18 de fev de 2017

Vídeo: Formandos surpreendem e fazem juramento “Fora, Temer” em SC

Protesto durante cerimônia de formatura foi aplaudido com fervor pela plateia; assista

Alunos do curso de História da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) improvisaram durante o juramento de formatura e pediram “Fora, Temer” na cerimônia.

“Entendemos que o processo educacional se fundamenta no pensar”, declarou o orador da turma. Ao dizer “Portanto…”, o grupo gritou em uníssono “Fora, Temer”, arrancando aplausos e apoio da plateia.

Assista a seguir.



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Darcy denuncia a corrupção do(s) Golpe(s)

Golpistas são todos a mesma sopa, como diz o Mino!

Darcy se despede da mãe antes de partir para o exílio, em 1968
Foto: Fundação Darcy Ribeiro / Reprodução: Socialista Morena
O Conversa Afiada reproduz do vibrante "Socialista Morena", da Cynara Menezes, homenagem aos 20 anos da morte do incomparável Darcy Ribeiro, janguista e brizolista:

Darcy denuncia as negociatas da ditadura (e assombra a semelhança com a era Temer)


Foi na ditadura civil-militar, ao contrário do que defendem os saudosistas que vão às ruas pedir por uma nova “intervenção” (sic) das Forças Armadas, que a corrupção brasileira se profissionalizou. Imaginem: uma época em que não se podia denunciar nada só podia ser uma época de ouro para ladrões de dinheiro público. Segundo o historiador Pedro Henrique Campos, autor do livro Estranhas Catedrais, o pagamento de propinas a empreiteiras, por exemplo, se consolidou durante o governo militar (leia mais nesta reportagem da BBC).

Um dos últimos membros do governo Jango a deixar o Palácio do Planalto em 1964, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) denunciou, após a volta da democracia, as negociatas que se seguiram ao golpe. O Brasil perdeu terras e empresas públicas, entregues a preço de banana para os gringos, quando não de mão beijada, como parte do acordo para derrubar Jango. Assombram a atualidade e a semelhança com o que está acontecendo agora, com o novo golpe que arrancou Dilma Rousseff do cargo, inclusive nas ameaças aos direitos dos trabalhadores. (Eu marquei as semelhanças mais evidentes em negrito; clique e veja notícias recentes parecidas com as da época).

Leiam algumas das falcatruas denunciadas por Darcy, em ordem cronológica, no dia em que se completam 20 anos de sua morte. Que falta ele faz ao país…

* * *

As negociatas da ditadura*

Por Darcy Ribeiro

1964

A empresa CONSULTEC, organizada por Roberto Campos, Mauro Thibau e Garrido Torres Lucas Lopes como um grupo de assessoria e de pressão da Hanna Corporation, que funcionou como principal agência de coordenação e financiamento das atividades das multinacionais de apoio ao golpe de 1964, se converte num bloco de poder depois do golpe. Assume, a seguir, o comando da política econômica do governo militar juntamente com os velhos testas-de-ferro das empresas estrangeiras. Em consequência, 15 dias depois do golpe, o Congresso revoga a Lei de Remessa de Lucros. Revoga, a seguir, a Lei de Estabilidade no Emprego, principal conquista dos trabalhadores no período getulista.

Roberto Campos, ministro do Planejamento, e Otávio Gouveia de Bulhões, ministro da Fazenda, negociam a dívida externa brasileira com o FMI nos termos que os banqueiros ditam. O preço real foi a abertura de toda a economia brasileira e de todos nossos recursos naturais às empresas multinacionais e a aceitação das condições ditadas pela Hanna e pela Amforp para a solução de seus litígios com o governo.

Os norte-americanos socorrem com urgência o governo que implantaram, mandando entregar imediatamente a Castelo Branco, por conta da Aliança para o Progresso, 4 milhões de dólares para despesas de algibeira e, logo depois, mais 883 milhões como empréstimo. Mas começam também a cobrar, fazendo o governo comprar por 105 milhões de dólares as empresas que Brizola havia desapropriado por um dólar e que de Jango só reclamavam 30 milhões.

