3 de abr de 2017

Dilma ao TSE: olha aqui as contas do Traíra!

Além de Traíra, mentiroso...

Judas Iscariostes só cobrou 30 dinheiros
O Conversa Afiada reproduz nota divulgada pelo site da Presidente Dilma:

Temer usou ‘conta de passagem’, sustenta defesa de Dilma

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A defesa de Dilma Rousseff entregou ao Tribunal Superior Eleitoral planilha detalhando a contabilidade da chapa eleita em 2014 nas eleições presidenciais. A petição foi encaminhada ao ministro Herman Benjamin, relator do processo que analisa no TSE o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer apresentado pelo PSDB. O julgamento começa nesta terça-feira, 4.

Os advogados entregaram a prestação de contas, única, apresentada à Justiça Eleitoral pela campanha, assinada em conjunto por Dilma Rousseff, Michel Temer e Edinho Silva. A defesa insiste que não é possível separar as contas da campanha, como argumentam os advogados de Michel Temer. A tese da separação vem sendo usada pelo PMDB para pedir ao TSE que puna apenas Dilma, sem impôr punição a Temer, caso a chapa venha a ser cassada pela maioria da corte.

As planilhas entregues pelos advogados revelam que a campanha arrecadou R$ 350 milhões, sendo R$ 330 milhões nas contas em nome de Dilma Rousseff e R$ 20 milhões da conta em nome do então vice-presidente Michel Temer. Do total arrecadado por Temer, R$ 9,6 milhões vieram do PMDB e quase 17 milhões foram transferidos às candidaturas estaduais do partido. Ou seja, a conta de Temer foi usada como “conta de passagem” para os candidatos do PMDB.

Na petição, os advogados comprovam que outros R$ 3 milhões foram usados na campanha Dilma-Temer. Isso representa menos de 1% do total arrecadado, sendo que R$ 2 milhões tiveram como destino a  contratação de um único fornecedor: a Gráfica Noschang, propriedade de um amigo de Eliseu Padilha, localizada em Tramandaí, no Rio Grande do Sul.

Os documentos comprovam ainda que a conta bancária utilizada por Temer, que integra a única prestação de contas da chapa, não teve relevância para a realização da campanha presidencial, sendo mera “conta de passagem ao PMDB”. Além do mais, fica claro que o candidato a vice foi diretamente beneficiado pela arrecadação das demais contas-correntes de campanha sob a titularidade da presidenta reeleita em 2014.

RECIBO

COMPROVANTES 

A defesa de Dilma entregou, além da planilha, cópias de comprovantes, atestando que todos os gastos de campanha presidencial envolvendo Michel Temer foram suportados pela arrecadação proveniente das contas-correntes de Dilma. Todos os recibos eleitorais arrecadados em doações depositadas na conta de Temer foram assinados exclusivamente pelo tesoureiro da campanha da reeleição Edinho Silva.

Isso inclui despesas, por exemplo, de fretamento de avião particular, alimentação, hospedagem, locomoção, salários da chefe de gabinete, assessores de imprensa, advogado e todo o material gráfico, além de gastos com palanques, comícios e carreatas, bem como de todo material publicitário de TV e internet desenvolvido pela equipe de João Santana.

RELATÓRIO

Na última sexta-feira, 31 de março, a defesa de Dilma protocolou ainda outro pedido ao ministro Herman Benjamin, para que procedesse à retificação de seu relatório final e comunicasse aos demais integrantes da corte. Isso porque, de acordo com a defesa, o relatório contém dois erros na narrativa dos fatos, na página 75.

No relatório, Benjamin afirma que a defesa não se omitiu, como incorretamente apontou o relator. Os advogados haviam apresentado petição de nove páginas justificando razões para proceder a análise de 8 mil documentos, que acabou sendo indeferido pelo ministro. Portanto, não houve omissão, como indevidamente aponta Herman Benjamin. A petição foi negada, mas não se justifica a afirmação de que nada teria sido apresentado pela defesa de Dilma.

ASSESSORIA DE IMPRENSADILMA ROUSSEFF

Cópias dos recibos encaminhadas ao TSE (Arquivos em PDF).




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"Onde estão os Rebeldes?..."


A coluna "Entre Nós!", com Marcelo Fernandes Corrêa, editor da RWBrasil.

