11 de fev de 2017

Doris Giesse: “Quem manda no Brasil é a Globo”


Uma das mais carismáticas apresentadoras do “Fantástico”, co-criadora e protagonista do seriado “Doris para Maiores”, garota-propaganda de comerciais icônicos, como o da Melitta, bailarina de grupos como o Ballet Stagium, Doris Giesse revela, nessa entrevista exclusiva ao 247, como a Globo manipula a opinião pública para impor ao país ou destruir pessoas e ideias que a família Marinho deseja, como ocorreu no episódio do impeachment da presidente Dilma.

“A Globo claramente dá mais tempo e elabora um texto mais claramente favorável ou protege mais a pessoa que ela quer”. “Se há algum motivo de esculhambação”, diz ainda, “essa esculhambação é transmitida por meio de alguma pessoa. Se eles querem promover algum político, chamam atenção para alguma pessoa que está perto dele e que é ‘fofa’… ou ‘bonitinha’… ou ‘carinhosa'”.

“O carro-chefe da Globo é o Jornalismo”, afirma Doris. Para ela, “William Bonner é um canastrão”, “ele quer ser o Cid Moreira” e “poderia estar no lugar do Faustão, fácil, fácil”.

Critica a relação de Temer com a primeira-dama: “O cara já proíbe a menina de falar, que é uma coisa do tempo do onça… mas, ao menos, nas remotíssimas ocasiões em que aparece, ela poderia estar do lado dele e não acintosamente atrás”.

Afirma que Aécio Neves, com quem conviveu em 1985, é a pessoa errada no lugar errado e não mudou nada de lá para cá: “O talento dele é o blábláblá e não ser o herdeiro de Tancredo”. “Me chamou atenção a foto dele morrendo de rir com o Moro. Até com o Moro ele está de blá-blá-blá. Ele é o playboyzinho do Brasil. É um papagaio de pirata”.

Doris também conta como foi usada para ajudar a eleger o Collor e a diferença de tratamento entre os dois candidatos que disputaram o segundo turno em 1989: “Um dia em que teve uma baita chuva num comício do Collor o texto enfatizava ‘olha, teve muita chuva, mas o povo estava lá vendo o comício’. Quando se falava do Lula era: ‘Choveu no comício do Lula’. Acabou. Nem imagem tinha”.

“O Brasil continua sendo uma colônia”, afirma, referindo-se a Moro e à Globo. “A gente não é guiado por nada que é genuinamente nacional. Isso está na cara. Só não vê quem não quer”.

O que você viu na TV hoje que te impressionou?

Essas mulheres do Espírito Santo…  hoje elas colocaram um tapume e uma escada na frente do quartel impedindo a saída das viaturas… e ninguém chega perto delas… e quando alguns policiais saíam elas os abordavam, queriam saber se o expediente tinha acabado ou não e até revistavam para checar se não iriam às ruas armados, para policiar… o que me causou espanto é que um rapaz que participou dos saques se arrependeu e devolveu o que roubou, o que ele fez foi uma coisa menor comparando com as mulheres que impedem seus maridos de proteger a cidade e elas não comovem pelo fato de que isso está provocando um monte de cadáveres? Elas não se tocam? Ninguém avisou a elas que tem gente morrendo? O que elas são? Intocáveis? Uma nova versão do Moro?

E que tal a atuação de Moro na Lava Jato?

Não sei como até hoje ninguém ainda parou esse rapaz. Eu nunca vi em lugar nenhum do mundo civilizado prender pessoas antes de condenar. No Mensalão teve isso também?

Não.

Outra coisa: raspa a cabeça de um sujeito que ainda nem foi condenado! Raspavam a cabeça de preso político?

Isso de raspar o cabelo é no Rio, que é uma sucursal da Lava Jato. Mas Moro não criticou essa prática, então deve concordar. O Eduardo Cunha prestou depoimento ao Moro de terno, gravata, camisa passada…

Pelo menos isso…esse juiz parece estar acima de tudo…e todo mundo no facebook amando o que ele faz…páginas e páginas com a foto dele…querem o Moro de presidente da República… quem quer o Moro de presidente do Brasil quer a ditadura! Pior do que a gente já teve. Só isso. Ele já é o comandante supremo, inclusive do Ministério da Justiça, provavelmente, porque como é o que o Ministério da Justiça permite prender antes de ser condenado?! Te cuida, Brasil!

Você acha que a Globo fez a cabeça de seus telespectadores para apoiarem o impeachment da presidente Dilma?

Isso é claro! Quem faz parte das redações da Globo sabe como funciona a edição. Os termos usados nos textos… o tamanho da matéria…os pormenores e os detalhamentos são maiores para as pessoas que eles querem colocar em evidência… isso em qualquer assunto. E aquelas pessoas que eles querem não dar importância, tratar como se fosse um assunto corriqueiro, eles só fazem uma espécie de micro-resumo. A Globo claramente dá mais tempo e elabora um texto mais claramente favorável ou protege mais a pessoa que ela quer. Na minha opinião dá impressão, inclusive, que a Globo é o presidente do Brasil. Sempre foi. Quem manda no Brasil é a Globo. Tá na cara! Isso eu senti quando eu estava lá. Então, o que acontece? As matérias que eles fazem eles tomam um cuidado maior com aquilo que eles querem favorecer. Aquilo que eles querem jogar no lixo é um “teaserzinho” de nada. Não tem o mesmo peso. Nunca teve.

Eles não esculhambam… só escondem, é isso?

Eles escondem ou então, se há algum motivo de esculhambação, essa esculhambação é transmitida por meio de alguma pessoa. Por exemplo: Fulano de tal foi acusado por tal pessoa…e essa pessoa, inclusive, é culpada disso, disso, disso… esse malandro, bandido está acusando tal pessoa disso. Por isso é que não parece que eles estão acusando. Que estão esculhambando. É alguém que esculhamba. Se eles querem promover algum político, eles pegam um comício e chamam atenção para alguma pessoa que está perto do político e que é “fofa”… ou “bonitinha”… ou “carinhosa”…Eles chamam atenção para aquilo que é cativante. Aquilo que cativa em termos de imagem eles colocam ao lado da pessoa que eles querem promover. Aquele que eles querem rebaixar eles sequer tomam conhecimento se ao redor dele tem alguém “fofa” ou “carinhosa”. Esses são os mecanismos que eles usam para ficar mais tempo no ar com tal pessoa e menos com a outra.

Quer dizer, o William Bonner, editor do “Jornal Nacional”… o editor na verdade não é ele…?

Não sei hoje em dia como é que funciona. Mas tem claramente uma política da casa de como fazer as coisas. Esses são os pilares: o repórter, o câmera-man, o editor e o apresentador. Esses quatro são pautados por uma pessoa que está acima deles e comanda: você vai fazer isso, isso, isso. O comentarista também tem um peso muito grande. E passa a ideologia da casa, sempre. Na minha época quem supervisionava tudo isso era o Carlos Henrique Schroeder, apesar de o diretor de jornalismo ser o Alberico Souza Cruz. Schroeder é que ficava na redação. Não tinha ninguém do “Fantástico” ali. O “Fantástico” era, na verdade, um programa jornalístico “enfeitado”. Não era um programa de variedades. Tanto é que quando o Boni me colocou no “Fantástico”… por que ele me colocou lá? Porque eu tinha a voz e a credibilidade de uma Márcia Mendes e o brilho e o carisma de uma Sandra Bréa, como ele mesmo me disse. Esse era o perfil necessário para esse tipo de programa.

Pelo que você vê hoje a Globo protege o Temer?

Posso ser sincera? Eu não assisto a Globo, eu assisto a Globo News.

