5 de jan de 2017

Cisão PT - PDT: Buarque (Parte 7/11)



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O ano do asno. Pomposo

O golpe gera a maior crise política e econômica da história do Brasil e exibe toda a incompetência dos seus autores

Enquanto Michel Temer recebe o Oscarito, Sergio Moro e Aécio Neves, citado várias vezes na Lava Jato, caem na chacota. Do que se riem?
Pompous ass, expressão da língua inglesa para qualificar o medíocre empolado.

A se adotar o costume chinês que a cada ano atribui a influência, ou as características de um bicho, feroz ou manso, 2016 no Brasil foi o ano do asno, ou do burro, se preferirem. Houve uma contribuição fluvial para tanto.

A partir dos autores do golpe e a terminar com quantos acreditaram que bastaria defenestrar Dilma Rousseff, destruir o PT e seu líder Lula, para colocar o País na rota da felicidade. Não, não foi ano de tigres ou lobos.

Responsável pelo golpe, um conluio ciclópico que une dois Poderes, Judiciário e Legislativo, aos quais se agrega, como resultado natural, o Executivo comandado por Michel Temer, professor de Direito Constitucional pronto a rasgar a Constituição. Ignora-se que gênero de lições tenha ministrado aos seus alunos.

Em lugar dos tanques, os golpistas convocaram a Polícia Federal. Quanto à máquina de propaganda, jamais lhe faltou o porta-voz altamente qualificado, a mídia nativa, a mentir, inventar, omitir em um trabalho ficcional sem similares na história do mundo. Eles se acham raposas, mas estão mais para asnos.

Dois anos após a posse de Dilma para seu segundo mandato, como anda o País? Pior, infinitamente pior. Vivemos uma recessão devastadora e o Brasil decresce este ano em 4%, segundo as estimativas oficiais, embora haja quem diga que a porcentagem é notavelmente maior.

O desemprego, em compensação, fermenta, e só não reaparece a inflação a todo vapor porque não há demanda. Os bolsos estão vazios, que o digam os lojistas neste mês natalino.

Que faz o governo? Inaugura o neoliberalismo selvagem, a planejar 20 anos de austeridade. Corta as verbas da Educação e da Saúde e transforma a aposentadoria em perseguição. Fahrenheit 451 verde-amarelo para tornar cinzas não somente a chamada Carta Magna, mas também a CLT velha de guerra.

Os astrônomos do golpismo dizem que está superada, ou seja, trata-se apenas de punir o trabalho mais e mais. A consolidação é generosa além da conta.

Ano do Asno, ou do Burro, Franklin Delano Roosevelt concordaria. O País precisaria de New Deal em lugar do golpe, tanto mais praticado por quem tão bem se adequa às características do animal eleito, mesmo porque, nunca foi capaz de dar ouvidos nem ouso dizer a John Maynard Keynes, mas Henry Ford, reacionário inveterado e inventor, faz quase um século, de um carro que seus operários poderiam comprar.

E o povo brasileiro, desde sempre humilhado e ofendido, percebe o engodo? A casa-grande aposta na resignação da senzala, na ignorância abissal da plebe. Rude e ignara, dizia-se, em tom de chacota, ou mesmo usado em uma recente conversa entre Aécio Neves e Sergio Moro durante a festa promovida por IstoÉ para entregar um Oscarito a Michel Temer, Homem do Ano do Asno. Mais um quadro-bufo da tragédia.

Pois disto se trata. Cheguei ao Brasil em agosto de 1946, ainda de calça curta, na certeza de aportar no país do futuro. E era. Passados 70 anos, é um país à matroca, entregue a uma malta mafiosa (e não estaria a ofender a máfia?), capaz de vendê-lo ao primeiro comprador a preço de banana.

Enquanto os golpistas se engalfinham entre si na luta pelo poder, por mais contingente e precário que venha a ser. Digamos, o professor Temer. Está à beira do abismo, cai ao toque mais leve, envolvido em escândalos, juntamente com inúmeros companheiros de aventura. Mesmo assim, clama-se contra a corrupção, de fato primeva e endêmica, como se fosse o primeiro motor da desgraça brasileira.

O big-bang é o descobrimento, a desaguar na colonização predatória. Logo três séculos e meio de escravidão. Depois uma independência proclamada em lugar de conquistada pela nova nação. Em seguida, uma série de golpes, a começar por aquele que derruba a monarquia.

Em vez de uma revolução burguesa inspirada na inglesa e na francesa, a consolidação da dicotomia casa-grande e senzala para manter a singular medievalidade do país oligárquico e patrimonialista, único no planeta. Cortados pela raiz quaisquer ensaios de modernidade, até o golpe de 1964.

Vinte e um anos de ditadura, encerrada pela vontade dos próprios ditadores, ou seja, casa-grande e seu exército de ocupação, aos quais uma grotesca Comissão da Verdade criada no primeiro mandato de Dilma Rousseff reconhece o direito à incolumidade de torturadores e algozes. Falamos em redemocratização como se antes de 64 houvesse democracia. O jogo eleitoral sempre foi de cartas marcadas, a não ser na vitória de Lula, e é isto que os golpistas atuais não perdoam. Foi muito topete, muita ousadia. Muito risco para eles.

Ao povo, saúde e educação escassas, condescendente o adjetivo. Nunca a mais pálida sombra de um Estado do Bem-Estar Social. Conciliações somente das elites. Nunca o empenho frutífero para conciliar Capital e Trabalho, este sempre e sempre punido.

Não vivemos hoje o capítulo final deste enredo, alcançamos, porém, o momento em que a prepotência, a arrogância, a irresponsabilidade da casa-grande atingem um patamar de incompetência irreparável a beirar a demência.

Tresloucados na névoa sem encontrar a saída, agitam-se em desvario e exibem a inconsistência dos seus planos. O asno, assim mesmo, é pomposo, nem por isso deixa de ser burro. Não é consolo constatar que, cômicos na ação, são as primeiras vítimas de si mesmos. O País vai à deriva e ainda viverá dias mais sombrios. É a maior crise da nossa história.

Fácil foi vaticinar o caos em que nos mergulharam para quem, como nós, pratica o jornalismo honesto. Era o desfecho lógico da manobra golpista engendrada desde a vitória de Dilma em 2014. Encantaram-se com a fragilidade da presidenta e do seu novo governo debaixo dos ventos da crise econômica, mais aqueles soprados de Curitiba por uma turba de figuras perfeitamente à vontade no Ano do Asno, e partiram para o confronto sem atentar para as suas próprias lacunas e limitações.

Temos de convir que os golpistas de antanho eram mais atilados. De fato, se a maioria da população é resignada e inconsciente da cidadania, a dolorosa realidade se deve à manutenção da senzala, obra esmerada da casa-grande.

De sorte que, segundo meus botões, uma revolta popular motivada pelo entendimento da dor, pela percepção do sofrimento imposto, é hipótese por ora pouco provável. Temamos, isto sim, o recrudescimento vertiginoso da criminalidade, em um país onde se mata mais que na guerra civil da Síria.

