23 de fev de 2017

Golpista, dissimulado, entreguista, ególatra: isto é Serra


José Serra não está deprimido: ele é a própria encarnação da depressão.

Golpista, dissimulado, entreguista, ególatra, a existência física e política de Serra é depressiva, inclusive para seus correligionários, desde sempre.

É óbvio, até para os colunistas que lhe prestam vassalagem, que Serra está abandonando o barco do governo golpista porque lhe negaram o protagonismo necessário – única razão de viver de gente como ele.

Era um ministro inútil dentro de um governo lamentável, pego em flagrante em um esquema de propinas depositadas na Suíça, enquanto bradava, com essa hipocrisia tão peculiar aos tucanos, contra a corrupção alheia.

Talvez pense que, abandonando o barco como uma ratazana esperta, tudo isso passe batido pela História.

Não passará.

Serra tornou-se conhecido quando, presidente da UNE, em 1964, fugiu do País antes mesmo de um único disparo ter sido feito pelos golpistas de então. Foi para o Chile e, curiosamente, partiu então para os Estados Unidos, de onde voltou mentindo que era economista.

De lá para cá, virou um devotado súdito do Tio Sam, a quem prometeu – e cumpriu – entregar as reservas de petróleo do Brasil.

Agora, levará sua depressão atávica de volta ao Senado Federal, atualmente, um ambiente mais que perfeito para sua recorrente prostração moral.

Será mais um golpista numa bancada de traidores da pátria que, espero, sejam julgados ainda durante esse apodrecimento em vida transmitido, dia e noite, em tempo real.

Leandro Fortes
No DCM
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Papa sugere que é 'melhor ser ateu do que católico hipócrita'




O Papa Francisco criticou novamente alguns membros da sua própria Igreja nesta quinta-feira (23), sugerindo que é melhor ser ateu do que um dos "muitos" católicos que levam o que disse ser uma vida dupla e hipócrita.

Em comentários improvisados em sermão de missa privada matinal em sua residência, ele disse: "é um escândalo dizer uma coisa e fazer outra. Isto é uma vida dupla".

"Existem aqueles que dizem 'sou muito católico, sempre vou à missa, pertenço a isto e a esta associação", disse o chefe da Igreja Católica Romana, que tem cerca de 1,2 bilhão de membros, de acordo com transcrição da Rádio Vaticano.

Ele disse que algumas destas pessoas também devem dizer "minha vida não é cristã, eu não pago aos meus funcionários salários apropriados, eu exploro pessoas, eu faço negócios sujos, eu lavo dinheiro, [eu levo] uma vida dupla".

"Há muitos católicos que são assim e eles causam escândalos", disse. "Quantas vezes todos ouvimos pessoas dizerem 'se esta pessoa é católica, é melhor ser ateu'".

Desde sua eleição em 2013, Francisco disse frequentemente a católicos, tanto padres quanto membros não ordenados, para praticaram o que a religião prega.

Em seus frequentes sermões improvisados, ele já condenou abuso sexual de crianças por padres como sendo equivalente a uma "missa satânica", disse que católicos na máfia se excomungam, e disse a seus próprios cardeais para não agirem como se fossem "príncipes".

Em menos de dois meses após sua eleição, ele disse que os cristãos devem ver ateus como pessoas boas caso eles sejam boas pessoas.
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FHC e Miriam Dutra sabem o que está por trás da demissão de Serra

Serra numa montagem do Intercept Brasil
O pedido de demissão de José Serra do governo de Michel Temer remete a um comentário que a jornalista Miriam Dutra fez quando cogitava detonar a corte tucana, da qual ela fez parte como mãe de um filho assumido tardiamente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“O Serra tem uma relação de amor e também de inveja do Fernando Henrique, ele vê o Fernando Henrique como um irmão mais velho que ele tenta imitar, mas não consegue”, disse ela.

Era fevereiro de 2016 quando ela fez esse comentário, nos dias em que passei em Barcelona e a entrevistei (veja aqui o documentário).

Três meses depois, quando a Câmara aprovou o processo de impeachment e colocou no poder os políticos que tinham sido derrotados na urna – que nome tem isso senão golpe? –, Serra ficou com o Ministério das Relações Exteriores.

Era a mesma pasta que Fernando Henrique ocupou quando Itamar Franco assumiu a presidência, 24 anos antes, no impeachment de Fernando Collor.

