21 de jan de 2017

Serra negocia Base de Alcântara com EUA


Brasil e Estados Unidos retomaram secretamente as negociações de um acordo sobre o uso de uma base militar brasileira no Maranhão para o lançamento de foguetes norte-americanos. Encerradas em 2003, início do governo Lula, as conversas voltaram por iniciativa do ministro das Relações Exteriores, José Serra, interessado em uma relação mais carnal entre os dois países.

O embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, conversou sobre o assunto com o subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado norte-americano, Thomas Shannon, ex-embaixador em Brasília. Uma proposta mantida até aqui em sigilo foi elaborada e apresentada pelo Itamaraty a autoridades dos EUA. Teria sido rejeitada, segundo CartaCapital apurou.

A Base de Alcântara é tida como a mais bem localizada do mundo. Dali foguetes conseguem colocar satélites em órbita mais rapidamente, uma economia de combustível e dinheiro.

No fim do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), de quem Sérgio Amaral era porta-voz, houve um acordo entre os dois países. Foi enviado ao Congresso brasileiro, para a necessária aprovação. Logo ao herdar a faixa do tucano em 2003, o petista Lula enterrou o caso.

Um dos ministros a defender o arquivamento naquela época foi o hoje colunista de CartaCapital Roberto Amaral, então na Ciência e Tecnologia. Por seus termos, relembra ele, era um “crime de lesa-pátria”.

Os EUA impunham várias proibições ao Brasil: lançar foguetes próprios da base, firmar cooperação tecnológica espacial com outras nações, apoderar-se de tecnologia norte-americana usada em Alcântara, direcionar para o desenvolvimento de satélites nacionais dinheiro obtido com a base. Além disso, só pessoal norte-americano teria acesso às instalações.

“O acordo contrariava os interesses nacionais e afetava nossa soberania”, afirma Amaral. “Os EUA não queriam nosso programa espacial, isso foi dito por eles à Ucrânia.”

Enterrada a negociação com Washington, a Ucrânia foi a parceiro escolhido em 2003 para um acordo espacial. Herdeira da União Soviética, tinha tecnologia para fornecer. Brasil e Ucrânia desenvolveriam conjuntamente foguetes para lançamentos em Alcântara, com o compromisso de transferência de tecnologia de lá para cá.

Um telegrama escrito em 2009 pelo então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, e divulgado pelo WikiLeaks, relata uma conversa tida por ele com o então representante ucraniano na cidade e mostra a desaprovação do Tio Sam ao entendimento Ucrânia-Brasil. Os EUA não queriam “que resultasse em transferência de tecnologia de foguetes para o Brasil”.

O entendimento do Brasil com a Ucrânia foi desfeito em 2015, após consolidar-se lá um governo pró-EUA.

Na proposta sigilosa de agora, o Brasil teria oferecido a base em troca de grana e tecnologia. As proibições do acerto de 2002, chamadas “salvaguardas”, seriam flexibilizadas. Teria sido esse o motivo da recusa norte-americana.

André Barrocal
No Blog do Miro
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Mas se a Veja admite que não é por moralidade, por que é?


O que este blog viu há duas semanas – e que Joaquim  de Carvalho, no DCM, aprofundou – agora é reconhecido pela própria Veja.

As empreiteiras estrangeiras convidadas pela Petrobras para substituir as corruptas empreiteiras brasileiras são…corruptas.

Veja aí em cima a nota que a revista publica na edição que circula hoje, apontando que, das 30, 21 estão medidas em escândalos ou já confessaram a propinagem  em acordos de leniência.

Não teremos mais propinas, só bribes.

A hipocrisia do discurso moralizador está aí, exposta em sua nudez imoral, porque de traição ao seu próprio país, à sua economia, aos seus empregos.