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Filhadaputice em Balneário Camboriú

“Quem mandou dormir com a porta aberta?”, diz delegada a vítima de tentativa de estupro em SC


Delegada de plantão em Balneário Camboriú (SC) teria constrangido uma vítima de tentativa de estupro. Agressor foi pego em flagrante tentando tocar as partes íntimas da mulher enquanto ela dormia e caso foi registrado como invasão de domicílio

Na madrugada desta segunda-feira (3), uma mulher em Balneário Camboriú (SC) sofreu uma tentativa de estupro e o caso foi registrado como invasão de domicílio. De acordo com o comandante da Polícia Militar da região, José Evaldo Hoffmann, os policiais militares que foram acionados para atender a ocorrência acompanharam o registro de boletim de ocorrência e contaram que a vítima foi constrangida pela delegada Daniela Elisa de Souza Bruce, que teria a questionado: “Quem mandou dormir com a porta aberta. Pensas que mora na Suíça?”.

“Os policiais que estavam na ocorrência disseram que ela (a delegada) brigou com a vítima dizendo que a culpa era da senhora, pois tinha deixado a porta aberta. É um constrangimento enorme o que a mulher passou na delegacia”, disse Hoffmann.

Os PMs contaram ainda que a delegada gritou com a vítima, que estava dormindo no momento em que o agressor entrou em seu quarto.

De acordo com o relatório dos policiais, a mulher disse que acordou com o homem, Márcio Gleison da Silva, que já tem passagem na polícia por estupro, tocando suas partes íntimas. Seu filho, então, acordou com os gritos e deteve o agressor até a chegada dos agentes.

A delegada em questão foi procurada mas até o momento não se pronunciou sobre o caso. Há expectativas, ainda, de que o crime de tentativa de estupro seja incorporado ao boletim de ocorrência.

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Frente Brasil de Juristas pela Democracia pede afastamento de Moro do processo contra Lula

A entidade diz na nota que a atuação “flagrantemente parcial e ativista do Sr. Sérgio Moro coloca em risco não apenas o direito do acusado em questão, mas também a credibilidade do exercício da magistratura”.


NOTA POLÍTICA

A PARCIALIDADE DO M.M. JUIZ MORO

A Frente Brasil de Juristas pela Democracia, reafirmando o compromisso intransigente com os princípios democráticos e as garantias jurídicas fundamentais, vem a público manifestar séria preocupação diante da eventual possibilidade de o juiz federal de primeiro grau, da 13ª vara de Justiça de Curitiba, Sérgio Fernando Moro, prosseguir como responsável pelo julgamento dos processos que envolvem a pessoa do ex-Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Se, como prevê a Carta Constitucional, o exercício da magistratura é fundamental para a existência do Estado Democrático de Direito, o mesmo deve ser realizado com o compromisso da excelência na prestação de serviço público cujo fim está em distribuir Justiça. Ao magistrado pressupõe cultivar princípios éticos e o decoro, valores consignados no Código de Ética e na Lei Orgânica da Magistratura.

Entendemos que a atuação flagrantemente parcial e ativista do Sr. Sérgio Moro coloca em risco não apenas o direito do acusado em questão, mas também a credibilidade do exercício da magistratura, violando o “justo processo”, princípio basilar em qualquer ordem jurídica e conformado por outros princípios como o são a “isonomia e imparcialidade do juiz”, o “estado de inocência” e a “proibição da prova ilícita”.

Os exemplos da parcialidade do juiz Sérgio Moro são inúmeros e intermitentes, maculando concretamente a possibilidade de realização de um processo justo.

A Declaração Universal de Direitos Humanos, no artigo 10º, assim dispõe: “Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele”.

Os processos contra o ex-Presidente Lula trazem uma dimensão pouco conhecida da magistratura, a de que, por vezes, um juiz não está isento de paixões políticas a contaminar o livre convencimento, este que também é princípio inafastável da ampla defesa.

A famosa fotografia de Padgurschi (Diego Padgurschi/Folhapress), flagrando a proximidade do Juiz Sérgio Moro com a alta cúpula de partidos políticos de oposição ao Partido dos Trabalhadores, corrobora com a tese da impossibilidade moral e jurídica de atuação imparcial.

O Magistrado que pretende decidir a respeito da liberdade de pessoas acusadas de crimes supostamente praticados no exercício de mandato conferido pelas urnas não pode se dar ao luxo de se deixar fotografar em conversas com inimigos políticos dos que são acusados e pensar que tais atos passarão impunes no registro da História.

Outro exemplo notório a indicar a parcialidade do Juiz Sergio Moro ocorreu na autorização de grampo ilegal no telefone do escritorio dos advogados da defesa do Lula e uso, pelos meios de comunicação, das conversar ilegalmente gravadas entre o Ex-Presidente e a então Presidenta da República Dilma Rousseff.

Outra ilegalidade manifesta decorreu da injustificada condução coercitiva de Lula (ocorrida em 05 de março de 2016), chocando a opinião pública pela forma truculenta como foi tratada pela mídia e demonstrando a pretensão de manchar a imagem e a biografia política do acusado.

