19 de jan de 2017

O bombástico senador José Medeiros

Excluindo a morte de Teori Zavascki, qual foi a bomba no JN? Aparentemente a bomba estava no avião e o senador sabia muito antes. Talvez por isso estivesse em reunião com Temer quando explodiu.

Horário da primeira postagem: 10:58

No Esquerda Caviar
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Nildo Ouriques - Entrevista à RWBrasil


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Sucessor de Teori será indicado por Temer e aprovado pelo Sindicato dos Bandidos

Senadores mais influentes...
Até o momento, não existe nenhum, absolutamente nenhum indício de que o trágico acidente que matou o ministro Teori Zavascki tenha sido mais do que um acidente.

Isso não quer dizer que seja impensável que os gângsteres que ocupam o poder desta república promovam a supressão de pessoas que ameacem seus interesses e que não pareçam disponíveis para acordos. Pelo contrário, parece bem compatível com seu modo de proceder. Não custa lembrar que as investigações sobre a corrupção em Furnas, por exemplo, estão pontuadas de mortes misteriosas.

Para evitar especulações, diante das implicações da morte de Zavaski (de acordo com o regimento, o ministro que assumir sua vaga herdará suas relatorias, o que inclui a Lava Jato e as delações da Odebrecht), seria fundamental que, com a maior urgência possível, o presidente indicasse e o Senado aprovasse um jurista de independência irretocável para o Supremo. Mas é claro que, para algo assim ocorrer, teria que ser outro Senado. E um presidente de verdade.

Luis Felipe Miguel
No Esquerda Caviar


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A paulada que Meirelles levou da diretora do FMI em Davos

Desigualdade é importante para ela, não para ele
Temer não foi a Davos pelo motivo habitual: medo.

Durante os dias do encontro de líderes políticos e empresariais em Davos, ativistas de esquerda aproveitam para mandar suas mensagens ao mundo.

Cobri Davos duas vezes, e vi os ativistas em ação.

Temer seria um alvo óbvio, por tudo o que representa. E qualquer manifestação contra ele, em Davos, teria repercussão planetária.

Que a imagem do Brasil no mundo está imensamente desgastada pelo golpe é claro.

Você não tem nem que ouvir rebeldes anti-sistema.

A diretora-geral do FMI, Chistine Lagarde, por exemplo, fez questão de contradizer a principal autoridade brasileira em Davos, o ministro Meirelles, quando este defendia as reformas conservadoras em curso no Brasil.

A prioridade das políticas econômicas deve ser o “combate à desigualdade social”, disse Christine.

Meirelles tergiversou diante da intervenção de Christine. Ela fora clara, e ele foi obscuro — e inconvincente.

Meirelles disse que países em desenvolvimento como o Brasil têm uma “dinâmica diferente”.

Aparentemente, ele quis dizer que os brasileiros engolem tudo com sua “dinâmica diferente”.

Assim, não seria necessário grande esforço, segundo a lógica de Meirelles, para convencer os trabalhadores a aceitar medidas que imporão a eles o que a moderadora do debate definiu como “grandes sacrifícios”.

Somos passivos. Somos bovinos. Somos inútil, como diz o filósofo Roger.

Li essa notícia na BBC Brasil. Pesquisei no Google para ver se algum jornal dera a colisão de Meirelles com Christine.

Não encontrei nada.

A mídia brasileira sabe o que dá — e o que esconde.

Só falta Meirelles fazer Temer acreditar em nossa “dinâmica diferente”.

Se ele fizer isso, talvez Temer deixe de fugir de um povo que, segundo seu ministro da Economia, aceita tudo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Avião que matou Teori Zavascki não era pequeno e tem gravadores de dados e de voz


Este é o Beechcraft  PR-SOM que caiu em Parati, supostamente com o ministro Teori Zavaski  a bordo, fotografado por Sergio Carneiro Correa em Belo Horizonte em março do ano passado.