“Consultada, a Petrobras disse que elas têm capacidade financeira e operacional de entregar as obras”, que cinismo! Pode não haver ética entre os empreiteiros nacionais – como aliás há muito pouca em qualquer negócio milionário, mas capacidade de realizar obras imensas e complexas de engenharia é uma das poucas expertises em que o Brasil não fica nada a dever em relação ao mundo.

Não é preciso ser de esquerda para defender isso e até um Trump defende a economia de seu país.

Aqui, não. É proibido roubar, mas apenas em português.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Paraty é o Triângulo das Bermudas da política brasileira?


Nesses momentos de tragédias que abrem possibilidades de inesperadas mudanças no cenário político (Quem perderá? Quem ganhará?) é sempre interessante ver as reações reflexas da grande mídia pega de surpresa. Ela parece sempre ter uma “narrativa reflexa”, pronta, que se manifesta como um ato falho: descrever um mundo onde os eventos são sempre aleatórios, fora de contextos, desconectados e sempre sujeitos a “trapaças da sorte”. A morte do Ministro do STF Teori Zavascki no acidente aéreo em Paraty rapidamente foi enquadrada em uma narrativa protocolar como se a grande mídia já tivesse o resultado antes mesmo das investigações: foi tudo uma fatalidade! Não importa a existência de estranhas anomalias, depoimentos contraditórios, sincronismos e o oportuno timing dos acontecimentos. Será que a grande mídia quer impor à sociedade uma “narrativa reflexa” para criar um fato consumado? Criar uma atmosfera de pressão política nas investigações oficiais que ora se iniciam? Ou será que, desde o desaparecimento de Ulysses Guimarães em 1992, a região de Paraty se transformou numa espécie de Triângulo das Bermudas brasileiro onde impasses políticos são resolvidos de forma drástica?

Diariamente 100 mil voos comerciais partem pelo mundo. Segundo pesquisa feita pela revista Newsweek, o transporte aéreo registra média de 0,01 morte a cada 100 milhões de milhas viajadas e os aviões estão cada vez menos vulneráveis a tempo ruim – de 20% na década de 1950 para 8% atuais de acidentes provocados por condições meteorológicas. A cada milhão de decolagens, registram-se 0,9 acidentes fatais – clique aqui.

Mas quis a “trapaça da sorte” (expressão usada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso no sua mensagem de pesar) vitimar o ministro Teori Zavascki quando estava prestes a homologar 77 depoimentos de delação premiada de executivos da Odebrecht – o ministro tinha autorizado para a próxima semana as oitivas de confirmação das delações e na sua última entrevista Teori avisou que iria trabalhar durante o recesso do STF “em face da excepcionalidade”, nas palavras dele.

Essa “excepcionalidade” refere-se à verdadeira bomba-relógio dos nomes envolvidos na delação, começando com o atual desinterino Michel Temer (citado 43 vezes na Lava-Jato), passando pelo presidente do Senado Renan Calheiros e chegando ao ministro das Relações Exteriores José Serra, além de deputados e senadores.

Em política não há coincidências (e nem mesmo “trapaças da sorte”), mas sincronismos. As mentes mais cartesianas e conformistas tendem a rotular a hipótese dos sincronismos de “teorias da conspiração”, assim como  diligentemente os especialistas aéreos chamados às pressas pela grande mídia já se adiantaram em dizer, diante de elegantes infográficos – pelo menos mais bem desenhados do que os PowerPoints do Dellagnol .

E por que não há “coincidências”?  Porque em política sempre alguém vai perder e muitos outros ganharão tempo, vantagem ou mesmo a vitória definitiva e alguma questão que sempre está próxima de um evento “trágico”. “Timing” e “oportunismo” são as noções centrais em eventos sincrônicos, capazes de criar uma constelação de “coincidências significativas” que vão muito além das “trapaças da sorte”.