Vale lembrar que o M.M. Juiz se utilizou abertamente dos meios de comunicação para pedir apoio da população, publicando vídeos em redes sociais, “espetacularizando” e transformando o processo judicial antes em caso para a mídia e depois ação penal na Operação Lava Jato. Dessa forma o M.M. Juiz não se mostra revestido da necessária imparcialidade para a cognição e julgamento da causa.

Por todo exposto, a Frente Brasil de Juristas pela Democracia entende que é premente que o Sr. Sergio Moro se dê por suspeito e abandone a condução dos processos contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem como de outros processos nos quais o convencimento estiver prejudicado por aspectos políticos, sob pena de produzir sentenças persecutórias em julgamento de exceção.

FBJD – Frente Brasil de Juristas pela Democracia
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Nelson Jobim: “Lula preso elege qualquer um, principalmente o Ciro Gomes”

De acordo com o ex-ministro do STF: “A questão da corrupção tem que ser tratada com lucidez porque não se constrói o futuro retaliando o passado”.


O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim fez uma advertência às consequências da Operação Lava-Jato; “Há uma questão prática: o presidente Lula preso elege qualquer um, em 2018, principalmente o Ciro Gomes”; na avaliação dele, Lula tem densidade eleitoral e, portanto, será interlocutor importante nas próximas eleições.

“A questão da corrupção tem que ser tratada com lucidez porque não se constrói o futuro retaliando o passado”, ressaltou. “É bom ter presente que o Judiciário trata do passado. Ele aplica penas ao passado que se cumprirão no futuro. Mas o Judiciário não resolve o problema do futuro. Não se constrói o futuro com sentenças.”

Para Jobim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve separar as acusações contra Michel Temer e Dilma Rousseff no julgamento que vai definir a cassação da chapa pela qual ambos foram eleitos.

Nelson Jobim, que integrou o TSE e foi relator do primeiro caso pelo qual o tribunal cassou um governador que encabeçava a chapa junto com o vice. Caso ela emplaque, Dilma perderia os direitos políticos, enquanto Temer permaneceria presidente.

“‘Os casos são muito diferentes’, disse Jobim ao Valor PRO, referindo-se à cassação de Mão Santa, em 2001, do cargo de governador do Piauí, e ao processo atual que ameaça Temer. Mão Santa foi cassado por mais de 20 irregularidades, como fornecer remédios a eleitores e anistiar devedores de contas de água, nas eleições de 1998. O julgamento ocorreu quando Jobim era presidente do TSE.

‘Naquele caso foi captação ilícita de sufrágio’, explicou ele, usando a terminologia que significa compra de votos. A consequência foi a de que os votos teriam que ser anulados. Uma vez retirados os votos para o então governador, a consequência foi a de que esses mesmos votos atingiam o vice. Como resultado, assumiu o segundo mais votado nas eleições, Hugo Napoleão. Na avaliação de Jobim, o caso da chapa Dilma-Temer seria diferente. As alegações contra a chapa Dilma-Temer não tratariam de fraude nos votos. Os votos dos eleitores não teriam sido comprados. Portanto, caso se comprovem as irregularidades na arrecadação de recursos para campanha, os votos não seriam anulados.”

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A Cruz Contra o Vampiro





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Programa Pensamento Crítico: Terrorismo


Programa de análise da conjuntura brasileira e latino-americana, produzido pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos, com a participação de Elaine Tavares, Nildo Ouriques e Waldir Rampinelli. Nesta edição discutindo o terrorismo.


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João Doria, um falso brilhante


O prefeito Doria é um político esperto, inteligente, flexível, tem método, tem estratégia e sabe o que quer e como quer chegar. Ao contrário da maioria esmagadora dos políticos brasileiros sabe jogar com a lógica do poder e usa os instrumentos de psicologia nas suas relações pessoais e com a sociedade. Por tudo isso, Doria é um político perigoso pelo potencial que ele tem de alcançar distâncias consideráveis no seu projeto de poder. Nada disso seria recriminável se Doria fosse um político autêntico, um democrata compromissado. Mas o fato é que ele não o é e sequer é um liberal, algo que aqui no Brasil nunca existiu.

Doria, como se sabe, reza pelos piores manuais da enganação, da manipulação e do charlatanismo (Robert Greene). A cartilha que o prefeito segue, cita e admira é a cartilha da vigarice. Por isso, ele é perigoso. Quer o poder pelo poder, pelo brilho que o poder oferece e pelas suas benesses, evidentemente. A personalidade de Doria é a condensação pura da vaidade. Para usar a linguagem weberiana, em Doria não há causa a realizar, não há propósito, não há senso de proporção, não há distanciamento crítico e nem existem as mediações necessárias entre o essencial e o aparente. Tudo é jogo de aparência, dissimulação, ardil.

