22 de jan de 2017

Kajuru fala sobre Teori Zavascki, Lava-jato e cita Ronaldo Caiado


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ONG patrocinada por petroleiras deu prêmio a promotores da Lava-Jato

No dia 03 de dezembro de 2016, a ONG Transparência Internacional deu um Prêmio contra a corrupção à força-tarefa da Operação Lava Jato, responsável por investigar o escândalo de desvio de dinheiro na Petrobras.


Não haveria problema algum na premiação, não fosse o fato de ser a Transparência Internacional financiada por petroleiras internacionais e pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, parte interessadíssimas no petróleo do pré-sal brasileiro.

A Transparência Internacional montou a XVII Conferência Internacional contra a Corrupção, no Paraná, e anunciou o prêmio aos promotores brasileiros que “revelaram a maior trama de corrupção de colarinho branco da história do país”.

Opa! Peraí!
  • Premiaram aqueles que ajudam a destruir uma petroleira estatal concorrente das empresas que financiam a ONG outorgante do prêmio?
  • Premiaram aqueles que não indiciam empresas estrangeiras?
  • Maior escândalo de colarinho branco?
  • E as privatizações que "beiravam o limite da irresponsabilidade" segundo conversa gravada entre FHC e um de seus ministros?
Como você poderá comprovar neste documento que disponibilizamos para download, TIS_2015FinancialStatements_rev2.pdf, retirado do site da própria Transparência Internacional, entre os financiadores da ONG estão o mega especulador financeiro e propagador do neoliberalismo George Soros e sua Open Society Foundation, o Departamento de Estado dos EUA e petroleiras como Shell e British Petroleum.

Mas ninguém é obrigado a acreditar em nós, nem nos acusar de fomentar teorias das conspiração.

Quem de nós duvidar, pode acessar o link http://www.transparency.org/files/content/ouraccountability/TIS_2015FinancialStatements_rev2.pdf e baixar o relatório diretodo site da própria ONG em questão.

O relatório de 2016 ainda não está disponível para download no site http://www.transparency.org da Transparência Internacional.

Com informações de MidiaCrucis, Carta Campinas e Transparência Internacional.

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Collor, Dilma, Trump e a mídia dos EUA


As capas dos mais prestigiados jornais americanos não deixa dúvidas sobre a guerra Mídia x Trump.

Manifestação “desafiante” contra ele “inunda as cidades americanas”, diz o The New York Times enquanto, um pouco mais moderado, o Washington Post diz que as marchas contra o novo presidente reuniram milhões.

De sua declaração, o WP diz que ele usou a visita a CIA para “rasgar” a mídia e o NYT. ao melhor estilo O Globo, diz que ele falou “duas falsidades”.

Aos brasileiros, que vimos Fernando Collor ser eleito pela mídia e, depois, execrado por ela, com seus inúteis apelos de “não me deixem só”, e que observamos Dilma Rousseff, eleita contra os meios de comunicação, amolecer frente a eles logo após a vitória, cedendo ao “discurso  de mercado” com a nomeação de Joaquim Levy, não dá para deixar de pensar que esta guerra pode ter um desfecho raro na história americana, embora nem tanto para nós, aqui.

Evolua ou não nesta direção ou, ao contrário, na afirmação de Trump sobre a elite intelectual “globalizada” dos EUA e do mundo, é certo que a tempestade que se aproxima não é pequena.

Os que tomaram o poder aqui, depois do motim que derrubou o governo eleito teimam numa rota imprudente, sempre dizendo que, mais uns meses, o tempo vai clarear.

Os raios e trovões no centro do mundo são vistos como algo distante e irrelevante.

E não são.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A indigência do jornalismo


A crise de paradigmas no jornalismo e o cara da kombi que quer do RS ao Alasca

De há muito venho me debruçando sobre a metodologia empregada no trabalho jornalístico (escrito, falado e televisionado). Minha já clássica crítica é a do repórter que, para mostrar a enchente, tem de ficar com água pelo pescoço. Trata-se da tentativa, consciente ou inconsciente (não sei se isso é ensinado desse modo nas faculdades que, se forem como as de direito, já imagino...) de fazer uma “isomorfia” entre palavras e coisas. Uma espécie de imbecilização do telespectador. Dias atrás vi uma matéria em um canal tratando do preço do óleo diesel na lavoura. E lá se foi o rapaz se enfiando no meio do trigal. Em vez de falar tecnicamente do cerne da matéria, resumiu-se a entrevistar um agricultor que disse: está muito caro o óleo. Bingo. E o repórter, de forma genial, complementou a matéria, dizendo que “o lucro da safra, com o aumento do diesel, poderia virar fumaça”... Claro, quando ele disse, espaçadamente, “virar fumaça”, a câmara mostrou...a fumaça saindo da descarga do trator. Mas que coisa genial, não? Nobel. Prêmio Nobel para o jornalismo. Urgente.