Provável é que Michel Temer seja tragado pelo abismo e que os verdadeiros senhores do golpe busquem uma saída parlamentar, recurso a uma exigência constitucional para seu uso e consumo exclusivo, a fim de eleger indiretamente alguém pretensamente acima do Bem e do Mal (e haveria?) para conduzir um governo tampão até as eleições de 2018.

Ou, por outras, tira-se o bode Temer da sala, escolhe-se alguém que agrade a todos, ou não assuste, e tudo volta à normalidade. Trata-se, obviamente, de mais um lance insano, pois a única certeza é o aprofundamento da crise. Até quando, até quais limites?

Nem esperança, nem medo, recomendava Spinoza. Em meio à treva, como evitar a esperança, ao observar o comportamento dos estudantes que invadiram colégios e universidades neste 2016 malfadado. Como esquecer Ana Júlia, a estudante do Paraná, e sua fala sólida nos argumentos e desabrida no tom? Manifesta-se nesta juventude um desassombro cívico e uma clareza de intuitos exemplares.

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6 medos sobre o Comunismo que se tornaram reais no Capitalismo


Será que aquilo que os reacionários
temem que vá acontecer no “comunismo”,
já não acontece no próprio capitalismo?

Uma característica muito forte do reacionarismo é o medo do “comunismo”, que sequer recebe uma definição clara nesse sistema de crenças.

Para muitos, comunismo representa “tudo de ruim” e já teria sido experimentado, com consequências catastróficas, nos países do antigo bloco “socialista real”, como União Soviética, Cuba, Coreia do Norte, Camboja e, mais recentemente, Venezuela.

Aí nos vêm duas perguntas:

Essas nações experimentaram mesmo o comunismo, tal como sua definição clássica determina?

E os problemas que são ditos como “certos” após a hipotética “implantação do comunismo” no Brasil realmente não acontecem no capitalismo? E se acontecem, será que os direitistas que vivem com medo do “comunismo” se importam?

O que é, afinal de contas, o comunismo


Marx e Engels na Nova Gazeta Renana.

O clássico Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, delineia um comunismo bem diferente do que o imaginário reacionário desenha em seus medos.

Para a dupla de intelectuais alemães, um sistema sociopolítico realmente comunista é um em que o Estado, depois de uma fase de transição socialista, não existe mais, e todos os meios de produção agrícola, industrial e de comércio e serviços pertencem aos próprios trabalhadores, não mais a empresários concentradores de renda e riquezas.

As religiões não necessariamente deixariam de existir numa realidade comunista. Mas sim sofreriam drásticas mudanças, perdendo seu caráter hierarquista, o poder de conservação de uma ordem política injusta e o caráter de instrumento de controle social e moral e aceitando a utopia da sociedade livre de Estado, de classes e de concentrações de poder.

Deixariam de ser o “ópio do povo”, maneira como Marx se referia ao uso das religiões tradicionais, por seus respectivos cleros, como ferramenta de exercício de poder e controle sobre as massas.

Realmente houve (ou há) comunismo na URSS, Cuba, Coreia do Norte etc.?

O bolchevique, de Boris Kustodiev.

O que houve nos diversos países vulgarmente considerados “comunistas” foi, de fato, a consolidação do comunismo, enquanto utopia e sistema social, político e econômico?

A resposta é um sonoro não. Afinal, seus cidadãos não assumiram o comando e a propriedade coletiva dos meios de produção, comércio e serviço, mas sim o Estado.

Classes sociais continuaram existindo, dividindo-se a sociedade entre uma elite burocrática governamental e a população governada. Como são centrais ao conceito de comunismo a coletivização da produção agrícola e industrial e a inexistência do Estado e de estratos sociais de qualquer tipo, esses países nunca foram de fato comunistas.

É questionável, aliás, se sequer foram experiências socialistas. Em nenhum desses países houve um socialismo como regime político governado pela classe trabalhadora, sancionador de leis de transição econômica, social e política para uma sociedade sem classes e de produção totalmente coletivizada e descentralizada.

Pelo contrário, a produção agrícola e industrial e a promoção de comércio e serviços foram todas para as mãos do Estado, como um megaconglomerado, e este descartou qualquer propósito de transicionar a nação para o comunismo.

Além disso, o regime desses países perseguiu e matou parte dos antigos revolucionários, aqueles que eram contrários à centralização do poder político e econômico nas mãos dos burocratas do partido único e favoráveis à transição da revolução à culminância comunista.

E a economia, em última análise, não deixou de ser uma ordem baseada em dinheiro, capital, comércio, inflação, exportações e importações, crescimento infinito do Produto Interno Bruto, progresso econômico, entre tantas outras características conservadas do velho capitalismo o qual se supunha que seria abolido do país revolucionado.

Ou seja, não eram bem governos comunistas ou socialistas por definição, mas sim ditaduras com economias baseadas numa espécie de capitalismo de Estado. Portanto, o que a direita costuma nomear de “comunismo” não é realmente comunismo.

Aliás, sequer esses próprios países se definiam como comunistas. Essa definição é norte-americana, surgida no contexto da Guerra Fria.

Como tudo o que se teme ocorrer num hipotético “Brasil comunista” já é comum no Brasil capitalista

Curiosamente muitos dos medos dos reacionários acerca de um Brasil “dominado pelo comunismo” já são reais no próprio capitalismo. Aliás, não seria imprudente dizer que muitas das características negativas atreladas a esse conceito obscuro e falso de comunismo são intrínsecas, na verdade, ao sistema socioeconômico capitalista e aos regimes políticos que o sustentam.

Elencamos a seguir uma lista de seis dos principais temores, atrelados falsamente ao comunismo e ocorrentes com grande frequência no capitalismo brasileiro, incluso o neoliberalismo:


1. Assassinatos em massa e genocídios

Em pleno regime capitalista, mais de 50 mil pessoas morrem assassinadas por ano no Brasil, por causa de um cenário de violência urbana e rural fortemente atrelado, em parte, a problemas originados no capitalismo, como:

• O narcotráfico;

• A exclusão social;

• A carência de perspectivas de vida e de políticas de inclusão;

• A ganância acima da empatia;

• Genocídios indígenas (como o dos Guarani-Kaiowás em Mato Grosso do Sul);

• As mortes por conflitos agrários;

As mortes por desnutrição.

Já no mundo como um todo, morrem pessoas por conta de:

• Guerras ligadas à posse de jazidas minerais (principalmente petróleo);

• Desnutrição por exclusão social;

• Perseguição política em países adeptos do capitalismo;

• Atentados terroristas por grupos outrora treinados e financiados pelas potências geopolíticas capitalistas (como Al-Qaeda e Estado Islâmico);

• Opressão agrária;

• Catástrofes ambientais causadas pelas atividades capitalistas humanas etc.

Isso sem falar em genocídios históricos sob regimes que queriam impedir o avanço do ideal comunista, como o Holocausto nazista e as matanças nos próprios países erroneamente considerados “comunistas”, como a União Soviética stalinista, a China maoista e a Coreia do Norte.

