15 de jan de 2017

O que você aprende com a espetacular ruptura entre Janot e Aragão


O que você deve esperar de um homem a quem você manda calar a boca?

Tudo — exceto que cale a boca.

É o que se viu, mais uma vez, no episódio que opôs Rodrigo Janot e Eugênio Aragão.

O caso está relatado no Estadão de hoje numa excelente reportagem de Luiz Maklouf.

A rigor, Janot não mandou Aragão calar a boca. Disse, num email, que colocasse a língua no palato.

Que diabo é isso? — se perguntou Aragão, segundo o relato de Maklouf.

Língua no palato?

Bem, que podia ser senão um calaboca? Tente falar com a língua no palato.

Eram velhos amigos. Poucas coisas são mais melancólicas que a ruptura de antigas amizades.

Mas esta teve um lado cômico, também. Aragão foi ao escritório de Janot pedir satisfação, ou coisa parecida.

“Você veio aqui me chamar de traíra?” — perguntou Janot, depois de submeter o ex-camarada a uma espera de quarenta minutos.

De traíra não, devolveu Aragão. “De desleal.” Se alguém souber a diferença entre entre ser traíra e ser desleal favor me avisar, por favor.

Aragão, conta Maklouf, soubera que vazamentos da Lava Jato tinham partido da PGR de Janot.

A conversa se incendiou quando o nome de Lula veio à baila. Janot, sempre de acordo com o artigo de Maklouf, disse que Lula é um “bandido como todos os outros”.

Ficou claro, aí, que Janot jamais perdoou Lula por tê-lo classificado como “ingrato” na conversa com Dilma gravada e vazada por Moro, numa das últimas etapas do golpe.

Ao levar a história a um jornalista do Estadão, Aragão mostrou o quanto está indignado com o comportamento de Janot.

Você tem que estar com muita raiva de alguém para fazer o que Aragão fez. Ele não tomou nenhum cuidado para que o leitor não soubesse qual era a fonte da bomba.

Ele queria que as pessoas soubessem que a fonte era ele. Melhor: ele queria que Janot soubesse que o vazamento partira dele.

Vazamento se paga com vazamento: eis um exemplo acabado de vendetta.

O objetivo de Aragão foi plenamente alcançado. O homem que aparece na reportagem é um desequilibrado, um desvairado, inconsequente o bastante para não apenas chamar Lula de bandido — mas para mandar Aragão para a puta que o pariu.

Compostura e equilíbrio é o mínimo que se espera de um procurador geral da República. Janot demonstrou despreparo mental para o cargo que exerce, ainda mais num momento tão dramático.

Fora tudo isso, cometeu o pecado de julgar e condenar Lula antes que a Justiça oficialmente se manifeste. Neste caso, faria bem em manter a língua no palato.

Paulo Nogueira
No DCM
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Eugênio Aragão relata discussão e rompimento com Janot

Eugênio Aragão é sub-procurador-geral da República e foi ministro no governo de Dilma antes da cassação do mandato da petista

“Arengão, bota a língua no palato”, dizia o e-mail do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para o subprocurador-geral e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão. Ou “Arengão”, apelido com que Janot o carimbou, só entre eles, nos bons tempos em que a amizade prevaleceu. Por maio de 2016, quando o e-mail chegou, já iam às turras.

Recém-saído do Ministério da Justiça, nem completados dois meses de mandato – 14 de março a 12 de maio, no governo da presidente Dilma Rousseff –, Eugênio José Guilherme de Aragão, de 57 anos, estava de volta à Procuradoria-Geral da República, onde entrou em 1987. E tratava, com Rodrigo, que é como chama Janot, da função que passaria a ocupar.

Entre e-mails e “zaps”, o procurador-geral perguntou se o ex-ministro gostaria de assumir a 6.ª Câmara do Ministério Público Federal (MPF) – a que trata de populações indígenas e comunidades tradicionais. “Não gostaria”, respondeu Aragão. “Teria de lidar com o novo ministro da Justiça (Alexandre de Moraes, de Michel Temer), com quem eu não tenho uma relação de confiança”, explicou. “E o Supremo (Tribunal Federal)?”, contrapôs Janot. “O Supremo a gente conversa”, respondeu Aragão. “Então, tá, Arengão, bota a língua no palato”, escreveu o procurador-geral. “Rodrigo, quer saber, nós somos pessoas muito diferentes, e eu não dou a mínima para cargos”, respondeu Aragão, sem mais retorno.

