27 de mar de 2017

Pedro Serrano no Seminário "O que a Lava Jato fez para o Brasil"


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Mino Carta e Paulo Henrique no Seminário Intercom


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Gilmar: muito poder, nenhum pudor


Em ótima análise publicada por Luís Costa Pinto no Poder360,  de novo a figura espectral de Gilmar Mendes é iluminada por quem aceita enxergar o óbvio e vê se desenvolver a movimentação de quem é, sob a toga, o mais importante personagem do jogo subterrâneo (e já nem tanto) de poder sem voto.

Os sinais de que se caminha para uma eleição indireta de um presidente da República, à medida que o escasso capital político de Michel Temer se desfaz e vai ficando evidente o risco fatal de não se aprovar a emenda da Previdência nos padrões monstruosos em que se pretende, aumentam sem parar. E, neste caso, ninguém tem o cacife de Gilmar, com a ficha supervaliosa do “estancamento da sangria”.

Diz Costa Pinto:

Mendes atua sem sutileza e sem cerimônia a fim de constituir seu próprio nome como a alternativa. Considera-se o homem providencial. As águas de março, que deram muito modestamente o ar da graça na Capital da República esse ano, foram suficientes para fazer Gilmar Mendes emergir sua vontade secreta de despir a toga trocando-a por capa e espada imaginárias de herói (ou anti-herói). A identidade supostamente secreta do ministro do STF, presidente do TSE, estava submersa a meia água e boiou na lâmina do Lago Paranoá no transcurso desse verão.

Não há dia em que Gilmar Mendes deixe de inventar ao menos um lance destinado a colocá-lo no centro dos peões do tabuleiro. A rainha já foi comida. O rei está cercado. O bispo das pedras pretas seria ele.

Nos cochichos despudorado ou nas polêmicas indecorosas, o Richelieu se apresenta. Mas age, claro, também nas entranhas de um poder que se agiganta na pequenez de seus atos.

Se há vaga no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Gilmar tem candidato. Se há vaga no TSE, idem. Vagou uma cadeira no Supremo? Gilmar foi chamado a opinar entre Ives Gandra Filho – tratorado de forma humilhante – e Alexandre de Moraes. Sinalizou para Moraes. A cadeira de Moraes ficou vaga na Esplanada? Gilmar opinou na sucessão do Ministro da Justiça. Debate-se uma reforma política destinada a dar novos contornos ao ruinoso sistema eleitoral brasileiro? O que pensa Gilmar?, especulam entre si os congressistas e muitos advogados. Agora, até empresários e executivos andam se fazendo essa pergunta e criando o fator “Gilmar” de ponderação. José Serra fez 75 anos e merecia uma festa? Ninguém deu? Pois Gilmar Mendes a promoveu – sem se importar, e sem ser cobrado por isso, se dentro de alguns meses terá de vestir a toga para julgar Serra. O senador paulista será ao menos denunciado na Lava Jato, afinal sua campanha para a presidência em 2010 recebeu US$ 23 milhões de dólares no exterior em ilegalidades confessadas por quem deu o dinheiro – a Odebrecht – e por quem o recebeu – o ex-banqueiro Ronaldo César Coelho. A desfaçatez do afago a um provável réu da Lava Jato, promovido por um ministro do Supremo Tribunal Federal, num convescote considerado “normal e regular” por quem cobre o poder em Brasília, dá a medida da larga avenida por onde passeiam as tropas de Mendes.

O obstáculo natural a pretensão presidencial, o voto popular, está providencialmente afastado por uma feliz conjugação de fatores: um golpe afastou a titular do mandado e o vice que a substitui tem a corda no pescoço no tribunal que Mendes preside e controla. E um vice, agora presidente, que não goza do apreço público e sequer do respeito das elites. “É o que temos”, disse FHC, mas talvez o que logo não se tenha.

A plataforma de lançamento do Movimento Gilmar Presidente, contudo, ainda não pulou do submundinho quase virtual dos bastidores de Brasília para a vida real. Sem ter a necessidade de cabalar votos populares, precisará apenas da maioria num Congresso de 594 votantes se os comandos dados forem seguidos à risca, quando estiver apta a fazê-lo será também a véspera da decisão fatal.

E se você acha que Temer exerce o poder sem pudor, espere para ver o que faria este personagem.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Quem vota em Lula

A aprovação do ex-presidente é recorte perfeito da sociedade brasileira. Ilude-se quem crê que só pobres e ignorantes o elegeriam

O voto em Lula não é um recorte exato da sociedade brasileira
Tudo mundo anda falando no tamanho das intenções de voto em Lula nas próximas eleições e em quanto elas vêm crescendo. Uns ficam tristes, outros alegres, mas todos sabem que é isso que as pesquisas mostram.

Existem, no entanto, muitos equívocos a respeito do voto no ex-presidente. Vêm, de um lado, da informação distorcida que a mídia corporativa dissemina, por não conseguir, ela própria, entendê-lo ou não querer explicá-lo. De outro, derivam da recusa ideológica de parte da opinião pública em aceitá-lo, fruto de seus preconceitos e estereótipos.

