7 de abr de 2017

Nassif: O dia em que denunciei o Plano Cruzado (+ vídeo)


No dia do Jornalista, um pouco das minhas memórias da imprensa

Soube do Plano Cruzado na véspera do seu anúncio. O Ministro da Fazenda Dílson Funaro ligou para casa e pediu que fosse a Brasília, pois haveria notícias bombásticas. Liguei para Otávio Frias, dono da Folha. Como era impossível conseguir vôo àquela hora, Frias conversou com Amador Aguiar, que emprestou o avião do Bradesco.

O telefonema de Funaro se devia à defesa que fiz, algum tempo antes, de uma mudança no Imposto de Renda preparado pela equipe econômica – constituída pelos economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e João Manuel Cardoso de Melo, da Unicamp.

Antes de analisar seu conteúdo, os jornais caíram matando, informando que se tratava de aumento de tributação.



Na época computadores e planilhas eram de utilização escassa. Montei uma planilha com simulações e comprovei que a nova tabela reduzia o IR na fonte para quem ganhava até 40 salários mínimos. Portanto, era progressiva – isto é, taxava mais quem ganhava mais.

Seguiu-se uma polêmica, inclusive internamente na Folha. Havia um editorialista, professor da FEA (Faculdade de Economia e Administração) da USP, que questionou minhas contas.

Otávio Frias, o dono da Folha, me chamou no jornal para discutir com o professor na sua frente. Era um dos expedientes sagazes de Frias. Se ele não dominasse o assunto, colocava as duas pontas para discutir na sua frente para constatar ao vivo quem tinha o argumento mais sólido.

Cheguei ao jornal, Frias estava ocupado, mas colocou o jornalista Marcelo Coelho de árbitro. Na hora de confrontar os cálculos, constatei, algo abismado, que o economista aplicava as alíquotas diretamente em cada faixa de renda, sem abater a dedução da faixa.

Perguntei se não iria aplicar a dedução e, para minha surpresa, ele não sabia dela. Não conhecia os princípios da tabela progressiva.

A Folha decidiu, então, apoiar o pacote. Cheguei em Brasília, rumei para a Fazenda. Não encontrei ninguém, todo mundo fechado em reuniões. As notícias saíam a conta-gotas, quando alguém saía da sala. Só no começo da noite, vieram notícias mais consistentes. Dada a importância do fato, a Folha escalou o Clóvis Rossi para fazer dobradinha. À medida em que ia conseguindo as informações, passava para ele, por telefone, que redigiria a notícia.



Na Fazenda havia um jovem assessor, provavelmente no seu primeiro trabalho, de nome Mário Rosa – depois, tornou-se especialista em administração de crises. Tentou interromper meu telefonema para a Folha, dizendo que não podia gastar telefone público para atividades privadas. Fulminei-o com um olhar, ele ficou quieto, passei o recado e, depois, me lembrei de lhe dar uma bronca. Mas já tinha caído sua ficha.

O plano foi anunciado. Nos dias seguintes, seguiu-se uma batalha de informações, para explicar a lógica do plano.

Aqui, uma pequena digressão.

O plano matemático

No meu período de Veja, cobrindo finanças e economia, sentia enorme necessidade de entender a matemática do mercado, para não depender de analistas de corretoras, principalmente depois da aceleração da inflação, período em que o manejo de taxas permitia ganhos imensos ao mercado – e perdas aos clientes. Veja me pagou um curso de matemática financeira com o José Dutra Vieira Sobrinho, melhor professor da época, ensinando em calculadora financeira.


Adquiri uma Texas financeira no Mappin. Quando tentei montar uma taxa interna de retorno para prestações diversas, de consórcios de carros, me dei conta da insuficiência da máquina. Apertei o orçamento e troquei por uma HP 38C – a antecessora da campeoníssima HP 12C.
Nos anos seguintes me aprimorei na matemática financeira, aprendi a programar em computadores – que, na época, só aceitavam programas em Basic – e tornei-me um especialista em contas, seja do Sistema Financeiro da Habitação, das operações ativas e passivas de mercado. Criei uma seção, a Cartilha do Investidor, na coluna Dinheiro Vivo, que mantinha na Folha.

Pouco antes do Cruzado fui a uma viagem a passeio à Argentina. Chegando lá, vi pelos jornais o anúncio do Plano Primavera, com as famosas tablitas – a tabela que deflacionava  valores descontados no decorrer do mês.

Deixei as férias de lado e fui atrás do Roberto Frankel, um dos pais da Primavera. Lá, pedi que me explicasse a lógica das tablitas. Publiquei na Cartilha do Investidor. Tempos depois, os Cruzados me disseram que suspeitaram que alguém tivesse vazado as informações do plano para mim.

Por isso, foi bem fácil analisar cada decreto do Cruzado, de conversão dos contratos de cruzeiros para cruzados, pois deveriam responder a uma lógica matemática.

O telefonema elogioso de Saulo

As explicações e a defesa do Cruzado me custaram um telefonema de Brasília, do então consultor geral da República Saulo Ramos, me agradecendo em nome do José Sarney e me taxando de “baluarte do Cruzado”.

