15 de fev de 2017

Pesquisas apontam: "Saudade" e crescimento de Lula, o "alvo" a ser derrubado



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Proposta despudorada de Jucá supera limites



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Rejeição ao MT é um colosso!

Em 2015, ele disse que Presidente não resiste a baixa popularidade...


Do Globo:

A reprovação ao governo do presidente Michel Temer aumentou sete pontos percentuais de outubro para cá, segundo pesquisa realizada pelo instituto MDA por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). No total dos entrevistados, 44% avaliam de forma negativa a administração do peemedebista (eram 37% em outubro), 39% os que consideram regular (eram 36%) e 10% os que avaliam como positivo (contra 15% no levantamento anterior).

A rejeição ao presidente subiu de 51,5% em outubro para 62% na de fevereiro. Nos cenários para 2018, divulgados nesta quarta-feira, o destaque é a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em todas as simulações, inclusive de segundo turno.

O índice de reprovação a Temer vem crescendo desde sua posse. Em junho, eram 40% os que reprovavam o presidente, depois subiu para 51% e agora chega a 62%. A aprovação caiu de 34% em junho para 32% em outubro e para 24% na pesquisa deste mês.

(...)

Em tempo: em setembro de 2015, o então vice-presidente Michel Temer disse que seria difícil a Presidenta Dilma permanecer no cargo em meio à baixa popularidade. Terá o MT mudado de opinião?



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Como Sarney e Collor foram os Moro do passado. Veja em vídeo

vejas

Às vezes é difícil convencer os mais jovens, que não viram a história passar diante dos olhos.

Como esperar que uma pessoa de 30 anos de idade – um adulto, portanto –  se recorde  com clareza do que se passou quando tinha dez ou quinze anos de idade?

Sim, eu sei que é quase impossível fazer com que se lembrem que houve um mundo sem celular, sem Facebook, Instagram, Whattapp.

Mas não me refiro a gadgets tecnológicos, mas a valores morais e a comportamentos de massa, e mostrar que ondas moralizadoras já existiram e delas o nosso país saiu mais pobre, mais fraco e mais corrupto.

Já nem desço às profundezas de Carlos Lacerda  e seu “Clube da Lanterna”, que tomava o grego Diógenes e sua busca infrutífera por um homem honesto como símbolo antípoda da perdição humana.

Fico no recente.

Será que um destes moços ou moças pode acreditar que milhares e milhares de pessoas se puseram de “fiscais do Sarney” e em seu nome fechavam supermercados, em rede nacional de televisão.

Sarney, para eles símbolo agora do atraso e da politicagem escusa?

E Collor, o agora execrado, mas eleito pela Globo contra Brizola e Lula em 1989, anunciando uma nova era  em que funcionários corruptos e empresários ladrões iriam todos para a cadeia?

Então, juntei aqui o que a nossa mídia de massas não faz: as origens da Lava Jato, dos moralizadores de ocasião,está expressas em imagens das quais nos esquecemos rápido demais.

Não preciso falar nada, as imagens e as palavras ditas há duas décadas contam tudo.

Não há nada de novo sob o céu de Pindorama.

O fiscal do Sarney, o caçador de marajás, o juiz das “Mãos Limpas” são rostos que se sucedem como caras novas da direita.

Sempre prontos a fazer  com que, em nome da moral, este país retroceda.



Fernando Brito
No Tijolaço



"Era Lula" foi a melhor fase da economia brasileira dos últimos 30 anos, diz FGV

O período de junho de 2003 a julho de 2008 foi a fase de maior expansão para a economia brasileira das últimas três décadas, indica estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Nesses cinco anos, a indústria se expandiu, as vendas do comércio registraram alta e a geração de emprego e renda cresceram.

A análise foi realizada pelo Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, coordenado pelo ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore, e teve participação de mais seis economistas.

MAIS ECONOMIA

Segundo o estudo, que considerou dados a partir de 1980, o bom desempenho da economia começou seis meses após a posse do presidente Lula e se prolongou por 61 meses. O segundo melhor período foi entre fevereiro de 1987 e outubro de 1988, na gestão do ex-presidente José Sarney.


O menor período recessivo, de acordo com o levantamento, foi também no governo atual e durou seis meses: de junho de 2008 a janeiro de 2009, quando o país conviveu com a recessão. Mesmo sendo menos afetado do que outros países, o Brasil sofreu nesse período reflexos da crise financeira internacional.

O maior intervalo de baixo desempenho, classificado de recessivo, por se estender por meses seguidos, ocorreu entre junho de 1989 e dezembro de 1991, prolongando-se até janeiro de 1992, num total de 30 meses. Essa fase crítica começou em meio à campanha pela primeira eleição direta para a Presidência da República depois do regime militar (1964-1985).

De acordo com o estudo, nas três décadas analisadas, o Brasil passou por oito ciclos de negócios entre intervalos de fases boas e ruins. Os períodos recessivos duraram, em média, 15,8 meses e os de expansão, 28,7 meses.

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Greve em Florianópolis e o silêncio da mídia




Os servidores públicos municipais de Florianópolis estão em greve desde o dia 16 de janeiro. É a maior paralisação da categoria e, como mostram as imagens do último ato dos funcionários, realizado na segunda-feira, a adesão é cada vez maior.

Basta comparar as imagens desse ato com o do início da paralisação para constatar que, apesar das pressões que as lideranças dos funcionários estão sofrendo, inclusive de prisão, o número de manifestantes aumentou muito.

“Nenhum direito a menos” é o grito de guerra dos servidores em greve. A origem da paralisação está num conjunto de medidas enviadas pela prefeitura que acabam com o plano de carreira dos funcionários, aprovado em 2014, e cortam outros direitos dos servidores.

Durante a campanha eleitoral, no ano passado, a possibilidade de cortes no salário dos servidores chegou a ser debatida, e o candidato eleito, Gean Loureiro, que é do PMDB, disse que buscaria alternativas para o equilíbrio fiscal.

Mas uma das primeiras medidas dele, ao ser eleito, foi enviar à Câmara Municipal um pacote de medidas que atingem em cheio os direitos dos servidores públicos. A esse pacote, ele deu o nome de Floripa Responsável.

“Vamos fazer um corte muito duro, em todas as suas despesas, incluindo benefícios que não se enquadram mais na realidade financeira do município”, disse o prefeito ao enviar o pacote para a Câmara.

Pela sua proposta, benefícios como licença-prêmio, percentual de horas extras e a incorporação de todo e qualquer benefício a cada cinco anos de trabalho devem ser modificados. Já a gratificação por atividade especial deve ser extinta.

A previdência municipal também deve ser alterada. Em uma das propostas, a contribuição do servidor passa a ser de 11% para 14% e do município de 14% para 28%. Também será enviada a proposta de previdência complementar.

Para dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis, falta transparência da prefeitura no debate sobre o ajuste fiscal.

“A gente tem cobrado a publicação de um balancete da prefeitura, para ver se comprova a questão de 58% de comprometimento da folha. Há informação de que os terceirizados entram nessa folha, o que é ilegal. Os servidores estão sendo penalizados pelo prefeito, afetados em direitos, o que destrói a carreira funcional”, disse.

