12 de mar de 2017

Odebrecht amansará pitbull do Itamaraty?

Nem bem tomou posse como ministro das Relações Exteriores do covil golpista, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) desembestou a rosnar contra importantes parceiros do Brasil. Em entrevistas à mídia colonizada, o pitbull do Itamaraty desqualificou o Mercosul. Na maior caradura, o tucano - que defendeu "sangrar" a presidenta Dilma e conspirou contra a democracia no país - também criticou "a escalada autoritária na Venezuela". Com estas e outras bravatas, o falastrão confirmou que será um desastre para diplomacia brasileira. Esta tragédia, porém, talvez seja contida com a recente delação de um ex-executivo da Odebrecht, que garantiu ter repassado R$ 500 mil ao truculento ministro. Diante da denúncia, o valentão tende novamente a se acovardar e a fugir dos holofotes.

Segundo matéria de Bela Megale, publicada na Folha deste domingo (12), "o ex-diretor da Odebrecht Carlos Armando Paschoal, conhecido como CAP, relatou em delação premiada o pagamento de R$ 500 mil por meio de caixa dois para a campanha ao Senado de Aloysio Nunes, que tomou posse na semana passada como ministro de Relações Exteriores. O repasse, segundo o delator, ocorreu em 2010, quando o tucano se elegeu o senador mais votado da história de São Paulo, com mais de 11 milhões de votos, 30% do total. Segundo CAP, o pedido por dinheiro foi feito pelo próprio Aloysio e as entregas foram realizadas em duas ou três parcelas em hotéis na zona sul da capital paulista".

Ainda de acordo com a reportagem, "o ex-executivo disse a procuradores da Lava Jato que o tucano designou uma pessoa de sua confiança com quem foram combinadas senhas e endereços de entrega dos recursos. Segundo a prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Aloysio Nunes arrecadou R$ 9,2 milhões naquelas eleições. A Odebrecht não aparece entre os doadores. CAP é um dos 78 delatores da empreiteira que firmaram acordo com a Lava Jato. Ele atuava no contato junto a políticos e na negociação de doações para campanhas eleitorais de São Paulo. As colaborações foram homologadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A PGR (Procuradoria-Geral da República) deve pedir nos próximos dias a abertura de inquéritos para investigar os políticos citados".

"Aloysio Nunes não foi o único tucano citado por CAP. Como a Folha revelou em outubro, consta na delação do ex-executivo o pagamento de R$ 23 milhões de caixa dois para a campanha presidencial de José Serra de 2010, incluindo repasses por meio de conta na Suíça. Serra antecedeu Aloysio no cargo de ministro das Relações Exteriores e pediu demissão no mês passado alegando problemas de saúde. CAP também detalhou o pagamento em espécie para as campanhas de 2010 e 2014 do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Conforme reportagem da Folha, um dos operadores foi Adhemar Ribeiro, irmão da primeira-dama Lu Alckmin".

Esta não é a primeira vez que Aloysio Nunes é citado em delações premiadas de empreiteiras que corromperam o Estado brasileiro. Segundo vazamento recente da Lava-Jato, o "chanceler" também aparece nos depoimentos de Léo Pinheiro, sócio da OAS, que apontaram propina na construção do Rodoanel, em São Paulo. Em outra delação premiada, que já está homologada, o nome do tucano é citado por um executivo da UTC. Segundo Walmir Pinheiro, ex-diretor financeiro da empreiteira, uma doação de R$ 200 mil foi feita em espécie para sua eleição em 2010 por meio do advogado Marco Moro, amigo do político que cuidou das finanças da campanha. O STF abriu em 2015 um inquérito para investigar este caso, mas ele segue em segredo de Justiça.

Pelo jeito, o novo "chanceler" não tem apenas o bico afiado. Ele também sujou um bocado o poleiro tucano!

Altamiro Borges
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Quando um jornal é filho da puta?


Quando um jornal é filho da puta? Quando publica esta manchete e este texto na primeira página sobre propina ao Tribunal de Contas DO ESTADO "sobretudo em obras do Metrô". E não menciona em lugar algum o nome do governador, de seus antecessores, do partido que comanda O ESTADO (e, portanto, esse tribunal vendido) há mais de duas décadas. 