A cobertura do acidente da Chapecoense foi de chorar. De raiva, quando o repórter enfiava o microfone na cara do parente ou de um transeunte qualquer. A clássica pergunta “e agora como a senhora se sente com a perda de fulano”, é claro, foi feita várias vezes e a câmara ficou até que as lágrimas rolassem. Escrevi uma coluna no jornal O SUL sobre isso.

Nesta semana li uma reportagem de página inteira em jornal de destaque, a Zero Hora. Titulo da matéria de pagina inteira: JOVENS COMEÇAM PELO LITORAL GAÚCHO PLANO DE VIAJAR DE KOMBI AO ALASCA.

O tema: um gaiato quer ir do Rio Grande ao Alasca, em uma Kombi 1994, caindo aos pedaços. Com uma namorada. A Kombi estragou antes de sair do estado. Pois é. Na matéria do jornal constava que o viajante seria alguém com espirito aventureiro, que largara o emprego para correr o mundo. Teria – isso não fica claro – vendido seus bens, pedido demissão e comprado a Kombi. Foi dormir no teto da Kombi (sinal de que deve ter vendido a casa ou saiu da casa dos pais ou da ex-namorada) e por lá passou uma moça que resolveu ir com ele. E lá se foram. Na Kombi caindo aos pedaços. Observação: o subtítulo da matéria diz: “A aventura nasceu da insatisfação de fulano de tal com uma vida estável e convencional”. Pois é. Dá para ver. E como.

Pela matéria, entende-se que o tal viajante é um pelado. Não tinha nem dinheiro para comprar peças da Kombi. Ela quebrou logo. Ele foi ajudado por posteiros na divisa RS-SC. E ganhou lanche. Mas, espera um pouquinho: a matéria fala que o sujeito esse tinha dinheiro para dar volta ao mundo a passeio, mas preferiu ir de Kombi. Diz o personagem da Kombi: “a gente já tinha juntado dinheiro para dar três voltas ao mundo, só que a gente estava comprando apartamento, comprando carro, sabe?”. Hum, hum.

Outra coisa: se a moça se encontrou com ele há pouco, deu tempo para fazer visto norte-americano? O viajante tem o visto? Ou ele acha que, indo de Kombi, não necessita de visto? Sabe ele que o Alasca é território norte-americano? O repórter não perguntou nada disso. Matéria fraca. Jornalisticamente inconsistente. Serve para quê? Para preencher espaço no jornal? Vai mal o ensino nas faculdades de jornalismo e comunicação. Se é isto que ensinam... Pior: provavelmente a reportagem tenha sido elogiada internamente. E até por leitores desavisados.

Sigo. Na TV, assisti a uma reportagem sobre a falta de passarelas na BR 116. O que a repórter mostrou? Pessoas tentando atravessar a rua. Claro: entrevistaram transeuntes, que disseram: faltam passarelas. Bingo. Prêmio nobel. E a repórter terminou a matéria... caminhando sobre uma passarela. Que genial, não? O que faltou? Faltou dizer o custo de uma passarela, o que o diretor do DNIT tem a dizer sobre isso e quantas pessoas foram atropeladas nos últimos dois ou três anos. Quando foi feita a última passarela? Como telespectador, quero saber coisas técnicas. Quero respostas. Só não preciso saber o que o transeunte pensa. E não preciso de imagens de passarelas. Como na enchente, basta mostrá-la. Não precisa o repórter molhar os pés. E nem atravessar a BR.

No rádio, agora é moda as mensagens dos ouvintes. Ora, se ligo o rádio, é para ouvir alguém bem informado que me ajude a compreender os acontecimentos ou algo assim. O que interessa saber o que alguém por uatsap diz sobre um assunto? Tem programa que, se tirar as mensagens, desaparece. Acho esse tipo de interatividade simplesmente despicienda e, quiçá, ridícula. Se quero saber o que o garçom pensa sobre a posse do Trump, vou ao bar. Por qual razão, no rádio, preciso saber o que um torcedor pensa do Renato ou do Zago? Se o sujeito tem um programa, tudo indica que tem competência para tocá-lo em frente, sem a escora de mensagens inócuas, que absolutamente nada acrescentam. Além disso, as leituras são seletivas. Mandei um uats para um importante comunicador de programa de rádio, retificando uma informação equivocada que um advogado acabara de dar. Mas o apresentador não admite que erra.

