5 de abr de 2017

É inacreditável que Bolsonaro não tenha sido preso em flagrante na Hebraica por crime de ódio — assista

Ele



Alguém, não sem alguma razão, pode considerar um exagero e até um certo desrespeito relacionar a ida de Jair Bolsonaro à Hebraica do Rio de Janeiro com a terrível madrugada de 9 para 10 de novembro de 1938 que ficou marcada na história como a Noite dos Cristais.

Foi nesta data que em toda a Alemanha e Áustria protagonizou-se pelos nazistas um violento ataque aos judeus. Antes que o sol raiasse, residências, lojas e sinagogas estavam destruídas. Centenas de judeus foram covardemente assassinados ou levados para campos de concentração.

Guardada suas respectivas proporções, o que se viu na noite desta segunda (3) na sede do clube judaico foi um massacre à racionalidade e ao respeito ao ser humano nas suas infindáveis formas de pensar, agir, crer e se comportar.

O Messias – curioso o seu nome do meio – não economizou na sua verborragia criminosa forjada no que há de mais racista, preconceituoso e intolerante na face da terra. Se ainda restava algum indício de pudor e decência nesse cidadão, a sua palestra deu conta de exterminar.

O festival de horrores proferidos (não há como não afirmar que de forma especialmente proposital justamente em virtude do local) flertaram inequivocamente com o que de pior foi  criado e/ou exaltado pelo nazismo.

Da mesma forma que os nazistas subjugaram todo um povo sob o execrável “argumento” de pertencerem a uma “raça inferior”, o ilustre convidado também depôs a favor da “raça” japonesa. Uma “raça”, segundo ele, “que tem vergonha na cara”.

Ao relatar sua ida a um quilombo, Jair sentenciou que afrodescendentes não serviriam sequer para “procriar”.  Nesse momento só faltou erguer a mão para o ar e declarar lealdade a Adolf Hitler, Heinrich Himmler e o seu Lebensborn, o programa nazista de reprodução forçada que garantiria a herança ariana do Terceiro Reich.

A noite, não tanto quanto a “noite dos cristais”, foi longa. Todos aqueles que foram julgados inferiores pelo regime nazista, foram também imperdoavelmente condenados por Bolsonaro.

Negros, índios, quilombolas, homossexuais. Ninguém, absolutamente ninguém por ele considerado “diferente”, passou pelo crivo do fascista. Todos esses, segundo a sua opinião, são “vagabundos” indignos de conviverem em meio à sociedade.

Pela simples condição de mulher, nem a própria filha, Laura Bolsonaro, foi poupada. Segundo Jair, após a honrada e dignificante missão de gerar quatro homens, a sua caçula seria fruto de uma “fraquejada”.

Sem comentários.

Lula, claro, também foi lembrado. Mas exatamente pela sua deficiência física. Para fascistas, se não for alto, branco, loiro, hétero e de preferência com olhos azuis, não serve para ser presidente.

É inacreditável que Jair Bolsonaro não tenha saído daquele lugar algemado pelos flagrantes e repetidos crimes de ódio cometidos com tanta convicção e orgulho.

O seu discurso é simplesmente um ultraje à dignidade humana. É assombroso como alguém com tamanha deficiência moral e intelectual faça parte da vida política de uma nação.

É ainda mais assombroso que esse mesmo indivíduo, munido de uma caráter tão medíocre e vergonhoso até para os padrões mais simplórios da natureza humana, cogite ser (com o também assombroso aval de muitos) líder maior de uma República que se queira democrática.

Que a infeliz decisão da Hebraica em dar voz e vez a um sujeito desse nível, tenha servido pelo menos para nos alertar o quanto o nazi-fascismo ainda está presente em nosso cotidiano.

Ao clube Hebraica, se ainda assim quiserem repetir essa noite de horror, não chamem Jair Bolsonaro, acendam fornalhas. Possui o mesmo significado mas talvez seja menos indigesto.

