13 de fev de 2017

Globo News responde ao Blog da Cidadania


Na última sexta-feira (10/02), esta página publicou a matéria Globo cria força-tarefa para atacar Lula e Dilma semana que vem , contendo denúncia de que o ministro do STF Edson Fachin iria levantar o sigilo sobre delações feitas por funcionários da Odebrecht e a Globo News iria destacar só delações contra Lula e Dilma Rousseff.

Segundo a denúncia, a diretora da Globo News Eugênia Moreyra teria determinado que, assim que as delações fossem liberadas, força-tarefa de jornalistas da emissora que estaria sendo montada buscaria no material menções aos ex-presidentes Lula e Dilma e divulgaria imediatamente essas menções em edição extraordinária da Globo.

A repercussão da matéria foi grande devido à verossimilhança da denúncia. Não por conta da editora supracitada, mas por conta do comportamento de grandes meios de comunicação em relação ao PT e, em particular, aos ex-presidentes Lula e Dilma.

No início da tarde desta segunda-feira (13/02), a diretora Eugênia Moreyra envia e-mail a este Blog contestando a reportagem. A contestação segue abaixo e, em seguida, a posição deste Blog sobre essa contestação.

Senhor Editor Eduardo Guimarães,

Li com perplexidade e absoluta indignação o seu post “Globo cria força-tarefa para difamar Lula e Dilma”. A GloboNews não tem a menor ideia de quando o sigilo sobre os 950 depoimentos de executivos da Lava-Jato seria liberado.

Ao contrário do que o senhor afirma, não tenho encontro algum em Brasília com o objetivo de receber tais depoimentos. É ridículo imaginar que algum órgão de imprensa receba o material com exclusividade.

Minha história profissional é digna e não permitirei que ela seja manchada com as injúrias e difamações que marcam o seu texto. Se e quando os depoimentos forem divulgados, receberão o tratamento jornalístico adequado: tudo, de todos os partidos, será divulgado.

A GloboNews é apartidária. O texto, portanto, mente, sem pudor, ao afirmar que eu dei as seguintes ordens:

“Assim que ouvirem Lula ou Dilma coloquem no ar na hora, ao vivo, interrompendo qualquer programa, no plantão. Depois a gente assiste ao resto. Lula e Dilma têm de ser denunciados na frente de qualquer outro delatado”.

Isso é falso, ultrajante, difamatório e injuriante. E vai contra todos os princípios jornalísticos que a GloboNews pratica diariamente. Nada vai ao ar na emissora sem antes ser avaliado e analisado por completo.

Tenho uma história profissional digna, sem manchas, e pretendo defendê-la de todas as formas possíveis. Mentiras como as publicadas em seu texto mereceriam apenas o meu desprezo. Mas em respeito aos meus amigos, aos meus colegas de trabalho e ao público da GloboNews, eu as repudio publicamente.

Eugenia Moreyra.

Eu, Eduardo Guimarães, nunca nem mesmo tinha ouvido falar da senhora Eugênia Moreyra. Não existe qualquer motivo pessoal para atacá-la.

Como jornalista, porém, a senhora Eugênia Moreira sabe muito bem que não só a empresa na qual trabalha como muitos outros grandes meios de comunicação vêm publicando vazamentos seletivos contra o PT há anos, sobretudo no âmbito da Operação Lava Jato.

Eu poderia reproduzir mil e uma reportagens das Globos e de vários outros grandes veículos contendo reproduções seletivas de delações contra petistas enquanto outras delações contra políticos de outros partidos ficavam ocultas pelo sigilo das investigações.

Aliás, tanto o ex-presidente Lula quanto a ex-presidente Dilma Rousseff vêm se queixando há anos de parcialidade não só das Organizações Globo, mas, também, de vários outros grandes impérios de mídia edificados à sombra da ditadura militar que escravizou o Brasil por duas décadas.

Aliás, as Organizações Globo até pediram desculpas pela parcialidade em prol da ditadura…

Outra prática jornalística comum nos grandes meios de comunicação é divulgar denúncias de fontes que preferem ou requerem anonimato. Basta que esses veículos vejam credibilidade na fonte para divulgarem o que disse.