Santa Catarina é o berço do Movimento Passe Livre (a.k.a. CIA). Em 2000, centenas de estudantes marcharam pelas ruas da cidade até a Câmara Municipal, onde deixaram um abaixo assinado com mais de 20 mil assinaturas em favor da tarifa zero para ônibus municipais. Não foram atendidos, mas continuaram organizados e chamavam a si mesmos de Juventude Revolução.

Em 2004, quando a prefeitura aumentou a passagem de ônibus, eles voltaram às ruas, desta vez com muito mais gente: milhares de pessoas fecharam as principais vias de Florianópolis e muitos permaneceram nelas por quatro semanas até que a prefeitura revogou o aumento.

As manifestações ficaram conhecidas como A Revolta da Catraca, e o movimento já tinha mudado de nome. Era o Passe Livre, e o exemplo começou a se espalhar por outras capitais.

Assim como aconteceu em 2004, com a juventude na rua, a imprensa nacional ignora a paralisação dos servidores públicos municipais de 2017, embora os efeitos para a população sejam evidentes. Só funcionam os serviços essenciais, como postos de saúde, ainda assim com número muito reduzido de funcionários.

Os guardas municipais quase não são vistos patrulhando as ruas, já que se estima que 70% tenham aderido à paralisação. As creches estão abertas, mas com metade dos funcionários, que não quiseram prejudicar as mães que trabalham e que, por isso, organizaram um sistema de rodízio.

Mais do que resistir a medidas que ferem a essência do funcionalismo público – uma das medidas incentivam a terceirização –, os líderes do movimento grevista têm consciência de que os eventos de Florianópolis são o ensaio do que vem por aí, em todas as cidades.

Com quase 40 anos de atraso, administradores brasileiros alinhados às diretrizes do governo Michel Temer ressuscitaram o espírito de Margaret Thatcher e elegeram os culpados para a crise: os servidores da base do funcionalismo público. O desfecho da greve histórica de Florianópolis interessa a todos os brasileiros.

Joaquim de Carvalho
No DCM



A alternância no governo em Santa Catarina

Nilson Lage

Dois partidos costumam revezar-se no governo em Santa Catarina: o PN, Partido Nazista, e o PL, Partido dos Ladrões.

Na última eleição municipal em Florianópolis, ganhou um representante do PL com pequena vantagem sobre a candidata apoiada pelo PN.

O prefeito é um cara bonitinho, tipo garotão simpático, conhecido da maioria da população pela exuberante presença em outdoors em várias eleições anteriores.

Como bom militante do PL, prometeu uma coisa e faz outra - na verdade, põe em prática o programa da ala mais radical do PN.

Florianópolis tem uma rede de atendimento básico de saúde boa para os padrões brasileiros, creches em número insuficiente mas bem montadas e escolas básicas instaladas em prédios modernos.

O cara quer destruir tudo isso para dar de ganhar a quem o patrocina.

O resultado é uma greve como nunca se viu, que mobiliza milhares de professores, médicos, guardas municipais e servidores de todos os níveis. A eles deverão se juntar, nos próximos dias, os empregados na empresa de coleta de lixo, que o prefeitjnho sucateia para privatizar.

No Esquerda Caviar
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O Lago dos Cisnes

Raul Longo

Vai Cisne!
Emigra.
Leva tua dignidade,
a compor
nova constelação.
Vai!
Abutres apodreceram
as águas do lago
por não conseguirem
provar ser teu.

Vai Cisne!
Borde no céu
a tua estrela.
Pinte no firmamento
a cor brasil
da árvore da pátria
que nos roubaram.
Mas não roubam
o vermelho de nossa vergonha.
Apodrecem o lago
que te foi concedido
por merecido carinho
por não suportar
a própria imagem
refletida em tuas águas.
Narcisos inversos
que odeiam a tudo que os reflete,
conspurcam a vida
por se alimentar do pútrido.
Que não se alimentem
de ti, Cisne.
Emigra!
Voa,
digno e discreto Cisne.
Estarás em nossa memória.
Em nós, tua discreta serenidade
para sempre pousada
no turbilhão vermelho
da indignação.
Apodrecem teu lago,
mas em nós
a vida pulsa,
rubra.
Queimando num brasil.

Vai Cisne!
Deixe-nos apenas a tua estrela.
A estrela é tua,
mas sabes que dela necessitamos
para outra vez limpar
as águas deste lago.
Perdoe-nos Cisne.
Perdoe-nos pelo rumo perdido.
Perdoe-nos o escuro
e fétido
que apodrece e turva
a transparência
do teu lago.
Perdoe-nos esse voo
torto.
Esse grasnado histérico
de panelas inconsequentes
que melhor se justificariam
no círculo
putrefato das almas
dos abutres que odeiam
o lago que não têm como provar ser teu.
Perdoe-nos esse metal
mal lavado.
Esse ranço,
essa graxa,
esse chorume
que escorre infecto.
È o repasto de abutres
que se fartam nas podres matérias
mortas de cada dia.
Matérias em decomposição
no piscar de maiores escuridão,
no farfalhar de folhas que mais
e mais
se apodrecem a cada edição.

Vai Cisne!
Leva teu vermelho
para no firmamento
colorir nosso futuro vivo.
Emigra!
Ainda não te merecemos.
Ainda não nos merecemos.
Seguimos nos acreditando.
patinhos feios.
Ainda não merecemos
o discreto fremir
de tuas asas.
Vai!
Alça teu belo
e vivo voo!
Vai ser
nossa Constelação Cisne.
Olhando-te no céu,
talvez um dia
enxerguemos
não ser esse eterno patinho feio.
Talvez aprendamos a enxotar,
definitivamente,
todos os abutres
que apodrecem o lago.
Nosso grande lago
de fogo e vida
queimando de indignação.
Mas agora, vai...
Voa!
Só nos deixe um pouco mais
a estrela de teus carinhos.
É tua,
mas deixa-nos um pouco mais
para que nos mostre o
rumo
do teu voo livre.
E digno.
Deixe-nos um pouco mais
tua estrela
para lembrarmos que
já não fomos patinhos feios.
Lembrarmos que já fomos
um lago límpido onde o futuro
do mundo se refletia.
Um lago de cisnes
que abutres apodrecem
em poça,
fossa.
Sem vermelho,
sem ardor.
Sem Brasil.
Um lago de abutres.
Sem cisnes.
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As 10 vitórias de Maduro na Venezuela


No início de 2016, tudo parecia complexo para as autoridades de Caracas. E isto principalmente por três motivos:

1) A oposição neoliberal havia vencido as eleições em dezembro de 2015 e controlava a Assembleia Nacional;

2) A queda do preço do petróleo, o principal recurso da Venezuela, atingia o seu nível mais baixo desde há décadas;

3) O presidente dos Estado Unidos, Barack Obama, havia assinado uma Ordem Executiva declarando a Venezuela uma "ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e política externa dos Estados Unidos".

Ou seja, em três áreas decisivas – política, econômica e geopolítica – a Revolução Bolivariana aparecia na defensiva, enquanto a contra-revolução, tanto interna como externa, pensava ter finalmente o poder ao seu alcance.