Carlos Fernandes
No DCM
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Diretor da PF mandou delegado buscar grana para o filme

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Damous, Pimenta e Teixeira: Moro também deve explicações!
O restaurante do Grupo Madero, de Curitiba, foi palco de confraternização de atores, diretores e produtores do filme Lava Jato. Até tudo bem, se não fossem os próximos capítulos...

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Indiretamente, Aécio sinaliza conta de Andrea no exterior


Uma frase chama a atenção no pedido de Aécio Neves-  entregue hoje ao STF – para obter acesso ao depoimento do ex-executivo da Odebrecht  Benedito Júnior,  no qual, segundo a Veja, estaria a acusação de que sua irmã, Andrea Neves, teria recebido propinas numa conta em Nova York.

Aécio diz que sua irmã “nunca se utilizou de qualquer conta bancária em agência localizada nos Estados Unidos para recebimento de valores espúrios“, registra o jornal Valor Econômico.

Perceba que ele não negou a existência de conta, mas apenas que nela tenham sido recebidos valores espúrios. Conta, aliás, em tese sem razão de ser, por sua irmã vivia e vive no Brasil e ocupava funções no Governo de Minas. Embora não seja ilegal, por que ter uma conta no exterior?

O caso começa a parecer com o início da revelação dos malfeitos de Eduardo Cunha, com a conta não declarada na Suíça.

Bem faria a D. Andrea, que vai chorar nas redes sociais, em esclarecer espontaneamente, se tem ou não conta, com que valores e abastecida de que forma.

Aécio está sendo recebido pelo relator do processo, Ministro Edson Fachin, mas é improvável que tenha acesso ao depoimento, pelo precedente que abriria para todos os que foram publicamente citados e que, até agora, não puderam ter  conhecimento exato do que é alegado contra eles.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Os temores de Barroso e seu silêncio licencioso


Tinha prometido interromper as críticas contra o Ministro Luís Roberto Barroso, mas ele se tornou um personagem tão ilustrativo desses tempos do medo e da submissão ao obscurantismo, que sou obrigado a descumprir minha promessa.

Repisando o estilo Ayres Britto-Carmen Lúcia de manchetes, o Mlnistro do STF Luís Roberto Barroso cunhou sua frase seminal-semanal (https://goo.gl/s8p4AH):

“É impossível não sentir vergonha pelo que está acontecendo no Brasil”.

O que envergonha nosso liberal?

Diz o Estadão:

“Segundo o ministro, há uma “impressionante quantidade de coisas erradas” ocorrendo no País. “É uma prática institucionalizada, que vai do plano federal, passa pelo estadual e chega ao municipal. Pode ser na Petrobrás, no BNDES, na Caixa Econômica, nos fundos de pensão, no Tribunal de Contas do Estado A, B ou C, tudo está contaminado pelo vício de levar vantagem indevida, pra deixar de fazer o que se tem de fazer”.

Peça 1 – a visão vulgar de um constitucionalista

Vamos analisar, primeiro, a maneira como Barroso analisa o papel do BNDES.

Ao lado do Banco do Brasil, o BNDES foi a instituição pública que mais avançou nos métodos de compliance. Todas as decisões são colegiadas, passam por mais de uma instância.

Pode ser criticado por suas políticas genéricas – como, por exemplo, o excessivo apoio aos campeões nacionais e o pouco caso com as empresas de conteúdo tecnológico.

Sobre a prática de corrupção, não há nada que aponte qualquer deslize do BNDES, enquanto instituição.

Ao inclui-lo na relação das “vergonhas nacionais”, o Ministro Barroso revela uma faceta nova de sua personalidade:

Conclusão 1 – o Ministro e professor Barroso é leviano nos julgamentos, condenando uma instituição histórica, relevante, uma corporação séria, apenas com base em achismos veiculados pelo Ministério Público e preconceitos ideológicos pela Globo.

Todos os governos montam mecanismos de crédito direcionado, especialmente em países de risco jurídico e econômico elevados, como é o caso do Brasil.

