8 de abr de 2017

A entrevista de Garotinho ao 247


Nessa entrevista exclusiva a Leonardo Attuch e a Alex Solnik, da TV 247, transmitida ao vivo, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho confirma que a delação do ex-governador Sergio Cabral está no forno.

"O Cabral hoje fez a pré-delação, onde ele cita 97 casos... não são 97 pessoas, são 97 casos... seria impossível acontecer isso tudo no estado se ninguém do Judiciário e do Tribunal de Contas não soubesse...se o Ministério Público não soubesse"...

Ex-aliado de Cabral, Garotinho conta por que rompeu com ele: "Ele havia estruturado o governo, que era um balcão de negócios. Se fazia negócios em tudo. Era negócio na publicidade, era negócio na obra, era negócio no serviço, era negócio na educação, era negócio na saúde".

Revela um episódio em que o próprio Cabral negociou contrato de obras com seu governo: "Eu tenho o depoimento de um empreiteiro que diz que o Cabral numa reunião disse o seguinte 'ô, você quer entrar na obra? Tá bom, tira um pedacinho de cada um, só não pode tirar do Fernando!' Era como ele chamava o Cavendish. 'A Odebrecht tira 5%, a Andrade tira 5%, a outra tira 5% e você entra com 15%; agora do Fernando deixa'. Porque o Fernando era ele".

Garotinho também denuncia Pezão, outro ex-aliado seu: "No primeiro governo inteiro do Cabral o secretário de Obras que tocou essa máquina corrupta foi o Pezão".

Também envolve a mulher de Cabral, Adriana Ancelmo: "Ela esquentou muito dinheiro através de falsa advocacia. Isso aí tá comprovado. E o mais grave: alguns concessionários do estado. Como é que a mulher do governador advoga para o cara que tem concessão do estado? Mas esse era um papel"... "O segundo papel dela, não menos importante, é que ela era conhecida como "a madrinha do Judiciário".

O ex-governador conta como demitiu Eduardo Cunha: "Então, chamei, falei 'Eduardo, está acontecendo isso, isso, isso'... Ou você pede demissão ou eu vou te exonerar. Ele olhou, com aquela calma dele e disse.

"Isso tudo é mentira, eu quero ter o direito de provar". "Eu falei 'olha, tudo bem, vai provar, mas vai provar fora do governo, qualquer coisa você volta'. "Eu não saio", devolveu Cunha.

Garotinho afirma que o ex-prefeito Eduardo Paes também estará na lista da corrupção: "O Eduardo Paes não tem a menor chance de escapar"...

Não aceita a reforma da Previdência proposta pelo governo: "Imagina se o Temer fosse um candidato e dissesse 'Você vai ganhar pelas horas que trabalhar... se eu precisar de você três dias por semana, você vai ter três dias por semana, não vai ter férias, nem décimo-terceiro'. Você acha que ele ia ganhar? Como é que um cara que não foi votado para isto pode fazer isto? O que eu questiono é o seguinte: ele tá descendo ladeira abaixo e vai descer mais".

Boa noite. Estamos aqui ao vivo na TV 247 recebendo Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro. Participam da entrevista eu, Leonardo Attuch e Alex Solnik. Boa noite, Garotinho.

Boa noite, Attuch. Boa noite, Alex. É um prazer falar com você que foi, assim, um dos pioneiros dessa luta para democratizar a comunicação lá atrás, é preciso romper com os monopólios e muita gente sobreviveu assim. Eu mesmo, com aquele blog do Garotinho.

A gente tem que começar já com tema quente. Todo mundo quer saber o seguinte: o que aconteceu no Rio de Janeiro? Porque as pessoas vêm uma situação... Sergio Cabral... ex-secretário de Governo Wilson Carlos, praticamente todos os conselheiros do Tribunal de Contas, presidente da Assembleia... é uma terra arrasada? Como se chegou a esse ponto?

Olha, o Cabral você sabe que eu venho denunciando desde 2007. No ano de 2012 eu fui à Procuradoria Geral da República e protocolei uma denúncia, com mais de 2000 páginas que envolvia Cabral, Pezão, Hudson Braga, o Carlos Emanuel, conhecido como “Avestruz”, o Bezerra, que tá preso, detalhando a maneira com que ele havia estruturado o governo, que era um balcão de negócios. Se fazia negócios em tudo. Era negócio na publicidade, era negócio na obra, era negócio no serviço, era negócio na educação, era negócio na saúde...

... Eike Batista...

...tudo! Incentivo fiscal... precatório... negócio, assim, incalculável. Tanto que eu digo que esse número que foi levantado até agora de dinheiro, 300 milhões...

...que já foram devolvidos...

... isso aí é fichinha!

Acha que chega a quanto?

No meu cálculo, envolvendo o grupo todo – porque o Cabral, pra se manter impune, foi expandindo os tentáculos, primeiro na Assembleia Legislativa e seu órgão fiscalizador, o Tribunal de Contas, depois fortemente no Judiciário... Então, tudo isso somado eu creio que seja algo em torno de 3 bilhões de dólares. Em dez anos.

É possível chegar a um valor tão alto?

É possível... sabe por que? Foi o período em que o Rio de Janeiro mais recebeu recursos. Foi recurso que o governo federal injetou pra Copa do Mundo... injetou pra Olimpíada... houve muito investimento do PAC...hoje são esqueletos abandonados...ou seja, o objetivo não era, por exemplo, fazer um teleférico que seria, em tese, uma obra muito importante...está lá para...

