5 de mar de 2017

O grampo ilegal na cela de Yousseff


As investigações sobre o grampo na cela do doleiro Alberto Yousseff, preso na primeiríssima fase da Lava Jato, revela que a operação já nasceu despreocupada em seguir os trâmites legais.

Reportagem publicada pela Folha, hoje, revela diversas coisas.

As próprias forças que sustentaram a Lava Jato, deixando-a crescer desmesudaramente, sem nenhum tipo de limite, perdoando-lhes os mais graves desvios de conduta (a ponto do tribunal regional de porto alegre emitir despacho afirmando que a Lava Jato está acima da Constituição), começam a puxar o freio da operação, para que ela não se desvie de sua narrativa central, que é pegar Lula. É a própria Lava Jato acabando com a Lava Jato, vide o apoio de procuradores da operação à nomeação de Alexandre de Moraes para o STF. Os próprios operadores da Lava Jato agora ensaiam uma maneira de inventar um final digno à operação, talvez se vitimando, talvez em busca de mais ou outro boi de piranha do próprio governo.

A imprensa continua, no entanto, delicada com as irregularidades cometidas pela Lava Jato, chamadas, com incrível delicadeza, de erros. Afinal, é preciso contê-la, mas sem ferir a narrativa central, de que foi uma operação muito boa.

O timing da imprensa é ainda mais elástico do que o da Lava Jato, cujos delegados já admitiram que mandam prender ou não prender segundo o “timing” político da hora. O escândalo sobre o grampo ilegal na cela de Yousseff veio à tona antes do golpe, mas naquele momento não era oportuno veicular a mais tênue crítica à operação, visto que já se havia entendido que ela seria o braço armado do movimento que levaria ao impeachment. Todas as operações espetaculares, com centenas de agentes federais fortemente armados, com uso de helicópteros e quantidade enorme de carros oficiais, para prender às vezes um senhor inofensivo e barrigudo, como o ex-tesoureiro do PT, eram entendidas como cenas audiovisuais necessárias para produzir o clima de terrorismo político necessário para dar sequência ao golpe.

No Estadão, há uma notícia de que Michel Temer procura anular as delações de ex-executivos da Odebrecht, que são as mais problemáticas para seu governo, alegando que o “vazamento” do depoimento de Claudio Melo as teriam contaminado.

Ora, eu até poderia concordar com Temer, mas é muita hipocrisia dele e de todo o consórcio golpista. Desde o primeiro dia de Lava Jato havia vazamentos de delações. Muitas vezes, antes mesmo do réu concordar se delataria ou não, sua delação já estava nos jornais. A delação era vazada antes mesmo dela ter sido feita. Um mistério. Talvez explicável pelo fato do delator quase sempre corroborar uma tese já pré-escrita pela procuradoria. Essa tese, portanto, podia ser vazada antes mesmo de ser corroborada pelo réu.

Em se tratando de empresas que lidavam com grandes quantidades de contas no exterior, não foi difícil para a Lava Jato montar suas narrativas como quem brinca de lego, inventando e atribuindo o que queria às movimentações financeiras de empreiteiras que, como a Odebrecht, atuavam em dezenas de países.

Entretanto, a Lava Jato agora não é mais uma operação brasileira. Ela passou a desestabilizar toda a América Latina. No Equador, se tornou um dos temas principais das eleições. No Peru, foi motivo para pedir a prisão cautelar de Alejandro Toledo, que fez um governo de centro, moderado, em benefício de seus adversários.

A América Latina é uma família infeliz, que historicamente sempre viveu seus infortúnios de maneira mais ou menos coletiva. Se há uma onda progressista, ela atravessa todo o continente, com eleição democrática de governos de esquerda, que fizeram o continente vivenciar o seu período mais feliz de sua história, com crescimento econômico, melhor distribuição de renda, mais comércio entre si e grandes investimentos em infra-estrutura. Se a democracia começa a ruir num e noutro país, logo ela rui em quase toda a América Latina. E os métodos antidemocráticos usados num país são logo aplicados em outro, como é o caso da Lava Jato.

Esperemos que não haja necessidade de revivermos um ciclo de horror e autoritarismo outra vez, para que seja possível conscientizar as forças políticas do continente que isso não nos interessa: não interessa ao povo, não interessa às nossas empresas, não interessa ao Estado. Se cedermos ao autoritarismo que vem tomando conta do Brasil, e a Lava Jato é o braço armado desse autoritarismo, afundaremos todos em décadas de estagnação econômica, miséria social, instabilidade política, corrupção e violência.

Miguel do Rosário
No Blog do Miro
Leia Mais ►

Qual é o plano do Facebook para dominar o mundo?


Mark Zuckerberg anuncia manifesto para construir uma comunidade global. Não é um exagero. Antes fosse
Seria de esperar, após a eleição de Donald Trump, alguma autocrítica por parte dos executivos do Facebook, mais eficiente das ferramentas para a difusão dos boatos e mensagens de ódio que contribuem para a ascensão da ultradireita no mundo.