Roberto Campos, Eugênio Gudin e Otávio Gouveia de Bulhões, montados no poderio da ditadura, dão um aumento de 100% aos militares e, assim respaldados, ditam a política econômica antinacional e socialmente irresponsável que jamais haviam podido executar. (…) Roberto Campos entrega o BNDE a Garrido Torres, com o encargo de matá-lo; para isto, tenta extinguir os fundos públicos com que operava. Queria vingar-se dos técnicos que o haviam expulsado do banco como entreguista e corrupto.

Três decretos marotos conseguem à Light tudo que ela pedia: elevação de tarifas e sua correção automática, bem como a reavaliação dos seus ativos convertidos, para nós, em astronômicos passivos.

O governo devolve as refinarias particulares encampadas por Jango. Sabendo quanto elas pagariam de suborno para não serem encampadas, posso avaliar o que terão pago para serem desencampadas.

A ditadura regulamenta o artigo da Constituição que garante direitos de greve, para torná-la totalmente ilegal e punível. (…) O novo ministro do Trabalho, Arnaldo Sussekind, intervém em cerca de mil sindicatos, destitui as antigas diretorias legalmente empossadas e dissolve entidades sindicais de grau superior.

Roberto Campos faz Castelo Branco decretar a anistia fiscal para os brasileiros que repatriassem depósitos clandestinos de dólares no exterior.

A Handson’s Letter de Wall Street chama os brasileiros de “palhaços do mundo” pela compra da Amforp por 135 milhões de dólares. A compra negociada por Roberto Campos previu o pagamento de 10 milhões de dólares à vista, provavelmente o suborno; 24, 7 milhões em vinte anos, a juros de 6%; e 100 milhões, no mesmo prazo, a juros de 6,5%. Dos 100% de ações compradas, o Brasil só recebeu 75%; os outros 25% seriam as tais “ações sem valor ao par”, dadas aqui aos figurões que a Amforp subornou ou aos diretores cuja dedicação premiou. Assim terminaram as expropriações de Brizola, as empresas gaúchas da ITT e da BBS.

1965

O Serviço Geológico dos Estados Unidos rouba e entrega à U.S.Steel os levantamentos realizados por uma empresa brasileira para o governo, graças aos quais se localizou na Serra dos Carajás uma grande jazida de calcário e minério de ferro (18 bilhões de toneladas). A empresa americana, para se apropriar das jazidas, arma uma falcatrua, apresentando requerimentos de 167 funcionários no seu escritório de Belém, que incluíam desde porteiro e secretária até o diretor, requerendo alvarás de exploração de Carajás como uma montanha de calcário. A maroteira era tão escandalosa que nem o governo ditatorial pôde aprovar. Mas, ainda assim, concede à mesma United States Steel um alvará de exploração do minério de ferro de Carajás para exportação, que eles prometem iniciar imediatamente. Nunca iniciaram, porque o objetivo era, como sempre, ficar sentada em cima das concessões de mineração que obtinham. Mas venderam depois, ao próprio governo, esta licença incumprida, por bom dinheiro.

Dado o desinteresse da Light em expandir e melhorar os seus serviços de telefone, o governo decide nacionalizá-los. A empresa cede gostosamente. Pagaram o dobro do que ela pediu originalmente, uma bolada a pagar em 80 prestações trimestrais a juros de 6% –em dólares.

É promulgada e posta em execução a Lei 4.725, destinada a reduzir os salários reais através dos critérios de fixação do salário mínimo e de controle dos aumentos salariais. A nova lei, somada à repressão policial e à intervenção nos sindicatos, submete o trabalho à servidão frente ao capital.

A USP e a UFRJ, bem como dezenas de vetustas instituições culturais, veem surgir de dentro delas, espumantes de ódio, intelectuais repressores que aderem à ditadura e passam a apontar, de dedo duro, a seus colegas mais competentes como subversivos. O reitor da USP, Gama e Silva, se credencia para ministro da Justiça nomeando uma Comissão Dedo-Duro, que compões laboriosamente uma lista de 50 professores e estudantes dos mais brilhantes e remete aos órgãos de segurança para serem punidos e demitidos.