O objetivo era?

Negócio!

Foi a corrupção que criou esse caos financeiro? Foi má administração? O que foi? Ou foi a queda dos royalties do petróleo?

A corrupção é o número 1. A questão do petróleo não tem, para o estado, a importância que ela tem pros municípios. Por exemplo: tem município no estado do Rio...vamos pegar Quissamã...75% da sua arrecadação é petróleo...Pro Estado era 7 bilhões, caiu pra 3 e meio. Mas 7 bilhões no lançamento de 70...

Ou seja, esse argumento do petróleo...

... é falso! O cerne da questão é má gestão e corrupção. Má gerência. E muita corrupção. Agora, no caso do petróleo a influência é zero. Lá atrás, quando eu renegociei a dívida eu peguei um fundo da Previdência e capitalizei com títulos do Tesouro Nacional lastreados e garatidos pelos royalties do petróleo até 2029. O Cabral conseguiu uma autorização do Tesouro Nacional pra vender esses títulos antecipadamente. Então, você pega um título que vai vencer em 2029 e vende em 2012, 2013? É um deságio tremendo! Então, o fundo ficou sem fundo. O dinheiro acabou. Não tem dinheiro. Chegamos a esse vexame. Aposentados e pensionistas ainda não receberam o salário de fevereiro.

Agora, Garotinho, quando você falava do Cabral, de certa maneira você pregava no deserto, porque pouca gente queria te ouvir. E aí você colocou no blog as imagens da famosa “gang do guardanapo”, você falou num personagem que recentemente entrou no noticiário, que é o famoso Rei Artur, o fornecedor dos presídios... por que você sentia que não tinha espaço nos meios de comunicação para aquilo que você já denunciava?

Porque ele tinha um esquema de controle da comunicação. Era muito dinheiro destinado, principalmente à maior emissora de comunicação que tem sede no Rio de Janeiro.

Ou seja, se não entrasse na Globo, não espalhava?

Não espalhava. Há um divisor. Até o ano de 2011, até a queda do helicóptero onde estava o Cabral...onde estava o Cavendish...a esposa dele,,,

Fernando Cavendish, dono da Delta...

Dono da Delta...e no qual morreu a esposa do Cavendish... a irmã dele... que já estava tendo um relacionamento com Cabral que foi o motivo da quase separação do Cabral, até aquele momento não saía nada. Quando aquelas imagens chegaram pra mim, por uma pessoa que... me perguntam ah, quem foi que deu?... ninguém envolvido com política, nem familiar, uma pessoa que tinha uma amizade com ela, disse assim: mandou entregar e disse: olha, só dá isso na mão do Garotinho porque ele eu tenho certeza que vai publicar. A partir daquilo ali um dia eu tomei um susto: quando eu botei, por exemplo, aquele hotel em Mônaco com aquela cena...

E o Cabral quando fala daquele hotel diz que está no “melhor Alan Ducasse do mundo”...

E ele vira e começa a filmar o Cavendish e diz assim: ô, Cavendish, dá um beijo na boca da sua mulher! Pede ela em casamento! E o empreiteiro atende. Ele filmando no blackberry dele. Depois mostra pra ele. Aí mostra quem tá na mesa. Sergio Cortes, que ainda não foi preso, mas certamente será...

O ex-secretário da Saúde?

Da Saúde... e outras pessoas que estão ali. Então, depois daquilo, quando eu botei aquilo no meu blog, meu blog tinha um acesso, vamos dizer assim, das pessoas mais politizadas... viralizou! Eu tomei um susto! Aí, o que é que aconteceu? No dia seguinte, o Jornal da Globo, à noite, William Waack disse assim: cenas constrangedoras mostrando o governador do estado no hotel - até falaram errado – em Paris...era Mônaco... depois que eles foram pra Paris fazer a famosa dança dos guardanapos...Aquilo ali viralizou! Todo mundo tinha que dar! E aí eu tive a sorte também: veio a CPI da Delta-Cachoeira logo na sequência.

O Fernando Cavendish se tornou um personagem mais nacional...  

Exatamente! E todo mundo queria recorrer... era uma fila de gente querendo a foto... aquilo ali é um pendrive...

Um parêntesis: o Cavendish entrou na obra do Maracanã, na sua opinião, por influência direta do Cabral?

Com certeza!

Muitos falavam que ele mandava no Rio...

Naquele período. Eu tenho o depoimento de um empreiteiro que diz que o Cabral numa reunião disse o seguinte “ô, você quer entrar na obra? Tá bom, tira um pedacinho de cada um, só não pode tirar do Fernando”! Era como ele chamava o Cavendish. A Odebrecht tira 5%,  a Andrade tira 5%, a outra tira 5% e você entra com 15%; agora do Fernando deixa”. Porque o Fernando era ele.

Ele próprio negociava e não um preposto?

O secretário de obras nessa época era o Pezão. Era o vice-governador. Que é o atual governador.

Cassado pelo TRE, mas em exercício...

No primeiro governo inteiro do Cabral o secretário de Obras que tocou essa máquina corrupta foi o Pezão.

Ele não vai poder alegar desconhecimento, então.

Tanto que o Hudson Braga que está preso nunca foi pessoa da intimidade do Cabral, ele sempre foi íntimo, até pela origem dele, Volta Redonda, ele é ligado ao Pezão. Ele sempre foi conhecido como o homem da mala do Pezão.

Naquele momento você sofreu ameaças? O que aconteceu com você depois de publicar aquele material todo?