Foram anunciadas em janeiro ideias sobre consultar agências especializadas na veracidade de notícias e restringir anúncios pagos em publicações de produtores contumazes de falsidades, até agora com poucos resultados práticos, mas faltava uma reflexão mais geral sobre o papel da rede.

Na quinta-feira 16, Mark Zuckerberg por fim a proporcionou – e o resultado é tão assustador quanto a própria ascensão da extrema-direita. Nesse manifesto de 6 mil palavras, “Construir a Comunidade Global”, exibe-se a pretensão não de aperfeiçoar um produto, mas de substituir os quatro poderes, mídia incluída, e ditar o destino do mundo. Alguns excertos:

“Nosso próximo foco será desenvolver infraestrutura social para a comunidade – para nos apoiar, para nos manter seguros, para nos informar, para o engajamento cívico e para a inclusão de todos. A história é a narrativa de como aprendemos a conviver em números cada vez maiores, de tribos a cidades e nações. Hoje estamos perto do próximo passo. O Facebook propõe-se a construir uma comunidade global. Questiona-se se podemos fazê-la funcionar para todos e se o caminho é conectar mais ou voltar para trás. Vozes temerosas pedem a construção de muralhas.

Nosso sucesso não se baseia apenas em se podemos capturar vídeos e compartilhá-los com amigos. É sobre se estamos construindo uma comunidade que ajude a nos manter seguros, que previna danos, ajude nas crises e na posterior reconstrução. Nenhuma nação pode resolver esses problemas sozinha.

Os atuais sistemas da humanidade são insuficientes. Esperei muito por organizações e iniciativas para construir ferramentas de saúde e segurança por meio da tecnologia e fiquei surpreso por quão pouco foi tentado. Há uma oportunidade real de construir uma infraestrutura de segurança global e direcionei o Facebook para investir mais recursos para atender a essa necessidade”.

O Facebook, conhecido em toda parte por se esquivar de impostos e de responsabilidades legais e morais, propõe-se a exercer em escala mundial funções típicas de um governo – se não também de uma igreja – e ainda monopolizar o acesso à informação. Se Zuckerberg tivesse anunciado abertamente a intenção de se candidatar à Presidência dos EUA, como chegou a se especular há algumas semanas, seria menos preocupante.

Ganhar bilhões com convencer as pessoas a desnudar a alma na internet e vender informações sobre elas a empresas e políticos já é ruim o suficiente. Enquanto Hillary Clinton conduziu uma campanha pela tevê difundida ao público geral, Trump baseou-se na rede social para direcionar anúncios a segmentos específicos e testar as reações a pequenas variações.

Propaganda anti-imigração, por exemplo, foi especialmente direcionada aos fãs de The Walking Dead após se constatar uma forte correlação entre xenofobia e o gosto pelo seriado e escondida de setores (latinos, por exemplo) que a consideravam antipática.

Com esse manifesto o Facebook propõe-se, porém, não apenas a catalogar identidades, opiniões, preferências, relações sociais e comunidades para lucro financeiro ou político de terceiros, mas a moldá-las e administrá-las conforme a visão da equipe de Zuckerberg, que não presta contas à democracia nem a ninguém, enquanto torna cada vez mais dependente dessa “infraestrutura” a busca de relacionamentos sociais, afetivos e profissionais e até o deslocamento no mundo real: uma viagem à Florida pode hoje depender da abertura de uma conta na rede social às autoridades dos EUA e estas ficarem satisfeitas com o que virem.

À luz dessa realidade, estes trechos soam ameaçadores: “Em campanhas recentes, dos EUA à Índia, passando pela Europa, vimos vencerem os candidatos com seguidores (no Facebook) mais numerosos e entusiasmados. Podemos estabelecer o diálogo e a prestação de contas diretamente com os líderes eleitos”. Conforme pergunta uma jornalista do Guardian, Carole Cadwalladr, como reagiríamos se Zuckerberg se chamasse Mikhail e sua empresa fosse sediada em Moscou?

Acrescente-se que, no Brasil, 55% pensam que o Facebook é a internet, assim como 58% na Índia, 61% na Indonésia e 65% na Nigéria, diz pesquisa da revista Quartz de fevereiro de 2015. A maioria dessas pessoas jamais pagará assinaturas físicas ou digitais de jornais e revistas e aceitará a informação como for apresentada na rede de Zuckerberg.

A possibilidade de descobrir outra coisa nem sequer existe para os mais de 40 milhões de usuários da internet.org, parceria de Zuckerberg com empresas de telecomunicações que oferece conexão grátis limitada ao Facebook e Wikipédia em vários países da América Latina, África e Ásia.

A seleção dessa informação tem sido baseada em grande parte em usuários dispostos a prestar serviços gratuitos como cobaias, editores e curadores. Os algoritmos sabidamente selecionam o que é apresentado em função de preferências anteriores, pois os usuários permanecem mais tempo ligados e clicam mais anúncios se não forem tirados de suas zonas de conforto.

