8 de mar de 2017

Além do mais, Treme é machista

Papel da mulher é saber preço do supermercado
O Dia da Amélia, a mulher de verdade

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Mas, é preciso ter raça, é preciso de força, é preciso ter gana sempre


Um documentário que pretende, através de histórias de vida de diferentes mulheres, contextualizar o cenário político, econômico e social feminino no Brasil. Todas tem algo em comum, o nome.


No Blog da Luciana Oliveira
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A força de Lula

As intenções de voto em Lula aumentaram
depois da derrubada de Dilma Rousseff
O fato novo recente na política brasileira é um fato velho: a constatação de que Lula está bem nas pesquisas. Que é elevada sua liderança nas intenções de voto para as próximas eleições presidenciais e que ela se amplia.

Trata-se de um fato com certeza relevante, mas sem novidade. Faz tempo que é isso que as pesquisas revelam, como CartaCapital vem mostrando nos últimos meses. A tendência é visível até nos levantamentos encomendados pela mídia corporativa, ainda que os divulgue de maneira enviesada.

As intenções de voto em Lula mudaram no terceiro trimestre de 2016. Elas haviam caído entre abril e maio, depois de permanecerem estáveis ao longo de boa parte de 2015 e no início do ano. De setembro para a frente, subiram e continuam ascendentes.

É isso que indicam as pesquisas feitas por todos os institutos, como a mais recente, de responsabilidade do MDA para a CNT. Conduzida em fevereiro, ela identificou um crescimento de 5 pontos porcentuais para Lula, que o levou de 25%, em dezembro, para 30%.

O mesmo vê-se na série de pesquisas do Vox Populi, que mostra que, entre outubro e dezembro de 2016, Lula subiu de 34% para 37%, e do Datafolha, que aponta que, entre julho e dezembro, o petista foi de 22% para 25%.

As pesquisas concordam que Lula melhorou e na intensidade do processo. Discordam, no entanto, quanto ao tamanho de suas atuais intenções de voto, que variam significativamente entre os institutos. Há um aspecto técnico que, provavelmente, explica as diferenças: o lugar que as perguntas eleitorais ocupam no questionário. Alguns institutos as situam no começo, outros mais adiante.

Existe um consenso entre os especialistas de que elas devem estar no início quando a eleição se avizinha, para evitar que as respostas dos entrevistados sejam afetadas por perguntas potencialmente indutivas. Quando, porém, a eleição está distante, o inverso é recomendável.

Abordar uma pessoa na rua e forçá-la a dizer de chofre em quem votaria “se a eleição fosse hoje”, quando faltam mais de 20 meses para a hora da escolha, parece despropositado. O que isso faz é levar a maioria a responder “não sei”.

Por essa razão, o Vox Populi, na distância em que estamos da eleição presidencial, opta por começar o questionário com perguntas de contextualização: como o entrevistado percebe a situação do País, que expectativa tem a respeito de questões como inflação e desemprego, qual sua avaliação do governo federal, além de uma pergunta “aberta”, sem menção a qualquer nome, sobre “o melhor presidente que o Brasil já teve”.

Essa metodologia não afeta os resultados fundamentais, como se vê na semelhança entre os institutos. O que ela provoca é a redução da indecisão induzida presente em outras pesquisas, que decorre da intempestiva sujeição dos entrevistados a perguntas descontextualizadas.

Adotá-la não modifica o desempenho dos demais candidatos, mas faz com que Lula tenda a aparecer melhor. O que quer dizer que somente ele cresce quando a entrevista é contextualizada, ou seja, que, quando os entrevistados pensam um pouco mais na eleição, quem avança é Lula.

Em dezembro, em lista com Aécio Neves, ele tinha 37% no Vox Populi, 12 pontos a mais que no Datafolha, enquanto o tucano estava do mesmo tamanho nas duas pesquisas (11% e 13%, respectivamente).

Como se percebe pela linha do tempo, independentemente do tamanho que têm, as intenções de voto no ex-presidente aumentaram depois da derrubada de Dilma Rousseff. A deposição beneficiou-o, pois libertou sua imagem (e a de seu governo) da crise vivida por ela. Sem Dilma no poder, ele cresceu.

É claro que o fracasso administrativo e moral de Michel Temer o ajudou, assim como o desgaste dos adversários. As qualidades que a população enxerga em Lula, somadas aos defeitos dos outros, é que explicam seu favoritismo.