Antes... vamos voltar um pouquinho... minha briga com Cabral foi antes da posse dele... já no discurso dele ele e Rosinha quase se degladiaram...no Salão Verde do Palácio Guanabara...

Só esclarecendo: vocês foram aliados no passado.

Ele era de um grupo do PMDB. O grupo ligado ao Picciani, ao Paulo Melo, o grupo do PMDB do Rio. Quando eu vim do PDT e entrei no PMDB eu não tinha aliança com ele. Ele foi candidato e o nosso grupo apoiou, mas ele não era nosso candidato. Quem nós tínhamos colocado na chapa pra fazer um certo equilíbrio era o Pezão, que eu imaginava prefeito do interior, pessoa humilde, chegou no governo do estado pobre. Esse cara, pelo menos, se o Cabral pisar na bola ele vai frear. Mas, rapaz, eu acho que só tem uma coisa que vicia mais que cocaína: dinheiro.

Mochila com 500 mil dentro é viciante...

Eles ficaram viciados! Então, eu não sei, eu fico pensando. Pra que que o cara quer juntar diamantes? É um negócio paranóico. Não tem sentido.

Terno Ermenegildo Zegan sob medida...

Vamos dizer que um terno ele tivesse prazer em vestir um terno. Mas, vem cá, ele pegar 7 milhões em joias!? Comprar e dar pra mulher dele?!

Mas você também, ao mesmo tempo que você denunciava a “gang do guardanapo”...

O que eu queria dizer é no início... no início o que é que eles fizeram? Eu acabei meu governo, queria voltar pra minha atividade: comunicação. Eu não conseguia. Todas as rádios tradicionais do Rio  de Janeiro, eu tentava entrar...eles diziam “puxa, Garotinho, eu tinha muita vontade de te contratar, mas sabe como é, não dá, porque”... Aí, o que aconteceu? Eu me associei a uma pessoa que pegou uma rádio que a Marlene Matos tinha tentado colocar no ar, a antiga Manchete, do Jaquito, estava fora do ar, e fui pra lá. A rádio começou a crescer, a ter muita audiência, quando a gente colou na CBN, estava já em terceiro lugar, brigando pela audiência, os anunciantes começaram a sair. Eu estranhei. Aí, um dia, um empresário do ramo de supermercados me liga e me diz o seguinte: “olha, eu até ponho o anúncio lá, eu pago pra você, mas não quero aparecer. Sabe por que? Todo mundo que põe anúncio lá na rádio a fiscalização vai lá, multa, multa, multa até tirar o anúncio. Eu não vou aguentar”! Então, eu fiquei totalmente banido. Tanto que a primeira reação da mídia na queda do Cabral foi eu voltar pro rádio. Estou com um programa na Rádio Tupi, com boa audiência...

Qual é o teu horário lá, Garotinho?

Todo dia das 9 às 10. Programa popular, para dona de casa, taxista...

Tem outro ponto: você que denunciou essa “gang do guardanapo”, mas você falava muito também do papel da Adriana Ancelmo. O que você sabia já no passado e que está se confirmando hoje?

Olha, a Adriana Ancelmo atuava em várias frentes. Vamos falar das duas principais, até por uma questão de tempo. Ela lavava o dinheiro que vinha da corrupção, advogando teoricamente para empresas. Fazia um contrato..o Artur, que era o rei dos serviços do Rio de Janeiro...

Das quentinhas?

Ele começou com quentinhas, depois pegou tudo. Ele foi o rei do setor de serviços. Vigilância etc...

O Artur apareceu recentemente no noticiário. É porque ele teria pago pela candidatura do Rio a sede da Olimpíada?

Isso.

Pagou a um integrante do comitê olímpico...

Então, ela esquentou muito dinheiro através de falsa advocacia. Isso aí tá comprovado. Telemar tinha contrato com ela. E o mais grave: alguns concessionários do estado. Como é que a mulher do governador advoga para o cara que tem concessão do estado? Mas esse era um papel...

E aí você falava e ninguém ouvia...não reverberava...

Eu protocolava ações no Ministério Público do estado. Bom, o segundo papel dela, não menos importante, é que ela era conhecida como “a madrinha do Judiciário”. Nenhum desembargador, no período do Cabral tornou-se desembargador sem ter a bênção dela. Tinha que passar no escritório dela, ela fazia uma espécie de sabatina e encaminhava, então dizendo “pode aprovar que o governador vai nomear”.

Você viu a cena dela chegando em casa?

Vi.

Como é que você encara essa reação da população?

Olha, é natural a reação da população.

Foi uma cena de um quase linchamento...

Veja bem: a ministra que deu a decisão, a Maria Teresa ela deu com base na lei. O que revolta a população é: por que só ela? Por que não todas as mulheres pobres que têm filhos...

Ali a reação era em cima dela...se o carro fosse mais frágil ela seria linchada...

Mas o que eu estou dizendo é que...

Não é um clima criado pela midia, muito exacerbado? Como também criou-se contra você.

O que eu estou dizendo é: a lei prevê que a mulher que tem filho abaixo de 12 anos tem esse direito. Então, o que eu falei? Qual deveria ser o papel da Defensoria Pública do estado e da Justiça do estado? Ir a todos os presídios, pegar todas as mulheres que estão lá, a maioria negras, que não podem pagar um advogado e dizer...

Mas pra isso tem a Defensoria Pública...

Tem que fazer um mutirão e dizer: vai cuidar do seu filhinho em casa. Eu publiquei uma foto que muita gente chorou que era uma presidiária dando de mamar ao seu filho pela grade.