Como também é notório, a exclusão de postagens e a suspensão ou expulsão de usuários baseiam-se em critérios ridículos, indiferentes a mentiras, mensagens de ódio e cenas de violência, impiedosos contra imagens de mamilos e nus artísticos e submissos a qualquer grupo organizado disposto a denunciar em massa quem postar mensagens – na maioria das vezes, feministas ou antirracistas – que lhes desagradem. Como será no futuro? 

Zuckerberg conta com inteligências artificiais capazes de assinalar postagens “ofensivas” e capacitar os usuários a fazer sua própria censura: “Onde está seu limite para nudez, violência, imagens chocantes e obscenidades? Você decidirá suas preferências pessoais. Para quem não tomar uma decisão, a configuração predefinida será da maioria das pessoas de sua região, como em um referendo”.

Quem morar em uma região conservadora, verá apenas mensagens selecionadas por critérios conservadores. Em tese poderá decidir por outros filtros, mas, se acaso conseguir decifrar o funcionamento dos opacos algoritmos da rede, seu inconformismo logo será óbvio para os demais usuários e as autoridades.

Ao menos caiu a máscara com a qual o Facebook se apresentava como uma plataforma neutra para mensagens de responsabilidade de terceiros. Admitiu uma agenda política com o objetivo de conformar o mundo ao seu gosto e a um ideal tecnocrático que, tanto quanto o autoritarismo racista de Trump e Le Pen, fede aos anos 1930 e neles foi satirizado por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo. Cabe a quem acredita na democracia desafiá-la e buscar os meios de tirar do monopólio privado os meios de ditar a opinião e o interesse público.

Antonio Luiz M. C. Costa
No Esquerda Caviar
Leia Mais ►

Brasileiros na Alemanha lançam movimento em defesa de Lula

Grupo organiza site para denunciar e reunir apoios na comunidade internacional contra estado de exceção comandado por Moro e setores do Judiciário


Cidadãos brasileiros residentes em Berlim, capital da Alemanha, organizam-se pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra as arbitrariedades e ofensivas de que tem sido alvo por conta da operação Lava Jato, sob comando do juiz federal de primeira instância Sergio Moro, com apoio de setores do Judiciário brasileiro, no caso de processos semelhantes contra Lula, sua família e aliados políticos. O grupo lançou um manifesto e um site – SOS Lula –, em que expõe as motivações para a iniciativa, lista notícias e artigos publicados pela imprensa internacional sobre o tema, além de angariar apoios. Adesões à carta e à causa devem ser enviadas para soslula@online.de .

Segundo nota divulgada pelo grupo, a ideia é "divulgar informações e fazer outras manifestações denunciando a perseguição judicial e policial a que vem sendo submetido o ex-presidente do Brasil".

A seguir, a íntegra do documento que firma a criação do movimento:

O SOS Lula é uma iniciativa que começou entre cidadãos residentes em Berlim, com o objetivo de divulgar informações e fazer outras manifestações denunciando a perseguição judicial e policial a que vem sendo submetido o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e sua família, no âmbito da Operação Lava Jato e outros processos semelhantes. No texto abaixo explicitamos as razões e o contexto desta iniciativa. Conclamamos outras pessoas e organizações a tomarem iniciativas semelhantes.

SOS Lula

Com base em investigações conduzidas desde 2008, em 2014 a Polícia Federal deflagrou a chamada "Operação Lava Jato", para investigar uma série de atos de corrupção envolvendo autoridades e empresários sobretudo ligados a atividades da Petrobras e empresas privadas conexas. A operação tem sede no juizado de Curitiba, que é parte da 4ª Região Judiciária Federal do Brasil. Envolve, além de equipes da Polícia Federal, procuradores públicos desta região.

Os casos investigados são encaminhados, em primeira instância, para o juiz Sergio Moro, também sediado em Curitiba. Além disto, a Operação acabou por deflagrar uma série de outras semelhantes, envolvendo, além do Ministério Público Federal, outros tribunais, juízes, promotores e policiais federais sediados em outras regiões. Ao longo do seu desenvolvimento, ficou claro que a Operação Lava Jato e as outras conexas se caracterizaram pela parcialidade.

Acusações e o julgamento contra membros do Partido dos Trabalhadores e seus aliados eram conduzidas com muita rapidez. As feitas contra membros de outros partidos têm processamento mais lento; algumas sequer entraram em juízo, e podem prescrever.

Também ficou claro que havia um empenho por parte dos investigadores, em encontrar acusações contra o ex-presidente Lula e seus familiares e amigos. As principais acusações contra Lula podem ser reunidas dentro dos seguintes grupos:

- Reformas e entrega de um apartamento na cidade de Guarujá, estado de S. Paulo, pela empresa construtora Odebrecht em troca de favores.

- Reformas em sítio no município de Atibaia, perto da cidade de S. Paulo, para usufruto de Lula e de sua família, também em troca de favores a favor de Odebrecht.