Existem fundos públicos parafiscais no Japão, Singapura, Brasil e México (conforme o Ministro poderá se ilustrar, no trabalho do professor Ernani Torres Filho, em anexo.

Existe, igualmente, o mecanismo das garantias públicas, utilizado nos Estados Unidos e na Europa. Como os financiamentos são peças centrais para exportações, especialmente de produtos de ciclo longo, há o recurso da equalização das taxas de juros com as praticadas por outros competidores.

Existem bancos públicos na Alemanha, Suíça, França, Japão, China, Índia e Canadá. Um dos papéis centrais dos bancos públicos é atuar contra ciclicamente. Em 2016, quando o crédito corporativo despencou e a crise se aprofundou, o BNDES não compensou devido ao preconceito ideológico – que sai do mercado e chega até o Ministro na forma de slogan de boteco, perdão, de boutique.

O trabalho do professor Torres é relevante para entender o peso dos financiamentos do BNDES no crédito corporativo como um todo, o funding para o crédito bancário de longo prazo, o papel no mercado de debêntures, peça essencial para utilizar o mercado de capitais para financiamentos de longo prazo.

Em suma, é um conjunto de desdobramentos complexos, que exigem visão técnica.

Tema de tal complexidade é reduzido a uma frase padrão (e enganosa) contra corrupção. Da mesma maneira que seus mentores do MBL.

Conclusão 2 -  O constitucionalista Barroso abdicou do conhecimento técnico, trocando-o pelo senso comum vulgar.

O Ministro Barroso etem afinidades óbvias com a Globo e temores excessivos da ultra-direita. Coube a esses grupos espalharem histórias sobre o apartamento em Miami, adquirido por sua esposa em nome pessoal. Depois, a informação foi repercutida pela Veja, na pior fase da história da revista.

Imediatamente o Ministro mudou e surpreendeu seus admiradores votando a favor da prisão após o julgamento de 2ª instância.

Critiquei-o, o Ministro me convidou para um café para explicar sua posição.

Lá chegando, encontrei Barroso visivelmente incomodado com os ataques. Ponderei que ninguém com discernimento levaria a sério as denúncias.

E ele:

- Mas fica sempre a imagem suspeita no ar.

Aleguei que a influência política – de governos ou da mídia – em tribunais estaduais colocaria qualquer crítico sob risco. Ele minimizou. Desde então, tornou-se o principal porta-voz do penalismo como solução para todos os problemas nacionais. Um breve passeio pelo Facebook mostrará enorme quantidade de perfis de ultradireita disseminando os ensinamentos de Barroso rede afora.

Peça 2 – os pontos de vergonha ignorados por Barroso

Todos os episódios listados abaixo se referem a temas da área de especialização e de trabalho de Barroso. Vamos conferir sua pro atividade midiática, levando em conta três parâmetros:

(1) a posição da Globo,

(2) a posição dos grupos de direita e

(3) a posição de sua própria casa, o Supremo.



Ou seja, em nenhum caso de colocou contra as posições da Globo, do MBL ou de seus colegas Ministros.

Dá para considerá-lo um pensador profundo – e isento -, um membro do cientificismo civilizatório, ou apenas um seguidor do obscurantismo que dominou o debate político brasileiro?



Luís Nassif
No GGN
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Alemanha propõe repressão dura a discurso de ódio na internet


O gabinete de governo alemão aprovou nesta quarta-feira (05/04) um projeto de lei que prevê multas de até 50 milhões de euros contra os gigantes da indústria online que não removerem em uma semana discurso de ódio e as chamadas "fake news" (notícias falsas) divulgadas por usuários em suas plataformas. A proposta ainda precisa da aprovação do Parlamento.

De acordo com o projeto de lei, os executivos de conglomerados de mídia social como Twitter e Facebook também estarão propensos a multas individuais de até 5 milhões de euros em caso de não cumprimento da nova norma, disse o governo em comunicado.