O manual de Doria é o do antimaquiavelismo. Não se trata do Príncipe virtuoso e prudente que, pela sua coragem e dedicação à causa, age para governar bem os governados, quer realizar as grandes obras físicas e morais, quer dar o exemplo para construir a grandeza da cidade e alcançar a glória nos tempos. Doria é o antípoda de Moisés, de Ciro, de Teseu e de Rômulo, heróis de Maquiavel. O prefeito faz um tipo mais próximo de um Agátocles o Siciliano e de um Oliverotto de Fermo. Parafraseando Maquiavel, não se pode reputar como virtude a manipulação, a propaganda enganosa, a mentira e o charlatanismo. Tal modo de agir pode levar à conquista do poder, mas não à glória.

A compulsão autoritária de Doria

Seria um erro, contudo, reduzir Doria aos tipos consagrados da cartilha pela qual reza. Pela sua inteligência, astúcia e ambição, ele é bem mais perigoso do que os escroques que querem simplesmente se dar bem enganando os outros. Como prefeito, Doria age pelo descomedimento, pela destemperança e pela provocação. Tudo indica que é um jogo calculado, mas é um jogo que pode provocar consequências nefastas.

Doria age como se fosse dono da cidade. Foi assim com as pichações e com o  grafite. Cercado de seguranças, parte para cima dos seus críticos em vários eventos. Quer expulsá-los para Curitiba. Semeia os ventos da fúria persecutória que é secundada pelos seus camisas amarelas, uma espécie de Camisas Pretas (Mussolini) do facebook e das redes sociais que o mitificam e pregam o ódio e a violência como meios de imposição política. Não respeita nem FHC e menos ainda Lula. Entregou o primeiro para que fosse destroçado pela milícia verde-amarela. Ataca Lula com violência verbal diária incitando a violência física dos seus seguidores.

A violência verbal e os enfrentamentos que Doria promove não se coadunam com o cargo de prefeito. Pelo contrário, retiram-lhe a dignidade e a autoridade que o cargo de um governante sempre deve ter. Doria vem se transformando, de forma recorrente, em um provocador, um arruaceiro político. Calculadamente ou não, o fato é que o prefeito vai assumindo dimensões de um desequilibrado, seja pela violência verbal que pratica e pela violência física que incita, seja pela espalhafatosa exposição propagandística a que se expõe até aos exageros da saciedade.  Um governante não pode apresentar-se como chefe de uma facção. Deve ser o ponto de unidade dos governados, conduzindo-se pelo equilíbrio e pela prudência.

Ao semear tantos ventos poderá, por um lado, colher dolorosas tormentas e, por outro, o espalhafato poderá identificá-lo mais com um ator circense do que com um prefeito realmente dedicado a buscar soluções aos duros problemas de São Paulo. A Cidade Linda, até agora, é uma propaganda enganosa. Nos últimos anos a cidade nunca esteve tão esburacada como está agora e nunca existiram tantos semáforos queimados com tanto tempo para serem concertados. Seria risível se não fosse trágico sugerir que o Corujão solucionou os problemas de saúde da cidade, que passam por uma de suas piores crises. Por outro lado, cultura e programas sociais sofrem o mesmo desmantelamento que o governo golpista está promovendo no plano nacional. 

Se os riscos políticos e o mal que Doria representa se restringissem à cidade de São Paulo, o desassossego com a sua figura seria circunscrito e até suportável. O problema é que as circunstâncias e a Deusa Fortuna parece que se enamoraram do alcaide paulistano: podem torná-lo candidato a presidente da República, mesmo que ele não queira – embora tenha feito o jogo para querer, ao menos até agora. Os imponderáveis da crise política e da Lava Jato podem destruir as pretensões presidenciais dos outros líderes tucanos.

Um novo tipo de líder de direita

Quando se diz que Doria representa uma potência do mal não se trata de um mero artifício retórico. Ocorre que, de fato, ele é um novo tipo de líder político, mas que tem fortes reminiscências nos líderes autoritários do passado. O prefeito se dirige diretamente às massas, na rua e nas redes sociais, e busca construir uma identidade com elas, dissolvendo as mediações necessárias que as instituições democráticas e representativas exigem. Prescinde até mesmo do PSDB. Essa identidade, à medida que se constrói com os recursos da violência verbal e do ódio, pode prescindir também das mediações da lei, da ordem e dos outros recursos do sistema político e tornar-se imposição de força e de violência física numa conjuntura que caminha cada vez mais para a polarização.