Eventos trágicos como nesse acidente aéreo abrem de imediato uma guerra de narrativas. Mas, principalmente, põem à tona “atos falhos” da grande mídia: sempre quando ela é pega de surpresa mobiliza o que podemos chamar de “narrativa reflexa” ou protocolar. Um verdadeiro mecanismos de defesa para defender a realidade que os telejornais querem sempre construir para os telespectadores: um mundo onde os eventos estão fora de contexto, desconectados, aleatórios e sujeitos às “trapaças da sorte”. Onde os fatos ou são obras dos misteriosos desígnios de Deus, ou de alguma maldição gregoriana – “o anos de 2016 não acabou...”, lamentam apresentadores TV.

Grande mídia pega de surpresa

A narrativa reflexa midiática começou com a descrição de que o avião envolvido no acidente era de “pequeno porte”. Nas primeiras horas, esse foi o termo para designar o modelo do avião, algo assim como um “teco-teco” bimotor. Associado com o cenário de chuva e suposta visibilidade zero, começava a construção rápida da narrativa de uma fatalidade.

Claro que mais tarde a grande mídia corrigiu essa informação inicial ao mostrar através de infográficos que não era um avião pequeno. Na verdade, um Beechcraft C90GT King Air, semelhante a um avião executivo, exceto pela motorização, com voice recorder – gravador de voz. Mas a percepção de um avião frágil diante das condições meteorológicas ficou na construção da narrativa da fatalidade.

 Além disso, outros dois elementos marcaram essa narrativa reflexa, quase um ato falho, da grande mídia: contradições sobre as condições meteorológicas de Paraty no momento do acidente e a imediata especulação sobre um novo nome para o lugar da relatoria da Lava Jato no STF.


O conveniente cenário meteorológico

Os primeiros repórteres em Paraty ao vivo falavam que no momento do acidente não chovia forte e com visibilidade. Algumas horas depois, as testemunhas selecionadas começaram a descrever um cenário de muita chuva e visibilidade zero.

E nas simulações e infográficos dos telejornais, tome animações com nuvens, raios muita água caindo. E a ênfase constante na ausência de torre de controle na pista de Paraty (comum nas pistas de pouso do Litoral Norte) e na dependência exclusiva de contato visual para a aproximação dos aviões – fato cotidiano para os pilotos experientes naquela região.

Algumas testemunhas escolhidas eram pilotos de embarcações turísticas próximas ao local do acidente, muitos deles levando turistas a passeios naquele momento. Como assim? Muitas chuva, visibilidade zero e turistas querendo conhecer a baia de Paraty? Estranhamente, nas edições posteriores das falas desses pilotos foram cortados trechos nos quais falam de “clientes” ou “turistas” nos barco com eles no momento do acidente. Por que? Para eliminar a informação contraditória na construção de um cenário de rigorosas condições meteorológicas?

Apesar das investigações estarem apenas começando, a grande mídia parece ter o resultado final: foi tudo “trapaça da sorte” – o homem errado, no lugar errado e na hora errada. 


“Fumaça branca” e “Vejam bem o que vão dizer ao País!”

Mesmo que um pescador tenha declarado que um dos motores soltava uma “fumaça branca” (Jornal Nacional, 20/01). Seu testemunho ficou simplesmente solto no meio de uma simulação do percurso do avião fatídico com o indefectível Globocop, sempre enfatizando as nuvens e a pouca visibilidade.

E ainda, dado momento, o repórter se gabando de ter ajudado outro avião que, naquele instante, se aproximava da pista de Paraty e não tinha visibilidade suficiente – muito conveniente para a pauta da Globo, rápida no gatilho para impor o seu diagnóstico reflexo junto a opinião pública como fato consumado e pressionar as investigações .

Como se a Grande Mídia dissesse: “vejam bem o que vocês vão dizer!”. Mesmo que seja para tirar do contexto e reverter o sentido da afirmação filho de Teori Zavaski, o advogado Francisco Zavascki. Depois de, em maio de 2016, ter postado no Facebook denúncia de supostas ameaças ao pai e à família (“se algo acontecer à minha família, vocês já sabem onde procurar...”), em tom irônico Francisco disse logo após o anúncio da morte do pai que “seria muito ruim para o País ter um ministro do Supremo assassinado”.