Há uma crise de paradigmas no jornalismo. Aliás, onde não há crise? O que falta nos veículos de comunicação é autocritica. Ombudsmans. Isso sem contar o moralismo presente nos discursos. Semana passada falei de um “comentarista” de um programa em TV UHF que disse ser tão de direita que retirara o rim esquerdo. Muito engraçado. Na sequencia, falou que os presos tinham que ser mortos. Bingo. A coisa não vai bem em Pindorama. E eu vou estocar comida. Vou para as montanhas. As montanhas tem um cume.

Lenio Streck
No Esquerda Caviar
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Amanheceres

Em inglês existe uma expressão bonita para dar-se conta, ter uma revelação, entender: “It dawned on me”. Amanheceu em mim.

A expressão descreve o sentimento de, subitamente, ver com clareza o que antes era obscuro, como uma aurora interior. Ideias e pensamentos amanhecem dentro de nós.

Dizer que os olhos de uma pessoa se iluminam quando ela tem uma percepção nova não é um clichê literário, é a luz deste alvorecer saindo pelos olhos.

Não sei se existe expressão parecida em outras línguas, mas ela deveria ser universal. Afinal, sua origem é a experiência mais comum da humanidade desde que ela viu, pela primeira vez, o sol afastando as trevas e a noite dando lugar ao dia, e à maior dádiva do dia, que é a de nos permitir enxergar.

O amanhecer é uma metáfora pronta, e reincidente. Nós a usamos para escrever a História: o Renascimento como um novo dia depois da noite medieval, o Iluminismo como o sol resgatando o espírito humano das sombras da ignorância e da superstição etc.

Mas tanto como figura de linguagem quanto como alegoria histórica, todo amanhecer tem sua consequência, também reincidente e inescapável.

Nenhum dia é para sempre, todo amanhecer anoitece. Não importa quantas auroras pessoais você experimentar, e quantas revelações e verdades vierem iluminá-lo por dentro, elas não são permanentes, nem farão muita diferença fora da sua pele.

A lição do mundo é que as auroras não duram. O que se vê por aí são fundamentalismos em conflito, religiões recaindo nos seus hábitos, sem trocadilho, mais retrógrados, as pessoas se retribalizando e acreditando em feitiços cada vez mais estranhos. Não é exatamente no que se esperava que desse a Idade da Razão, antes parece ser um fim de dia. Que noite está por vir, ninguém sabe.

Revelações

Muita gente descobriu o que queria dizer “felação” quando foi revelado o que a estagiária fazia no então presidente Clinton, no Salão Oval da Casa Banca, no fim do expediente.

Houve até uma discussão nacional sobre se, não havendo penetração, felação era ou não um ato sexual — que, segundo Clinton, não acontecera.

Ainda se sabe pouco sobre o que os russos gravaram, se é que gravaram, no quarto do hotel em que Trump se hospedou em Moscou e, supostamente, recebeu prostitutas para práticas sexuais pouco convencionais.

Dizem que quando for divulgado o que acontecia naquele quarto, muita gente vai enriquecer o seu vocabulário.

Luís Fernando Veríssimo
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A gangue de Temer ao lado do caixão de Teori e o sorriso de Serra resumem a tragédia brasileira

“Morreu, mesmo?”
“Às vezes, quase sempre, em política e judiciário, o criminoso está presente no velório”. Teori Albino Zavascki

José Serra dando risada e a gangue de Temer reunida em torno do caixão no velório de Teori Zavascki.

Poucas imagens são tão emblemáticas da tragédia brasileira quanto essas.

Serra, citado na Lava Jato como destinatário de 23 milhões de reais que teriam sido pagos por meio de caixa dois em contas no exterior, tenta influenciar a escolha do novo ministro do STF.

Temer aparece mais de 40 vezes em delação da Odebrecht. Os acordos fechados com o MPF atingiriam em cheio a cúpula do PMDB.

Michel está achando que é uma espécie de cobra coral favorecida pelos deuses. Seus cúmplices se acercam do chefe, na expectativa de mais algum acidente pavoroso que os favoreça.

Segundo reportagem da Folha, a presidente do Supremo Carmen Lúcia não quis sair ao lado do presidente nos jornais (e de um sujeito como Eliseu Padilha, o sincero, que afirmou que o “ganhou tempo” com a morte de Teori).

Carmen pediu para ser fotografada apenas ao fim da cerimônia. A OAB defende que ela homologue todas as delações, como forma de honrar a memória do colega.

Recai sobre a turma de Michel uma suspeição. Eles sabem disso.

Independentemente se houve ou não a mão deles, são os grandes beneficiados — e não escondem em declarações e imagens.