Talvez Serra, no ministério de Temer, se sentisse mais próximo da cadeira que ele tentou ocupar em duas eleições e perdeu. Quem sabe a crise política de 2016, como a de 1992, não lhe abrisse um novo caminho, com o protagonismo dele num governo sem brilho.

Mas, se falta brilho na presidência de Michel Temer, sobra truculência e não é fácil encontrar espaço onde quem se destaca é Alexandre de Moraes.

Até Moreira Franco já incorporou esse novo padrão, ele que era tido como um cavalheiro até por adversários e agora surta em entrevistas.

Poucos conhecem Serra como Fernando Henrique Cardoso, que registrou no primeiro volume dos seus “Diários da Presidência” uma observação sobre o aliado, que também nunca deixou de ser rival.

José Serra, apesar de convidado, não foi a uma cerimônia no Chile em que Fernando Henrique seria homenageado. Segundo o ex-presidente, José Serra “não se sente bem vendo homenagens que não sejam a ele”.

Apesar disso, os registros de Fernando Henrique mostram que Serra era um dos seus interlocutores mais frequentes. Ia muitas vezes sozinho almoçar ou jantar com o então presidente no Palácio do Alvorada e discutiam que ministério Serra poderia ocupar, depois que ele perdeu a eleição para prefeito em São Paulo, em 1996.

Fernando Henrique diz: “Se o Serra quiser, tenho um compromisso moral com ele, porque ele se jogou na campanha de São Paulo, e preciso manter o que disse naquela ocasião.”

Serra queria a área econômica, mas Fernando Henrique desejava manter Pedro Malan e, numa reflexão sobre os dividendos políticos que Serra poderia ter, disse que não havia muito mais a fazer no Ministério da Fazenda depois que ele, FHC, havia liderado a criação do Plano Real.

O impasse dura mais de um ano. Fernando Henrique registra que teve uma conversa franca com ele, depois de ouvir críticas à sua lealdade:

“Poucos têm o seu talento. Intelectualmente você pode se comparar com muito pouca gente, comigo e pouca gente mais na área política (…), não obstante está no ponto mais baixo da sua carreira.”

Segundo Fernando Henrique, Serra quis saber que problema ele tinha.

“Para mim, você não conseguiu ter liderança.”

Serra, relutante, aceitou ser ministro da Saúde, mas fez exigências quanto ao orçamento. Mas, pouco depois, Brasil passou por uma de suas piores crises econômicas.

Quando se estudavam cortes no orçamento, Serra pressionou o presidente e pelo menos duas vezes ameaçou se demitir:

“O Serra insiste, vai à imprensa, dá a impressão de que joga contra o governo. (…) Serra é um bom ministro, mas a falta de solidariedade aos outros ministros pesa. Terceiros me dão detalhes de coisas com a imprensa e com os empresários que são desagradáveis de serem sabidas por mim. Serra não é egoísta, mas autocentrado no que está fazendo.”

Em relação aos terceiros que lhe dão detalhes, FHC cita, em outra passagem do livro, Otávio Frias de Oliveira, então proprietário da Folha, e João Roberto Marinho, da Globo.

João Roberto lhe contou que Serra era a fonte das notas publicadas pelo jornal O Globo a respeito de uma crise na equipe econômica chefiada por Pedro Malan.

E Frias diz a Fernando Henrique Cardoso que Serra ligou para jornal e pediu destaque a uma nota que ele divulgaria mostrando que o governo federal havia reduzido os gastos com Saúde e Educação.

Fernando Henrique conta que, quando a nota foi divulgada, no tiroteio amigo, procurou Serra por telefone, mas não o encontrou e o chefe de gabinete do então ministro da Saúde, Barjas Negri, não retornou sua ligação.

A crise política, na época, foi enorme, e um editorial do Estadão defendeu a demissão de Serra. “Deslealdade se pune com demissão” era o título. Fernando Henrique diz que não quis (ou não teve força) para tirar Serra do governo.

Numa conversa que tiveram alguns dias depois, FHC contou que os donos dos jornais haviam entregado Serra. Segundo ele, Serra fez “cara de paisagem”.

No livro de FHC, sabe-se que Serra tinha seus trunfos.

“Basta ler os artigos de Elio Gaspari, que são obviamente escritos por inspiração do Serra.”

