30 de mar de 2017

A sentença de Moro contra Cunha prova que a quadrilha no poder o usou apenas para eliminar Dilma

Ele
Li hoje pela manhã a íntegra da decisão de Sérgio Moro que condenou Eduardo Cunha a 15 anos e quatro meses de prisão pela prática de três crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Os crimes estão relacionados à propina que Cunha recebeu pelo negócio fraudulento entabulado pela Petrobras para “exploração” de petróleo em Benin, na África.

Tecnicamente, a decisão está muito boa. Mas há dois pontos que merecem um breve comentário. O primeiro é que a sentença de Moro é a prova irrefutável de que a quadrilha que hoje ocupa o poder usou Cunha apenas para dar um pontapé na presidenta Dilma Rousseff.

Um observador minimamente atento deve se perguntar: se Cunha tinha uma ficha corrida dessas (olhe a página 105 da sentença), que já era conhecida à época dos fatos, como é que presidia a Câmara dos Deputados e como é que liderou, foi peça-chave, no encaminhamento da abertura de um processo fraudulento de impeachment contra uma mandatária eleita pelo povo?

O segundo, relacionado diretamente ao primeiro, é que, na decisão, Moro faz um elogio (está na página 108 da sentença) à coragem do ministro Teori Zavascki de afastar cautelarmente Eduardo Cunha da presidência da Câmara.

O afastamento de Cunha pelo Supremo ocorreu somente no dia 5 de maio de 2016, quando o pedido de impedimento já estava sendo analisado pela comissão especial do Senado. Ou seja, a decisão do Supremo só ocorreu quando Cunha já era carta fora do baralho e não mais servia aos interesses escusos dos que tramavam a usurpação do poder.

Acho que Teori Zavascki era, de fato, um homem probo, que merece elogios. Mas, para o bem da história e pelo compromisso com os fatos, é necessário chamar a atenção para esse ponto que, é claro, foi ignorado na sentença do Moro.

Um último e importante detalhe: o afastamento de Cunha ocorreu no julgamento de uma ação cautelar. Esse tipo de ação, por sua natureza, requer o conhecimento e decisão rápidos.

O MPF havia pedido o afastamento de Cunha em dezembro de 2015 (a autuação da demanda no Supremo é datada de 16/12/2015), alegando que sua permanência na presidência da Câmara representava risco para as investigações e para a institucionalidade do país, uma vez que o então deputado era o terceiro na linha de sucessão presidencial.

Mas o STF levou cinco meses para decidir. Tirem suas próprias conclusões.

No DCM
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Deputados do DEM e do PSDB pedem prisão de Rui Costa, do PCO, por sair em defesa de Lula

José Carlos Aleluia (DEM-BA) abriu uma representação no Ministério Público contra o presidente do PCO por “crimes contra a paz pública”; já Elizeu Dionizio (PSDB-MS), pediu para que a Polícia Federal abra um inquérito contra Rui por “incitação à violência”. O motivo: Rui Costa Pimenta, em vídeo, convoca população a ocupar Curitiba contra a prisão de Lula


O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, se tornou, esta semana, alvo de perseguição de dois parlamentares. Na tarde desta quarta-feira (29), o deputado federal Elizeu Dionizio (PSDB-MS) solicitou ao diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, a abertura de inquérito policial para investigar a conduta de Rui por “incitar segmentos da sociedade à violência”. Também na quinta-feira, o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) entrou com uma representação no Ministério Público em que pede apuração de “crimes contra a paz pública” supostamente cometidos pelo presidente do PCO.

O motivo: Rui Costa Pimenta convocou, em um vídeo de análise de conjuntura do partido, a população operária a ocupar a cidade de Curitiba (PR) no dia 3 de maio para defender o ex-presidente Lula. Nesta data, Lula prestará depoimento ao juiz Sérgio Moro e, de acordo com Rui, o obejtivo do juiz é prender o ex-presidente.