Como sempre retirando do contexto, o JN transformou essa afirmação amargamente irônica em uma fala críptica, como se alertasse à Aeronáutica, Ministério Público e Polícia Federal: “vejam bem o que vão descobrir e dizer ao País!”. Mais um argumento para sustentar a sua narrativa reflexa cuja conclusão só pode ser essa: só nos resta nos resignarmos diante dos misteriosos desígnios de Deus.


Carmen Lúcia rise again

Mal confirmada da morte do ministro do Supremo e muito antes dos corpos serem retirados da fuselagem submersa do avião, rapidamente apresentadores e comentaristas começaram a especular sobre quem seria designado para substituir o sensível cargo de relator da Lava-Jato no Supremo e colocar as mãos nas delações da Odebrecht guardadas na sala-cofre do terceiro andar do tribunal.

A imagem é muito conspiratória, mas parecia que todos estavam apenas aguardando algum sinal para rapidamente entrar em cena e fazer, ansiosos, suas apostas e comentários. Algo parecido com aqueles os obituários prontos nas gavetas de redações sobre personalidades que notoriamente estão próximas do fim.

De imediato, a reportagem da Globo colou na ministra Carmen Lúcia chegando a Brasília, enquanto a comentarista de política da Globo News Chris Lobo declara em tom messiânico: “o século XXI é o século do Judiciário...”. Depois de rifar o Ministro da Justiça Alexandre de Moraes e o desinterino Temer na crise do terror tocado pelo TCC nas prisões do País, as apostas da Globo vão agora para a presidenta do Supremo. Personagem sempre presente nas telas da Globo nesse ano, desde o massacre do presídio em Manaus.

Anomalias e “coincidências significativas”


(a) A mensagem subliminar involuntária no prefixo do barco da Marinha

De todas as embarcações em torno da fuselagem do avião parcialmente submersa, uma foi destacada, com longos e demorados planos em todos os telejornais: uma embarcação cinza da Marinha  com um sugestivo prefixo em letras maiúsculas e minúsculas: GptPNSE-04.

O “pt” destacado em caixa baixa começou a alimentar versões anti-petistas nas redes sociais de que o “mecânico do avião era Lula” ou o que é pior: Dilma mandou matar Teori Zavascki!

Involuntariamente, o prefixo da embarcação lembra a suspeita mensagem subliminar do Jornal da Globo durante a crise do suposto “Apagão Aéreo” após o acidente com o avião da TAM em São Paulo em 2006. No selo do telejornal que anunciava a suíte de reportagens, via-se um letreiro de aeroporto de partidas e chegadas cuja animação mostrava a combinação de letras “PT”, antes de formar as palavras “Vítimas do Apagão Aéreo”.

(b) O estranho interesse pela ficha técnica do avião

Duas semanas antes do fatídico acidente, a ficha técnica do avião Beeechcraft teve um estranho pico de visualizações: repentinamente no dia 03/01 pulou para 1.885 acessos, voltando nos dias posteriores a zero até o dia do acidente.

Pessoas repentinamente interessadas na compra da aeronave? Estranho para um aparelho transferido para o empresário Carlos Alberto em outubro de 2016.

Foram informações do jornalista Chico Malfitani repassadas pelo engenheiro da Politécnica USP Leonardo Manzione. Pode não significar nada, mas dentro de um contexto no qual o filho de Teori Zavascki alertava sobre ameaças contra o pai transformasse em anomalia que deveria ser levada em contada numa investigação - clique aqui.


(c) O Triângulo das Bermudas da Política brasileira?

O acidente aéreo e a morte do ministro Teori Zavascki ocorreu na mesma região onde em 12 de outubro de 1992 o helicóptero que levava o deputado Ulysses Guimarães a caminho de Angra dos Reis caiu sem deixar sobreviventes. Estavam a bordo, além do ex-senador Severo Gomes, sua mulher e o piloto.