Os mais comuns provêm de generalizações precipitadas e erradas. É fato, por exemplo, que Lula tem mais intenções de voto entre eleitores pobres, assim como que sua liderança nas pesquisas é especialmente elevada no Nordeste. Daí, contudo, não decorre que seu voto seja “coisa de pobre e de nordestino”, como se apressam a proclamar os mais toscos.

O mesmo vale para outra tese igualmente sem fundamento, de que o voto no ex-presidente é “coisa de gente ignorante e atrasada”. Sua performance entre eleitores de baixa escolaridade é, de fato, melhor, mas, nas pesquisas recentes, também é fato que está na frente de qualquer adversário nos segmentos de alta escolaridade.

Há quem se ache mais qualificado que outras pessoas, por ser mais rico, ter mais anos de escola ou morar em um estado desenvolvido. Que não gosta de Lula e supõe que sua rejeição é decorrência natural dessa pretensa superioridade. Os que pensam assim precisam saber que estão redondamente enganados e que, além de preconceituosos, são ignorantes.

Na pesquisa CUT/Vox Populi de dezembro, Lula tinha 37% no cenário com Aécio Neves como candidato pelo PSDB, que alcançava 13%. Marina Silva ficava com 10%, Jair Bolsonaro com 7% e Ciro Gomes com 4%. Os indecisos eram 7% e os restantes se dividiam entre outros candidatos, brancos e nulos.

Foi uma pesquisa na qual as perguntas de intenção de voto vinham depois das de avaliação da situação nacional, do atual governo federal e de sua política econômica, bem como das expectativas a respeito de inflação e desemprego. Ou seja, uma pesquisa que convidava o entrevistado a pensar antes de responder em quem votaria. Daí a menor taxa de indecisão, que costuma ser artificialmente elevada quando o questionário começa com perguntas eleitorais.

Lula recebia 26% no Sudeste (mais que a soma de Aécio e Marina), 63% no Nordeste, 38% no Norte e no Centro-Oeste. Seu pior resultado era no Sul, com 22%, ficando o tucano com 15% e Marina com 10%. Ou seja, terminaria o primeiro turno à frente em todas as regiões do País. Liderava nas capitais (com 28%), nas cidades integrantes de regiões metropolitanas (com 30%) nas cidades grandes do interior (com 29%), nas médias (com 41%) e nas pequenas (com 51%).

Ganhava entre jovens (36%), pessoas entre 30 e 50 anos (37%) e aquelas com mais de 50 anos de idade (42%). Entre mulheres (37%) e homens (38%). Entre pessoas com, no máximo, o ensino fundamental (45%), o ensino médio (33%) ou algum tipo de acesso ao ensino superior (25%). Venceria entre as pessoas residentes em domicílios onde alguém recebia o Bolsa Família (61%) e naqueles onde ninguém tinha esse direito (32%).

Com 30%, Lula era o preferido dos entrevistados que se utilizavam diariamente ou quase sempre da internet. Também dos usuários infrequentes (40%) e dos não usuários (51%).

Entre quem sabia de seu indiciamento pelos procuradores da Lava Jato, 37% pretendia votar no ex-presidente, enquanto Aécio obtinha 13% e Marina, 10%. Entre quem desconhecia a iniciativa, Lula tinha 59%.

Em um segundo turno contra Aécio, Lula liderava em todas as regiões e tipos de cidade, entre mulheres e homens, em todas as faixas etárias, em todos os níveis de escolaridade, entre quem recebia ou não o Bolsa Família, entre usuários e não usuários da internet. Nos que sabiam do indiciamento, teria 43% diante do tucano, que ficaria com 21%. O melhor desempenho do mineiro seria empatar com o petista entre as pessoas mais ricas, tendo ficado atrás em todas as demais parcelas.

O voto em Lula não é um recorte exato da sociedade brasileira. As pessoas mais simples, mais pobres, residentes em municípios menores, menos “modernas”, tendem a preferi-lo em níveis mais altos. Mas não perde para ninguém entre os segmentos com atributos inversos.

Votar em Lula é, sim, “coisa de pobre, de nordestino e de gente sem escolaridade”. Mas é também coisa de jovens urbanos, com alta escolaridade, antenados e residentes em áreas ricas. É coisa de todos os tipos de gente.

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Podridão, a carne como metáfora


A carne brasileira está podre. Diz a Polícia Federal e promete provas. Mais gente, à esquerda e à direita, diz que não, que a PF dinamitou um segmento crucial da economia, seja para atender ao cabo de guerra pelo mando na instituição, seja por uma mistura de burrice, prepotência e sedução pelos holofotes. Verdade ou mentira? Não importa. O que importa é que o estrago está feito e as penas do travesseiro estão voando mundo afora. Mas o que me interessa mesmo, aqui e agora, é o poder da metáfora: o Brasil caindo de podre. Não pela carne, que se desconfia mas não tem certeza, mas pela força da alegoria que infecta, enoja e se espalha pelas instituições que, em tese, deveriam proteger a boa saúde do organismo democrático.

