10 de abr de 2017

Noblat não sabe a acusação contra Lula, mas tem certeza de que ele é culpado e Moro irá condená-lo

O jornalista Ricardo Noblat, do jornal O Globo, escreveu nessa segunda-feira (10), mais uma vez, coluna contra o ex-presidente Lula no jornal, abordando o depoimento que o ex-presidente fará em Curitiba para o juiz Sérgio Moro, no dia 3 de maio. No texto, Noblat reafirma sua certeza de que Lula seria culpado no caso, que segundo Noblat, trataria de um sítio em Atibaia que seria frequentado "exclusivamente" (de novo, segundo Noblat) pelo ex-presidente. E que seria sobre isso que Lula iria depor. Só que o depoimento de 3 de maio não trata do tal sítio de Atibaia, e sim da suposta propriedade de um tríplex no Guarujá e armazenagem do acervo presidencial. E o processo, também ao contrário do que escreve Noblat, não tem nada a ver com a empresa Odebrecht, o que mostra quão perdido está Noblat ao escrever sobre Lula, mandando-o inclusive "lamber sabão".

É surpreendente que Noblat escreva de forma tão mal informada sobre o processo, sem sequer saber do que ele se trata. Mais ainda porque Noblat já tuitou, insinuando ter recebido a informação privilegiada do próprio Moro em um evento no jornal O Globo em dezembro, de que Lula será condenado pelo juiz nesse caso. Noblat escreveu que Lula seria condenado por Moro no início do ano (https://twitter.com/BlogdoNoblat/status/808491985954893825) Os advogados do ex-presidente interpelaram Noblat sobre a publicação, e a insinuação de que isso teria lhe sido antecipado pelo próprio Moro, mas ele não prestou informações http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/270493/Lula-interpela-Noblat-a-explicar-antecipa%C3%A7%C3%A3o-de-suposta-decis%C3%A3o-de-Moro.htm

Noblat confunde a ação penal sobre suposta propriedade de Lula e Dona Marisa de um apartamento que apenas visitaram para avaliar a possibilidade de compra (http://www.institutolula.org/documentos-do-guaruja-desmontando-a-farsa) com uma outra acusação descabida da Lava Jato, sobre um sítio em Atibaia, um inquérito policial aberto há mais de um ano para investigar o caso e que até agora não foi concluído. Lula não é dono do sítio de amigos que frequentava com Dona Marisa, e os proprietários do sítio já comprovaram não apenas a propriedade do sítio, como a origem lícita dos recursos que usaram para comprá-lo e que sim, frequentavam a propriedade.

Imagina a surpresa de Noblat se ele fizesse jornalismo e apurasse que em nenhum dos mais de 100 depoimentos em dois processos diferentes que já estão em fase de audiência, que nenhum deles trouxe elementos que poderiam comprovar qualquer das acusações de Lula? Que famosos delatores da Lava Jato como Cerveró, Barusco e Paulo Roberto da Costa afirmaram em juízo desconhecer qualquer vantagem indevida para o ex-presidente Lula? E que a família do ex-presidente jamais pernoitou ou teve chaves do tal apartamento do Guarujá, que se encontrava como disponível para venda no sistema da OAS?

Esperamos que o jornal O Globo corrija as informações factuais incorretas que foram apresentadas aos seus leitores na coluna de Ricardo Noblat, para que eles não fiquem ainda mais mal informados sobre o depoimento de Lula no dia 3 de maio.

No Lula
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Folha: Não dá pra não ver a manipulação!

Barco de alumínio de dona Marisa, no valor de R$ 4.156 foi manchete da Folha; mas R$ 5,4 milhões de caixa 2 de Serra não merecem nem uma linhazinha na capa


Os repórteres Bela Megale, de Brasília, e Mario Cesar Carvalho, de São Paulo, produziram neste domingo um petardo mortal contra o tucano José Serra, que já foi editorialista da “Folha de S.Paulo”.

Na reportagem “Odebrecht diz ter repassado € 2 milhões de caixa dois a José Serra”, publicada à página A9, deste domingo (9/04/2017), os dois contam e minúcias, como foi a delação premiada do ex-presidente do grupo Odebrecht Pedro Novis. Segundo Novis, foram repassados € 2 milhões (o equivalente a 5,4 milhões) ao caixa dois de José Serra (PSDB), a partir de 2006, quando o tucano disputou e venceu a eleição para o governo de São Paulo.