Distantes 24 anos no tempo, os dois episódios guardam uma série de estranhos sincronismos.

Ambas personalidades vinham de um processo de impeachment e, naquele momento, eram peças-chave nos destinos políticos do País.

Ulysses seria o próximo presidente com a queda de Collor, enquanto Zavascki tinha nas suas mãos as fortemente guardadas 77 delações que podem mudar drasticamente o futuro político para 2018.

Assim como Zavascki, durante o processo do impeachment de Collor, Ulysses recebeu estranhas sugestões  e ameaças de morte. Primeiro, em um destempero verbal do intempestivo Collor: “pela idade e pelas doenças aquele velho senil já deveria estar morto!”.

A outra foi insólita: no dia 27 de setembro, um grupo de apoiadores a Collor se reuniu em frente à Casa da Dinda para fazer uma “pajelança”, em defesa do mandato do presidente – haviam boatos de que aquele local havia se transformado em um centro de macumba, com rituais de magia negra.

Collor autorizou que dez manifestantes entrassem. A coordenadora do grupo, uma senhora, chamou a atenção dos repórteres ao gritar repetidas vezes “Ulysses vai morrer! Já era para ter morrido e não deu certo!”.

Vinte quatro anos depois, novamente ameaças de morte a outra peça-chave política e a morte posterior.

Além disso, esses dois episódios distantes no tempo têm como pano de fundo crises carcerárias. Lá em 1992 o Massacre do Carandiru (2 de outubro de 1992) e aqui a série de mortes e decapitações em penitenciárias do Norte do País – no momento do acidente em Paraty, a Polícia Militar preparava-se para invadir o presídio de Alcaçuz, RN.

No Massacre do Carandiru em 1992, para muitos analistas, nascia o facção de crime organizado PCC, organização agora por trás da nacionalização da crise penitenciária.

Será que esses sincronismos apontam para um modus operandi na política brasileira que ainda as pessoas não se deram conta desde a redemocratização após a ditadura militar? Ou então a região de Paraty transformou-se num Triângulo das Bermudas brasileiro onde impasses políticos são drasticamente resolvidos?

Wilson Roberto Vieira Ferreira
No Cinegnose
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A Globo já decidiu pelo fim da Lava Jato

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2017/01/21/globo-ja-decidiu-pelo-fim-da-lava-jato/


O funeral midiático de Teori Savaski tem servido não só para render homenagens em alguns casos sinceras ao ex-ministro, mas fundamentalmente para dar sinais claros que a pizza do que resta da Lava Jato será servida sobre o corpo ainda quente do antigo relator do caso.

Não interessa mais a ninguém, em especial a Globo, que a operação continue arrastando para a cadeia a elite nacional e ao mesmo tempo acabe com o PSDB.

Mesmo que isso custe não prender Lula, que começa a se tornar a hipótese mais plausível, mas apenas deixá-lo inelegível.

As delações da Odebrechet, Camargo Correia e quetais esquentaram demais o jogo e avançaram para o terreno da imprevisibilidade total.

Há esquemas tucanos aos montes nessas delações e por um bom tempo havia uma clara orientação de Marcelo Odebrechet de também tratar do esquema de propinas da mídia. No MP, havia rejeição a inclusão deste capítulo.

O esquema de propinas com as vestais da mídia funcionava assim. A empreiteira fazia uma grande obra. A titulo de exemplo, o Rodoanel. E o governador ficava com um caixa para operar. O dinheiro não precisava ser depositado na conta de um laranja, de um cunhado ou seja lá quem fosse. De repente um assessor de confiança deste político ou o próprio ligava para o responsável pelo caixa e dizia: faz um negócio lá com o jornalão dos fulano.

E esse dinheiro era debitado da conta.