O Brasil começou a apodrecer ainda em 2014 quando o candidato vencido nas eleições não aceitou a rejeição das urnas. E, com aliados no Judiciário, no Ministério Público, na Polícia Federal, na plutocracia e, obviamente, contando com as divisões Panzer do baronato midiático, iniciou sua marcha da insensatez. Contra aquela que o derrotou e contra o país. Não era possível aguardar até 2018. Urgia destruir o governo reeleito nem que, para tanto, fosse necessário antes destroçar o Brasil. E assim foi feito: no segundo mandato, Dilma esteve todo o tempo nas cordas, fustigada por fatos ou factoides. Hostilizada por manchetes e denúncias, estas oriundas de vazamentos produzidos para gerar aquelas. Ambas turbinadas para fabricar consensos e ódios.

O abcesso veio a furo naquele baile de monstros do dia 17 de abril de 2016. Quando a nação perplexa viu-se face a face com o horror: uma pantomima mambembe de causar assombro até no universo do cancioneiro brega. O parlamento enquanto picadeiro. A tomada do circo pelos palhaços convertendo o país em chacota do planeta. Corruptos contra a corrupção. As vestais da hora, entre elas seu guru Eduardo Cunha. Corrupção, do latim corruptio, carrega o sentido de deterioração. Um exame microbiológico já detectaria no recinto o crescimento exponencial da taxa de coliformes fecais. Podridão.

Volátil, a patogenia alastrou-se ao vizinho Planalto. Consumada a patuscada trágica, encarapitou-se no poder, sem voto nem vergonha, a mais deplorável chusma que as entranhas políticas do Brasil excretaram nas últimas décadas. Era a “ponte para o futuro”, que um dos comparsas de golpe, Fernando Henrique Cardoso, encarregou-se de escrachar, rebaixando-a à condição de “pinguela”. Hoje, nem isso. Somente uma tropa disposta a executar, a mando do mercado, uma encomenda de pistolagem, emboscando e assassinando os direitos da maioria em troca da salvação do próprio couro.

Infectado, o STF rendeu-se. Enquanto a nação ardia e a besta se arrastava para nascer, limitou-se a tricotar os rendilhados do protocolo, os arabescos da liturgia, os fricotes do formalismo, as piruetas jurídicas, até o grand finale do balé das capas esvoaçantes. Conforme a freguesia, decisões poderiam ser tomadas em vapt-vupt ou serem proteladas por ano e meio. A quem reclamava da tarantela, limitava-se a agitar seu leque como uma frágil e lânguida Dama das Camélias. Antes, porém, o bodum já se esparramara pelos escalões inferiores. Através do chorume dos grampos e das delações premiadas, escoado regular e seletivamente do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, apascentando jornalões, rádios e TVs.

Enquanto poderes e corporações adoeciam, engalfinhando-se em contendas insalubres internas ou externas, a pestilência ulcerou o tecido social, minando sua resistência. Propagou-se um ressentimento sem travas, vizinho da psicopatia. Rancores encobertos vieram à tona, sobretudo entre certa classe média, sempre vivendo entre a inveja do patriciado e o pavor da plebe. O flerte com o fascismo arreganhou o preconceito contra mulheres, negros, índios, nordestinos, homossexuais, pobres, explodindo nas redes sociais e caixas de comentários. Almejar a morte do outro, bater palmas para o câncer, incitar o homicídio tornaram-se práticas banais. Os imbecis perderam a modéstia.

Nada disso ocorreria, porém, se não houvesse um vetor. Que reproduziu, no século 21, sua conduta recorrente demonstrada em 1954, 1964, 1989 e outras datas menos emblemáticas. E contagiou os espíritos. Alimentados dia e noite com a mesma gororoba tóxica, muitos caíram doentes. A baixa imunidade deixou-os à mercê de microorganismos que tumultuam o raciocínio, impedem o discernimento e exasperam a intolerância. Então, brotam os zumbis do pensamento único, incapazes de responder a qualquer questão de baixa complexidade a não ser com os lugares comuns da xenofobia, do racismo, da misoginia.

Quem semeia esse apodrecimento em vida — impondo o regresso do país aos parâmetros políticos e econômicos da República Velha – é o oligopólio da mídia. Embora reitere a ladainha do pluralismo e do compromisso com a sociedade, a ela entrega mercadoria danificada. Constrói santos ou pecadores exclusivamente regulado pelo termômetro dos negócios. Apesar do derretimento como picolé ao sol, o mais grotesco dos presidentes e sua popularidade de 10% ganham avaliação bastante caridosa na imprensa hegemônica. Mas há um problema.