Nada que ver com a Globo News, mas, só como exemplo, há alguns anos um grande jornal paulista deu espaço para um desafeto do ex-presidente Lula acusá-lo de ser um estuprador de menores, por incrível que pareça.

Garanto à senhora Eugênia Moreyra que apenas divulguei denúncia que recebi de fonte crível e que disponho dessa denúncia por escrito, mostrando que atuei de forma jornalística no sentido de divulgá-la.

E claro que defenderei o sigilo da fonte, como a Constituição Federal garante.

Tomara que nada disso se concretize, porque as injustiças cometidas pelas Globos contra os ex-presidentes supracitados já é bastante e suficiente.

Seja como for, atendo ao pedido da assessoria da senhora Eugênia Moreyra de dar à posição dela o mesmo destaque dado à denúncia que este Blog recebeu e divulgou. Não é sempre que a grande imprensa dá aos que denúncia o mesmo espaço para se defenderem.

Eduardo Guimarães
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José Sergio Gabrielli depõe como testemunha de Lula




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É o jornalismo do "ouvi dizer"

Lula desmente o Valor


O jornal Valor Econômico de hoje traz texto com um suposto vazamento de uma suposta delação de um executivo da Odebrecht. Como a delação está sob sigilo, esse vazamento seletivo é ilegal. O texto do jornal alega que o tal executivo ouviu dizer que houve uma suposta compra de um terreno para a sede do Instituto Lula. Como já dissemos em outras ocasiões, esse suposto terreno nunca foi do Instituto, que está sediado na mesma casa desde 1991.

Uma parte da imprensa tem de recorrer a vazamentos ilegais para continuar sua tarefa de gerar manchetes contra Lula.

Mesmo que, para isso, tenham de recorrer ao "ouvi dizer" e a documentos sem comprovação.

Outro problema são os erros factuais a respeito da agenda de audiências do processo. O texto diz que Sérgio Moro irá ouvir testemunhas desse processo essa semana, o que não procede de forma alguma. O processo em questão ainda não está na fase de audiências com o juiz. Trata-se de mais um erro primário e grosseiro do jornal.

As acusações trazidas por delações vazadas com estardalhaço para parte da imprensa brasileira não têm se confirmado nos depoimentos desses mesmos delatores. Todos os ouvidos até agora afirmaram, frente ao juiz, não ter conhecimento de qualquer ilegalidade ou vantagem indevida obtida pelo ex-presidente Lula.

No CAf
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Globo encomenda pesquisa para ajustar ataques políticos a Lula


O Valor (leia-se Globo) publicou hoje – e tratou rapidamente de esconder a notícia, tanto que me deu um certo trabalho encontrá-la – que uma pesquisa qualitativa feita exclusivamente para o jornal.

A pesquisa aponta que a população está cada vez mais saudosa de Lula, apesar do “noticiário negativo” contra o ex-presidente.

O gráfico, tirado dos números do Datafolha, mostra o crescimento incrível de Lula em 2016 em meio ao mais virulento ataque midiático já sofrido por um político na história do mundo.

Lula dispara, enquanto os candidatos anti-Lula, como Marina Silva (que apoiou Aécio, o impeachment e não dá uma palavrinha contra Temer) e tucanos, desabam.

O título que o Valor (Globo) dá ao gráfico é engraçado, porque não esconde a perplexidade da grande mídia em relação à resiliência de Lula: “Ano estranho”.


Entretanto, quando a reportagem reproduz algumas frases colhidas na pesquisa qualitativa, vê-se que a única e exclusiva razão para o crescimento de Lula é a maior virtude da raça humana, a única que pode salvar o país: o bom senso.

Alguns entrevistados, confrontados pelas acusações contra Lula, dizem o seguinte (segundo a reportagem do Valor):
“Pega um vereador, tem muito mais poder aquisitivo que um sítio em Atibaia ou um apartamento no Guarujá”, disse alguém. “Atibaia nem é tudo isso”, completou uma mulher. “Não tem provas concretas”, decretou outro.
Ou seja, a principal acusação da Lava Jato contra Lula, de ser dono de um “triplex” e um sítio, simplesmente não está colando. É ridículo demais e não engana nem o zépovinho cujo principal meio de informação é a TV Globo.