Como a Odebrechet fazia para legalizar a propina é que o pulo do gato. Ela publicava imensos cadernos falando de sustentabilidade e coisas do gênero. E ainda dava um jeito de elogiar o governo do pagador da propina.

Marcelo Odebrechet tinha mandado que na delação esse esquema fosse revelado com todas as provas. E elas eram muito claras de que não se tratava de uma operação comercial padrão.

Quando a mídia, em especial a Globo, viu que a lama da Lava Jato poderia atingi-la e que já partia para cima de setores como o dos frigoríficos e dos bancos, passou-se a avaliar formas de como iniciar o fim da operação.

O leitor mais curioso deve estar se perguntando, então foi por isso que mataram o Teori?

Por mais que a morte do ex-ministro seja absolutamente vantajosa para que essa estratégia seja bem sucedida, um jornalista com um pingo de seriedade não arriscaria falar isso sem provas para além de uma conversa na mesa de um bar.

Mas é óbvio que a morte de Teori ajuda em muito no enterro da Lava Jato e que a Globo já está operando neste sentido.

Por exemplo, a declaração do ministro Marco Aurélio Mello sugerindo o nome de Alexandre de Morais para o STF não causou espasmos dos comentadores da GloboNews e nem nos bate-paus da mídia tradicional. Foi tratada com naturalidade como se natural fosse para um momento desses o ministro do presidente investigado na operação ser indicado para a vaga de relator do caso.

Alem disso, Morais não tem nenhuma das qualidades que se espera para o cargo. Muito pelo contrário, tem um currículo marcado por denúncias, entre elas a proximidade como advogado com cooperativas que seriam ligadas ao PCC.

É também na gestão dele no ministério da Justiça que o Brasil vive a maior crise do seu sistema prisional.

Mas Morais tem uma qualidade de poucos. É corajoso e não dá bola para a torcida. Se tiver que fazer algo, não se emociona com as críticas.

E é de alguém assim que o atual governo e a mídia precisam para cuidar do enterro da operação que serviu para dar o golpe em Dilma e tornar o PT um partido em frangalhos, que de tão perdido que está decidiu ontem que se permitirá apoiar golpistas na eleição da Câmara e do Senado.

Morais não seria doido de enterrar a Lava Jato na primeira curva, mas cuidaria para que houvesse tempo para a construção de alguns acordos. E quem os conduziria seria quem tem poder hoje no país, a família Marinho. Que é quem pode dizer a Moro e aos procuradores que o momento é de baixar a bola.

A delação da Odebrechet e da Camargo Correia ficariam um pouco no forno. E quando viessem a público teriam tratamento frio. Sem grandes alardes para que a investigação e os processos também fossem sendo tratados em banho maria.

E ainda restariam trunfos para 2018, quando, no momento eleitoral, partes da denúncia poderiam ser seletivamente usadas.

Evidente que esse roteiro pode ser dinamitado pela realidade. Mas ele já vem sendo claramente construído na narrativa do velório de Teori. É só prestar atenção nas frases de ministros de Temer, nas análises de jornalistas que falam pelos patrões, nas caras sérias de tucanos a avaliar o momento.

E se a morte de Teori foi ou não encomendada isso também já não interessa tanto. Interessa dizer que ele foi um grande homem, que era sério, bom amigo etc e tal. E ao mesmo tempo aproveitar essa oportunidade para ir colocando o barco no rumo menos arriscado. Até porque o barco da Lava Jato já foi longe demais para muita gente que achava que não corria o risco de ser abarroado por ele.
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O que a arte ensina sobre a sociedade – Richard Sennett


Richard Sennett, sociólogo e historiador norte-americano, compara o que aprendeu como músico profissional com suas teorias sobre a sociedade. Segundo Sennett, arte e sociedade possuem uma conexão muito estreita e o principal ponto que as liga é a cooperação. Conferencista do Fronteiras do Pensamento 2015.

Confira o vídeo:


No Desacato
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Melhor e Mais Justo: Guarda Compartilhada


O casamento chegou ao fim.

