14 de mar de 2017

Se não for candidato, Lula vai apoiar a chapa Ciro e Haddad

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2017/03/14/se-nao-for-candidato-lula-vai-apoiar-a-chapa-ciro-e-haddad/


O plano A da disputa de todos os petistas e mesmo da maioria dos movimentos sociais e do campo popular para 2018 é Lula. Há uma clara percepção de que se a sua candidatura for possível, ele tem imensas chances de vitória.

Nas contas de alguns petistas, Lula pode chegar nas pesquisas de abril batendo nos 40% de intenção de votos no primeiro turno.

E isso levará parte do empresariado a reabrir pontes com o petista.

Nos últimos dias, aliás, Lula já estaria sendo procurado por representantes do setor produtivo que estão incomodados com a política econômica de Temer e com o excesso de neoliberalismo do seu governo.

A percepção é que essa política está tirando a já baixa competitividade dos produtos nacionais.

Lula tem dito que não vai deixar de lutar pelo Brasil, mas que sua prioridade atual é se defender das acusações injustas que sofre.

Ao mesmo tempo que não nega sua possível candidatura, tem elogiado Ciro Gomes e sinalizado que o PT não precisa ter a cabeça de chapa.

Lula, inclusive, fez questão de chamar Ciro Gomes para a inauguração alternativa das obras do Rio São Francisco. Neste domingo, Lula, Ciro e Dilma estarão juntos na Paraíba. É um sinal de que ele não pretende ter o cearense como adversário. Ao contrário, quer Ciro ao seu lado.

Se por algum motivo sua candidatura for inviabilizada, Lula pretende sair a tiracolo com o ex-ministro e considera que o PT poderia oferecer como vice o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Ciro e Haddad tem boa relação, se respeitam e aceitariam o projeto. Ao mesmo tempo sabem que o Plano A é Lula. E neste caso há quem defenda que o petista chame Ciro para ser seu vice.

Essa operação é mais questionada. Lula não tem debatido isso publicamente, mas há muita gente no PT que chama essa chapa de pão com pão. Ou seja, Ciro não traria votos novos a Lula. Ao mesmo tempo, o golpe em Dilma fez com que muitos passassem a defender um vice completamente alinhado. Ciro só deu demonstrações neste sentido desde 2002.

Ou seja, quem acha que para o campo progressista só há uma opção, no caso Lula, é melhor começar a observar com mais carinho os sinais do ex-presidente. Ciro é seu plano B, com Haddad de vice.
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Xadrez do TSE, Temer e os bodes expiatórios


A lista da Odebrecht e demais empreiteiras está gerando duas estratégias do chamado fogo de encontro.

A primeira, o contragolpe de Michel Temer, para impedir sua cassação, com duas etapas bastante nítidas.

Primeiro, a imprensa solta um conjunto de reportagens tentando construir um clima de otimismo. Depois, martela-se na tecla que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não poderia impichar Temer para não expor o país a nova crise política e econômica.

A segunda estratégia em andamento é a do PSDB paulista – que tem dois notáveis nas delações (José Serra e Geraldo Alckmin). Consistirá em encontrar um bode expiatório no Tribunal de Contas do Estado (TCE), repetindo a estratégia de despiste do caso Alstom.

Peça 1 – o fator Temer

Primeiro, analisemos Temer.

O nome da crise é Temer e sua saída é condição necessária para tentar se recompor minimamente o tecido social e político e sair da crise.

Argumento 1 – o governo Temer é essencialmente corrupto

A esta altura, nem mesmo cegos políticos duvidam das vulnerabilidades morais do governo Temer. Montou um Ministério coalhado de políticos suspeitos, empenhados em fazer negócios rapidamente, ao preço do desmonte de políticas públicas arduamente construídas no período da redemocratização.

Argumento 2 – por sua ficha, Temer está sujeito a chantagens

O próprio Temer é um político marcado para morrer politicamente. A dúvida é se será antes ou depois de terminar o governo. Como deputado, comandou a mais suspeita organização de deputados que passou pelo Congresso pós-redemocratização – Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Eduardo Cunha.

No exercício da presidência, Temer abrigou no governo – na condição de assessores especiais – dois empresários com os quais provavelmente mantém relações de negócios: José Yunes e Sandro Mabel.