Entra em ação o acordo MEC-USAID, ratificado secretamente em 1967 para implantar a reforma universitária, que corresponde ao espírito da ditadura, privatizando as universidades públicas e dissolvendo as organizações estudantis. Para isto, o general Meira Matos junta milicos e deseducadores brasileiros com subintelectuais norte-americanos contratados pelo mesmo órgão de Washington que patrocinou o treinamento dos torturadores.

1966

Juracy Magalhães, embaixador do Brasil em Washington, convencido de que é bom para o Brasil tudo que for lucrativo para os Estados Unidos, assina um Pacto de Submissão Colonial. Por ele, se dá garantias formais de que respeitaremos as leis norte-americanas que garantem os investimentos de suas empresas no Brasil até 20 anos depois de qualquer futura lei brasileira que venha a afetá-los.

A reforma tributária é posta em execução, impondo o predomínio da União e reduzindo drasticamente as fontes de recurso dos estados e dos municípios, que passam, assim, a depender inteiramente das autoridades federais.

O bando entreguista instalado no poder entrega à Hanna Corporation –empresa reconhecidamente não-idônea nos Estados Unidos – a Companhia Vale do Paraopeba, detentora de imensas jazidas minerais– com a qual João Goulart pensava fazer a independência do Brasil, vendendo minério exclusivamente para construir siderúrgicas. A Hanna recebe, ainda, a estrada de ferro que liga Minas ao Rio para exportação de ferro e manganês, em competição com a Cia. Vale do Rio Doce. Desgastada no uso mais intensivo para transferir as montanhas de Minas para os Estados Unidos, a Rede Ferroviária custa ao governo brasileiro, em subsídios anuais, muito mais do que tudo que a Hanna paga pelo minério. Pelo uso daquela rede ferroviária de 633km de Belo Horizonte ao porto privado de Sepetiba, a Hanna pagava uma tarifa de 125 cruzeiros por tonelada, quando o preço de custo para o governo era de 160 mil cruzeiros. Em consequência desta outorga, o governo inicia a construção de uma outra estrada, por nossa conta, a Ferrovia do Aço, para levar o minério de Minas a Volta Redonda. Nela, já se gastaram mais de 2 bilhões de dólares, e falta outro tanto. Tamanha dação só se explica porque a Hanna foi a principal financiadora do golpe de 1964.

1967

Castelo Branco paga a última prestação do preço do golpe de 1964: um avião militar norte-americano desembarca em Brasília os diretores da Hanna Corporation que vêm firmar com Azevedo Antunes a ata de fundação da empresa nominalmente nacional, Minerações Brasileiras Reunidas, a fim de legalizar a apropriação estrangeira de 720km² das terras de Minas Gerais, onde se encontra uma das maiores reservas de minérios deste mundo, que Jango havia recuperado para o Brasil e eles ganharam.

Escândalo nacional com as acusações a Roberto Campos de ter participado da “vaquinha” que enriqueceu vários membros do governo com a nova alta do dólar por ele decretada.

O milionário Daniel K. Ludwig –secretariado por Heitor Ferreira de Aquino, que também foi secretário de Geisel e Figueiredo– compra, com a ajuda zelosa do general Golbery, um país de 60 milkm², no Amapá e no Pará, para montar ali um ambicioso projeto madeireiro, minerador e agroindustrial. Acaba dando imenso prejuízo que, como sempre, o Banco do Brasil assume e converte em mais uma negociata na forma de empréstimos subsidiados a milionários nativos.

Eminentes educadoras paulistas como Maria José Werebe, Maria Nilde Mascelani e Teresinha Framme, em São Paulo, Henriette Amado e diversas outras no Rio são perseguidas e denunciadas escandalosamente por darem uma orientação esclarecida a seus alunos sobre a matéria sexual.