De maneira geral, a população, constatam os pesquisadores, tem lembranças cada vez mais positivas da era Lula, quando havia um “equilíbrio”, ou seja, o Brasil ainda não fora assaltado por esse consórcio de bandidos que vemos hoje, ocupando todas as esferas de poder, no Executivo, no Judiciário, no MP, no Legislativo. Até a mídia, intimidada pela popularidade de Lula e pelo bom desempenho das políticas econômicas do governo, mantinha um pouco mais de compostura.

Trecho da matéria:
(…) o levantamento identificou reiterados sinais de um sentimento de nostalgia em relação à sua gestão, de 2003 a 2010. Eleitores não ideológicos que estariam dispostos a guiar a escolha baseados em boas lembranças daquele governo. Lembranças associadas, principalmente, a aspectos econômicos.
Outro trecho:


As últimas frases mostram a intuição incrível do povo, frequentemente superior aos dos mais capacitados intelectuais: “só quem não gostou da administração dele foi o pessoal da classe A. Muita gente começou a ter opção e salário melhor e parou de se sujeitar para os patrões”.

Uma das conclusões que se pode fazer da pesquisa, a meu ver, é como não se pode jamais subestimar o mal causado pela falta de comunicação do governo Dilma. O povo, mesmo rejeitando Dilma, continuava apoiando as políticas do PT e permanecia fiel a Lula.

Dilma cometeu um erro trágico ao não manter um canal direto, constante, de comunicação com seus eleitores.

Repare também que as principais fontes de informação dos entrevistados (como da maioria das pessoas mais pobres) são Globo e Record.  Entretanto, os mesmos também se informam, de maneira determinante, pelo Facebook. Ou seja, seria possível, ao governo Dilma, fazer uma comunicação mais inteligente, mais direta, distribuindo pequenos vídeos, oferecendo um debate mais franco, em que inclusive os problemas reais fossem explicados à população.

O PT tem uma visão, até hoje, incrivelmente medíocre de comunicação, confundindo-a com propaganda, o que apenas tira o prestígio e a força da mensagem. O povo tinha que ouvir uma análise dos problemas e desafios enfrentados pelo país diretamente da boca da presidente. Uma análise franca, dura, realista, inclusive em relação aos problemas políticos.

Dilma enredou-se num republicanismo falacioso, um republicanismo suicida, que é na verdade um não-republicanismo, segundo o qual um presidente não pode falar com a população porque isso seria “chavismo”, ou “uso indevido” da máquina pública. Ora, Obama falava diretamente à população, por email, facebook, youtube, pessoalmente, dava entrevistas a vários canais, recebia blogueiros políticos. Obama não era chavista: era um político!

Dilma, por sua vez, fugiu da TV, com medo dos panelaços dos bairros ricos (ou seja, com medo da Globo), dizendo que ia apostar na internet e, ao cabo, sumiu também da internet. O povo ficou desamparado, sem ninguém para lhe explicar a crise política a não ser os âncoras da Globo.

Lula, em cujas costas hoje repousa uma responsabilidade que ele mesmo nunca imaginaria ter, de ser a última esperança democrática, o único ponto de resistência à ditadura judicial, ao fascismo, ao desmanche do Estado que os tucanos não tinham conseguido levar adiante até o fim de seu primeiro governo,  precisa entender a importância de montar, já em sua pré-campanha para 2018, um moderno e democrático sistema de comunicação.

Que o PT e Lula, porém, não se enganem. A pesquisa qualitativa do Valor foi encomendada exclusivamente com o fito de ajustar a estratégia de ataque político a Lula e ao PT. Por isso é uma pesquisa qualitativa voltada especialmente para o eleitor (atual) de Lula.

O nome da pesquisa deveria ser: o que mais podemos fazer para manipular a consciência do pobre de classe C e D que ainda resiste em votar em Lula?

A guerra vai ficar mais suja nas próximas semanas, porque, evidentemente, um golpe dado a um custo tão alto para o país não seria levado adiante senão houvesse uma determinação de guerra para evitar qualquer chance de Lula voltar ao poder.