É isso mesmo: muitos dos assassinatos em países adeptos do “socialismo real” foram motivados pela intenção do regime vigente de impedir o progresso e consolidação do antigo ideal de sociedade comunista.

Ou seja, o assassinato em série de pessoas não é um problema exclusivo de países que tiveram experiências “socialistas” fracassadas. Mas sim parte de um sistema político-econômico internacional baseado na concentração e acúmulo de capital, seja ele nas mãos do Estado ou de empresas privadas; na destruição ambiental causada por esse mesmo capital e no impedimento violento da derrubada de políticas injustas.

E nesse contexto, a conservação de sistemas anticomunistas, do capitalismo privatista ao “socialismo” repressor da utopia comunista, matou e continua matando milhares ou milhões de vezes mais do que as iniciativas legítimas de transformar nações governadas pela injustiça em sociedades sem classes e sem Estado.

Em outras palavras, não é o comunismo que mata dezenas de milhões de pessoas, mas sim os sistemas social-político-econômicos baseados na repressão estatal e empresarial de utopias igualitaristas (o socialismo é coletivista), entre eles o próprio capitalismo liberal.


2. A divisão da sociedade em uma elite superpoderosa e uma imensa camada social de pobres e miseráveis

O Brasil historicamente sempre teve, em sua pirâmide social, uma ampla e grossa camada de pessoas muito pobres. Dados de 2015 do Ibope mostram que apenas 2,7% dos brasileiros pertencem à classe econômica A, que combina posse de mais bens pessoais e casas mais amplas, emprego de diversas(os) trabalhadoras(es) domésticas(os) pela mesma família abastada e escolaridade elevada.

Ou seja, 97,3% estão fora dessa elite. E apenas 25,8% estão nas classes alta e médias-altas.

Além disso, a concentração de renda continua muito elevada no Brasil. Em 2013, segundo o IBGE, os 10% mais ricos da população brasileira detinham 41,7% da renda per capita total, enquanto os 10% mais pobres possuíam apenas 1,2% dessa renda.

A situação só se tornou menos dramática graças, a despeito do ódio da direita nacional, às políticas de combate à pobreza nos governos de Lula e Dilma. Em 2010, a parcela populacional de pessoas extremamente pobres era de 6,62%; a de pobres, 15,2%; e a de vulneráveis à pobreza, 32,56% – totalizando 54,38%. Em 2000 era muito pior: respectivamente, 12,48%, 27,9% e 48,39%, total de 88,77%. Os dados podem ser encontrados no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil.

Ou seja, se depender do capitalismo desprovido de intervenções estatais como as dos governos petistas, a camada de pessoas pobres ou miseráveis sempre será imensamente maior do que a de pessoas ricas. Isso não é comunismo, e sim o capitalismo liberado, desejado por muitos que temem o falso terror da “ditadura comunista”.


3. A perseguição sistemática às religiões

O Brasil capitalista e cristão já persegue hoje religiões como o candomblé, a umbanda, as fés indígenas e os paganismos, e vê com péssimos olhos os ateus.

Vertentes politicamente progressistas do catolicismo e do protestantismo também são muito malvistas, às vezes tratadas pelos “cristãos” conservadores como “hereges”. Estas foram inclusive perseguidas durante a ditadura militar, aquela que vigorou entre 1964 e 1985 com o pretexto de “impedir o comunismo”, como no caso da católica Teologia da Libertação.

Ao contrário do que os conservadores acreditam, impedir o comunismo não é preservar a liberdade religiosa, mas sim fazer com que suas próprias vertentes continuem desfrutando de poderes abusivos, limitando ou impedindo a laicidade do Estado brasileiro e perseguindo minorias – religiosas e políticas.


4. O fim da liberdade de expressão

O comunismo foi, na verdade, vitimado pela própria supressão dessa liberdade, como no caso dos regimes como os “socialismos reais”, o fascismo e as ditaduras militares. Aliás, o enfraquecimento dos movimentos comunistas no mundo se deu por causa, justamente, da perseguição política ao longo da Guerra Fria, que lhe tirou as condições de serem grupos realmente fortes e promissores.

Além disso, como foi dito, os antigos Estados “socialistas reais”, como a União Soviética e a Coreia do Norte, suprimiram a liberdade de expressão, em parte, para justamente calar as vozes defensoras do comunismo, como no caso dos expurgos stalinistas.

Não é à toa que aqueles que tanto acusam o “comunismo” de combater essa liberdade costumam rotineiramente violá-la, quando o objetivo é impedir a esquerda e partidos que acreditam ser “de esquerda” de se expressarem. Exemplos disso são:

Os casos de perseguição contra pessoas vestidas de vermelho, em março passado, após a condução coercitiva do ex-presidente Lula;

Os banimentos de pessoas que querem promover debates políticos honestos e respeitosos em muitos grupos reacionários no Facebook;


Ainda há hoje alguma liberdade para intelectuais, políticos e militantes de esquerda se expressarem no Brasil. Mas as fortes campanhas da direita “contra o comunismo” podem criminalizar essa relativa livre expressão.

Com isso, as tentativas dos reacionários de “proteger a liberdade de expressão” dos “comunistas” podem levar, de fato, à perda total dela, tal como aconteceu na ditadura brasileira e no auge do macartismo nos Estados Unidos.

Em suma, não é o comunismo que combate a livre expressão, mas sim o próprio anticomunismo.


5. O fim, inviabilização ou roubo generalizado da propriedade privada

Ao contrário do que os reacionários acreditam, o comunismo não elimina a propriedade privada de objetos necessários, como celulares, computadores, roupas e alimentos. O que a utopia comunista realmente pretende é transferir a propriedade dos meios de produção, comércio e serviço das mãos dos empresários para a coletividade trabalhadora.

Curiosamente o roubo de propriedade acontece muito justamente no contexto capitalista. A própria Revolução Industrial capitalista originou-se nos cercamentos na Inglaterra, ou seja, o confisco de terras coletivas e sua transferência arbitrária e violenta para as mãos de empresários. E no contexto do neoliberalismo, as privatizações roubam patrimônio público muitas vezes usufruído sem tarifas e taxas de uso e o transferem para empresas particulares, que passam a cobrar diretamente pelo seu usufruto.

E mesmo a máxima neoliberal Imposto é roubo acaba sendo um tiro no pé dos próprios capitalistas: grande parte da receita dos impostos, em países como o Brasil, tem como destino o pagamento de credores da dívida pública nacional. No caso dos Estados Unidos, grande parte do imposto destinado aos gastos militares termina no caixa de empresas privadas de armamentos e tecnologia parceiras do Estado.

Isto é, indiretamente as empresas roubam dos cidadãos, mesmo de acordo com a lógica do fundamentalismo de mercado.

Isso sem falar na perda de propriedade doméstica para a criminalidade. O capitalismo, ao promover exclusão social, desencorajar a empatia e eliminar as esperanças por vida digna de muitas pessoas, torna o cenário social propício para o aumento dos roubos e furtos, como mostram pesquisas como esta de 2011.