“É uma ameaça muito grande. O Sérgio Moro chamou o Moro pra Curitiba com a seguinte intenção: se der eu prendo. Isso não poder ser permitido pelo movimento sindical, operário e popular. Não é redundante enfatizar o seguinte: a prisão do Lula vai ser o sinal de largada para um ataque generalizado ao movimento popular e a esquerda. É um ataque central contra o movimento operário (…) A nossa palavra de ordem é organizar caravanas de todo o país e as pessoas devem cercar o Lula, precisa ter 100 mil guarda-costas, e ninguém pode chegar nem perto dele. A palavra de ordem tem que ser: não vai prender”, afirmou.

Em nota, o Partido da Causa Operária condenou a perseguição: “Os golpistas de hoje adotam rapidamente as mesmas práticas da antiga ditadura militar. Durante a ditadura era comum ver pessoas presas, até torturadas, por falar algo, por dar uma palestra, e foi apenas isso que fez o presidente do PCO; deu uma palestra, deu sua opinião sobre a perseguição que passa o ex-presidente Lula. O direito de falar, a liberdade de expressão estão sendo cassados”.

Confira, abaixo, o vídeo que motivou os pedidos de investigação contra Rui Costa Pimenta.



No Fórum
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Tribunal Regional Eleitoral cassa mandato do governador tucano por compra de votos

O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Pará decidiu nesta quinta (30) pela cassação do mandato do governador do Estado, Simão Jatene (PSDB), e de seu vice, por abuso político nas eleições de 2014.

Pela decisão, Jatene também fica inelegível por oito anos. O governador poderá permanecer no cargo pois ainda é possível apresentar recursos em outras instâncias da Justiça Eleitoral.

Segundo a ação, o governador excedeu o limite legal fixado para distribuição do cheque moradia às vésperas das eleições. Ou seja, compra de votos com dinheiro público. 

Em 2015, a relatora do processo, desembargadora Célia Pinheiro, apresentou um voto contrário à cassação. A juíza federal Luciana Daibes encaminhou um voto em separado pela cassação. Ele foi aprovado por quatro votos contra dois.

No Amigos do Presidente Lula
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A mensagem mais importante da nova pesquisa da praça

Quanto mais batem, mais cresce
Quanto mais batem, mais cresce
Já disse algumas vezes, e sou obrigado a dizer mais uma: se eu fosse um barão da mídia, marcaria uma reunião com meus pares para ver o que está errado na caça a Lula.

Quanto mais a mídia bate, mais Lula cresce.

É o que mostra a mais recente pesquisa da praça, a Ipsos, divulgada hoje.

Entre os políticos, constatou a Ipsos, Lula é o personagem mais aprovado (38%) e menos rejeitado (59%). Desde fevereiro, ele ganhou sete pontos positivos — sob pedradas contínuas.

O que parece claro é que, quanto mais se agrava a crise política e econômica brasileira, mais Lula surge como uma esperança de reencontro com tempos bem melhores.

Contra isso, não há nada que a imprensa possa fazer. Os números altos de Lula são uma tragédia para a mídia. Não apenas porque as empresas jornalísticas o abominam, mas sobretudo por mostrarem a perda de influência de jornais, revistas etc.

A pesquisa sugere também que o golpe está cobrando um preço alto dos golpistas.

É particularmente interessante observar o desempenho dos líderes do PSDB. Aécio tem 74% de reprovação e 11% de aprovação. Alckmin, 67% e 16%. Serra, 70% e 20%.

O mentor intelectual do golpe, FHC, não aparece mais bonito na foto: 67% o reprovam contra 23% que o aprovam.

Também a situação de Doria, visto hoje como o plano B dos tucanos, não é exatamente entusiasmadora.

Hoje, ele é reprovado quase que pelo triplo das pessoas que o apoiam: 45% negativos contra 16% positivos.

Mas o fato maior do levantamento é mesmo Lula. Sua posição mostra não apenas sua força extraordinariamente resistente — mas também o bem-vindo enfraquecimento da mídia como influenciadora e manipuladora da sociedade.

Paulo Nogueira
No DCM
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Gilmar Mendes presta consultoria a Temer

Presidente do TSE orientou advogados, apontando a jurisprudência que permitiria separar Dilma e Temer na ação que pode resultar no afastamento do presidente. No mínimo, deveria se considerar impedido e não votar na sessão


Nos velhos tempos de Poços de Caldas, corria a lenda sobre um fazendeiro bastante sovina. Ele engordava seus porcos de ameia com os colonos. Na hora da partilha, só sua metade engordava.