A novidade singular que Doria representa surge num momento que lhe foi muito oportuno e que ele soube aproveitar. O sistema político brasileiro está destroçado, cheio de escombros e de cadáveres políticos. A crise de legitimidade que devasta instituições, partidos e líderes é imensa. A sociedade vê corruptos por todos os lados. Num ambiente como este, nada mais oportuno do que apresentar-se como antipolítico, como empresário rico, honesto e empreendedor, mesmo que parte dessa riqueza tenha sido amealhada com recursos do Estado e com a parvoíce de outros empresários.

Nesse cenário de devastação, onde políticos e partidos se caçaram, brigaram, se denunciaram e se mataram, o mentor de Doria recomenda que a conduta mais adequada seja a da hiena ou a do abutre. Ou seja: os outros animais (políticos) trabalharam para que o cenário propício a Doria (e no limite, a Bolsonaro), surgisse sem que ele fizesse nenhum esforço. Ele simplesmente se aproveitará deste ambiente putrefato proporcionado pelos outros.

Qual é o principal problema de Doria? Como um falso brilhante, ele não é nenhum líder autêntico, entranhado e enraizado na vida e nas lutas sociais do povo. Surgiu repentinamente, quer o poder pelo poder e se promove pela propaganda. As massas sentem um fascínio por ele, pela sua inteligência, pela sua esperteza. Consegue enganar ao mesmo tempo a elite branca dos Jardins e a periferia. Quer promover uma aliança entre ambas. A propaganda, contudo, não resolve os problemas da vida. Sem substância real e conteúdo político e social, a liderança de Doria pode se esfumar de forma tão repentina quanto a rapidez do seu sucesso.

Mas existe um perigo em tudo isso. Doria não é um Collor, um Aécio ou um Serra. É bem mais astuto e preparado do que todos eles. Percebeu que a substância do seu sucesso não está nele, mas fora dele, na sociedade cindida, desencantada, desiludida. Acena para essa sociedade com a possibilidade do sucesso, pois ele se apresenta como a encarnação do sucesso. Numa sociedade que precisa desesperadamente de esperança, Doria poderá se tornar a fúria de sua busca arrastando massas atrás de si, mesmo que isto implique graus variados de violência e uma destruição ainda maior da democracia e dos direitos.

Aldo Fornazieri
No GGN
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Xadrez do TSE e dos zumbis da política


Peça 1 – algumas características relevantes do momento

Para analisar o momento atual e montar cenários possíveis, é necessário assumir alguns pressupostos:

Ponto 1 – os desdobramentos políticos dependem de um conjunto de circunstâncias.

Não imagine o golpe atual como uma ação concatenada, com um comando central pensando em cada jogada e com controle sobre todas as variáveis. Há as variáveis centrais, os fatos fora de controle, e as saídas estratégicas secundárias.

Há um grupo hegemônico manipulando o golpe – aliança mídia-grande capital -, e um conjunto de agentes secundários que se movem de acordo com a formação das nuvens da opinião pública.

Ponto 2o ponto central do golpe é impedir que as esquerdas retomem o poder em 2018.

Aí, abrem-se várias possibilidades: o surgimento de um campeão branco, uma eventual candidatura competitiva; o impedimento legal de Lula disputar; a implantação de um semiparlamentarismo; até um endurecimento do golpe, se as circunstâncias permitirem.

Ponto 3 – candidato bom é candidato viável

Se seu amigo está se afogando no mar, veja se ele está ao alcance do arremesso de um salva-vidas. Se não estiver, se desculpe e marque a missa de 7o Dia.

No jogo político atual, será preservado apenas o político que for imprescindível para o segundo tempo do golpe, a se iniciar em 2018.

Peça 2 – a mídia e os tucanos jogados ao mar

Como sempre acontece, a velha mídia sempre pratica movimentos sincronizados. Nos últimos tempos, com exceção do Estadão, que parece editorialmente parece ligado no automático, os demais veículos procuram investir um pouco na busca da isenção perdida.

Na 6a, o Jornal Nacional deu uma edição surpreendentemente isenta sobre os escândalos de Temer. Agora, Veja solta uma bomba contra Aécio Neves e um vazamento mortal contra José Serra – a informação de que o executivo Pedro Novis informou ter depositado muito dinheiro na conta de “uma parente” de Serra, através do lobista José Amaro Pinto. A Folha, uma das que mais estimulou a intolerância dos últimos anos, lança um manual se propondo a praticar um jornalismo propositivo, que afaste o discurso de ódio.

O que está em jogo, inicialmente, é a tentativa de recuperar credibilidade. Quando começou esse jornalismo de esgoto, não faltaram alertas de que se tratava de uma tática suicida, da qual as principais vítimas foram Veja e Folha – IstoÉ não tinha muito a perder.

O momento de corte ocorre quando se esfumaça o futuro político de Aécio Neves e José Serra e o de Geraldo Alckmin fica sob dúvida. Tateia-se, agora, a candidatura de João Dória Júnior.