Como é um bimotor, não é possível dizer que um defeito mecânico apenas pudesse ter provocado a queda, como num monomotor.

Não é um avião pequeno, tem 10,8 metros de comprimento e envergadura de 16,4 metros.

Em tudo é muito semelhante a um jato executivo, exceto pela motorização.

Tem alcance de 2.334 km e velocidade de 500 km/hora. Pousa e decola em pistas pequenas,  entre 500 e 600 metros, respectivamente.

Não é um teco-teco e, certamente, tem ao menos a caixa preta e tem caixa-preta tanto de dados quanto das vozes da cabine de comando.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Cereja do bolo da delação da Camargo Corrêa será a corrupção no Judiciário


Recentemente, a ex-ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, afirmou que uma delação da Odebrecht não deveria ser levada a sério se não atingisse o Poder Judiciário.

Dos 77 delatores da Odebrecht, não se sabe algum deles chegou a incriminar representantes do Poder Judiciário.

No entanto, a delação da Camargo Corrêa, que atingirá em cheio governos do PSDB em São Paulo, assim como Michel Temer, citado 21 vezes em planilhas da empreiteira, ao lado de pagamentos de US$ 345 mil, terá como cereja do bolo a corrupção no Poder Judiciário. Mais precisamente, a nebulosa história de como foi encerrada a Operação Castelo de Areia.

Deflagrada em 2009, a Castelo de Areia chegou a prender doleiros que operavam para a Camargo e a mapear o seu esquema de caixa dois. No entanto, numa ação coordenada pelo ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, a a operação foi anulada por uma liminar concedida no plantão do STJ.

Ao que tudo indica, os depoimentos serão constrangedores para ministros de tribunais superiores, assim como alguns de seus parentes.

No 247
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Procuradora diz que policiais federais não devem criticar Lava Jato na mídia


A procuradora da República Thaméa Danelon, integrante do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público de São Paulo, disse em entrevista à Folha desta quinta (19) que membros da Polícia Federal que estão chateados ou possuem denúncias contra a força-tarefa do Ministério Público Federal que atua na Lava Jato deveriam se reportar a órgãos de investigação internos, e não expor as rixas na imprensa.

Danelon disse isso ao responder uma pergunta da Folha sobre uma reportagem do delegado Maurício Grillo à Veja, alegando que os procuradores mandaram a PF investigar uma série de denúncias feitas a partir de delações de políticos, sem provas.

"Se ele acha de fato que foi uso político, ele tem que tomar as providências cabíveis. Se ele realmente acha isso, ele tem que comunicar as instâncias correcionais. Mas em hipótese nenhuma qualquer ato é praticado por cunho político. É uma instituição independente, autônoma, temos uma chefia escolhida pela própria classe. Então, se ele acha que tem alguma coisa errada, ele não deve procurar a imprensa, ele tem que procurar os órgãos correcionais", rebateu a procuradora.

A finalidade da entrevista de Danelon à Folha parece exatamente este, o de pedir que a Polícia Federal recolhe as armas e pare de evidenciar uma crise institucional. 

A procuradora disse que a PF não deveria se sentir menosprezada por ter ficado de fora das delações da Odebrecht. Para ela, "quanto menos gente participando num ato sigiloso, melhor. Menos possibilidade de vazamento vai ter."

Depois, explicou que a PF não deveria ter interesse em participar das delações porque, nesta fase, apenas os procuradores da República têm condições de oferecer vantagens aos delatores. "A Polícia Federal fez um trabalho extraordinário na Lava Jato e em outras situações. Mas vou te fazer uma pergunta: por que a polícia quer tanto participar de um acordo de colaboração? E por que a Receita Federal não quis participar? Por que a CGU (Controladoria-Geral da União) não quer participar? A gente tem que ver qual é a necessidade. Qual o objetivo do acordo de delação premiada? É obter provas, quanto mais provas, melhor. A PF tem interesse de obter provas? Sim, claro, o trabalho da PF é esse: investigar e coletar provas, realizar a diligências e as medidas cautelares."