Mas é a mesma coisa…

Como a Globo News é uma espécie de sucursal da Globo a gente percebe que os comentaristas de política e de economia… de economia, então, nem se fala, chega a ser flagrante… eles falam de um jeito ridiculamente favorável àquilo que a Globo quer.

O que você percebe?

Por exemplo: eu não vou citar o nome, mas tem uma pessoa, que é comentarista de política que, quando o Temer foi empossado ou quando anunciou as primeiras medidas ela falava: “Ele está claramente querendo tirar o país da crise…ele está claramente querendo salvar a economia”… Então, a maneira como ela falava – é uma mulher – a maneira como ela falava sobre Temer estava na cara que ela queria incensar o cara! Você nota a empolgação dela no assunto, sem falar no texto e no tamanho do comentário.

E o que você me diz do Temer?

O que eu acho do Temer e que é uma coisa muito gozada é que os poemas dele são… eu não sei que editora foi essa que aceitou publicar os poemas. Mas tudo bem. Agora, a outra coisa engraçada é ele fazer a linha “sou um papai ativo”, falo daquela foto dele buscando o filho na escola, não esqueço até hoje, e deixando a mulher dele trezentos passos atrás. Ele não quer saber de mulher do lado jamais.

A tradição secular dos libaneses é ter um harém… (N. da R. ?) e as mulheres serem submissas…ele descende dessa tradição…

Eu não sei se ele tem um harém, eu só acho que ele podia disfarçar, ela já não aparece muito, o cara já proíbe a menina de falar, que é uma coisa do tempo do onça… mas, ao menos, nas remotíssimas ocasiões em que aparece ela poderia estar do lado dele e não acintosamente atrás. Já que ele é todo empolado para falar por que não é empolado com a mulher também?

Ele é todo durinho, parece aquele boneco Playmobil…

Ele é todo durinho, então…mas é o jeitão dele.

Mas, voltando à Globo…você assiste ao Jornal Nacional?

Eu não aguento ver o William Bonner piscando o tempo todo, um flagra de que não é autêntico.

Tal como o Aécio…

Ele é muito canastrão…

Faz aquela voz empostada…não fala com a voz dele…

Ele quer ser o Cid Moreira, ele está muito preocupado com isso, ele quer ser o grande Cid Moreira. Não precisa, né.

Só que o Cid Moreira é natural.

É. Você encontra com o Cid Moreira e ele é assim.

O Bonner faz a voz para o Jornal Nacional… e aparece em vídeos na internet fazendo piadinhas, imitações…

Eu já fiz alguns trabalhos para rádio com ele e eu não conseguia parar de rir o tempo todo. Ele é um palhaço! Ele poderia estar no lugar do Faustão, fácil! Ele ia ser um ídolo nacional se estivesse no lugar do Faustão! Mas tudo bem, eu não sou diretora de estúdio nem nada. Mas que a Globo News parece a escolinha da Globo, parece. Até hoje. Tirando o William Waack, o Jorge Pontual, o Lucas Mendes, a Maria Beltrão, Sílio Bocannera, o Donny de Nucci…

Parece nome de cantor italiano…(risos)

Mas é craque, o menino tem talento. Ele nasceu para isso. A gente nota que ele gosta de se aprofundar, ele se preocupa com a notícia. O resto todo é ensaio… eles colocam gente crua no ar… eles colocam gente que não tem nada a ver… além disso, algumas apresentadoras falam com sotaque carioca muito carregado (e olha que eu sou carioca), o que não é admissível numa emissora nacional…e o que cai de matéria por falha técnica é uma grandeza… na Globo isso dava demissão sumária! Ah, tem mais um programa que imita o Actor’s Studio que é bom… como é que é o nome?

Esse programa eles limaram na semana passada, por aí.

Você tá de brincadeira!

Demitiram a apresentadora, a Bianca Ramoneda…

Ela é um gênio! Assim como fizeram com o programa da Bete Pacheco…A Globo News parece uma coisa muito amadora, eles colocam aprendizes no ar. O tempo todo. E programas ótimos, como o “Navegador”, que era a minha cara e da Dorfe, eles tiram.

E é um canal pago, os assinantes deveriam ser melhor tratados.

Claro, deveria ser o contrário, deveriam ser programas especiais, com os melhores profissionais. Aliás, esqueci de mencionar entre os craques a que faz o “Entre Aspas”…

Mônica Waldvogel…

Isso. Esses programas especiais é que deveriam ser os carros-chefes…a gente não tá pagando? Eu quero pagar o melhor!

É um absurdo colocar principiantes numa TV por assinatura…

É, e aí você vai para a TV Cultura, que é a melhor…pelo menos você fica mais à vontade para ver o telejornal ali…mas, se eu quero saber alguma coisa eu não posso ver televisão. Porque acabo vendo só o lado desprezível, acabo vendo que a maquiagem está errada, a luz está errada e, principalmente, a direção artística que não corrige os defeitos dos apresentadores. Se eu quero saber o que está acontecendo, eu tenho que ler. É o único jeito de eu prestar atenção. Porque em termos de televisão… agora, por outro lado, tem uma coisa positiva da idade: hoje em dia, se me convidassem, eu faria telejornal de novo. Porque a maturidade só melhora a percepção das coisas. Se eu tivesse que fazer um jornal à la Maria Beltrão… à la Maria Beltrão não sei, mas o hard news, por exemplo, eu faria com o pé nas costas. Lindamente. Por que? Porque eu estou madura, não danço mais, a dança não é 90% do meu dia mais. Ao contrário, hoje eu fico o dia inteiro no twitter… eu faria hoje um “Globo Repórter”, se eu tivesse que fazer, porque do que eu gosto mesmo é de ciência… mas, enfim… hoje, sim, se me convidassem para fazer uma coisa mais pesada, hoje eu faria. Hoje eu estou talhada pra isso. Mas a televisão brasileira não põe pessoas maduras no ar. Só coloca moçadinha. É uma coisa assim… você viu o discurso do Cid Moreira na homenagem à Chapecoense?

Não.

Emocionadíssimo! Ele fez um texto maravilhoso. O Cid Moreira, na idade em que está ainda é megatop!

Só o tiraram do ar porque tem rugas…

Mas isso em outras emissoras do mundo não existe! Na Alemanha, na França, na Itália…

Todos de cabelo branco…

Quanto mais cabelo branco, mais você confia no que aquela pessoa vai dizer. Aqui é o contrário: quanto mais imaturo, mais fácil manipular e fazer o cara dizer aquilo que o Roberto Marinho quer.  O que a família Marinho quer. Por que eles ganham a toda hora nos Estados Unidos prêmios com os programas deles? Por que será? Não sei. Alguma coisa que o Jânio Quadros em 1961 já tinha percebido…

Foi a Time Life quem financiou a Globo, não esqueçamos…

Por aí a gente percebe que o Brasil continua sendo uma colônia…sabe o que o Temer deveria fazer? Já que o Trump fechou as portas para os imigrantes por que ele não abre?  O Brasil não é uma mistura de raças e tudo isso? Abre as portas para os refugiados!

Já tem muito refugiado aqui…

Tudo bem, eu sei, mas eu quero dizer em termos de propaganda nacional. Ele deveria fazer nos jornais essa propaganda do bem, assim ele teria votos. Em vez disso, ele compra sapato chinês lá na China! Aquela história foi terrível…

Ele é um desastre…

Deixa pra lá. Eu vou lendo, vou lendo e vou ponderando a ideia, cada vez mais, de pegar meu passaporte alemão e mudar de país.

Acho que você nunca falou tanto de política como nessa entrevista…inclusive a política da Globo…

Eu acho que devo ser a primeira pessoa que conta como funciona a manipulação de texto, a edição, a utilização de uma pessoa num meio de comunicação. Eles usam para colocar no ar aquilo que eles querem para o Brasil.