- Outros benefícios a ele dados em troca de favorecimento da obtenção de contratos para empresas brasileiras no exterior.

- Financiamento privado da guarda de presentes dados ao ex-presidente depois do seu mandato. 

Para realizar seu propósito de encontrar alguma acusação contra o ex-presidente, com o objetivo de condena-lo e encarcera-lo, a Operação Lava Jato e as conexas cometeram uma série de ilegalidades. Destacamos algumas:

- Realizaram gravações ilícitas de conversas telefônicas do ex-presidente e seus familiares.

- Divulgaram ilegalmente estas gravações (as transcrições e o áudio) à mídias reconhecidamente hostis ao ex-presidente, que lhes deram publicidade com exagero.

- Instigaram depoentes, acusados e testemunhas, a fazerem declarações que incriminassem o ex-presidente e seus familiares. Invadiram sua casa, revistando-a de modo agressivo, sem necessidade.

- Detiveram de forma ilegal, durante várias horas, o ex-presidente para que depusesse, quando poderiam te-lo intimado a depor voluntariamente, coisa a que ele nunca se negou.

- Deram declarações apresentadas ao vivo e reproduzidas com exagero pela mídia hostil, apresentando o ex-presidente como "cérebro" de uma organização criminosa. Cercearam ilegalmente as atividades da defesa do ex-presidente, manifestando clara animosidade contra seus defensores.

Não resta dúvida de que o ex-presidente hoje é alvo e vítima do que, em língua inglesa, se chama de "lawfare" – a mobilização de um aparato legal, com ajuda da mídia, para perseguir um adversário político. O objetivo, cada vez mais claro, desta perseguição, é alija-lo da atividade política, condenando-o, mesmo sem provas, para impedir que possa ter papel ativo na vida política do país nos próximos anos.

Entretanto, deve-se ressaltar que, ouvidos dezenas de denunciantes e mais dezenas de testemunhas de acusação, durante meses e meses de investigação, a Lava Jato e as operações conexas não conseguiram reunir uma única prova contra o ex-presidente e seus auxiliares. Ao contrário, só conseguiram reunir testemunhos que confirmam sua inocência. Apesar disto, as acusações prosseguem seu rumo, e há uma quase certeza de que o ex-presidente será condenado, mesmo sem provas.

Por este motivo, o ex-presidente entrou com recurso junto ao Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, através do advogado Geoffrey Robertson, alegando que não poderá ter um julgamento imparcial dentro da Operação Lava Jato, presidido pelo juiz Sergio Moro.

O defensor de Lula junto ao Alto Comissariado ressaltou, além das irregularidades cometidas pelos juízes, procuradores e policiais envolvidos na operação, o fato de que o sistema judiciário brasileiro estabelece que o mesmo juiz que preside a investigação deva presidir o tribunal que julga o caso. Isto faz com que o acusado seja, na prática, colocado em posição frágil desde o início do processo final.

Acresça-se a estes fatos a decisão do Tribunal de Recursos da 4ª Região, a que a Vara de Curitiba é submetida, dizendo que a Operação Lava Jato deve permanecer acima das leis comuns, devido ao caráter excepcional de sua investigação. No entendimento dos melhores juristas brasileiros, isto é a confirmação de que o Brasil vive hoje um estado de exceção que, na prática, suspende os direitos constitucionais dos acusados na operação.

Há outras acusações gravíssimas contra a Lava Jato e seus operadores, que vão desde a violação da soberania nacional até a sabotagem da economia brasileira. Segundo elas a operação não se limitou a denunciar corruptos e casos de corrupção. Sua ação inviabilizou o funcionamento de várias empresas, sobretudo no setor naval, aumentando o desemprego no país. Seus agentes têm operado em cooperação estreita com agentes estrangeiros, sobretudo dos Estados Unidos, usurpando funções que deveriam pertencer aos setores responsáveis pela política externa do país.

Mas nosso foco aqui é a violação dos direitos constitucionais de um acusado que, por sua importância política na história brasileira, está sendo vítima de uma perseguição judicial (lawfare). Todo cidadão deve ter o direito a um julgamento justo e imparcial, e isto está sendo negado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele pode se transformar em um novo Nelson Mandela que, independentemente de suas ações, foi vítima de um sistema judiciário parcial e corrupto, decorrente do apartheid sul-africano de então.

Por estas razões, organizamos esta iniciativa SOS Lula, e pedimos a colaboração de todas e todos no sentido de divulgar estes fatos e apoiar a luta do ex-presidente e seus advogados por justiça, que na pessoa do ex-presidente representa hoje a questão da manutenção do estado de direito e da democracia no Brasil.

Sugerimos uma visita ao nosso site: https://soslula.org/home/

SOS Lula Berlim. Por um julgamento imparcial para Lula. Por um estado democrático de direito no Brasil.