E continuou: "Agora veja, no acordo de colaboração premiada, se por um lado o objetivo dos órgãos de investigação é obter provas, por outro lado, o do colaborador é obter benefícios. E quem pode oferecer benefícios? O titular da ação penal. Um dos benefícios a serem oferecidos é esperar meses até oferecer a ação penal. Quem oferece uma ação criminal, uma denúncia, é o ministério público federal. A polícia não poderia prometer isso. Outro benefício, como por exemplo, que a pessoa cumpra um determinado período de tempo na prisão. Quem vai decidir isso é o juiz ouvindo o Ministério Público."

Danelon também tentou jogar panos quentes e disse que a disputa entre PF e procuradores na Lava Jato é algo de caráter pessoal, não institucional.

"Algumas pessoas falam que tem rivalidade entre agentes e delegados da Polícia Federal. E que alguns delegados teriam com o MPF. Assim, a eventual existência de rixa não é institucional. É entre pessoas, né? Uma pessoa pode não concordar com o trabalho da outra e criticar o trabalho da outra. Eu acho errado isso. As instituições têm que se unir. Nenhum procurador ou promotor quando quer investigar quer presidir o inquérito policial. Ninguém quer usurpar a função do outro, só quer cumprir o seu papel."

E voltou a dizer, em seguida, que "não é agradável" a PF criticar o MPF até mesmo com o projeto das dez medidas contra a corrupção, por exemplo. "Eu não concordo. Eu penso que a gente tem que se unir. Nós não temos que brigar entre nós, mas contra o crime, contra o corrupto, contra o traficante."

A entrevista completa está disponível aqui.

No GGN
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Revisitando o texto de Antônio Cândido: o socialismo humanizou o capitalismo

Têm textos que precisam ser revisitados. A equipe do Portal Desacato escolheu esse, publicado em 2011 pelo Brasil de Fato. Em tempos de golpe é preciso saber distinguir realmente o que é capitalismo e o que é socialismo.


Antônio Cândido aos 93 anos é entrevistado por Joana Tavares do Brasil de Fato. Na entrevista de título O socialismo é uma doutrina triunfante, Antonio Candido esclarece a sua concepção de socialismo, discorre sobre literatura, dentre outras coisas. Leia aqui a entrevista na íntegra. Abaixo selecionei algumas questões que me pareceram relevantes:

Brasil de Fato: O senhor é socialista?

Antônio Cândido: Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Por quê?

Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

O socialismo como luta dos trabalhadores?

O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador

Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?

Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acacadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.

O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?

O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando… não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa). O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão – e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos… então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).

Joana Tavares
No Desacato
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A luta indígena em Brasilia


Material produzido pelos indígenas da região de Brasília, organizados pela Articulação dos Povo Indígenas do Brasil, durante a oficina ministrada por Rubens Lopes e Cris Mariotto, dentro do Projeto Indígena Digital coordenado pela professora Beatriz Paiva, do IELA.




Alexandre Moraes revoga regra de FHC para proteger índios. Gente inútil, não é?


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Até agora, para a definição do que são terras indígenas, a Funai – Fundação Nacional do Índio – tinha autonomia para decidir o que deveria ser demarcado para os remanescentes de nossos povos originais, uma regra que vinha desde o Governo Fernando Henrique Cardoso.

Agora, não mais.


Ele poderá convocar “audiência pública para debates sobre a matéria do processo”.

E os índios, em princípio, só poderão reivindicar terras de onde foram expulsos de 1988 para cá.

488 anos de violência, genocídio, saque, tudo “vai para o saco”.

O que afinal pode esperar uma “racinha” atrasada e inútil? Plantam soja em escala industrial? Têm milhares de cabeças de zebus? Mandam os filhos estudar nos EUA?