Um incêndio suspeito destrói os artigos com a documentação e os registros de terras de índios e a filmoteca do velho SPI, então sob a guarda da Funai em Brasília.

1969

A Phillips Petroleum consegue de Costa e Silva a construção de um grande conjunto habitacional , bem em cima de uma jazida de fosforita, em Olinda, para inviabilizar sua exploração, que era competitiva com a deles.

1970

É criado o INCRA –Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária–, mas o que se implanta é a anti-reforma pela entrega de glebas quilométricas a grandes empresas para serem afazendadas à custa do povo. Isto porque as beneficiárias podem deduzir todos os seus gastos até a metade do imposto de renda que deveriam pagar, mas embolsam. Incrível, só neste Brasil da ladroagem.

Paulo Freire, exilado, publica nos Estados Unidos sua obra maior: Pedagogia do Oprimido, uma apreciação crítica de suas práticas de pioneiro da educação de adultos. Este livro é o texto educacional brasileiros mais traduzido e que exerce maior influência no mundo. Curioso é que, tal como ocorreu com Josué de Castro –outro intelectual nosso com grande êxito internacional, detestado pela mediocridade nativa–, Paulo Freire provoca a inveja mais odienta de toda a pedagogia fútil e vadia, que nada faz, mas se engalana com plumas tiradas do nosso grande educador.

É criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), destinado a pôr em prática um imenso programa de alfabetização imbecilizadora, aplicando ao contrário os métodos de Paulo Freire. Somado à repressão nas universidades, e mantido o ensino fundamental nesta campanha de alfabetização despolitizadora, a ditadura reduz drasticamente os gastos com a educação, que de 11,2% di irçamento da União, em 1962, caem para 5,4%.

1971

A ditadura, simultaneamente à liquidação política do Congresso nacional, o degrada com vergonhosas mordomias para legisladores que não legislam; o clientelismo de legiões de assessores e serviçais bem pagos e o faraonismo que converte a Câmara e o Senado –inúteis– nos maiores edifícios públicos do mundo.

São Paulo, na primeira fase da industrialização pioneira, realizada pelos Mattarazzo, gostava de se ver como a locomotiva que arrastava o Brasil, como um comboio de vagões vazios. Com a industrialização substitutiva, através da implantação de grandes fábricas das multinacionais, muda de imagem. Começa a ser vista pelo país como a grande bomba de sucção que nos sangra, para carrear lucros para o estrangeiro. Com efeito, o intercâmbio entre São Paulo e o resto do Brasil passa a ser tão desigual que alguns estados planejam criar reservas de mercado para suas próprias indústrias, fim de enfrentar o colonialismo interno, praticado ferozmente pelos gerentes paulistas das multinacionais.

A exploração dos doentes brasileiros pelas multinacionais, produtoras de remédios, que controlam a produção e o mercado, chega a níveis tão altos que provoca, mesmo na ditadura, a provação de um Plano Diretor de Medicamentos destinado a pôr cobro no escândalo. Mas Wall Street protesta e o Plano é anulado.

Graças ao cientista Albert Sabin, se verifica que o governo Médici, além de falsificar os índices do custo de vida para comprimir salários e de exagerar os progressos da alfabetização, mente também nas informações relativas ás condições sanitárias da população, declarando vacinações antipólio que não realizou, o que põe em risco a população infantil.

1972

A Hanna e Antunes inauguram, na baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, um porto próprio, destinado a transportar para os Estados unidos as montanhas de ferro de Minas Gerais, a fim de constituir, ali, uma gigantesca reserva que garantirá tanto a prosperidade futura deles como a nossa pobreza.

*Trechos do livro Aos Trancos e Barrancos – Como o Brasil Deu No Que Deu, de Darcy Ribeiro, publicado em 1985 pela editora Guanabara.
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Memórias de Luta - Greve dos servidores públicos de Santa Catarina


Vídeo sobre a greve dos servidores públicos do Estado de Santa Catarina, ocorrida no dia 16/02/2017, com cerca de 5 mil manifestantes, incluindo sindicatos de diversas cidades do Estado, trabalhadoras e trabalhadores.