Tudo isto num contexto de guerra midiática de longa duração contra Caracas, que começou com a chegada à Presidência de Hugo Chávez em 1999, que se intensificou em Abril de 2013 e atingiu níveis sem precedentes de violência após a eleição do Presidente Nicolás Maduro.

Este clima de assédio midiático, agressivo e permanente, produziu uma desinformação insidiosa sobre a Venezuela, semeando a confusão mesmo entre numerosos amigos da Revolução Bolivariana. Especialmente porque nesta época da "pós-verdade", a mentira, a fraude intelectual, o manifesto logro não é sancionado por quaisquer consequências negativas nem sobre a credibilidade, nem sobre a imagem dos que o praticam.

Vale tudo nesta "era do relativismo, pós-factual", em que mesmo os fatos e dados mais objetivos não são tidos em consideração. Mesmo o argumento – tão óbvio para a Venezuela – do complô, da conspiração, da conjura, não é aceito. O novo discurso midiático dominante denuncia e ridiculariza desde logo "a pretenso conjura" como um argumento inaceitável de "relatos à antiga", não admissíveis...

No início de 2016, tudo parecia difícil para o presidente venezuelano. A um ponto tal que o canhestro adversário neoliberal Henry Ramos Allup, embriagado pela sua maioria parlamentar, se atreveu a assegurar em janeiro de 2016, no seu primeiro discurso como presidente da Assembleia Nacional, que "num prazo de menos de seis meses" ele expulsaria Nicolas Maduro do poder. Isto provavelmente inspirando-se no golpe institucional contra a presidente Dilma Roussef, do Brasil e apostando na vitória num referendo revocatório.

Assim estavam as coisas, quando o presidente Maduro, numa sequência magistral de que ninguém se apercebeu no jogo de xadrez que se desenvolvia, surpreendeu a todos. Ele renovou, como era sua prerrogativa de acordo com a Constituição, os membros do Tribunal Supremo Justiça (TSJ), instância superior do poder judiciário, cuja Sessão Constitucional tem a última palavra na interpretação da Constituição.

A oposição imbuída da sua soberba, cometeu então dois grandes erros:

1) Decidiu ignorar os avisos do TSJ e admitiu em funções três deputados do Estado do Amazonas, cuja eleição em Dezembro de 2015 fora objeto de suspensão por irregularidades. Perante esta afronta, o TSJ evidentemente declarou a não validade das decisões da Assembleia Nacional devido à presença de três deputados "não eleitos regularmente". O TSJ declarou a Assembleia Nacional em desobediência, e por conseguinte, "todas as suas decisões seriam consideradas nulas". Assim, pelos seus próprios erros, a Assembleia não conseguiu nem legislar nem controlar o governo, mas pelo contrário, tal como reconhecido por renomados especialistas em direito constitucional, anulou-se a si mesma, delapidou o seu poder, auto-dissolveu-se. Esta foi a primeira grande vitória do Nicolas Maduro em 2016.

2) Na sua obsessão de derrubar o Presidente, a oposição antichavista decidiu igualmente ignorar o que estipula o artigo 72º da Constituição sobre as etapas indispensáveis e os requisitos legais para a realização de um referendo revocatório em 2016. Neste ponto a oposição conheceu também uma importante derrota. E foi outra grande vitória para Nicolas Maduro.

Apesar disto, em Março-Abril de 2016, tudo se tornou mais complexo. Porque às ofensivas habituais das forças hostis à Revolução Bolivariana veio juntar-se uma impressionante seca, a segunda maior desde 1950 e uma onda de calor, em resultado do fenómeno El Niño. Ora, na Venezuela 70% da energia provém de centrais hidroeléctricas, a principal das quais depende da albufeira de El Guri. Com a ausência de chuva, os níveis desta barragem diminuíram até quase atingir o mínimo.

A contra-revolução tentou aproveitar-se destas circunstâncias para aumentar as sabotagens eléctricas, procurando criar um caos energético, cólera social e manifestações. O perigo era grande, porque o problema eléctrico foi agravado pela falta de água potável, em resultado da persistência da seca...

Mas mais uma vez o Presidente Maduro respondeu rapidamente tomando medidas drásticas: decidiu substituir milhões de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo; ordenou a substituição de velhos condicionadores de ar por outros mais eficientes; decretou meio dia de trabalho na administração pública e implementou um plano nacional especial de consumo de energia eléctrica e água.

Graças a estas medidas audaciosas, o Presidente conseguiu evitar o colapso energético. E obteve uma das vitórias mais populares de 2016.

Outro dos problemas importantes que o governo teve de enfrentar (talvez o mais grave) – em parte consequência da guerra económica contra a Revolução Bolivariana – foi o do aprovisionamento alimentar. Lembremos que antes de 1999, 65% dos venezuelanos viviam em situação de pobreza e apenas 35 por cento poderia beneficiar de uma boa qualidade de vida. Ou seja, em cada 10 venezuelanos, apenas três se alimentavam regularmente com carne, café, milho, leite, açúcar... No decorrer dos últimos 17 anos, o consumo de alimentos (graças ao enorme investimento social da revolução) aumentou em 80%.

Esta mudança estrutural explica por si só por que a produção nacional de alimentos, muito mais importante do que se pensa, se tornou insuficiente.

Com o enorme aumento da procura a especulação cresceu vertiginosamente. Face a uma oferta estruturalmente limitada, os preços dispararam. O fenômeno do mercado negro ou 'bachaqueo" propagou-se: tratava-se de comprar produtos subsidiados pelo governo, a preços mais baixos que os de mercado para os revender a preços superiores aos do mercado. Ou "exporta-los" maciçamente para países vizinhos (Colômbia, Brasil) revendendo-os a preços duplos ou triplos dos subsidiados. Assim, a Venezuela era "esvaziada" de seus dólares – cada vez menos devido ao colapso do preço do petróleo – para engordar os "vampiros" que despojavam os mais humildes dos produtos base, enriquecendo de forma escandalosa.

Uma tal imoralidade não poderia continuar. Mais uma vez, o Presidente Maduro agiu com firmeza. Primeiro – muito importante – mudou a filosofia da assistência social. Corrigiu um grande erro cometido pela Venezuela desde há décadas. Decidiu que o Estado, ao invés de subsidiar os produtos, devia subsidiar as pessoas, aqueles que realmente tivessem necessidade. Para que apenas aqueles que realmente precisavam, pudessem ter acesso aos produtos subsidiados pelo Governo. Para todos os outros, os preços dos produtos eram os preços justos fixados pelo mercado. Isto evitava a especulação e o "bachaqueo".

Como segunda medida decisiva: o Presidente anunciou que de futuro o governo iria orientar todos os seus esforços para a mudança do modelo económico do país, passando de um "modelo rentista"' para um 'modelo produtivo". E o Presidente definiu o que chamou de "dois motores" para impulsionar a actividade económica tanto no sector privado como no sector público e na economia comunitária.

Estas duas decisões essenciais convergiram numa criação original, imaginada pelo Presidente Maduro: os CLAP (Comités Locais de Aprovisionamento e Produção), constituindo uma nova forma de organização popular. Casa a casa, representantes das comunidades organizadas, entregam sacos com alimentos a um preço regulamentado. Muitos destes alimentos vêm de nova produção nacional. Os CLAP deverão aprovisionar durante os próximos meses de 2017 cerca 4 milhões famílias de menores rendimentos, assegurando desta forma a alimentação do povo, assim rubricando uma nova grande vitória do Presidente Maduro.

