24 de fev de 2017

Bom Carnaval







Leia Mais ►

Tabapuã Papers revela relações sombrias entre José Yunes e Temer



No dia 31 de dezembro do ano passado, numa data pouco provável para este tipo de matéria, surgiu o blogue Tabapuã Papers, com um texto assinado por Joel Assis e Larissa Monteiro. A reportagem, até o momento a única do blogue, tinha como ponto central as “relações sombrias” entre José Yunes e Michel Temer. Ou seja, o blogue parece ter sido criado para divulgar este material.

Há aproximadamente um mês o blogueiro foi apresentado ao blogue por uma colega jornalista. Vasculhou-o, fez relatórios, checou dados, mas não conseguiu avançar muito nos emaranhados de suas ramificações. De qualquer forma, não encontrou incoerências ou formulações inverídicas.

Com a declaração dada por Yunes sobre ter sido “mula” de Eliseu Padilha com o conhecimento de Temer, há necessidade de que outros jornalistas também possam ter acesso a esses documentos.

Histórico dos negócios suspeitos de Yunes com Temer

Boa parte do relatado abaixo foi extraído do blogue citado. Alguns trechos literalmente. O blogueiro, porém, achou necessário fazer uma edição para que a leitura pudesse ser mais fluente.

A criação da Stargate

Em agosto de 2001, Glorybel Sousa assinava papéis na sala 400 de um prédio em forma de ‘S’ no estado de Delaware, famoso paraíso fiscal norte-americano, no escritório da Coporation Service Company (CCS), criando uma empresa da qual seria “diretora”. Poucos dias depois, Glorybel nomeava José Yunes como procurador da companhia no Brasil, autorizando o advogado a agir como melhor entendesse na gestão da recém-fundada Stargate Esthetics LLC. A sede da Stargate Esthetics, no papel, é o próprio escritório da CCS, agente registrado de “milhares de entidades corporativas”. O principal trabalho de um agente registrado é, simplesmente, oferecer um endereço legal aos clientes.

A CCS aparece nos Papéis do Panamá como sede de mais de vinte offshores – empresas em paraísos fiscais. Os papéis reúnem dados de quase meio milhão de companhias desse tipo.

O anonimato garantido por offshores facilita lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, fraude e outros crimes.

Dois meses  depois de receber a procuração de Glorybel para agir em nome da Stargate Esthetics, José Yunes abriu, em Santana de Paranaíba, na região metropolitana de São Paulo, cidade famosa por permitir tributação mais baixa, uma firma cujas atividades iam da venda de produtos de estética à “participação em empreendimentos de qualquer natureza”. Era a Stargate do Brasil Estética, Produtos e Serviços, que nasceu quando a companhia de Delaware se associou ao “empresário” Arlito Caires Santos. A sociedade funcionava da seguinte forma: a firma americana entrava com R$ 2,499 milhões e Arlito com mil reais.

Em troca de um salário mensal “pró-labore”, Arlito seria o “diretor”, mas precisaria da aprovação da Stargate Esthetics para pegar empréstimos, por exemplo. Como José Yunes era o procurador da companhia americana, as mais importantes operações da Stargate do Brasil tinham de passar pelo crivo do advogado.

Em março de 2004, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, anunciava um pacote de estimulo à construção civil, com R$ 1,6 bilhão em crédito para a compra de casas próprias. Naquele mês, Arlito e Yunes alteravam o campo de atuação da Stargate do Brasil. A companhia também passaria a comprar, vender e alugar imóveis. Shirley Siqueira Gomes assinou como testemunha da mudança do objeto de atuação da empresa.

Após quase uma década, a Stargate do Brasil criava outras duas companhias de “consultoria empresarial”. Juntas,  a Golden Star Serviços e Participações e a Lighted House Serviços e Participações tinham um capital de R$ 11,1 milhões. Desse total, dois mil reais saíram dos bolsos de Arlito e o restante da Stargate do Brasil, que José Yunes controla. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, uma casa de fachada amarela e grades pretas no Brooklin Paulista. O blogue Tabapuã Papers revela que tentou encontrar, sem sucesso, Arlito. Também teria enviado repórteres à sede das empresas no último dia 28 de dezembro. Lá,  havia somente uma placa indicando que funcionava um escritório de contabilidade.  