E merece menção honrosa a grilagem de terras, que consiste, em parte, no roubo de pequenas propriedades, na destruição de aldeias indígenas, na devastação do meio ambiente por latifundiários e na inviabilização da obtenção de propriedades rurais pela maioria dos agricultores.

Ou seja, a propriedade privada doméstica tem muito mais chances de ser perdida no contexto do capitalismo do que na utopia comunista.


6. A divisão dos próprios bens por meio da “Economia Compartilhada”

“Os comunistas irão dividir sua casa e todos os seus bens”, diziam os conservadores contaminados pela propaganda anti-comunista da Guerra Fria. No fim, é no capitalismo que as pessoas, para conseguirem manter seu padrão de vida ou mesmo ter alguma renda para sobreviver, precisam dividir sua casa por meio do Airbnb e dividir seu carro por meio do Uber.

Robson Fernando de Souza
No Voyager
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Globo censura Globo e Neymar vai em cana!

Ele é o que temos de melhor!

Pai e filho, a cara do Brasil (da Globo) (Reprodução)
Saiu no Globo Overseas Investment BV:

Barcelona admite pagamento por Neymar antes de prazo permitido pela FIFA


O ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e seu sucessor Josep Maria Bartomeu admitiram à Justiça da Espanha que fizeram um pagamento de 10 milhões de euros em dezembro de 2011 como forma de assegurar a contratação de Neymar. De acordo com as regras da Fifa, o atacante, à época no Santos, só poderia firmar compromisso com outro clube nos últimos seis meses de seu contrato com a equipe paulista, que terminava em agosto de 2014 — isto é, mais de dois anos depois do adiantamento feito pelo Barcelona à empresa N&N Consultoria, administrada pelo pai do jogador.

Os áudios em que Rosell e Bartomeu admitem a operação têm como origem os depoimentos prestados por ambos ao juiz Pablo Ruz, entre 2014 e 2015, e foram obtidos e divulgados pelo “Globoesporte.com”. O Barcelona era investigado pelo Fisco espanhol por evasão de divisas na contratação de Neymar, que teria se concretizado por um valor superior ao divulgado oficialmente devido a acordos paralelos feitos pelo clube catalão com o Santos e representantes do jogador. O caso foi encerrado no fim de 2016 por meio de um acordo, em que o Barcelona se comprometeu a pagar 6 milhões de euros em multa e compensação financeira.



Em processo distinto, movido pelo Santos através da Fifa, o clube paulista acusa o Barcelona de aliciamento na contratação de Neymar. Nos áudios, Rosell declara ao juiz que o próprio pai do jogador, Neymar da Silva Santos, negociou o pagamento de um “sinal” por parte do clube catalão, em 2011, para garantir que Neymar não assinaria com outros clubes europeus que buscavam sua contratação à época.

— Havia outros clubes com outras cifras. Então, quando voltamos a acertar por 40 milhões de euros (o custo total da negociação) o pai de Neymar me disse: “Isto é o sinal?”. E então eu lhe disse: “Muito bem, quanto quer de sinal?”. “Quero 10 [milhões de euros]”. “Pois te daremos o sinal de 10”. Sorte que ele me pediu, senão eu teria oferecido. Eu teria dito: “Veja, não quer nada adiantado?” — disse Rosell.

‘EMPRÉSTIMO’ SEM GARANTIAS

Rosell tenta descrever o adiantamento como um “empréstimo” feito pelo Barcelona à N&N Consultoria. O juiz Pablo Ruz, contudo, cita que o pagamento entrou no balanço de 2011 do clube catalão como “intangível imobilizado desportivo”, termo usado para compra de direitos de atletas. Além disso, o Barcelona não pediu garantias financeiras à N&N para fazer o pagamento, procedimento que seria comum em uma operação padrão de empréstimo. O próprio Rosell, em dado momento da audiência com o juiz Ruz, admite que havia preocupação de evitar que o adiantamento feito pelo Barcelona à empresa administrada pelo pai do Neymar fosse interpretado como aliciamento.

— Havia a preocupação óbvia (do pai de Neymar) de que saberiam que seu filho havia assinado com um clube e que tinha chegado a um acordo para a transferência do jogador dois anos antes de ir. Dissemos: “Tentaremos ser os mais prudentes e cautelosos que pudermos” — declarou Rosell.

Bartomeu, por sua vez, deixa ainda mais clara a natureza do adiantamento dado pelo Barcelona, em seu depoimento prestado em 2015 ao juiz Pablo Ruz:

— É um contrato um pouco para amarrar o jogador. No momento que ficasse livre do Santos, viesse jogar no Barcelona. No fundo, é um contrato para amarrar. É um contrato como se fosse... não um pagamento antecipado, mas quase-quase um pagamento antecipado para assegurar que ele não fosse para outro clube — declarou o sucessor de Rosell na presidência do Barça.
Trata-se de um caso interessante de "jornalismo de prestidigitação".

A SporTV é uma empresa da Globo.
O Globo também.
Mas, o Globo censurou a SporTV.

Ao dar o furo da nova gravação incriminatória, a SporTV, ontem, 5 de janeiro, apresentou o áudio com a preciosa informação: isso dá cana!

Ou seja, com as novas provas, o Neymar pode ir para atrás das grades espanholas!

Por que o Globo se censura?

Porque o narciso-marqueteiro Neymar é um sub-produto da Globo.

Durante algum tempo, ele "segurou" a audiência do Brasileirinho da Globo, que está, como a Globo, em fase de obesidade mórbida.

Além disso, Neymar é o que temos de melhor!

É a cara e a alma do brasileiro, como os heróis das novelas da Globo.

Ele é um desses atletas-empresários que transformaram o futebol mundial num dos braços mais rentáveis do neolibelismo (não perca "a corrupçao que o Moro não vê").

Corrupção de que a Globo, aqui, é uma das beneficiárias, com o controle da CBF e da FIFA local.

Até prova em contrário, o Neymar é intocável.

E desde já deve ter prometido uma entrevista exclusiva ao Galvão, na Espanha - atrás das grades.

PHA

No CAf
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Os ataques sofridos em escala internacional pelas empresas líderes da engenharia brasileira: uma análise por esquerda


Existe uma diferença gritante entre “teoria da conspiração” e prática conspiratória. Entendo que bastam algumas observações pontuais para fazer a lógica da obviedade.

O texto que segue tem as devidas ponderações legais, por isso a cautela necessária. Vale observar que ao reconhecer que houve participação do Império no golpe no Brasil, não me alinho ao lulismo, tampouco a condenáveis práticas empresariais, menos ainda ao 'batismo nos contratos' como prática regular brasileira e nem nego a condição de que agentes nacionais (domésticos) possam aplicar golpes e também contra golpes. A conspiração que vem de cima encontra eco ou não, é bem sucedida ou não, de acordo com cada sociedade e seus agentes coletivos nacionais. Infelizmente, no Brasil, o golpe aplicado pelo BraZil deu certo (para eles). Vamos aos pontos.