Dona Tereza, minha mãe, ainda era viva, morando alguns andares abaixo do meu apartamento. Testemunhou o telefonema e me perguntou, preocupada:

- Meu filho, onde você está errando?

De fato, foi um elogio que me preocupou.

Dias depois, fui a um almoço onde estava o Luiz Carlos Mendonça de Barros, diretor do Banco Central e o especialista em mercado do grupo. Ele me chamou de lado e me passou a informação, preocupado:

- O Saulo soltou um decreto que reinaugura a indústria da liquidação extrajudicial.

Antes de assumir a Consultoria Geral, Saulo fizeram fortuna com as liquidações. O jogo consistia no banco quebrar, o rombo ser coberto pelo FGLI (Fundo Garantidor de Liquidez). Depois, tinha início a liquidação. Os ativos do banco – imóveis, bens em geral – tinham preço real de mercado, acompanhando e muitas vezes superando a inflação. Já o FGLI permanecia congelado. Bastaria segurar por alguns anos a liquidação, para a dívida virar pó e o banqueiro sair rico.

Deixei o Luiz Carlos e busquei outras confirmações. Fui até um evento onde estava o Fernão Bracher, presidente do Banco Central, que também se assustou com a informação. Antes que eu explicasse o teor do decreto, disparou:

- O Funaro havia dito ao Saulo para não permitir jogadas com as liquidações extrajudiciais.

Aparentemente já sabia do decreto mas, dada a influência de Saulo sobre Sarney, não havia conseguido demovê-lo.

De fato, quando Tancredo Neves morreu, enquanto Ulisses Guimarães e o MDB ficavam imersos em crises existenciais, Saulo agira rapidamente e assegurara o cargo para o vice-presidente José Sarney.

Cheguei na redação e procurei mais informações com juristas. Procurei Fábio Konder Comparato e outros, mas não encontrei. Aì consegui falar com Ives Gandra da Silva Martins. Ele confirmou na hora a jogada:

- O decreto de fato anula o parecer Brossard.



Não sabia o que era. Me explicou que era um parecer de Brossard, que se tornara jurisprudência, ordenando a correção monetária dos fundos públicos nas liquidações.

Redigi a manchete denunciando o fato.

No dia seguinte, rumei cedo para o jornal. Lá, estava o alvoroço armado. Funaro ligava tentando falar com Frias. Como ele não havia chegado, me encaminharam a ligação.

Ele estava transtornado. Disse que Sarney convocou uma reunião de vários ministros, o da Fazenda, o da Casa Civil e até o da Casa Militar. A denúncia poderia desestabilizar o Cruzado, que dependia fundamentalmente da credibilidade para impor o congelamento. Saulo foi incumbido de me dar todas as explicações.

Antes de sair, liguei novamente para Ives, para entender mais um pouco a jogada e fui até à casa de Saulo, na Granja Viana. Recebeu-me com simpatia, deu as explicações técnicas. Avisei que, como não era do ramo, iria checar as informações com advogados.

Voltei para a Folha. Na redação, o Salgado, velho repórter do jornal que me ajudara nas entrevistas com advogados no dia anterior, veio ao meu encontro com ar preocupado.

- O Ives mijou para trás.

- Como assim?

- Disse que você não entendeu direito o que ele lhe disse.

O mundo desmoronou. Imediatamente liguei para Ives.

- Ives, é impossível eu ter deduzido qualquer coisa. Se fosse tema de economia, até poderia ser. Mas é um tema jurídico, do qual nunca tinha ouvido falar. Até conversar com você, nunca tinha ouvido falar no tal parecer Brossard.

- Lamento, mas você entendeu errado.

Frias me ligou em seguida. Disse-lhe que minha fonte havia recuado. Nesse ínterim, me telefona o Rubens Approbato Machado, futuro presidente da OAB nacional, e com quem eu tinha mantido contato por ocasião da campanha nacional contra o SHF, que montei junto com a OAB São Paulo.

Falou alguma coisa, disse que Ives havia ligado para ele e percebi que apenas queria me dar uma saída honrosa. Recusei.

- Se errei, assumo.

E redigi de próprio punho a manchete que decretava meu fim no jornalismo. Saí de lá, fui para casa. A esposa e as filhas tinham ido para Bragança e fiquei sozinho.

À noite, recebo telefonema de Ives.

- Que pena, Nassif. Mas o Mathias (Machline, amigo pessoal de Sarney) me ligou pedindo para o Instituto dos Advogados dar um parecer em favor do Saulo, caso você não fosse convencido por ele.

Acertaram sem querer a minha fonte, que recuou. Simples assim.

Caindo a ficha

Na manhã seguinte, acordei na mais completa ressaca emocional, com o telefone tocando. Era o José Carlos de Assis, ex-repórter da Folha, que se notabilizara pelas denúncias dos casos Capemi e Delfim – dois macro escândalos que aceleraram o fim do regime militar.

- Porque você recuou? Você estava certo.

Expliquei o recuo do Ives. E o Zé:

- Ele afinou, mas a informação inicial estava certa.