Yuni Incorporadora Ltda e os bancos do empréstimo da Schahin com a Petrobras

Há quinze minutos de caminhada dos prédios das duas empresas, no bairro Vila Olímpia, localiza-se a Yuny Incorporadora S.A. José Yunes e dois filhos, Marcos Mariz de Oliveira Yunes, o mais velho, e Marcelo, fundaram a companhia em 1996. Na época, a Yuny cuidava apenas de empreendimentos de “altíssimo padrão”, como informa a página da incorporadora na Internet. Uma grande mudança ocorreu no dia 31 de agosto de 2006, quando José Yunes a transformou em uma sociedade anônima fechada, com ações divididas apenas entre os sócios. O capital da Yuny em nome dos donos era de R$ 3,5 milhões. Mais uma vez, Shirley Siqueira Gomes era a testemunha nos contratos.

Nesses 20 anos a imobiliária dos Yunes cresceu e, atualmente, os sócios têm na empresa um capital superior a R$ 174 milhões. José Yunes deixou de assinar pela Yuny, mas os filhos Marcos e Marcelo permanecem nela.

No dia 3 de setembro de 2010, os irmãos Yunes autorizavam uma das empresas do grupo a pegar empréstimos de até R$ 5 milhões com o Banco Pine S.A. Dois meses depois, no dia 10 de novembro, enquanto Temer já celebrava a vitória nas eleições, Marcos e Marcelo voltavam ao prédio ondulado da Vila Olímpia para autorizar outro empréstimo, de R$ 4 milhões com o Banco Fibra S.A.

Até junho de 2013, os filhos de José Yunes autorizaram empréstimos de, pelo menos, outros R$ 10 milhões com o Pine e outros R$ 7 milhões com o Banco ABC Brasil S.A. No total, eram R$ 26 milhões com o Pine, o Fibra e o ABC Brasil juntos.

Não há nada de irregular nisso, mas há uma coincidência que une os três bancos: todos estiveram na mira de investigações sobre desvios em contratos do grupo Schahin com a Petrobras.

Uma reportagem de 2016 do jornal Estadão diz que a Receita Federal encontrou indícios de que essas e outras 10 instituições financeiras “criaram uma estrutura para emprestar e receber dinheiro em paraísos fiscais”. E que, na avaliação da Receita, esses empréstimos abriram “espaço para dar ‘aparência lícita’ a dinheiro que poderia ter sido obtido em operações ilegais no Brasil, como fraude a licitações e sonegação fiscal”.

O artigo ainda afirma que o Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), responsável pela Lava-Jato, avaliava se abriria um inquérito contra os bancos.

Maraú Administração de Bens e Participações, sociedade com Marinho e Tutinha

Em 25 de abril de 2016, uma semana depois de a Câmara dos Deputados aprovar o impeachment da então presidente Dilma Rousseff e enviar o caso ao Senado, Marcos Yunes ficava sócio da Maraú Administração de Bens e Participações. A Maraú existia desde 2007 e, supostamente, servia apenas para cuidar de bangalôs de luxo na paradisíaca cidade de Maraú, na Bahia.

Um dos sócios de Marcos Yunes na Maraú é Alba Maria Juaçaba Esteves Pinheiro, que foi esposa de Noberto Nogueira Pinheiro, do conselho de administração do Banco Pine. Também faz parte da sociedade Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, dono da rádio Jovem Pan. E, vejam só que coisa, José Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo de Comunicação.

Entre os sócios de toda essa gente na Maraú está a empresa Shadowscape Corporation, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, território que, assim como Delaware, muitos chamam de paraíso fiscal.

A Shadowscape nasceu no dia 4 de janeiro de 2011, tendo como agente registrado o célebre Mossack Fonseca, escritório de advocacia panamenho pivô dos Papéis do Panamá e responsável por abrir offshores ao redor do mundo. Os papéis panamenhos, aliás, também citam a Shadowscape. O registro do banco de dados mostra que o escritório de administração da firma fica em Douglas, capital da Ilha de Man. Por coincidência, muitos também classificam a ilha entre a Inglaterra e a Irlanda como um paraíso fiscal.