Uma dúvida que eu tenho: eles estão casados ou não?

Estão casados. Eles quase se separaram porque o Cabral teve um pulinho fora...

Você falou de “madrinha do Judiciário”. Hoje, o que está nos jornais e nos sites é que o Cabral teria feito o primeiro depoimento da delação premiada que atingiria, pelo que se fala, 97 pessoas do Judiciário entre juízes e desembargadores. É possível?

Eu acho que sim. Com certeza, sim. Agora, o importante, eu vou dizer hoje aqui pela primeira vez, você é a primeira pessoa que vai ter essa informação, o que motivou Cabral a fazer isso. Veja. Acompanha Cabral desde os tempos de deputado estadual o sr. Regis Fishner.

Advogado importante no Rio...

Advogado... escritório Andrade&Fishner, um escritório conceituado...ele foi suplente de senador do Cabral... depois, quando o Cabral saiu para ser candidato, ele foi senador...e depois foi ser o chefe da Casa Civil. Nada acontecia dentro do Palácio da Guanabara sem Regis Fishner. A operação não toca no nome de Regis Fishner. Especulava-se que o Regis Fishner, para não ser preso, como ele tem ligações muito fortes no Judiciário, muito fortes, o escritório Andrade&Fishner é um dos maiores do país, tem, inclusive pessoas da família que ocupam cargos importantes nos tribunais superiores, ele teria conseguido ser um delator informal, sem assinar nenhum tipo de delação. Então, Cabral desconfiava disso. O que eu soube é que ele teve a confirmação disso...

Agora então é uma vendetta, uma vingança?

É. Ele vai contar tudo do Regis... “aquele crápula”! “Traidor”!

Isso está na delação dele?

Não, segundo eu fui informado não chegou  a ser um depoimento ainda, ele fez um rascunho. O Cabral hoje fez a pré-delação, onde ele cita 97 casos... não são 97 pessoas, são 97 casos... seria impossível acontecer isso tudo no estado se ninguém do Judiciário e do Tribunal de Contas não soubesse...se o Ministério Público não soubesse...

É aceitável que Cabral possa diminuir a pena dele através da delação premiada?

Na minha opinião, não.

Mas ele vai conseguir algum benefício? Que tipo de benefício?

Esse sistema brasileiro a pena máxima é 30 anos e tem todos aquele benefícios de progressão que o cara fica na cadeia no máximo cinco anos. O Cabral deve estar fazendo as contas dele. Ele não vai conseguir devolver esse dinheiro todo. Ele vai usufruir da safadeza.

E o Cunha, vai ficar quanto tempo? Qual era a sua relação com Eduardo Cunha?

Quando eu fui eleito governador, em 1998, no segundo turno o Dornelles me apoiou. O Dornelles falou: que espaço você vai me dar no governo? “O que o senhor gostaria”? Eu o chamava de ministro. Ele disse “não, eu não preciso de um cargo, eu quero que você entreviste uma pessoa que eu considero altamente qualificada, que foi auditor da Artur Andersen”. “Quem”? “Eduardo Cunha”. “Eu já ouvi falar nesse nome, Dornelles”. “Ele saiu injustiçado do governo Collor, mas ele ´um gênio”. Eu entrevistei o Cunha e fiquei babando. O cara sabia tudo. Ele foi para a área de Habitação. Eu me lembro do momento drmático em que tive de afastá-lo do governo.

Como é que foi o rompimento?

Foi assim. O Ministério Público me mandou um documento confidencial dizendo que estava em procedimento uma investigação na Companhia Estadual de Habitação com todos os indícios de que estava havendo fraude. Então, chamei, falei “Eduardo, está acontecendo isso, isso, isso”...Ou você pede demissão ou eu vou te exonerar. Ele olhou, com aquela calma dele e disse: “Isso tudo é mentira, eu quero ter o direito de provar”. Eu falei “olha, tudo bem, vai provar, mas vai provar fora do governo, qualquer coisa você volta”. “Eu não saio”. Falei: “Olha, você está nervoso, um pouco alterado, vamos conversar amanhã de manhã”? Marquei, virei pro chefe da Casa Civil e falei: “Deixa dois documentos prontos, um ele pedindo demissão e outro eu o exonerando. Quando ele chegou, disse: “você vai exonerar um homem inocente, porque eu não fiz nada”. “Eduardo, primeiro, aqui tá provado que você tá enrolado, não tem como, esse negócio não tem como”... “Não, eu não peço demissão”. Eu me lembro de uma coisa... eu prezo muito família...meu relacionamento com a Rosinha... a mulher dele apresentava o RJ TV. Eu falei “pô, Eduardo, já imaginou te demitir e hoje à noite a Claudia Cruz, tua mulher, apresentando o RJTV ter que ler “foi exonerado o presidente da”... Ele disse: “Então me exonera”! Eu exonerei!

O Rio tá ficando marcado por Eduardo Cunha, Cabral... qual vai ser o cenário eleitoral em 2018 no Rio de Janeiro? Tem salvação para o PMDB no Rio?

Não. Pro PMDB não tem; tem salvação pro estado.

O Eduardo Paes é um nome que escapa?

Olha, o Eduardo Paes, você publicou...

Não foi um bom prefeito?

Você publicou as contas da Mossack Fonseca abertas pelo Eduardo Paes com 8 milhões de dólares. Você publicou isso há quatro anos?

Mais ou menos isso.