Como o Brasil é o país da piada pronta, está prestes a aplicar o "causo” da ameia para decidir o destino da presidência da República.

A partir da próxima terça feira, o mundo vai testemunhar mais uma jabuticaba jurídica brasileira: a construção de mais uma farsa desmoralizante pelo Tribunal Superior Eleitoral, sob a batuta do indefectível Ministro Gilmar Mendes, visando condenar Dilma Rousseff por inelegibilidade e preservar o mandato de Michel Temer.

A tese da unicidade da chapa, defendida pelo procurador eleitoral Nicolau Dino, confirmada por ampla jurisprudência na própria corte, é de uma lógica cristalina. Se ambos – presidente e vice – foram eleitos pela mesma chapa, se não havia condições do eleitor votar em cargos separados (como era antes de 1964), qualquer condenação à chapa teria que inviabilizar ambos os candidatos. Ou seja, se houve abuso de poder econômico, beneficiou a chapa integralmente, e não apenas um. Ainda mais no caso de um vice-presidente anódino que, nas últimas eleições que participou, foi o último colocado da sua bancada.

Nas alegações finais apresentadas ao TSE, na última sexta-feira, a defesa de Temer seguiu a orientação de Gilmar Mendes. Valeu-se, como argumento da tese pela separação das contas, o precedente que envolveu o ex-governador de Roraima Ottomar Pinto, que faleceu antes de terminar o mandato.

Como não há limites para o poder de Gilmar Mendes, como todos seus esbirros são tratados apenas como excentricidades por seus pares, o Ministro não forneceu a consultoria nos jantares indevassáveis no Palácio do Jaburu, mas de forma pública, em entrevista à Folha (https://goo.gl/NkkuWn).

O ex-governador Ottomar Pinto era julgado por crime eleitoral. Morreu durante o processo. Seu vice assumiu e foi inocentado. O tribunal entendeu que o responsável pelas contas é o titular da chapa. “Essa é uma pista que se tem dessa matéria, mas será um novo caso, com novas configurações”, disse Gilmar à repórter Tássia Kastner, no ano passado.

Nas alegações encaminhadas ao TSE, a defesa de Temer aceita a consultoria de Gilmar e alega que a indivisibilidade da chapa, apesar do amplo entendimento da corte, pode ser ressalvada, com “temperanças”, na interpretação da norma constitucional. E cita, justamente, como exemplo, o caso de Ottomar Pinto.

O processo 0047011-41.2008.6.00.0000, que tratou desse caso, tinha como advogado do PSDB o mesmo advogado que representa Aécio Neves no processo da chapa Dilma-Temer: José Eduardo Alckmin.

Em país sério, a consultoria no mínimo obrigaria Gilmar a se declarar impedido de votar no caso. Não é o caso do Brasil.

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PROCESSO :

RO Nº 0047011-41.2008.6.00.0000 - Recurso Ordinário UF: RR
JUDICIÁRIA
MUNICÍPIO:

BOA VISTA - RR N.° Origem: 18
PROTOCOLO:

317172008 - 01/10/2008 15:07
RECORRENTE:

MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
RECORRIDO:

JOSÉ DE ANCHIETA JÚNIOR
ADVOGADO:

JEAN PIERRE MICHETTI
ADVOGADO:

ANDRÉ PAULINO MATTOS
ADVOGADO:

FERNANDO NEVES DA SILVA
ASSISTENTE DO RECORRIDO:

PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA (PSDB) - NACIONAL
ADVOGADO:

JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN
ADVOGADO:

AFONSO ASSIS RIBEIRO
ADVOGADO:

GUSTAVO GUILHERME BEZERRA KANFFER
ADVOGADO:

RODOLFO MACHADO MOURA
ADVOGADO:

ANTONIO CÉSAR BUENO MARRA
ADVOGADA:

VIVIAN CRISTINA COLLENGHI CAMELO
RECORRIDO:

OTTOMAR DE SOUSA PINTO
ADVOGADO:

HENRIQUE KEISUKE SADAMATSU
RELATOR(A):

MINISTRO FERNANDO GONÇALVES
ASSUNTO:

AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO - ABUSO DE PODER ECONÔMICO - ABUSO DE PODER POLÍTICO/AUTORIDADE - CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO - CONDUTA VEDADA A AGENTE PÚBLICO - CORRUPÇÃO OU FRAUDE

Luís Nassif
No GGN
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Dia da Terra Palestina

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Senador da Globo bate na mulher?