Corinta Maria Grisolla Geraldi

Djé Macedo

Flavio Wolf de Aguiar

Helga Dressel

João Wanderley Geraldi

Lígia Chiappini

Luiz Ernesto Bacellar Freudenthal, Pardal

Maristela Pimentel Alves

Martin Radke

Moacir Lopes de Camargo

Nilda Bezerra

Paula Ferreira Lima

Pedro Dolabella Portella

Peter Steiniger

Viviane Santana

Yesko Quiroga

Zinka Ziebell

No RBA | SOS Lula
Leia Mais ►

Golpista da Paraíba tenta fazer bonito com o chapéu de Lula e Dilma e leva troco nas redes sociais

IMG-20170304-WA0011-001


Diz o ditado popular: Filho feio não tem pai.

Já se é bonitinho, há até filas para fazer o teste de paternidade.

É o que está acontecendo com a fantástica transposição do Rio São Francisco, obra-símbolo dos governos Lula e Dilma, que já é realidade.

É inacreditável o que estão aparecendo de pretensos “pais da criança”.

O da hora é deputado federal Marcondes Gadelha, de Paraíba, vice-presidente nacional do Partido Social Cristão (PSC).

Trabalhou e votou pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Agora, tenta usurpar, na maior desfaçatez, uma obra-símbolo dos governos dela e de Lula.

O golpista da Paraíba mandou espalhar pelas ruas de João Pessoa um outdoor (a primeira foto, no topo), onde tenta fazer bonito com o chapéu de quem ele traiu.

Não colou.

Nas redes sociais já circula o outdoor adaptado: A transposição tem cara de pau. Obrigado, Marcondes Canalha.

Duplo troco merecido.

Conceição Lemes
No Viomundo
Leia Mais ►

Sonhos

As pessoas são mais inteligentes dormindo do que acordadas. Todas sonham, mesmo que não se lembrem depois, e seus sonhos são sofisticadas narrativas cifradas, de grande complexidade temática e riqueza simbólica. Meninos de rua sonham como Borges, engenheiros são surrealistas oníricos, debutantes vazias levam a arte da elipse visual a extremos de criatividade, quando dormem. O sonho não é apenas um grande nivelador intelectual - qualquer cerzideira escreveria como a Clarice Lispector, se apenas pudesse botar a trama dos seus sonhos num papel - também é o grande apagador de fronteiras: os sonhos da Rita Cadillac e do arcebispo estão plugados no mesmo provedor de signos, disfarces, desejos e medos, o mesmo roteirista maluco, de todo o mundo. Os sonhos só não são a linguagem comum da espécie porque ainda não se chegou a um vocabulário comum para entendê-los. As mensagens são as mesmas para todos nós, variam as interpretações. 

Só posso especular, por exemplo, sobre o significado de um sonho que tive há tempos, sobre o que o sonho estava querendo me dizer. Enquanto eu sonhava, sua mensagem era claríssima. Quando acordei não entendi mais nada. Eu estava no meio do mar, mexendo braços e pernas para me manter à tona. De acordo com a ortodoxia freudiana, sonhar com água tem alguma coisa a ver com sexo. Pensando bem, para a ortodoxia freudiana tudo tem alguma coisa a ver com sexo, água é só o mais óbvio. Mas já estou naquela idade em que nem a ortodoxia freudiana funciona mais. Interpretei minha situação como a continuação, no mundo cifrado, do pensamento sobre a condição humana que começara antes de dormir. Isto raramente funciona, como você sabe. Pouco adianta pensar com força na Patrícia Pillar antes de dormir, ela não aparecerá no seu sonho. Pode aparecer um símbolo da Patrícia Pillar, mas isso você só saberá depois, na interpretação (aquele pássaro - era ela!), quando for tarde demais. Deduzi que o Oceano Atlântico era o Tempo e eu, modestamente, era a Humanidade.

A distância entre a superfície do mar e o fundo simbolizava o tempo transcorrido desde a criação do mundo, eu representava o tempo da nosso existência no planeta. Contando todas as nossas formas pré-históricas desde o primeiro hominídeo, somos uma espécie recentíssima. E, mesmo na síntese histórica do meu corpo agitado, só a porção da testa para cima representava o homem agrícola-pastoril-industrial que começamos a ser ante-ontem, em termos relativos. Durante a maior parte, quase noventa por cento, do nosso passado como gente fomos caçadores-catadores. Ainda temos os dentes caninos, e uma vaga inquietude de nômades, para nos lembrar desse tempo. Dizem até que éramos melhores então: comíamos mais proteínas e tínhamos uma dieta mais variada antes de descobrir a agricultura - e fazíamos mais exercício, mesmo fugindo de mamutes. Com a agricultura e a domesticação de animais vieram as monoculturas, o sedentarismo e os primeiros grupos humanos a conviver com dejetos, os seus e os dos seus bichos. Nasciam, ao mesmo tempo, a civilização e a falta de higiene.