Eles tiram a personalidade da pessoa…

Claro! Eles querem aquele talento usado para o que eles querem. Aquilo que eles querem impor. Isso é que é duro. E só você, que sofre essa mudança de “pasta”, digamos assim, entende isso. Ninguém contou até hoje! Para você ter uma ideia, em algumas entrevistas em que eu falava dessa história de mudança, de tirar a Dorfe do ar porque o Alberico impediu, nunca ninguém publicou! Ninguém deu manchete disso! Por que? O povo tem medo da Globo? Como é que é o negócio? Eu não tenho medo de nada! Se eu tiver que ter medo do Brasil, eu vou pra Portugal! Ou Alemanha. Eu tenho passaporte alemão.

As pessoas preferem acreditar naquela falsa versão de que você foi demitida da Globo porque saiu nua na “Interview”…

Não tem nada a ver. Isso aconteceu depois que eu já tinha falado pro Boni “ó, vou pendurar minha chuteira, não quero mais”. Tanto que ele foi na festa da “Interview”. Se ele não tivesse gostado das minhas fotos ele não estaria na festa. Ou estou errada? Eu não teria ligações com a família dele, não teria trabalhado com o irmão dele se fosse o contrário. Eu nunca fui banida da Globo.

E o Aécio, a Globo protege? Como se explica o sucesso dele? Quase ganhou a última eleição…

Sei lá…talvez o talento social dele o tenha levado a tal ponto…porque na trajetória política dele eu não vejo nada…não vejo que ele tenha criado tal coisa… que tenha resolvido um problema… Ele está usando o talento social que tem. Ele é uma pessoa muito cativante.

Charmoso?

Charmosíssimo! Ele tem o talento de ser engraçado… cativante… toma lá dá cá…ele tem um nhe-nhe-nhem bom…Também é muito óbvio, desde que eu o ajudei no primeiro discurso que, além de continuar não tendo discurso próprio, ele não é natural, até hoje.

É forçado, né.

Até hoje ele usa jargão político por pura adesão. Ele não é natural em nada. Mas nem na própria campanha ele foi. Desde o dia em que ele pediu a minha ajuda no seu primeiro discurso até hoje não houve melhora. Compara ele com o Lula falando. Compara com o Serra. Quando o Serra fala é ele mesmo falando. É a vontade própria falando. Compara com a Erundina. Com Jean Willys. Eles são eles mesmos falando, é isso que convence o público. Por aí você vê como a máquina da mídia manipula o voto. Se uma pessoa é mais favorecida na mídia, sendo ou não natural ela acaba emplacando. A mentira acaba virando verdade. Por insistência. É disso que as pessoas não se tocam. Na mídia também predomina a falta de naturalidade. O único programa natural da face da terra é o Estúdio i, da Globo News. A Maria Beltrão é ela mesma…todos que estão ali são eles. Tirando fora essa única exceção que de vez em quando sofre até umas “podadinhas” que a gente percebe, os outros todos são, assim, antinaturais para dizer o mínimo… Eu vou dar um exemplo e agora eu vou citar. Aquela menina do “Em Pauta” que é especializada em Cultura, a Bete Pacheco, de vez em quando substitui alguém como apresentadora. Não convém! Ela não foi talhada para isso! Ela não lêteleprompter naturalmente. No que ela é craque, mas craque mesmo é em Cultura. Ela pode ter até um programa próprio de Cultura, como já teve. É isso. As pessoas têm que estar na “pasta” delas, assim como eu também. Se eu tivesse que fazer alguma somatória em termos de informação seria falar sobre arte, entrevistar as pessoas desse mundo, principalmente da dança. Essa é a minha “pasta”. É onde tem os quadrinhos, foi onde eu imaginei a Dorfe. (Personagem criado por ela e por Roberto Duailibi que ela interpretou no programa “Doris para maiores” e que era um ícone que morava dentro de um computador e saía dele para interagir com pessoas do mundo real – n.r.)

Depois me explica por que a Globo acabou com esse programa que dava tanto ibope…

Detalhe: se a Globo tivesse mantido a Dorfe no ar até hoje ela seria um dos carros-chefe! Porque a Dorfe previu, naquela época a explosão das mídias sociais. Previu a máquina 3 D. Previu um monte de coisas! Isso foi feito junto com Roberto Duailibi. E a Globo desprezou esse potencial! Essas ratas e a falta de naturalidade me espantam na televisão brasileira. Em política é a mesma coisa. O Aécio, nunca na vida dele foi ele mesmo falando. Mas nem quando ele é entrevistado! “O que o senhor acha disso…”? (Imita a voz do Aécio) “Veja bem”… Ele começa a falar jargão e eu desligo na hora! Me dá angústia porque ele não é assim. É por isso que eu digo: se ele fosse uma pessoa envolvida em eventos, em casas noturnas, em restaurantes ele seria um sucesso nacional.

Eu acho que foi a família dele que o forçou a ser “o herdeiro de Tancredo”…

Lógico! Eu lembro que já na época do Tancredo, quando eu o conheci, ele já chamava atenção: era o neto bonitão do Tancredo. Então, capitalizaram isso.

A família o empurrou…

Não sei se foi só a família ou foram também os amigos… não sei se foram os políticos do entorno da família…

“Tancredo não chegou lá, mas o neto tem que chegar”…

Tem que chegar… porque ele é bonitão…chama atenção… quer dizer, estava errado, eles se equivocaram. Colocaram o rapaz aí e aí você está vendo no que deu. Já, já ele cai. Agora, me pergunta se ele vai conseguir, se cair, retomar a vocação dele, que é de relações públicas? Ele já deve ter perdido de vista essa ideia. Lá atrás, na época em que ele saía com todo mundo lá no Rio de Janeiro, era sócio, se não me engano de empresários da noite, era naquilo ali que ele tinha que focar. Ele ia ser feliz e autêntico. E ele continua sendo o playboy do Brasil lindamente. Podia fazer a loucura que quisesse! Não ia ser vigiado, nada.

Ele está no lugar errado?

O colocaram na “pasta” errada!

A pessoa errada no lugar errado…

Por isso é que eu digo: eu não sou contra o Aécio. Agora, eu gostaria de tê-lo visto fazendo aquilo para o que ele foi talhado. Seria um talento, que foi desperdiçado.

Você conheceu o Aécio por causa da Globo?

Não, eu conheci o Aécio porque eu fiz um desfile… o último desfile das roupas do Markito… algumas modelos foram chamadas para Uberaba para fazer o último desfile das roupas icônicas do Markito. E eu fui porque eu gostava disso. E eu era modelo do Marcelo Beauty. Isso foi muito antes da Globo. E nós ficamos hospedadas na fazenda de um amigo do Aécio. Na época, o Aécio tinha recém perdido o pai. E já estava trabalhando a figura política dele. Eu me lembro que o primeiro discurso de campanha dele a deputado federal fui eu que li… ele perguntava se estava bem escrito…Eu ficava embaixo do palanque nos comícios porque eu não podia aparecer. Porque para o grupo dele, um jovem político atraente tem que permanecer solteiro para continuar atraente em termos de voto.

Como ele era?

Ele era um bon vivant. Essa era a pegada legal dele. Os amigos dele eram os mais engraçados, a gente viajava, a gente se encontrava… Era essa parte do Aécio com a qual eu me relacionava. E que me atraía. A parte política dele tanto faz, tanto fez. A única coisa que eu sei é que eu era uma espécie de bibelô…ele me levava a vários lugares… ao Palácio do Planalto… aos restaurantes mais badalados…ele me levava junto para fazer um H.