A delação inclui a informação de que o dinheiro foi depositado entre 2006 e 2007 em contas na Suíça indicadas pelo empresário José Amaro Pinto Ramos, próximo ao PSDB.

Apesar da riqueza de detalhes e da riqueza do valor que teria sido entregue a Serra, entretanto, a reportagem não mereceu nem uma mísera linha na capa do jornal, ocupando pouco mais de meia página, no fundão da cobertura de política.
Quanta diferença em relação ao escândalo promovido pelo mesmo jornal, em 30 de janeiro do ano passado!
Naquela ocasião, a pretexto de denunciar a compra de uma barco furreca de alumínio por dona Marisa Letícia Lula da Silva, mulher de Lula, o jornal consumiu quatro páginas internas. O barco, arrematado em uma loja de materiais de construção no valor de R$ 4.126, REPETINDO R$ 4.126!, tornou-se a manchete do jornal e o espaço de quase meia página da capa, numa edição de sábado, foi preenchido pela “denúncia” do fato gravíssimo. Marisa Letícia havia comprado um barco de R$ 4.126, com nota fiscal emitida em seu próprio nome.

A “Folha” acaba de lançar a nova versão de seu Projeto Editorial, dizendo-se, como sempre, pluralista, apartidária e independente. SQN!

O dinheiro que o delator afirma ter depositado na conta suíça de um testa de ferro de Serra daria pra comprar 1.308 barquinhos da dona Marisa. Se o espaço consagrado a cada uma das denúncias fosse proporcional ao montante em dinheiro de cada uma, Serra teria de conviver com o assunto dos R$ 5,4 milhões, ecoando durante vários dias. Mas ele pode ficar tranquilo porque a pauta, apequenada no jornal de ontem, já sumiu do jornal de hoje (10/04/2017).

Como é bom ser tucano!

Entendeu o que é manipulação da mídia?

Laura Capriglione
No Jornalistas Livres
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A verdade humilhante que Sheherazade enfrentou ao receber um ‘prêmio’ de Sívio Santos


Há certos prêmios que é melhor você não receber.

Foi o que me ocorreu diante da visão de Sheherazade recebendo o Prêmio Troféu da Imprensa das mãos encanecidas de Silvio Santos.

Ela, vestida com toda a elegância de um tubo de purpurina multicoloridade, definifivamente não esperava ouvir que Silvio Santos tinha a lhe dizer.

Silvio disse, com sua habitual clareza, que Sheherazade foi afastada da função que lhe trouxe efêmera notoriedade por não cumprir o trato.

Sheherazade foi contratada para ler o que os redatores do SBT colocam no teleprompter.

E não para tecer considerações política ultraconservadoras como se fosse Margaret Thatcher.

Já que citamos a Inglaterra, a Rainha sabe que não lhe cabe perorar sobre política. Para isso existem as pessoas corretas na política britânica.

Mas Sheherazade achou que podia voar, e se estatelou. Foi uma queda linda, dadas as manifestações de ódio e ignorância produzidas em série por ela.

Silvio Santos esperou a hora certa para esclarecer a história. Parece piada, mas não é: ele agiu como um filósofo.

Dias antes, fizera o mesmo. Ao falar sobre a velhice, aos 84 anos, foi de uma franqueza desconcertante.

Sexo? Nada. Cabelo? Nada. Depois ele corrigiu a afirmou que pinta o cabelo, mas ficou a impressão mesmo de uma peruca.

Um pensador romano do passado latino, Cícero, escreveu um pequeno grande livro sobre a arte de envelhecer.

Cícero enumerou as virtudes filosóficas da velhice. Todas as idades têm seu encanto, afirmou.

Pois digo o seguinte. Em sua monumnetal simploriedade de apresentador de televisão, Silvio Santos destruiu Cícero — depois de haver feito o mesmo com Sheherazade.



Paulo Nogueira
No DCM
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Silvio Santos constrange Sheherazade

Dono do SBT deixou a apresentadora sem graça no palco do Troféu Imprensa. “Você foi contratada para ler notícias, não foi contratada para dar a sua opinião”, disse


No último domingo (9), a jornalista Rachel Sheherazade participou do Troféu Imprensa, do SBT, e recebeu o prêmio de Melhor Apresentadora de Telejornal na categoria Internet. Porém, ao subir ao palco para receber o troféu das mãos de Silvio Santos, acabou sendo constrangida pelo patrão. “Você sabe que você logo, logo vai ter que mudar de estação porque estou em negociação com a nova dupla que vai fazer o SBT Brasil, Fernando Collor e Dilma”, ele provocou.