Assim como as boas práticas de higiene ensinam a não misturar carne suspeita com outros cortes para evitar a contaminação de todas as peças, a mídia e Michel Temer estão inapelavelmente juntos perante a história dos últimos e terríveis anos. Partilham o mesmo repertório de bactérias, toxinas, vermes, protozoários e fungos. Faminta, a putrefação progride através da contiguidade. Não há escapatória. Ambos exalam o mesmo fedor inexcedível que engolfa, contamina e degrada o país.

Ayrton Centeno, jornalista
No RSUrgente
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Chilenos saem às ruas em 'maior marcha da história' contra sistema de previdência

Ato pede substituição do atual sistema, privatizado em 1981 por Pinochet, por sistema tripartite; mais de 90% dos aposentados do Chile recebe pensões inferiores a 154 mil pesos mensais (233 dólares)

Chilenos protestam por aposentadoria digna
O movimento No+AFP (Não mais Administradora de Fundos de Pensões) convocou para este domingo (26/03) um novo ato contra o sistema previdência do Chile, privatizado em 1981. Atos em todo o país, apoiados por diversas organizações sociais e trabalhistas, fazem da manifestação “uma das marchas históricas, talvez a maior da história”, afirmou Luis Mesina, porta-voz do movimento, durante entrevista coletiva neste sábado (25/03).

Segundo os organizadores, cerca de 800 mil pessoas participaram do ato em Santiago, totalizando mais de 2 milhões em todo o país. A polícia chilena, por sua vez, cifrou em 50 mil o número de participantes. No ano passado, cerca de 1,3 milhão de pessoas saíram às ruas em todo o país em agosto, e 750 mil manifestantes participaram da marcha anterior, de 24 de julho.

“Chamamos todas as famílias trabalhadoras do Chile para marchar massivamente este domingo para deixar claro que não queremos mais AFP, nem privada nem estatal, e não toleraremos reformas cosméticas que não dão solução real às baixas pensões nem à farsa permanente das quais os trabalhadores chilenos têm sido vítimas há mais de 36 anos”, declarou Mesina. O dirigente ainda afirmou que espera “que isso gere um impacto e vençamos esta indolência de parte das autoridades políticas que não querem escutar este clamor que pede a restituição de um direito fundamental”.

No ano passado, a presidente Michelle Bachelet propôs um projeto de lei de reforma do sistema previdenciário, mas que não eliminaria o regime privado, agregando a este uma espécie de AFP estatal. “Deveremos realizar mudanças dos parâmetros utilizados para avaliar as pensões e assegurar que o sistema não só seja justo como também sustentável”, afirmou Bachelet. “Iremos criar uma administradora de fundos estatais que acolha os trabalhadores que hoje carecem de cobertura previdenciária”, acrescentou.

As AFPs, empresas dedicadas a gerir o dinheiro dos contribuintes reservados à aposentadoria futura, surgiram durante a ditadura militar de Augusto Pinochet, que buscava uma forma de superar a crise econômica investindo as contribuições dos trabalhadores no mercado de capitais. Em poucos meses, surgiram no país 14 novas companhias dedicadas a este mercado, que prometiam uma aposentadoria de luxos e extravagâncias.

O movimento No+AFP propõe a substituição das administradoras por um sistema de distribuição com caráter tripartite e solidário, com financiamento por parte do empregador, Estado e trabalhador. Atualmente, mais de 90% dos aposentados do Chile recebe pensões inferiores a 154 mil pesos mensais (233 dólares), quase a metade do salário mínimo legal. O valor da aposentadoria que os trabalhadores recebem é determinado pela flutuação do mercado e o rendimento dos fundos alimentados pelos assalariados que depositam mensalmente nas AFP 10% de seu salário bruto.

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Olympio Guilherme, um brasileiro em Hollywood

 Fascinante 


Olympio Guilherme é um dos personagens mais interessantes e pouco conhecidos da história do Brasil.

Natural de Bragança Paulista, começou no jornalismo com Casper Líbero, em A Gazeta, em São Paulo. Muito bonito, foi a primeira grande paixão de Pagu, a musa dos modernistas.

Ouvi falar pela primeira vez dele através de Oswaldo Russomano, tio da minha primeira esposa. Tato, como era chamado, foi convidado pelo amigo Olympio Guilherme para administrar o Observatório Econômico, revista semanal de grande prestígio, de propriedade de Valentim Bouças, o brasileiro que trouxe a IBM para o Brasil, para imprimir os holleriths do setor público.

Há alguns anos, Antônio Sonsin, também bragantino, começou a levantar a vida de Olympio. Neste domingo à tarde, conversamos longamente sobre seu trabalho.

Sonsin interessou-se por Olympio a partir das conversas com Chico Ciência, historiador em Bragança Paulista. Em 1967, aos 17 anos, musiquei uma peça de Chico, que acabou vetada pela censura da época, resultando em uma passeata de protesto em Campinas e a apresentação da peça nas escadarias da PUC. Sonsin está de posse da peça e ficou de me mandar.