Por meio dele você conheceu muitos políticos?

Conheci… conheci o Ulysses Guimarães… conheci muita gente…eu era uma espécie de chamariz… para atrair olhares…essa era a sensação que eu tinha…Eu me lembro que na época o próprio Aécio dizia que a irmã dele era uma pessoa chave na sua carreira.

Andrea Neves?

Sim, a irmã dele era a grande cabeça. Na época em que eu conheci o Aécio eu estava em vários comerciais, era uma fase em que eu fazia muitas capas de revista…

Como você vê o Aécio hoje?

Eu vejo como o vi desde o começo: é um papagaio de pirata… ele gosta de estar nas fotos…aquele dia da posse do Temer eu morri de rir… o que que era aquilo? Ele do lado do Temer sem ser ministro.

Na época em que vocês estavam juntos ele já gostava de ser papagaio de pirata?

Claro! Por que ele queria passear para todo lado com a menina que aparecia nos comerciais e nas capas de revista?! É o cara que quer estar no palco, isso está na cara.

Daquele tempo para hoje ele não ganhou nenhuma consistência?

Você viu alguma coisa que ele tenha implementado? Da cabeça dele? Que não sei, aliás, se é a cabeça dele ou continua sendo a da irmã. Você sabe alguma coisa que ele implementou que tenha chamado atenção? Eu me lembro que quando eu estava com ele, ele me disse uma vez: “Sabe a ideia que eu tive? Fazer campeonato de futebol de não índios contra índios”… Depois que eu terminei o namoro me disseram que isso já existia…A primeira viagem que eu fiz na minha vida para Vermont foi com o Aécio. Eu me diverti muito, porque a turma dele é engraçada, são todos muito legais, é um grupo muito cativante. Tudo aquilo que é engraçado me chama a atenção, sou uma pessoa que gosta de humor. Acho, inclusive, que o Aécio, hoje, teria muito mais visibilidade se fosse uma espécie de Ricardo Amaral 2. Dono de casas noturnas… como uma época ele quis ser…Ele tem muito talento para isso. E não para ser “o neto do Tancredo”, pendurado no cabide forçoso da história. Ele deveria ter enveredado pelo talento social que ele tem. Esse é o talento do Aécio…

Relações públicas?

É lógico! Eu não estou querendo dizer nada contra nem a favor dele. Essa coisa de ele andar com alguém atraente nos restaurantes de Brasília é típico de um bon vivant que sabe fazer festa! Ele tinha que ter capitalizado isso para ser dono de casas noturnas.

Você imaginava que um dia ele seria candidato a presidente da República?

Jamais! Um cara que passa mal num voo e por ter um passaporte diplomático faz o avião voltar pro aeroporto e fica dormindo 24 horas no aeroporto até o próximo voo não tem perfil de político! Quem é político não age assim!

O que aconteceu?

Ele tinha tido algum problema que eu não sei direito…não lembro o que foi… foi uma reação…ele passou mal no voo… ficou amarelo…

Vocês estavam indo para onde?

Para Nova York. O avião já estava alto quando ele começou a passar mal…e o voo voltou por causa dele… porque ele tinha passaporte diplomático…

Quando foi isso?

Em 1985…86…foi a coisa mais engraçada da paróquia! Eu mesma não entendi. Como eu estava do lado dele como namorada fiquei morrendo de vergonha… achei esquisito o tratarem a pão-de-ló… eu já vi pessoas com síndrome de pânico num voo e o avião não voltou… eu mesma já passei mal em avião e continuei a viagem…porque, imagina, todos os passageiros olhando pra gente… putos… e não é que ele tivesse tido um ataque cardíaco ou alguma coisa assim…Ficamos dormindo todos no aeroporto…a turma toda… a turma da pesada…como ele estava mal, não tinha como ir pra lugar nenhum…era final de ano…como é que pode parar um voo para Nova York por causa de um simples mal-estar??? No dia seguinte embarcamos de novo, belos e formosos e refeitos.

O que mudou na tua vida quando você foi pra Globo?

Pode se dizer que já começou na Band. Mas na Band eu tinha um perfil artístico preservado. Eu apresentava a “Sala Philips de Cinema”… o “Carlton Cine”…de uma maneira muito criativa. E os próprios textos na época, do Paulo Leminsky, no “Jornal de Vanguarda” eram textos poéticos. Tinham uma roupagem metafórica. Depois, na Globo, virei apresentadora de telejornal.

Quem te colocou para apresentar o “Fantástico”?

O “Fantástico” seria apenas um adequador de imagem, porque eu fui contratada para fazer o “Doris para maiores” originalmente. Quando a Globo chama uma pessoa, até essa pessoa estrear ela costuma participar de vários programas e ter uma participação “provisoriamente fixa” em algum outro programa, imediatamente, para o rosto dela ficar misturada com os outros artistas da Globo rapidamente. Eu ia ficar no “Fantástico” alguns meses, até o meu programa estrear. O que deu uma virada total nesse roteiro é que no dia seguinte à minha estreia no “Fantástico” a Glorinha Beutenmuller disse que eu era um espetáculo, que eu tinha muita credibilidade, tinha uma voz absolutamente cristalina e eu virei “a melhor apresentadora da temporada”. De qualquer modo, logo depois o “Doris para maiores” começou e dava picos de ibope incomparáveis. Era para ter sido um “Globo Repórter de vanguarda”, mas não rolou porque a turma lá dentro falava assim: “o telespectador da Globo não vai entender isso”. O que é subestimar o público. Eles preferem nivelar por baixo. Na época da reta final da campanha de Fernando Collor a presidente da República o Alberico me chamou e disse: “Olha, nós vamos parar com o seu programa porque ele arranha a credibilidade do ‘Fantástico’. Quando aparece uma chamada do seu programa no intervalo do ‘Fantástico’ fica estranho”. Esse foi o primeiro motivo. “E, fora isso, a gente precisa de você no Jornalismo”.

Ele falou exatamente assim?

Sim, foi uma solicitação do Roberto Marinho, que queria me aproveitar – já que a minha credibilidade, como foi aferido em pesquisas de agências de publicidade, ainda na época em que eu fazia os comerciais do Café Melitta era absoluta – para ficar no “Fantástico” por evidente motivo político. Por que eu concluí isso? Porque a maioria dos textos que diziam respeito à campanha do Collor eram designados para mim. Textos de “cabeça”, off, matérias, notícias, resumo. Tudo que se referia a Collor eu é que lia. Até o Collor ganhar eu era a escolhida para falar dele naquele que era o programa de maior ibope da televisão brasileira. Na época era o programa mais importante da casa. Hoje, não sei. Era o carro-chefe. Essa deliberação do Alberico, instruído por Roberto Marinho claramente ajudou a eleger o Collor. Enquanto a gente falava, digamos, cinquenta minutos de texto sobre Collor, o Lula era só en passant. Vou dar um exemplo típico. Um dia em que teve uma baita chuva num comício do Collor o texto enfatizava “olha, teve muita chuva, mas o povo estava lá vendo o comício”. Quando se falava do Lula era: “Choveu no comício do Lula”. Acabou. Nem imagem tinha. Então, estava claro para o que é que eu estava ali. A casa queria o Collor. Tanto que eu era convidada para ir nas festinhas…

Na casa de quem?

Na casa do Boni, na casa da Lilibeth Monteiro de Carvalho, por exemplo, que era a ex-mulher do Collor. Me chamavam para as festas da sociedade frequentadas por essa turma bem do eixo da família do Roberto Marinho. Eu não ligava muito para isso porque meu negócio era a dança. Eu saía do “Fantástico” e ia pro teatro dançar. Minha vida era de bailarina, no “Fantástico” eu prestava serviço sob contrato. Nunca fui uma pessoa deslumbrada com a Globo.