Qual era, então, o meu significado, na superfície daquele oceano, a quilômetros do seu fundo e da origem da vida? Acho que eu era um símbolo da megalomania humana, da nossa absurda pretensão que 10 mil anos de existência ereta nos dão um significado maior do que o da libélula, que vive só um dia. Em comparação com o tempo transcorrido desde que a primeira ameba se dividiu no miasma borbulhante, a espécie humana também viveu só um dia. E uma noite, para sonhar com ele. Me debatendo no meio do oceano simbólico, eu não passava de um mosquito na superfície de um caldeirão de melado, convencido que toda aquela doçura era em seu louvor. A síntese do meu sonho, então, era essa: não passamos de mosquitos pretensiosos.

Mas aí veio uma barcaça embandeirada com a Cleópatra e o Dom Pedro II abraçados na popa, enquanto alguém na proa gritava na minha direção: “Deleta! Deleta!”, e tudo ficou misterioso outra vez.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

“Para amar, é necessário reconhecer que se tem necessidade do outro”


Trecho de entrevista ao professor e psicanalista Jacques-Alain Miller, realizada por Hanna Waar e publicada na Psychologies Magazine de outubro 2008 (n° 278). Tradução de Maria do Carmo Dias Batista.

“Alguns sabem provocar o amor no outro, os serial lovers – se posso dizer – homens e mulheres. Eles sabem quais botões apertar para se fazer amar. Porém, não necessariamente amam, mais brincam de gato e rato com suas presas. Para amar, é necessário confessar sua falta e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que creem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Manipulam, mexem os pauzinhos, mas do amor não conhecem nem o risco, nem as delícias”.(Jacques-Alain Miller)

Psychologies: A psicanálise ensina alguma coisa sobre o amor?

Jacques-Alain Miller: Muito, pois é uma experiência cuja fonte é o amor. Trata-se desse amor automático, e frequentemente inconsciente, que o analisando dirige ao analista e que se chama transferência. É um amor fictício, mas é do mesmo estofo que o amor verdadeiro. Ele atualiza sua mecânica: o amor se dirige àquele que a senhora pensa que conhece sua verdade verdadeira. Porém, o amor permite imaginar que essa verdade será amável, agradável, enquanto ela é, de fato, difícil de suportar.

Então, o que é amar verdadeiramente?

Amar verdadeiramente alguém é acreditar que ao amá-lo, alcançará uma verdade sobre si. Amamos aquele que conserva a resposta, à nossa questão: “quem sou eu?”.

Por que alguns sabem amar e outros não?

Alguns sabem provocar o amor no outro, os serial lovers – se posso dizer – homens e mulheres. Eles sabem quais botões apertar para se fazer amar. Porém, não necessariamente amam, mais brincam de gato e rato com suas presas. Para amar, é necessário confessar sua falta e reconhecer que se tem necessidade do outro, que ele lhe falta. Os que creem ser completos sozinhos, ou querem ser, não sabem amar. E, às vezes, o constatam dolorosamente. Manipulam, mexem os pauzinhos, mas do amor não conhecem nem o risco, nem as delícias.

“Ser completo sozinho”: só um homem pode acreditar nisso…

Acertou! “Amar, dizia Lacan, é dar o que não se tem”. O que quer dizer: amar é reconhecer sua falta e doá-la ao outro, colocá-la no outro. Não é dar o que se possui, os bens, os presentes: é dar algo que não se possui, que vai além de si mesmo. Para isso, é preciso se assegurar de sua falta, de sua “castração”, como dizia Freud. E isso é essencialmente feminino. Só se ama verdadeiramente a partir de uma posição feminina. Amar feminiza. É por isso que o amor é sempre um pouco cômico em um homem. Porém, se ele se deixa intimidar pelo ridículo, é que, na realidade, não está seguro de sua virilidade.

Amar seria mais difícil para os homens?

Jacques-Alain Miller: Ah, sim! Mesmo um homem enamorado tem retornos de orgulho, assaltos de agressividade contra o objeto de seu amor, porque esse amor o coloca na posição de incompletude, de dependência. É por isso que pode desejar as mulheres que não ama, a fim de reencontrar a posição viril que coloca em suspensão quando ama. Esse princípio Freud denominou a “degradação da vida amorosa” no homem: a cisão do amor e do desejo sexual.

E nas mulheres?

É menos habitual. No caso mais freqüente há desdobramento do parceiro masculino. De um lado, está o amante que as faz gozar e que elas desejam, porém, há também o homem do amor, feminizado, funcionalmente castrado. Entretanto, não é a anatomia que comanda: existem as mulheres que adotam uma posição masculina. E cada vez mais. Um homem para o amor, em casa; e homens para o gozo, encontrados na Internet, na rua, no trem…

Por que “cada vez mais”?