Não se pense que decorre da ignorância do cidadão comum a respeito das acusações que contra ele fazem os inimigos. Nessa mesma pesquisa em que alcança 37% quando enfrenta Aécio, 38% quando o nome é Alckmin e na qual obtém 43% e 45% no segundo turno contra eles (que têm idênticos 20%), o conhecimento de que foi indiciado pelos procuradores da Lava Jato chega a 96%.

É patético que o Brasil esteja a discutir se uma liderança como Lula poderá ou não ser candidato, a depender da decisão monocrática de um juiz. Seus superiores não ousam contrariá-lo, mas ele tudo faz para contrariar o desejo de dezenas de milhões de cidadãos. Fomos longe na subversão da democracia.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Nassif: O crime dos economistas


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Alegria de ser mulher│Leandro Karnal



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Dilma e o 8M


Estamos na luta por mais avanços e por uma sociedade sem preconceitos, mais justa e mais igual.

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Por que paramos: Opera Mundi participa da greve internacional de mulheres no dia 8 de março

'Se nossas vidas não valem, que produzam sem nós': nós, mulheres de Opera Mundi, nos uniremos a companheiras de todo o mundo e também vamos parar neste 8 de março de 2017


“Se nossas vidas não valem, que produzam sem nós.” Este é o mote da greve internacional de mulheres que está sendo convocada por organizações e coletivos feministas de vários países para esta quarta-feira, 8 de março.

No dia estabelecido no calendário mundial como celebração às lutas das mulheres por cidadania, direitos sociais e justiça de gênero, nós, mulheres de Opera Mundi, nos unimos a companheiras de todo o mundo. Voltamos às origens socialistas do Dia Internacional das Mulheres, levando nosso protesto ao campo do trabalho para evidenciar a urgência de nossas reivindicações.

Diante do machismo e da misoginia estruturais que tentam nos aniquilar simbólica e concretamente e que combatemos todos os dias de nossas vidas, propomos, por 24 horas, mostrar ao mundo como seria se nós, mulheres, de fato não existíssemos.

Se nós, mulheres brasileiras, não existíssemos, quem sobraria para ganhar 25% a menos do que os homens?

Se nós, mulheres brasileiras, não existíssemos, quem iria trabalhar 7,5 horas a mais do que os homens a cada semana – e dedicar o dobro de horas empregadas pelos homens nas tarefas domésticas?

Se nós, mulheres, não existíssemos, a quem seria relegado o trabalho de cuidado – de crianças, idosos e adultos vulneráveis – não remunerado e invisibilizado?

Além das injustiças sexistas no campo do trabalho – que, para a enorme maioria das mulheres brasileiras, especialmente as negras, é informal, mal remunerado e precarizado –, também paramos contra a violência perpetrada contra nós por homens misóginos e machistas.

Somente no Brasil, uma mulher é assassinada a cada uma hora e meia por um homem, em geral um membro da família ou um ex-parceiro. O Brasil tem a quinta maior taxa de feminicídios do mundo – são 4,8 mulheres assassinadas a cada 100 mil mulheres no país, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Este número vem aumentando – de 2003 a 2013, o número de mulheres assassinadas por homens cresceu de 3.937 para 4.762, ou seja, mais de 21% na década. No caso das mulheres negras, a situação é ainda mais assustadora: em 2015, o Mapa da Violência sobre feminicídios indicou que, de 2003 a 2013, o número de assassinatos de mulheres negras cresceu 54%, passando de 1.864 para 2.875.

Paramos também contra a violência sexual de homens contra mulheres e crianças. Paramos porque, no Brasil, acontece um estupro a cada 11 minutos, segundo o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que divulgou que em 2014 foram registrados 47.643 casos de estupro em todo o país.

Paramos porque, segundo dados também de 2014 do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 67% dos casos de estupros de mulheres são cometidos por parentes próximos ou conhecidos das famílias; 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes e apenas 10% dos estupros são notificados. Paramos porque a maioria dos agressores não é punida e porque a maior parte da sociedade insiste em responsabilizar as mulheres pela violência que sofremos.

Nós paramos neste 8 de março também pelas mais de 500 mil mulheres que abortaram na clandestinidade em 2015 no Brasil, assim como pelas cerca de 180 brasileiras que morrem a cada ano em decorrência de abortos inseguros. Paramos, portanto, para exigir a legalização do aborto e o acesso ao procedimento legal, seguro e gratuito no sistema público de saúde, assim como o acesso à contracepção e a programas de saúde reprodutiva para todas as mulheres do país.