Não.

Gente que odeia a brasilidade acha índio um lixo.

Ainda se fossem uns navajo, uns sioux, uns apaches serviriam para brincar de General Custer.

Jamais de General Rondon, aquele que não queria matar os donos da terra.

Os donos da terra de verdade, não os que se adonaram delas.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Na Sala de Visitas com Luis Nassif | Especial Lava-Jato


Bloco 1 : Pedro Serrano

Bloco 2 : Rafael Valim, Valeska e Cristiano Martins

Bloco 3 : Eugênio Aragão

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Diretora do FMI contradiz Meirelles e afirma que prioridade deve ser combate à desigualdade social


Após ouvir o ministro da Fazenda brasileiro, Henrique Meirelles, defender a necessidade de adotar amargas reformas, como o governo Michel Temer tem feito no país, a diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, afirmou nesta quarta-feira que a prioridade das políticas econômicas precisa ser o combate à desigualdade social.

O comentário de Lagarde ocorreu durante a participação de ambos em um painel do Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça.

Questionado pela moderadora sobre como convencer a classe trabalhadora a aceitar reformas que exigirão dela "grandes sacrifícios", Meirelles havia dito que o Brasil, diferentemente dos países ricos, não tem a tradição de uma classe média sólida, o que tornaria necessário o pacote de medidas - que inclui a instituição de teto para os gastos públicos, afetando áreas como saúde e educação.

"Nos países em desenvolvimento temos uma dinâmica diferente, não temos uma história de classe média crescente ou grande parte da população sendo classe média, como é nos países desenvolvidos. Isso é um fenômeno recente no Brasil", afirmou o ministro.

"Nos últimos quinze anos, vimos a proporção da classe média na população dobrar. E isso aconteceu ao longo da última década. Por causa da recessão que vimos nos últimos anos, essa dinâmica se inverteu, mas isso é um problema de curto prazo", disse Meirelles.

Lagarde respondeu na sequência.

"Não sei por que as pessoas não escutaram a mensagem (de que a desigualdade é nociva), mas certamente os economistas se revoltaram e disseram que não era problema deles. Inclusive na minha própria instituição, que agora se converteu para aceitar a importância da desigualdade social e a necessidade de estudá-la e promover políticas em resposta a ela", afirmou a francesa.

Desigualdade no foco

Meirelles também havia argumentado que os problemas brasileiros são recentes.

"Isso se deve à recessão dos últimos anos e está afetando a classe média e, em particular, a de baixa renda. Em resumo, a saída para uma economia como a brasileira é voltar a crescer de novo, criando empregos novamente e se modernizando abrindo o mercado de forma a se tornar mais eficiente", afirmou.

"Estamos em um outro momento do que as economias ricas. Estamos estabelecendo a classe média, fazendo ela crescer com a abertura da economia", defendeu.

Em sua fala, porém, Lagarde destacou que a desigualdade social precisa estar no centro das atenções dos economistas se eles quiserem um crescimento sustentável e, como consequência, uma classe média forte.

"Nosso argumento é de que, se há excesso de desigualdade, isso é contraprodutivo para o crescimento sustentável ao qual os membros do G-20 aspiram", disse.

"Se quisermos um pedaço maior de torta, precisamos ter uma torta maior para todos, e essa torta precisa ser sustentável. O excesso de desigualdade está colocando travas nesse desenvolvimento sustentável", afirmou, retomando a mensagem central do discurso de abertura que fez no Fórum de 2013.

Desemprego e Quarta Revolução Industrial

Um estudo do próprio FMI de 2013, assinado pelos especialistas Jaejoon Woo, Elva Bova, Tidiane Kinda e Y. Sophia Zhang, aponta que políticas de controle de gastos públicos resultam na geração de desemprego a curto prazo, o que contribui para a contração da classe média e o aumento do fosso social entre ricos e pobres.