1) Existem pessoas com certo prestígio cibernético alegando que há uma teoria da conspiração na internet brasileira em relação a participação dos EUA no golpe parlamentar que derrubou o governo reeleito de Dilma Rousseff. Os Estados Unidos, embora correspondam a 12% de nossa balança comercial — perdendo em quase o dobro para os 21% de volume de trocas com a China tem plenas condições de exercer hegemonia e projeção de poder em termos ideológico-culturais, institucionais, militares e financeiros sobre toda a América Latina, o Brasil incluído.

2) A modalidade de participação dos EUA no golpe do Brasil — ou a suposta participação uma vez que os elementos cabais e probatórios estão em documentação sigilosa no Departamento de Estado do Império — seria a de LAWFARE. Esta é uma modalidade onde o emprego de acordos de cooperação e convênios entre órgãos jurídico-policiais-investigativos implicam em uma facilidade de investigação e punição para os alvos domésticos, mas cujas informações centrais são devidamente selecionadas através da vantagem estratégica que os EUA detêm através de sistemas de monitoramento e espionagem como o PRISM. Negar isso é praticamente negar a vigilância sobre a internet e o novo Complexo Industrial-Militar, balizado pelo Ato Patriótico assinado por Bush Jr e em nada modificado pelo governo Obama.

3) Tivemos — temos — evidências de efeitos dos acordos de cooperação tendo o conglomerado da Odebrecht como alvo de investigação e punição em escala mundo. Assim, perdem-se contratos e espaços no Sistema Internacional (SI), setores de difícil acesso e penetração, cuja entrada de capitais brasileiros só pode ser viabilizada através da aliança entre as campeãs nacionais (incluindo a super campeã Odebrecht),o banco de fomento (BNDES) e um governo de centro mas minimamente nacionalista (os do lulismo). Um país da semi-periferia como o Brasil não pode ser visto como candidato a potência média sem imediatamente gerar hostilidade aos EUA — por tabela, não importa o quão 'bem comportado' fora o período de Lula e também o de Dilma no Planalto, à exceção do acertado protesto após o escândalo das denúncias de Snowden.

4) A guarda baixa e a vigilância ausente — por parte das autoridades de Estado brasileiras — teve seu momento de porteira aberta quando do Projeto Pontes, em mega conferência realizada de 4 a 9 de outubro no Rio de Janeiro. Esta Conferência teve amplo alcance dentro do aparelho de Estado brasileiro, em especial na criação da Força Tarefa da Lava Jato aliás, conforme recomendado no próprio link difundido pela própria correspondência diplomática difundida pelo Wikileaks. Detalhe: o Projeto Pontes teve início em fevereiro de 2009 segundo o Departamento de Estado dos EUA. Ou seja, seu desenvolvimento se deu quando o titular da pasta da Justiça era Tarso Genro; revelando que para além das abundantes críticas ao então ministro, a inteligência brasileira e a defesa do Estado eram incapazes para suas atividades-fim.

Desmontando os conglomerados econômicos relevantes no Brasil e imediatamente diminuindo o poder do Brasil no Sistema Internacional (SI)

Vamos entender as obviedades. As maiores empresas de construção pesada, a indústria naval e os conglomerados econômicos complexos do Brasil estão parados. Poderíamos pensar que interromper as obras e suspender os contratos é um ato de Justiça, em função da corrupção endêmica nos contratos “batizados” através de diretores técnicos de carreira e suas indicações políticas. Mas a evidência é oposta. A União poderia decretar a intervenção nas empresas, poderíamos haver tentado aprovar leis que favorecessem o controle — ou maior controle — dos trabalhadores das grandes empresas em suas rotinas produtivas e assegurar a manutenção dos empregos através da sequência das obras e encomendas. Deu-se exatamente o oposto conforme explicado no bom texto de Emanuel Cancella, enviado aos mais poderosos veículos de mídia brasileira e jamais publicado.

Acordos de delação de testemunhas-chave brasileiras nos EUA supostamente estariam acontecendo com intermediação informal da Lava Jato

O tema é recorrente, mas através das gravações das audiências presididas pelo juiz de 1ª instância federal Sérgio Moro, é possível se dar conta da profundidade do problema. Em bom artigo publicado em O Cafezinho (ver http://migre.me/vOb0e) a sequência de fatos inequívocos é recordada. Ao mesmo tempo, constata-se que o Estadão (O Estado de São Paulo) admite a possibilidade da existência de cooperação informal de membros da Força Tarefa, e em assim sendo, totalmente ilegal. Como já vimos tanto neste site como com este analista que escreve, os acordos de cooperação judicial com outros países precisam ser rigidamente coordenados por uma Autoridade Central. Esta, pela lei brasileira, seria o Ministério da Justiça (MJ) e não a Procuradoria Geral da República (PGR) através de sua Secretaria de Cooperação Internacional (SCI). Acontece uma situação ainda mais drástica, pois nem o decreto presidencial 3810/2001 foi formalmente alterado como tampouco procuradores, magistrados, delegados e auditores federais têm autorização formal para coordenar esforços com seus pares e colegas de outro país. Menos ainda se tais colegas pertencerem aos quadros da superpotência do planeta, com vantagem estratégica sobre todas as demais, e projeção de poder absoluta na América Latina, cujo pivô geopolítico é o Brasil. Tal cooperação informal seria a evidência de um Estado Paralelo no Brasil?

Estado Paralelo? Qual o tamanho da internalização de interesses?

A segurança nacional estaria sendo ameaçada pelo Estado Paralelo, algo evidenciado pela ida do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, em fevereiro de 2015, aos EUA. Na ocasião, Janot foi entregar pessoalmente documentação sigilosa e sensível para os interesses do Brasil. Segundo o portal da Exame Janot visitara ainda sob o governo Dilma no segundo mandato, o Banco Mundial, a OEA e com Leslie Caldwell, o titular da Divisão Criminal do Departamento de Justiça (DoJ, equivalente ao MJ dos EUA). Ainda segundo a publicação do Grupo Abril, o então titular da PGR viajou aos EUA acompanhado de procuradores e peritos que investigaram as possibilidades de propinas em contratos com a Petrobrás ou obras brasileiras financiadas por nosso banco de fomento por mais de uma década.

“A agenda de colaboração do ‘Estado paralelo’ já estava a pleno vapor em 2015, quando o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, encontrou-se com Leslie Caldwell, procuradora-adjunta da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos EUA. Até ser indicada ao cargo pelo presidente Obama, em 2014, Leslie Caldwell havia sido sócia do escritório Morgan Lewis de Nova York, especializado em contenciosos no setor de energia, especialmente nuclear.

Na sequência do encontro nos Estados Unidos, a Operação Lava Jato desviou do alvo central, a Petrobras, e apontou para a Eletronuclear, deflagrando a “Operação Radioatividade”, com objetivo de investigar suspeitas na área nuclear. Em 2 de abril de 2015, dois meses após a visita de Janot aos EUA, o almirante Othon Luiz Pereira da Silva foi denunciado, preso e condenado a 43 anos de prisão — na prática, prisão perpétua, considerando a idade avançada do militar.”