Uma outra vitória não menos importante no difícil ano de 2016 foi a taxa recorde de investimento social, representando 71,4% do orçamento nacional. É um recorde mundial. Nenhum outro Estado do mundo gasta quase três quartos do seu orçamento em investimento social.

Em matéria de saúde, por exemplo, o número de hospitais foi multiplicado por 3,5 desde 1999. E o montante dos investimentos no novo modelo da saúde pública foi multiplicado por dez.

No quadro da Missão "Barrio Adentro", cujo objectivo é o acesso aos cuidados de saúde nas zonas urbanas mais modestas do país, tiveram lugar quase 800 milhões de consultas salvando a vida de quase 1 400 000 pessoas. As escolas médicas formaram 27 mil médicos em 2016 e outros 30 mil deverão obter o seu diploma em 2017. Oito Estados da Venezuela estão cobertos a 100% pela Missão "Barrio Adentro", enquanto o objetivo fixado era de seis Estados.

Outra vitória social fundamental, não mencionada pelos media dominantes, diz respeito a pensões de reforma. Antes da revolução, apenas 19% das pessoas em idade de se reformarem recebiam uma pensão, os restantes subsistiam frequentemente na miséria ou dependentes de suas famílias. Em 2016, 90% das pessoas em idade da reforma recebiam uma pensão, isto mesmo que não tivessem podido contribuir para a Segurança Social durante sua vida activa. Um recorde na América do Sul.

Uma vitória espetacular – mais uma vez mais não mencionada pelos media dominantes – foi a "Misión Vivienda", cujo objectivo é construir habitação social a preços regulados para famílias mais modestas.

Em 2016, esse programa entregou 359 mil habitações (a título de comparação, um país desenvolvido como a França apenas construiu 109 mil habitações sociais em 2015). Acrescente-se que 335 mil habitações foram renovadas como parte do maravilhoso programa "Misión Barrio Nuevo, Barrio Tricolor". Missão que recebeu elogios do grande arquitecto Frank Gehry, criador do Museu Guggenheim em Bilbao e Museu Louis Vuitton, em Paris e que afirmou querer participar. Estamos a falar de quase 700 mil habitações sociais em 2016. Um número ímpar no mundo.

Desde o início do seu mandato em 2013, o Presidente Maduro já entregou às famílias modestas quase 1 milhão e meio de habitações. Um recorde mundial passado em silêncio pelos meios de comunicação hostis à Revolução Bolivariana. E que mesmo os seus amigos por vezes negligenciam mencionar.

Por último, lembremos algumas das vitórias brilhantes obtidas no domínio da geopolítica. Por exemplo: ter impedido a Organização dos Estados Americanos (OEA), controlada por Washington, de condenar a Venezuela como queria o secretário-geral da organização, Luis Almagro, invocando contra a Venezuela a Carta Democrática.

Outro sucesso foi a 27ª Cimeira do Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL), que se realizou em Setembro de 2016 no Centro de Convenções Hugo Chavez, na ilha Margarita, na presença de muitos Chefes de Estado e de Governo e de representantes de 120 países que manifestaram a sua solidariedade com a Venezuela.

Mas a principal vitória do Presidente Maduro neste domínio foi o incrível sucesso do acordo entre os países da OPEP e NÃO OPEP para uma redução concertada das exportações de petróleo, fruto de numerosas viagens do Presidente em busca deste objectivo.

Este acordo histórico, assinado em Novembro de 2016, imediatamente desacelerou a queda no preço do petróleo, que havia entrado em colapso a partir de meados de 2014, quando o preço ultrapassou 100 dólares por barril. Com esta importante vitória, o preço do petróleo, que fora 24 dólares em Janeiro, ultrapassava os 45 dólares no final de Dezembro de 2016.

Assim, durante o ano, o mais duro e o mais longo, durante o qual muitos apostaram no seu fracasso, o Presidente Nicolás Maduro, frustrou todas as armadilhas e todas as dificuldades, mostrou a sua excepcional dimensão de estadista e de líder indestrutível da Revolução Bolivariana.

Ignacio Ramonet
No Fundação Maurício Grabois
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MT vai perder o Ministério e os líderes!

Todos são homenageados no "pega ladrão!" do Bezerra da Silva


Na última segunda-feira (14/02), o "MT" anunciou que vai "afastar provisoriamente" ministros que sejam denunciados na Operação Lava Jato.

Os ministros que se tornarem réus serão demitidos.

O MT tomou a severa providência (que se concretizará, provavelmente, quando Michelzinho voltar de Harvard) ao se mostrar um deboche tentar dar privilégio de foro ao gatinho angorá, assim que se soube que a delação da Lava Jato poderia via a ser pública.

Mas, a providência do MT revelou uma certa imprevidência.

Porque ele corre o risco de ficar sem Ministério e sem líderes no que ainda se chama de Congresso nacional.

Segundo revela Fernando Rodrigues, em seu Drive Premium, dos 28 ministros de Michel Temer, dez são citados na investigação.

E olha que o Rodrigues, muito gentil, se esqueceu de citar o próprio Michel Temer, citado 43 (!!!) vezes na delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente da Odebrecht.

Que tabela edificante!

O PMDB não brinca em serviço.

Se é para administrar o cofrinho, o PMDB falo-á com competência tucana!


Em tempo: aqui essa obra prima que poderia ser o Hino do PMDB, de Bezerra da Silva:



No CAf
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Lula dispara e lidera pesquisa com 30,5%


A pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta quarta-feira, 15, confirma os motivos da caçada judicial contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Perseguição que ficou escancarada com a decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal, não foi suficiente para derrubar o ex-presidente.

Segundo a pesquisa, Lula está na liderança na preferência do eleitor brasileiro, com 30,5% de intenções de voto. A ex-senadora Marina Silva (Rede) e o deputado Jair Bolsonaro (PSC) brigam pelo segundo lugar, com 11,8% e 11,3%, respectivamente.

Senador Aécio Neves (PSDB), articulador do golpe, aparece em terceiro, com 10,1%. Ciro Gomes (PDT) vem em quarto lugar, com 5%; Michel Temer tem apenas 3,7% de intenções.

No 247
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A normalização de um crime: quando Duvivier, Bolsonaro, Wyllis e Crivella estão no mesmo campo

gregorio_duvivier

Na semana passada, o parlamento israelense votou pela legalização do confisco de propriedades privadas palestinas por parte do Estado de Israel. Essa medida acarretou a regularização de 53 assentamentos judeus que haviam sido construídos em terras particulares na Cisjordânia sem autorização prévia do governo, o que era considerado irregular pela legislação israelense até a madrugada da quarta-feira, 8.

A medida poderia ser vista como mais um passo para o isolamento de Israel na comunidade internacional. Praticamente toda a comunidade internacional condena a colonização israelense dos Territórios Palestinos Ocupados (TPO) desde 1967 — ilegal pela lei internacional, com base na Resolução 242 do Conselho de Segurança e na IV Convenção de Genebra. Israel, entretanto, tem historicamente empreendido um bem-sucedido processo de propaganda institucional e limpeza da sua imagem entre importantes setores de diferentes países e instituições internacionais, forjando um apoio às suas políticas apesar das críticas que pipocam de todos os lados. O humorista brasileiro Gregório Duvivier é um importante exemplo do sucesso deste lobby internacional.