E me deu uma aula sobre as jogadas das liquidações e os efeitos do decreto de Saulo.

Imediatamente pulei da cama e fui para a Folha. Lá tentei, em vão, que a Folha retomasse o teor da denúncia inicial. E com razão. Como me disse Frias:

- Depois do recuo de domingo, com que cara vamos retomar as denúncias?

Expliquei o golpe em que havia caído, mas era tarde. Nos dias seguintes, me empenhei como um louco atrás de informações para retomar as denúncias.

Foi uma guerra.

A revogação do decreto

Cada opinião de advogado que eu levantava, Frias conversa com o advogado Walter Ceneviva, que tinha uma coluna jurídica no jornal, e desclassificava a fonte. Um era inexperiente, o outro tivera um caso com uma cantora. Qualquer desculpa servia.

Mas fui juntando dados. Conversei com Paulo Brossard, com um deputado federal gaúcho, ligado a ele, reconstituí os golpes das primeiras liquidações.

Junto com as avaliações, vinham informações pesadas contra Saulo. Uma delas, era de um inquérito sobre a Financeira Ideal, na qual Saulo tentou aplicar um golpe e receber o pagamento em letras de câmbio frias.

O então deputado federal Herbert Levy me ligou, passando informações sobre o escândalo do café, no governo Jânio Quadros, tendo Saulo como mentor. O jovem Saulo conseguiu espaço no governo Jânio Quadros e planejou uma jogada especulativa desastrosa com café na Bolsa de Nova York - depois, repetiria a aventura com a Operação Patrícia, no governo Sarney.

A operação teve papel central na derrocada do grupo Wallace  Simonsen, destruído pelo regime militar, em um procedimento semelhante ao adotado contra a Odebrecht. Simonsen perdeu a Panair e a TV Excelsior. E era considerado aliado de Jango.

Fui atrás das informações passadas por Levy e descobri que o desfecho do escândalo foi no governo Jango, com o Ministro da Fazenda Carvalho Pinto.

Houve covardia coletiva das principais autoridades, incluindo Carvalho Pinto. Sobrou para um diretor do Banco do Brasil que tomou medidas em favor do banco, evitando que fosse exposto às jogadas. Ele acabou se suicidando.

Consegui o telefone da família e liguei para a viúva, que me fez um apelo dramático.

- Por favor, não entre mais nisso. Minha família já sofreu demais. Depois da morte do meu marido precisamos tirar as crianças das escolas particulares, nossa vida mudou muito, sofremos muito. Queremos esquecer tudo.

Acabei não usando o material.

A cada dia que passava, ficava mais difícil publicar na Folha. Colegas me informaram que Saulo fora recebido em almoço por Frias. Ambos conviveram na época da TV Excelsior.

Com a morte de Casper Líbero, fundador da Gazeta, Frias assumira a presidência da Fundação Casper Líbero e conseguiu levar para lá parte dos equipamentos da Excelsior, além de levar a impressão de A Gazeta e da Gazeta Esportiva para a Folha.

Mas os almoços de Saulo na Folha eram para tratar de temas mais contemporâneos do que as lembranças passadas. Acabaram se acertando.



Um dia eu estava na sala do Boris Casoy quando chegou Otávio Frias. Discutimos um pouco e ele voltou a questionar a seriedade das minhas fontes. Desafiei-o:

- Uma das minhas fontes é um Ministro do Supremo. Vou ligar e o senhor fala com ele.

Frias recuou.

Era Sidney Sanches, ministro sério do Supremo. No meio do tiroteio, liguei para ele, que me explicou como se dava o lusco-fusco, os decretos que abriam brechas para jogadas.

- Quem quer clareza, escreve claro, foi o recado.

A maior parte dos decretos de Saulo era redigido por um brilhante procurador que ele levara de São Paulo: o futuro Ministro do STF Celso de Mello.

À noite, em alguns fechamentos, tive embates ferozes com o Caio Túlio Costa, que era o Secretário de Redação da noite. Bom colega, bom jornalista, recebeu a tarefa espinhosa de justificar o fato de não mais publicar minhas denúncias contra Saulo.

Decidi buscar outras saídas. O caminho seria procurar outros veículos.

Fui até Brasília. Visitei Castelinho, Carlos Castelo Branco, principal cronista político do país na época. Contei a história e ele fez uma coluna em minha defesa.

Mino Carta e Nirlando Beirão fizeram uma longa entrevista que saiu publicada na revista Senhor.

Depois, fui até Júlio de Mesquita Neto, diretor de redação do Estadão. Apesar de ter trabalhado três anos no Jornal da Tarde, nunca havia conversado com ele.

Contei a história do Saulo e pedi apoio. Por aqueles tempos, imerso em crise financeira enorme, o Estadão estava depauperado, praticamente sem repórteres. A reação de Júlio Neto foi republicar a entrevista da Senhor na página 4, “A Pedidos” (clique aqui).

Em duas semanas o jogo virou. E Funaro precisou vir a público informar que havia saído outro decreto, corrigindo o anterior.  Saulo foi aconselhado a sumir. Pegou um avião e permaneceu um mês fora.