"Crimes de ódio que não são efetivamente combatidos e processados representam um grande perigo para a coesão pacífica de uma sociedade livre, aberta e democrática", comunicou o gabinete da chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Desde a chegada de cerca de um milhão de requerentes de refúgio na Alemanha desde 2015, o volume de mensagens xenófobas e de ódio cresceu exponencialmente na internet.

Alarmado pela natureza incendiária de muitas postagens, o governo alemão tem repetidamente advertido as empresas responsáveis pelas redes sociais para que tomem medidas que melhorem o policiamento do conteúdo em suas redes. A medida mais drástica foi proposta por os gigantes das redes sociais não estarem fazendo o suficiente para deletar o conteúdo publicado, segundo o governo.

Se a lei for aprovada, as empresas como Twitter e Facebook terão 24 horas para remover qualquer comentário que visivelmente fere a lei alemã depois de serem denunciados por usuários. Qualquer outro conteúdo ofensivo terá de ser excluído dentro de sete dias depois de reportado. Os conglomerados midiáticos também terão de tornar mais fácil para usuários denunciarem postagens polêmicas.

O governo alemão disse que foi forçado a tomar tal ação porque "atualmente há uma mudança enorme no debate online". "A cultura do debate online é muitas vezes agressiva, nociva e cheia de ódio", afirmou Berlim. "Por meio de crimes de ódio, qualquer pessoa pode ser difamada por causa de sua opinião, cor da pele ou origem, religião, gênero ou orientação sexual."

No 247



Blog que faz apologia ao estupro volta a circular na internet; saiba como denunciar

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O blog conta com textos criminosos de caráter racista, misógino, homofóbico e antissemita. Suposto autor já havia sido preso, mas foi solto alegando insanidade. Confira dicas do que fazer ao se deparar com um crime cibernético como este e veja como fazer a denúncia

Voltou a circular na internet,recentemente, um blog que já havia sido retirado do ar, em outra ocasião, por fazer apologia ao estupro. Dentre os textos publicados, há um que sugere a legalização da pedofilia e um outro apresenta um manual de como estuprar estudantes que fazem parte do Movimento Estudantil. O autor parece não estar nem um pouco preocupado com os crimes cometidos e, na descrição do blog, diz que faz tudo isso “dentro do país da impunidade” e, em tom de desafio, diz àqueles que repudiam seus textos que “podem chorar para a polícia, eles não dão a mínima”.

[Não compartilharemos o link do blog. Caso se depare com a página nas redes, saiba como denunciar ao final desta matéria]

Em um de seus textos absurdos, o autor diz que a balada é o lugar ideal para se estuprar mulheres e faz uma lista de seis itens passo a passo, que incluem adquirir um roapnol, procurar por mulheres feministas e esquerdistas, oferecer uma bebida com o roapnol e, em seguida, esperá-lo fazer efeito. Em outro texto, o autor chama o goleiro Bruno de herói e diz que “Eliza Samúdio não passava de uma vagabunda”.

O recente vídeo da apresentadora e blogueira Titi Muller criticando a postura machista do DJ Borgore também foi alvo do autor. Para ele, Titi Muller estava apenas querendo aparecer e que ela é um ótimo exemplo de mulher gaúcha porque toda gaúcha, na visão do autor, é “promíscua, feminista e suja”.

Apesar de insistir no anonimato, o teor agressivo e preconceituoso dos textos parecem remeter à Marcelo Valle Silveira Mello, estudante do curso de Letras-Japonês da UnB. Ele foi o responsável, em 2005, por escrever de maneira agressiva contra as cotas, chamando os negros de pessoas burras e subdesenvolvidas. Alguns anos depois, mirou em estudantes de movimentos estudantis, principalmente mulheres e negros. Ele foi preso pela Polícia Federal, durante a operação Intolerância, e foi solto alegando insanidade. Mello foi o autor das ameaças contra a blogueira feminista Lola Aronovich, que postou denúncias contra ele. Apesar de todo o histórico, o autor parece ter voltado à ativa e seus textos receberam até o momento uma quantia considerável de curtidas, comprovando possuir seguidores fiéis de seus escritos preconceituosos.