Paramos em solidariedade. Paramos não só por nós, mas especialmente pelas que não estão mais entre nós, mortas pelas mãos de homens misóginos ou pela violência do Estado na criminalização do aborto. Paramos pelas que ainda virão e para quem queremos construir um mundo onde não mais tenhamos que parar para gritar por justiça e por nenhuma a menos.

Mulheres já mostraram sua força por meio da greve em vários lugares do mundo. Na Islândia, no dia 24 de outubro de 1975, 90% das mulheres do país pararam em protesto à injustiça de gênero que se evidenciava nas diferenças de salários entre homens e mulheres e na representação majoritariamente masculina no Parlamento islandês. Cinco anos depois, o país nórdico viria a eleger Vigdis Finnbogadottir, a primeira mulher no mundo a ser escolhida democraticamente como chefe de Estado, e hoje a Islândia é um dos países em que mais há igualdade entre homens e mulheres, como atesta o Índice Global de Desigualdade de Gênero do Fórum Econômico Mundial.

Mais recentemente, no dia 3 de outubro de 2016, as polonesas impressionaram o mundo ao ocupar as ruas de várias cidades do país vestidas de preto, em protesto à tentativa do governo conservador – ainda que liderado por uma mulher, a primeira-ministra Beata Szydło – de proibir totalmente o aborto. Depois dos protestos, o governo desistiu das mudanças na lei de aborto na Polônia – já uma das mais restritivas da Europa, permitindo o procedimento apenas em casos de risco para a gestante ou gravidez resultante de estupro – e a proposta foi rejeitada por uma vasta maioria no Parlamento.

Por tudo isso e por todas nós, neste 8 de março, convidamos as mulheres que nos leem em Opera Mundi a parar conosco e a ir às ruas em uma das dezenas de manifestações espalhadas pelo país.

Vivas e livres nos queremos!



Carolina de Assis, Geovana Inocencio, Laisa Beatris, Renata Hirota e Vanessa Martina Silva.
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O 8 de março após mais uma violência contra uma mulher


É evidente que o golpe de estado que depôs da presidência da República, uma mulher honrada e de inquestionável compromisso público e republicano, atendeu aos interesses estratégicos dos rentistas, do agronegócio, dos grandes conglomerados empresariais e dos grupos monopolistas da mídia brasileira.

No entanto, é inegável que a quebra da ordem constitucional teve também uma nítida dimensão misógina. Durante toda a campanha de sabotagem da qual o governo da presidenta Dilma foi vítima, não faltaram charges e montagens gráficas grosseiras no intuito de desqualificá-la por sua condição de mulher. O machismo a serviço do golpe não mediu esforços para passar aos incautos a imagem de uma mulher autoritária, de difícil trato e pouco afeta ao diálogo. Ou seja, uma desequilibrada, como o machismo costuma pintar as mulheres hoje em dia.

E neste primeiro 8 de Março – Dia Internacional da Mulher depois do golpe, se olharmos para trás, os avanços e conquistas extraordinários das mulheres merecem comemoração. Contudo, os indicadores alarmantes de violência contra o sexo feminino e toda sorte de discriminação de gênero fortemente presente na sociedade brasileira fazem dessa data um dia de luta.

Luta por isonomia salarial com os homens – na média, exercendo as mesmas funções e com maior escolaridade, elas ganham 70% do recebido pelos homens; luta por empoderamento político – as mulheres, embora sejam 54% da população, ocupam apenas 10% das cadeiras do Congresso Nacional. Algo semelhante acontece nas empresas, no Judiciário, nos governos, em todas as casas legislativas, nas Forças Armadas e demais instituições públicas e privadas.

Mas esse Dia da Mulher deve servir especialmente para denunciar que o Brasil se tornou um dos piores países do mundo para se nascer mulher. A violência contra o sexo feminino não para de crescer em nosso país, conforme consta do relatório sobre violação dos direitos humanos no Brasil em 2016, divulgado pela Anistia Internacional.

Em que pese contar com um arcabouço legal avançado para a proteção das mulheres, como a Lei Maria da Penha, que está completando dez anos, e a Lei do Feminicídio, as taxas de violência física (inclusive letais) e psicológicas registradas ano após ano no Brasil são motivo de vergonha nacional.