Não bastassem as inúmeras dificuldades de uma separação, para casais com filhos, geralmente, a dor é ainda maior e vem seguida de uma pergunta: e as crianças?

A equipe do Melhor e Mais Justo foi procurada por um movimento social que defende a guarda compartilhada como a melhor opção para o desenvolvimento saudável dos filhos de pais que se divorciam.

Guarda compartilhada. Essa é a conversa no Melhor e Mais Justo.



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PF recolhe indício de que avião de Teori era seguido desde 3/1/2017

Segundo o jornalista Cláudio Tognolli, há uma base de dados que permite consultas sobre todas as aeronaves do mundo e o jato que caiu no litoral recebeu 1.885 consultas no dia 3 de janeiro deste ano.



Vejam o site abaixo:


Ele mostra que apenas a 3 de janeiro passado quase 1,9 mil vezes a foto na data base de aviões Beechcraft foi visitada. Para tentar saber onde estava o avião ou quem sabe o quê.

Quem estaria no avião naquele dia?

Há como saber quem fez essas consultas?

Teoria estava no avião naquele dia?

Quem estava com ele, caso estivesse na nave?

É o que este blog recebeu de um investigador federal


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Perguntas que devem ser feitas sobre a Morte de Teori Zavascki



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Substituto de Teori não deveria ser indicado por Temer, diz Aragão


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Alcaçuz: um Exército sem Presidente

O Poder Executivo virou um condomínio

Exército foi a Natal levar uma tenda de oxigênio
Reprodução: Novo Jornal
“Presos mantêm controle de prisão no RN”

“Apesar da entrada da Polícia Militar, detentos caminhavam nos telhados e exibiam facões no 7o. dia do motim”

“Governo não sabia nem numero de vitimas em prisão um dia depois; PM afirma que prioridade é evitar fugas e confrontos (entre o PCC e o local Sindicato do Crime)”.

“Cerca de 600 homens do Exército chegaram a Natal nessa sexta-feira (22/I) para reforçar (sic) a segurança nas ruas (sic) da cidade...”

É o que diz a Fel-lha.
O Exército não tem um Presidente da República.
Não tem um Comandante em Chefe das Forças Armadas.

O Golpe que destituiu uma Presidenta honesta e eleita pelo povo, paradoxalmente, extinguiu o Poder Executivo.

O Poder Executivo se tornou um condomínio do Supremo Tribunal Federal, da Procuradoria Geral da Republica, da Vara do Moro, da Polícia Aecista Federal, de facções do Congresso — e, acima de todos, da Globo.

(Imaginar que o Jungmann — celebrado em processo no STF — seja o chefe do Exército de Osório ou da Marinha de Tamandaré é um desaforo!)

Esse Executivo recua mais do que avança.

E agora, aparentemente, vai se eximir de nomear um Ministro para o Supremo, enquanto a Presidente Cármen Lúcia não designar o novo relator da Lava Jato.

Sim, porque, qualquer que seja o indicado pelo suposto Presidente, o “MT” da lista de alcunhas da Odebrecht, será suspeito de ir fechar a Lava Jato!

Como é um Executivo que não executa, a decisão de mandar tropa do exército para Natal não passa de um Golpe rasteiro de marketing.
Transformar o Exército em guarda de trânsito!

Não será uma tropa de dissuasão, como foi nas Olimpíadas, por exemplo.

Não estará ali para garantir a visita de um Chefe de Estado.

O Exército também não poderá intervir em Natal.

Se for atacado, não poderá reagir!

A GLO, a “Garantia da Lei e da Ordem”, exige um respeito às finalidades das Forças Armadas, previstas na Constituiçao de 1988 (devidamente rasgada pelos canalhas, canalhas, canalhas, na acepção do Requião e do Lindbergh).

O envio dos homens do Exército para Natal responde, apenas, ao desespero do “MT” de dar a impressão de que faz alguma coisa, de que executa.