Terminava ali o primeiro tempo do jogo. Pouco tempo depois, fui demitido da Folha. Aliás, ganhei alguns meses de prazo porque no dia em que iriam me demitir foi anunciado o Prêmio Esso. E as reportagens sobre Saulo levaram o Prêmio principal.

O segundo tempo viria em seguida, envolvendo escutas, ações judiciais, perseguição política, revelando o comportamento de grandes pequenos homens públicos da época.

Luís Nassif
No GGN


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Em lançamento de livro, FHC culpa o PT pelo ódio enquanto distribui rancor e chuta adversários caídos

FHC e uma fã no lançamento de seu livro no Leblon
O lado bom de ser um político como Fernando Henrique é que há sempre um palco, um microfone e, depois, uma manchete perto de você. O lado ruim é esse também.

FHC vem falando muito, com a repercussão invariavelmente grande na imprensa que sempre o cultivou como seu golden boy. Está especialmente serelepe agora com o lançamento do terceiro volume dos “Diários da Presidência: 1999-2000”.

Tem a chamada “mídia espontânea” para ajudar a vender o livro. O problema são as armadilhas que ele arma para si mesmo nessa sede de exposição narcisista.

O lançamento da obra numa livraria bacana no Leblon teve momentos de falta de noção de tempo e espaço sintomáticas.

FHC sacou de novo sua fórmula para explicar a radicalização política do Brasil: é tudo culpa do PT, que inventou o PSDB como “inimigo principal” por razões eleitoreiras e então o “diálogo se perdeu”.

“Democracia exige certo grau de aceitação um do outro. Acho que só vamos sair de onde estamos se criarmos de novo um ambiente que permita um jogo de divergências e não de ódio”, disse.

FHC e o PSDB formaram na linha de frente do golpe desde a não aceitação do resultado das eleições.

Aécio e o pitbull Carlos Sampaio se aliaram a Eduardo Cunha numa campanha suja e difamatória pelo impeachment. Essa guerra incendiou o país, criou monstros fascistas como o MBL, deu espaço para Jair Bolsonaro — mas a culpa continua sendo do PT.

Ele conseguiu repetir essa ladainha dias depois da palestra de Bolsonaro na Hebraica do Rio, em que ele comparou negros de quilombos a gado, ponderando sobre sua capacidade reprodutiva, gritou que japonês é “uma raça” que não pede esmola porque tem “vergonha na cara” — tudo como convidado por um clube judaico.

É uma obsessão. Agora, note as circunstâncias do evento. Ao seu lado, a amiga Miriam Leitão, que de cada cinco colunas dedica quatro delas a massacrar Dilma, mesmo chutada do poder.

A alturas tantas, FHC achou por bem fazer troça de José Dirceu, condenado, na prática, à prisão perpétua.

“Uma vez, eu ouvi uma declaração do José Dirceu, coitado, está na cadeia hoje, lamento, perguntando por que eu não ia cuidar dos netos. Uma coisa grosseira, está velho, vai embora. Eu me dava com eles”, contou, naquela pisada clássica na cabeça de um adversário que está no chão.

Segundo o Globo, a plateia de cinquenta pessoas “reagiu com gargalhadas e aplausos”. Foi o momento em que a galera mais se entusiasmou. Ainda sobrou para Itamar Franco, um incapaz de quem FHC foi “ama-seca”, como se definiu.

Se estivesse sendo sincero sobre suas preocupações com o ambiente de hostilidade do país, teria tido um clique diante do show de rancor que estava protagonizando diante de um público sedento de sangue.

Kiko Nogueira
No DCM
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Depois dos Argentinos, Chegou a hora do Trabalhador Brasileiro mostrar seu valor – Greve Geral – 28/04


Os trabalhadores argentinos se levantaram contra Macri, que esta levando o povo argentino a miséria. A Argentina ficou paralisada nesta quinta-feira, dia 6 de abril. No Brasil, Temer implementa o mesmo projeto de entrega da pátria, de submissão aos interesses do capital financeiro e de arrocho aos trabalhadores e seus direitos . Dia 28 de abril tem a 1ª Greve Geral contra Temer, em Defesa da Previdência Pública, contra o Golpe nos Direitos Trabalhistas e Contra a Terceirização generalizada. E assim como na Argentina, aqui também todas as Centrais Sindicais estão juntas contra o golpista governo Temer e seu pacote de maldades contra o povo. Te prepara para parar no dia 28 e te manifestares em Defesa dos teus direitos e de todo o povo, que estão ameaçados pelo golpista e entreguista governo Temer.




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Zanin: o que liga a Lava Jato aos EUA?


Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente Lula, fala a Paulo Henrique Amorim sobre a Operação Lava Jato - incluindo o apoio da Polícia Federal ao filme "A Lei é para Todos" (menos para os tucanos...) e também as possíveis ligações da Operação com órgãos do governo dos EUA.