Entrevistados: Renê Munaro, Luciana Genro e Alex Santos
Reportagem: Caroline Dall'Agnol
Imagens: Luca Gebara

Agradecimento: grupo de dança Maracatu Arrasta Ilha

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Roberto Freire, o micróbio contra o gigante


Roberto Freire é duplamente intruso. Primeiro, como Ministro da Cultura de um governo ilegítimo. Segundo, como porta-voz oficial em um evento de cultura, um político tosco entrando em águas que nunca frequentou.

Certa vez, o Jornalismo Wando – perfil gozador do Twitter - mandou uma saudação a Roberto Freire:


O sensibilizado manteve o mesmo baixo nível cultural,  mas se tornou Ministro da Cultura. É o governo de Macunaíma: o mais truculento dos políticos, José Serra, torna-se o comandante de diplomacia; o mais deslustrado dos políticos brasileiros, Freire, o Roberto, torna-se Ministro da Cultura; Mendonça Neto, que não aprendeu a declinar o verbo haver, torna-se Ministro da Educação, com a assessoria luxuosa de Alexandre Frota; e o marido de dona Marcela, o presidente.

A incapacidade de entender, nem se diga a ironia, mas a gozação escarrada, sempre foi uma característica de Freire, o Roberto.

Seu estilo sempre foi o do jagunço político, do qual seu guru José Serra é o líder inconteste. É o político incapaz de qualquer pensamento mais elaborado. Em qualquer discussão, só consegue digladiar criando a figura hipotética do “inimigo”, de maneira a desqualificar antecipadamente o oponente, sabendo que não terá nível para rebater argumentos de quem quer que seja.

É o primarismo político, a força cega, a política da República Velha, o ranço vingador de Exu, do sertão pernambucano, na antessala da civilização. Dia desses, um conhecido explicava a virulência de políticos a jornalistas pernambucanos como uma característica cultural. Duvide-o-dó. É característica de quem jamais conseguiu se destacar pela inteligência dos argumentos. Acomete Serra da Mooca e Freire de Pernambuco, Aloysio de São José do Rio Preto e Anibal do Amapá.

Dentro todos, nenhum se iguala no primarismo a Roberto Freire. Os demais são capazes de intercalar truculências desmedidas com alguma forma de raciocínio elaborado. Freire é esgoto permanente.

O escritor Raduan Nasser exprimiu sua opinião com propriedade.  Nem que tivesse cometido impropriedades. Assim como outros ícones da cultura brasileira, como Suassuna, o próprio Freire, o Gilberto, Raduan está acima do bem e do mal.

No entanto, despertou a petulância de um pigmeu intelectual  como Freire, que rebateu com o único bordão de que se vale nas suas pendengas: é coisa do petismo. Reduziu a obra referencial de Raduan a um mote, o petismo. É esse o truque. Em qualquer discussão, invoque o único argumento para o qual você conseguiu desenvolver respostas. E o único referencial intelectual de Freire, o Roberto, é o antipetismo.

Pessoas, como ele, que só conseguiram um tubo de oxigênio político através do golpe, tornaram-se especialistas em invocar seu passado político para se comprovar democrata. Freire passou em branco pela ditadura, mas não incólume: herdou daqueles tempos, a truculência desmedida e o ranço de se considerar o dono do Estado, a ponto de cobrar de Raduan a devolução de um prêmio, como se fosse uma doação da camarilha de Temer.

Luís Nassif
No GGN
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Istoé perde todos os limites e põe alucinado para atacar Lula


O grande furo de reportagem da revista Istoé é um sujeito com toda a pinta de desequilibrado que diz ter levado “uma mala de dinheiro” a Lula na “Morro Vermelho”, uma empresa do grupo Camargo Correa.

Trata-se do cidadãoDavincci Lourenço de Almeida, que diz ser “sócio de um ex-acionista da Camargo Correa”, morto há cinco anos.