“Que diabos quer dizer ‘bota a língua no palato’?”, perguntou-se Aragão durante a entrevista ao Estado, gravada com seu consentimento, em uma cafeteria da Asa Sul do Plano Piloto, em Brasília. Foi uma dúvida que surgiu ao ler a metáfora sobre o céu da boca. “Significa um palavrão?”, perguntou-se, experimentando dois ou três. Conformou-se com a ordinária explicação de que Rodrigo o mandara calar a boca e/ou parar de arengar. Era um sábado, 21 de maio. Na segunda, 23, um impalatável Aragão foi ao gabinete de Janot.

“Ele me deu quarenta minutos de chá de cadeira”, contou, no segundo suco de melancia. Chegou, então, o subprocurador da República Eduardo Pelella, do círculo de estrita confiança de Janot (mais ontem do que hoje). “O Rodrigo é o Pink, o Pelella é que é o Cérebro”, disse Aragão, brincando com o seriado famoso. 

Pelella, que não quis dar entrevista, levou-o, “gentil, mas monossilábico”, à sala contígua ao gabinete, e foi ter com Janot. Quando sentiu que outro chá de cadeira seria servido, Aragão resolveu entrar. “Os dois levaram um susto”, contou. Pelella pediu que o colega sentasse, e se retirou.

Começou, então, conforme diálogo relatado por Aragão, a tensa e última conversa de uma longa amizade:

Janot: Você me deu um soco na boca do estômago com aquela mensagem (“não estou interessado em cargos”).

Aragão: É aquilo mesmo que está escrito lá.

Janot: Então considere-se desconvidado.

Aragão: Ótimo. Eu não quero convite (para função), tudo bem, não tem problema. Olha, Rodrigo, nós somos diferentes. É isso mesmo. Para mim, você foi uma decepção...

Janot: O que você está querendo dizer? Vai me chamar de traíra?

Aragão: Não, traíra não. Não chega a tanto. Desleal, mas traíra não. (No caso Operação da Lava Jato) você foi extremamente seletivo... 

Janot: Você vem aqui no meu gabinete para me dizer que eu estou sendo seletivo?

Aragão: É isso mesmo.

Janot: Você vai para a p... que o pariu... Você acha que esse (ex-presidente) Lula é um santo? Ele é bandido, igual a todos os outros...

Aragão: Você foi muito mesquinho em relação ao Lula, só porque ele disse que você foi ingrato (em razão da indicação para a função)... Não tinha nem de levar isso em consideração. 

Janot: Isso é o que você acha. Eu sou diferente. O Lula é bandido, como todos os outros. E você vai à m...

Aragão: E os vazamentos das delações? Eu tive informações, quando ministro da Justiça, pelo Setor de Inteligência da Polícia Federal, que saíram aqui da PGR...

Janot: Daqui não vazou nada. E eu não te devo satisfação, você não é corregedor.

Aragão: É, você não me deve satisfação, mas posso pensar de você o que eu quiser.

Janot: Você vá à m..., você não é meu corregedor.

Aragão: Eu não vim aqui para conversar nesse nível. Só vim aqui para te avisar que estou de volta.

Nunca mais se falaram. O Estado quis ouvir Janot a respeito das declarações de Aragão. A assessoria de imprensa da PGR assim respondeu ao pedido: “O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está em período de recesso e não vai comentar as considerações do subprocurador-geral da República Eugênio Aragão”.

Sem função

Desde então, sem ter sido designado para nenhuma função em especial, Aragão continua trabalhando normalmente como subprocurador-geral da República, no mesmo prédio em que despacha Janot.

Os dois foram amigos por muitos anos, relação que incluía as respectivas famílias. Não poucas vezes Aragão degustou a boa comida italiana que Rodrigo aprendeu a fazer. Compartilhavam a bebida, também, embora com menor sede.

A divergência começou, sempre na versão de Aragão, nos idos do mensalão, mais precisamente quando Janot, já procurador-geral – “com a minha decisiva ajuda”, diz Aragão – pediu a prisão de José Genoino (e de outros líderes petistas), em novembro de 2013, acatada pelo ministro Joaquim Barbosa, do Supremo. “O Rodrigo já tinha dito ao Genoino, na minha frente, e na casa dele, várias vezes, que ele não era culpado”, contou o ex-ministro da Justiça.