As inúmeras ilegalidades cometidas ao longo de sua carreira política o expõem a toda sorte de chantagens. Depois que ameaçou revelar algumas delas, Eduardo Cunha voltou a ter influência no governo, conseguindo nomear lugares-tenentes para cargos chaves, conforme denúncia do presidente do Senado Renan Calheiros..

Não apenas isso. Os Yunes – pai e filho – se meteram em um rosário de offshores em paraísos fiscais, e possivelmente estão enredados nos esquemas de captação de recursos de Temer, conforme a delação do ex-diretor da Odebrecht – que apenas tangenciou as relações comerciais do grupo.

É uma série de bombas-relógio que irão explodindo ao longo dos próximos meses.

Argumento 3 – reformas e falta de legitimidade

O fato de Temer ser politicamente pequeno e moralmente vulnerável coloca em xeque todas as maldades planejadas contra os contribuintes. Como empurrar goela abaixo da população a reforma da Previdência e a reforma trabalhista, sob o comando de um presidente ilegítimo e moralmente vulnerável?

Só um completo sem noção alegará, como fez Temer, que sem a reforma da Previdência todas as políticas sociais ficarão comprometidas. Ora, a Previdência – com sua parte de assistência social – é a maior rede social do país, a viga mestre das políticas sociais.

Argumento 4 – reformas e economia

A ideia de que a aprovação das reformas imediatamente despertará os investidores é falsa por vários motivos. Nenhum investidor de longo prazo considerará consolidadas reformas draconianas impostas por uma coalizão de força em um momento específico da história – a não ser que se aposte que o Estado de exceção é irreversível.

Além disso, a estratégia de desmonte do Estado nacional, perpetrada pela equipe econômica, deixou a economia sem nenhum fator de recuperação – nem demanda das famílias, nem novos investimentos privados. O papel contra cíclico dos gastos fiscais foi deixado de lado devido às posições eminentemente ideológicas da equipe econômica.

Peça 2 – o fator PSDB de São Paulo

No domingo, a Folha cometeu outra pós-verdade na manchete principal: “Andrade Gutierrez diz que subornou o Tribunal de Contas de SP” (https://goo.gl/CfvoAD).

Os autores da reportagem são sérios. O prato feito que receberam, dificilmente.

A reportagem criou a figura de um suposto candidato a delação premiada. Ou seja, nem delator é, logo não pode ser identificado.

O candidato a delator, suposto executivo da Andrade Gutierrez, informou que subornava um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que, por sua vez, repassava a propina para seus colegas, para fechar os olhos às irregularidades dos contratos.

A estratégia foi utilizada com muito sucesso no caso Alstom. Denunciou-se um conselheiro, Robson Marinho, que havia sido Chefe da Casa Civil do governo Covas. O escândalo perpassou os governos Alckmin e Serra. Nas denúncias do Ministério Público Estadual e no Federal, não havia a figura de nenhum político, apenas funcionários de segundo e terceiro escalão e o conselheiro Robson Marinho.

No caso do MPF, a maneira como escondeu os políticos tucanos foi escandalosa, com o procurador Rodrigo De Grandis evitando atender aos pedidos do Ministério Público suíço, apesar de cobrado pelo Ministério da Justiça. A maneira como a corregedoria do MPF o absolveu comprovou de maneira enfática a partidarização do poder.

Agora, quando as delações chegam novamente nos políticos paulistas, cria-se uma denúncia em cima de um conselheiro, Eduardo Bittencourt de Carvalho, há 6 anos afastado do TCE. Bittencourt era um aplicado tucano que em 2002 adquiriu os bois da fazenda de Fernando Henrique Cardoso por preço de gado inglês.

Foi afastado do TCE por suspeita de enriquecimento ilícirto, mas jamais foi influente junto aos seus pares. E jamais poderia ser personagem central dos escândalos da Andrade Gutierrez no estado. Afinal, para conseguir contratos irregulares o suposto candidato a delator tratou provavelmente com Paulo Preto, com autorização de José Serra e Geraldo Alckmin. A parte de Bittencourt foi menor: apenas fechar os olhos para a maracutaia.

