, nem os aeroportos, nem as intervenções urbanas estavam concluídas”. Desinformado!

Nosso emérito cientista social foi incapaz de analisar a realidade fora das lentes da Globo. Na estreia da Copa, estádios e aeroportos estavam concluídos. Foi uma das Copas mais bem organizadas da história, com atendimento de saúde, segurança, traslados dos times, sistemas de transporte nas capitais. Ficaram de fora apenas obras que nada tinham a ver com a Copa.

Ou seja, na sua primeira intervenção, fora da compilação dos clássicos, Barroso adere ao preconceito político e à desinformação.

E joga nas costas do brasileiro, práticas que são exclusivas do sistema político e do Judiciário: o nepotismo. Com exceção, é claro, dele Barroso, que se define como um Ministro sério e de uma humildade fora de série:

“ Mais de uma vez chegou a mim a queixa de que eu “virei as costas aos amigos” e que sou um juiz muito duro. Não sou. Mas sou sério, e isso frustrou a expectativa de quem esperava acesso privilegiado e favorecimentos”.

Cena 5 – o país devastado pela corrupção

Barroso é definitivo. Advogado de grandes grupos, estreitamente ligado à Globo, finalmente sai dos alfarrábios, das citações descontextualizadas e apresenta dois exemplos graúdos da corrupção intrínseca do brasileiro, “que testemunhei pessoalmente”, diz ele.

Qual exemplo? O de uma empregada de um amigo, que não queria assinar a carteira para não deixar de receber sua bolsa-família.

Fantástico! Caso fosse um estudioso sério, e não apenas um cientista social de Facebook, saberia que, justamente por não estar ao abrigo da lei, as famílias humildes, assim como os pequenos empresários, são os maiores cumpridores da lei.

Não fosse ele um amontoado de mesmices preconceituosas, de leroleros de boutique, leria os trabalhos de Renato Meirelles sobre as características dos brasileiros de baixa renda, a solidariedade, o medo pânico de sair fora da linha – pois sabem que a lei protege apenas os poderosos.

Poderia ter levantado as estatísticas das famílias que solicitaram o desligamento do Bolsa Família assim que conseguiam um emprego ou uma renda estável.

E aí se daria conta que esse mundo do compadrio, da corrupção institucional, do jeitinho é aquele que ele frequenta, como advogado, os grandes clientes corporativos, os que se escondem atrás de offshores para burlar o fisco e adquirir propriedades no exterior.

Afinal, segundo a apresentação, seu escritório – que faz questão de lembrar, na home, ter sido fundado por um Ministro do Supremo - tem inúmeras especialidades suspeitas nos dias de hoje:

“O escritório realiza a elaboração de minutas de anteprojetos de lei, emendas parlamentares, propostas de emenda constitucional, razões de veto, justificativa e exposição de motivos, pareceres críticos a anteprojetos e defesa de pontos de vista em audiências públicas na Câmara e no Senado”.

Para quem? Para quem encomenda e paga, é óbvio. E quem consegue emplacar anteprojetos de lei, emendas parlamentares ou propostas de emenda constitucional? Quem tem influência junto aos parlamentares. Como se tem encomenda parlamentar nesse país devastado pela corrupção? Encomendando e pagando, é claro. Afinal, no entendimento de Barroso, estamos em um país devastado pela corrupção.

Esse autêntico varão de Plutarco termina seu ensaio com uma comovente descrição de sua integridade pessoal:

“Eu concluo com o slogan pessoal que tem me animado nos bons e nos maus momentos: “Não importa o que esteja acontecendo à sua volta: faça o melhor papel que puder. E seja bom e correto, mesmo quando ninguém estiver olhando”.

Luís Nassif
No GGN
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