Reportagem publicada pela revista CartaCapital desta semana exibe dados estarrecedores : o Brasil é o 5º colocado no ranking mundial de assassinatos de mulheres, com 13 feminicídios por dia, cujas vítimas, em média, têm entre 15 e 29 anos; 50,3% dos homicídios são cometidos por familiares; entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54%; 527 mil estupros acontecem anualmente; 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados, amigos ou conhecidos; em 70% dos casos as vítimas dos estupros são crianças ou adolescentes.

Entidades feministas e de direitos humanos apontam, entre os fatores responsáveis pelo aumento vertiginoso da violência contra a mulher, a dificuldade para a aplicação da lei, fruto da cultura machista presente na polícia, no Ministério Público e no Poder Judiciário.Com frequência, esses operadores do direito, contrariando todas as evidências, se negam a enquadrar agressores de mulheres na legislação específica, optando por considerá-los autores de lesões corporais.

Nenhuma nação que se pretenda civilizada pode conviver com uma realidade como essa. Viva a luta das mulheres !

Wadih Damous, deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro, é ex-presidente da OAB-RJ
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As mulheres e a Revolução Russa


Poucas pessoas sabem que a grande Revolução Russa de 1917, que completará cem anos, começou com uma greve de operárias têxteis de Petrogrado no dia 8 de março (ou dia 23 de fevereiro no antigo calendário russo). E, por causa desse acontecimento, a data acabou se universalizando como Dia Internacional das Mulheres.

Naquele longínquo oito de março dezenas de milhares de mulheres indignadas paralisaram o trabalho e marcharam pelas ruas da cidade com cartazes que diziam “Pão para os nossos filhos!” e “Retorno de nossos maridos das trincheiras!”. A Rússia czarista estava mergulhada na sangrenta Primeira Guerra Mundial e colhia resultados bastante negativos. Milhões morriam ou eram feridos nos campos de batalha. Nas cidades reinavam a fome e a miséria.

Naquele dia paralisaram cerca de 90 mil trabalhadores. A manifestação das operárias foi tão impressionante – e o czarismo estava tão desmoralizado–que os próprios soldados se recusaram a reprimi-la e alguns aderiram a ela. Nos dias que se seguiram uma greve geral paralisou toda a cidade e se espalhou pelo país. As proibidas bandeiras vermelhas voltaram a tremular nos bairros populares. Foram recriados os sovietes de operários e soldados. Era o fim daquele regime opressivo e secular, que cairia dentro de alguns dias.

Escreveu a revolucionária comunista russa Alexandra Kollontai: “O dia Internacional das Mulheres de 1917 tornou-se memorável na história. Nesse dia as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o mundo. A revolução de fevereiro se iniciou a partir desse dia”. Outro dirigente soviético Leon Trotsky diria: “ninguém, absolutamente ninguém – podemos afirmar categoricamente baseando-se em todos os documentos consultados – supunha que o dia 23 de fevereiro marcaria o início de um assalto decisivo contra o absolutismo”. Portanto, aquela greve de mulheres, surgida quase espontaneamente, não fazia parte de nenhum plano insurrecional comunista. Ninguém esperava aquele desfecho.

Segundo Ana Isabel Gonzáles, “foi para relembrar a ação das mulheres na história da Revolução Russa que o Dia Internacional das Mulheres passou a ser comemorado de forma unificada no dia 8 de março. A decisão de unificação foi tomada na Conferência de Mulheres Comunistas, coincidindo com o Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou em 1921”.

No dia 8 de março deste mesmo ano, Lênin escreveria no Pravda um artigo que dizia: “a metade feminina da raça humana é duplamente oprimida pelo capitalismo. A operária e a camponesa são oprimidas pelo capital, mas primeiro, e acima de tudo, inclusive na mais democrática república burguesa, permanecem, primeiramente, privadas de alguns direitos porque as leis não lhes concedem igualdade com os homens; e, em segundo lugar – e este é o aspecto mais importante – permanecem ‘escravas do trabalho doméstico’. Continuam sendo ‘escravas domésticas’ porque estão sobrecarregadas com a monotonia do mais mesquinho, duro e degradante trabalho na cozinha e nas tarefas domésticas familiares”. Continua ele: “aqui, na Rússia Soviética, não sobrou nenhum rastro de desigualdade entre os homens e mulheres perante a lei”.

Lênin, como um bom marxista, sabia que a igualdade formal perante a lei ainda era insuficiente, pois na prática cotidiana a opressão poderia ser mantida. Por isso, concluiu: “Este é só um passo na libertação da mulher. Mas nenhuma das repúblicas burguesas, incluindo as mais democráticas, se atreveu a dar sequer o primeiro passo”.