Então, o Eduardo Paes não tem a menor chance de escapar...a empreiteira vai dizer assim...

Você vai aparecer nas delações?

Provavelmente alguém vai querer me empurrar. Eu bati em todo mundo. Então, o cara vai dizer...me deu dinheiro? Então, diga a conta em que você depositou. Aponte uma conta minha no exterior. Aponte uma lancha minha. Uma mansão minha. Eu tenho a casa que eu herdei dos meus pais à rua Saturnino Braga 44, bairro da Lapa, em Campos. “Mas, Garotinho”! É o que eu tenho!

Esse é o seu patrimônio?

É  o meu patrimônio. Não tenho nada além disso. Fiquei oito anos como governador e depois fui eleito deputado federal com 700 mil votos. Deputado mais votado da história do Rio. Brigando com esses caras, eles com a Polícia Federal na mão, querendo me comer vivo, se eu tivesse uma continha no exterior, se eu tivesse metade das vacas do Picciani eu estava lascado, eu estava morto.

Mesmo que você apareça você acha que não vai ser nada que atrapalhe sua carreira política?

Eu não sou patrimonialista. Tem político patrimonialista, tá na política praq fazer patrimônio. Eu sou político. Minha formação, lá atrás, foi no Partido Comunista...eu não estou envolvido em fazer fortuna, isso não é pra mim...

Nesse cenário de terra arrasada no Rio você vai se colocar como candidato?

Quando eu assumi em 1998, depois do Marcelo Alencar a situação era terrível.

O Rio estava quebrado...

O quadro era pior do que esse...estavam com dois meses de salário atrasado e o Marcelo Alencar pra encobrir o rombo, vendeu o Banerj, depois a Companhia de Gás, depois a Companhia de Luz, depois vendeu os trens, as barcas, o metrô, depois ele vendeu o prédio do estacionamento do estado.

E como você colocou a casa em ordem?

Eu fui devagar... negociei a dívida do estado...organizei uma série de medidas de reestruturação, alongando os títulos do estado e criei um fundo de previdência. Quando eu criei esse fundo de previdência foi um achado. Por que? Metade da folha era aposentado e pensionista. Quando eu tirei da despesa do estado e passei pro fundo, o fundo estava capitalizado, um título de royalty do petróleo com vencimento em 2029, metade da minha despesa fixa sumiu. Ou seja, passou pro fundo. Contra a vontade de alguns membros do governo. O Joaquim Levy não queria de jeito nenhum “vocês vão tornar o Garotinho o salvador do Rio”! Um dia eu estava com Fernando Henrique, na base aérea de Brasília, falei pra ele “tá vendo tudo isso, tudo isso saiu de dentro do Rio”! Brasília toda. Isso aqui era o Rio de Janeiro. Tem que ter uma compensação pro Rio. Aí ele falou assim: “eu vou dar um jeito”.

O Temer é um derrotado politicamente?

Total.

Você acha que não chega até 2018?

Olha, ele talvez chegue a 2018, talvez chegue a 2018, porque o quadro que está se desenhando é que o voto do ministro Herman será pela cassação da chapa. E vai haver um pedido de vista de algum ministro pra segurar essa votação. Mas a derrota dele não vem daí, a derrota dele vem da falta de legitimidade e autoridade pra fazer o que ele quer fazer. Imagina se o Temer fosse um candidato e dissesse “senhoras e senhores, eu quero me eleger presidente porque eu quero fazer você trabalhar 49 anos, contribuir 49 anos e por isso eu peço o seu voto”. “Eu quero ser presidente da República porque eu quero instituir o salário-hora. Não vai haver mais salário mínimo”.

Não tem férias, décimo-terceiro...

"Você vai ganhar pelas horas que trabalhar... se eu precisar de você três dias por semana, você vai ter três dias por semana, não vai ter férias, nem décimo-terceiro". Você acha que ele ia ganhar? Como é que um cara que não foi votado para isto pode fazer isto? O que eu questiono é o seguinte: ele tá descendo ladeira abaixo e vai descer mais.
Leia Mais ►

Maior obra de Aécio foi propinoduto, diz Veja


A revista “Veja” desta semana publica mais uma acusação contra o senador tucano Aécio Neves, o “Mineirinho” da lista da Odebrecht; dessa vez, o periódico da editora Abril destaca como um dos seis inquéritos pedidos contra Aécio pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, refere-se ao pagamento de propina que o tucano teria recebido na construção da Cidade Administrativa, a nova sede do governo mineiro, que custou 2 bilhões de reais; a revista classifica a obra como um "formidável propinoduto"; segundo a delação de Benjamin Junior, ele próprio acertou com o senador Aécio Neves a montagem do cartel de empreiteiras, que pagou propinas de 2,5% a 3% do valor total da obra

A blindagem da revista "Veja" com o senador Aécio Neves parece mesmo ter chegado ao fim. A edição desta semana publica mais uma acusação contra o senador mineiro.

"Veja" destaca um dos seis pedidos de inquérito contra Aécio feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

"Um deles, Veja apurou, refere-se ao pagamento de propina ao senador na construção da Cidade Administrativa, a nova sede do governo mineiro, que custou 2 bilhões de reais e transformou-se num formidável propinoduto. Segundo a delação de Benjamin Junior, ele próprio acertou com o senador Aécio Neves a montagem do cartel de empreiteiras, que pagou propinas de 2,5% a 3% do valor total da obra."

Megadelatado, a candidatura presidencial de Aécio em 2018 configura-se cada vez mais como inviável.