Saiba como denunciar a página e outros crimes na internet.

Site da Safernet: mantido pela equipe da Safernet, o site recolhe denúncias anônimas relacionadas a crimes de pornografia infantil, racismo, apologia e incitação a crimes contra a vida, entre outros.

Canal do Cidadão do MPF: O Ministério Público Federal recebe denúncias de diferentes tipos. A pessoa pode optar por manter os seus dados sigilosos ou não. A Procuradoria-Geral da República recomenda aos cidadãos apresentarem o maior número de provas para que o processo possa ter mais agilidade.

Disque 100: Outro canal para realizar denúncias de casos de abuso ou violência sexual é o Disque 100, serviço coordenado pelo Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. O Disque 100 funciona 24 horas por dia, as ligações são gratuitas e podem ser feitas de qualquer local no Brasil. A denúncia é anônima e as demandas são encaminhas para as autoridades competentes.

Dicas aos se deparar com um crime cibernético

1) Guarde todas as provas e indícios possíveis

2) Tire fotos das denúncias, “print screen” e imprima o material

3) Registre as denúncias com o maior número de detalhes

4) Não compartilhe ou replique comentários ofensivos ou que incitem ao crime

5) Crie uma rede de proteção às crianças vítimas de assédio, não permitindo que ela fique exposta aos comentários ofensivos nas redes sociais

Rafael C. Oliveira
No Fórum
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As lutas sociais na Guiana Francesa


Entrevista com Maicon Cláudio da Silva, do Instituto de Estudos Latino-Americanos.

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A pejotização contra a era Vargas

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/2017/04/9722/a-pejotizacao-contra-a-era-vargas/

Pejotização liberada

            A era Vargas incomoda desde o seu começo. O jornalista e político Carlos Lacerda, príncipe dos golpistas e inspiração dos que tramam eternamente nos bastidores, tentou liquidá-la em 1954. Acabou escondido num vão de escada. Getúlio se matou, mas o trabalhismo continuou com Jango. Em 1964, a UDN e Lacerda voltaram a atacar a era Vargas associados aos militares e à mídia. Deram o golpe. Lacerda achou que seria brindado com o poder nas eleições presidenciais seguintes, que foram canceladas. Ele acabou cassado e indo depois a Montevidéu pedir penico a Jango em defesa de uma Frente Ampla, que a ditadura tratou de ceifar. A democracia voltou em 1989. Um maluco foi eleito. Pretendia matar o dragão da maldade, a herança varguista. Veio Fernando Henrique Cardoso. O rei dos tucanos tratou de avisar que acabaria de vez com o legado de Getúlio Vargas. Também não conseguiu.

Michel Temer está disposto a atingir o objetivo que seus antecessores não alcançaram: destruir a legislação trabalhista gestada na época do ditador Getúlio Vargas. Sancionou o projeto de terceirização aprovado pela Câmara dos Deputados a partir de um estratagema juridicamente duvidoso, a repescagem de um projeto aprovado pelo Senado em 1998, que trouxe um jabuti venenoso: a pejotização total das relações de trabalho. O termo designa os vínculos de trabalho com Pessoas Jurídicas (chamadas de pejotas). Na prática, cada um pode abrir sua empresa e fornecer seus serviços através dela. A pergunta que grita por toda parte agora é: por que uma empresa vai contratar alguém com carteira assinada e encargos decorrentes se pode contratar a mesma pessoa como Pessoa Jurídica sem carteiras assinada e sem encargos? A resposta parece evidente: a pejotização vencerá.