Mas quando se decidiu comemorar um dia internacional da mulher?

Pelo que se tem notícia a primeira vez que se comemorou um Dia da Mulher foi nos Estados Unidos. O Partido Socialista daquele país, ligado à II Internacional, atendendo a um apelo de suas militantes aprovou no final de 1908 a seguinte resolução: “Recomendamos que todas as seções locais do partido socialista dediquem o último domingo de fevereiro de 1909 à realização de uma manifestação a favor do direito ao voto das mulheres”. Assim, o primeiro Dia da Mulher ocorreu num 28 de fevereiro. Devido à grande receptividade encontrada, no ano seguinte o evento se repetiu. Contudo, ele não tinha um caráter internacional e nem a forma principal de expressão era a paralisação do trabalho, visto que era no domingo.

Em 1910 as delegadas estadunidenses participaram da 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, e levaram consigo a proposta de realizar no último domingo de fevereiro um dia internacional das mulheres, tendo como eixo o direito ao voto para as mulheres. De fato, por proposição da alemã Clara Zetkin, foi aprovada uma resolução que dizia: “De acordo com as organizações políticas e sindicais do proletariado, as mulheres socialistas de todas as nacionalidades organizarão em seus respectivos países um dia especial das mulheres. Será necessário debater esta proposição com relação à questão da mulher a partir da perspectiva socialista. Esta comemoração deverá ter caráter internacional e será necessário prepará-la com muito esmero”.

Como podemos ver, embora aprovasse a diretiva de se caminhar para a construção de um “dia especial das mulheres” de caráter internacional e socialista, não indicava uma data unificada para essa comemoração. O dia escolhido pelas alemãs e austríacas para primeira manifestação foi 19 de março de 1911. Escreveu Kollontai: “Seu sucesso ultrapassou todas as expectativas (...). Os homens ficaram em casa com seus filhos, para variar, e suas esposas, as donas de casa prisioneiras, foram às reuniões. Durante a maior manifestação de rua participaram 30 mil mulheres, a polícia decidiu tomar as bandeiras das manifestantes: as mulheres trabalhadoras protestaram. No tumulto que se seguiu, o derramamento de sangue só foi evitado com a ajuda dos deputados socialistas”. Assim, transcorreu o primeiro Dia Internacional da Mulher na Alemanha. As socialistas estadunidenses mantiveram o seu ato no último domingo de fevereiro e as suecas fizeram coincidir com o Primeiro de Maio. As datas não eram fixas e variavam de país para país.

Naqueles anos, as mulheres já possuíam uma força expressiva no interior do movimento sindical e nos partidos socialistas europeus e estadunidenses. Segundo Kollontai, em 1913 os sindicatos ingleses possuíam mais de 292 mil filiadas, os sindicatos alemães 200 mil; na Áustria eram 47 mil. Já existiam no seio da social-democracia alemã 150 mil mulheres e no austríaco 20 mil. Não era mais possível às lideranças socialistas desconhecer essa realidade. Se se quisesse avançar nas mudanças sociais rumo ao socialismo era preciso incorporar as mulheres trabalhadoras.

Contudo, muitos socialistas ainda resistiram quanto à realização de um Dia Internacional das Mulheres. Achavam que isso cindiria a classe operária. Aquilo seria uma concessão das mulheres socialistas ao feminismo burguês. O único dia para se comemorar era o Primeiro de Maio, dia internacional dos trabalhadores. Alexandra Kollontai e Clara Zetkin tiveram que travar uma dura polêmica contra tais equívocos. Nesse seu esforço foram apoiadas por homens como Augusto Bebel, Karl Kautsky e Lênin.

Uma vitória ocorreu em 1914 quando as socialistas alemãs, russas e suíças comemoraram conjuntamente o Dia Internacional das Mulheres em 8 de março – decisão tomada no ano anterior. Graças ao prestígio do Partido Social-Democrata da Alemanha, esta virou a data referencial para as manifestações nos principais países capitalistas. A eclosão da Primeira Guerra Mundial e a traição das principais lideranças da social-democracia europeia, que apoiaram as suas respectivas burguesias durante o conflito, levaram a um refluxo ao movimento feminino socialista e internacionalista.