Observe-se que esse eleitor de Lula tem várias vulnerabilidades e contradições, que já vem sendo exploradas há tempos pela grande mídia. Ele admira Sergio Moro, por exemplo. Os homens (não as mulheres) demonstraram “visível interesse” por Jair Bolsonaro.

Enfim, é tudo muito complicado para Lula.

Mas quando é que as coisas foram fáceis para ele, hein?

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Empresa dos Estados Unidos pesquisa subsolo de cidades do Oeste catarinense

Foto feita no trecho da BR-282 nas proximidades de São Miguel do Oeste em 09/02/2017
Um comboio de caminhões vibradores nas principais rodovias do Oeste de Santa Catarina chama a atenção de moradores e motoristas e provoca curiosidade. No Paraná, porém, esses mesmos caminhões e o trabalho que realizam estão provocando protestos e aprovações de leis em várias cidades. As máquinas são de uma empresa dos Estados Unidos, a Global Geophysical Services, que foi contratada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), por R$ 74 milhões, para a aquisição de dados sísmicos na Bacia do Paraná, que compreende, no Brasil, o Centro-Sul. A pesquisa também foi feita em outros estados.

Os caminhões são equipados com instrumentos que provocam “vibrações”, terremotos induzidos que geram ondas que atravessam as rochas, retornam à superfície e são registradas para coleta de dados.

Ao contrário das garantias divulgadas pela ANP, a COESUS (Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida) publicou artigo intitulado “Sete razões para você se preocupar com os testes sísmicos e a pesquisa da ANP” que deveria alertar as autoridades e a população catarinense. Além do impacto que os testes sísmicos provocam, o pior ainda pode estar por vir. A perfuração de poços para comprovar o real potencial das reservas tem uma tecnologia altamente poluente, consome grande quantidade de água e causa impactos ambientais, econômicos e sociais. E, se for comprovada a existência de gás de xisto, este impacto será ainda maior, porque pode contaminar o estratégico Sistema Aquífero Integrado Guarani/Serra Geral, que se localiza na Bacia do Paraná e abrange 1,1 milhão de quilômetros quadrados de uma área na qual vivem mais de 15 milhões de pessoas em 4 países da América do Sul. A exploração de gás de xisto nos Estados Unidos já provocou tantos estragos que virou até filme de Hollywood. Coloque nos sites de busca o seguinte: “filme xisto estados unidos”.

O Paraná foi o primeiro estado brasileiro a ter resultados para evitar mais esta ameaça ambiental, sancionando, em dezembro passado, a Lei 18.947/2016, que suspende o licenciamento para exploração do gás de xisto através do fraturamento hidráulico, método não convencional conhecido como fracking. As pesquisas sísmicas também estão suspensas e a população vai acionar o Ministério Público se os caminhões contratados pela ANP retornarem ao Paraná.

Na cidade paranaense de Toledo, prefeito, vereadores, lideranças políticas, religiosas, ambientais e climáticas, sindicatos de produtores rurais e de trabalhadores, empresários e toda a comunidade já foram às ruas diversas vezes para protestar e firmar posição contra o fraturamento hidráulico, como mostra notícia da COESUS.

A pesquisa na Bacia do Paraná faz parte do Plano Plurianual de Estudos de Geologia e Geofísica (PPA) da ANP. Segundo o site da Agência, é um programa de aquisição sistemática de dados geológicos e geofísicos para aumentar o conhecimento geológico das bacias sedimentares brasileiras e sobre o potencial petrolífero dessas áreas. Os projetos são financiados com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal (PAC).

Diz um trecho do texto publicado no site da ANP:

“Os estudos ficam concentrados nas bacias terrestres de nova fronteira, que são áreas inexploradas e pouco conhecidas. Eles visam à redução do risco exploratório, à atração de investimentos estatais e privados, ao desenvolvimento regional, à descentralização dos investimentos em exploração e produção de hidrocarbonetos e à valoração dos ativos da União. Os projetos conduzidos pela Agência são altamente relevantes e estratégicos para o Brasil, pois têm como propósito incrementar e ampliar as bases energéticas brasileiras, essenciais para o desenvolvimento econômico do País, estando em perfeita sintonia e aderência com a política energética nacional de autossuficiência.”