O representante da Shadowscape no Brasil seria José Arnaldo da Silva, morador no bairro Vila Dona Meta, em São Paulo. A reportagem do Tabapuã Papers teria ido até o local mas não encontrou o endereço do representante da Shadowscape que constava nos registros da empresa. Vizinhos afirmaram que um homem chamado José morava por ali, numa casa de aparência humilde, mas que havia se mudado em setembro do ano passado.

Quem também é sócia da Maraú é Andrea Capelo Pinheiro, que também é sócia da Agropecuária Vila dos Pinheiros, especialista na criação e no comércio de gado. A administração do haras é de Francisco Jaime Nogueira Pinheiro Filho, da família de Andrea e também de Noberto Nogueira Pinheiro, do Banco Pine.

Andrea também é diretora do BR Partners, um banco de investimentos que ocupa o 25º e o 26º andares do edifício Spazio Faria Lima, no Itaim Bibi.

As duas salas do 25º andar ocupadas pelo BR Partners pertencem a uma empresa chamada Tabapuã Investimentos e Participações. O dono da Tabapuã seria, justamente, o grande amigo de José Yunes, seu “irmão”, Michel Temer.  

A Tabapuã, empresa de Temer

No dia 19 de novembro de 2010, Temer abriu com uma das filhas, Luciana, a Tabapuã, que cuidaria do aluguel das duas salas do 25º Andar do edifício Spazio Faria Lima, no Itaim Bibi. Curiosamente na reunião daquele 19 de novembro estavam presentes duas pessoas próximas a José Yunes. Uma delas era o advogado Marcelo Beserra. A outra, a mesma Shirley Siqueira Gomes, testemunha de alguns dos contratos que o amigo de Temer assinou.

Essa não é a única das coincidências que liga a família Yunes ao atual presidente da República. As declarações de bens do presidente mostram que Temer participou de uma sociedade com José Yunes e sua família por, no mínimo, quatro anos. Em 2006, quando concorria ao cargo de deputado federal, Temer declarou possuir uma sociedade para um empreendimento imobiliário no valor de R$ 639.378,50. Quatro anos depois, a declaração de bens de Temer mostra uma sociedade com a Yuny – que no papel não tinha mais José Yunes entre os donos – no valor de R$ 639.378,49.

Reportagem da revista Veja afirma que essa sociedade do presidente com a incorporadora dos Yunes começou em 2003, quando Temer adquiriu – ainda na planta – o imóvel ocupado pelo BR Partners.

Pode não haver nada de errado com os negócios acima citados. Mas alguns são de fato suspeitos, já que envolvem criação de offshores e empréstimos heterodoxos. De qualquer forma, uma coisa está mais do que clara, Yunes parece ser muito mais do que um amigo, muito mais do um irmão de Temer. E pode acabar com o seu governo.
Leia Mais ►

Malafaia é indiciado por lavagem de grana

Silas Malafaia, o falso pastor metido a vestal da ética, bem que poderia passar alguns dias na cadeia para se penitenciar dos seus pecados. Segundo informa o site do jornal Estadão, o chefão da sinistra Associação Vitória em Cristo, ligada à Assembleia de Deus, "foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Timóteo por lavagem de dinheiro. A informação foi dada nesta sexta-feira, 24, pela Polícia Federal. Em 16 de dezembro do ano passado, o pastor foi alvo de mandado de condução coercitiva – quando o investigado é levado a depor e liberado". Agora, com a nova ação da PF, a situação do "pastor" que faz apologia do ódio e é um fascistóide convicto fica ainda mais complicada.

Como lembra a matéria, assinada por Fausto Macedo, Julia Affonso e Mateus Coutinho, "a Operação Timóteo investiga um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral (65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM – tem como destino os municípios). Silas Malafaia é suspeito de apoiar a lavagem do dinheiro do esquema, que recebeu valores do principal escritório de advocacia investigado. A suspeita a ser esclarecida pelos policiais é que este líder religioso pode ter 'emprestado' contas correntes de uma instituição religiosa sob sua influência com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores".