Veja a apresentação da matéria:

O personagem que estampa a capa desta edição de ISTOÉ chama-se Davincci Lourenço de Almeida. Entre 2011 e 2012, ele privou da intimidade da cúpula de uma das maiores empreiteiras do País, a Camargo Corrêa. Participou de reuniões com a presença do então presidente da construtora, Dalton Avancini, acompanhou de perto o cotidiano da família no resort da empresa em Itirapina (SP) e chegou até fixar residência na fazenda da empreiteira situada no interior paulista. A estreitíssima relação fez com que Davincci, um químico sem formação superior(???), fosse destacado por diretores da Camargo para missões especiais. Em entrevista à ISTOÉ, concedida na última semana, Davincci Lourenço de Almeida narrou a mais delicada das tarefas as quais ficou encarregado de assumir em nome de acionistas da Camargo Corrêa: o transporte de uma mala de dinheiro destinada ao ex-presidente Lula. “Levei uma mala de dólares para Lula”, afirmou à ISTOÉ.

Não precisa força-tarefa para se ter ideia de quem é Davincci Lourenço de Almeida, basta o Youtube.

Aqui você vê o sujeito em cima de um caminhão pedindo intervenção militar, dizendo-se “químico-físico das Forças Armadas” e contando ter sido procurado para “fazer a nanotecnologia das aeronaves do Exército”. Parei aí, mas quem quiser pode ver o resto.



Já aqui, o “delator” da Isto é faz outra grave denúncia: que a dengue e o zika virus são “manipulações” de Dilma Rousseff e apresentando o “seu” mosquito, “que não é do PT”.



Em outra, o cidadão diz que Celso Russomano é cúmplice da manipulação de urnas eletrônicas.



Pô, Lula, quando você ganhar uma indenização da seríssima “Istoé”, manda alguém fazer uma doação pro Tijolaço, nem que seja um adicional por insalubridade de eu ter assistido essas drogas.

Eu não sei o que acabou primeiro: a inteligência, a decência ou o jornalismo.

Fernando Brito



"QUANTO É" PUBLICA MAIS UMA MENTIRA CONTRA LULA


Esta semana, mais uma vez, a revista Isto É, conhecida em círculo jornalísticos como "Quanto É", publicou na sua capa uma mentira contra o ex-presidente Lula. Desde que aconteceu o golpe, a revista Isto É foi a publicação que teve uma dos maiores aumentos proporcionais de verbas governamentais. A publicidade do governo federal no semanário subiu 340% desde que Michel Temer, eleito pela revista "O Brasileiro do Ano", chegou ao poder. Dinheiro dos seus impostos. Ou seja: o novo governo federal corta na saúde, na educação, mas multiplica os recursos para uma revista mentirosa que ataca Lula porque ele aparece nas pesquisas vencendo a eleição de 2018, e para espalhar propagandas onipresentes defendendo corte de direitos dos trabalhadores e aposentados e mudanças no ensino para os jovens.


A revista já publicou sandices como a de que Lula teria uma mansão no Uruguai (loucura desmentida até pelo global Alexandre Garcia, que odeia Lula) e de que Lula teria recebido dinheiro vivo, todas acusações inventadas e absolutamente sem provas. Desta vez ouve uma pessoa sem equilíbrio ou credibilidade, com uma história maluca, sem checar ou ouvir o outro lado e joga declarações sem base ou prova em sua capa para tentar difamar Lula. Difamação paga com recursos públicos que o governo diz estarem em falta.


Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula
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Raduan Nassar e Norberto Freire


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Raduan Nassar e as vaias a Roberto Freire


Nesta sexta-feira (17), o renomado escritor Raduan Nassar recebeu o Prêmio Camões, instituído pelos governos do Brasil e de Portugal, em 1988, para homenagear os autores que enriquecem o patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.