Os EUA contra a engenharia brasileira. A ação estratégica de minar internamente as capacidades instaladas e com possibilidades de avanço no rumo de um excedente de poder

Uma das tarefas permanentes de uma potência hegemônica é de preservar, assegurar e ampliar sua condição de exercício de hegemonia. Para tal, o hegemon, ou a Superpotência — já que a única realmente existente é os Estados Unidos — trabalha com uma lógica de antecipação, usando suas vantagens competitivas em relação a supostos rivais. Tal rivalidade não está diretamente relacionada a um discurso anti-imperialista no Brasil (sendo sincero, quem dera que este existisse) ou ao ‘bom comportamento’ do Estado brasileiro como operador diplomático de primeira grandeza e central na solução de controvérsias em organismos internacionais. O que entra no cálculo permanente são as capacidades exercidas e já instaladas, e as potencialidades que podem vir a existir. Como ativo na competição mundializada, está a complexa engenharia pesada brasileira, cujos conglomerados econômicos têm uma relação umbilical com o aparelho de Estado (como ocorre em escala mundo com todos os países poderosos) e podem avançar seus empreendimentos para cadeias de valor sensíveis, como o beneficiamento de urânio.

O rigor advindo das punições para a Odebrecht ocorridos nas Justiças de EUA e Suíça, não encontram eco nas penas executadas contra os maiores conglomerados de capital estadunidense em qualquer setor da economia. Como diz o ditado gringo: “too big to fail, too big to jail!”. Se algum leitor ou leitora considerar exagero sugiro uma breve leitura nestes dois portais — corporatewtach.org e corporatecrimereporter.com. Se me permitem o neologismo macabro, “compliance é lenga lenga para os mais fracos”. Para reforçar o argumento, trago este trecho do excelente texto de Mauro Santayana “Nota de falecimento: a engenharia brasileira está morta”.

“Leniente com suas próprias companhias, que não pagam mais do que algumas dezenas de milhões de dólares em multa, os Estados Unidos costumam ser muito mais duros com as empresas estrangeiras.

Tanto é que da lista de maiores punições de empresas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por corrupção em terceiros países — incluídos alguns como Rússia, que os Estados Unidos não querem que avancem com apoio de grupos europeus como a Siemens — não consta nenhuma grande empresa norte-americana de caráter estratégico.

A Lockheed Martin e a Halliburton, por exemplo, pagaram apenas uma fração do que está sendo imposto como punição, agora, à Odebrecht brasileira, responsável pela construção do nosso submarino atômico e do míssil ar-ar da Aeronáutica, entre outros projetos, que deverá desembolsar, junto com a sua subsidiária Braskem, uma multa de mais de R$ 7 bilhões, a mais alta já estabelecida pelo órgão regulador norte-americano contra uma empresa norte-americana ou estrangeira.”

Síntese conclusiva teórico-analítica

Entendo que a exposição de argumentos e motivos já está mais que suficiente, demonstrando mesmo a uma hipotética audiência leitora não treinada, as possibilidades concretas do acionar dos EUA tendo como alvo os conglomerados econômicos cuja cadeia de valor central foca na engenharia pesada. Não por acaso, este oligopólio nacional — controlado por famílias e acionistas majoritários, além de financiados pelos megacontratos com a Petrobrás ou através do BNDES —– é um ativo central na criação e projeção de excedentes de poder do Brasil para o Sistema Internacional. Tal posição estratégica no ambiente externo e interno, não modifica a natureza destes conglomerados e tampouco dos intermediários políticos profissionais. Assim, simplesmente não estamos negando a existência de corrupção, ou mesmo de corrupção estrutural. Afirmamos sim que para a Superpotência, as acusações de práticas empresariais criminosas são um recurso de guerra, uma arma com emprego tático, assim como o uso da força ou da espionagem. Logo, o alvo estratégico da relação EUA com os frutos das delações da Lava Jato, é o desmonte da Petrobrás e das empresas de engenharia complexa operando a partir do Brasil.

Assim, são duas rodadas simultâneas no meu ponto de vista. Uma, é em escala mundo, onde os Estados capitalistas apostam em suas TNCs e suas áreas de expertise. Nisso os EUA atacam. Outra rodada, interna, pode ocorrer quando o oligopólio local se reposiciona (caso isso ocorra em definitivo), e, em última instância, aceita a quebra da reserva de mercado, os acionistas majoritários vendem seus ativos e financeirizam seus lucros. Entendo que estamos vendo isso ocorrer hoje com as maiores das empreiteiras. Não se trata de uma defesa de classe, e sim de um ataque capitalista contra outra estrutura capitalista de menor envergadura. Por ser de menor envergadura, o oligopólio da engenharia pesada e complexa brasileira se enfraquece e perdemos tanto posições no SI como empregos diretos no país.

Bruno Lima Rocha, professor de ciência política e de relações internacionais
No IHU
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Deputado autor de projeto de lei anti masturbação fez sucesso com música sobre sexo

Aguiar nos tempos em que não perseguia onanistas
O deputado federal Marcelo Aguiar (DEM/SP), da bancada evangélica, é autor de projeto de lei que prevê um “filtro” para que conteúdos pornográficos tenham transmissão interrompida nos celulares.

“Estudos atualizados informam um aumento no número de viciados em conteúdo pornô e na masturbação devido ao fácil acesso pela internet e à privacidade que celular e o tablet proporcionam”, diz ele.

Nos anos 90, Marcelo era artista protosertanejo, usava mullet e cantava “Não Dá Pra Fazer Amor Sem Ter Você”, um mela-cueca cuja letra fala o seguinte:

“Não dá pra continuar sofrendo assim/Não dá, não dá/Não dá pra continuar vivendo assim/Não dá, não não dá/Não dá pra levar a vida sem você/Não dá, não dá/Não dá pra fazer amor sem ter você/Não dá, não não dá”.

Não dá, Marcelo.



Kiko Nogueira
No DCM
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Cisão PT - PDT: Corrupções (Parte 6/11)



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Repetições da História: Tragédias e Farsas


“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, escreveu Karl Marx no livro “Dezoito Brumário de Louis Bonaparte”, em 1852. Estudamos História para iluminar o entendimento do presente ou para nos servir como guia a seguir no futuro desconhecido?

A heurística — a arte de inventar ou fazer descobertas — mostra que as pessoas fazem seus julgamentos baseadas na similaridade entre situações atuais e outras situações vividas ou protótipos daquelas situações. Essa ligação heurística conduz-nos a acreditar que novo evento “parece igual” a alguma experiência prévia e confundir “aparência” e “realidade”. Porém, “semelhança com a verdade não é o mesmo que a verdade”…

Por exemplo, o populista de direita, Jânio Quadros, era avesso a partidos. Elegeu-se como deputado estadual, deputado federal, prefeito da capital paulista e governador estadual e presidente da República por coalizões improvisadas, sem se ater a nenhuma agremiação, sem ligar para nenhuma ideologia política. Confiava mais no instinto e no talento cênico. Seus discursos giravam em torno de dois temas de eterno apelo eleitoral: o combate à corrupção e a má qualidade da gestão pública. Ele cultivava a imagem de administrador incorruptível, ou seja, o que o moralismo inculcado como fosse a única “regra do jogo” a ser seguida por todos os políticos. Há eleitor que só cobra isso.