Para a mídia poder bancar o novo, precisaria enterrar o velho, com quem tornou-se imprudentemente identificada. Por esta lógica, Aécio e Serra já estão condenados. E Alckmin fica sob análise. Sua condenação dependerá, em parte, das delações da Odebrecht e, em parte, do crescimento ou não de Doria nas pesquisas.

É o que explica o fim da blindagem dos aliados.

Peça 3 – a inviabilidade do governo Temer

São muitos os indícios de que o governo Temer está no fim. Além da ilegitimidade da falta de votos, assim como o governo Dilma, foi vítima da falta se discernimento político de burocratas primários, que julgam que toda radicalização é virtuosa: Joaquim Levy, com seu pacote fiscal, Mansueto de Almeida, com essa extravagância de reforma do sistema e previdência social que jogará o país de volta ao século 19.

Os índices recordes de impopularidade de Michel Temer, a ameaça de debandada do PMDB, o aumento da popularidade de Lula e de candidaturas alternativas, a ausência total de uma estratégia de recuperação da economia, tudo indica que se esgotou o prazo de 6 meses no qual, de acordo com a Teoria do Choque, todas as crueldades são permitidas.

Aliás, é inacreditável que a mediocridade de Temer não tenha sido percebida nem por Lula, Dilma e o PT – que o fizeram vice-presidente -, nem pelas forças que perpetraram o golpe parlamentar. Trata-se de uma pessoa com baixíssimo nível de informação, falta de cultura geral, de escrúpulos e de discernimento, com o carisma de coruja obrigada a falar, uma espécie de rei dos mendigos intelectuais do Congresso.

A maior prova de sua mediocridade é a maneira como embarcou no sofisma da impopularidade, peça pregada nele pelo impagável Nizan Guanaes: a impopularidade é uma vantagem, pois não impede a pessoa de cometer as piores maldades. E sai o gênio político estufando o peito e proclamando sua impopularidade.

Peça 4 – os fatores aleatórios no julgamento do TSE.

Na próxima semana, entra em pauta o julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE.

A nomeação do Ministro Admar Gonzaga não muda o jogo: ele não participará da votação, ainda sob responsabilidade de Henrique Neves.

Em relação à votação, há apenas uma certeza: o parecer do relator será a favor do impeachment da chapa completa. A partir daí, há as seguintes possibilidades.

1.   Manutenção de Temer

Atuando como consultor de Michel Temer, Gilmar Mendes adiantou duas possibilidades possíveis de sobrevivência: a separação da chapa, condenando apenas Dilma; o impeachment da chapa, mantendo os direitos políticos de Temer, que seria reconduzido à presidência por uma nova votação.

Há uma terceira manobra, de algum Ministro pedir vistas do processo por prazo indeterminado. Gilmar Mendes é campeão dessas manobras.

Há quem veja vantagens na manutenção de Temer. Com ele, seria mais difícil postergar as eleições de 2018.

As desvantagens óbvias:

·      o desmonte do Estado, perpetrado por sua equipe, sem a menor estratégia de recuperação da economia, aprofundando ainda mais a recessão,

·      O assalto que está sendo praticado em todos os níveis, de forma escandalosa.

2.   Saída de Temer.

Nesse caso, haveria uma nova eleição, pela Câmara dos Deputados. E aí há um conjunto enorme de variáveis. Há o grupo que ainda segue Eduardo Cunha; o grupo do PSDB; a frente das esquerdas.

O único ponto de confluência desses grupos é o medo da Lava Jato – que, agora, entra na fase STF. Nesse rumo, sobressaem duas candidaturas: a de Gilmar Mendes e a de Nelson Jobim.

Gilmar seria um tapa na cara da opinião pública. Já Jobim, em que pese as enormes críticas que suscita, tem pontos de contato com todas as pontas e salve exercer a autoridade e o caminho das pedras.

Peça 5 – os cenários possíveis

Tudo ainda é confuso, inconcluso, dependendo da evolução de uma série de fatores:

Crise econômica

Apesar do esforço descomunal da mídia, o quadro econômico piora. Há uma inadimplência generalizada do setor privado, uma interrupção de todo investimento público e, agora, o início da debandada dos aliados de Temer. O aprofundamento da crise reduz as possibilidades de Temer e fortalece a candidatura de Lula.

O fator Dória

É cedo para apostar as fichas em João Doria Junior. Suas reações às críticas que tem recebido mostram um político não apenas novato, mas tosco. Falta a ele visão prospectiva mínima. Ganhou um saldo em caixa com suas manobras de marketing e a crise final das velhas lideranças. E sai gastando o saldo explorando de forma repetitiva o marketing do João Trabalhador e um discurso velho, da polarização PSDB-PT, marca mais anacrônica de um modelo que se pretende extirpar. Até agora, Dória é conhecido apenas pelas jogadas de marketing. A construção da imagem pública começa agora. E o que tem revelado é o perfil do mimado agressivo. Uma eventual desintegração da candidatura Dória poderá precipitar outras tentativas anticonstitucionais.