O estudo mostra que pacotes de ajustes fiscais como o adotado pelo Brasil podem ter resultados adversos, dependendo das estratégias escolhidas na gestão pública.

"Pacotes de cortes nos gastos públicos tendem a piorar mais significativamente a desigualdade social, do que pacotes de aumentos de impostos", afirma o levantamento.

O documento de 2013 revisou políticas de ajuste fiscal executadas durante os últimos 30 anos por países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A conclusão foi de que o primeiro reflexo de cortes nos gastos públicos é um aumento do desemprego e consequente aumento da desigualdade social, indicador medido pelo índice Gini - um coeficiente Gini 0 representa a plena igualdade, enquanto que 1 é o máximo de desigualdade.

Na média, um corte nos gastos da ordem de 1% do PIB gera aumento de 0.19 ponto percentual no nível de desemprego durante o primeiro ano, enquanto o aumento da desigualdade no índice Gini oscila de 0,4% a 0,7% nos dois primeiros anos, afirma o estudo.

Em termos amplos, é o desemprego gerado pelo corte nos gastos o grande vilão.

"De forma aproximada, cerca de 15% a 20% do aumento de desigualdade social por conta de pacotes fiscais ocorrem por causa do aumento de desemprego", diz o relatório.

Políticas públicas

No debate em Davos, Lagarde recomendou a escolha cautelosa de políticas públicas no contexto da quarta revolução industrial, de modo que governos como o do Brasil não olhem apenas para os desafios imediatos da globalização, mas se preparem para o futuro de longo prazo.

"Estamos agora em um momento muito oportuno para colocar em prática as políticas que sabemos que irão funcionar (…) Um momento de crise, como o ministro (Meirelles) disse, é o momento de avaliarmos as políticas que estão em ação, o que mais podemos fazer, que tipo de medidas tomamos para reduzir a desigualdade social?", questionou a diretora-geral do FMI.

"Qual tipo de redes de apoio social temos para as pessoas? Qual o tipo de educação e treinamento que oferecemos? O que temos em ação para responder não apenas à globalização, mas às tecnologias que irão descontinuar e transformar o ambiente de trabalho no longo prazo?", acrescentou.

"Há coisas que podem ser feitas: reformas fiscais, reformas estruturais e políticas monetárias. Mas elas precisam ser graduais, regionais, focadas em resultados para as pessoas e isso provavelmente significa busca uma maior distribuição de renda do que há no momento", reforçou Lagarde.

À BBC Brasil o professor e ex-ministro do Planejamento e do Trabalho Paulo Paiva afirmou que a produtividade é o grande desafio que o Brasil tem pela frente para a retomada do crescimento e, a julgar pela história recente, os ventos demográficos não estão a favor do país.

"O crescimento econômico é composto de crescimento da força de trabalho e da produtividade. Tivemos dois períodos distintos na nossa história recente: de 1950 a 1980 e de 1980 até hoje", introduziu.

"De 1950 a 1980 a economia brasileira cresceu a uma taxa média de 7% ao ano. Se eu decompor esse número em crescimento da força de trabalho e ganho de produtividade, houve um aumento de 2,8% do PIB por causa da população e 4,2% de ganho de produtividade, que inclui melhor qualificação do trabalhador e ambiente de trabalho."

"De 1980 pra cá, decompondo o crescimento da mesma forma, 0,9% se de deu pelo aumento da população e 1,5% pelo ganho de produtividade. Então isso dá 2,4% de crescimento médio anual do PIB", acrescentou.

"O problema é que a partir de 2015-30 a população não vai mais crescer, então se o Brasil não fizer nada (para aumentar o ganho de produtividade) está fadado a um crescimento de 1,5% ao ano. Essa é a visão mais dramática que temos pela frente e você pode imaginar o impacto dessa quarta revolução industrial numa situação dessa."