Na campanha para presidente, Jânio se apresentou como o candidato solitário contra a coligação de partidos poderosos, o defensor dos interesses dos mais pobres: transporte coletivo, escolas, hospitais. Na prática presidencial, obedecia apenas ao instinto populista, ocupando-se de assuntos desproporcionais à importância do cargo que exercia. Não descentralizava o Poder Executivo para se cuidar de “detalhes”. Combinou iniciativas simpáticas à esquerda — como a condecoração a Che Guevara — com medidas simpáticas aos conservadores moralistas — como o aumento do horário de expediente do funcionalismo e a proibição do lança-perfume, do desfile de maiô nos concursos de miss, da briga de galos, e das corridas de cavalos em dias úteis!

Ao renunciar, subitamente, imaginava ter cacife para pedir um voto de confiança à sua permanência no Poder. No entanto, já tinha brigado com quase todos os parlamentares e políticos aliados. Jânio sabia que Jango Goulart, herdeiro do getulismo, seria inaceitável para a casta dos guerreiros. Imaginou que os militares, os governadores e, principalmente, o povo, iriam às ruas para chamá-lo de volta ao Palácio. Ele aceitaria, mas com a condição de poder governar sem muita interferência do Congresso e dos partidos. (In)felizmente, ninguém pediu que ele voltasse…

Diante do risco de guerra civil, políticos mais sensatos trataram de costurar um acordo de conciliação: Jango assumiu, mas o poder da presidência foi diluído com a implantação do regime parlamentarista. O próprio presidente rompeu o acordo no ano seguinte. Antecipou o plebiscito sobre o sistema de governo, que só deveria ocorrer em 1965, e venceu facilmente. Trinta anos depois (1993), o parlamentarismo foi novamente rejeitado em novo plebiscito. O povo brasileiro não confia em parlamentares.

Depois de ficar isolado à direita e à esquerda, Jango enveredou por uma desastrada estratégia populista no fim de seu período no poder. Decidiu passar por cima da política convencional e falar diretamente ao povo, prometendo lançar o governo na campanha pelas reformas de base: reforma agrária, urbana, tributária, educacional, bancária, administrativa, a estatização das refinarias de petróleo e o controle da remessa de lucro das multinacionais. Buscava ocupar a liderança do movimento nacional-reformista. 

Uma atitude conciliadora teria lhe permitido completar o mandato?

Provavelmente não, dados os ódios e ressentimentos da casta dos militares a fermentar desde a Era de Getúlio Vargas. As famílias Goulart e Vargas eram vizinhas e amigas em São Borja, no Rio Grande do Sul. Ao retornar à presidência pelo voto direto em 1951, Getúlio levou o jovem Goulart, então com 32 anos, para o governo. O critério brasileiro do Homem Cordial na escolha afetiva de “alguém da cozinha do Palácio” para ser seu sucessor foi adotado por Getúlio, assim como Lula o adotou na escolha da Dilma como sucessora.

O vice-presidente em exercício, José Sarney, foi taxativo na primeira reunião ministerial da Nova República, em março de 1985: “é proibido gastar”. Ele leu o discurso que o presidente eleito indiretamente (contra Paulo Maluf) pelo Colégio Eleitoral, Tancredo Neves, ditara ao sobrinho Francisco Dornelles, uma típica escolha de clã dos Neves.

Em 1989, havia três décadas que os eleitores brasileiros — de outra geração que desconhecia o passado — não elegiam um presidente por voto direto. O último fora Jânio Quadros, em 1960. Duas décadas de ditadura militar e mais o impopular governo José Sarney, com a politicagem explícita do PMDB oligárquico, a corrupção e a hiperinflação, ajudaram a reforçar a aversão popular aos políticos mesquinhos e personalistas. 

Collor se apresentou como um “estranho no ninho” da política tradicional e “sem rabo preso” com os partidos. O candidato batia em Sarney e corriola como o povo desejava. Escondeu que era herdeiro de uma dinastia política da oligarquia alagoana — um típico playboy das “carteiradas” usuais entre os “filhos do poder”. Collor desfraldou a bandeira do combate aos altos salários de servidores públicos e criou sua persona política: “o caçador de marajás”. Assustou o eleitor alienado com o suposto esquerdismo do PT e ganhou a eleição contra Lula. O presidente corrupto teria provavelmente se safado se as desavenças dentro do clã Collor não tivessem transbordado para a imprensa.

Estelionato Eleitoral, também conhecido como “giro político”, é um conceito da Ciência Política utilizado para descrever os casos de candidatos eleitos com uma plataforma ideológica que, após a eleição, adotam um programa ideológico contrário. Um membro da casta dos sábios-intelectuais, FHC, o cometeu no inicio do segundo mandato, dando uma reviravolta na política cambial e provocando um choque inflacionário a ser combatido com elevadíssima taxa de juro para gozo dos rentistas e desemprego dos trabalhadores. O povo ainda sofreu com o apagão elétrico, proveniente da ideologia neoliberal do não planejamento estatal: “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”…

Dilma, que compartilhava os valores da casta dos sábios-tecnocratas — educação e especialização —, composta por administradores e técnicos, transparecia também a presunção arrogante típica dos especialistas face aos políticos profissionais. Já os membros da casta dos mercadores-financistas, como Joaquim Levy e Henrique Meirelles, provocam a instabilidade econômica e a elevação das desigualdades. Lula compartilha com a casta dos trabalhadores organizados o espírito corporativista que exclui “os de fora” — e provoca ódio dos excluídos politicamente. Estes atiçam a casta dos guerreiros-policiais com suas guerras intermináveis por honra e vingança. A casta dos aristocratas do Poder Judiciário, que ocupam cargos quase vitalícios, tem como valor supremo o paternalismo protetor em relação ao povo imaturo. Eles cultivam a diferença e o respeito mais a si mesmo do que à “justiça cega” não discriminativa.

Errar é humano, repetir erro é estupidez. Segundo Kant, a autonomia do indivíduo pressupunha a submissão da sua vontade à Razão, e não a qualquer Moral reapresentada como farsa. Os eleitores brasileiros tiveram oportunidades históricas de amadurecer, politicamente, ganhando autonomia, isto é, não se deixando enganar e governar pelas farsas moralistas? O candidato engambela, facilmente, os eleitores assumindo rótulo de não-político, gestor, caçador de marajá, incorruptível. Para não se iludir, novamente, os eleitores necessitam rever a história recente e se lembrar de quando eram felizes (2003-2014) … e não sabiam”.

Fernando Nogueira Costa, Economista. Professor Titular do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/Unicamp)

No Rogério Cerqueira Leite
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Proposta de controle popular sobre meios desata polêmica na Itália


A proposta do líder do Movimento 5 Estrelas, Beppe Grillo, de submeter a julgamento popular a veracidade das informações publicadas pelos meios tradicionais de comunicação de massa, desatou ontem (4 de janeiro)  uma intensa polêmica.