Em suas andanças, acabou descobrindo a única filha de Guilherme, atualmente morando em Londres, que herdou os arquivos do pai. Aliás, a família e os amigos só souberam de sua existência no seu velório quando e menina, de 14 anos, apareceu pranteando o pai.


Com vinte e poucos anos, Olympio foi para Hollywood, através de um concurso da Fox, para escolher uma mulher e um homem brasileiros, para lança-los em Holywood.

A mulher escolhida foi Lia Torá, uma beleza de mulher sobre a qual falaremos em outra oportunidade.

O concurso terminou sem um representante masculino. Incentivado por Pagu e pelos amigos, Olympio acabou se inscrevendo e foi escolhido.

Chegando em Hollywood, descobriu que caíra em uma peta. Na verdade, o concurso fora apenas para promover a Fox no Brasil. Mesmo assim, chegando em Hollywood, Olympio passou a se virar e produziu um filme em preto e branco sobre a fome – que campeava no país após a crise de 1929. O filme foi vetado porque interessava à indústria cinematográfica levantar o moral do país e consideraram o filme muito deprimente.

Quando morreu Rodolfo Valentino, o poeta Guilherme de Almeida invocou que ele seria o próximo Valentino. Não falava inglês, mas ainda estava na fase dos filmes mudos.

Enfim, Olympio Guilherme voltou para o país em fazer a América. Decidiu, então, estudar economia e acabou indo trabalhar com Valentim Bouças. Quando Valentim precisou voltar para os Estados Unidos, colocou-o para dirigir o Observador Econômico.

Na entrevista, Sonsin relata alguns feitos de Olympio Guilherme. Na revista, um de seus focas era Carlos Lacerda. Aliás, Tato me contava as broncas que Olympio costumava dar no foca.

Mas foi uma reportagem pedida a Carlos Lacerda – de descrever o Partido Comunista, ao qual ele era filiado – que resultou no seu rompimento com o PC e em seu mergulho na direita. No artigo, Lacerda desancava sem dó seu antigo partido.

Olympio também trabalhou no DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda de Getúlio), sendo o responsável pela área de rádio e música. Coube a ele combater os sambas que incensavam a malandragem.

Sonsin relata, em detalhes, o episódio em que Olympio leva um tiro na boca de Assis Chateaubriand. Ele corrige a versão de Fernando Moraes na biografia de Chatô e evita que eu cometa o mesmo erro na biografia de Walther Moreira Salles – que deve ter sido também a fonte de Fernando.

Enfim, na entrevista vocês terão um pouco do grande homem que foi Olympio Guilherme.



Luís Nassif
No GGN
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Temer autoriza demissões de concursados dos Correios

Vários funcionários coxinhas dos Correios gritaram Fora PT.
Um dia após a aprovação da lei que autoriza a terceirização indiscriminada de todas as atividades de uma empresa, os Correios saem na frente e começam seu programa de demissão involuntária. O PDI dos Correios prevê a dispensa de um grande número de seus funcionários concursados que estão sob o regime da CLT.

O presidente dos Correios, Guilherme Campos, vai anunciar em breve a mais polêmica decisão da história da estatal, diante da séria crise pela qual passa: o programa de Dispensa Motivada – na qual terá de demitir servidores para a empresa sobreviver.

O PDI – Programa de Dispensa Involuntária, no qual 5,5 mil funcionários deixaram a empresa, não foi suficiente para parar a sangria. Na Dispensa Motivada, ainda não há um número, mas a direção já faz levantamento de quais setores serão atingidos.

A direção dos Correios prepara sua defesa jurídica baseada no artigo 173, Parágrafo 1, Inciso II da Constituição, que permite adotar em empresa pública o regime jurídico de empresas privadas. E há brecha legal também para a Dispensa Motivada no Artigo 165 da CLT, na qual a estatal poderá alegar o grave quadro financeiro e econômico.

O cenário ocorre no momento em que a Câmara Federal aprova a lei da terceirização para o mercado de trabalho – embora este tema não esteja em debate na estatal.

Os funcionários já foram avisados da suspensão das férias. O clima na estatal é de tensão e os sindicatos já começam a articular protestos e paralisações.

No Limpinho & Cheiroso
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Deputado Paulo Pimenta entrevista um Coxinha Arrependido.


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Bemvindo: "Ih Faiou!" Fiasco da Direita No Domingo


Deu chabú nas manifestações da Direita convocadas para domingo passado. O que foi isso?A onça está morta?









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Manifestações do MBL fracassam – Fiasco deve ser desastroso para Lava Jato




A Avenida Paulista está congestionada de caminhões, são nada menos que seis trios elétricos gigantescos (o que mostra que os grupos estão muito bem financiados). Curiosamente, contudo, faltam manifestantes para preencher o vazio na frente do MASP, como revela a foto postada pela Globo agora há pouco. Como publicamos no Cafezinho, os números do Facebook apontavam um grande desastre para o MBL e o VEM PRA RUA nos protestos de hoje.  As primeiras coberturas confirmaram essa análise.