Alexandra Kollontai fez uma constatação muito importante sobre essas primeiras manifestações internacionais do movimento de mulheres socialista até 1917. Afirmou ela: “O Dia Internacional das Mulheres na América e na Europa teve resultados impressionantes. É verdade que nenhum parlamento burguês cogitou fazer qualquer concessão aos trabalhadores ou responder às reivindicações das mulheres, pois naquela época, a burguesia não estava ameaçada por uma revolução socialista”. As coisas mudaram depois de fevereiro de 1917. Não por acaso as mulheres russas conquistaram o direito ao voto poucos meses depois (em julho), sendo seguidas pelas mulheres alemãs, austríacas, inglesas etc. Assim, a Revolução Russa impulsionou fortemente as conquistas políticas e sociais das mulheres no mundo todo.

O objetivo deste breve artigo é relembrar que o Oito de Março tem origem, e a ele deve a sua universalização,no movimento socialista e comunista, especialmente depois da Revolução Russa. Hoje ele faz parte do patrimônio de todas as mulheres conscientes – e não apenas das comunistas –, mas isso não nos desobriga de relembrar a sua história mais remota e homenagearmos suas principais personagens: Clara Zetkin, Alexandra Kollontai, Rosa de Luxemburgo, Inês Armand, entre outras combatentes da emancipação feminina e dos trabalhadores.

Augusto César Buonicore é historiador, presidente do Conselho Curador da Fundação Maurício Grabois. E autor dos livros Marxismo, história e a revolução brasileira: encontros e desencontros, Meu Verbo é Lutar: a vida e o pensamento de João Amazonas e Linhas Vermelhas: marxismo e os dilemas da revolução. Todos publicados pela Editora Anita Garibaldi.

Bibliografia

GONZÁLES, Ana Isabel Álvarez. As origens e a comemoração do Dia Internacional das Mulheres. São Paulo: Expressão Popular/Sempreviva Organização Feminista, 2010.

No Blog do Miro
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O baile da ilha Fiscal de Treme-I

'Colonista' do Globo reúne MT e Ministro Gilmar

Na foto, o Visconde de Ouro Preto e Pedro II
Seis dias depois do majestático Baile da Ilha Fiscal, Pedro II foi deposto e a República se instalou.

O Brasil trocou de regime.

O Império carcomido, que manteve a mais longa Escravidão da História da Humanidade, tinha falido com a Guerra do Paraguai.

O Baile da Ilha Fiscal do carcomido e breve regime do Michel Treme realizou-se nessa terça (7/III) no restaurante Piantella, em Brasilia, para comemorar os 50 anos de profissão de Ricardo Noblat, colonista do Globo.

Ali estiveram quatro ministros do Treme, os senadores Careca, da lista das alcunhas da Odebrecht e o Mineirinho, na mesma lista homenageado e sempre citado, e três ministros do STF.

O notável, porém, foi o encontro retumbante de Pedro II com o Visconde de Ouro Preto - o Treme e o ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal (sic) Superior (sic) Eleitoral, que vai julgar (sic) o Treme!

Não é a primeira vez que se dá esse encontro desinteressado: o Ministro Gilmar tomou uma carona com o Treme no jatinho presidencial que foi a Portugal para o enterro de Mário Soares.

Lamentavelmente, o Ministro Gilmar foi acometido de uma labirintite e não pôde comparecer às exéquias - o que deve ter deixado profundamente consternada a família do falecido.

A intimidade entre o acusado e seu juiz não espanta no breve regime Imperial em curso.

Basta recordar aquele momento suave, afetuoso do Imparcial de Curitiba com o Mineirinho numa festa da QuantoÉ.

De novo, juiz (sic) e acusado numa boa, em sorrisos incontidos.

Agora, em Brasília, a promiscuidade do Poder Imperial com o Globo!
Com um colonista do Globo!

A Ilha Fiscal é traiçoeira.

Roberto Marinho quase demitiu o editor-chefe do Globo, Evandro Carlos de Andrade, quando soube que Evandro tinha ido a Brasília conversar com o então presidente, José Sarney, sem que Marinho soubesse.

Alberico de Souza Cruz, todo-poderoso diretor de jornalismo da Globo, caiu, entre outros motivos (leia o best-seller "O Quarto Poder - uma outra história" e o próximo best-seller "Manual Inútil da Televisão e outros bichos curiosos"), porque o Serjão Mota, aquele que comprou, em sociedade, a fazendola do FHC Brasif em Minas, porque o Serjão disse que não precisava tratar com os Marinho - bastava ligar para o Alberico que resolvia tudo.

No evento, Treme disse não estar preocupado com a próxima lista do Janot.

Ele tem razão.

Treme só deve se preocupar com o que a Globo disser dele.

PHA
No CAf
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