Agora imaginem se a propina rolasse num Estado governado pelo PT... A imprensa, toda ela, vem fazendo isso sistematicamente há anos. Jornais e jornalistas escrotos. Sem meio-termo.

Flavio Gomes
No Esquerda Caviar
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Na Suíça, Dilma diz querer que "Brasil tenha encontro correto com a democracia"

Dilma Rousseff participa de eventos na Suíça e em Portugal, de 10 a 15 de março
A ex-presidente Dilma Rousseff faz uma viagem de três dias à Genebra, na Suíça. Ela encontrou autoridades, deu entrevista à TV sobre política nacional e falou sobre os programas de combate à fome e à miséria durante seu mandato e o de Lula da Silva, durante Fórum sobre Direitos Humanos.

Em sua 15ª edição (de 10 a 19 de março), em Genebra, o engajado Festival Internacional de Filmes de Direitos Humanos recebe 300 convidados do mundo inteiro. Entre as diversas temáticas ligadas ao tema, a luta contra a fome e a miséria destacou as iniciativas da Índia e do Brasil, cujo modelo "Fome Zero", foi explicado por Dilma no evento paralelo Fórum Direitos Humanos.

Philippe Mottaz, um dos responsáveis do Fórum, definiu a presença de Dilma como uma reflexão sobre um capítulo complexo da história política brasileira. "Temos a liberdade e a independência de convidá-la, e cada um poderá construir sua própria opinião sobre a sua destituição", afirmou.

Agenda lotada e reunião com autoridades

Na sexta-feira (10), Dilma Rousseff encontrou o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas, Olav Fykse Tveit, e a ex-presidenta da Suíça, Ruth Dreifuss. Ela também foi recebida por Guy Rider, diretor da OIT - Organização Internacional do Trabalho. O dia continuou com reuniões com organizações internacionais.

Em entrevista à televisão pública do país, Dilma garantiu que não pretende voltar à presidência, mas continuará fazendo política para assegurar que o Brasil tenha "um encontro correto com a democracia" e que Luiz Inácio Lula da Silva possa concorrer na eleição presidencial de 2018. Ela também comentou à TV as atuais manifestações que acontecem no Brasil. "Eu acho que quando um país se encontra frente a um golpe baseado em uma fraude, como foi essa destituição sem um crime de responsabilidade, com um governo que me substitui, um governo ilegítimo, golpista e usurpador, o que acontece? A revolta das pessoas face a essa ruptura democrática, para uma democracia que nos custou tanto para conquistar. Ela se expressa em manifestações pacíficas", ela disse.

Ainda em Genebra, Dilma se reunirá com parlamentares e relatores de Direitos Humanos. No dia 13 ela se reúne com pesquisadores do The Graduate Institute of Genebra para falar sobre o futuro da luta contra o neoliberalismo.

A próxima etapa de sua viagem é Lisboa, para onde segue no dia 13, quando será recebida pela Fundação Saramago, Casa do Brasil em Lisboa e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. No dia 15, Dilma fará uma conferência sobre “Neoliberalismo, desigualdade, democracia sob ataque”, no Teatro da Trindade, na capital portuguesa.

No rfi
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Reencarnação

Platão encerra a sua República com a descrição que Sócrates faz dos heróis de Homero escolhendo suas vidas futuras, ou os seres que suas almas habitarão depois da morte. Orfeu escolhe voltar como um cisne, Ajax um leão, Agamenon uma águia. Muitos preferem reencarnações de acordo com seu passado. O corredor Atalanta, por exemplo, quer voltar como atleta. O construtor do cavalo de Troia quer ser uma artesã, com o mesmo ofício, mas outro sexo. Um bufão escolhe voltar como macaco. Etc. Ulisses prefere voltar como um homem comum. O herói maior da Odisseia escolhe para o futuro da sua alma ser um animal simples, um anti-Ulisses que nenhuma aventura tirará de casa.