No 247
Leia Mais ►

Jornalista canadense Eva Bartlett desmascara a desinformação maciça da mídia sobre a Síria


Acredita em tudo o que CNN, BBC News e outros te contam sobre a Síria? Cuidado, podem estar te enganando. A jornalista canadense Eva Bartlett desmascara a desinformação maciça com que certos meios cobrem os eventos.



No Esquerda Caviar
Leia Mais ►

Valério relata desvio do PSDB

Em interrogatório, réu do caso diz que dinheiro público fluiu para a campanha de Azeredo

Ele falou. Marcos Valério chega para depor à juiza Lucimeire Rocha, da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, no caso em que é réu
Interrogado nesta sexta-feira (7) como réu em um processo do chamado mensalão mineiro, o empresário Marcos Valério confirmou à juiza Lucimeire Rocha, da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte, que recursos foram desviados dos cofres estaduais para a campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo em 1998.

Em seu depoimento, o empresário – já condenado por participação no mensalão do PT – passou todo o tempo tentando convencer a Justiça a considerar informações de seu acordo de delação premiada que tentou primeiro com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e, agora, busca com a Polícia Federal.

Marcos Valério afirmou que foi usado para pagar chantagem a Cláudio Mourão (tesoureiro da campanha de Azeredo em 1998). “O que o Cláudio ia apresentar acabava com a história do PSDB em Minas. Por isso ele recebeu a grana (para ficar em silêncio)”, disse Valério durante a audiência.

“Cláudio Mourão não ia revelar o empréstimo para o Banco Rural ou os patrocínios (para eventos esportivos). O que ele ia revelar era muito pior. Eu? Medo? Nenhum. O medo era do PSDB, do Eduardo (Azeredo), do Aécio (Neves)”, disse Valério. “Só se salvaram porque pagamos R$ 700 mil e depois o PSDB pagou mais para calar a boca dele”.

Atualmente preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Valério afirmou que muitas pessoas não queriam que ele fizesse uma delação: “Muita gente trabalhou para que eu não fizesse. ‘N’ manobras foram feitas”.

Eventos. Mesmo sem dar detalhes sobre o caso, alegando que não pode apresentar fatos novos sem que a delação seja aceita, Valério fez referência às acusações de que estatais mineiras receberam pagamentos ilegais para patrocinar eventos esportivos que teriam sido usados para irrigar a campanha de Azeredo, já condenado a mais de 20 anos de prisão em primeira instância.

“Não vou ser bode expiatório de ninguém mais. Faltava o nexo causal, e isso eu dei para a PF. Vou ter que falar de quem foi a bênção e não foi do (ex-senador) Clésio Andrade. E tem história cabulosa do por que a Cemig resolveu patrocinar os eventos. A senhora juíza vai ficar escandalizada. Do outro lado (do PSDB), sabiam que o lucro era todo para eles”.

Por diversas vezes Valério reclamou que o MP não quis que ele apresentasse fatos novos no processo. “O lucro dos eventos, dinheiro vivo, foi tudo entregue pra campanha à reeleição do Azeredo”, falou. “Isso é para todo mundo do governo (da época) sair preso”, continuou, afirmando que não teve participação nos casos de peculato, ou seja, no desvio de dinheiro público.

“Uma coisa é o mensalão do PT, que eu já fui condenado, outra é eu não ter intimidade com ninguém do governo e colocarem tudo nas minhas costas”, reclamou, dizendo que figuras importantes não estão no processo.

Esforço. No início da audiência, a defesa de Marcos Valério tentou adiar o depoimento em função de delação em negociação com a PF. As defesas de Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, outros dois ouvidos nesta sexta-feira (7), também pediram o adiamento, alegando que os acusados tinham direito de ter ciência do conteúdo do acordo de Valério antes de serem ouvidos.

A juíza Lucimeire Rocha, porém, deu prosseguimento à audiência. Segundo ela, o MP já demonstrou não ter interesse na colaboração, por acreditar que não há elementos probatórios suficientes.

Segundo o promotor Leonardo Barbabela, 80% a 90% dos fatos dos quais Valério teria conhecimento são de competência federal. “A PF não tem poder de negociar pena com Judiciário. Não se justifica prolongar mais esse processo sob argumento de que a PF tem interesse em delação. O MPMG, que é o titular dessa ação, não tem”, disse.

Em seus depoimentos, Valério e seus dois ex-sócios se contradisseram sobre as verbas dos eventos esportivos. Segundo Valério, houve mais de R$ 5 milhões de lucro nos eventos, que teriam sido repassados à campanha de Azeredo. Já Paz e Hollerbach disseram que o retorno ficou aquém das estimativas.

A juíza concedeu um prazo de 30 dias para cada uma das partes fazer suas alegações finais no processo.

Rejeição

O ministro Luís Roberto Barroso, negou um pedido de transferência de Marcos Valério para uma unidade prisional de Santa Luzia. Ele alegou falta de vagas no local.

Defesa diz que já há acordo prévio com a Polícia Federal

Segundo o advogado Jean Robert Kobayashi Júnior, que defende Marcos Valério, já há um pré-acordo para a delação com a Polícia Federal. Ele diz que 60 anexos foram entregues aos delegados e que aguarda que eles retornem de um treinamento, no fim do mês, para que o réu preste os depoimentos.

Kobayashi garantiu que seu cliente tem muito o que contar sobre políticos e empresários.