Os estereótipos socioculturais da feminilidade e da virilidade estão em plena mutação. Os homens são convidados a acolher suas emoções, a amar, a se feminizar; as mulheres, elas, conhecem ao contrário um certo “empuxo-ao-homem”: em nome da igualdade jurídica são conduzidas a repetir “eu também”. Ao mesmo tempo, os homossexuais reivindicam os direitos e os símbolos dos héteros, como casamento e filiação. Donde uma grande instabilidade dos papéis, uma fluidez generalizada do teatro do amor, que contrasta com a fixidez de antigamente. O amor se torna “líquido”, constata o sociólogo Zygmunt Bauman. Cada um é levado a inventar seu próprio “estilo de vida” e a assumir seu modo de gozar e de amar. Os cenários tradicionais caem em lento desuso. A pressão social para neles se conformar não desapareceu, mas está em baixa.

No Pensar Contemporâneo
Leia Mais ►

Lava Jato chega em Paulo Preto e Serra, se Janot deixar


A Lava Jato enfim chegou a Paulo Preto, o principal operador do tucanato paulista com as empreiteiras, do Estadão (https://goo.gl/2IaqmR), preso desde agosto do ano passado, Adir Assad decidiu abrir o jogo e admitiu ter entregue R$ 100 milhões a Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (DERSA) no governo Serra, e visto como principal arrecadador do tucano.

Ele deixou as sombras na campanha de Serra, em 2012, quando vazou a informação de que supostamente teria se apropriado de recursos de campanha. Confrontado com o tema, Serra bateu em retirada e voltou imediatamente quando Paulo Preto proferiu a frase célebre: “não se deixa um amigo ferido no campo de batalha”.

Segundo informa o jornal, Assad admitiu ter se valido de empresas de fachada para lavar recursos de empreiteiras em obras viárias como a Nova Marginal do Tietê, o Rodoanel e o Complexo Jacu-Pêssego.

Segundo ele, os pagamentos eram em espécie para o caixa 2 das construtoras. Elas subcontratavam suas empresas, que recebiam os pagamentos, emitiam notas frias, e devolviam o dinheiro em espécie para as empreiteiras. No período 2007 a 2012 esse esquema movimentou R$ 1,3 bilhão.

Aparentemente, a delação de Assad vem com imensa riqueza de detalhes. Ele promete detalhar o funcionamento do sistema financeiro paralelo, o banco das propinas, das construtoras. Inclusive indicando o imóvel onde o dinheiro, em espécie, era armazenado.

O que chama a atenção:

1)  Desde junho de 2015 a Procuradoria Geral da República tem um amplo relatório sobre as atividades de Assad. Não se sabe de nenhum inquérito que tenha batido no padrinho de Paulo Preto, José Serra. Aliás, nenhum tesoureiro tucano, embora sem prerrogativa de foro, foi incomodado até hoje.

2)  Ao contrário de outras delações, Assad não apontou o nome de nenhum político beneficiário das propinas, alegando não ter provas contra eles. É evidente que não! O dinheiro é sempre entregue a intermediários, no caso Paulo Preto. Mas, em outras oportunidades, o Ministério Público Federal acatou as indicações de nomes de políticos, a partir das conversas dos delatores com os intermediários. Aparentemente, a não citação de Serra ou Alckmin foi mais um ato de benevolência do Procurador Geral da República Rodrigo Janot.

3)  Segundo informa a reportagem, há resistência do Ministério Público Federal em aceitar a delação de Assad, alegando que já detém as informações que ele promete apresentar. No ano passado, Janot inviabilizou o depoimento de Léo Pinheiro, da OAS, que prometia detalhar o esquema de propinas do governo de São Paulo.

4) Desde março de 2015 Janot tinha um relatório oficial descrevendo a atuação de Adir Assad junto às empreiteiras que atuavam em São Paulo. Dois anos e nenhum inquérito foi aberto contra governantes paulistas.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Bastidores

Depois das revelações do chef franco-novaiorquino Anthony Bourdain no seu livro “Kitchen confidential”, publicado há alguns anos, muita gente passou a desconfiar do que comia em restaurantes.

Aparentemente, aquele mito de cozinheiros fazendo higiene íntima com a sopa antes de mandá-la para a sua mesa não era mito. Pelo menos em Nova York, segundo Bourdain, as cozinhas eram versões revisadas do Inferno de Dante que podiam até incluir o Dante comendo a Beatriz enquanto ela mexia o molho.

O livro foi um “succès de repugnance” nos Estados Unidos e deve ter contribuído para aumentar a onda de restaurantes com vitrine dando para a cozinha, para mostrar que não há nada a esconder. O que é uma pena, porque o contraste entre cozinha e salão faz do restaurante uma boa metáfora para a divisão de tudo — inclusive a gente — entre bastidores caóticos e frentes enganosas.

Você e eu também temos a personalidade que aparece e os seus fundos, e quem vê nossa cara (que é o nosso avesso, como escreveu a Clarice Lispector) nem sempre adivinha a confusão que tem lá atrás. Os pratos voando, o xingamento, a fumaça.