Com o sistemático desmonte e privatização do Sistema Petrobrás, este discurso cai por terra, ainda mais quando não fica claro o modo de tratamento dos dados obtidos pela pesquisa feita pelos caminhões, que são de uma empresa com sede no Texas e Colorado (EUA).

Vale mencionar que as notícias da imprensa do Oeste de Santa Catarina sobre a pesquisa praticamente reproduziram informações da ANP, como mostram os links abaixo, ressaltando a possibilidade de investimentos, postos de trabalho e “riquezas para os municípios”.

É interessante comparar também a cobertura do G1 Santa Catarina e do Paraná. Enquanto a do Estado vizinho entrevista lideranças contrárias à exploração do gás de xisto e aponta seus perigos, a matéria do G1 SC ignora esta abordagem. E isto apesar de morar em Santa Catarina um dos mais importantes pesquisadores sobre o tema, o professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Fernando Scheibe, que tem feito um grande combate em defesa do Aquífero Guarani. Veja entrevista com ele em:


Vale mencionar também que, no âmbito da Assembleia Legislativa de Santa Catarina existe o Fórum Permanente para Preservação do Aquífero Guarani e das Águas Superficiais. Portanto, material para uma notícia mais completa não falta.

Matérias de veículos do Oeste Catarinense:





Matérias do G1 de Santa Catarina e do Paraná:



Sete razões para você se preocupar com os testes sísmicos e a pesquisa da ANP


As mobilizações em Toledo, no Paraná:


No Desacato
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America first, Brazil second!


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Aécio quer a Vale. Tudo vale a pena se o bico não é pequeno


A edição de hoje do Valor diz que Aécio Neves aumentou a pressão sobre o Governo Temer para que a direção da Vale seja entregue a um executivo indicado por ele.

Os acionistas privados da companhia, que eram hostis ao atual presidente da empresa, Murilo Ferreira,  passaram a defender sua continuidade, assustados com a possibilidade da empresa cair no bico tucano do senador mineiro.

Ou no bico certamente não menor do PMDB mineiro, que está disputando com o presidente do PSDB a indicação para a boca riquíssima.

E quem vai arbitrando este conflito, para desespero dos peemedebistas, que dizem dele ter “bico de tucano”, segundo o jornal “desenvolvido após sua passagem como ministro dos Transportes na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”?

Sim, ele, o Primo Eliseu Padilha.

De fato, restaurou-se a moralidade no Brasil.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Xadrez de Paulo Hartung, o projeto piloto de Temer


Peça 1 – o fator Espírito Santo

Trava-se no Espírito Santo a primeira grande batalha de desmonte do estado brasileiro. O governador Paulo Hartung é o candidato ao teste piloto.

A crise fiscal do Estado não é de sua responsabilidade, mas da política econômica que começou com o pacote Joaquim Levy e foi agravada pelo boicote pré-impeachment e pela política econômica de Michel Temer, uma política suicida que não tem como objetivo a superação da crise, mas o uso da crise para o desmonte do Estado.

Posto ante o dilema da crise fiscal, a fórmula Hartung segue apenas o mainstream do Congresso, mídia e governo Temer. Foi incensado como exemplo do governante responsável poucos dias antes de consumado o desastre. Sua estratégia consistiu em:

·      Precarização dos serviços públicos e dos direitos sociais;

·      políticas de incentivos à atração de empresas sem avaliação custo-benefício.

·      nenhum diálogo com os setores afetados e despreocupação em amenizar os efeitos dos desmanches.

Hartung tornou-se um projeto piloto, um Michel Temer de laboratório. Se for derrotado pela PM o movimento se alastrará por todo o país. A rebelião da Polícia Militar é apenas o ensaio perigoso — porque em uma corporação armada — das reações do funcionalismo público.

Por outro lado, é um governante autoritário, pouco propenso ao diálogo e com um histórico de truculência que chegou ao ponto de, na primeira gestão, adquirir um equipamento Guardião para grampear telefones de um jornal local, buscando identificar informações delicadas contra ele.