O Exército não vai fazer nada — que preste! — em Natal.
E não poderá ficar por muito tempo!

Está ali apenas para desfilar para o PiG.

As Forças Armadas são hoje uma das pouquíssimas instituições brasileiras respeitadas.
O Golpe desmoralizou o resto!

Natal poderá desmoralizar as Forças Armadas.

Trata-se de um ato inconsequente.
Irresponsável.

Se o Gilberto Freire com “i” quiser, em 48 horas ele tira o Exército de Natal.
Com duas reportagens consecutivas no jn!

O Exército foi a Natal dar protagonismo a um falso ministro e levar a tenda de oxigênio a um Presidente natimorto.

Paulo Henrique Amorim
No CAf
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A resposta que se afogou com Teori e os miados de Noblat


O Globo publica trechos de um depoimento inédito de Teori Zavascki que reparam parte de uma das maiores injustiças já feitas neste país: a de que Dilma Rousseff, como presidente, fosse uma manipuladora do Judiciário:

Estava em Paris quando me ligaram, dizendo que a (então) presidente (Dilma Rousseff) queria falar comigo. Eu cheguei (a Brasília) num sábado, no domingo eu fui no Palácio da Alvorada, e ela me convidou. Não se falou em mensalão em nenhum momento. A presidente tem uma visão do STF que eu achei importantíssima, tem uma visão de altíssimo nível. Ela disse que estava me indicando porque gostaria de uma pessoa tranquila, que tivesse uma experiência de juiz, que fosse técnico.

Quando Teori foi indicado, todos se lembram – ou deveriam lembrar-se – que a nossa mídia, disse que  era um “gato” para aliviar o julgamento do “Mensalão”.

Ricardo Noblat, que se espalhou em elogios a Teori Zavascki  depois de sua morte, foi um dos que se destacou nessa campanha de desmoralização. Em sua coluna de 24 de setembro de 2012, intitulada “Miau! Miau! Miau!”, o festejado global dizia:

“Tem rabo de gato. Focinho de gato. Olhos de gato. Pelo de gato. Mia como um gato. Mas está longe de ser um gato, segundo a malta dos que nada veem demais na escolha em tempo recorde do ministro Teori Zavascki para a vaga do ministro Cezar Peluso no Supremo Tribunal Federal (STF). E também na pressa com que estão sendo tomadas as providências para que ele assuma o cargo o mais rapidamente possível.”

E dizia que o próprio ministro participava da trampa:

 “(Dilma)Até mandou espalhar a história de que escolheu Teori sob a condição de ele não votar no julgamento do processo [do Mensalão]. Escolheu-o para não ser obrigada a engolir alguém que Lula lhe apontasse.Mas a escolha foi relâmpago. (Miau!) Dois dias depois de anunciada, Teori começou a bater perna dentro do Senado atrás de votos. (Miau! Miau!)Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato a presidente do Senado, pediu para relatar a indicação de Teori. (Miau! Miau! Miau!)”

Há mais na coluna, como a descrição – deus meu! – de uma tentativa de golpe anti-Lula por parte de Dilma, com a correspondente retaliação da parte de Lula.

Mas há, apesar deste mérito, a lacuna imperdoável na entrevistas de Teori sobre as razões pelas quais ele deixou, com o afastamento pedido pelo Ministério Público, o ladravaz Eduardo Cunha no comando da Câmara – e o comando da Câmara era o impeachment –  contra alguém que ele mesmo diz que era de “altíssimo nível”.

Esta resposta mergulhou com o Beechcraft nas águas de Paraty, talvez porque nossa grande imprensa jamais lhe tenha feito a pergunta.

Inclusive o Ricardo “Miau, Miau, Miau” Noblat que diz que Teori Zavaski era capaz de correr quando lhe interessava, e à Dilma.

Esta caixa-preta, ao que parece, vai repousar para sempre no fundo do mar do esquecimento.

Fernando Brito
No Tijolaço
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