A Lava Jato

As sucessivas ações de Sérgio Moro e delegados da PF contra blogueiros, sindicalistas e críticos das redes sociais, refletem desequilíbrio decorrente da síndrome da perda de poder. Agora que retornaram ao nível da terra, a perda do impacto de seus feitos torna-os mais sensíveis às críticas. De truculência em truculência vão desconstruindo sua imagem e revelando-se como efetivamente são: um grupo de funcionários públicos provincianos jogados, de repente, no epicentro da política brasileira. Com vento e mídia a favor, até o padre baloeiro de Florianópolis torna-se Santos Dumont. Na hora da prova dos 9, soçobram.

De qualquer modo, a delação da Odebrecht provavelmente criará uma dinâmica que arrastará o restante da atual geração política para o buraco.

Some-se a delação do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, que poderá atingir até magistrados dos tribunais superiores - STF e STJ.

A soma desses três fatores – Crise + Frustração com Dória + Lista Odebrecht – cria um cenário absolutamente incerto para o golpe.

Uma das estratégias será ampliar as revelações da lista sobre o PT e os governos Dilma e Lula. Mas já se tornaram carne de vaca. Não haverá como jogar para segundo plano os novos denunciados.

Por outro lado, o discurso de demolição do Estado, é de alcance bastante restrito. Especialmente depois que a proposta de reforma da Previdência escancarou os efeitos sobre a população. Se passar o saco de maldades de Mansueto, o tema imbatível da campanha de 2018 será o da reversão do desmonte.

Em suma, a estratégia de desmonte do PT e vitória em eleições diretas em 2018 torna-se a cada dia mais distante.

Pode-se esperar, para os próximos meses, que Gilmar, Globo, e camarilha de Temer tirem algum novo coelho da cartola.



Luís Nassif
No GGN
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Dilma reafirma golpe em 2016 e influência da questão de gênero no ocorrido

Ex-presidente foi recebida em Porto Alegre e classificou eleições de 2018 como "pedra no caminho" de Temer

Ex-presidente foi recebida em Porto Alegre e classificou eleições de 2018 como "pedra no caminho" de Temer
Foto: Mauro Schaefer
A ex-presidente Dilma Rousseff foi recebida, no começo da noite desta quinta-feira, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, para palestrar sobre o papel das mulheres na democracia. Aclamada por um público composto por mulheres, integrantes de movimentos sociais, centrais sindicais e coletivos, Dilma fez duras críticas às reformas do atual governo e reafirmou que foi vítima de um golpe parlamentar. Ela salientou que este também teve êxito pela questão de disparidade de gênero. Por fim, destacou que a eleição direta de 2018 “é uma pedra no meio do caminho” do governo de Michel Temer.

O encontro com as mulheres, que ocorreu sem registro de hostilidade por parte do público, foi um convite da líder da bancada do PT na Câmara, a vereadora Sofia Cavedon. Também foi marcado por homenagens e cantos que elucidavam Dilma como mulher forte e corajosa ou “guerreira do povo brasileiro”. No início da cerimônia, a deputada estadual Manuela d’Ávila (PCdoB) e a deputada federal Maria do Rosário (PT) deram as boas-vindas.

A ex-presidente salientou que, em diversos momentos da sua atuação no governo, foi utilizada uma tipologia para descrever o gênero feminino como sendo frágil, instável, complicado, extremamente inseguro e medroso, enquanto o gênero masculino era descrito como firme, sério e trabalhador. “Uma categorização em que uns são bons e outros são ruins”, disse. “Podemos contar o golpe por aí, porque a mídia usou esses estereótipos. Em muitos momentos, contraditoriamente, eu era uma mulher dura no meio de homens meigos, como eu dizia. Em outros momentos, eu era uma mulher frágil que não deveria ir ao Senado Federal enfrentar o momento decisivo do impeachment. Eles tocaram todas as notas”, afirmou. “Não nos iludamos. É sempre assim quando se lança contra as mulheres todas as campanhas”.

Dilma também repudiou a terceirização e a reforma da Previdência, alegando que as mulheres serão as primeiras a sofrer o impacto das medidas do governo, que também “tirou os pobres do orçamento”. Além disso, observou que o programa Minha Casa Minha Vida se tornou, com a mudança de governo, o “Minha Casa Minha Mansão”. Por fim, disse que a eleição de 2018 será um “encontro com a democracia". Sobre "a pedra no caminho" com o pleito presidencial do ano que vem, ela citou as pesquisas de intenção de voto. "Em todos os cenários, é inegável que Lula ganha."