No início de janeiro, o ator viajou a Israel à convite da Universidade Hebraica de Jerusalém, uma instituição que tem em seus pilares violações contra os palestinos. A universidade fica a pouco metros do bairro de Silwan, principal local de judaização em andamento na cidade, onde assentamentos judeus são erguidos ao redor de casas palestinas: já são 2.800 colonos ilegais vivendo entre cerca de 100 mil palestinos, segundo a ONG israelense Btselem. O crescimento desses colonos, entre 2009 e 2016, foi de 70%. Nesse período, 68 famílias palestinas foram expulsas de Silwan, Sheik Jarrah e do quarteirão muçulmano da Cidade Velha. Algo que pode passar batido diante do olhar de um turista de primeira viagem.

O convite a Duvivier foi para o seminário “Brasil, Israel e Palestina: política, religião e a busca pela paz”, organizado pelo professor James Green, brasilianista da Brown University, e Michel Gherman, docente da Hebraica e coordenador do Centro de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A viagem do humorista se insere em uma agenda específica, que a acadêmica Berenice Bento chamou em um recente artigo de “redwashing”: um tipo de discurso de “esquerda” que serve para limpar a imagem de Israel, posicionando o país como a única democracia liberal do Oriente Médio, respeitadora dos direitos humanos, como a igualdade para mulheres e homossexuais. Tal como Bento descreve, aqueles que praticam o “redwashing” terminam não apenas sendo cúmplices da expulsão e segregação dos palestinos, como são parte estruturante do projeto sionista, que busca estabelecer uma ampla maioria judaica sobre a terra.

Duvivier não é o primeiro garoto propaganda do campo progressista israelense no Brasil. Um ano antes, em janeiro de 2016, o deputado federal Jean Wyllis (Psol), defensor dos direitos da comunidade LGBT, da descriminalização da maconha e de outras pautas ligadas ao campo progressista, provocou barulho nas redes sociais e entre a esquerda brasileira — inclusive dentro do seu partido — por fazer o mesmo trajeto. Estes são apenas dois exemplos de um antigo e bem sucedido esforço de propaganda e lobby israelense, conhecida como hasbará (“explicação”, em hebraico).

jean_iusrael

UM HUMORISTA NA PALESTINA

Duvivier é famoso por vídeos de humor no canal do Youtube “Porta dos Fundos” que colocam o dedo na ferida, além de colunas no jornal Folha de S. Paulo em que defende pautas progressistas e ataca políticos — muitas vezes sendo acusado de extremismo por seus detratores. O humorista, entretanto, adotou uma abordagem mais low profile durante visita ao Oriente Médio, relativizando crimes e consensos internacionais em torno da questão palestina.

Segundo Guilherme Cohen, candidato a vereador do Rio de Janeiro pelo Psol em 2016 e cicerone de Wyllis e Duvivier na Terra Santa, o humorista teria rapidamente compreendido a complexidade da questão Palestina/Israel e fugido de binarismo em seu discurso na Universidade Hebraica. “O grande problema pra mim é quando você não vê pessoas e passa a ver somente bandeiras ou religiões. Quando você começa a enxergar pessoas, você entende que não é apenas um país, são 7 milhões de países, pois cada cidadão têm sua própria narrativa”, disse Duvivier na palestra.

As postagens de Duvivier em sua conta no Instagram são ainda mais reveladoras da sua adesão à agenda da nova esquerda sionista.

Um post de 13 de janeiro mostra que o humorista esteve em Bethlehem, cidade palestina nos TPO, diante do Muro (que separa e anexa terras palestinas, construído a partir de 2002), um monumento às práticas políticas mais recentes de colonização. Diante da estrutura de concreto armado de oito metros de altura, ele escreve na legenda da foto: “Israel-Palestine border” (fronteira Israel-Palestina). Alguém da comitiva deve ter esquecido de avisar a Duvivier que atrás daquele Muro não havia Israel, mas os vilarejos palestinos de Al Walaja e Husan, que repousam “presos” entre a Israel reconhecida pela comunidade internacional e o Muro. Em outro post, em que se lia pichado no Muro “Make hummus not walls” (faça húmus, não muros), ele escreveu “Coexist” (coexista). Talvez fosse uma piada.

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Ainda em Bethlehem, Duvivier foi apresentado ao palestino Jamil. Cohen traz um relato do encontro: “Ele nos contou sua história de vida, que é marcada por muita violência, tragédias e luta pela paz. Jamil nos disse que participou da primeira intifada, sendo um dos que mais jogava pedras nos soldados israelenses. Viu seu irmão de apenas 14 anos ser morto por um soldado. Viu muitos amigos morrerem nesse conflito tão terrível. Ele tinha tudo para ter raiva, ódio e todo o sentimento de vingança em relação aos Israelenses. Mas não! Um acontecimento mudou toda a sua visão de mundo. Viu pela televisão uma notícia sobre um atentado terrorista de um grupo palestino em Jerusalém, que matou muitas crianças israelenses. Quando sua mãe começou a chorar, ele perguntou:

– Por que você chora, mãe? Isso foi do lado de lá… Os mortos não são palestinos, mas judeus – ele questionou.

– Choro porque outras mães perderam seus filhos pela violência, como eu. A dor é a mesma – respondeu ela.

E arrematou: “Jamil transformou tudo isso na luta pela paz! Hoje participa de diversos movimentos com Israelenses e Palestinos que lutam contra a ocupação e pela criação de 2 estados para 2 povos. Nosso encontro terminou com Jamil dizendo: ‘Não há outro caminho senão a paz’”.

Duvivier concordou. “Esse cara é meu herói. Conheci Belém com o militante palestino Jamil Qassas, que tem buscado alternativas para a paz. Procurem saber.” Em outro post, poucos dias depois, o humorista complementa: “O pior conflito, o mais difícil de resolver, não parece ser entre judeus e palestinos, mas entre seculares e fundamentalistas. A paz não interessa a quem vive de disseminar o medo. Qualquer semelhança com o Brasil não será mera coincidência.”

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Como recomendado, fomos procurar saber mais. A atitude de Jamil pode ser vista como nobre, como uma saída para existir alienado de tanto sofrimento, da dor que transforma alguém em um monstro. O tema da resistência na sociedade palestina, no entanto, é um debate delicado e gira em torno da legitimidade do uso da violência. Qual a forma que pode fazer mudar as relações de poder para que o conjunto de Palestina/Israel possa ser menos autoritário e desigual diante do projeto do Estado judeu? Como os crimes de Israel – que trazem debates como o direito de retorno e a restituição de terra – podem ser expiados? Isso depende de como a pessoa de fora olha para os muros, os postos de controle e uma pesada presença militar, seja o cenário os morros do Rio de Janeiro ou as montanhas da Palestina.