Lasier, da Globo-RBS, é um dos canalhas, segundo o Requião e o Lindbergh

"Logo após ela ter passado por um processo cirúrgico na barriga, ele teria chutado a região recentemente operada"
Reprodução: Correio Braziliense
Do Correio Braziliense:

Mulher de Lasier Martins registra ocorrência contra o senador por agressão

Com lesões aparentes pelo corpo, a jornalista Janice Santos prestou queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e realizou exame de corpo de delito IML

A mulher do senador Lasier Martins (PSD-RS) afirma ter sido agredida pelo marido em meio a uma discussão, na última terça-feira. Com lesões aparentes pelo corpo, a jornalista Janice Santos prestou queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), na 204 Sul, e realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Ela acusa o parlamentar de lesão corporal e injúria, e diz que esta não foi a primeira vez que sofreu agressões de Lasier. (...)

Eles são casados há quase cinco anos e estão em processo de separação. No depoimento prestado à Polícia Civil, por volta das 10h de terça, a jornalista levou a empregada doméstica da residência, que presenciou a cena, para servir como testemunha. De acordo com Janice, 38 anos, ela já havia sofrido agressões em outras oportunidades, mas não tinha avisado a polícia. Desta vez, porém, decidiu detalhar o caso e garantiu que se trata de um homem “violento e agressivo”. Ela afirma que sofreu chutes nas pernas e que segurava um porta-joias no momento da briga e teve a mão pressionada contra o acessório, o que também deixou lesões aparentes.

Janice contou que, mais de uma vez, foi xingada e humilhada pelo marido. “Dizia que eu era burra, que não entendia nada de política, apenas de moda”, além de chamá-la de “chantagista e paranoica”, segundo relato dado na delegacia. Em outra briga, logo após ela ter passado por um processo cirúrgico na barriga, ele teria chutado a região recentemente operada.

Lasier Martins confirma que está em processo de separação e que ela quer “chantageá-lo” com “denúncias falsas”. “Ela partiu para cima de mim e eu apenas reagi para me defender, sem agredi-la. Ela mesmo se cortou e passou sangue em mim. Ela é louca. Está me chantageando por conta do divórcio. (...)

No CAf
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Metendo a colher no caldeirão

Momento de humor na Oficina – que ninguém é de ferro. Pausa no trabalho para uma brincadeira com Luciano Huck e sua entrevista na Folha de São Paulo.


Invertendo a ordem, como seriam as perguntas que esta Oficina faria a Luciano Huck, a partir de suas respostas dadas por à Folha e aqui apresentadas fora do contexto – mas não muito.

Fale um pouco sobre a sua geração e classe social.

A minha geração tomou as rédeas do dia a dia. Você vê um ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, que tem 48. O CEO da BRF, Pedro Faria tem 42. 

Falando seriamente, nossa geração chegou a um momento em que tem capacidade, saúde, força de trabalho, relevância, influência.

Faço parte desta geração.

E você? Fale um pouco sobre você.

Viajei o Brasil todo.

Minha mãe é urbanista e casada há décadas com o economista Andrea Calabi, que participou ativamente dos principais governos tucanos no âmbito federal e estadual.

Tenho 40 milhões de seguidores nas redes sociais e 18 milhões de pessoas todo sábado assistindo ao programa. Estou na favela, no sertão, em Brasília. Tenho amigos políticos, nas Forças Armadas, na torcida do Corinthians, na favela, no samba, no futebol.

E profissionalmente?

Estou numa fase altamente produtiva, líder de audiência em um espaço relevante e comercialmente viável.

E aquelas vaias no Maracanãzinho na Olimpíada?

Não vou ser unanimidade nunca. Mas estou em paz com minha consciência. Podem não gostar do que eu faço, da televisão que eu produzo, do que eu penso, mas eu sou isso aí.