No Correio do povo
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Pffff

Não tenho mais a menor ideia de como se faz uma pipa (pandorga, em gaúcho). Eu fazia pipas perfeitas. Perdi o poder. E era um poder, aparentemente, congênito. Não me lembro de ninguém me ensinar que tipo de madeira usar, como cortar o papel, qual o comprimento certo da cauda, etc. E devo ter nascido já sabendo como se faz cola em casa. 

Outros poderes que eu tinha e não tenho mais dependiam de um aprendizado. Você desenvolvia sua técnica nas bolinhas de gude com o tempo, jogando às brinca até se sentir habilitado a jogar às ganha. Com o tempo, desenvolvia técnicas vitoriosas para qualquer coisa, inclusive bater figurinha. Fazer funda (bodoque, atiradeira) era mais complicado do que fazer pandorga, dependia de se achar uma forquilha adequada, portanto de uma certa vivência de mato que os urbanos como eu não tinham. Nunca fiz uma funda decente. Mas construí carrinhos de lomba com rolimãs e sofisticados sistemas de direção com cordas, produzi sons exóticos usando só o sopro e as mãos entrelaçadas imitando um pífano, reproduzi o som de trompete com surdina usando apenas uma folha rachada, inventei umas 17 formas diferentes de futebol de mesa. 

Nunca joguei botão. Meu futebol de mesa era com tampinhas de garrafa. Jogava sozinho. Por coincidência, os campeonatos eram sempre vencidos pelo time da Coca-Cola. Não, não havia interferência do imperialismo americano.

Não sei exatamente onde se vão esses poderes de infância. Desaparecem para nunca mais voltarem. Desconfio que haja uma barganha, um acerto entre estrelas e hormônios na regência das nossas vidas. Uma transferência de jurisdição. Trocamos a onipotência infantil pela puberdade, os prazeres da sabedoria natural pelos prazeres do corpo crescido, o poder da criação instintiva pelo poder da procriação. Não sabemos mais fazer pandorgas, mas o que é isso diante dessa maravilha, o nosso sexo, e desse achado, o sexo oposto, e da perspectiva dos dois se encontrarem? 

Na adolescência, também temos poderes extraordinários, mas quase sempre imaginários. O poder da sedução irresistível, por exemplo, exercido só na frente do espelho depois de botar Gumex no cabelo, mas poder assim mesmo, esperando a sua vez de ser usado. O poder de despir uma pessoa sem que ela se dê conta, só com a força da mente, ou de ficar invisível e ir atrás dela no vestiário. O poder de ser outro, como um artista de cinema ou um intelectual brilhante, em vez de um espinhento tímido. Etc., etc. E esses poderes também se vão.

No outro dia, encontrei uma folha do tipo que rachava para imitar um trompete, na infância. Achei que se ao menos conseguisse tirar um som da folha talvez valesse como uma retomada, não me pergunte do quê. Só saiu um “pfffff”.

Luís Fernando Veríssimo
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Claudia Wallin e o livro que todo brasileiro deve ler

O livro “Um país sem excelências e mordomias”, da jornalista Claudia Wallin, agora está disponível no formato digital no site Amazon. Para quem ainda não leu, é um livro que mostra como a recente história da sociedade sueca pode servir de referência para os cidadãos brasileiros.

Neste momento em que a sociedade brasileira está perplexa diante do circo dos horrores de Temer e da turma do “Grande acordo nacional. Com STF, com tudo!”, melhor do que o lamento da entrega do patrimônio nacional e da destruição do estado social é apresentar caminhos que possam transformar a difícil realidade que nos é imposta.

Em um país onde o IDH está entre os mais elevados do planeta, todos são iguais, não existem aqueles pronomes de tratamento que distanciam os agentes públicos do restante da sociedade — aqui na Suécia todos são “você” —, certamente há algo para aprendermos. Por isso, o nome do livro é um convite para que o (e)leitor brasileiro se veja como parte ativa da construção da sociedade e do país que queremos.

Como você verá no vídeo, exclusivo do Cafezinho, Claudia Wallin deixa claro que não é uma questão de endeusar os suecos ou de reduzir os brasileiros, mas sim a apresentação de um modelo de sociedade que deu certo e que deve ser visto como algo possível também no Brasil.

O que falta? Vontade política? Consciência política dos cidadãos? Assista ao vídeo e tire as próprias conclusões. Aproveite e compre o seu livro (disponível também na versão impressa): https://www.amazon.com/Suécia-pa%C3%ADs-excelê…/…/1542965594



Wellington Calasans
No Cafezinho
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