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Condenação de Cunha pode acelerar a queda de Michel Temer

A delação premiada de Cunha poderá atingir em cheio Michel Temer e diversos Ministros de seu governo


O que o povo brasileiro tanto esperava aconteceu, o ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, foi condenado no dia 30/03/2017 a 15 anos e quatro meses de reclusão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A Condenação de Cunha comprova judicialmente que Dilma foi perseguida e golpeada por um forte esquema corrupto, através de uma trama espetacular, cujo desdobramento foi semelhante a capítulos de novela, com textos e argumentos ridículos. Um episódio que apunhalou a democracia brasileira.

Cunha, como presidente da Câmara, atuou como “chefe todo poderoso” de uma quadrilha que se uniu para instaurar a insegurança política que até hoje permeia o país. Suas obstruções às pautas do governo e o uso intermitente das pautas bombas, serviram para tumultuar e inviabilizar a gestão da presidenta de Dilma Rousseff. Assumiu o papel central para o enfraquecimento de um governo legítimo e democrático. Conduziu a operação ardilosa e criminosa para criar o clima favorável ao golpe, concluído em 2016, após a condenação e afastamento definitivo de Dilma de suas funções presidenciais.

Cunha não agiu sozinho, ao contrário, criou uma rede de influência no âmbito do Congresso Nacional, que envolveu e envolve não sós os deputados e senadores, mas representantes dos diversos segmentos empresarial e financeiro, cujos nomes ainda não foram totalmente revelados para a sociedade.

O golpe parlamentar que derrubou Dilma teve como principal motivação o seu sentimento de vingança, diversas vezes por ele externado. A aceitação do pedido de Impeachment foi uma cruel contrapartida contra a investigação aberta contra ele. Um revanchismo esdrúxulo.

Com o tempo e os fatos o povo brasileiro passou a entender melhor o que representou aquele processo de golpe contra a democracia brasileira. Hoje o Brasil vive o amargo sofrimento de seu povo, um duro resultado da substituição abrupta de Dilma Housseff por Michel Temer.

Temer se aliou e se alinhou ao PSDB quando aceitou do partido a missão de fazer avançar uma ambiciosa agenda de reformas neoliberais. Essa é a mais evidente e também a pior marca do seu governo. A aliança PMDB/PSDB, que conta com os partidos menores que orbitam em seu entorno, criou uma força conservadora no Congresso, tão avassaladora, que pode aprovar com extrema facilidade as propostas reformistas encaminhadas pelo Executivo ou de inciativa dos próprios parlamentares.

Nunca se viu tanta celeridade na tramitação e aprovação de propostas como a PEC da Morte. Havia, naquele momento, muita dúvida no Congresso e muita pressão popular contrária à PEC e, mesmo assim, o governo conseguiu uma vitória folgada e sem nenhuma emenda. Essa coesão do Legislativo com o Executivo, com perfil reacionário, é de fato assustadora e perniciosa. Jamais devemos esquecer que essa coalisão neoliberal poderosa foi implantada a partir da atuação de Eduardo Cunha à frente da Câmara e se manteve após a eleição de Rodrigo Maia.

Após a aprovação da PEC do Fim do Mundo muita gente que achava que não era golpe passou a entender a gravidade da dura realidade vivemos no Brasil. Com o passar do tempo até os “coxinhas” recuaram. Mesmo as pessoas que não gostam de política ou, simplesmente, evitam discutir assuntos relacionados ao Planalto, passaram a entender a importância estratégica que têm os cargos de presidente da Câmara e presidente do Senado. Aos poucos ficou evidente para o povo brasileiro que as duas Casas participaram do golpe parlamentar que arruinou o país.

Não se sabe ainda o que há por trás dessa grande composição de forças políticas de direita, organizada para sustentar a agenda neoliberal, sob o comando de o presidente Michel Temer nem que acordo fora firmado. Também não sabemos quem são, exatamente, dos envolvidos. Todavia, pode-se concluir que a classe trabalhadora é a que mais está perdendo e sofrendo.

A operação Lava Jato, cujo objetivo é o combate à corrupção, blindou o PSDB e, ainda por cima, revelou um efeito colateral caro demais à economia do país. Ela mergulhou o país numa grande instabilidade política e econômica, que por sua vez abre um enorme espaço para se efetivar no país uma agenda para o avanço do projeto neoliberal. Logo, temos aí algumas pulgas atrás da orelha do povo. Vivemos um mar de dúvidas e incertezas.

A condenação de Eduardo Cunha trouxe novamente à tona a discussão sobre o processo de impeachment contra a presidenta Dilma, já que ficou comprovada na Justiça sua participação em diversos crimes e que usava o cargo de presidente da Câmara para tentar se livrar das investigações. Essa é apenas a primeira condenação. Ela abre caminho para outras e enfraquece ainda mais o presidente Temer, pois, aumenta a instabilidade política no Planalto e realça as muitas dúvidas sobre sua ascensão à Presidência da República. O risco de Cunha não chegar ao final de seu mandato cresce gradativamente.