A Folha de São Paulo fala em “baixa adesão” mas isso é puro eufemismo. Na verdade, se trata de uma completa deserção da classe média dos seus “movimentos” de direita. É a mesma conclusão que se tira dos dados expostos pela Globo na reportagem Cidades pelo país têm manifestações a favor da Lava Jato neste domingo. A arrogância da direita recebeu um duro golpe e, daqui para frente, terá que andar com a crista muito baixa.

E isso terá grandes consequências, é óbvio, para a Lava Jato. A começar pela retomada no Congresso da lei de abuso de autoridade. Dificilmente, embora venha desconversando, Eunício Oliveira (PMDB-CE) deixará de votar a lei no Senado, nesse momento de enfraquecimento da Lava Jato e de indiferença da classe média pelo combate à corrupção.

O que explica o desinteresse da classe média ao chamamento dos seus movimentos de direita? O motivo principal é o mais óbvio possível: a classe média, que tantas vezes correu iludida para as ruas, vestindo a camisa amarela da CBF e portando o patinho de borracha da FIESP, acordou do sonho dentro de um pesadelo. Parte significativa da classe média é formada por funcionários públicos e eles estão sob a ameaça de perdas de todo tipo: o congelamento dos salários para atender ao ajuste fiscal, o fim da aposentadoria, a perda de garantias trabalhistas. Outra parte significativa desse grupo, é a de profissionais liberais, pequenos empresários e negociantes, igualmente triturados pela crise. Enfim, são muitas pauladas na cabeça.

Em troca do combate fictício, ou, no máximo, pontual e seletivo, à corrupção, as massas da classe média descobrem que serão tratadas como cães danados. Ou seja, à pauladas.

Serviram de recheio, de massa de manobra, formaram as legiões de zumbis amarelos que gritavam vivas à PM e aos militares, e pediam o fim do governo Dilma. Mas, mal acabaram as tomadas abertas, em que era preciso uma multidão de figurantes (tão idiotas que até compraram a indumentária e bancavam o deslocamento para as locações), a deslumbrada classe média foi posta entre os alvos a serem liquidados.

Ela já pode se preparar para se tornar uma “nova classe média”. Aquela classe média que, no projeto de Lula, cabia aos pobres periféricos (mas para eles tornar-se  “nova classe média” era ascensão social), é o que Temer projeta para o futuro da classe média atual, ou seja, poderão comprar seu eletrodomésticos no Magazine Luiza e pagar o plano do smartphone. Não muito mais que isso.

Ela já deve ter começa a sentir uma imensa saudade dos anos de Lula e do PT em que foi, infelizmente, paparicada e tratada a pão de ló. Nesse período, toda a frota de veículos da classe média foi trocada, muitos compraram carros de luxo, a maioria viajou ao exterior, com os altos salários, em especial no funcionalismo público, a classe média investiu em imóveis e deu o pontapé inicial para os filhos prosperarem nos negócios.  Agora tudo ruiu.

Com o nítido recuo da classe média das ruas, quem mais perde cobertura é a Lava Jato. Apavorada diante da perspectiva de votação da lei contra o abuso de autoridade, não será surpresa se, já na próxima semana, comecemos a deparar uma avalanche insana de vazamentos contra os políticos à frente da mobilização em favor daquela lei.

Se a lei for aprovada, é provável que já no dia seguinte, Moro diga a nação que, como já havia anunciado mais de uma vez, está cansado e precisa de alguns anos de férias. Aproveitará o descanso para estudar nos Estados Unidos. Feito isso, então, passará a ocupação para outro. E esse pode bem ser o lúgubre fim da Lava Jato.

Bajonas Teixeira
No Cafezinho



O fiasco do protesto do MBL sinaliza o cansaço do morismo e a falta de rumo da direita xucra

Tão divulgado nas redes sociais, o protesto deste domingo, 26 de março, foi um fiasco completo.

A Paulista foi tomada por defensores da ditadura militar e por cidadãos que precisam toda hora se explicar por que pedem a prisão de Lula e não a de políticos do PSDB e de outros partidos.

“Salve a nação brasileira! Eu sei que é difícil para muitos, mas o fechamento do Congresso Nacional é importantíssimo. 93% dos deputados não valem nada e eu sei disso porque fizemos enquetes na internet. Quero agradecer a oportunidade de externar tudo o que passei quando fui tenente em 1966. Eu tive o Lula comigo nas dependências do DOI-CODI. Infelizmente ele sobreviveu!”, vociferou um ex-militar ao microfone.

Poucos minutos antes, ele defendia que o ex-presidente deveria ter sido morto. “Lula deveria ser enforcado”.

O Movimento Brasil Livre, de Kim Kataguiri, passou a tarde tentando explicar porque seu movimento pede o fim da corrupção apoiando os governos de Temer e João Doria Jr.