A terceirização permite a uma empresa obter força de trabalho por outra empresa interposta. O governo quer convencer de que nada muda. O empregado terá carteira assinada e todos os direitos assegurados pela terceirizada, ou seja, a empregadora. Mas trata de garantir a sua parte: o INSS será recolhido pela contratante antes de repassar o devido à contratada (terceirizada). Um assessor de Tancredo Neves preparou-lhe um discurso no qual brilhava esta frase: “Esforçar-nos-emos para construir um país mais inclusivo”. Tancredo traduziu o embrulho por “vamos trabalhar por um país em que ninguém fique de fora”. Michel Temer prefere a mesóclise que esconde a verdade. A terceirização é uma pejotização que dispensa o empregador de assinar carteira e pagar férias, décimo-terceiro, horas extras e FGTS. Pode ser ótimo para quem já tem um emprego com todos esses direitos e exerce uma segunda atividade e quer pagar menos imposto de renda. Para o restante será apenas um drible da vaca de deixar o driblado sentado no chão vendendo navios abarrotados de maganos rumo a Miami.

Finalmente a era Vargas agoniza. Como sempre o crime é cometido em nome da modernidade. É por isso que sempre aviso. Se ouvir a palavra modernização, erga as mãos ou saia correndo. Nunca reaja sozinho. É morte certa. O único jeito é andar em grupo. Armado de bandeiras.

Os defensores da terceirização dirão que não é bem assim.

Não é.

É muito pior.

A terceirização (pejotização) é o drible da vaca.

O trabalhador fica parado.

O capital comemora.

Gol.
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Seria demais pedir grandeza ao senador Lasier Martins?

Ele
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro
Raul Ellwanger, em seu perfil do Facebook, raciocinou com lógica. Colocando-se no lugar do senador Lasier Martins, descreveu com clareza o que faria uma pessoa digna. Se Lasier garante e berra que sua mulher mente sobre as agressões que teria sofrido, deveria pedir licença do Senado, liberando-se do foro privilegiado. Ato contínuo, solicitaria investigação como cidadão comum pela Lei Maria da Penha. Seria exemplar, altivo, bonito, e talvez satisfizesse seus 2.145.479 eleitores, se estes estão realmente ligados em outra coisa que não no Jornal do Almoço.

Mas não. Ele se defende na tribuna, coisa que sua esposa não pode fazer, para gritar que o caso é “um conflito conjugal”, assunto da vida privada, e jurar que jamais agrediu uma mulher. Também acho que em problema de marido e mulher, não se deve meter a colher, mas houve uma denúncia então o caso virou um vaudeville, senador. É natural que a coisa esteja e seja pública, senador.

Hoje, soube que o escritor Luiz Paulo Faccioli criou um abaixo-assinado pedindo a renúncia de Lasier. Coloco o texto de Faccioli ao final deste post. Ele também clama por alguma grandeza por parte do senador. Não ocorrendo tal fato, tendo a pesar que Janice Santos não tem nada de louca — como acusou Lasier –, e que tem minuciosa razão em tudo o que disse. E desta vez nem vou nem reclamar que o Sr. assina coisas sem ler, tá?

Abaixo, o texto de Faccioli em seu abaixo-assinado:
Não fui eleitor do jornalista Lasier Martins na eleição para o Senado Federal, mas ele está sentado na cadeira de Senador da República para representar o estado do Rio Grande do Sul, portanto ele me representa, mesmo contra a minha vontade. Penso que, como cidadão gaúcho, estou no meu mais absoluto direito de exigir sua renúncia a partir de fatos recentes noticiados pela imprensa. Lasier Martins tem dado provas sobejas de que não honra o cargo que ocupa. Admite que assinou sem ler um documento de extrema importância, contrariando a razão de ser de sua atividade parlamentar e me deixando em dúvida sobre o que é pior, se verdadeiro o que ele afirmou ou se apenas uma mentira rasa para justificar a falta de caráter. Nesta semana foi obrigado a sair de casa, o apartamento funcional que o Estado paga para ele em Brasília, por decisão do STF, por causa de uma separação litigiosa e uma denúncia de agressão física por parte da esposa. Lasier Martins é uma vergonha e sua presença no Senado, uma afronta ao povo gaúcho! Haverá sempre alguém a argumentar que existem exemplos ainda mais vergonhosos protagonizados por Senadores vindos de outros estados da Federação. Mas eles não estão sob nossa jurisdição e não representam o RS nessa instância legislativa. Portanto, clamo aqui pela renúncia do Senador Lasier Martins, que será interpretada como um ato de grandeza e tentativa de salvar uma parte de sua questionável biografia.