Michel Temer pode estar prestes a cair? Temos elementos para responder que sim. Primeiro por que sempre teve sua legitimidade contestada. Segundo por que parece estar muito próximo de acontecer uma fusão tácita entre os movimentos sociais, que seria a junção dos movimentos que apoiam o combate à corrupção com os movimentos dos que lutam pela manutenção dos direitos trabalhistas, previdenciários e sociais. Uma fórmula fatal ao governo Temer. Em terceiro está os efeitos da delação premiada de Cunha, que poderão atingir em cheio Michel Temer e diversos Ministros de seu governo. Provavelmente, Temer cairá antes de dezembro de 2017.

Álvaro Maciel
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Síria: A Fusão Tóxica

Syria 2017
Omar Haj Kadour/AFP
“Esses atos hediondos do regime de Assad não podem ser tolerados”. Assim falou o Presidente dos Estados Unidos.

US Navy
Ford Williams/AFP
Tradução instantânea: Donald Trump – e/ou a sopa de alfabeto das agências de inteligência dos EUA, sem nenhuma investigação detalhada – estão convencidos de que o Ministério da Defesa Russo está simplesmente mentindo.

É uma acusação muito séria. O porta-voz do Ministério da Defesa Russo, Major-General Igor Konashenkov, enfatizando a informação “totalmente objetiva e verificada”, identificou um ataque da Força Aérea da Síria lançado contra um armazém “rebelde moderado” ao leste da cidade de Khan Sheikhoun usado para produzir e armazenar conchas contendo gás tóxico.

Konashenkov acrescentou que os mesmos produtos químicos foram usados ​​por “rebeldes” em Aleppo no final do ano passado, de acordo com as amostras coletadas por especialistas militares russos.

Ainda assim, Trump sentiu-se obrigado a telegrafar o que agora é sua própria ‘linha vermelha’ na Síria: “Militarmente, eu não gosto de dizer quando vou nem o que estou fazendo. Não estou dizendo que não farei nada, mas de uma forma ou de outra, certamente não vou dizer a vocês [imprensa]”.
Ao lado dele, no gramado da Casa Branca, o patético Rei da Jordânia elogiou Trump: “abordagem realista para os desafios na região.”
Isso pode parecer um esboço do Monty Python [grupo de comédia britânico]. Mas infelizmente, é a realidade.

O que está em jogo em Idlib

Histeria desencadeada – mais uma vez -, a opinião pública ocidental esqueceu convenientemente que as declaradas armas químicas mantidas por Damasco foram destruídas em 2014 a bordo de um navio dos Estados Unidos, e mais, sob a supervisão da ONU.

E a opinião pública ocidental, convenientemente, esqueceu também que antes de ser teoricamente transpassada a chamada “linha vermelha de Barack Obama sobre armas químicas”, um relatório secreto da inteligência dos EUA deixou claro que Jabhat al-Nusra, também conhecido como o comandante da al-Qaeda na Síria, dominava o ciclo de produção de gás sarin e era capaz de produzi-lo em quantidade.

Sem mencionar que a administração Obama e seus aliados, a Turquia, a Arábia Saudita e o Qatar fizeram um pacto secreto em 2012 para criar um ataque de gás sarin e culpar Damasco, preparando o cenário para um replay de ‘Shock and Awe’ [Choque e Pavor – doutrina militar baseada no uso de força avassaladora]. O financiamento para o projeto veio da conexão NATO-GCC [OTAN-Militares e Governos], juntamente com uma conexão CIA-MI6 [CIA-Agência Britânica de Inteligência], também chamada de rat.line, de transferir todo o tipo de armas da Líbia para Salafistas-jihadistas [movimento ortodoxo ultraconservador dentro do islamismo sunita] na Síria.
Assim, essas armas tóxicas que “desapareceram” – em massa – dos arsenais de Gaddafi em 2011 acabaram por incrementar a Al-Qaeda na Síria (não o Estado Islâmico/Daesh), re-batizaram Jabhat Fatah al-Sham e os amplamente descritos nos ‘Beltway’ [idioma do establishment norteamericano] como “rebeldes moderados”.
Encurralados na província de Idlib, esses “rebeldes” são agora o principal alvo do Exército Árabe Sírio (SAA) e da Força Aérea Russa. Damasco e Moscou, ao contrário de Washington, estão empenhados em esmagar toda a galáxia Salafista-jihadista, não só o Daesh. E se o SAA continua a avançar, e esses “rebeldes” perdem Idlib, é ‘game over’.

Assim, a ofensiva de Damasco tinha de ser manchada, sem impedimentos, para toda a opinião pública global.

Além disso, não faz qualquer sentido que apenas dois dias antes de outra Conferência Internacional Sobre a Síria, e imediatamente após a Casa Branca ser forçada a admitir que “o povo sírio deve escolher o seu destino” e que não se fala mais em “Assad deve ir”, Damasco lance um ataque de gás contraproducente antagonizando todo o universo da OTAN.

Isto caminha – e fala – mais como o tsunami de mentiras que antecederam a doutrina ‘Shock and Awe’ no Iraque em 2003, e certamente vai no mesmo caminho que a renovada turbinada de uma campanha “al-CIAda”. Jabhat al-Nusra nunca deixou de ser um dos bebês da CIA no cenário preferido para a mudança de regime sírio.