Quem acredita em reencarnação e pesquisa sobre suas vidas passadas geralmente descobre que foi, senão um herói homérico, nunca menos do que um faraó, uma rainha ou um artista famoso. Ninguém admite ter sido um bandido ou uma faxineira em Versalhes. E todos têm um consolo para a sua atual condição: não passam de uma etapa, uma alma em transição entre um grande personagem e outro, fazendo estágio como apenas ele. O mito socrático introduz a ideia de que se pode escolher nossa próxima vida (primeirão massagista de miss!), mas o que fascina é a opção de Ulisses pela mediocridade confortável, a pacatez como um refúgio seguro.

Ulisses não quer ser mais ninguém, quer ficar a salvo da vida e da História. Ao contrário de quem não se conforma de não ter sido alguma coisa mais do que é, em algum lugar do passado, ele opta por não mais ser nem Ulisses nem coisa parecida, no futuro.

Afinal, toda a Odisseia não passa da história de alguém querendo voltar para a paz dos braços da patroa.

Cuidado. A ideia da reencarnação das almas provoca algumas considerações interessantes. Quem acredita mesmo em reencarnação deve ter extremo cuidado no trato com insetos, por exemplo. O próximo mosquito que matar pode ter sido um parente. A crença em reencarnação determina cuidados, também, com a dieta alimentar. A pessoa não pode comer carne de espécie alguma, pois quem assegura que o boi sacrificado para fazer o bife não foi, em outra geração, o tio Olavo? Haveria casos da degola de uma galinha ser interrompida porque alguém vê traços de alguém na sua cara. (“Parem! Parem! É a tia Elvira!”) Enfim, o respeito aos antepassados seria total, mesmo que tivessem voltado como porcos.

Luís Fernando Veríssimo
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Cobra Naja é encontrada em subestação de água em Balneário Camboriú


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Sangria

A Operação Lava-Jato foi descrita por um dos seus alvos como uma “sangria” a ser estancada antes que causasse mais estragos. Se está em andamento, nos corredores sombrios do poder, um processo de abafa da Lava-Jato sem dar muito na vista, só sabe quem frequenta os corredores sombrios. O recém-empossado ministro da Justiça declarou que não tocará na Polícia Federal e não intervirá na Lava-Jato. Em outras palavras, que vai deixar sangrar. Quando eu era guri, na Idade Média, cruzava-se dedos para dizer uma mentira, o que absolvia o mentiroso. Ninguém observou os dedos do novo ministro enquanto ele falava. Mas dizem que ele é um cara legal e fará o que falou, ou não fará o que se teme.

O “Jornal Nacional” dá os nomes dos investigados pela Lava-Jato e por outras operações, mas nunca deixa, corretamente, de procurar representantes dos citados ou os próprios citados para ouvir suas defesas. Com a enxurrada de novos denunciados aparecendo todos os dias e com as delações se multiplicando, pode-se prever que em breve todo o “Jornal Nacional” será tomado pelos nomes dos acusados e pelas suas explicações, não sobrando tempo nem para a meteorologia com a Maju.

As explicações se repetem, sem muita variação. Todos são inocentes. Nada do que receberam foi para o caixa dois ou para seus bolsos, tudo foi para o caixa um, devidamente registrado pelo Tribunal Eleitoral. Não entendo por que o próprio Tribunal Eleitoral não pode esclarecer quanto da dinheirama foi declarada e aprovada por ele e de quanto ele nem sentiu o cheiro, ou se tem competência para fazer isso, ou não quer se envolver.

A esquerda, ainda ressentida com a condução coercitiva do Lula e a gravação e o vazamento ilegais de conversa da Dilma, então na Presidência, pode se consolar com a ideia de que Moro e seus justiceiros desencadeiam um ataque sem precedentes ao capitalismo de compadres brasileiro. Não se pode nem dizer que a Odebrecht, as empreiteiras e outras empresas flagradas comprando favores de políticos sejam anomalias, e o propinato, uma perversão a ser exorcizada para que os negócios voltem à normalidade. A normalidade, no capitalismo de compadres brasileiro, é a promiscuidade do capital predador com o poder à venda, e assim tem sido há décadas.

O que vem depois da Lava-Jato? A que normalidade se volta, uma nova ou a de sempre? E até que ponto a sangria será tolerada? No passado se recorria à sangria para fins terapêuticos. No nosso caso, talvez o paciente não aguente.