A comitiva de Duvivier poderia ter recorrido à lei internacional para prover uma melhor explicação para a resistência palestina. Diz a resolução da ONU, de 29 de novembro de 1978, com o título “Importância da realização universal dos direitos dos povos à autodeterminação e da garantia urgente de independência para países coloniais e povos de garantia efetiva e observância de direitos humanos”. No seu item 2, “reafirma a legitimidade da luta dos povos por independência, integridade territorial, unidade nacional e liberação de dominação colonial e estrangeira e de ocupação estrangeira por todos os meios disponíveis, particularmente a luta armada”.

Há uma diferença entre luta armada e terrorismo, entre resistência e crimes de guerra contra civis, mas ao aceitar as molduras (físicas e ideológicas) traçadas pelo establishment de esquerda israelense, Duvivier termina por condenar a resistência palestina, colocando-a na mesma balança que os crimes coloniais israelenses. E mais: coaduna com a coexistência sem responsabilização que silencia os últimos cem anos de gradual desaparecimento da Palestina.

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QUANDO ESQUERDA E DIREITA SE ENCONTRAM

As viagens de Duvivier e Wyllis são parte de um esforço coordenado de propaganda de militantes sionistas ligados ao campo da esquerda no Brasil e em Israel, como o professor Michel Gherman e o militante do Psol Guilherme Cohen, e que conta com o apoio do establishment sionista no Brasil, como a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj), movimentos sionistas juvenis, partidos políticos e instituições univesitárias. Já embarcaram neste avião o secretário-executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e ex-presidente da Comissão da Anistia do Brasil, Paulo Abrão (que defendeu Wyllis publicamente durante o entrevero público de sua viagem) e o professor de Relações Internacionais da UFRJ e comentarista da Globo News, Fernando Brancoli.

O discurso da esquerda sionista mistura em uma mesma narrativa a defesa de medidas como o Muro da Cisjordânia, a colonização dos TPO e o interminável processo de paz com elogios às liberdades políticas e econômicas que gozam os judeus israelenses e críticas ao governo Netanyahu, numa espécie de mea culpa. Vale dizer que, embora divergentes entre si em questões econômicas e sociais, a esquerda e a direita sionista não são muitos diferentes aos olhos de um palestino. Desde o início da colonização sionista da Palestina, no final do século XIX, ambos os campos direcionaram as suas políticas para a realização da visão hegemônica sionista sobre o território palestino: a constituição de um estado-nação majoritariamente judaico do qual os nativos palestinos não fariam parte.

A força do lobby israelense é motivo de controversa global, sendo alvo de estudos acadêmicos (o livro The Israel Lobby, dos americanos John Mearsheimer e Stephen Walt, aborda a influência israelense nos EUA — link para o prefácio em inglês) e de reportagens investigativas (uma recente série da Al Jazeera mostra a agressiva atuação de diplomatas israelenses no Reino Unido). Este instrumento de propaganda, entretanto, não é um expediente exclusivo dos liberais, sendo extensamente utilizado pelos conservadores israelenses.

No Brasil, os esforços de propaganda da direita sionista tem encontrado apoio principalmente entre os setores evangélicos, como o pastor Marcelo Crivella (PRB-RJ), prefeito do Rio de Janeiro, e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). As igrejas pentecostais ao redor do mundo tradicionalmente veem os judeus como os legítimos habitantes da bíblica Terra de Israel e são importantes apoiadores das políticas do moderno Estado de Israel.

Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, é talvez o maior defensor dos interesses de Israel entre os políticos brasileiros. É de sua autoria o projeto de lei que levou à criação do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Israel, em 2009, e também o que criou o “Dia da Amizade Brasil-Israel”. O bispo ainda empresta a sua voz para a música “Sou Israel”, que tem mais de 300 mil visualizações no canal do Templo de Salomão no Youtube.



O mandatário carioca já esteve em Israel algumas dúzias de vezes, chegando a morar em um kibutz em uma delas. “Brasil e Israel tem tudo a ver”, afirmou durante visita à Fierj na campanha para a prefeitura do ano passado. Ele defende uma maior aproximação comercial e política entre os países, principalmente na importação de técnicas e tecnologias israelenses em agricultura e segurança. Logo após ser eleito prefeito do Rio de Janeiro, Crivella viajou à Israel. De lá, voltou com a opinião de que o Rio “deveria ser murado como Jerusalém” para resolver seus episódios de violência.

Outro candidato à prefeitura do Rio de Janeiro que esteve em Israel recentemente foi Flavio Bolsonaro, que em maio deste ano foi acompanhar o batismo do pai nas águas do rio Jordão, o deputado federal Jair Bolsonaro, no rio Jordão, pelo pastor Everaldo, presidente do PSC. A família Bolsonaro recentemente aderiu em peso ao partido evangélico. Durante a viagem a Israel — que ocorreu nos dias da votação do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputadosos Bolsonaro reuniram-se com políticos e representantes comerciais israelenses das áreas da segurança e da agricultura e prometeu fortalecer os laços entre os dois países.

bolsonaro israel

Assim, dentro de um campo que, pouco a pouco, ignora os pontos que poderiam levar a uma resolução da questão palestina, consolida-se um discurso que se afasta de qualquer processo de paz, fazendo marchar a colonização que gradualmente quer apagar, ou limpar, como diria o historiador Illan Pappé, a Palestina.

Arturo Hartmann e Bruno Huberman
No Desacato
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Lula reitera ao STF revisão de erro histórico em sua nomeação


Hoje (14/02) protocolamos nova petição nos autos do Mandado de Segurança nº 34.070/DF e nos autos do Mandado de Segurança nº 34.071, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que os recursos que interpusemos em favor do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sejam levados a julgamento do colegiado a fim de reparar dano histórico — consistente no impedimento imposto por decisão proferida pelo Ministro Gilmar Mendes para que Lula assumisse o cargo de Ministro de Estado para o qual havia sido nomeado pela então Presidente Dilma Rousseff.

Esse pedido foi motivado pela decisão também proferida nesta data pelo Ministro Celso de Mello, que não impôs qualquer obstáculo à nomeação do Sr. Wellington Moreira Franco, valendo-se para tanto dos mesmos fundamentos que apresentamos ao STF para reverter as decisões proferidas contra Lula. Ou seja, para uma situação em tudo e por tudo idêntica, foram utilizados diferentes critérios.

Lula preenchia todos os requisitos previstos no artigo 87 da Constituição Federal para o cargo de Ministro de Estado, além de estar em pleno exercício de seus direitos políticos. Ele não era indiciado ou réu naquele momento. Nada justifica o impedimento imposto, que teve graves efeitos não só em relação à honra e à imagem de Lula, mas também para a democracia do País.

A revisão da decisão proferida pelo Ministro Gilmar Mendes em relação a Lula é necessária para que um ato jurídico válido legítimo, que foi a nomeação de Lula para o cargo de Ministro de Estado, fique com uma indevida mácula histórica.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira
No A Verdade de Lula
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O Xadrez do “nosso” Sérgio Moro e a máfia dos transplantes


Peça 1 – o Sérgio Moro anti-tucano

“Pau que dá em Chico dá em Francisco”, diz o Procurador Geral da República Rodrigo Janot. Mas não dá em Aécio, Serra, Alckmin, Aloisio – porque não são Chico nem Francisco.