Seus filhos não são tóxicos o suficiente

A embaixadora de Trump na ONU, a proprietária da Heritage Foundation Nikki Haley, previsivelmente foi balística, monopolizando todo o ciclo de notícias do Ocidente. Perdido no esquecimento, também previsivelmente, foi o discurso do vice-embaixador da Rússia, Vladimir Safronkov, quebrando em pedaços a “obsessão por mudança de regime” na Síria, que segundo ele “é o que dificulta este Conselho de Segurança”.

Safronkov sublinhou que o ataque químico em Idlib foi baseado em “relatórios falsificados dos Capacetes Brancos”, uma organização que foi “desacreditada há muito tempo”. De fato; Mas agora os capacetes são vencedores do Oscar , e este crachá de honra da cultura pop os torna inatacáveis ​​- para não mencionar imunes aos efeitos do gás sarin.

Seja qual for, Trump ou Pentágono, quem eventualmente surgir, um analista de inteligência americano independente, avesso ao pensamento coletivo, foi inflexível: “Qualquer ataque aéreo contra a Síria exigiria coordenação com a Rússia, e a Rússia não permitiria qualquer ataque aéreo contra Assad. A Rússia tem os mísseis defensivos lá que podem bloquear o ataque. Isso será negociado fora. Não haverá ataque já que um ataque pode precipitar uma guerra nuclear. ”



Os “filhos da Síria” mortos são agora peões em um jogo muito maior e perverso. O governo dos Estados Unidos pode ter matado um milhão de homens, mulheres e crianças no Iraque – e não houve clamor sério entre as “elites” do espectro da OTAN. Um criminoso de guerra ainda em liberdade admitiu, e registrou [vídeo acima com Madeleine Albright, ex-Secretária de Estado do governo Bill Clinton], que a extinção, direta e indireta, de 500.000 crianças iraquianas foi “justificada”.
Por sua vez, o Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama, instrumentalizou a ‘Casa de Saud’ [Arábia Saudita] para financiar – e armar – cerca de 40 uniformes especiais “examinados” pela CIA na Síria. Vários desses uniformes de fato já se fundiram, ou foram absorvidos, por Jabhat al-Nusra, agora Jabhat Fatah al-Sham. E todos eles se engajaram em seus próprios massacres de civis.
Enquanto isso, o Reino Unido continua alegremente armando a ‘Casa de Saud’ em sua busca para reduzir o Iêmen a uma vasta área de fome identificada por cemitérios de “danos colaterais”. O espectro da OTAN certamente não está chorando por essas crianças iemenitas mortas. Eles não são tóxicas o suficiente.

Pepe Escobar

Publicado originalmente em Sputnik News


*Pepe Escobar é correspondente itinerante da Asia Times/Hong Kong, analista da RT e TomDispatch, e colaborador frequente de sites e programas de rádio que vão desde os EUA até a Ásia Oriental. Nascido no Brasil, é correspondente estrangeiro desde 1985 e viveu em Londres, Paris, Milão, Los Angeles, Washington, Bangkok e Hong Kong.

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 Imperdível  


“Vida Maria” é um curta-metragem em 3D, lançado no ano de 2006, produzido pelo animador gráfico Márcio Ramos.

O filme nos mostra a história da rotina da personagem “Maria José”, uma menina de cinco anos de idade que se diverte aprendendo a escrever o nome, mas que é obrigada pela mãe a abandonar os estudos e começar a cuidar dos afazeres domésticos e trabalhar na roça. Enquanto trabalha ela cresce, casa e tem filhos e depois envelhece e o ciclo continua a se reproduzir nas outras Marias suas filhas, netas e bisnetas.

São apresentadas no filme imagens que mostram uma semelhança muito grande com a realidade, traços bem parecidos com o real onde vemos crianças que tem sua infância interrompida, muitas vezes para ajudar a família a sobreviver, infância essa resumida a poucos recursos e a más condições de vida.

A Maria do filme mostra satisfação em apenas escrever seu primeiro nome, o momento em que sua mãe lhe chama a atenção dizendo: “Não perca tempo “desenhando” seu nome!”, é tirado o seu futuro de ser uma pessoa diferente de sua mãe, que não tem uma visão do futuro, querendo dar à filha a mesma criação que teve num processo de reprodução sem mudanças de suas perspectivas por comodismo.

O filme retratou como o indivíduo em formação internaliza os eventos e as experiências vividas na infância e como são determinantes para formação daquela pessoa na vida adulta. No filme a menina Maria foi arrancada do seu mundo lúdico, quando sua mãe a repreende por estar escrevendo, ela corta da vida da filha os sonhos, os objetivos de uma vida melhor.

A mãe da personagem vive aquela vida sem perspectiva por que foi isto que aprendeu e da mesma forma ensina a filha Maria e esta reproduz para seus filhos, que também foram estimulados a deixar de sonhar e de brincar. A ausência da educação nas gerações mostra como na infância é importante o lúdico e a escola.



* Vídeo disponível com audiodescrição (para pessoas com necessidades visuais). Acesse AQUI!