Vendendo o Brasil

Depois do painel, Meirelles participou de entrevista coletiva em conjunto com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

No encontro com a imprensa, ele buscou vender a ideia de que o Brasil está em plena recuperação - e de que é um bom momento para investidores estrangeiros aportarem no país.

O ministro reforçou que as reformas da Previdência e trabalhista irão permitir ao Brasil se beneficiar ainda mais da globalização.

"No caso dos emergentes, a globalização foi definitivamente positiva. No caso do Brasil especificamente, o que precisamos fazer é reformar a economia para obtermos maiores vantagens da globalização, porque esse não foi o caso até o momento", afirmou.

"O crescimento brasileiro no passado foi muito baseado no mercado doméstico. Temos que aproveitar melhor a globalização como outros emergentes o fizeram, e estamos caminhando nessa direção."

O Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, fez questão de apontar que o Brasil têm reservas da ordem de 20% do seu PIB e deverá utilizar esse recurso para manter as taxas cambiais dentro do esperado, amortecendo qualquer ataque ou volatilidade inesperada em relação ao real.

Meirelles também afirmou que a entrada de capital estrangeiro continua forte e que, diferentemente de outros emergentes, não se desenha no horizonte brasileiro o risco de uma fuga de capitais, conclusão que pesou para a decisão de cortar em 0,75 ponto percentual a Selic (taxa básica de juros) anunciada na semana passada.

"Não estamos vendo uma saída de capital que exija que o Brasil use suas reservas para segurar o valor de sua moeda. Muito pelo contrário, estamos em uma posição equilibrada. Estamos em uma recuperação econômica", afirmou.

"Apenas para dar os números que sustentam isso: o investimento estrangeiro direto no país está próximo de 4,4% do PIB e o deficit de conta corrente é de pouco mais de 1,1%, então há uma grande diferença, um é quatro vezes maior que outro", concluiu Goldfajn.

No BBC
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O fiasco do Brasil no Fórum de Davos

Nas emissoras de televisão, que atingem e fazem a cabeça de milhões de brasileiros, a presença da delegação brasileira no Fórum Econômico Mundial, que reúne a nata — ou a cloaca — da burguesia internacional em Davos (Suíça), é um sucesso. O “Jornal das Dez” do GloboNews desta quarta-feira (18), por exemplo, exibiu o ministro Henrique Meirelles desfilando pelos luxuosos corredores do evento, distribuindo sorrisos e prometendo mundos e fundos — mais fundos do que mundos — aos investidores estrangeiros. Pelas imagens das TVs, até parece que o Brasil virou um paraíso. Mas a mentira não se sustenta — nem mesmo em outros veículos, que atingem uma parcela mais reduzida da população.

A própria revista Época, que também pertence ao Grupo Globo, confirma que “o Brasil perde importância no Fórum de Davos”, conforme o título da matéria postada nesta semana. O texto é bem menos otimista do que as bravatas dos comentaristas da emissora global. Ele lembra que o “presidente” Michel Temer preferiu não ir ao convescote e enviou uma delegação composta por três “ministros”: Henrique Meirelles (Fazenda), Marcos Pereira (Desenvolvimento) e Fernando Coelho (Minas e Energia). A presença deles, porém, passou despercebida. “O país foi relegado a discussões secundárias, quando, em outros tempos, detinha algum protagonismo, ainda que regional”, registra o artigo.

“No debate sobre política monetária e o papel dos bancos centrais, conduzido pelo editor-chefe do Wall Street Journal, Gerard Baker, e que teve entre seus painelistas um banqueiro do UBS, um membro do gabinete de transição de Donald Trump e um chefe da autoridade monetária da Suíça, não havia o Brasil, como em anos passados. Para outra discussão sobre as previsões para o sistema bancário, nenhum banqueiro brasileiro estava entre os participantes. Em um painel sobre as previsões para o G20, a Argentina foi convidada, não o Brasil. Para falar sobre crescimento com inclusão, estava um representante do governo canadense”, detalha a reportagem.