A parcialidade do Procurador Geral da República e da Lava Jato, leva parte da opinião pública a procurar um juiz de direito para chamar de seu, alguém que tenha a mesma parcialidade de Sérgio Moro, o mesmo espírito persecutório, o exercício permanente do sadismo blindado pelos instrumentos de Estado,  contra os que são enquadrados como adversários.

Que sirva de aviso para tucanos e petistas o que se passou em Poços de Caldas, no episódio conhecido como “a máfia dos transplantes”.

Lá, o alvo foi tucano, o ex-deputado federal Carlos Mosconi, ligado a Aécio Neves. E o Sérgio Moro de Poços foi o juiz de direito Narciso Alvarenga Monteiro de Castro.

Peça 2 – os antecedentes

Em abril de 2.000 ocorreu o incidente envolvendo um menino, Paulo Veronesi Pavesi,  que teve uma queda e morte cerebral. O menino foi acudido no Hospital Pedro Sanches, particular. O pai aceitou doar os órgãos. O corpo foi encaminhado, então, para a Santa Casa. Nesse ínterim, o Hospital Pedro Sanches enviou uma conta salgada para o pai, incluindo os gastos com o transporte até a Santa Casa.

O pai, sujeito claramente desequilibrado – como tive condições de comprovar na época – reagiu com uma campanha virulenta, acusando a Santa Casa de ter retirado os órgãos do menino em vida.

Na época, o Fantástico tinha descoberto o filão dos escândalos com procedimentos médicos mais complexos. Tentou criminalizar a atuação do notável doutor Pasquini, da Santa Casa de Curitiba, criou o personagem da enfermeira assassina, também no Paraná, e investiu contra o grupo de transplante de Poços. O então Ministro da Saúde José Serra se valeu do episódio para acertos de conta político e para aproveitar a onda lançada.

O grupo de transplante da Santa Casa de Poços de Caldas surgiu antes da nova lei do transplante. Houve uma adequação da lei que se prolongou até 2006.

Em 2002, o Ministério Público Federal investigou o caso Pavesi e não encontrou nenhum indício de atividade criminosa.

Em 2006, uma sentença do TRF 1 (Tribunal Regional Federal da 1a Região) esclareceu a situação. O desembargador federal Olindo Menezes, relator, liquidou com a teoria conspiratória da organização criminosa que assassinava pacientes para comercializar seus órgãos:

Mostrou que o grupo de transplantes trabalhava pioneiramente desde 1992. Quando foi promulgada a nova lei, “somente a Santa Casa de Poços de Caldas, em todo estado de Minas Gerais, cumpriu o prazo para o pedido de renovação, mas o enviou ao órgão estadual, em lugar do federal”.

“Portanto, o que foi exposto na inicial como indício de séria irregularidade, do desejo de realizar transplantes mesmo sem autorização, supostamente por tratar-se de prática lucrativa, pois investigava-se denúncia de tráfico de órgãos, pode ser entendido de outra forma. Uma equipe pioneira, que vinha realizando transplantes em Poços de Caldas há anos, teve dificuldade em adequar-se à novas formalidades do setor, embora tenha demonstrado preocupação em atender ao que manda a lei”.

“(...) Enfim, quando se põe de lado a suspeita de má-fé, os fatos ganham contornos mais nítidos e mais próximos da realidade. É mais fácil imaginar médicos pioneiros em técnica avançada de cirurgia, e por isso mesmo estudiosos e dedicados à profissão, enfrentando dificuldades com a crescente normatização da atividade, do que mercenários inescrupulosos, capazes de traficar órgãos por ganância, ou desidiosos irresponsáveis que permitem que o tráfico ocorra sem mover uma palha.

“(...) A longa investigação levada a cabo a partir da iniciativa do Ministério Público Federal não comprovou a ocorrência de tráfico de órgãos, de enriquecimento dos médicos que realizavam os transplantes pelo SUS em Poços de Caldas ou de lesão ao patrimônio público. Foram encontradas irregularidades, como serão sempre que for feita investigação com igual profundidade em qualquer serviço público de saúde do país, que, para dizer o mínimo, não prima pela qualidade desses serviços”.

Peça 3 – chega o juiz Narciso

Em 2012, o juiz Narciso chegou à cidade e,  de ofício (isto é, sem ser provocado), decidiu desarquivar o caso. Era um caso federal, ele transformou em estadual. O promotor da cidade não viu motivos para oferecer nova denúncia. Narciso o denunciou ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), dizendo que fazia parte da mafia.

De imediato, denunciou 15 médicos por formação de quadrilha. E ordenou que a sentença fosse publicada em todos os jornais da cidade, expondo todos os médicos mencionados.

Não se ficou nisso. Na época, houve o suicídio de Carlão, diretor da Santa Casa. O juiz Narciso pretendeu incriminar outro médico. Conseguiu uma testemunha, doente assistido na hemodiálise, para acusar o médico de assassinato.

As chapas dos exames de arteriografia - que atestavam a morte cerebral do menino - foram recolhidas pela Polícia Federal nas investigações de 2002, mas sumiram do inquérito. Em vez de mandar apurar o sumiço das chapas, já que havia documentação comprovando que a PF havia retirado da Santa Casa, o juiz Narciso ignorou a mais importante prova da defesa.

“Como já disse e reafirmo: eu próprio, juiz desse caso e do processo do júri, NUNCA vi tais chapas em nenhum dos autos mencionados e conforme certificado nos autos (f.4508 do vol.18) também não se encontram nas dependências da Secretaria. Nunca apareceram realmente” (fls. 46 da sentença, doc. 1).

Ignorou o sumiço das chapas e também as explicações do Complexo MG Transplante:

“A equipe de transplante renal e o estabelecimento Santa Casa de Poços de Caldas encontravam-se corretamente autorizados para realizar retirada e transplante de rim pelo Ministério da Saúde/SNT - Sistema Nacional de Transplantes. Estas autorizações foram suspensas após o inicio dos questionamentos divulgados pela imprensa”.

(...) As notificações de potenciais doadores da cidade de Poços de Caldas sempre foram comunicados ao MG Transplantes em Belo Horizonte, inclusive com disponibilização para a referida CNCDO Estadual de outros órgãos sólidos (fígado e coração), cujos transplantes não eram realizados na regional Sul. As notificações e as doações preenchiam os quesitos básicos legais e eram sempre acompanhadas pelo plantonista do MG Transplantes em Belo Horizonte”.

O MG Transplantes acompanhava e coordenava as doações ocorridas em Poços de Caldas, assim como a distribuição dos órgãos, atendendo às listas de espera ,e a viabilidade da utilização do órgão ou tecido. considerando a distância entre os estabelecimentos de retirada e transplante e o local onde se encontrava o receptor mais adequado. na forma da lei, inscrito na Lista de Espera. As equipes credenciadas eram designadas de acordo com escala previa e/ou vinculação legal do paciente com as mesmas”.

Nessa mesma direção se manifestou a Associação Médica de Minas Gerais:

“Vale dizer que o Conselho Regional de Medicina de MG e o Conselho Federal de Medicina, já analisaram os casos que estão sendo julgados e em nenhum deles foi encontrado evidencia de infração ética ou de condutas que abreviassem ou colocassem em risco vidas de pacientes”.