Você acha que a Globo te usou para eleger o Collor?

Claro! Isso é óbvio!

Todo “Fantástico” tinha matéria sobre o Collor?

Claro!

E o Boni não disse nada quando o Alberico decidiu que você deveria ficar só no “Fantástico”?

Eu me lembro muito bem que, quando Alberico tomou essa decisão o Boni ficou com cara de tacho. Ficou mudo. Ele não tinha o que dizer.  Na cabeça dele, ele não concordava. Mas teve que aceitar.

Mas o Boni não era o chefão?

Não. Quem manda na Globo é o Jornalismo. É a filosofia da casa, é a escolha da casa.

E quem mandava no Jornalismo era o Roberto Marinho?

Claro!

Isso me lembra uma declaração da ex-primeira dama Dulce Figueiredo à “Interview”: “O Jornal Nacional são as mentiras do Roberto Marinho”.

A parte artística é a parte comercial. Onde entra a grana. Aliás, no Jornalismo também. Mas o setor de entretenimento é mais um coletor de grana. E conquistador de público. E nisso a Globo era – e é – nota 1000! Eu saí da Globo exatamente por isso, porque a minha hashtag não era jornalismo, era arte. Eu saí de lá porque tinha sido contratada para a linha de show e eles quiseram que eu ficasse no “Fantástico”. Eu saí no final do contrato, fui para Londres dançar. Quando Collor já tinha dançado…

Quer dizer que você ficou no “Fantástico” durante todo o governo Collor?

Fiquei. E continuei narrando as matérias sobre ele. Os outros também falavam, mas a maioria dos textos caía para mim. Mas eu nunca dei peso a essas coisas. Assim como eu anunciava as grandes atrações. Como o lançamento de um clipe do Michael Jackson, por exemplo. Mas eu não ligava para isso. Eu não vivia na Globo. A maioria das pessoas que entrava lá costumava visitar muito o sétimo e o oitavo andares, onde ficava a diretoria, para fazer amiguinhos. Eu nunca fiz isso. A única pessoa com quem eu me relacionava por motivos de identificação ideológica, digamos assim, era o José-Itamar de Freitas que foi diretor do “Fantástico”. Naquele tempo não me lembro se ainda era. O outro amigo meu era o Maurício Sherman.

O Boni já não era tão poderoso na tua época?

O que eu sei é que naquela época houve uma mudança de carro-chefe da Globo que passou a ser o Jornalismo. Qual era o grande tra-lá-lá da Globo? A novela ou o Jornalismo? As novelas continuavam acontecendo, os programas de humor continuavam acontecendo, mas o grande must da Globo sempre foi, de lá para cá, o Jornalismo. Ele tomou a dianteira, claramente. Quem está na casa, sente os movimentos.

Você saiu da Globo por ter ficado chateada pelo uso político da sua imagem e da sua voz?

Não fiquei chateada com isso. Aquilo simplesmente não me interessava. Por acaso eu fui contratada para ficar no “adequador de imagem”?

Você não queria ficar no “Fantástico”?!

Lógico! Eu me lembro que, na época, quando me perguntavam porque eu saí da Globo eu dizia “porque não quero ser balconista”.

Mas você não podia fazer só o “Doris para maiores” em vez do “Fantástico”?

Não existia mais o “Doris para maiores”. Eu não estava mais na minha turma, que era a do Guel Arraes, e era a ideal para mim.

Eu sempre achei que o “Doris para maiores” acabou quando você saiu da Globo…

Não! Foram apenas 11 programas. Acabou porque o Alberico decidiu que eu tinha que ficar no “Fantástico”. Ele não deixava que uma pessoa que estivesse num programa jornalístico estivesse num programa de humor ou de show. Ele pode ter até razão. Só que o “Fantástico” não era o meu programa.

Quer dizer que foi o Alberico que acabou com o “Doris para maiores”?

Isso… exato…

Apesar do ibope que dava…

Exatamente… era uma coisa louca… ninguém entendeu… Foi aí que eu senti que o que mandava na casa era o Jornalismo, e não o ibope. Não é a grana que está entrando. Não interessa. A grana entra de qualquer jeito.

Você acha que o Aécio vai ser eleito se for candidato de novo e a Globo ajudar?

Eu acho meio difícil…se a Globo está escondendo as denúncias da Lava Jato contra ele hoje em dia o que a Globo esconde acaba sendo revelado de outras formas…agora, me chamou atenção a foto do Aécio morrendo de rir com o Moro. Até com o Moro ele está de blá-blá-blá. É esse o talento dele. O talento do Aécio é o blá-blá-blá. É nisso que ele é professor. Também precisa saber o que o Moro quer da vida dele. Quem manda no Moro provavelmente não está no Brasil… A gente não é guiado por nada que é genuinamente nacional. Isso está na cara. Só não vê quem não quer. Mas tem muita gente vendo…

Alex Solnik
No Desacato
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5 fatos que você precisa conhecer antes de falar sobre a desmilitarização da polícia


Nos últimos anos o debate sobre a desmilitarização da PM vem crescendo cada vez mais em todo o país. E não é pra menos. Segundo levantamento revelado pela edição 2014 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil tem a polícia que mais mata e mais morre no mundo. Só a polícia do Rio de Janeiro mata quase o dobro que a polícia de todos os EUA, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública).

Hoje, temos três Propostas de Emenda Constitucional (PEC 430, de 2009; PEC 102, de 2011; e a PEC 51, de 2013) que tratam da desmilitarização da polícia e que visam alterar o artigo 144 da Constituição Federal. No entanto, à medida em que a repercussão a respeito do tema se intensifica, as dúvidas em relação a ele também acentuam-se na mesma proporção. Por essa razão, elencamos 5 questões essenciais para o melhor entendimento dessa reivindicação, visando contribuir para um melhor debate público sobre esse assunto que interessa a todos nós e que pode ser um caminho para vivermos numa sociedade mais justa e segura.

1 – Desmilitarizar não é extinguir nem desarmar a polícia


A principal delas é sobre o que seria de fato a “desmilitarização”. Muitos a confundem com desarmamento ou extinção da polícia, na maioria das ocasiões, induzidos ao erro por setores conservadores da sociedade. Desmilitarizar a PM não é nada mais do que transformá-la numa instituição civil (atualmente ela é vinculada ao Exército), como são todos as outras que cuidam da segurança pública, para assim permitir que seus membros detenham os mesmos direitos e deveres básicos do restante da população.

E embora países como a Grã-Bretanha, Irlanda, Islândia, Noruega, Nova Zelândia e uma série de nações insulares no Pacífico contem com muitos policiais que patrulham desarmados, não é esse o objetivo da medida. Ela visa apenas abolir da polícia o seu modo de operação bélico que vem do sistema militar das Forças Armadas e de sua ação hierarquizada. Ambos foram intensificados na reformulação da segurança pública promovida pelo golpe ditatorial de 1964. No Brasil, infelizmente, a formação dos(as) agentes de segurança ainda é feita, via de regra, mantendo esse modelo, ou seja, baseada na ideia da guerra contra um “inimigo”. E quem é esse inimigo? Dependendo da sua condição social e econômica, pode ser você.

2 – Sete em cada dez PMs são favoráveis à desmilitarização


Segundo a pesquisa “Opinião dos Policiais Brasileiros sobre Reformas e Modernização da Segurança Pública”, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pela Fundação Getúlio Vargas e Secretaria Nacional de Segurança Pública, 77,2% dos policiais defendem o fim do modelo militarista. Em pontos percentuais, a aceitação é ainda maior no Rio de Janeiro: 79,1% disseram “sim” à desmilitarização. O levantamento ouviu 21.101 pessoas em 2014.