Reuniu os militantes que ovacionaram até mesmo o vereador Fernando Holiday, acusado de caixa dois em sua campanha.

“Eles falam que o impeachment foi uma grande manobra para acabar com a Lava Jato. Falam que a gente colocou pressão pra acabar com a operação”, falou Kataguiri.

“Mas, ao mesmo tempo, a esquerda diz que a Lava Jato é uma perseguição contra o Lula concorrer em 2017. Peraí, se o impeachment foi contra a Lava Jato que persegue o Lula, então a gente foi pras ruas pela candidatura do Lula?”

Não colou. Fernando Holiday comemorou as “vitórias” do MBL. “Tiramos um governo que apoiava verdadeiras ditaduras no mundo, como a cubana”. Nem um pio sobre as acusações que pairam sobre ele.

A Paulista estava tão vazia que ciclistas que utilizam a avenida circulavam normalmente em alguns pontos, enquanto alguns manifestantes reclamavam das ruas sem carros. O único consenso entre os movimentos de direita era Lula na cadeia. Alguns poucos lembraram de Sergio Moro.

Kataguiri em ação
Kataguiri em ação
Ivone tem 58 anos e veio com uma cola para explicar por qual razão ela veio protestar. “Peraí, deixa eu pegar um papel aqui”. Ela veio pelo fim do foro privilegiado, mais investimento para educação e mais programas culturais. E sobre a blindagem do PSDB? “Acho que todos devem ser punidos”, defendeu.

Com 63 anos, Heloísa acha que Jair Bolsonaro é um ótimo candidato a presidente. “Eu gosto muito dele. Nós estamos sendo constantemente enganados e toda essa gente deveria estar na cadeia. Até o Alckmin deveria ir pra cadeia”.

“Ele é um candidato como qualquer outro. Se a população entender que ele deve ser o presidente, que ele faz jus a situação, ele pode vencer. Mas Jair Bolsonaro precisa se preparar para conseguir isso”, afirmou Valdir, que tem 69 anos e foi na manifestação do Vem Pra Rua.

“Vou te falar uma coisa sobre o Bolsonaro presidente. Eu acho bem possível que ele ganhe. Lembra que o pessoal votou no Tiririca em protesto? Acho que ele vai levar dessa forma”, completou Emerson, que tem 40 anos e estava vendendo bandeiras do Brasil por R$ 20.

A avenida estava mais vazia do que no dia do pronunciamento de Lula na greve geral. Nenhum dos manifestantes se identificava como direita xucra e todos achavam lamentável a briga de colunistas como Reinaldo Azevedo e Joice Hasselmann.

Era difícil encontrar gente na Paulista com menos de 35 anos. Na frente do Shopping Cidade São Paulo, um quarteto de violinistas tocava para conseguir alguns trocados.

Os violinos eram os do Titanic da direita xucra e de seus ídolos.
Carro alegórico da Unidos da Coxinhice
Carro alegórico da Unidos da Coxinhice

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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Por motivos opostos, Temer e Sociedade lutam contra o relógio


Enquanto o governo, visto até por ele mesmo como ilegítimo, acelera a agenda reprovada seguidas vezes nas urnas, o povo dá sinais cada vez mais fortes de repúdio ao desmonte do estado social. O tempo é cruel contra o Brasil e os brasileiros. Cada dia que passa é, literalmente, um dia a menos. Preocupada, a sociedade agora luta contra o pior porque sabe que “o tempo não para”.

“Reação, já!” é o único grito que importa e são muitos os motivos para crermos que invertemos o jogo. A narrativa que prevalece, fator tão importante na guerra de propaganda, é a da revolta contra medidas que resgatam a escravidão e lançam à própria sorte os trabalhadores, verdadeiros motores da economia nacional.

A falta de adesão aos movimentos sem sentindo do MBL e assemelhados, por exemplo, representa uma dura resposta de uma camada da sociedade que se viu enganada e traída pela falácia do combate à corrupção. Há vídeos surpreendentes de pessoas que até recentemente estavam do “lado de lá” e que agora revelam preocupação com a perda dos direitos sociais e do trabalhador.

Movimentos Sociais, Partidos Progressistas, Centrais Sindicais e outras frentes de resistência são agora vistas como a bússola. A maioria quer gritar contra a pauta do retrocesso. O povo demorou a perceber o que realmente ocorreu. Atônito, foi visto até como omisso por alguns setores mais esclarecidos. Era difícil lutar contra a palavra dos “especialistas” que mentiam diariamente na TV, rádio, internet, jornais e revistas. A promessa da Globo e dos seus tentáculos era de um Brasil perfeito após a queda de Dilma.

Se é verdade que a lentidão para iniciar os protestos parecia um atestado de que a sociedade estava disposta a ignorar o fato de que o terror do golpe é ininterrupto, também é verdade que o crescente desejo de barrar o (des)governo Temer começa a preocupar alguns políticos que fizeram parte da tramóia que violentou a Constituição. Temer derrete e por isso quer acelerar o próprio relógio.