Por isso, a saída previsível é a do confronto total, tentar impor uma rendição incondicional à PM, uma irresponsabilidade mesmo em caso de vitória: será deixar a segurança do estado a mercê de uma corporação humilhada e exposta a contatos com organizações criminosas.

O usual seria a Presidência decretar intervenção federal. Mas Temer evitará devido ao artigo 60 da Constituição Federal

Art. 60. (...)

§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

Ou seja, intervindo no Espírito Santo, teriam que ser interrompidas todas as votações de emendas constitucionais.

Criou-se, então, uma gambiarra, com as Forças Armadas assumindo provisoriamente a segurança do Estado sabe-se lá até quando, um quadro complexo que as joga no epicentro político do país.

Por outro lado, Hartung monta um jogo de cena com uma proposta fake de acordo, cuja intenção foi rapidamente captada pela PM: dividir a corporação, fazê-la voltar às ruas, mas mantendo a denúncia contra 700 PMs e, depois de vencida a etapa, inquéritos contra os revoltosos. Ou seja, criminalização de qualquer reação contra o desmanche.

Peça 2 – o padrão de gestão Hartung-Temer

Não se cometa a injustiça de comparar o nível de Paulo Hartung com o de Temer. Este representa o pensamento do baixo clero, uma espécie de chefe do bas-fond.

Já Hartung pertence a uma geração que, nos anos 90, representou um avanço relativo na gestão pública, com a compreensão da importância da criação do ambiente econômico para a atração de empresas e a adoção de algumas ferramentas novas para a gestão pública.

Mas não avançou além disso.

Aliás, esta é uma das facetas da maldição do subdesenvolvimento. O sujeito consegue um upgrade mínimo sobre o momento anterior, e estratifica, apega-se a slogans, a simplificações ideológicas, a desenhos de país estático a manuais de empresas privadas, trocando o trabalho político pelo padrão sargentão de repartição.

Hartung não conseguiu compreender as diferenças entre gestor público e privado, nem soube utilizar adequadamente as ferramentas de análise de investimentos para o objetivo final da gestão pública: a melhoria das condições de vida e de elevação do IDH do estado.

Enquanto arrochava o salário dos servidores, montou uma agressiva política de subsídios visando atrair empresas para o Estado, mas com base em análises frágeis da relação custo-benefício.

Para um gestor público responsável, o princípio básico a nortear uma política de subsídios responsável deveria ser:

1.     Se a empresa não se instalar no Estado, não haverá tributos a serem recolhidos. Por isso mesmo, é indevido o exercício de considerar como perda o tributo que deixou de ser pago na fase de incentivo.

2.     No entanto, há que se efetuar um levantamento minucioso das externalidades positivas e negativas. Dentre as negativas, há os serviços de infraestrutura bancados pelo Estado e os gastos públicos decorrentes da operação da empresa. Por exemplo, exigências de investimento em infraestrutura, saneamento visando o tratamento do lixo industrial, gastos para minimizar impactos ambientais, os impactos na segurança etc. Dentre as positivas, a geração de empregos e a criação de uma cadeia de fornecedores. Tudo isso tem que ser previsto no papel, devidamente pesado, as despesas, as contrapartidas até que o fluxo de tributos seja recomposto e o Estado comece a receber.

Hartung passou ao largo dessas análises.

No Portal de Transparência do Estado, escondeu os dados que permitiriam uma análise mais apurada dos subsídios concedidos. Não se trata de uma esbórnia, tipo Sérgio Cabral, mas de uma falta de visão sistêmica e de responsabilidade como gestor público, como se a única função do governante fosse criar condições para novos investimentos, independentemente dos custos que recaem sobre o Estado. Se isso for exemplo de sucesso de gestão, Deus que salve o país dos supostos bons gestores.

Peça 3 – os simulacros de CEOs

O estilo Paulo Hartung não se resume a isso.

Ao longo de sua vida política, notabilizou-se pelo padrão de déspota esclarecido, cujo guru maior foi José Serra que, em cargos relevantes – prefeito e governador de São Paulo – jamais logrou uma política criativa sequer.


Vendia-se a ideia de que qualquer benefício ao contribuinte ou a grupos sociais vulneráveis era sinal de fraqueza. E que os governantes seriam dotados da sabedoria divina, linha direta com Deus, não precisando de conselhos.