“Falta muita coisa nesse processo. Eles não têm 10% do que eles realmente necessitam para dar andamento ao processo. Faltam pessoas que não foram indiciadas”, disse o advogado, que afirmou que Valério busca a transferência para uma APAC e redução de pena em caso de condenação.

Legenda afirma que investigado mente

Em nota divulgada nesta sexta-feira (7) após as declarações do empresário Marcos Valério à Justiça estadual, o PSDB-MG rechaçou as acusações feitas em depoimento. O partido afirmou inicialmente que “o senador Aécio Neves (citado por Valério) não é parte e não é nem sequer citado no processo que ficou conhecido como ‘mensalão mineiro’”.

Segundo o PSDB, na audiência desta sexta-feira (7), “o Ministério Público, novamente desacreditando das palavras de Marcos Valério, pediu o prosseguimento da ação penal movida contra ele”.

“Lamentavelmente, o que se tem mais uma vez é a prática de acusações falsas, que certamente levarão Marcos Valério a responder a futuras ações penais por denunciação caluniosa. Espera-se que o Judiciário tome as devidas providências, pois recentemente ele juntou documentos falsos perante o juízo de Lagoa da Prata buscando induzir o Juízo a erro, em nítida obstrução da Justiça”, diz a nota do partido.

A legenda lembrou as condenações anteriores de Valério e afirmou que ele é conhecido pelas “inverdades que propala”. “Ao longo do tempo, ele muda versões, cai em contradições e vem mentindo de forma sistemática sem qualquer comprovação, para chamar atenção da imprensa e tentar obter benefícios pessoais.”

Luíza Muzzi
No O Tempo



Leia Mais ►

Previsões de Dilma sobre o golpe se confirmaram


No dia 12 de maio de 2016, quando a presidente eleita Dilma Rousseff foi deposta pelo golpe parlamentar de 2016, ela fez um discurso histórico, em que antecipou várias medidas que seriam tomadas por Michel Temer, empossado um dia depois, numa sexta-feira 13.

Dilma afirmou que o golpe seria contra o povo brasileiro, antecipando ataques às aposentadorias, aos direitos trabalhistas, a programas sociais de saúde, como a Farmácia Popular, e de educação, como o Ciência sem Fronteiras.

Tudo o que Dilma previu se confirmou e um vídeo, elaborado pela equipe do deputado Marco Maia (PT-RS), com reportagens da Globo e de outras emissoras de TV, como a TVT, confirma: o golpe foi contra você.

Confira:

Leia Mais ►

Síria - Se vc assiste assiste a Globo, não assista este vídeo


Leia Mais ►

Roberto Requião, numa digressão patológica! Imperdível


Leia Mais ►

Uma carta de resposta dos judeus que não riram

Protesto em frente ao Clube A Hebraica, do Rio de Janeiro.
Foto: Ramon Aquim/Mídia NINJA.
Roberto Tardelli achou por bem utilizar o espaço de que dispõe para ensinar como os judeus devem se comportar. Para dizer o que devem fazer ou deixar de fazer. Para indicar de que forma devem resistir ao fascismo, que vai ganhando terreno na sociedade brasileira. Sabe o nome disso?

O autor vai além. Despreza os judeus que resistiram. Os coloca do mesmo lado daqueles que riram. Afirma que sua contribuição foi a de “elevar ainda mais o tom do genocida palestrante”.

Protesto em frente ao Clube A Hebraica, do Rio de Janeiro.
Foto: Ramon Aquim/Mídia NINJA.
Quer dizer que as baboseiras criminosas que o inominável deputado vomitava para uma plateia de gente preconceituosa são de responsabilidade dos judeus, e só dos judeus? Que os judeus que resistiam “nada mais faziam do que sua obrigação”? Que os judeus “deveriam ter invadido o recinto e esmurrado” aquela gente?

E por quê? Por causa de sua história?

Aqui entre nós, talvez seja o caso de dizer o óbvio: campo de concentração não é escola de direitos humanos. Ao contrário, desumaniza; corrói corações, mentes e almas; dilacera a fé nos homens e na própria possibilidade de humanidade; deixa marcas indeléveis, que perduram mesmo entre gerações que não vivenciaram o extermínio; não é atalho para a vida digna, mas um obstáculo a ser transposto.

Deviam os judeus ter aprendido algo? Os judeus? O equívoco da pressuposição está na transferência, às vítimas, da responsabilidade pelo aprendizado, seja lá do que for.

Há alguns anos, ao discutir a afirmação deplorável de que “os judeus não aprenderam nada com o holocausto”, o pedagogo — e irmão caçula  – Gabriel Douek foi certeiro:
O que está por trás deste tipo de afirmação é a crença de que o assassinato de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial ocorreu para ensinar algo a esse povo.

Assim, dizer que os judeus deveriam ter aprendido algo, e não aprenderam, é conceber o genocídio judaico como uma espécie de “lição” ou “castigo” que não surtiu efeito. E ainda mais: é afirmar que o holocausto não foi suficiente.
Para superar a dor e curar o trauma, é preciso um esforço diário. Apesar de tudo, a aposta humanista segue viva e estava bem ali, para quem quisesse ver, no grito desesperado de todos aqueles que protestavam, do lado de fora do auditório.

Quem exige (ou reivindica) a superioridade moral dos judeus devido à sua experiência histórica talvez não perceba, mas a ideia se sustenta na concepção fascista de que “a violência educa”.

Sabe quem se vale dessa lógica? Justamente aquele a quem devemos interditar.