3 – A desmilitarização ampliará os direitos dos PMs


Com a desmilitarização os recrutas não serão submetidos a treinamentos violentos e a maus tratos, eles terão seus direitos respeitados e serão preparados para respeitar os direitos dos cidadãos; os policiais terão liberdade para se expressar e exigir condições dignas de trabalho; os profissionais não serão mais submetidos à Justiça Militar e a punições descabidas, como prisão por atraso (aliás, abusos de autoridade, tão comuns à hierarquia militar, não serão permitidos).

Pegando como base a PEC 51/2013, toda organização policial também deverá ter uma linha de promoções unificada. Hoje, por exemplo, existem linhas de carreira separadas para oficiais e praças, e dificilmente um policial iniciante chega a coronel. A mesma coisa acontece nas polícias civis, entre agentes e delegados. A carreira única não abrange funções auxiliares.

Além do mais, a proposta garante a manutenção de todos os direitos trabalhistas dos profissionais da segurança, pois o objetivo é que os policiais sejam, devidamente, mais valorizados perante a sociedade e o poder público.

A título de comparação seguem alguns Direitos Humanos que os policiais civis possuem e que os policiais militares não:

– Liberdade de expressão;

– Não ser arbitrariamente preso (no quartel);

– Poder se organizar em sindicato para defender coletivamente seus direitos e interesses.

Sendo assim, não só a sociedade – que terá uma polícia treinada não para a guerra, mas para a proteção dos direitos e promoção da cidadania – sairá ganhando. Os servidores também serão extremamente beneficiados.

4 – A ONU recomenda a desmilitarização


A ONU sugere o fim da militarização das polícias em todo o globo e, em 2012, em seu relatório, divulgado pelo seu Conselho de Direitos Humanos, pediu ao Brasil maiores esforços para combater a atividade dos “esquadrões da morte” e a supressão da Polícia Militar, acusada de numerosas execuções extrajudiciais.

Esta foi uma de 170 recomendações que os membros do Conselho de Direitos Humanos aprovaram como parte do relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre o Exame Periódico Universal (EPU) do Brasil, uma avaliação à qual se submetem todos as nações.

Na ocasião, países como Dinamarca, Coréia do Sul, Austrália e Espanha também aconselharam uma total reformulação no modelo de polícia adotado por nosso país.

5 – Muitos países já aderiram à desmilitarização


Na Argentina não há força policial com caráter militar. No Reino Unido também não, mas sua Royal Military Police (RMP) ainda existe apenas para policiar a comunidade militar em todo o mundo.

A Bélgica não tem mais uma força policial militar. Há um serviço policial baseado nos princípios de policiamento comunitário, o que significa que a polícia funciona como um órgão de prestação de serviço para cada cidadão e não mais como um instrumento de força para o governo local ou nacional.

Para surpresa dos mais conservadores e admiradores dos Estados Unidos, nesse país também não existe segmento de cunho militar na segurança pública. Há, porém, a chamada Guarda Nacional, composta por pessoas que se alistaram, mas não foram chamadas para servir o Exército, a Marinha ou a Aeronáutica. A guarda é chamada para atuar em casos de grandes desastres ou catástrofes, que coloquem em risco a segurança nacional (como furacões na Flórida). Esse modelo estadunidense é bem parecido com o que propõe a PEC 51, dando ainda mais controle para os municípios.

Na terra do Tio Sam, na Inglaterra e em outros países que adotam o sistema anglo-saxão, as policias são compostas exclusivamente por civis e são de ciclo completo, isto é, o policial ingressa na carreira para realizar funções de policiamento ostensivo e, com o passar do tempo, pode optar pela progressão para os setores de investigação na mesma polícia.

O êxito da desmilitarização pode também ser conferido no balanço da 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2013, que revelou que 70,1% dos brasileiros não confiam na polícia. O número foi 8,6% maior do que o registrado em 2012, quando 61,5% da população desconfiava da atuação policial. Paradoxalmente, o índice de aprovação é inverso nos EUA e no Reino Unido. Cerca de 80% dos cidadãos americanos e britânicos dizem confiar em suas polícias.

Ademais, na maioria dos países que possuem polícia militar, esta fica responsável pelo policiamento interno dos quartéis ou em regiões de fronteiras nacionais.

Fontes:


Luan Toja
No Voyager
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Depoimento questiona cronologia da acusação mirabolante do tríplex no Guarujá

Falando a Sérgio Moro, advogado explica como é insustentável até por razões cronológicas a tese dos procuradores sobre a suposta "propriedade oculta" do imóvel por parte da família Lula da Silva

O advogado Pedro Dallari, que explicou como se deu o processo de aquisição do empreendimento do Guarujá pela OAS
O advogado Pedro Dallari, que trabalhou para a Bancoop no acordo de regularização entre a cooperativa de construção e o Ministério Público de São Paulo, falou nesta sexta-feira (10) como testemunha no processo que procuradores da Operação Lava Jato movem contra Luiz Inácio Lula da Silva, em Curitiba, acusando-o de ser o “proprietário oculto” de um apartamento triplex no Guarujá. O ex-presidente jamais foi dono do imóvel.

Concedido ao juiz de primeira instância Sérgio Moro, o depoimento de Dallari explicitou a mirabolante linha do tempo da acusação esboçada pelos procuradores de Curitiba. Para eles, o triplex seria fruto de alguma forma de propina em contratos da Petrobrás celebrados entre 2006 e 2008.

A defesa de Lula perguntou se seria possível Dona Marisa Letícia - que é uma das acusadas na denúncia aceita por Moro - já imaginar, ao adquirir a cota do apartamento 141 (que não é a tal cobertura, mas fica no mesmo prédio) em 2005, que haveria uma cobertura reservada para ela naquele imóvel, e que todo o empreendimento seria assumido pela OAS, o que só aconteceu em 2009.  "Que eu saiba não, porque em 2005 era impossível prever que os empreendimentos seriam assumidos por construtoras." Mas, pela tese da Lava Jato, isso teria que ter ocorrido. Só assim faria sentido a teoria de que a OAS estaria utilizando a cobertura (que teria sido dada ao ex-presidente e a dona Marisa) em troca da cota da unidade que tinham (141), sem acréscimo de qualquer valor, a título de pagamento indevido a Lula.

A linha do tempo apresentada pela acusação é mirabolante. Dona Marisa se juntou à cooperativa Bancoop para adquirir uma unidade simples - a 141 - em 2005. Quatro anos depois, o empreendimento veio a ser assumido pela OAS, que só concluiu a obra em 2013.

Mas o Ministério Público acusa Dona Marisa de, já em 2005, ter a intenção de obter, sem pagar, uma cobertura triplex no edifício do Guarujá. E de isso ser propina paga ao ex-presidente em Lula em troca de sua influência para que a empreiteira tenha fechado três contratos com a Petrobrás, celebrados entre 2006 e 2008, ou seja, depois da data em que dona Marisa se associou à Bancoop para adquirir a unidade 141!
Os tais contratos da Construtora OAS foram celebrados enquanto Dona Marisa pagava prestações mensais para a Bancoop, que na época construía o empreendimento. 

A OAS Empreendimentos, outra empresa do grupo OAS, mas diferente da OAS Construtora, só assumiu o prédio no Guarujá, entre outros da Bancoop, em 2009.  Ocorre que, em 2009, quando o empreendimento passou para a OAS, todos os cooperados que lá possuíam unidades tiveram a opção de aderir ou não ao novo contrato de incorporação com a OAS.