A revista Época até tenta amenizar a perda de relevância do Brasil em Davos, responsabilizando a crise econômica do país e até a postura da presidenta Dilma Rousseff, que sempre polemizou com as ideias neoliberais reinantes no Fórum Mundial. Mas a contragosto reconhece que a posição defendida pelo governo deposto pelo golpe dos corruptos “por mais equivocada que fosse, era levada em consideração”. Agora, não! O Brasil passou a ser visto como uma “república das bananas”, com um governo ilegítimo que não garante qualquer segurança aos tais “investidores estrangeiros”. “De fato, o simples fato de ir a Davos não transforma a imagem de um país. Mas ajuda a inseri-lo em um contexto de discussões globais, de alto nível, que, em última instância, atrai a atenção do mundo”, lamenta a revista da famiglia Marinho.

No mesmo rumo, o jornalista Clóvis Rossi, eterno enviado especial da Folha a Davos, também aponta que “o Brasil está saindo do radar da elite empresarial mundial: em 2011, ao iniciar-se o governo de Dilma Rousseff, 19% dos executivos das grandes companhias punham o Brasil em terceiro lugar na lista dos três países em que viam maiores oportunidades de negócios, excetuando, claro, seus próprios países. Na mais recente pesquisa, feita em 2016 e divulgada nesta segunda-feira, são apenas 8% os que dão idêntica importância ao Brasil, agora o sétimo colocado”. Este estudo foi apresentado na véspera da abertura do Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial.

Altamiro Borges
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Uma São Paulo que ninguém vê

Nosso Ensaio desta vez é um retrato duro e pungente dos moradores de rua de São Paulo. São registros do fotojornalista RenattodSousa de uma cidade que a maioria dos governantes costuma ignorar.

RenattodSousa é catarina de Floripa, nascido em 1955. Fotojornalista, começou em 1976 no Diário do Paraná e passou pelo JB de Curitiba, O Estado e Diário Catarinense em Floripa, sucursal de Recife da Veja, O Globo e sucursal do JB em São Paulo. Depois foi bóia-freela.

Ganhou duas vezes o Prêmio Abril e duas vezes ficou em segundo lugar no Nikon Photo Contest International, no Japão.

Hoje dirige a fotogaleria que leva seu nome, instalada no edifício Copan, em São Paulo, especializada em fotografias da cidade – a única galeria de autor e monotemática de sampa.


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No Nocaute
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Coxinhas

O ex-chefe da Secretaria Nacional de Juventude, exonerado do cargo porque lamentou que não houvesse mais chacinas nas prisões, prefaciou sua declaração dizendo que, nesse assunto, era “coxinha”. Me surpreendi. Sempre achei que “coxinha” fosse o bem-humorado apelido dado às pessoas, na sua maioria de classe alta ou média, que se manifestaram pelo impeachment da Dilma em particular e contra o PT em geral. 

“Coxinha” era o oposto de petista. Se eu fosse construir a imagem de um típico “coxinha” seria um jovem não necessariamente rico, mas bem de vida, com um sincero horror do PT e simpatizantes, convencido de estar defendendo a democracia, além dos seus privilégios. Jamais imaginaria o bom moço aprovando a guerra de facções e suas terríveis consequências dentro das prisões, para resolver o problema das superlotações.

Mas o ex-secretário da Juventude, aparentemente, tem outra definição para “coxinha”. Confessou-se um “coxinha” para justificar uma opinião que só poderia ser de um “coxinha”. 

Quantas pessoas se descobririam “coxinhas”, no mau sentido, se precisassem se definir sobre o assunto? O pensamento nazista é tentador. As experiências de eugenia feitas pelos nazistas para purificação da raça são precursoras do que se faz hoje em matéria de engenharia genética.