Daniel Douek é Cientista Social, mestre em Letras pelo programa de Estudos Judaicos e Árabes da USP.
No Justificando
Leia Mais ►

A verdade involuntária: a “estabilidade” é o caos social

Ginástica chapa branca
Vivemos uma situação estranha na economia, muito bem resumida, num arroubo de verdade impensada, pelo letreiro que surgiu no comentário da jornalista Teresa Heredia, na Globonews: “Recessão e desemprego derrubam inflação e devolvem poder de compra aos brasileiros”.

Não, não é um deslize, é um retrato.

A queda da inflação é a aplicação, em dose cavalar, do conceito clássico de que a inflação cresce pelo excesso de demanda e, portanto, cai com a retração da procura por gêneros de consumo diário, bens e serviços.

Os preços não sobem porque não se vende.Como não se vende, não se produz. E como não se vende nem se produz, não se arrecada.

Não se arrecadando, a “solução” passa a ser a estabelecer “déficits” cada vez maiores no Orçamento para, formalmente, cumprir “meta” situadas cada vez mais baixas e, em tese, completamente ao inverso do tal “saneamento das contas públicas.

Estamos, hoje, trabalhando com duas “ancoras”, de resistência imprevisível.

Uma é o dólar, depreciado.

A outra é a expectativa, minguante, de que o governo possa garantir, no médio prazo, redução dos seus déficits, o que vem saindo ao contrário. O maior gancho desta “âncora” é a reforma da previdência, que começa a se soltar, com perspectivas cada vez menores que vá ser algo além de um pálido remendo.

Hoje, por um empresário na coluna de Miriam Leitão, em O Globo.

“Na boca do caixa, o meu primeiro trimestre ainda foi negativo. Os índices de confiança estão subindo, mas já brinco que eles viraram indicadores de esperança.”

Não haverá recuperação da economia sem que ela volta a funcionar.

O que se busca, hoje, é o equilíbrio na paralisia, impossível numa sociedade com as carências da brasileira.

A nãos ser que, como no letreiro da Globonews, a gente acredite que quanto mais desemprego e recessão, o poder de compra vá crescer.

Porque essa verdade só serve para uma pequena parcela da população. Para a outra, que a paga, é só exclusão, miséria e atraso.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

A ética de Temer resumida na resposta sobre seu juiz e amigo Gilmar: “E daí? A gente não pode conversar?”


Michel Temer deu uma entrevista anódina à Folha, falando sobre a reforma da Previdência.

“Cedemos até onde podemos”, conta. “O ponto fundamental da reforma é a questão da idade. Se fixarmos uma idade mínima, porque hoje as pessoas se aposentam com 50 ou 49 anos, já damos um passo avançadíssimo.”

O melhor, porém, ficou só na abertura da matéria, quando Michel (não) fala de sua relação promíscua com Gilmar Mendes, o companheiro que (não) está julgando sua cassação no TSE.

Foram ao menos oito as ocasiões em que eles se encontraram sem registros em suas agendas oficiais desde maio passado.

O Código de Processo Civil prevê que juízes não podem julgar “amigo íntimo” nem “aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa”, lembrou a BBC Brasil numa boa matéria.

Nessas situações, é preciso se declarar suspeito.

Ao menos quatro desses convescotes ocorreram no Palácio do Jaburu, onde Temer permaneceu depois que ficou com medo dos fantasmas no Planalto. O quinto não se sabe direito onde foi.

Dois foram confraternizações com outras autoridades na casa de Gilmar, outro foi um jantar na casa de um ministro do STJ. Houve também a carona que Gilmar pegou com Temer para Portugal. Enfim.

Temer declara não ver “nenhum” conflito de interesse nisso. “E daí? A gente não pode conversar?”, perguntou à Folha.

Esse é Michel, esse é Gilmar, esse é o Brasil. Azar o seu.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Entrevista de Lula à rádio O Povo, do Ceará


“A Lava-Jato tem um pacto com a imprensa, utiliza a imprensa para condenar previamente”

Lula deu entrevista hoje pela manhã, por telefone, ao jornalista Luiz Viana, da Rádio O Povo/CBN, do Ceará, transmitida ao vivo na página do ex-presidente no facebook. Mais uma vez, Lula exortou o juiz Sergio Moro a apresentar “provas” de que cometeu crimes, e se disse “ansioso” para depor no próximo dia 3 de maio em Curitiba.

“Se tem um cidadão brasileiro, dos 204 milhões, que quer a verdade, a mais pura verdade dos fatos, sou eu. Prova significa documento, coisa escrita, conta bancária. Eles já quebraram minha conta bancária, meu sigilo telefônico, sigilo da conversa da minha mulher com meus filhos, sinceramente não sei qual é o limite deles em invadir a minha vida. Estou ansioso pelo dia 3 porque é a oportunidade que eu tenho de responder.”

O ex-presidente também criticou a postura do Judiciário, sobretudo do Supremo, afirmando que juiz que quer emitir opinião sobre política “deveria deixar de ter um emprego vitalício e disputar eleição”. Alfinetada no ministro Gilmar Mendes? Outra cutucada foi para o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., que segundo Lula está querendo usá-lo como escada para se cacifar para 2018. “Aprendi na vida quando um político quer ter 5 minutos de glória. O fato de o prefeito de São Paulo ficar todo dia me criticando no fundo, no fundo, ele quer que eu o transforme em personagem antagônico e eu não vou transformar. Ele foi eleito para governar São Paulo e tem que cumprir com a obrigação dele de governar São Paulo, precisa parar de fazer pirotecnia e governar de verdade.”

Leia Mais ►