Como ministro do governo petista, Aragão aumentou o volume das críticas aos excessos da Lava Jato e aos frequentes vazamentos de delações premiadas ainda sob sigilo. Chegou a ser considerado, pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o maior inimigo da operação.

Luiz Maklouf
No Estadão
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Brizola Neto esclarece

Sobre a matéria veiculada no Jornal Nacional de ontem a noite (sábado, 14 de janeiro de 2017), esclareço:

Jamais mantive qualquer contato pessoal com o Sr. Fábio Cleto e nunca tratei com ele qualquer questão, exceto nas reuniões públicas do Conselho Curador do FGTS (que presidia como Ministro do Trabalho e Emprego), onde o Sr. Fábio Cleto tinha assento como vice presidente da Caixa Econômica Federal.

Não conheço o Sr. Lucio Bolonha Funaro e nunca tive qualquer contato pessoal ou profissional com ele.

No período em que estive a frente do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE o senhor Eduardo Cunha era líder do PMDB na Câmara dos Deputados e tive com ele conversas institucionais sobre matérias de interesse do MTE que tramitavam na Câmara dos Deputados (PEC das Domésticas e PEC do Trabalho Escravo, dentre outras).

A substituição do Sr. Paulo Eduardo Cabral Furtado como Secretário Executivo indicado pelo MTE no Conselho Curador do FGTS foi feita atendendo à recomendação da Controladoria Geral da União encaminhada ainda antes da minha posse, conforme trecho do Relatório de Gestão Anual da Controladoria Geral da União - CGU de 2011 sobre o Ministério do Trabalho e Emprego, abaixo transcrito:

"Quanto ao fato de a Caixa ter ficado com uma representatividade maior do que a projetada no Conselho Curador do FGTS.

O banco cedeu o funcionário Paulo Eduardo Cabral Furtado para o Ministério do Trabalho e Emprego, que, por sua vez, o colocou na Secretaria Executiva do Conselho Curador.

Pelo fato de a Caixa ser parte interessada no FGTS, já que recebe recursos pela prestação de serviços de gestão do Fundo, a CGU considerou que o Banco deveria se ater à cadeira que já possui no Conselho."

Me coloco a inteira disposição da justiça e demais órgãos responsáveis pelas investigações para prestar eventuais esclarecimentos.

Por último, preciso afirmar que não acumulei patrimônio pessoal nem obtive através da política qualquer tipo de benefício, e que ao longo da minha trajetória busquei ser coerente com o maior patrimônio a mim deixado pelo meu avô Leonel Brizola: ser um homem honrado e ter uma vida dedicada ao povo brasileiro.

Brizola Neto



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Nildo Ouriques: Resposta ao projeto do “covil de ladrões” é uma revolução brasileira

 Imperdível 


Temer declarou guerra. A conciliação de classes se esgotou. As opiniões são do professor Nildo Ouriques, da Universidade Federal de Santa Catarina.

“O governo Temer decretou guerra contra todos nós e pretende devolver o Brasil ao período pré-30. Não se trata de reforma da Previdência, na verdade é a supressão do estatuto previdenciário. É a supressão da CLT nos termos de Temer, proposta que já circulava nos tempos do governo Dilma”, afirma.

“O negociado sobre o legislado num contexto em que a taxa de desemprego é de dois dígitos e vai crescer ainda mais, 14 ou 15 milhões de desempregados este ano”, lembra.

Trocando em miúdos: o resultado de negociações salariais entre patrões e empregados, nas quais os trabalhadores estão enfraquecidos, vai valer mais que leis aprovadas anteriormente pelo Congresso, em conjuntura diversa.

Resultado: arrocho de fazer inveja ao aplicado pela ditadura militar.

As propostas de Temer,  que retiram direitos sociais e trabalhistas, remetendo ao período pré Getúlio Vargas, segundo o professor Ouriques serão agravadas pela perenização de um quadro de austeridade de longo prazo. Os cortes vão cair — já estão caindo — nas costas dos mais pobres.

“Essa guerra de classes foi declarada por um governo corrupto, cujas principais decisões saem de um covil de ladrões, num Congresso Nacional com mais de 280 deputados e senadores delatados, denunciados e com processos de toda ordem tomando decisões que só poderiam ser tomadas por plebiscito”, acrescenta.

Na opinião de Ouriques, mesmo que Lula seja reeleito em 2018 não dará conta de promover as reformas das quais o Brasil precisa.