O curta: Vida Maria

Animação, de Márcio Ramos, Duração: 9 min, Plays 1.487
Gênero: Animação
Diretor: Márcio Ramos
Duração: 9 min Ano: 2006 Formato: 35mm
País: Ceará/ Brasil
Cor: Colorido
Sinopse: Maria José, uma menina de 5 anos de idade, é levada a largar os estudos para trabalhar. Enquanto trabalha, ela cresce, casa, tem filhos, envelhece.






Vida Maria – um curta-metragem
“VIDA MARIA” é um projeto premiado no “3º PRÊMIO CEARÁ DE CINEMA E VÍDEO”, realizado pelo Governo do Estado do Ceará.

Produzido em computação gráfica 3D e finalizado em 35mm, o curta-metragem mostra personagens e cenários modelados com texturas e cores pesquisadas e capturadas no Sertão Cearense, no Nordeste do Brasil, criando uma atmosfera realista e humanizada.

Ficha técnica
Produção: Joelma Ramos, Márcio Ramos
Co-produção: Trio Filmes, VIACG
Roteiro e edição: Márcio Ramos
Direção de Arte, edição de som e computração gráfica: Márcio Ramos
Edição de som: Márcio Ramos
Computação grafica: Márcio Ramos
Produção Executiva: Isabela Veras (Trio Filmes)
Finalização: Link Digital
Apoio: Colorgraf, Silicontech do Brasil, Softimage Cat
Mixagem: Érico Paiva Sapão
Música: Hérlon Robson
Storyboard: Michelângelo Almeida, Roberto Fernandez
Contador: Silvério Neto
Transcrição ótica: Rob Filmes
Tradução: Laura Lee
Efeitos Sonoros: Danilo Carvalho
Site: www.viacg.com
Vozes: Márcio Ramos
Revelação e cópias: Labo Cine

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Globo esconde documento que prova que Lula jamais pernoitou em tríplex do Guarujá


Veículos de comunicação do conglomerado da família Marinho não informam evidências que desmontam tese do Ministério Público Federal de que Lula seria proprietário oculto de imóvel no litoral de São Paulo

Os veículos das Organizações Globo, todos eles, que fazem extensa cobertura da Lava Jato, não deram uma linha sequer sobre documento oficial da Presidência da República que prova que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva jamais pernoitou no tal "tríplex do Guarujá".

Esses registros são mais uma prova que desmonta a acusação encampada pelo MPF (Ministério Público Federal) de que o ex-presidente seria proprietário de um apartamento na cidade litorânea de São Paulo. O imóvel, na realidade, pertence à empresa OAS Empreendimentos. Mas nenhuma informação acerca do documento foi veiculada na TV Globo, ou na Globonews, no G1, na Rádio CBN, no jornal O Globo ou na revista Época, todos veículos de comunicação pertencentes à família Marinho. A perseguição contra Lula posta em prática pelo jornalismo das Organizações Globo é citada pelos advogados do ex-presidente em ação movida no Comitê de Direitos Humanos da ONU.

O documento apresentado pela Defesa de Lula, pertencente à Presidência da República, registra os pedidos de pagamento de diária da equipe de seguranças e apoio a qual todos os ex-presidentes têm direito. Toda a vez que passam um dia ou mais fora de seu local de trabalho (no caso dos seguranças de Lula, a cidade de São Bernardo do Campo), os funcionários registram a cidade onde estavam, e esses registros permanecem documentados na Presidência.

Ou seja, mesmo após Lula ter deixado a Presidência, é possível - por meio desses registros - dizer onde esteve nos últimos 6 anos. Pois bem: último registro na cidade do Guarujá data de de janeiro de 2011, quando, logo depois de ter saído da Presidência, Lula ficou hospedado em uma base militar, a convite do então Ministro da Defesa, Nelson Jobim.

O Edifício Solaris só foi ficar pronto mais de 2 anos depois. E não há nenhum registro que o ex-presidente tenha pernoitado na cidade após 2011. Em outras palavras: Resta provado que Lula jamais passou uma noite sequer no apartamento que o MPF insiste em dizer que é propriedade oculta do ex-presidente.

A Globo deu ampla divulgação a esses registros em relação às diárias registradas em Atibaia, onde o ex-presidente e Dona Marisa Letícia frequentavam um sítio de propriedade de amigos do casal, fato que eles jamais negaram.

Mas esconde dos seus leitores, espectadores e ouvintes quando os mesmos registros mostram que Lula não só não tem a propriedade ou chaves do apartamento como jamais dormiu no tal tríplex. A TV também levou ao ar matérias sobre temas ridículos, como pedalinhos e canoas de metal.

O ex-presidente jamais negou ter visitado o tal apartamento uma vez, para avaliar a possibilidade de comprá-lo. E que Dona Marisa esteve no apartamento uma outra vez para avaliar uma reforma que foi feita para tentar convencê-los a comprar o apartamento. Tudo isso mais de três anos após sua saída da Presidência da República. Entenda essa história: http://www.institutolula.org/documentos-do-guaruja-desmontando-a-farsa
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