Uma curiosidade pessoal, brincam muito com o tamanho do seu nariz?

Eu não sou tucano, mas sou muito próximo do Fernando Henrique. O presidente gosta de mim, é meu amigo. Sou amigo do Aécio.

Pretende aproveitar isso para fazer política?

Já faço política, fazendo televisão aberta no Brasil, com o poder que a Globo tem …

Ainda na política, qual a sua opinião sobre o impeachment da presidente Dilma?

Se foi golpe ou se não foi golpe, não importa.

E sobre o governo Temer?

O presidente Michel Temer pode ficar para a história do Brasil se souber usar a impopularidade dele para fazer o que precisa, para corrigir os erros da construção da nossa democracia.

Qual a sua fórmula para um líder de sucesso?

As lideranças no mundo têm que reunir quatro características principais. Carisma é fundamental, capacidade de implementação, acrescenta ética e aí coloca o altruísmo e você encontra os líderes que admiro.

O prefeito de São Paulo, João Doria, é um líder?

São Paulo é um bom exemplo. Sem dúvida. João não é político tradicional, não tem os vícios nem coisas debaixo do tapete que a velha política teve. Isso faz diferença.

E essa história de ser presidente da República, você é candidato?

Não, mas também não te responderia. Se falar isso agora, eu vou estar me colocando. Não é hora. Tem muita gente se organizando para isso, com projeto legal, boas ideias, vontade de botar a mão na massa e vocação pública.

E uma possível dobradinha com o Dória? Uma chapa tipo Rio-Sampa. Vocês dois têm muita afinidade, são da mesma classe social e ambos da televisão.

O que vai acontecer em 2018 está ainda em aberto. Grande incógnita. Temos que ver como vai ser o financiamento de campanha. Quem pode dar dinheiro para campanha de maneira legal.

Para finalizar, qual a sua opinião sobre gente petulante e cabotina?

No final da história, ficarei contente se puder ter melhorado o mundo à minha volta. Espero dar muito trabalho para o meu biógrafo.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia
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Informativo Paralelo — O Triângulo da Maldade


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Moro condena Cunha a 15 anos de prisão. E agora: vai delatar Temer?


Condutor do golpe de 2016, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) acaba de ser condenado pelo juiz Sérgio Moro a 15 anos e quatro meses de prisão, o que pode aproximar o ex-parlamentar de uma delação premiada; Cunha já demonstrou ter munição contra Michel Temer, após entregar o peemedebista em questionamentos sobre irregularidades em recebimento de recursos de empreiteiras, o que para Moro foi visto como uma tentativa de intimidação e chantagem; recentemente, notícias deram conta de que o ex-deputado estava prestes a surtar dentro da prisão, mais um sinal de que pode abrir o bico.
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Representação

Há muito mais operários, trabalhadores no campo e empregados em geral - enfim, povão - do que a soma de todos os empresários, evangélicos, rentistas, latifundiários e etc. do nosso Brasil. O que quer dizer que a grande, a eterna crise que vivemos é uma crise de representatividade. Minorias com interesses restritos têm suas bancadas amestradas no Congresso. A imensa maioria do País tem representação escassa, em relação ao seu tamanho, e o que passa por “esquerda” na oposição mal pode chamar-se de bancada, muito menos de coesa. Só a ausência de uma forte representação do povo explica que coisas como a terceirização e a futura reforma da previdência passem no Congresso como estão passando, assoviando. Os projetos de terceirização e reforma da previdência afetam justamente a maioria da população, a maioria que não está lá para se defender. Li que a lei das privatizações vai ser mais “dura” do que sua versão original, que não agradou aos empresários. Os empresários pediram para o Temer endurecer. Os empresários têm o ouvido do Temer. O povo era um vago murmúrio, longe das conversas no Planalto. 

Não há muita diferença entre o que acontece hoje e como era na Velha República, em que o país era governado por uma casta autoungida, que só representava a si mesma. Agora, é até pior, pois a aristocracia de então não se disfarçava. Hoje, temos uma democracia formal, mas que também representa poucos, e se faz passar pelo que não é.

Claro, sempre é bom, quando se critica o Congresso, destacar as exceções, gente que na sua briga para torná-lo mais representativo quase redime o resto. Que se multipliquem.