Serra também sabia com antecedência os resultados das pesquisas do Datafolha, que lhe eram passados pela direção do jornal.

Quando uma pesquisa indicou a subida de Lula e a queda de Fernando Henrique, o então presidente jantou com um especialista em marketing eleitoral e lá também estavam Serra e o jornalista Fernando Lemos.

Fernando Henrique não diz que Fernando Lemos era cunhado de Miriam Dutra e não há nas suas memórias nenhuma referência ao papel de Fernando Lemos no relacionamento com Miriam e o filho “exilados” na Europa.

Era Lemos quem levava o filho de Miriam para visitar Fernando Henrique – segundo Miriam, ele esteve uma vez no Palácio do Alvorada.

Lemos também ajudava na parte material. Além do salário que a jornalista Miriam Dutra recebeu da Globo, sem necessariamente trabalhar, ela teve um contrato de fachada com a Brasif, concessionária do governo federal, assinado com intermediação de Lemos.

Na parte do suprimento de recursos, Serra também teve papel relevante. Mas nada disso está no livro de FHC.

Segundo Miriam, entre 1998 e 1999, era ele – e o primo dele, Gregório Preciado – que liberava recursos para a reforma do apartamento dela em Barcelona.

Serra chegou a visitar Miriam na capital da Catalunha, para, segundo ela, verificar como andava a reforma. Juntos viajaram para Andorra. Foi nesse contato mais próximo com o ex-ministro que Miriam teve maiores impressões sobre a rivalidade latente entre ele e Fernando Henrique.

Miriam foi a namorada de FHC e Serra se aproximou da irmã dela, Margrit Dutra Schmidt, que até pouco tempo atrás tinha um cargo do gabinete dele no Senado.

“Acho que, desde o tempo do exílio dos dois no Chile, o Serra sempre procurou, de alguma forma, ser como o Fernando Henrique”, comentou Miriam.

A saída de Serra do Ministério das Relações Exteriores e do governo Temer pode indicar que, para ele, o sonho de ser Fernando Henrique acabou.

Visto por outro ponto de vista, a saída de Serra pode ser explicada como a acomodação de um governo que se formou pela força – não das armas –, mas do peso desproporcional de dois Poderes da República – o Congresso e o Supremo Tribunal Federal –, que permitiram o afastamento de uma presidente sem crime de responsabilidade.

Serra era um príncipe na corte de Fernando Henrique Cardoso, podia pintar e bordar. Com Michel Temer, esse papel cabe a quadros de outro calibre: Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, Moreira Franco e, claro, Alexandre de Moraes.

O sociólogo Jessé Souza usa uma imagem interessante para definir o que está acontecendo no Brasil desde maio de 2016, no seu livro A Radiografia do Golpe.

“Como todo espectador de filme de gângster sabe muito bem, é fácil juntar aventureiros para assaltar um banco. Difícil é dividir o saque depois”, escreve Jessé.

Eduardo Cunha e outros já ficaram pelo caminho, agora é a vez de Serra.

Joaquim de Carvalho
No DCM
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A Globo mente sobre o aumento da energia


Governo Temer decide fazer a população pagar os prejuízos do setor energético, e para justificar, coloca a Globo e o MBL para colocar a culpa no governo anterior. Entenda neste vídeo quais os erros que o governo cometeu no passado...

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Alexandre de Moraes é ministro do Supremo Jucá cobra integridade na Suruba


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Confirmado, Almagro es CIA

Luis Almagro, Secretario General de la OEA
Las sucesivas actuaciones del actual secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, contra los procesos progresistas en Nuestra América confirman sus estrechos vínculos con la Agencia Central de Inteligencia (CIA), de Estados Unidos.

Almagro, máximo representante del “ministerio de las colonias de Washington”, dígase la OEA, recibe sumas importantes de dinero de la CIA para desde su cargo agredir a las naciones latinoamericanas y caribeñas donde se escenifican procesos revolucionarios.

El “agente” uruguayo al servicio de la mayor potencia extranjera cumple al píe de la letra las órdenes de su amo en la arremetida que desde territorio estadounidense se orquesta y materializa contra la soberanía y la integración de la Patria Grande.

El nuevo “palanganero” de la Casa Blanca, como igual bautizaron al expresidente español José María Aznar por su servilismo sin límites al exmandatario George W. Bush, se comporta como la principal punta de lanza del imperio para revertir la correlación de fuerzas desde el Río Bravo hasta la Patagonia.