“A ideia do Lulinha paz é amor é a ideia de um pacto de classes num momento em que a burguesia declara guerra aos trabalhadores”, diz. Para o professor da UFSC, as medidas tomadas por Lula em seus dois governos e pela presidente Dilma em seu período no Planalto só foram possíveis numa conjuntura econômica internacional que desapareceu.

“Não há governo que possa tirar o Brasil da crise sem romper o pacto de classes e responder à guerra que Temer está colocando para todos nós”, afirma. Quem pensa diferente “não entende a natureza financeira da crise do Estado brasileiro”.

Superar esta crise implica, por exemplo, numa reforma tributária “em que banqueiro pague imposto, latifundiário pague imposto e executivo de multinacional pague imposto”, além de uma auditoria da dívida interna que cancelaria boa parte dela.

Assim, é preciso pensar numa “revolução brasileira”, que “faça o que a proclamação da República não fez, que é instalar uma República de iguais”. Para Ouriques, “não se trata mais de promover políticas públicas caritativas, fazer a digestão moral da pobreza que Lula produziu no Brasil, mas fazer as grandes reformas, como a agrária” — sem a qual, na opinião dele, é impossível o controle inflacionário.

Para o professor da UFSC, a revolução brasileira passa pelo resgate de autores que foram “banidos” pelas universidades — para Ouriques, hoje elas só reproduzem o pensamento que vem de fora.

Dentre os autores “malditos”,  Manoel Bonfim, Ruy Mauro Marini, Alberto Guerreiro Ramos, Darcy Ribeiro, Franklin de Oliveira, Gondin da Fonseca e Álvaro Vieira Pinto.

Também seria condição para essa mudança — que na opinião de Ouriques pode resultar de uma combinação de pressão nas ruas e jogo eleitoral — que haja conciliação “entre marxistas que sempre foram anti-nacionalistas e nacionalistas que sempre foram anti-marxistas”.

Vale a pena ouvir a íntegra da entrevista (clicando abaixo), que inclui uma avaliação do estado da universidade brasileira hoje.



Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Um cronista! Um cronista!

O Antonio Prata escreveu sobre seu sentimento ao ouvir, dentro de um avião, a aeromoça perguntar se havia um médico entre os passageiros. No fim a emergência não era tanta, era só alguém passando mal, prontamente atendido e se recuperado. Mas o Antonio ficou pensando: quando, numa situação parecida, ele ouviria uma aeromoça dizer “Atenção, senhores passageiros, caso haja um escritor a bordo, favor se apresentar a um dos nossos comissários”. Ele se apresentaria, resolveria o problema de uma hipotética senhora gorducha ansiosa com as sacudidas do avião, talvez contasse uma história ou duas para acalmá-la, e voltaria para seu assento, sob os olhares de admiração de todos. Como um médico.

Pois é, Antonio. Numa emergência, cronistas não servem para nada. Jamais ouviremos alguém dizer “Um cronista, pelo amor de Deus, um cronista!”. Não temos remédios para os males do mundo, não salvamos vidas. Num naufrágio, pela ordem de importância, seríamos os últimos a sair ou afundaríamos junto com a banda. Quando nos olham com admiração, vai ver é comiseração, pela nossa insignificância. 

- Há um escritor a bordo?

- Eu!

- O que o senhor escreve?

- Crônicas.

- Precisamos de um escritor de verdade!

Existem várias histórias sobre o mesmo tema.

Num teatro lotado, ouve-se uma voz de senhora.

- Há um médico na plateia?

- Eu - apresenta-se alguém.

E a senhora:

- Esta é a minha filha Sara, 19 anos, cozinha bem...

- Há um médico na plateia?

Silêncio.

- Há um enfermeiro na plateia?

Silêncio.

- Há um estudante de medicina na plateia? Silêncio.

- Há um charlatão na plateia?

Luíz Fernando Veríssimo
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Dez Porta-Aviões Enfileirados

O que fazem dez dos onze porta-aviões dos EUA nas docas?


Leitores estão me perguntando a causa de 10 dos 11 porta-aviões dos Estados Unidos estarem enfileirados em docas, presumivelmente para manutenção. Isso faz lembrar a batalha naval de Pearl Harbour. Os leitores questionam se não seria uma indicação de que o Estado Profundo poderia estar planejando um ataque de falsa bandeira contra os navios, como o que foi feito contra o World Trade Center e Pentágono, para desencadear uma guerra contra o mundo muçulmano independente, mas desta vez destinado a levar os Estados Unidos e a Rússia a uma guerra antes que Trump e Putin consigam restaurar e normalizar as relações entre os dois países.