Quando da sua condução coercitiva, no final do ano passado, Silas Malafaia ficou endiabrado. Em sua página no Twitter, ele postou áudio e vídeo negando sua participação no esquema criminoso de lavagem de grana e, como sempre, acusou os seus adversários políticos. "Eu sei o poder das trevas", esbravejou o "pastor". Agora, porém, as suas bravatas coléricas terão menor impacto, inclusive entre os seus fieis seguidores. Como ainda lembra a matéria do Estadão, "o nome da operação é referência a uma passagem do livro Timóteo, integrante da Bíblia Cristã: 9 Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição". Silas Malafaia não caiu em tentação. Ele é a própria tentação!

Altamiro Borges

Leia Mais ►

O depoimento de José Yunes, amigo de Temer, que disse em depoimento


Leia Mais ►

A quadrilha no Governo e a dos cúmplices


A Globo mantém a suruba em funcionamento


Leia Mais ►

A “mula” e o elo Cunha-Temer


Embora tratada com conivente discrição pelos jornais, a declaração do amigo e ex-assessor de Michel Temer, o advogado José Yunes, mesmo sendo incompleta, vai além de confirmar a veracidade de que se deu em “pacos” de dinheiro a “ajuda” da Odebrecht, solicitada pessoalmente ao hoje presidente da República ao empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Ao definir-se como “mula” de Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil do governo da República, o velho amigo de Temer puxou uma corda ao, apavorado, se lançar ao mar, pulando do navio temerista.

É a corda que amarra, definitivamente, a laçada que vem sendo tentada desde Curitiba, unindo Eduardo Cunha e Michel Temer como cúmplices de um assalto ao poder que era planejado desde antes das eleições de 2014. Talvez, ainda, sem a pretensão de que este ascendesse pessoalmente ao poder, mas certamente com o plano de fazer a Presidenta ter de ajoelhar-se ao grupo, em nome da governabilidade.

É o que se afirmou claramente aqui, há dois meses e agora  o que salta aos olhos da descrição que José Yunes faz da chegada da “pessoa” que Padilha pediu para receber, trazendo  um “documento”, para que, depois, outra pessoa retirasse:

“A pessoa se identificou como Lúcio Funaro. Era um sujeito falante e tal. Ele me disse: ‘Estamos trabalhando com os deputados. Estamos financiando 140 deputados’. Fiquei até assustado. Aí ele continuou: ‘Porque vamos fazer o Eduardo presidente da Casa’. Em seguida, perguntei a ele: ‘Que Eduardo?’. Ele me respondeu: ‘Eduardo Cunha’.

Eduardo Cunha, com Michel Temer simulando não ser capaz de “conter” o movimento da bancada peemedebista, virou Presidente da Câmara e deu início ao processo de sabotagem que teve o desfecho bem sabido por todos.

O relato de Yunes (leia abaixo o que publica Lauro Jardim, em O Globo) é claro ao fixar que tudo era do conhecimento de Temer:

— Contei tudo ao presidente em 2014. O meu amigo (Temer) sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre (risos). Eu decidi contar tudo a ele porque, em 2014, quando aconteceu o episódio e eu entrei no Google e vi quem era o Funaro, fiquei espantado com o “currículo” dele. Nunca havia conhecido o Funaro — afirmou Yunes.

Conversa que teria se repetido após virem á tona as declarações de Cláudio Melo Filho relatando o encontro entre Marcelo Odebrecht e Michel Temer no Palácio do Jaburu.

É óbvio que o relato de Yunes é incompleto e esconde informações. Nenhum advogado com décadas de banca e mais ainda com mandatos políticos, como teve Yunes, recebe um telefonema em que se fale que uma “pessoa” deixará um documento e outra “pessoa” irá buscá-lo, assim, sem um nomezinho que seja.  Muito menos iria receber um simples portador de uma cartinha, ou coisa do gênero e, menos ainda, entrega-lo a alguém desconhecido e não identificado.