El secretario general de la OEA, con residencia permanente en Washington, tiene como tareas muy bien remuneradas desestabilizar gobiernos progresistas y subvertir el orden regional, y al mismo tiempo respaldar a la derecha y a regímenes golpistas instaurados recientemente en Nuestra América.

Almagro la ha emprendido abierta o solapadamente contra Venezuela, Bolivia, Ecuador, Nicaragua y otras naciones, mientras se hace de la vista gorda ante los actuales gobernantes neoliberales de Argentina, Brasil y Paraguay, por citar algunos.

Poco o nada le interesa al “palanganero” uruguayo la implementación de los acuerdos para el fin del conflicto en Colombia, y mucho menos que la Patria Grande sea definitivamente una Zona de Paz, como fue declarada por la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC) en su segunda Cumbre celebrada en La Habana, Cuba, en 2014.

Claro que la CELAC, le hace sombra a la OEA y a los intereses de esa arcaica y agonizante organización manejada por EE.UU, y que insisten en resucitarla de cualquier manera.

Por cierto, hablando de Cuba, Almagro parece estar metido en las patas de los caballos, al pretender ser “actor” de una nueva acción subversiva contraria a la mayor de las Antillas, organizada desde el enclave terrorista norteamericano de Miami y por conocidos mercenarios pagados por la CIA.

Según reportes de prensa internacionales, el máximo representante de la OEA fue convidado a recibir un galardón en La Habana que han inventado “opositores” cubanos con el financiamiento miamense.

Por supuesto que las autoridades del decano archipiélago caribeño se arrogan el derecho de impedirle al “premiado” que entre en el país porque su postura constituye un acto contra la soberanía de Cuba.

Conociendo a los cubanos, es recomendable para el “agente” Almagro que deje a un lado su excesivo protagonismo, y servilismo a Washington. La Revolución del 1 de enero de 1959 liderada por el histórico Comandante en Jefe Fidel Castro y por el presidente Raúl Castro es experta en tratar a injerencistas como el ahora secretario general de la OEA.

No CubaDebate
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Janot e os inquéritos intermináveis contra Aécio


Não se pode acusar o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot de imprevisível. Sua atuação tem ajudado a confirmar todos os cenários traçados pelo Xadrez sobre a maneira como trabalha os inquéritos contra seu conterrâneo, o senador Aécio Neves: empurrar com a barriga o máximo de tempo possível.

A delação do ex-senador Delcídio do Amaral criou uma dor de cabeça para Janot. Delcídio avançou uma série de acusações contra Lula, Dilma e o PT. Mas incluiu na delação denúncias contra Aécio. Como não poderia ignorar algumas denúncias e acatar outras, Janot foi obrigado a abrir dois inquéritos contra Aécio: um, sobre o sistema de propinas de Furnas; outro, sobre a falsificação de documentos para a CPMI dos Correios, visando ocultar o mensalão mineiro.

Um ano antes, em março de 2015, já havia uma série forte de indícios contra Aécio – a Operação Norbert (que permaneceu na gaveta da PGR desde 2010), identificando contas em Liechtenstein, as informações de Alberto Yousseff sobre as propinas de Furnas, o nome do diretor que recolhia a caixinha, Dimas Toledo, da empresa que lavava o dinheiro, a Bauruense, a titular da conta onde o dinheiro era depositado, Andréa Neves.

Mesmo assim, Janot não pediu o indiciamento de Aécio, denunciando outros senadores – como Lindbergh Faria e Antônio Anastasia – com base em indícios muitíssimos mais frágeis, surpreendendo o relator Teori Zavascki.

Com a delação de Delcídio, foi obrigado a voltar ao tema.

De lá para cá, tem havido um jogo de empurra e de adiamento das investigações, ause escandaloso.

Em maio de 2016, Janot decidiu pedir autorização para abrir dois inquéritos contra Aécio.

Batendo no STF (Supremo Tribunal Federal), o suspeito algoritmo do tribunal jogou os dois pedidos de abertura de inquérito nos braços de Gilmar Mendes. Que, obviamente, não autorizou a abertura dos inquéritos, obrigando Janot a insistir (https://goo.gl/e8U4DD). Não autorizou sequer a tomada de depoimento de Aécio e a colheita de provas adicionais na Lava Jato (https://goo.gl/uZt4SK). Deixou-se de lado a conta em Liechtenstein sob a alegação de que a cooperação internacional não chegava até lá.