Peça 4 – o exercício continuado da crueldade

De nada adiantaram os laudos.

Três médicos foram condenados a penas de 14 a 18 anos de reclusão. Em 2014 foram presos no Presídio de Poços.

A partir daí sua vida foi transformada em um inferno. O médico Cláudio Fernandes foi preso três vezes, passou dois meses em um presídio em Três Corações. Tem quatro filhos e uma esposa médica. Para visitar o marido, a esposa tinha que tirar toda a roupa e passar por revista humilhante.

A perseguição aos médicos prosseguiu no próprio Presídio.

A perseguição foi tanta que, temendo pela própria vida, os médicos pediram, para serem transferidos para Três Corações. Narciso exigiu imediatamente a volta dos prisioneiros a Poços.

Foi tal o assédio sobre o diretor do Presídio de Poços, Adriano Souza Silva, visando retaliar os médicos – que este entrou com uma representação contra o juiz junto ao CNJ.

Depois de rebeliões e superlotação no presídio, assim que assumiu a direção Adriano tentou implementar uma política de reeducação de detentos. Montou um projeto de fabricação de móveis de junco sintético, fabricado por um reeducando.

Como represália, o juiz Narciso denunciou o diretor adjunto Baruk Francisco Pinto como responsável pela “remoção de órgãos e tecidos”, incluindo no inquérito da suposta “máfia dos transplantes”.

Disse o juiz:

“O Baruk do Presídio64 e o condenado PAULISTA (um dos envolvidos com a morte de Andreia, que depois ficava posando de bom moço para a direção, fazedor de móveis de bambu, mas, na verdade, um bandido de quatro costados, que já cumpriu pena em diversos presídios do país) tentaram emplacar uma história para confundir os julgamentos a mando possivelmente do vereador Local”.

Na representação enviada ao CNJ, o diretor do presídio relata visitas de Narciso, ocasião em que ordenou que os médicos fossem mudados de cela periodicamente, para impedi-los de dormirem em camas. Ordenava também que os médicos “fossem colocados no seguro” (?) comprometendo a saúde e a integridade físicas dos detentos”.

Quando os médicos foram transferidos para Três Corações, o juiz Narciso ameaçou o diretor do Presídio em Poços, caso não os trouxesse volta.

Conclusão do diretor:

“Diante da conduta externada pelo magistrado, não há dúvida de que, além de julgar , processar ou absolver, vem desenvolvendo supostas manobras  em desfavor dos três sentenciados contaminando os princípios da Legalidade, Moralidade, Eficiência e, sobretudo, o princípio da Impessoalidade”.

Ao mesmo tempo, Narciso absolveu o antigo diretor do presídio, Marcelo Henrique de Souza, de um processo por tortura. Na sentença, escreveu que “ de fato, o diretor Marcelo, principal réu neste processo, não rezava pela cartilha tradicional  corrente nesta Comarca: do beija-mão aos pretensos  donos da cidade; de comparecer  a programas de TV “laranjas” do coronelato”.

Os advogados dos médicos recorreram ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Mas a repercussão do caso na mídia local e nacional amarrou os desembargadores. Foram até o Conselho Nacional de Justiça. De Nancy Aldrighi ouviram comentários acerca de juiz polêmico. Mas ela própria não quis entrar em dividida, em um caso que ganhara repercussão na mídia, devolvendo ao TJMG.

Peça 5 – a fabricação de provas

Um dos pontos mais polêmicos da atuação do juiz Narciso, foi sua atuação no levantamento de provas, como se fosse um auxiliar da acusação – precursor de Sérgio Moro.

O clima conspiratório chegou até a morte de Carlão. Aproveitando o clima persecutório implantado pelo juiz, um certo José Alexandrino Apolinário apresentou-se como testemunha ocular do suposto assassinato de Carlão.

Narciso incluiu o testemunho na ação sobre os transplantes, embora constasse de um inquérito distinto.

“Também o inquérito policial reaberto que investiga a morte do administrador da SANTA CASA, Carlos Henrique Marcondes, ‘Carlão’, (...), vem avançando, mas ainda não na velocidade que seria a ideal” (fls. 27/28 da sentença, doc. 1). “Também descreve a já citada morte de ‘Carlão’, apontada como ‘queima de arquivo’ no dia em que teria uma reunião com a Mesa Diretora da IRMANDADE. Ficou constatado que ‘Carlão’ fazia gravações dos médicos e saberia de fatos escusos envolvendo os transplantes, venda de remédio e estaria para entregar o cargo e fazer denúncias à Polícia Federal quando foi morto” (fls. 38 da sentença, doc. 1).

A Corregedoria Geral da Polícia Civil resolveu investigar o que havia ocorrido. E aí conseguiu um depoimento espantoso de Apolinário. Narciso já havia sido informado por um repórter que Apolinário teria informações sobre a morte de Carlão.

Quando saía da Santa Casa, Apolinário recebeu uma carona do juiz Narciso. Depois, a esposa do juiz forneceu-lhe passagens de ônibus, de ida e volta a Belo Horizonte, a fim de prestar depoimento na Corregedoria Geral.

No depoimento, Apolinário admitiu que não havia testemunhado nada e que mentira no depoimento ao juiz Narciso. Atribuiu sua delação à inimizade que mantinha com o médico acusado.

A reação do juiz Narciso foi atribuir a mudança de depoimento à “máfia”.

A Máfia demonstrou também que ainda está em atividade atualmente, pois `plantou` uma testemunha, JOSÉ ALEXANDRINO APOLINÁRIO, que em depoimento prestado perante o coordenador do CAOCRIM, disse ter assistido ao assassinato de ‘Carlão’, chegou a citar o nome de MOSCONI e que temia ser assassinado pelo médico nefrologista, já condenado no CASO 1, João Alberto Goes Brandão”.

Paciente renal, Apolinário morreu logo depois.

Peça 6 – o desfecho

Enquanto esteve em atividade em Poços, o CNJ nada fez para impedir seus esbirros autoritários. Narciso acabou sendo transferido para Uberaba, alegando stress pós-traumático.

Lá, abriu um blog para continuar atacando os médicos. O TJMG mandou fechar.

Houve uma desestruturação financeira e familiar dos médicos vitimados pelo furor do juiz Narciso. Seus nomes saíram em vários veículos nacionais. As suspeitas foram reforçadas por reportagens continuadas da EPTV – a afiliada da Globo na região.

Pior: uma comunidade relativamente tranquila passou a conviver com o fantasma da suspeita. Era praticamente impossível a tese de uma organização criminosa atuando por anos em uma cidade de 170 mil habitantes, com todos se conhecendo, assassinando pessoas e traficando seus órgãos. Mas o juiz Narciso e os veículos da região trataram de espalhar as suspeitas.

Hoje em dia, a extrema parcialidade da Lava Jato e da PGR estimulam a visão da revanche.

Mas é difícil saber qual a maior ameaça ao país, se a parcialidade do sistema judicial, que permite a derrubada de uma presidente eleito, e a blindagem dos tucanos, ou se o poder selvagem que permite a alguns juízes de 1ª instância praticarem o exercício ilimitado do sadismo.


Luís Nassif
No GGN
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