Penso que não. O ataque dos japoneses contra Pearl Harbour foi real, embora provocado. A fraude estava no fato de que, mesmo tendo Washington informações sobre o ataque, não as compartilhou com a Marinha dos EUA em Pearl Harbour. Os navios de batalha que ali se encontravam tinham armamento obsoleto e os porta-aviões foram removidos anteriormente. Seria muito difícil culpar a Rússia no caso de um ataque de falsa bandeira contra os porta-aviões dos Estados Unidos. Na realidade, se a Rússia quisesse atacar os EUA, o alvo provavelmente não seria armas tão ultrapassadas como porta-aviões.

Conforme informações que me foram passadas por antigos (?) funcionários dos serviços de inteligência, os porta-aviões estão nas docas para que possam trocar suas fiações de cobre por fibras óticas. Parece que os russos têm capacidade de desligar os sistemas operacionais de nossos navios e aviões, desde que estes tenham fios de cobre. O que permite essa conclusão, são relatos de que um navio com mísseis que Washington mandou para impressionar a base naval russa na Crimeia teve todos os seus sistemas eliminados após ser sobrevoado por apenas um jato russo. De acordo com outros relatos, dois jatos de Israel fabricados nos EUA foram mandados para sobrevoar o espaço aéreo controlado pela Rússia na Síria, em clara desobediência ao estabelecido pelas Forças Armadas da Federação Russa. Os russos solicitaram que os aviões de Israel deixassem a área e quando eles desobedeceram, os russos derrubaram os controles de comunicação e de controle de disparo dos jatos.

De acordo com o que me foi dito, os russos descobriram que navios ou aviões que tenham fiação de cobre, permitem que eles embaralhem seus sistemas operacionais a partir de certas frequências de radar de seu sistema de controle aéreo.

Se esse relato for verdadeiro, e confesso que não tenho capacidade técnica para julgar sobre o que me foi informado, nós estaríamos no momento de conferir a verdade de tudo o que foi dito sobre as intenções agressivas de russos e chineses contra o ocidente. Com as forças dos Porta-Aviões dos Estados Unidos inoperantes, seria um momento privilegiado para a Rússia invadir e conquistar a Ucrânia e qualquer outro país que se alega ela quer invadir, e seria também um momento propício para a China tomar de vez o Japão e Taiwan, se quisessem. Não haveria uma Marinha (norte)Americana para detê-los e a ameaça nuclear dos palhaços de Washington significaria apenas a completa destruição de todo o mundo ocidental, com os cretinos estúpidos em Washington sendo os primeiros a perecer.

As acusações de agressão chinesa ou russa são mentiras risíveis. A China nunca declarou que o Golfo do México ou as águas que banham as costas da Califórnia são “áreas de interesse nacional da China”, mas a assassina demente Hillary Clinton, quando fazia parte da administração do ganhador do Prêmio Nobel da Paz declarou que o Mar do Sul da China é “uma área de interesse nacional dos Estados Unidos”. Isso é uma provocação em cima de um insulto. Nenhum diplomata inteligente jamais faria uma provocação tão ridícula.

A Rússia conquistou a Georgia apenas como resposta a uma invasão da Ossétia do Sul pela Georgia, mas deixou para lá e não a reincorporou como uma antiga província da Federação Russa, que era o status do país por mais de 300 anos. A Rússia se recusou a aceitar o pedido de Donetsk e Lugansk, repúblicas separatistas da Ucrânia, de reincorporação à Federação Russa. A Rússia nunca declarou que os países Bálticos e a Europa Oriental seriam áreas de interesse nacional russo, mas os EUA incorporaram todos esses países ao seu exército mercenário da OTAN, alocando ali tropas, tanques e mísseis os quais só teriam utilidade como arma de ataque contra a Rússia. Até agora, a Rússia ainda não respondeu simétrica ou assimetricamente.

Todas as agressões entre países que acontecem no mundo são executadas por ou geradas nos EUA. Isto é claro como o dia. Como pode haver tão poucas pessoas que enxerguem esse fato óbvio? Quem a não ser Washington tem estado em guerra permanente desde o regime Clinton, matando pessoas em nove países?