Michel, covarde que foge de funerais, confirmou sua presença no de Teori de bate pronto porque sabia que estaria a salvo de qualquer coisa parecida com povo e porque queria passar, sutilmente, seu recado.

Nunca foram companhias desejáveis em quermesses. Em enterros, melhor fugir.

Fez certo Carmen em sair correndo. Infelizmente nós não temos como fazer o mesmo.

Beleza interior
Beleza interior


Kiko Nogueira
No DCM
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Folha aponta Temer como beneficiário da tragédia


A mensagem da capa da Folha de S. Paulo deste domingo é devastadora para Michel Temer.

Do ponto de vista simbólico e semiótico, o jornal o aponta como o principal beneficiário da morte de Teori Zavascki, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.

A imagem principal o exibe diante do caixão de Teori Zavascki, sob a manchete "Morte de Teori atrasa delações e investigação sobre Temer".

De acordo com a reportagem de Mario Cesar Carvalho, o desastre áereo, ainda não esclarecido, atrasa as delações da Odebrecht, que atingem Temer e vários de seus ministros, e também retarda seu processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral.

O motivo é a posição do ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, que pretende incluir as delações da Odebrecht no processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer.

No velório, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, não aceitou ser fotografada ao lado de Temer nem de seus ministros delatados pela empreiteira, que foram ao enterro, como José Serra e Eliseu Padilha (leia aqui).



José Serra consegue sorrir no velório de Teori


Em sua participação no velório do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal que morreu em acidente aéreo em circunstâncias ainda não esclarecidas, o ministro de Relações Exteriores, José Serra, parecia descontraído.

Em conversa com jornalistas no prédio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, onde ocorreu o velório de Teori, Serra chegou a sorrir.

O chanceler tucano era um dos vários investigados do governo de Michel Temer por Teori Zavascki no âmbito da operação Lava Jato. José Serra é acusado de receber R$ 23 milhões em propina da Odebrecht, por meio de uma conta secreta na Suíça.

No 247
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O beijo

O Eduardo estava com um problema e precisava da ajuda da turma. Seguinte: no ultimo réveillon, ao bater da meia-noite, ele se vira frente a frente com a Ana Paula. E a Ana Paula gritara “Feliz Ano Novo!” - e lhe dera um beijo na boca. 

Em volta da mesa do bar, ficaram todos em silêncio. Até que um disse:

- E daí? No ano novo todo o mundo se abraça e se beija.

- Não - disse Eduardo. - Este foi um beijo, beijo. 

- Longo? - perguntou outro.

- Longo.

- Língua?

- Língua.

- Vocês estavam na mesma mesa? 

- Não. Eu estava de pé no meio do salão e ela vinha passando. Aconteceu de bater a meia-noite no momento em que ela passou por mim, e ela me beijou.

- Continuo não vendo qual é o problema. Vocês são amigos e...

- Nós não somos amigos! Só fomos apresentados uma vez e nunca nos falamos. E agora eu não sei o que eu faço com esse beijo. 

- Não faz nada, ora. A iniciativa do beijo foi dela, não sua. Ela é que tem que explicar o beijo.

- E ela, provavelmente, vai dizer que foi no calor do momento, que tinha bebido muita champanhe, que pra comemorar o fim de um ano como 2016 valia até beijar qualquer um.

- Taí. Nessa história você é o qualquer um. Foi o beijado, não o beijador. É inocente.

- Ou então, veja pelo lado positivo. Fale com ela sobre o beijo. Pergunte o seu significado. Ela pode até dizer que estava a fim de beijar você desde que vocês foram apresentados, que só estava esperando o momento certo. E que momento mais certo do que um réveillon? A banda tocando o “Vai passar”, as serpentinas voando... Você se enganou. O encontro de vocês no meio do salão justamente à meia-noite não foi por acaso. Ela arquitetou o encontro. Ela ama você. Um beijo é só um beijo, um beijo de língua é uma declaração. 

- Será?

- Só há uma maneira de saber. Fale com ela.

- E se ela disser “Ah, foi você que eu beijei? Não me lembro de nada daquela noite”

- Então seu problema estará resolvido. Foi apenas um beijo, significando nada.

- Tem uma coisa que vocês não sabem...

- O quê?

- Eu sou apaixonado pela Ana Paula desde que fomos apresentados, e eu não tinha coragem de me declarar. Amava ela de longe. Agora ficou impossível.

- Por quê? 

- O beijo embaralhou tudo. Se eu falar no beijo, ela pode reagir mal. Pode ficar constrangida. E eu perderei a oportunidade de ficar com a Ana Paula por causa de um beijo da Ana Paula. Um maldito beijo!