O comediante e dirigente político lançou a iniciativa em um artigo publicado na véspera em seu blog pessoal, no qual reitera as críticas contra quem, em dias recentes, se pronunciaram a favor de um maior controle sobre os conteúdos falsos difundidos em Internet.

‘Os jornais e os telenoticiários são os primeiros fabricantes de notícias falsas no país com o objetivo de manter no poder aqueles que eles querem. São suas notícias as que devem ser controladas’, assinala o texto.

Proponho — diz — não um tribunal governamental, senão um júri popular que determine a veracidade das notícias publicadas pelos meios. Cidadãos escolhidos à sorte a quem se submeta os artigos dos jornais e os serviços dos telenoticiários.

Faz alguns dias, Grillo fustigou duramente ao presidente da entidade Antitrust (Autoridade de garantia da participação e do mercado), Giovanni Pitruzella, que em uma entrevista com o Financial Times se pronunciou a favor da criação de uma rede de agências públicas dos países membros da União Europeia, para enfrentar a publicação de conteúdos falsos nos sites.

A proposta do líder do M5E foi recusada pela Federação Nacional da Imprensa Italiana, que a qualificou de uma tentativa de linchamento midiático generalizado, e o senador do dirigente Partido Democrático, Stefano Esposito, que através de sua conta em uma das redes sociais acusou Grillo de estar perdendo a cabeça.

Por sua vez, o jornalista e diretor do Tele Noticiário A7, Enrico Mentana, anunciou que se discutirá contra o dirigente político diante dos tribunais de justiça, porque ‘fabricantes de notícias falsas é uma ofensa irreparável a todos os trabalhadores das tele noticias que dirijo e que tenho a responsabilidade diante da lei’.

No Desacato
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Temer 171 (111 Carandiru + 60 Manaus)



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Empatia

“Empatia”, nos diz o dicionário, é a capacidade de sentir o que sentiria na situação ou nas circunstâncias experimentadas por outro. Ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente, um requisito não só para a solidariedade e a caridade, mas para a vida civilizada. Há situações refratárias à empatia que, por mais que você tente, não consegue imaginar. Você pode se imaginar preso, mas não consegue imaginar, por ser tão distante das suas expectativas, estar numa cela em que cabem cinco, com 15 — ou mais. O sistema carcerário brasileiro é um escândalo que atravessa os tempos e os governos e só se agrava. O ódio e a revolta nutridos pela condição desumana das cadeias superlotadas explodem, como nesse horror em Manaus, ultrapassam o nosso imaginário e destroçam qualquer tentativa de empatia.

A empatia falta porque não temos como experimentar o monstruoso, mas também falta em quem tem a responsabilidade de enfrentá-lo, e diminuir o escândalo. Nossa empatia com o que sofrem os apenados vai até a selvageria de Manaus e do Carandiru, depois entramos no território do inimaginável, onde a empatia não alcança. Já o descaso de sucessivos governos com a desumanidade das nossas prisões, o outro nome da falta de empatia, é criminoso. Tanto a nossa falta de empatia quanto o descaso das autoridades, que gera o horror, vem do nosso passado escravocrata, do tempo da chibata. Persiste um sentimento não declarado, mas evidente, de que criminoso tem que sofrer mesmo, que condições mais humanas nos cárceres são um luxo imerecido. Vale lembrar que os policiais acusados pelas mortes no Carandiru foram absolvidos. 

Em Manaus, duas facções se enfrentaram ferozmente, e os perdedores foram mortos e, em muitos casos, desmembrados. Você lê a notícia terrível e tenta pensar em algum alento. Eram bichos, não eram homens. Não tenho nada a ver com eles. Somos de raças diferentes, vivemos em países diferentes. Mas o consolo não funciona. Sou da raça dos responsáveis pelo que eles se tornaram. Vivemos no mesmo país, mas não há nada que eu possa oferecer aos meus conterrâneos. Nem minha empatia.

Luís Fernando Veríssimo
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A indiferença é a origem do massacre em Manaus

O país todo está horrorizado. Discute se a culpa é do Judiciário ou dos governos, dos políticos ou da legislação penal e, claro, das garras da corrupção sobre as verbas do sistema carcerário. A discussão é fácil e aliviante: cada uma daquelas partes colaborou nos movimentos dos facões que degolaram e esquartejaram em Manaus. Mas o país deveria horrorizar-se antes, em qualquer das dezenas de anos do seu conhecimento e da sua indiferença pelas condições — criminosas tanto nas leis brasileiras como nos acordos internacionais — a que os encarcerados são aqui submetidos. Não o fez jamais.

Aquelas quotas de responsabilidade e o massacre em Manaus provêm da mesma origem: a indiferença que faz com que reações como o horror sejam o reflexo do incômodo, pessoal e grupal, que dado acontecimento provoque, e não a revolta ativa contra o acontecimento e sua viabilidade. Desviadas as atenções para outra atração, o horror desaparece devorado pela indiferença. É a índole brasileira em atividade.

A grande maioria das sentenças a encarceramento não leva ao que o juiz determina — privação da liberdade por tempo determinado.

O mais importante da condenação não aparece na sentença: é o tratamento que o encarcerado receberá. A tortura da promiscuidade nojenta nos cárceres superlotados, comida e dejetos humanos unidos no odor e no ambiente, medo e alucinação. É tortura sob formas a que as instituições brasileiras são secularmente indiferentes.

Aquelas mesmas que, originadas na escravidão aqui mantida até o último limite, transpuseram-se para as relações econômicas, sociais e culturais da classe escravagista e seus novos subjugados — os ex-escravos abandonados no tempo e no espaço, acrescidos da miséria cabocla. Qualquer cidade é um atestado vivo de que o Brasil não teve mudança essencial com o fim formal da escravidão.

Dos 622 mil encarcerados, mais de 40%, ou cerca de assombrosos 250 mil, estão sob prisão "provisória" há meses, há anos, que deveriam durar 30 dias, se tanto. Ou nem isso, porque esses "provisórios", se e quando afinal chegam ao julgamento, na maioria são absolvidos.

Logo, nem sequer precisariam ou deveriam passar por prisão provisória. No Amazonas, dos 4.400 encarcerados, 2.880, ou 66%, são presos "provisórios". Não menos expressivo da secular e perversa indiferença brasileira: cerca de metade dos sentenciados à cadeia não cometeu crime violento. Ao menos parte, portanto, e o provável é que grande parte, conforme o Direito Penal menos obsoleto, deveria cumprir penas alternativas, sem chegar ao cárcere.

A maioria dos "especialistas", além da superficialidade que sobrevive a todos os massacres e incidentes penitenciários, continua a reclamar por mais cárceres, considerando uma carência de 240 mil a 250 mil vagas. Melhor seria passar por um crivo os 250 mil presos "provisórios" e os passíveis de penas alternativas. O resultado provável é que o número de cárceres não é o problema nem a solução propalados.

A oferta de incentivo, ensino e trabalho talvez lhes pareça, afinal, a melhor maneira de inverter o avanço permanente da disponibilidade de crianças e jovens para a marginalidade, vestibular do crime.

O oposto à política econômica e social do governo Temer.

Janio de Freitas
No fAlha
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