Luís Fernando Veríssimo
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A CIA é uma Gestapo gigantesca

A última novidade americana de que temos notícia já não é uma Casa Branca manicomial, mas não foge à linhagem das contribuições psicopáticas à cada dia mais desatinada "civilização ocidental". Além de penetrar à vontade nas comunicações telefônicas mundo afora, como aconteceu a conversas de Angela Merkel, Dilma Rousseff e outros governantes, e de entrar nos computadores alheios, o serviço de espionagem e sabotagem dos EUA – CIA – pode valer-se dos aparelhos domésticos de TV para captar e transmitir-lhe as conversas no respectivo ambiente. Sem palavras rastejantes, a CIA é uma Gestapo gigantesca, planetária, levada às últimas possibilidades de invasão das mentes e da vida humana.

Diante desse poder cibernético, o que pode o mundo, sua vítima, é repetir a divisão motivada pelo poder nuclear. De uma parte, os países que desviaram imensas fortunas para entrar no círculo atômico; de outra, os que se sujeitam à subalternidade ou preservam uma posição digna no mundo por meio de uma posição independente e estrategicamente habilidosa.

Michel Temer falou há pouco da importância reconhecida ao Brasil. Apenas três dias antes, o correspondente Henrique Gomes Batista transmitira as palavras do brasilianista Peter Hakim, presidente do Inter-American Dialogue: "Antes, toda vez que eu voltava do Brasil, as pessoas queriam saber o que o país estava fazendo, se havia novidades. Hoje o país perdeu a relevância". A palavra "hoje" define o que era o "antes".

No "antes", talvez referente sobretudo ao plano interno, a estratégia e a política internacionais do Brasil foram fundamentais para as "novidades". Mas foi também nele que isso começou a esvaziar-se, pelo plano secundário em que foi deixado por Dilma Rousseff. Sem reclamações internas. Primeiro, porque a imprensa/TV no Brasil faz jornalismo tipicamente periférico, repetidor de uns poucos (hoje em dia, pouquíssimos) temas do jornalismo internacional dos centros mundiais de decisão.

Além disso, porque interessar-se pela virada que a "política exterior ativa e altiva" introduziu, em seguida a um período caudatário dos ditames americanos até na política econômica, fortaleceria um governo e várias políticas indesejados pelo poder econômico. Por mais que estivesse beneficiado pela ação comercial incluída na nova política externa.

A África representou muito nessa política. Os Estados Unidos têm grande interesse na face africana voltada para o Atlântico Sul: ali está o petróleo alternativo para previsíveis problemas com sua fonte petrolífera na Arábia. Os americanos veem a África Ocidental como uma espécie de reserva sua não declarada. Mas a costa atlântica da África está voltada também para o Brasil. E em frente às jazidas e poços brasileiros, inclusive do pré-sal. A busca de relações profundas com essa África, importantes até para a soberania brasileira, levou a iniciativas que a Lava Jato entende como picaretagem. Na cooperação militar, a Marinha brasileira tem até presença expressiva na Namíbia.

Nessa política, as multinacionais brasileiras tinham um papel e uma fonte de ganho, com igual relevância. Sua atividade em quatro dos países africanos e em um sul-americano compõem os capítulos de um livro que, afinal e quase inexplicavelmente, moveu o jornalismo brasileiro para parte das iniciativas africanas do Brasil. É uma reportagem, rara no tema e ótima na realização, que proporciona também uma visão social e política, como um fundo que dá ao livro dimensão bem maior do que o indicado no título, "Euforia e Fracasso do Brasil Grande". Jornalista de primeiro time, Fábio Zanini deu uma leitura agradável e informativa a um tema desprezado que vale a pena conhecer.

E quem quiser saber o que é diplomacia, e o que nela foi a ação que por certo tempo incluiu o Brasil nas decisões mundiais, as respostas estão dadas pelo ex-ministro Celso Amorim, em "Teerã, Ramalá e Doha — memórias da política externa ativa e altiva". Livro ótimo, para hoje e para o futuro. Mas que dá certa nostalgia, no Brasil que "perdeu a relevância".

Janio de Freitas
No fAlha
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