Ante a falta de sutileza de Gilmar, Janot foi obrigado a insistir no pedido, que acabou autorizado (https://goo.gl/jf5HDN).

No entanto, até 23 de novembro, ou seja, com oito meses de investigações, nem a PGR nem a Polícia Federal haviam sequer colhido depoimentos autorizados, entre eles o de Dimas Toledo (https://goo.gl/YA4G3t), obrigando Gilmar a prorrogar o prazo:

"Os autos foram remetidos à Corregedoria-Geral da Polícia Federal para inquirição de três testemunhas, interrogatórios do investigado, além de requisição e juntada de documentação constante dos autos de outras investigações. A remessa dos autos à Corregedoria-Geral da Polícia Federal foi feita em 10.6.2016. (...) As inquirições não foram realizadas ou agendadas. (...) Ficam a Autoridade Policial e o Ministério Público Federal instados a observar os prazos de tramitação, nesta e em todas as investigações supervisionadas por este Relator", diz a decisão.

Vencido o prazo, a conclusão da investigação sobre a suposta atuação de Aécio Neves maquiando dados para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) – escondendo sua relação com o Banco Rural – foi mais uma vez adiada a pedido de Janot (https://goo.gl/9jItJe).

Pediu prazo de mais 120 dias para o ingente trabalho do liquidante do Banco Rural fornecer informações solicitadas. “No decorrer desse lapso de tempo, a Procuradoria-Geral da República providenciará a análise, ainda que preliminar, dos documentos da CPMI dos Correios”. 120 dias para uma análise preliminar dos documentos da CPMI dos Correios.

Até hoje ainda não foi identificado o gestor do Banco Rural que enviou os documentos falsos. Nada ocorreu com Dimas Toledo, o notório diretor de Furnas que se vangloriava de passar propinas para mais de uma centena de parlamentares. Para se ter uma ideia da sua importância, o papel de Dimas em Furnas equivaleria a de Alberto Yousseff e Paulo Roberto Costa somados na Petrobras.

Há limites para a hipocrisia. E Janot corre o risco de desmoralizar-se a si e ao MPF com essa solidariedade mineira.


Luís Nassif
No GGN
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Palavra

Peguei meu filho no colo (naquele tempo ainda dava), apertei-o com força e disse que só o soltaria se ele dissesse a palavra mágica. E ele disse:

- Mágica.

Foi solto em seguida. Um adulto teria procurado outra palavra, uma encantação que o libertasse. 

Ele não teve dúvida. Me entendeu mal, mas acertou. Disse o que eu pedi. (Não, não, hoje ele não se dedica às ciências exatas. É cantor e compositor.) Nenhuma palavra era mais mágica do que a palavra “mágica”. 

Quem tem o chamado dom da palavra cedo ou tarde se descobre um impostor. Ou se regenera, e passa a usar a palavra com economia e precisão, ou se refestela na impostura: Nabokov e seus borboleteios, Borges e seus labirintos. Impostura no bom sentido, claro - nada mais fascinante do que ver um bom mágico em ação. Você está ali pelos truques, não pelo seu desmascaramento. Mas quem quer usar a palavra não para fascinar, mas para transmitir um pensamento ou apenas contar uma história tem um desafio maior, o de fazer mágica sem truques. Não transformar o lenço em pomba, mas usar o lenço para dar o recado, um lenço-correio. Cuidando, o tempo todo, para que as palavras não se tornem mais importantes do que o recado e o artifício - a impostura - não apareça, ou não atrapalhe.

O Mário Quintana disse que estilo é uma dificuldade de expressão. Na época em que a gente não podia escrever tudo o que queria, estilo muitas vezes era disfarce. Apelava-se para metáforas, elipses, entrelinhas, e dê-lhe parábolas sobre déspotas militares - na China, no século 15. Uma impostura maior, a do poder ilegítimo, obrigava à impostura da meia palavra, do truque mais ou menos óbvio. O consolo era que o medo da palavra de certa forma a enaltecia: estava implícito que o regime só sobrevivia porque a palavra não podia exercer todo o seu sortilégio. Hoje, nos vemos diante de outro regime ilegítimo, mas livres para escrever o que quisermos e livres da obrigação de dissimular. E nos descobrimos sem nem estilo nem muita relevância. Pode-se escrever tudo e não adianta nada. A palavra “mágica” é só a palavra “mágica”.