Dona Marisa não aderiu ao acordo, perdendo o direito à unidade específica do imóvel que possuíam, a 141.  O apartamento, então, foi  liberado para venda, e ele foi de fato vendido. Mas, no entendimento da família, e conforme falou proceder  "em tese" (por não conhecer o caso específico), Pedro Dallari, Dona Marisa manteve, junto à Bancoop, e conforme presente nas declarações de imposto de renda de Dona Marisa e Lula, os créditos dos valores pagos entre 2005 e 2009, para abater do valor total caso adquirisse algum outro imóvel da construtora (já não mais o imóvel previsto originalmente, sob o qual perdeu direito de preferência e que foi vendido para outro proprietário).

A família de Lula considerou, apenas em 2014, meses após o prédio estar pronto, e mais de três anos depois de Lula deixar a presidência, adquirir uma unidade no imóvel, o tal triplex. Avaliaram o imóvel em duas visitas de Dona Marisa e uma do ex-presidente Lula. Não gostaram do apartamento, não quiseram comprar, não compraram. A partir disso, e apenas disso e de meros boatos de que Lula seria dono do apartamento, o Ministério Público denunciou Lula e Dona Marisa como proprietários do apartamento, embora Lula e sua família jamais tenham  usado o apartamento, tido chave dele ou a escritura do imóvel.

Foi o advogado Pedro Dallari quem celebrou o acordo entre a Bancoop, a cooperativa de construção ligada ao Sindicato de Bancários de São Paulo, e o Ministério Público de São Paulo para a solução de atrasos que existiam na construção de imóveis residenciais pela cooperativa, que regulou a transferência de diversos empreendimentos de imóveis da Bancoop para várias empresas.

 O acordo determinou as transferências dos projetos, que foram separados em CNPJs e contas individuais, e foram assumidos por várias empresas, entre elas, a OAS Empreendimentos.

Nessa transição, em 2009, Dona Marisa, que pagou entre 2005 e 2009 parcelas por uma unidade simples do imóvel, a 141, perdeu o direito a reserva do apartamento previsto para ela, ao não aderir o acordo, que foi posto a venda e efetivamente vendido pela OAS sob a nova numeração do prédio (apartamento 131). Entenda toda a verdadeira história do famoso "tríplex do Guarujá", em nota publicada em janeiro de 2016 pelo Instituto Lula.

No Lula



Caso Triplex: Audiência em Curitiba 09/02/2017

Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-Presidente Lula, explica como foi a primeira audiência em Curitiba para ouvir as testemunhas de defesa na ação que trata do chamado "triplex" e do acervo presidencial. Ele fala do depoimento do ex-Presidente Fernando Henrique e de outras testemunhas.

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Na Veja, a razão do “apelo” de Moro a Temer


A capa da Veja deste final de semana parece revelar o que pretendia o juiz Sérgio Moro, ontem, ao apresentar-se espontaneamente para defender Michel Temer do que chamou de “ameaças e extorsões” de Eduardo Cunha contra o ocupante da presidência.

A revista, porta-voz oficioso da Lava Jato, registra que Temer dá vários passos para “estancar” a Operação no Supremo e, com isso, salvar a pele da turma que está hoje no poder, inclusive a dele próprio.

O despacho de Moro, dizendo que não admitirá, em Curitiba, sequer “insinuações” contra o presidente pode ser lido como um “o senhor cuida do Supremo e que garanto Curitiba”.

Moro só quer Lula e descarta, com seu perdão, quaisquer outros para conseguir chegar a ele.

Tudo o mais foram meios.

Aniquilar e desmoralizar o Supremo não o desagrada, porque evitar que, na parte do butim da corrupção que o anima, ainda evitará que os abusos que pratica possam ser revertidos por qualquer resto de legalismo que sobreviva na corte suprema.

Os procuradores da “Força Tarefa” talvez não se incomodem muito que Rodrigo Janot tenha o mesmo destino e seja “executado” a médio prazo, com a não recondução ao cargo.

Uma investigação marcada pela política desde o início não poderia ter senão, também, um final político.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Extra! Extra! Mulheres de PMs são de Atenas!


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Elite brasileira perdeu noção do perigo


Em vídeo, o historiador Leandro Karnal diz que a elite brasileira "perdeu a noção de perigo", assim como a elite francesa em 1789 e a russa em 1917; "eles não estão sabendo lidar com o caldeirão que estourou neste momento no Espírito Santo, está prestes a estourar no Rio de Janeiro e continuam indicando amigos, compadrios como se nada houvesse"

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"O que é que eu faço?" Ciro responde


Na última terça-feira, dia 07/02, Paulo Henrique Amorim participou de um debate promovido pela equipe da Carta Capital em São Paulo. Em meio a essa crise econômica e política, PHA pergunta a Ciro Gomes: "o que é que eu faço?"

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Mais um plágio de Alexandre de Moraes


Ministro da Justiça licenciado e o mais novo indicado para a vaga deixada por Teori Zavascki no STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes copiou literalmente em seu livro “Legislação Penal Especial” (Editora Atlas, 2006, São Paulo) diversos trechos da obra “Tóxicos, Prevenção – Repressão”, de seu colega da Faculdade de Direito da USP e professor titular de direito penal do Mackenzie, Vicente Greco Filho.

O livro, que é o quinto da coleção “Fundamentos Jurídicos”, toda ela redigida sob a coordenação e responsabilidade de Moraes (veja foto), foi escrito pelo ministro licenciado em coautoria com o Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo, Gianpaolo Poggio Smanio. Procurado pelos Jornalistas Livres, o ministro da Justiça licenciado – por meio de sua assessoria de comunicação – não negou a cópia literal dos trechos em questão, apenas afirmou que esta parte do livro foi escrita e é de inteira responsabilidade de seu colega e Procurador-Geral do Estado de São Paulo (leia mais abaixo). Já Gianpaolo Poggio Smanio não respondeu às perguntas dos Jornalistas Livres até a publicação desta reportagem.

Somente nesta semana, esta é a terceira obra jurídica de Moraes – tido até então como um constitucionalista de qualidade inconteste – em que são detectadas cópias deliberadas de trechos de outras obras sem a devida menção ao autor. Todas foram reveladas pelos Jornalistas Livres. (Clique aqui e aqui para conhecer os outros dois casos de plágio).

Indicado à vaga no STF pelo presidente Michel Temer, antes de assumi-la, o ministro licenciado terá que passar por uma sabatina no Senado Federal. Entre os pré-requisitos legais para ocupar a vaga estão possuir “reputação ilibada” e notório saber jurídico”.

Voltando ao livro do professor Greco, a obra data de 1991 e traz comentários sobre a Lei n.6368/76, que criminaliza o tráfico de drogas, tema caro a Moraes, que já disse querer erradicar o consumo de maconha no país.

Como nas outras denúncias de plágio que envolvem o escolhido por Temer, ele simplesmente faz constar o nome do autor copiado na bibliografia, mas ignora as aspas ou citações, tornando impossível identificar os trechos que Moraes copia de outros autores, contrariando, assim, as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para a citação de autores em obras acadêmicas. Veja abaixo…

Trecho do Livro de Alexandre de Moraes

Trecho do Livro de Alexandre de Moraes

Trecho do Livro de Vicente Greco Filho
Trecho do Livro de Vicente Greco Filho

Trecho do Livro de Vicente Greco Filho
Trecho do Livro de Vicente Greco Filho

Trecho do Livro de Alexandre de Moraes
Trecho do Livro de Alexandre de Moraes

Nos trechos destacados, observa-se a apropriação de termos através de cópia literal, sem qualquer identificação por meio de aspa ou citação.

Das 40 linhas presentes na página 120 de “Legislação Penal Especial”, por exemplo, 26 foram clonadas por Alexandre Moraes de seu colega.