Por trás de cada ato e cada frase dita há uma engrenagem oculta e todo o mundo é só a ponta visível do seu próprio iceberg, cuja extensão pouco varia, seja você intelectual ou manicure.

A cara que apresentamos aos outros é como o prato que chega bem montado na mesa, sem vestígio do turbilhão em que se originou. Se os outros vão aceitá-lo ou mandá-lo de volta à cozinha é outra história.

Você não gostaria de saber o que há por trás desta crônica, por exemplo. Seus bastidores não são nada atraentes. Minha aflição com o prazo de entrega, a sonolência porque ontem não dormi muito bem, todos estes livros empilhados que não consigo arrumar, o que dirá ler, desde o século passado, a velhice chegando, o gás acabando, o Internacional na Serie B... Não interessa.

A crônica tem que sair na hora certa, com a coerência possível. Não dá nem para acrescentar uma nota de pé de página, explicando as circunstâncias de um mau texto e pedindo a indulgência do leitor. Vale o que aparece, sem desculpas. Esse iceberg só tem ponta.

O que não é totalmente ruim. Existe um certo prazer estético em conhecer o outro lado, como o avesso de uma tapeçaria em que se vê o mesmo desenho da frente mas com as costuras e as sobras de linha à mostra — e que muitas vezes tem mais caráter do que o lado certo. Caráter, afinal, é isso: costuras e sobras de linha aparecendo. Inclusive as nossas.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Novas perguntas de Cunha chegarão a Temer, desta vez sem censura

Nem tudo que Lava é Jato, nem tudo que é Jato lava. As novas perguntas de Eduardo Cunha, para sua defesa, chegarão a Michel Temer sem uma só censura do juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, de Brasília.

Tratamento oposto aos 21 cortes, em 41 indagações de Eduardo Cunha, com que Sergio Moro dispensou Temer de questionamentos problemáticos. Resultado imediato da diferença de condutas em situações idênticas, já se evidencia a necessidade de investigação de mais uma provável irregularidade com dinheiro do FI-FGTS. E mais um motivo para Cunha, o impiedoso, deixar Temer apreensivo.

A decisão do juiz adverte que Temer pode se negar a responder. Mas, nesse caso, o silêncio mais fortaleceria do que recusaria o teor da pergunta, cuja interrogação não diminui a sua força afirmativa. À época em uma das vice-presidências da Caixa, Moreira Franco também está agraciado por Cunha, assim como o representante dos trabalhadores no FI-FGTS, André Luiz de Souza. E o então vice-presidente Michel Temer, por acaso, estava com eles naquele encontro que tratou de financiamentos pretendidos? É o que indaga Eduardo Cunha. Não para saber a resposta, mas para que outros a deduzamos.

O conhecimento fornecido é, porém, incompleto, e Eduardo Cunha é insaciável. Temer, por sua vez, é velho adepto de reuniões pequenas e discretas. Esteve com Léo Pinheiro e Benedito Júnior, da OAS e da Odebrecht, para pedir dinheiro com alegados fins eleitorais? E se assim foi, por outro acaso, o presentinho pedido ficou vinculado a alguma liberação de financiamento do FI-FGTS? O ponto de interrogação às vezes é um desperdício.

Ações judiciais sobre Temer não podem ficar com juízes de primeira instância, como Souza Oliveira e Moro. Embora perguntas de defesa e suas respostas não sejam investigações, como pretendeu Sergio Moro, o questionário-revelação de Eduardo Cunha indica que a corrupção na Caixa e no FGTS terá, além da ação em primeira instância, mais um inquérito no Supremo. Quando? O provável é que também quando não ameaçar Michel Temer de deposição. Essa é uma nova regra não dita, mas vigente.

Trinca

1) Cinco jornais e sites foram vetados em entrevista coletiva na Casa Branca. A Sociedade Interamericana de Imprensa não soube? E a Organização dos Estados Americanos, com sua comissão de liberdade de imprensa?

2) Em nove meses, caíram oito ministros de Temer. Sete por problemas com corrupção e um por denunciá-la. Tudo bem no Brasil moralizado. E se fosse com Lula ou Itamar?

3) Aloysio Nunes Ferreira na internet, em novembro: "Trump é o Partido Republicano de porre". Um achado. Esperemos que Aloysio Nunes Ferreira, no Itamaraty, seja o PSDB sem porre.

Mais que um livro

Já pela originalidade e pela beleza, seria um livro destinado a ganhar o mundo e perdurar pelo tempo afora. Mas o destemor da franqueza, as ansiedades do convívio com uma mente inalcançável, a força e a fraqueza da ternura, as culpas não menos sufocantes por serem indevidas – isso faz da leitura de "Meu Menino Vadio" mais do que uma combinação rara e perfeita de prazer, emoção e descoberta. Luiz Fernando Vianna, ensaísta e jornalista entre os mais brilhantes, desmitifica a propaganda da felicidade de pais de autistas. Faria bem que esse livro fosse lido por todos, ao menos o seja por muitos. É a vida verdadeira que está nele.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►