Rotação

Da série “quem diria...” Uma das razões para impedir que um comunista chegasse um dia à presidência dos Estados Unidos era o temor que o país passasse a ser governado pelo Kremlin. A possibilidade de um comunista ser eleito era remota, mas o medo era real, e alimentou o macarthismo e as atividades do FBI durante anos. Corta para hoje, e a revelação de que o FBI está investigando a possibilidade de o Kremlin ter ajudado na eleição do... Trump! Um espécime acabado de reacionarismo americano. Outra prova da rotação da Terra.

Luís Fernando Veríssimo
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Muito além das empreiteiras

O avanço mais vistoso, nas ações anticorrupção no Rio, foi a prisão de cinco integrantes do Tribunal de Contas do Estado, mas a importância maior está em uma inovação até ali muito evitada.

Inspirações políticas concentraram a Lava Jato nas grandes empreiteiras, difundindo a ideia de que, combatida essa corrupção, emerge um novo Brasil. As ações no Rio vêm incluir em seus motivos a abordagem, embora limitada, das relações viciosas entre administração pública e os serviços privados de ônibus. As empreiteiras são apenas um verbete na corrupção enciclopédica que esvai não só os cofres federais e de estatais, mas também os de municípios e Estados.

A necessidade de investigação no sistema político-administrativo do Rio vinha de longe. Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, por exemplo, não existiriam sem colaborações ou associações obtidas na Assembleia Legislativa (Alerj) e no Tribunal de Contas (TCE).

O mesmo se passa em governos estaduais e municipais desonestos. Com muita facilidade, note-se, porque os órgãos de controle são das próprias administrações locais. E a vigilância da imprensa é mais do que relativa, dependente de condições políticas, quando não financeiras.

Um caso bom para ilustrar essa situação é o jatinho de Eduardo Campos, envolto em obscuridades na origem e no fim. Passados três anos do acidente, só agora – e parece mesmo que à revelia das "autoridades" no caso – são reconhecidas evidências de que as alegações de propriedade do avião não podiam ser verazes. E com isso, sem que fossem procurados, surgem indícios na Lava Jato de que as artes administrativas em Pernambuco teriam razoável semelhança com as de Cabral.

Quem prefira pode também meditar sobre outro caso ilustrativo: como compras de vagões e outros equipamentos paulistas puderam ser tão irregulares e, depois de denunciadas, tão isentas de investigação? Um governador, um prefeito ou um dirigente setorial não conseguiria fazer tudo isso sozinho, sem companhias decisivas.

Concessões, dispensas de impostos, autorizações, compras e contratações de serviços perfazem um universo de oportunidades que abrange todos os níveis de governo, em toda parte. Há quem possa sair ileso ou quase.

No Brasil, percebe-se que poucos. Para os outros, empreiteiras são apenas socialmente mais fáceis, pelos métodos habituais e pelo convívio nas altas rodas. Mas os demais componentes das oportunidades não mais angelicais, menos ativos, nem menos pródigos.

E dão menos na vista, sobretudo para quem finge não ver, por interesse político ou por aquele outro.

A Mortandade

Rubens Valente é um repórter excepcional. Pelo trabalho e pela seriedade, formou com Fernando Rodrigues e Lucas Ferraz, em Brasília, um trio de "repórteres cavadores" que proporcionou à Folha, por muito tempo, exclusividades preciosas.

Fernando e Lucas, para pesar do leitor, estão fora da Folha. Rubens continua o mesmo, uma nutrição diária do jornalismo. Mas não só. Está lançando, pela Companhia das Letras, "Os Fuzis e as Flechas: história de sangue e resistência indígena na ditadura".

Ainda não conheço o livro. Conheço Rubens, um tanto de índios (apesar de ter a entrada no SPI barrada por falta de maioridade), outro tanto da história brasileira.

Sei que posso recomendar a leitura do livro. Inclusive pela certeza de que é fundamental, para todo brasileiro consciente, ter noção de que o seu país é praticante multissecular de um genocídio, um dos maiores do mundo, que só terminará na última das mortes desejadas pelos devoradores de riquezas naturais.

Janio de Freitas
No fAlha
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