Por que toda a esquerda liberal progressista está ajudando o establishment entranhado na CIA, ao demonizar o presidente eleito Donald Trump, que já declarou que um de seus objetivos é normalizar as relações com a Rússia? Seria isso uma indicação de que a esquerda liberal progressista é uma das frentes da CIA? Embora pareça, a possibilidade não é estapafúrdia. Como é de conhecimento geral, a CIA manda na imprensa e TV dos Estados Unidos e da Europa. Por que iria ignorar a esquerda liberal “progressista” que se manifesta principalmente pela Internet, através da mídia alternativa?

A regra é que “o inimigo de meu inimigo é meu amigo”. É óbvio que o establishment que é inimigo da esquerda liberal é inimigo de Trump, então por que a esquerda liberal se aliou com o seu inimigo no establishment contra Trump?

Mas a questão real é a seguinte: existe mesmo uma esquerda liberal independente?

Se existe, onde diabos está ela? Os membros da esquerda liberal progressista estão servindo como defensores da história oficial e falsa de que um bando de sauditas sem informações de um serviço de inteligência ou o aparato de um Estado enganou facilmente todas as 16 agências de inteligência, o Conselho de Segurança Nacional, o Pentágono, segurança dos aeroportos, controle de tráfego aéreo, a Força Aérea do Império dos EUA, o próprio Dick Cheney, bem como o Mossad israelense a serviço do imperialismo (norte)americano e infligiu a maior e mais humilhante derrota a uma alegada “superpotência” em toda a história da humanidade.

Ninguém que seja estúpido o suficiente para acreditar na história oficial de 11/9 é suficientemente inteligente para pretender ser um esquerdista liberal ou mesmo um ser consciente.

Em verdade, o mundo ocidental, que está à procura de sua própria destruição, precisa desesperadamente de uma esquerda verdadeira, uma esquerda imune a limitações emocionais que a deixem cega para a realidade.

Paul Craig Roberts
Tradução de btpsilveira
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Ser ou não ser

Temos uma maneira curiosa de declarar algumas das nossas predileções. Dizemos “sou Botafogo”, em vez de “torço pelo Botafogo”. “Torcer” nos manteria distante do time preferido, na arquibancada, longe das botinadas do inimigo. “Ser” significa nos identificarmos totalmente com nosso time, ser Botafogo da cabeça aos pés, padecer do que ele padece, vibrar quando ele vibra — enfim, descer da arquibancada.

Mas o “ser” nem sempre se aplica quando se trata de uma escolha. Certa vez, conversávamos sobre Papas e misses, e alguém na roda foi categórico:

— Sou João XXIII e Marta Rocha.

Em tudo na vida, precisamos distinguir entre “ser” e simpatizar. Simpatizo com outras escolas de samba, mas sou Salgueiro.

E, em tudo na vida, é preciso deixar claras nossas predileções, e a que grupos pertencemos.

Você, por exemplo, é dos que abotoam a camisa de baixo para cima ou de cima para baixo?

É dos que raspam a manteiga ou tiram pedaços?

É dos que espremem o tubo de pasta de dente da ponta para cima, ou não?

Das Jennifers, prefere a Lopez, a Lawrence ou a Aniston?

Gil ou Caetano?

Melhor Tarzan?

Superman ou Batman?

Falando sério: do jeito que cresce o poder das facções dentro das nossas cadeias criminosamente lotadas, em breve, além do time, da escola de samba, do jeito de abotoar a camisa, de cortar a manteiga e espremer o tubo de pasta de dente, de atriz, compositor, Tarzan, super-herói, Papa e miss, teremos que nos definir: para tomar conta do país “somos” Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho ou Família do Norte?

Luís Fernando Veríssimo
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Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará

O título do texto é minha passagem preferida no evangelho de João (8,32). Parece ser um programa de vida útil a almas piedosas e a ateus empedernidos. É princípio científico, mas também é místico e programa pessoal. Amanheço com a dúvida de Pilatos para Jesus: o que é a verdade? O Mestre não respondeu.

Minha formação básica ocorreu no colégio São José, em São Leopoldo. Lá os karnais estudam/ensinam há três gerações. Há uma história que atravessa as décadas da escola fundada em 1872: o corredor do diabo. Como num velho filme de terror de Zé do Caixão, advirto aos leitores de sensibilidade aguçada: a narrativa é assustadora. Cardíacos ou pessoas impressionáveis: interrompam a leitura aqui! Foram avisados! 