“Nossa, não vai dar audiência. Da onde? Da cadeia?”, ela respondeu. “Mas você não consegue falar uma frase sem se meter em política? Você vai ser candidata? Não? Então por que você se mete tanto em política?”, perguntou Silvio. “Bem, você começou a fazer comentários políticos no SBT e eu pedi para você não fazer mais, porque não pode. Você foi contratada para ler notícias, não foi contratada para dar a sua opinião. Se você quiser fazer política, compra uma estação de televisão e vai fazer por sua conta. Aqui não”, emendou.

Sem graça, Sheherazade respondeu: “Não? Quando você me chamou, você me chamou para opinar”. “Não, eu te chamei para você continuar com a sua beleza, com a sua voz, foi para ler as notícias do teleprompter, e não dar a sua opinião”, rebateu o dono do SBT. A cena repercutiu nas redes sociais, com opiniões contra e a favor da atitude de Silvio Santos. Para alguns, a “bronca” foi merecida, já que a apresentadora defende posições extremamente conservadoras e afronta os direitos humanos em rede nacional.

Por outro lado, houve quem considerou a postura machista. Para a jornalista Cynara Menezes, responsável pelo blog Socialista Morena, o episódio foi de humilhação e assédio moral. “Não suporto Rachel Sheherazade. Ideologicamente, estamos em campos opostos (…) Mas não posso me calar diante do que o apresentador Silvio Santos fez com ela no domingo, diante de milhões de espectadores do seu Troféu Imprensa. Mexeu com uma, mexeu com todas, mesmo. Não só com quem a gente gosta”, destacou.



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Cultura de sala de espera

Revistas de salas de espera são renovadas com notória lentidão. Na única Caras disponível para ler enquanto você espera, o Fernando Henrique ainda é presidente, a Xuxa ainda está grávida e a Sandy e o Junior ainda estão juntos. Mas já foi pior. Tenho uma respeitável cultura de sala de espera e lembro quando a antiguidade das revistas era ainda maior.

- Podia me passar uma revista, por favor?

- Qual a que você quer?

- O que é que tem?

- Deixa ver... Tem uma Cruzeiro de 1951... Uma Cigarra de 1949... Metade de uma Revista da Semana de 1948...

- Que mais?

- Uma National Geographic de 1940... Revista Fon-Fon...

- Que ano?

- 1938. Uma Eu Sei Tudo” de 37... Seleções de 33... Esta aqui eu não sei em que língua é...

- Deixa ver. Parece aramaico... O pergaminho está se esfarelando. Não será etrusco?

- Não, não. Acho que os etruscos não usavam pergaminho.

- Não tem nada mais velho?

- Bom, tem esta pedra com hieróglifos, mas eu não sei de que ano é.

- Vai essa mesmo.

Nomes

Walter Benjamin gostava de inventar nomes. Mesmo antes de ser forçado a escrever com outro nome durante a ascensão do nazismo, usou pseudônimos como Agesilaus Santander. Seu último livro publicado em vida, na Suíça, saiu com o nome “Detlev Holz”, que era como ele assinava seus artigos clandestinos na Alemanha. Benjamin também amava alegorias. Seu fim é conhecido. 

Suicidou-se em Portbou, na fronteira entre a Espanha e a França ocupada pelos alemães, desesperado - é o que se imagina - pela possibilidade de ver barrada a sua fuga. Não ficou vestígio dele em Portbou. Depois se soube que as autoridades locais tinham alugado um nicho no cemitério da cidade, por cinco anos, para o corpo de um certo Benjamin Walter, alemão, presumivelmente católico como todos lá enterrados. No fim dos cinco anos, os restos de Benjamin Walter foram transferidos para uma vala comum, onde até seu pseudônimo final desapareceu. Depois da guerra, era tanta gente procurando o túmulo de Walter Benjamin em Portbou que o cemitério improvisou um, para não frustrar os turistas. Hoje, além do falso túmulo, existe um monumento à memória do escritor numa encosta de montanha. Dizem que é muito bonito. O corpo do “saturnino” (como o chamou Susan Sontag) Benjamin segue misturado com o de outros anônimos, numa alegoria perfeita para quem vivia escondendo o nome.

Luís Fernando Veríssimo
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