Com uma diferença: os nazistas faziam suas experiências em crianças, sem anestesia. A eugenia é um bom exemplo, ou um péssimo exemplo, do que ocorre no Brasil, há séculos. Há por trás do tratamento dado aqui ao negro, ao pardo e ao pobre, cuja amostra mais evidente é esse sistema carcerário ultrajante, um mal disfarçado intuito de purificação. 

Empilhar criminosos, independentemente do caráter do crime, em cadeias infectas e esperar que eles se entredevorem é um método prático de depuração. Os campos de extermínio nazista — abstraindo-se a questão moral — eram exemplos de praticidade. A longa história de descaso das autoridades brasileiras pelo escândalo das cadeias é a abstração moral em pessoa.

Abstraindo-se a questão moral, a receita “coxinha”, no mau sentido, para o problema faz bom sentido. As facções se aniquilam mutuamente, os bandidos sofrem o que merecem — sem anestesia — e a nação agradece. Portanto: ignore-se a questão moral.

Luís Fernando Veríssimo
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Sob Obama, o antirracismo viveu dias gloriosos

Impor um presidente negro a um país ainda hoje tão racista como são os Estados Unidos — este o maior feito de Barack Obama.

Impor-se ao respeito inabalado de todo esse país durante os oito anos na presidência — este o segundo maior feito de Barack Obama. O revertério que leva um primata patético a sucedê-lo sugere a dimensão gigantesca daqueles feitos.

O primeiro êxito e a decência cativante de Obama fizeram esperar-se dele mais do que fez. Ou, no mínimo, o principal dos seus compromissos de candidato: a retirada americana das áreas de guerra, a redução da presença militar dos EUA no mundo, o fim do crime imoral que é a prisão de Guantánamo, apesar de sem importância na opinião dos americanos, mas humilhante para o mundo que, acovardado, o testemunha.

Obama não apenas deixa forte presença militar no mundo, por muitos dita maior do que a encontrada. Foi da sua presidência a autorização para uso da nova arma que são os pequenos aviões não tripulados, ou drones, transformados em objetos assassinos.

Chefes ou suspeitos de ação anti-americana são assassinados do ar em países sem guerra com os EUA. O colar de bases americanas em torno da então URSS, que fez os soviéticos instalarem foguetes em Cuba para barganhá-los pela retirada das bases, ganhou com Obama nova versão. Os EUA montam, na Ásia e na Oceania, um arco de bases e arsenais em volta da China. Com Obama, as ânsias beligerantes dos EUA ficaram apenas menos ostensivas e mais educadas, sem troca de desaforos.

Do mesmo lote de compromissos principais do candidato, Obama fez três grandes realizações. Duas notórias: a economia em colapso foi oxigenada, com efeitos sociais ainda em progressão; e a persistente batalha que conseguiu vergar o Congresso para implantar um sistema público de saúde, o Obamacare já sob as picaretas dos republicanos.

A terceira foi a ação contra o racismo. Antecessor de Kennedy, o general Eisenhower usou contra o racismo agressivo a Guarda Nacional. Kennedy, como em quase tudo, dividiu-se entre a força e a demagogia.

Obama teve a inteligência e a originalidade de usar uma das armas mais raras entre os ditos civilizados: a naturalidade. Assim como para eleger-se não fez do racismo um tema de combate, na Casa Branca dirigiu-lhe poucas palavras: enfrentou-o com o seu dia a dia, com sua cara. Com a simbiose Barack-Michelle. Conscientizada ou não, a evidência penetrou fundo no país: nenhuma diferença entre brancos e negros.

O racismo não se extinguiu, talvez nem tenha se retraído em porção significativa, a Ku Klux Klan é sempre uma das bandeiras nacionais. Mas o antirracismo viveu dias gloriosos, para um futuro em que será difícil retrocedê-lo.

Mas um legado especial Barack Obama leva amanhã consigo: Michelle Obama, imagem consagrada, oradora brilhante, opinião e firmeza, potencial presidente dos Estados Unidos.

Janio de Freitas
No fAlha
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