Milton Ribeiro
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O olho da Exxon no pré-sal, no WS Journal: história bem antiga


A Folha destaca matéria do Wall Street Journal onde se diz que a gigante petroleira Exxon – a única sem grande presença no Brasil, diz o jornal – está mirando uma expansão sobre o nosso pré-sal, encorajada pelos “novos líderes” (líderes é expressão deles, certo?) que abriram o controle da exploração e eliminaram as exigências de conteúdo nacional nas atividades conexas à exploração do óleo.

Traduzindo do economês: não querem ser sócia, querem ser donas e querem importar todos os insumos e equipamentos, não produzi-los aqui. Ou, ainda mais no popular: chupar nosso petróleo, dar uns trocados ao governo e levá-lo embora.

Os repórteres Bradley Olson e Paul Kiernan (aqui, a reportagem na íntegra) foram ouvir a consultoria Rystad Energy, uma das mais respeitadas do setor e os comentários de Kjetil Solbraekke, vice-presidente sênior para a América do Sul não poderiam ser mais claros:

“Todo mundo quer ter um pedaço da torta”. “Estes são provavelmente os ativos de petróleo mais prolíficos e de maior retorno disponíveis no mundo”.

E destacam que – preste atenção, para ver o tamanho dos interesses – que o pré-sal deve nos tornar “o quinto maior produtor mundial de óleo cru em 2025, atrás apenas da Arábia Saudita, Rússia, EUA e Iraque”.

É a isto que a canalha entreguista – no Governo e na mídia – quer e está fazendo, ao usar a Lava Jato para destruir a Petrobras, depois de tentar desqualificar a importância de nossas jazidas, desavergonhadamente, chamando-o de “patrimônio inútil”.

Mas a matéria registra que há apreensão e indecisão dos executivos da Exxon porque “analistas políticos dizem que a eleição presidencial de 2018 poderia facilmente reverter essa tendência” entreguista.

Já se vê que os “novos líderes”, além de nada novos, também não são nada líderes.

Olson e Kiernan registram que o vendilhão-in-charge Pedro Parente,  esteve numa conferência de energia em Houston no mês passado para  discutir parcerias e desinvestimentos (leia-se venda) e que havia um “nível muito alto de interesse” nos ativos da empresa.

Querem a Petrobras como parceira menor, não porque sejam bonzinhos e nos dar mais algumas migalhas de óleo, mas porque “pode ser a única maneira de construir uma posição offshore no Brasil”. Claro, a Petrobras desenvolveu todo o processo caríssimo de prospecção geológica da bacia do pré-sal e os métodos de exploração de poços, segundo o jornal, “abaixo de vários quilômetros de águas oceânicas e uma espessa camada de sal que pode tornar a perfuração arriscada e cara.”

Arirscada e cara para um empresa da capacidade da Exxon? É que a empresa “perfurou vários poços secos no país há mais de cinco anos com a (petroleira) Hess”, testemunha o WSJ.

De fato, a experiência da Exxon, desde quando ainda era, aqui, a Esso (e, antes, a já odiada Standard Oil “do Brasil”), sempre foi mais eficiente em controlar a mídia e  derrubar governos do que em achar petróleo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Informativo Paralelo — O papel dos movimentos sociais na luta contra as reformas


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Futura independência da Catalunha?


O mais triste e dramático é o medo do governo espanhol e da sociedade espanhola ao referendo em Catalunha, ao voto do povo, à opinião dos cidadãos. Foram muitos anos sem poder votar aqui na Espanha. A memória é curta.

Por Víctor David López, Madrid. No Nocaute.

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