O fato é que se as instituições policiais e judiciais não estivessem irremediavelmente contaminadas pela missão política de destruir Lula e – por enquanto – proteger Michel Temer, Yunes estaria sendo intimado hoje a depois -há uma versão, não oficial, de que falou a procuradores  –  e diligências estariam recolhendo imagens das câmeras de segurança  do seu escritório, uma construção moderna e luxuosa que certamente as  têm.

Estariam praticando a regra de ouro de investigações deste tipo – seguir o dinheiro.

Já a imprensa, que vê em Sérgio Moro o mensageiro da verdade e o cavaleiro da transparência, estaria perguntando a ele agora se continua sustentando que não tinham interesse  as perguntas de Cunha que ele proibiu serem feitas a Temer:

 35 – Qual a relação de Vossa Excelência com o Sr. José Yunes?

36 – O Sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?

37 – Caso Vossa Excelência tenha recebido, as contribuições foram realizadas de forma oficial ou não declarada?

Cunha sabia bem do que estava falando ao perguntar. Moro diz que isso era “constranger” o Presidente.

Agora, vê-se porque.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Parlamentares brasileiros viajam para Israel a convite de organizações sionistas

Integram a comitiva os senadores Jorge Viana (PT-AC), Humberto Costa (PT-PE), Kátia Abreu (PMDB-TO), Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Ana Amélia Lemos (PP-RS) e os deputados Eduardo Cury (PSDB-SP), Bruna Furlan (PSDB-SP) e Pedro Vilela (PSDB-AL)

Parlamentares brasileiros estão em Israel pelo Project Interchange, um instituto educacional do AJC, sigla em
inglês para Comitê Judaico Norte-Americano
Uma comitiva de senadores e deputados brasileiros se encontra em Israel nesta semana a convite de organizações ligadas ao Estado de Israel. Os senadores Jorge Viana (PT-AC), Humberto Costa (PT-PE), Kátia Abreu (PMDB-TO), Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Ana Amélia Lemos (PP-RS) e os deputados Eduardo Cury (PSDB-SP), Bruna Furlan (PSDB-SP) e Pedro Vilela (PSDB-AL) viajaram a Israel no último domingo (19/02) e passaram a semana conhecendo programas do governo israelense, além de terem se encontrado com representantes de Israel e da Palestina.

A viagem é parte do Project Interchange, um instituto educacional do AJC, sigla em inglês para Comitê Judaico Norte-Americano. O AJC é uma organização sionista – que defende Israel como um Estado judaico – e, por meio do Project Interchange, leva atores internacionais como políticos e jornalistas ao país para conhecer a sociedade israelense e “as importantes contribuições de Israel em suas áreas de atuação”. Desde 1982, quando foi fundado, o projeto já levou à região “aproximadamente 6 mil vozes influentes de mais de 100 países”, segundo seu site, e em 1992 passou a fazer parte do AJC.

O convite aos parlamentares brasileiros foi feito pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), a Federação Israelita de São Paulo (FISESP) e o Instituto Arthur e Rochelle Belfer para Assuntos Latino-Americanos, braço do AJC na América Latina.

Desde segunda-feira (20/02), senadores e deputados da comitiva têm compartilhado fotos e relatos da viagem em suas redes sociais. A comitiva brasileira se encontrou com jornalistas, ministros e parlamentares israelenses, assim como representantes da ANP (Autoridade Nacional Palestina), e foi até a fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza, território palestino que vive sob bloqueio de Israel desde 2007 e que observaram desde um voo panorâmico.

Para Arturo Hartmann, membro do movimento Palestina Para Todos, tais viagens, financiadas por instituições voltadas para a defesa do Estado de Israel, são parte da tentativa de normalizar a atual situação do processo de paz estabelecido em 1993 com os Acordos de Oslo. Os acordos estabeleceram a criação da ANP, que viria a controlar os territórios palestinos ocupados por Israel, e o reconhecimento palestino do Estado israelense – mas não estabeleceram a criação de um Estado palestino independente.