Luís Fernando Veríssimo
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Lava Jato que existe não é a desejada por Teori

As mortes, as incógnitas da Lava Jato, a alteração perigosa na formação do Supremo — tudo isso em um só desastre, e a esta fase do Brasil ainda pareceu pouco. Com motivo justificado pelo próprio acúmulo do desastre, o pasmo foi depressa sucedido por suspeitas, apesar da ausência de indício imediato. Hoje em dia, suspeitas são o mais típico sentimento dos brasileiros.

As suspeições que se tornaram públicas foram acompanhadas de um curioso pormenor: com poucas exceções, foi evitada a palavra definidora do suposto — atentado. Os pedidos de investigação criteriosa, especial, meticulosa, indispensável, e por aí, jorraram com rapidez, entre o exótico pudor vocabular e o impulso dado pelas circunstâncias.

Teori Zavascki era, sim, passível de sofrer um atentado. Embora o Brasil não tenha tradição em atentados políticos fora dos períodos ditatoriais, como a têm os Estados Unidos e alguns países latino-americanos.

Havia o risco e a consciência dele: além do seu recolhimento natural, o relator da Lava Jato contava com proteção pessoal constante. 

As possibilidades de atentado no avião seriam remotas e propensas a outras causas, como sugerem as condições do desastre sob chuva forte, visibilidade reduzida, sem copiloto, últimos dois quilômetros de voo. Ainda assim, só uma perícia competente dará a resposta.

Mas o acréscimo aos males do desastre não espera por ela. Aqui e fora. Lá, Rodrigo Janot e Henrique Meirelles, submetidos ao frio suíço, esquentaram suas declarações com dados interessantes.

O primeiro não só negou que a Lava Jato afaste investidores, como sustentou que "é justamente o contrário. Atrai investidores porque gera segurança jurídica".

Entre os possíveis méritos da Lava Jato não há contribuição alguma para a segurança jurídica. Os "investidores" só vêm buscar o lucro fácil dos juros nas alturas e as pechinchas nas "liquidações" de empresas, de jazidas de petróleo e de partes da Petrobras.

Ao inverso do que Janot propaga, o escândalo que associou Lava Jato e imprensa/TV fez do Brasil, ao olhar do mundo, o país da bandalheira. A mudança do tratamento ao Brasil é drástica, o que se pode confirmar a cada dia tanto na imprensa estrangeira como na internet.

Agora, com um acréscimo arrasador: a presunção de assassinato com atentado político. Como meio de atrasar ou desviar processos da Lava Jato, a mesma que, segundo Janot, "traz segurança jurídica".

Henrique Meirelles, por sua vez, disse lá que o crescimento econômico estará de volta já ao fim do primeiro trimestre, fim de março. O problema da segurança jurídica, vê-se, começa pela que falta às afirmações das chamadas autoridades brasileiras. Lá e cá.

Entre as louvações à memória de Teori Zavascki, a de Sergio Moro teve a relevância de atribuir ao ministro a existência da Lava Jato.

Mas a que existe não é, por certo, a Lava Jato desejada por Teori Zavascki. Foram muitas as suas críticas aos "vazamentos" dirigidos.

Não escondeu suas irritações com vários procedimentos de Moro, sobretudo com a gravação e divulgação de conversa da então presidente Dilma com Lula, que o ministro trancou sob sigilo de justiça.

Na véspera do recesso judicial, Teori Zavascki fez a exceção de uma breve entrevista: criticou a Lava Jato, aborrecido com o "vazamento" de delações da Odebrecht.

Para dar sentido ao que disse, Sergio Moro precisaria corrigir o criticado por Teori Zavascki.

Seria então a Lava Jato de quem, disse Moro, a fez existir. Mas talvez não fosse mais a Lava Jato de Sergio Moro.

Janio de Freitas
No fAlha
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Globo afunda ao celebrar festa do mercado com a morte de Teori


As Organizações Globo não se envergonham de celebrar o seu acordo com a plutocracia, mesmo diante da morte do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, relator da operação Lava Jato que foi vítima de acidente aéreo com outras quatro pessoas no litoral de Paraty (RJ). 

Durante telejornal apresentado pela jornalista Thais Herédia, a Globonews disse que o mercado financeiro considerou positiva a morte de ministro do STF.

A falta de bom senso gerou reações nas redes sociais. Uma deles foi a do crítico de cinema Pablo Villaça: "A Globo atingiu um novo fundo do poço. A Globo já nem enxerga mais a entrada do poço. A Globo atravessou o planeta", afirmou em sua conta no Twitter.


No 247
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