Não existe uma data precisa. O fato está inserido na lógica atemporal do terror. Havia uma capela no último andar da escola. Uma freira rezava, concentrada. De repente, ela sentiu um forte cheiro de enxofre no ar. Estava sozinha. Ao cheiro, somaram-se sons de cascos. A franciscana apavorou-se. Gritou em vão: o som se perdia nas paredes grossas. Sim! Era ele: o próprio Satanás! Por motivos desconhecidos, o príncipe do inferno tinha vindo levar a alma da freira estupefata. Por que levar uma irmã ao mundo demoníaco? Dante Alighieri povoou o reino do capeta com papas. Nada impede que uma humilde freira, por motivos desconhecidos, faça companhia a tão ilustre grupo. Foi-se a orante para a danação. Prova concreta do encontro: a mão peluda e quente do rei da mentira ficou impressa na capa da Bíblia da condenada. A capela foi fechada.

Nunca mais houve sacramentos no espaço. O medo venceu. O silêncio caiu sobre a comunidade. 

A história era desmentida e isso aumentava o interesse. Um calouro que chegasse ao São José já perguntava aos veteranos: onde ficava o corredor do diabo? As irmãs advertiam que era boato. A insistência em desmentir atiçava nossa certeza. Por que tanta gente dizia que era mentira? Óbvio: era verdade!

Na infância, acompanhado de bravos amigos, subia aos recantos da vasta escola. Havia dezenas de salas fechadas, corredores escuros, velhos espaços de pé-direito alto e silêncio aterrador. De repente, algum zombeteiro gritava e saíamos em disparada. Nunca encontramos o famoso corredor, tampouco o livro queimado com a manopla infame de Lúcifer. Sem problemas: crença tem relação ambígua com provas materiais. A verdade do corredor do diabo nos escapava ano a ano.

Teria ocorrido a cena horrenda? Uma única vez roçamos nela. Em uma pequena capela de uma ala do colégio que, até então, não tínhamos notado. Tudo indicava ser o local famoso. Era um fim de tarde e encontramos, num nicho lateral, uma assustadora imagem de Nossa Senhora da Cabeça. No lusco-fusco da hora vimos aquela imensa imagem de uma mulher que segurava um decapitado na mão. 

O leitor incréu pode buscar no Google a imagem de Nossa Senhora da Cabeça. Alguém gritou: é a cabeça do diabo! Nunca corremos tanto. Parecia que os cascos caprinos de Belzebu nos perseguiam. 

Jamais apuramos a verdade verdadeira. Era uma época de liberdade de imaginação. O mundo mudou. Surgiu um conceito novo: a pós-verdade. O que seria uma verdade desvinculada do factual? 

O debate público é dominado por apelos emotivos. Não importam fatos ou dados precisos, vale apenas a manipulação de medos. Na crítica ao stalinismo e a todo totalitarismo, George Orwell fez do romance 1984 uma advertência de como a mentira pode ser transformada de tal forma que dela surgisse uma verdade. Tal como a Inquisição, o Estado Totalitário não quer apenas eliminar a oposição, mas convertê-la, fazê-la crer, sinceramente, na verdade estatal. O traço totalitário está nas democracias.

O dicionário Oxford data o conceito de pós-verdade no ano de 1992. Não precisamos mais do fato concreto, basta a crença. Nas sociedades democráticas de livre-trânsito de ideias, o que confirma minha convicção prévia é verdadeiro. Não busco argumentos ou debate, busco reforço dos valores do meu gueto. Exemplo? O filho de um conhecido político seria dono de uma empresa de produção e distribuição de carne. Verdade? Que absurdo! A empresa desmentiu. Todos os envolvidos desmentiram. Mas vale a lógica que eu tinha na infância: se as freiras desmentem é porque é verdade. Por que é verdade? Aparentemente porque tenho um cunhado cujo primo mora ao lado de um vizinho da manicure de uma contabilista da empresa que jura que é verdade. Também há juízes que são ponta de lança do FBI. Foram treinados nos EUA para desestabilizar o Brasil. Vale tudo na minha crença.

Minha posição prévia deseja que seja verdade. Todos os argumentos serão acolhidos como verdade de acordo com a posição prévia. A era da pós-verdade não é apenas uma era de mentiras. Todas as eras foram de mentiras. A diferença é que, antes, nós poderíamos crescer e descobrir que o corredor do diabo era um mito. Hoje, quase todos ficam felizes na infância mental. Crescer é arriscado. Corro o risco de descobrir que não sou o centro do universo. Pensar dói. Lúcifer se foi, envergonhado pela concorrência desleal. Quem precisa do príncipe da mentira quando se tem rede social? Bom domingo a todos vocês!