Segundo o ativista afirmou a Opera Mundi, tal processo, que tinha o objetivo de resolver a questão palestina, acabou determinando “novas formas de domínio e controle de Israel dos territórios ocupados”. A própria criação da ANP, diz ele, permitiu a Israel mediar “o controle e policiamento da população palestina”. “É uma forma de governo sem soberania. Os palestinos não têm nada para ceder, só o controle da própria população”, afirma, visto que Israel controla o acesso aos territórios palestinos e tem intensificado a expansão de colônias judaicas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

“Monta-se uma estrutura muito maior e se solapa uma das maiores agendas da esquerda mundial [a libertação e independência palestina], com a participação de civis e autoridades internacionais, como essa viagem”, critica Hartmann, acrescentando que tais expedições buscam “normalizar a ocupação e a etnocracia”: “Israel se vende como uma democracia, mas vários mecanismos internos garantem que permaneça um Estado judeu de maioria demográfica judaica, com privilégios que se dão em detrimento de outras populações, como a palestina”, afirma.

A assessoria do senador Jorge Viana (PT-AC) disse a Opera Mundi que o parlamentar não vê problemas em viajar a convite de organizações engajadas na defesa do Estado de Israel, e ressaltou que o senador "não é contra a Palestina".

O senador Humberto Costa disse a Opera Mundi que respeita a visão de Arturo Hartmann, mas que “discorda frontalmente dela”. “A viagem não se insere nesse contexto e, ainda que se inserisse, não seria capaz de mudar minhas convicções sobre a urgente necessidade da criação e reconhecimento mundial de um Estado Palestino”, afirmou. Segundo Costa, a expedição “se insere em um contexto de diplomacia parlamentar como qualquer outra, em que congressistas brasileiros trocam experiências com suas contrapartes e conhecem experiências de outras nações”.

Ele também afirmou que sua viagem não foi financiada pelas organizações que fizeram o convite e que sua “missão oficial é custeada pelo Senado Federal, como membro daquela Casa”. No entanto, segundo confirmaram assessores dos parlamentares a Opera Mundi, as outras viagens se dão por conta do Project Interchange, como tem destacado a senadora Ana Amélia (PP-RS) em seus posts no Facebook.

Questionado sobre com que políticos israelenses e palestinos ele se reuniu, Humberto Costa afirmou que a comitiva brasileira se encontrou, do lado de Israel, com Manuel Trachtenberg, parlamentar do Partido Trabalhista – de oposição ao governo de Benjamin Netanyahu –, Yuval Schteinetz, do partido governista Likud, e Modi Efraim, diretor adjunto do Departamento de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

Do lado palestino, a comitiva se encontrou com Rami Hamdallah, primeiro-ministro da ANP, e com o empreendedor Shadi Atshan. Segundo o senador Costa, com os israelenses, “a questão da ocupação dos territórios palestinos e as medidas do governo israelense em relação aos árabes foram tratadas por nós”, assim como, com os palestinos, “tratamos, entre outros temas, da questão do Estado Palestino e da ocupação de Israel por meio de assentamentos”.

Hartmann diz ser interessante que a comitiva brasileira visite território palestino ocupado e se encontre com autoridades palestinas. Segundo ele, porém, “há que se ter cuidados” com a contradição entre “realidade e representação” que envolve essas atividades, com a justificativa do encontro “com opressores e oprimidos”.

Senadores Jorge Viana (PT-AC), Humberto Costa (PT-PE), Kátia Abreu (PMDB-TO), Ana Amélia (PP-RS) e
Ricardo Ferraço (PSDB-ES) no Knesset, Parlamento israelense

“Assim como a sociedade israelense, a sociedade palestina não é homogênea. Representantes da ANP têm posição de privilégio dentro da sociedade palestina”, diz o ativista, lembrando que estes têm permissão especial para entrar e sair de Israel e dos territórios palestinos, coisa que a enorme maioria dos cidadãos palestinos não tem.

Segundo disse a Opera Mundi a assessoria da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), um dos interesses da parlamentar é o sistema de irrigação de Israel, país que “tem as melhores tecnologias e é um dos maiores especialistas do mundo” nesta técnica. Hartmann apontou que Israel se destaca neste sistema, assim como em outras tecnologias, porque as desenvolve como parte da ocupação dos territórios palestinos.