Peça 3 – aguardando a lista

Nos próximos dias certamente haverá novos movimentos visando blindar políticos do PSDB. Gilmar Mendes transformou-se no melhor advogado com que o PSDB e Temer poderiam contar.

No entanto, a soma de vazamentos envolvendo Serra e Aécio assumiram tal dimensão que mesmo o tíbio Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot provavelmente não terá alternativa a não ser citá-los nas denúncias que encaminhará logo mais ao Supremo.

Luís Nassif
No GGN
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Prefeito de Rio Grande fala sobre o Desmonte do Pólo Naval (Vídeo Gravado ao Vivo)


Contundente discurso do Prefeito de Rio Grande Alexandre Lindemeyer, mostrando o Golpe contra o povo, os trabalhadores e a nação Brasileira, que é o fim da obrigatoriedade de Conteúdo nacional na Construção de Plataformas de Petróleo e na Indústria Naval. O Discurso foi proferido em Audiência Pública Especial da Assembléia Legislativa do RS na região. A fala do Prefeito já diz a razão deste post: Veja e ouça:



No Luíz Müller Blog
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Cartas à mesa Moro condenar Lula, a Suruba estancar Caixa 2 e a Sangria


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O depoimento de Emílio Odebrecht foi uma brutal decepção para quem esperava uma bomba contra o PT — assista






Para a direita, o depoimento de Emílio Odebrecht na Lava Jato não poderia ser mais frustrante.

Emílio comandou a Odebrecht até 2002, quando foi substituído na direção executiva por seu filho Marcelo.

De lá para cá, preside apenas o Conselho de Administração. Ele falou na condição de testemunha arrolada pela defesa de Marcelo.

Emílio disse tudo que não querem ouvir os interessados na tese de que o PT inventou a corrupção.

Caixa 2, ou doação não contabilizada, afirmou, é uma coisa que existe desde tempos imemoriais. E todos os partidos — não apenas o PT — foram sempre beneficiados por elas.

Emílio Odebrecht disse ainda que não sabe se o “Italiano” que aparece nas planilhas de caixa 2 da empresa é ou não Palocci.

“Eu seria muito irresponsável se dissesse que é o Palocci”, afirmou. “Outros descendentes de italianos na Odebrecht também eram conhecidos assim.”

O depoimento foi por videoconferência. Na matéria que deu sobre o assunto, o Estadão disse que Moro decidira tratar o depoimento como sigiloso.

No pé do texto, porém, havia um vídeo vazado da fala. (Pausa para uma gargalhada.)

A imagem de Emílio não apareceu no vídeo, para “preservá-lo” — seja lá o que isso queira dizer. Você via apenas, em metade do vídeo, Moro e uma representante do Ministério Público. A outra metade mostrava só uma parede.

Moro não fez perguntas no início. Limitou-se a apresentar o depoimento. As questões, no começo, ficaram por conta da defesa de Marcelo Odebrecht.

Foi interessante ver Moro como ouvinte. A câmara não saiu dele. Moro parecia não prestar muita atenção. Folheava alguma coisa enquanto as perguntas eram feitas e respondidas.

Essa impressão se reforçou quando, no final, Moro tomou a palavra. Ele de cara perguntou a Odebrecht quando ele deixara a presidência executiva da companhia. Ela já dissera que fora entre 2001 e 2002.

A representante do MP também fez suas perguntas, que nada contribuíram para o conteúdo do depoimento. Ela pareceu achar estranho que donos de grandes empresas se encontrem com presidentes da República e ministros para tratar de assuntos diversos.

Emílio Odebrecht foi muito elogioso em relação a Palocci o tempo todo. Ele aproveitou a ocasião para desmentir que houvesse um “Departamento de Propinas” na empresa, ao contrário do que vem apregoando a imprensa.

A direita esperava uma bomba contra o PT, Lula, Dilma e Palocci. Não veio a bomba. Apenas a explanação cândida de um velho e rodado empresário sobre a vida como ela é. Nela os financiamentos de grandes corporações, contabilizados ou por fora, não são seletivos como os vazamentos da Lava Jato.

Alcançam — ou alcançavam — todo mundo, para desconsolo dos que construíram a narrativa segundo a qual a corrupção foi inventada pelo PT.

Paulo Nogueira
No DCM
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