Luís Fernando Veríssimo
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Façanhas de Temer predominam no noticiário

Desde a exclusão de Geddel Vieira Lima, não parou mais. O aperitivo da Odebrecht com 34 citações a Moreira Franco, e dezenas de outras, ainda sem contagem precisa, a Michel Temer. A aberração da escolha de Temer para suceder Teori Zavascki. A criação de um ministério para dar foro privilegiado a Moreira. O hacker de Marcela.

A censura de Temer à Folha e ao Globo. A derrota judicial do censor ameaçado de ver-se "jogado na lama". A identificação do indicado para o Supremo, Alexandre de Moraes, como plagiário. Os vetos e recusas de convidados por Temer para ministro da Justiça.

Mais de um mês de predomínio do noticiário pelas façanhas de Temer. Só mesmo chamando a polícia.

É o que foi feito. À falta de mais imaginação, a Polícia Federal sacou um "relatório parcial", logo "vazado" para imprensa e TV. Pronto, Lula voltou à proeminência do noticiário. Acompanhado, como convém, por Dilma Rousseff. E, de quebra, Aloizio Mercadante.

Ainda aquela história de que quiseram obstruir a Lava Jato, os dois primeiros com a nomeação de Lula para ministro da Casa Civil. Mercadante, por aconselhar calma a Delcídio Amaral, ainda tido, na ocasião, como pessoa séria.

Mas, de fato, não é "aquela história". É aquela fraude. No episódio, ilegal foi a conduta de Sergio Moro. Três vezes: ao desprezar o excedente de mais de duas horas entre o prazo de escuta telefônica, por ele mesmo fixado, e o telefonema gravado pela PF; ao divulgar, ele próprio, a gravação ilegal; e fazer o mesmo, sem razão para isso, com uma conversa entre Marisa Lula da Silva e um filho.

O decano pouco liberal do Supremo, Celso de Mello, mencionou na semana passada que foro privilegiado, por transferência de um processo para o Supremo, não interfere e muito menos interrompe o processo. Muda o nível de tramitação, não mais. Deveria ser verdade. Mas é só meia verdade. Porque no Supremo vale para alguns, como Temer e Moreira Franco. Para outros, não, como negado para Lula e, por extensão, para Dilma. Feito de Gilmar Mendes, ministro à direita de Celso de Mello.

Os cursos de Direito precisam acabar com o ensino de leis e de como as empregar. O que vale hoje, está visto, são os truques, capazes até de tirar um presidente da República que as leis não puniram.

Mais um truque está em gestação, agora entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro Luiz Fux, do Supremo.

A lei exige que seja verificada a autenticidade das assinaturas do "projeto popular" proposto pela Lava Jato – aquele que propõe até a aceitação de provas ilícitas. A Câmara não tem como verificar dois milhões de autenticidades. Os dois poderosos combinam a solução: apenas serão lidos por funcionários, sem exame algum, os nomes, endereços e números declarados de títulos eleitorais.

Até que comece a leitura, a proposta da Lava Jato é um AI-5 envergonhado. Da leitura em diante, seguirá como fraude. A lei será burlada e ao resultado da burla será dada falsa validade legal.

Está feita a primeira reforma dos novos tempos: direito é truque.

Que graça

Resultado de uma trucagem na Anatel, rompendo a partilha da telefonia durante o governo Lula, a Oi tornou-se dona do sistema de telefones fixos em quase todo o país. Errou na ambição e na execução.

Tenta negociar uma "recuperação judicial", com dívida de R$ 65,4 bilhões. A proposta da Oi inclui, além de outros benefícios celestiais, que os R$ 20 bilhões de sua dívida com a União e com a Anatel, logo, com o país, transformem-se em investimentos ainda por projetar. Quer dizer, resultem em aumento patrimonial da empresa e, portanto, em ganho sobretudo dos seus controladores. Um truque da indecência.

A Anatel já se demonstrou incapaz para conduzir o problema a uma solução. A bomba passou à Casa Civil, com a AGU em busca de um truque salvador. Se a semifalida, os credores e os pretendentes a uma pechincha não se entenderem, o truque será uma intervenção governamental. Um credor gerindo a devedora. Com os truques de praxe.

Janio de Freitas
No fAlha
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