Segundo a organização Ewash, que trabalha com o direito à água nos territórios ocupados, Israel mantém o controle de todos os recursos hídricos disponíveis na Cisjordânia. O sistema de irrigação de ponta de Israel extrai e transporta 80% dessa água para o consumo israelense, enquanto aos palestinos está permitido utilizar os 20% restantes – outro ponto estabelecido nos Acordos de Oslo.

A indústria israelense se desenvolve nos territórios ocupados ilegalmente e também deve ser questionada nesse sentido, diz Hartmann. “Israel não é ‘bonzinho’ aqui e ‘mauzinho’ ali. É um processo complexo, há que se entender as ligações, e qualquer ator internacional ou figuras públicas como os parlamentares brasileiros têm a responsabilidade de questionar isso”, afirma o ativista.

Questionada sobre isso, a assessoria de Kátia Abreu disse a Opera Mundi não saber se a senadora está ciente do “apartheid da água” imposto por Israel à Palestina, mas que ela está interessada na tecnologia utilizada, não em de quem é a água.

Hartmann aponta os posts no Facebook da senadora do PMDB como exemplos de reprodução de discursos “que reforçam essa estrutura de poder desigual” entre Israel e Palestina. Ele cita um post em que Kátia Abreu fala sobre as “azeitonas israelenses”. “Os palestinos é quem são conhecidos pelas oliveiras. Esta é uma prática colonial de apagamento. Vão se apagando os símbolos, e dentro daquele contexto se está reforçando o ganho simbólico do conquistador”, afirma.

O ativista considera “extremamente contraproducente” que os parlamentares tenham viajado desta maneira a Israel e que “reproduzam esse discurso, pacote problemático que se liga a crimes internacionais. Não sei se fazem conscientemente ou não, mas acaba acontecendo”, diz Hartmann. Ele acredita, porém, que esta seja uma boa oportunidade para ampliar o debate sobre a questão. “Talvez a gente tenha mesmo que falar mais sobre isso, sobre a Palestina, trazer para o debate público, para que as pessoas possam dizer ‘não vou’” diante de tais convites, afirmou.

Leia Mais ►

Bom para Todos: grafite


Que a pichação enfeia a cidade é um fato. Mas que ela é a voz de uma camada excluída da população, também é verdade. As pinturas rupestres, da pré-história, a primeira expressão simbólica da humanidade, eram as pichações da época. Hoje são arte.

A pichação é mais contestada. O grafite, mais aceito por ser melhor compreendido. Ambos, no que tem de bom e de ruim, são marcas de São Paulo. Há roteiros turísticos montados apenas em torno da arte de rua da capital que hoje é alvo do projeto cidade linda.

O grafite e a pichação. É do que trata o Bom Para Todos.



Leia Mais ►

Delatado pela Odebrecht e pelo melhor amigo de Temer, Padilha se licencia


Após ser delatado por José Yunes, melhor amigo e ex-assessor de Michel Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, tirou licença ontem do governo alegando problemas de saúde. Ele viajou para Porto Alegre (RS), onde tem residência, e deve fazer ainda no fim de semana uma cirurgia para retirada da próstata. Padilha sai no momento em que Yunes afirmou ter recebido, a pedido dele, um "pacote" em seu escritório entregue por Lucio Funaro, tido como operador do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).


"Em delação premiada, Claudio Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht, afirma que enviou dinheiro vivo ao escritório de Yunes também a pedido de Padilha.

Ele não se pronunciou sobre as declarações de Yunes.

O ministro passou mal na segunda-feira (20) e foi internado no hospital do Exército, em Brasília, depois de uma hemorragia causada por obstrução urinária. Exames mostraram aumento da próstata e a necessidade de cirurgia.

Ontem, ele se reuniu com Temer e apresentou pedido de licença médica para se submeter ao procedimento. Já em Porto Alegre, fez exames preparatórios para cirurgia no hospital Moinhos de Vento.

A previsão inicial é de que no dia 6 de março ele volte a despachar em seu gabinete no Palácio do Planalto."

No 247
Leia Mais ►