Leandro Karnal
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Articuladores do impeachment são responsáveis pela atual indignidade

A combinação de pessoas e ineficácias a que chamamos de governo Temer tem uma particularidade. Nos tortuosos 117 anos de República e ditaduras no Brasil, jamais houve um governo forçado a tantas quedas de integrantes seus em tão pouco tempo, por motivos éticos e morais, quanto nos oito meses de Presidência entregue a Michel Temer e seu grupo.

Entre Romero Jucá, que em 12 dias estava inviabilizado como ministro, e o brutamontes Bruno Julio, que, instalado na Presidência, propôs mais degolas de presos, a dúzia de ministros e secretários forçados a sair é mais numerosa do que os meses de Temer no Planalto.

Foi para isso que o PSDB, o PMDB, a Fiesp, o jurista Miguel Reale e o ex-promotor Hélio Bicudo, a direita marchadora e tantos meios de comunicação quiseram o impeachment de uma presidente de reconhecida honestidade?

Sim. À vista da ausência, nem se diga de reação, mas de qualquer preocupação entre os autores do impeachment, a resposta só pode ser afirmativa. Até antecipada pelo descaso, também ético e moral, dos aécios, da Fiesp, de reales e bicudos. Estes também são partes do governo Temer, como o PSDB, ou seus associados. Logo, tão responsáveis pela indignidade dominante quanto o próprio Temer.

O Geddel que começa a estrelar mais uma peça da ordinarice foi expelido do governo em tempo de evitar que as novas revelações explodissem em uma sala do Planalto. Mas é inesquecível que até poucas semanas Geddel disputava com Eliseu Padilha o comando de fato do governo. Instalado no centro da Presidência por desejo do próprio Temer, que fez o possível para inocentá-lo do favorecimento ilegal a um negócio imobiliário.

Não havendo petistas nem próximos de Lula envolvíveis, a Polícia Federal não se interessou. Se o novo escândalo chegar ao negócio que derrubou Geddel, porém, a PF verá que antes de uma frustração pode haver muitos lances bem sucedidos. Apesar de nada admiráveis.

Mais sugestiva do que a inclusão de Geddel no Planalto é sua nomeação para a diretoria da Caixa Econômica: foi escolha pessoal, o que vale como pedido, do então vice-presidente à presidente. E não qualquer diretoria, não. A de negócios com pessoas jurídicas. Empresas, empresários, projetos privados, sociedades de particulares com governos.

Michel Temer fez mesmo o serviço completo: como outra escolha pessoal, conectada ao PMDB, indicou também para a direção da Caixa ninguém menos do que Moreira Franco.

O que daí resultaria era tão óbvio que aqui mesmo, e logo, se pressentiu. Com a mesma obviedade, o que seria a entrega do governo a Michel Temer e seu grupo não ficou impressentido pela cúpula do PSDB, pelos reales e bicudos do impeachment. Tão responsáveis, hoje, quanto Michel Temer.

Um livro

Dinheiro e interesses não políticos fizeram o lado (ainda) obscuro do impeachment. Os fatos, ideias e sentimentos que viveram o processo de dentro da Presidência e do governo eram o lado sombrio. Não são mais. "À Sombra do Poder – Bastidores da Crise que Derrubou Dilma Rousseff" os ilumina.

E o faz muito além do seu resultado presente. É um livro que ficará como referência. Jornalista e doutor em ciência política, o brilhante Rodrigo de Almeida se propôs a fazer um "livro de observação" — e conseguiu.

Secretário de imprensa da Fazenda com Joaquim Levy e, depois, da Presidência até a destituição de Dilma Rousseff, Rodrigo de Almeida faz uso tão objetivo do seu testemunho quanto seria possível. É jornalismo na melhor acepção da palavra.

Não teme falar do temperamento, das reações e dos erros de Dilma Rousseff, e o faz com elegante franqueza. Trata o decorrer dos acontecimentos, desde o início do segundo mandato, sem ceder a impulsos de militância.

Conduz a exposição do cerco intransponível a Dilma, e a original conduta por ela mantida, sem se perder em considerações dispensáveis e sem perder, jamais, a noção do que refletiria, de fato, a essência do testemunhado.

O texto excelente de Rodrigo de Almeida leva a uma leitura agradável, que a boa edição da LeYa mais honraria se não desprezasse o índice onomástico.

Janio de Freitas
No fAlha
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