A utilização de termos incomuns, como “dádiva”, por exemplo, evidenciam a má conduta acadêmica.

Trecho do Livro de Alexandre de Moraes
Trecho do Livro de Alexandre de Moraes
Trecho do Livro de Vicente Greco Filho
Trecho do Livro de Vicente Greco Filho

Em cópias com três linhas ou mais, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) determina a diminuição da fonte e o recuo da margem, exatamente para auxiliar o leitor a não confundir grandes citações com o autor da obra.

Trecho do Livro de Alexandre de Moraes
Trecho do Livro de Alexandre de Moraes

Trecho do Livro de Vicente Greco Filho
Trecho do Livro de Vicente Greco Filho

Outro Lado

Em nota enviada aos Jornalistas Livres, Alexandre Moraes, coordenador da coleção “Fundamentos Jurídicos” e um dos dois autores do quinto número, “Legislação Especial”, eximiu-se de culpa pelos trechos copiados de um outro livro, embora não tenha negado a existência da cópia. Leia, abaixo, a íntegra da resposta da assessoria do ministro licenciado.

A obra “Legislação Penal Especial” é de coautoria de Alexandre de Moraes e Gianpaolo Poggio Smanio, que, após vários anos de aulas ministradas, abordaram os temas mais relevantes de cada uma das leis analisadas.

O trabalho foi dividido por capítulos, que foram escritos segundo a maior especialidade de cada um dos coautores.

O capítulo referente à “Lei de Drogas” foi escrito pelo coautor Gianpaolo Poggio Smanio, que analisou detalhadamente os tipos penais, a partir de conceitos clássicos da doutrina e jurisprudência, inclusive apontando os julgados mais importantes em cada caso.

Em sua bibliografia, há mais de duas dezenas de livros, entre eles as clássicas obras dos professores Vicente Grecco Filho e Damasio de Jesus, que também adotam conceitos clássicos.

Para mais esclarecimentos, o dr. Smanio está à disposição.”

CRIME DE PLÁGIO

O crime de plágio está tipificado no art. 184 do Código Penal, pela leitura in verbs:

Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
  • 1o Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Aqui é interessante notar que ele cita o julgamento referente, mas não cita o autor original do texto.

Trecho do Livro de Alexandre de Moraes
Trecho do Livro de Alexandre de Moraes
Trecho do Livro de Vicente Greco Filho
Trecho do Livro de Vicente Greco Filho
Trecho do Livro de Alexandre de Moraes
Primeira citação ao autor Vicente Greco Filho (acima), o que contribui para a tipificação do crime, pois uma das características principais para a comprovação do plágio é a prova de que o autor teve acesso à obra original.

Abaixo, Alexandre de Moraes, finalmente faz o uso correto das aspas.

Trecho do Livro de Alexandre de Moraes
Procurado para comentar o assunto, o autor da obra copiada, Vicente Greco Filho, não se manifestou até a publicação desta reportagem.

No Jornalistas Livres
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Moraes e a “lama” no celular da Marcela


Reprodução do diálogo entre hacker e Marcela Temer em abril de 2016 

A Folha parece saber de algo muito podre que não quer compartilhar com seus leitores. Nesta sexta-feira (10), o jornal voltou a tratar do hacker que grampeou o celular de Marcela Temer, a primeira-dama “recatada e do lar” do covil golpista. A matéria não dá maiores detalhes sobre o áudio, mas sinaliza que é pesado e que poderia, inclusive, abortar a indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF). Isto porque o brucutu, quando ainda era secretário de Segurança Pública em São Paulo, foi o responsável por impedir seu vazamento. Isto ajudaria a explicar a eterna “gratidão” de Michel Temer.

Segundo a nova reportagem, assinada por Pedro Ladeira, “um áudio usado por um hacker para tentar extorquir dinheiro da primeira-dama, Marcela Temer, em abril do ano passado, jogaria o nome do então vice-presidente, Michel Temer, ‘na lama’, segundo ameaça do criminoso. O áudio, furtado de um celular de Marcela clonado pelo hacker Silvonei de Jesus Souza, era uma mensagem de voz de WhatsApp enviada originalmente por ela ao irmão, Karlo Augusto Araújo. Todo o conteúdo de um celular e contas de e-mail de Marcela foram furtados por Souza”.

Na ocasião, o hacker escreveu diretamente para Marcela Temer: “Pois bem como achei que esse vídeo joga o nome de vosso marido na lama. Quando você disse que ele tem um marqueteiro que faz a parte baixo nível... pensei em ganhar algum com isso!". Ele teria pedido R$ 300 mil para não divulgar o áudio. Uma forte operação policial foi montada para encontrar o hacker e, em outubro passado, ele foi condenado a cinco anos e 10 meses de prisão por estelionato e extorsão e cumpre pena no presídio de Tremembé, no interior paulista.

Como lembra a matéria, “o caso foi tratado com muita discrição pelas autoridades paulistas” – e também pela mídia chapa-branca. “Sob o comando do então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, hoje ministro da Justiça licenciado e indicado por Temer a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), a Polícia Civil paulista criou uma força-tarefa com cinco delegados, 25 investigadores e três peritos para prender o hacker”. A rápida apuração do crime cibernético e prisão do chantagista – tudo com “muita discrição” – rendeu frutos. O serviçal ganhou a “confiança de Michel Temer”.

Vale conferir esta relação carnal em outra reportagem da mesma Folha, assinada por Daniela Lima e Thais Bilenky:

* * *

Alexandre de Moraes ainda era secretário de Segurança de São Paulo quando o então vice-presidente, Michel Temer, o procurou, em abril de 2016. O celular de Marcela, hoje primeira-dama, havia sido clonado. Um homem acessara seus e-mails e fotos íntimas e pedia dinheiro para não espalhar os dados. Moraes tratou de tudo pessoalmente, com discrição. Em cerca de 40 dias, prendeu o responsável. Nenhum detalhe vazou. Deu a Temer demonstração cabal de que merecia seu voto de confiança.

Os dois já conviviam havia mais de 20 anos. Conheceram-se na seara acadêmica, mas se aproximaram com a política. Em sua trajetória, Moraes sempre fez questão de alinhar as duas correntes. Promotor de carreira, primeiro galgou espaços no universo acadêmico. Fez especializações, doutorado. Escreveu livros de Direito Constitucional que venderam bem. Depois, advogado, projetou-se como conselheiro de políticos e grupos influentes.

Temer sempre teve lugar de destaque nas relações que Moraes gosta de alardear. Ele devota amizade a outros nomes, como o governador Geraldo Alckmin (SP). No PSDB, se aproximou recentemente do chanceler José Serra e do senador Aécio Neves (MG), mas é alckmista. Será indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal) com o apoio de ao menos três partidos: PMDB, DEM e PSDB – hoje ele é tucano, mas já foi filiado às outras duas siglas.

(...)

Alçado à Presidência, Temer o convidou para ser ministro. Ele titubeou: via chances de disputar a prefeitura de São Paulo ou o governo do Estado, com o apoio de Alckmin. Temer lançou um argumento infalível. Disse que conhecia o sonho de Moraes de ser ministro do STF e concluiu: "Ninguém chega lá sem passar por Brasília". Nomeado para a Justiça, Moraes foi acusado de não ter tato para o cargo. Antecipou uma ação da Lava Jato e, recentemente, foi criticado durante a crise carcerária. Com a morte do ministro Teoria Zavascki, submergiu. Foi blindado e abraçado pelo PMDB e pelo PSDB. No último domingo (5), à noite, recebeu a ligação que tanto esperava. Era um colega da Esplanada. "O Michel te escolheu. Vai ser você."


Altamiro Borges
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