A grande contradição das frentes de oposição residia em trabalhar como se houvesse normalidade das instituições e ao mesmo tempo denunciar o golpe. Agora, com a adesão popular cada vez maior, está claro que golpe é golpe! Todos sabem quem é quem neste circo dos horrores. Está claro para a maioria que a agenda do golpe é um desequilíbrio de classes. É a farra do 1%.

O repúdio ao golpe também começa a ser ininterrupto. O mês de março foi decisivo para consolidar o desejo, cada vez maior, que a sociedade tem de impedir o avanço da agenda neoliberal. Os cidadãos, sobretudo as mulheres e os jovens, que mais sofrem as consequências do golpe, engrossm o coro das ruas na luta contra o desmonte do Brasil e do estado social.

As pessoas que não acompanham muito a política começam a perceber mais facilmente os danos ao Brasil e ao seu povo a cada votação ou a cada “canetada” de um presidente fraco e visivelmente manobrado pelos patrocinadores do assassinato da Constituição. Por isso, crescem os movimentos de resistência.

As convocações feitas para manifestações contra o (des)governo Temer ganham mais e mais apoio do povo. Nas redes sociais e no debate em torno da necessidade de impedir o avanço do golpe há um sentimento comum de que é a hora de ocupar as ruas para evitar o pior. Tudo isso sem o apoio da velha imprensa.

A turma do golpe agora é vista como realmente é. Pessoas que até recentemente apoiavam o impeachment de Dilma Rousseff perceberam que foram enganadas por uma propaganda falsa. Agora todos sabem que eram os corruptos que gritavam contra a corrupção e que aquele era o único caminho para chegarem ao poder e não serem apanhados.

O relógio é o mesmo para todos, mas as motivações são diferentes. A hora é de luta, pois o que está em risco são os direitos trabalhistas, previdenciários e o estado social como um todo. O povo está disposto a reagir. Manifestações e Greve Geral são as armas escolhidas e vistas como as mais eficientes contra a máquina de moer direitos que foi ligada no pós-golpe. O povo “faz a hora, não espera acontecer”.

Wellington Calasans
No Cafezinho
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Ô, fAlha de S. Paulo, VTNC!


O perfil da "Folha de S.Paulo" no Twitter (@folha) tem cerca de 5,6 milhões de seguidores. Às 11h20 de hoje, dia que os patetas do Movimento Brasil Livre (MBL) escolheram para fazer um protesto pelo país para defender a Lava Jato, repetir xingamentos a Lula, a Dilma, ao PT, aos bolivarianos, mandar os comunistas para Cuba e para a Venezuela, gritar que nossa bandeira não é vermelha, clamar pelos militares, masturbar-se por Moro e exaltar Bolsonaro, o perfil da "Folha" no Twitter publicou o post da foto que acompanha esta meu breve relato.

Quem bate o olho e vê "Ato na Paulista..." seguido da foto da multidão com o inefável Pato Amarelo imagina o quê? Ora, ora, ora, estão todos na rua de novo, vamos pra lá, vamos ocupar a Paulista, cadê minha camisa da CBF?, vamos lá para... Para o quê, mesmo?

Ocorre que a foto é de 2016.

Vou repetir: a foto é de uma manifestação qualquer de 2016, uma daquelas pró-impeachment. Esta informação está, inclusive, na legenda da foto da matéria -- que se o usuário do Twitter se der o trabalho de abrir, fala que o tal protesto começa às 14h.

Mas quem bate o olho apenas na tuitada, que é o que a maioria faz, inclusive porque a matéria é só para assinantes (está aqui, caso alguém queira ver: https://goo.gl/SP0wsI, imagina na hora que os patos amarelos voltaram às ruas para glorificar Moro, celebrar seus mandados de condução coercitiva, aclamar seus vazamentos cuidadosamente selecionados, louvar seus paletós, camisas e gravatas negras, ah, tem gente que fica até de piupiuzinho duro.

Na boa, não sou ombudsman do jornal. Se fosse, esculhambaria publicamente esse desvario, essa deformidade de caráter, e pediria demissão. Mas quando uma monstruosidade dessas é cometida voluntariamente e atinge tantas pessoas (5,6 milhões de seguidores, repito), me sinto no dever de gritar alguma coisa, ainda que ninguém escute.

Quem cuida de tuitadas num grande jornal deve ser algum frangote/a recém-saído/a da faculdade, ou nem isso. Terceirizado/a, certamente.

Ah, coitado/a, cumpre ordens.

O cu.

As pessoas têm obrigação de saber que estão sendo usadas para fazer uma sacanagem. Ninguém é obrigado a ser filho da puta, sob ordem de ninguém.

Assim, "Folha", de novo: vá à puta que pariu. E você, estagiário/a que fez isso: vá junto.

Flavio Gomes
No Esquerda Caviar
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