Mas a solenidade, realizada no Museu Lasar Segall, em São Paulo, acabou virando um ato de repúdio ao "golpe dos corruptos" que depôs a presidenta Dilma e alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer. Numa atitude corajosa e coerente, Raduan Nassar fez uma dura fala contra os golpistas. Presente ao evento, Roberto Freire, o sinistro da Cultura do covil, ficou irritado e desferiu ataques ao escritor, o que lhe rendeu sonoras e prolongadas vaias.

Segundo relato da Folha, o governo ilegítimo e medroso inclusive alterou a programação do evento. "Pelo visto prevendo que o autor de 'Lavoura Arcaica' faria um contundente discurso sobre o governo de Michel Temer, o Ministério da Cultura inverteu a ordem tradicional da cerimônia. Em vez de falar por último, Raduan Nassar falou primeiro. Isso permitiu que o ministro Roberto Freire tivesse a última palavra, causando constrangimento com uma resposta dura a Raduan, que havia acusado o governo de golpista. O ministro sugeriu que o escritor não deveria aceitar o prêmio, no valor de €100 mil (cerca de 330 mil reais)" e foi recebido por vaias e gritos de "Fora, Temer" da platéia.

"O clima era tenso. Enquanto Freire falava de improviso, deixando de lado o discurso que havia preparado, a plateia o interrompia com protestos. O poeta e professor da USP Augusto Massi dizia ao ministro: 'Acho que você não está à altura do evento!'. 'Permitimos que o agraciado dissesse o que quisesse e imaginasse', rebateu Freire, que ainda qualificou o protesto de Raduan como 'histriônico'... A filosofa Marilena Chaui, também presente, gritou 'O silêncio é precioso' e ouviu do ministro que ela estava dizendo aquilo por ser 'de classe média' - em referência à ocasião, em 2013, em que a intelectual bradou que odiava a classe média".

A postura provocadora de Roberto Freire, ex-dirigente do PCB que se transformou em um notório político fisiológico, carreirista e direitista, só evidencia o desespero e o despreparo da quadrilha que assaltou o poder no Brasil. Após aparelhar o ministério com seus cupinchas - alguns deles acusados de crimes de corrupção - e sabotar projetos de inclusão cultural, o eterno coronel do PPS é hoje uma pessoa detestada pelo mundo da cultura. Raduan Nassar tem o seu lugar garantido na história; já Roberto Freire tem o seu lugar assegurado no lixo da história.

Altamiro Borges


Eis o histórico discurso de Raduan Nassar:

"Excelentíssimo Senhor Embaixador de Portugal, Dr. Jorge Cabral.

Senhor Dr. Roberto Freire, Ministro da Cultura do governo em exercício.

Senhora Helena Severo, Presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Professor Jorge Schwartz, Diretor do Museu Lasar Segall.

Saudações a todos os convidados.

Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua.

Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.

Portanto, Sr.Embaixador, muito obrigado a Portugal.

Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.

Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.

Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal.

Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.

Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.

Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado “Angorá”. E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas.

É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.

O golpe estava consumado!

Não há como ficar calado.

Obrigado"


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Velloso humilha Temer e diz que não entra no governo por ética


"Comuniquei, hoje, ao Sr. Presidente da República, a impossibilidade de aceitar o seu convite para ocupar o honroso cargo de Ministro de Estado da Justiça. Não obstante meu desejo pessoal de contribuir com o país, neste momento tão delicado, compromissos de natureza profissional e, sobretudo, éticos, levam-me a adotar esta decisão", disse o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, em nota publicada nesta tarde.

Nunca antes na história deste País um governo recebeu um não tão vexatório.

Com praticamente todo o governo delatado pela Odebrecht, Temer, que foi citado 43 vezes apenas numa das delações, foi também ameaçado pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-MG), que ameaçou envolvê-lo no esquema de propinas da Caixa Econômica Federal (leia mais aqui).

Em meio a uma das maiores crises penitenciárias e de Segurança Pública do País, o Brasil não tem ministro da Justiça, uma vez que Alexandre de Moraes se licenciou para tentar conquistar votos de senadores – também delatados pela Odebrecht – que irão sabatiná-lo na próxima semana.

No 247
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