Grande governante era o que se dedicasse exclusivamente a impor sacrifícios à população, transformando a responsabilidade fiscal em valor absoluto, um anacronismo resultante da visão incorreta do papel do gestor público.

Mais que isso, as políticas sociais se resumem a obras de pequeno alcance, visando apenas o impacto midiático — não nos indicadores gerais. São projetos pilotos permanentes, pela falta de compromisso com a universalização dos avanços.

Foi assim com o projeto de escola integral, modelo de alcance restrito, enquanto a maioria das escolas é submetida ao esgarçamento orçamentário.

A blindagem a Hartung é tão forte nas Organizações Globo — com exceção do grupo Gazeta, que a representa no Espírito Santo — que, na ânsia de sacralizar Hartung, cometem-se paradoxos explícitos.

Por exemplo, atribui-se a ele a grande vitória contra o crime organizado no Espírito Santo. No entanto, para desqualificar a greve da PM, começam a ser atribuídos a supostos esquadrões da morte, grupos de PMs acumpliciados com o crime organizado, parte significativa da matança registrada nesses dias de greve.

Posto assim, o crime organizado continua mais ativo do que nunca e incrustrado no aparelho policial. O que teria ocorrido seria apenas um pacto de não-agressão, tipo o que o PCC fechou com o governo de São Paulo.

Peça 4 – o tsunami a caminho

A Globo é um brontossauro, com muito músculo e pouco cérebro. Seu papel de principal agente político do país esbarra na absoluta incapacidade de avaliar a gravidade da situação, como se ela própria acreditasse no mundo virtual criado por seus telejornais e pela parcialidade gritante da Globonews.

Longe do mundo ideal criado pela Rede Globo, a situação do Espírito Santo é a seguinte, segundo a visão de A Gazeta:

“(...)  Turbinado pela propaganda do governo, o nosso humilde Estado vinha sendo cantado em prosa e verso, como espécie de paraíso de prosperidade, responsabilidade fiscal, ordem social e qualidade na prestação dos serviços públicos. Bem, o castelo desmoronou, a ilusão se desfez, e essa crise sem precedentes na segurança pública estadual desvelou, de uma maneira brutal, o que esse discurso propagandeado aos quatro cantos tinha de fantasioso e artificial. A realidade é bem mais dura.

(...)  Alguns desses óbvios problemas foram descortinados da pior e mais traumática forma por essa onda de violência:

·      Uma insatisfação latente do funcionalismo público estadual, que se sente sacrificado pelo arrocho fiscal implementado (panela de pressão que estava a ponto de explodir a qualquer momento);

·       A fragilidade e a suscetibilidade de instituições fundamentais à ordem pública, como a PMES; o sucateamento e a precarização de serviços públicos essenciais (hoje o grito foi dos servidores da Segurança, amanhã poderá ser os da Saúde e os da Educação, se não se prestar atenção);

·      A dificuldade, a letargia e a demora da equipe de governo em reagir a uma crise de tal gravidade, que pôs a população de joelhos e entregue a um estado de calamidade pública;

·      (...) A vulnerabilidade, enfim, desse pacto social tão frágil sobre o qual se sustenta a nossa vida cotidiana, em qualquer parte do mundo.

A cegueira da chamada elite brasileira é inédita entre países com a dimensão do Brasil. Posturas críticas racionais, como a da Gazeta, inexistem nos órgãos da chamada grande imprensa do eixo Rio-SãoPaulo, principal avalizadora desse suicídio soberano cometido pela política econômica.

Há um claro desmonte social, uma acelerada perda de legitimidade e de autoridade nos mais diversos escalões da sociedade. A persistência dessa política restritiva, mais os efeitos da PEC 55, agravarão ainda mais a crise.

A falta de limites da camarilha de Temer, a maneira como está atuando no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso acelerarão ainda mais a desagregação social e política.

O fundo do poço ainda está distante. E a cada dia fica mais nítido que a gambiarra Temer não terá condições de resistir ao tsunami.

Tratem de aprimorar o golpe!

Luís Nassif
No GGN
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