4 de jan de 2017

Será mesmo que a esquerda está morrendo? A História responde a essa questão

Ronald Reagan montado num velociraptor
É estritamente natural que a supremacia de um lado provoque uma reação no oposto (a Terceira Lei de Newton está aí para não me deixar mentir).

E no espectro político não poderia ser diferente…

Benito Mussolini e Adolf Hitler
tentaram frear o avanço do socialismo
soviético na Europa.
Em 1917, quando a Revolução Bolchevique triunfou na União Soviética, como resposta nasce o fascismo na Itália, em 1922 e, por conseguinte, o nazismo na Alemanha, em 1933.

Pouco depois dos guerrilheiros do Movimento 26 de Julho (M-26-7) realizarem a Revolução Cubana — que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista — proclamando a independência de Cuba em face dos EUA, o imperialismo estadunidense deu início a uma série de destituições de governos progressistas na América do Sul. Seguindo tendência já acolhida no Paraguai, ditadores militares assumiram os lugares de João Goulart (Brasil), Arturo Illia (Argentina), Víctor Paz Estenssoro (Bolívia) e Salvador Allende (Chile). Tais tiranias proliferaram até o Uruguai, perdurando-se até o início dos anos 90, na qualidade de aliados na luta contra o comunismo.

Após o fracasso desse modelo ditatorial, uma onda progressista tomou a América Latina a partir de 1999. Hugo Chávez (Venezuela) e Fidel Castro (Cuba) contaram com a coadjuvação de Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Daniel Ortega (Nicarágua) para constituírem a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (ALBA), na qual, posteriormente alinharam-se: o casal Kirschner (Argentina); Fernando Lugo (Paraguai); Lula e Dilma Rousseff (Brasil); Tabaré Vázquez e Pepe Mujica (Uruguai); Michelle Bachelet (Chile), Mauricio Funes (El Salvador) e Manuel Zelaya (Honduras).

Hoje, a onda conservadora que nos assola é, justamente, o reflexo dessa “década dourada da esquerda”, a qual representou uma “ameaça vermelha” para o lado avesso do espectro político. Em 2009, o presidente hondurenho Zelaya já tinha sido tirado à força de sua casa e deportado à Costa Rica. Mais recentemente, em 2012, menos de 48 horas foram necessárias para o congresso paraguaio votar pelo impeachment relâmpago de Lugo. Ambos casos remetem à queda de Dilma no Brasil, pois todos eles culminaram na instalação de governos neoliberais em comutação, rumo ao que já havia sido tomado pela Argentina com a eleição de Mauricio Macri, porém via pleito democrático — processo distinto ao dos demais episódios.


Logo, conclui-se que a ideologia do medo e a demonização do outro (frequentes nos dias atuais) foram responsáveis por fomentar o ódio da polarização política que deu origem ao embrião dos regimes mais nefastos da história. Portanto, toda cautela nesse momento é pouca, para evitar que, mais uma vez, o futuro repita um sombrio passado.

Atualmente, também vem sendo bastante disseminada a tese de que a eleição de Donald Trump nos EUA é fruto dessa derrocada “esquerdista”. No entanto, essa hipótese desconsidera o discurso protecionista do republicano, o qual demonstra que sua vitória representa, na verdade, o mal-estar causado pela globalização e pelo neoliberalismo.

Ademais, a propensão de Trump pela provocação pode fazer o movimento progressista renascer na região. Pois, se o futuro presidente estadunidense tentar restaurar uma estratégia hegemônica na América Latina, com um tom e estilo agressivos, uma nova reação será instigada no território, não apenas nos países de esquerda, e isso pode levar ao surgimento de novos líderes socialistas, sociais-democratas e desenvolvimentistas no continente. O presidente equatoriano Rafael Correa considerou em outubro que a chegada de Trump seria “melhor para a América Latina”, lembrando que a rejeição à administração de George Bush permitiu “a chegada de governos progressistas” durante seu mandato (2001-2009).

De fato, dois fatores foram determinantes para esse recente enfraquecimento da esquerda: a queda dos preços das commodities que sustentaram esses governos e o recorrente desejo instintivo de mudança. Essa é a realidade. No mais, transições fazem parte de processos naturais e também da alternância de poder da democracia representativa. A história funciona dentro de ciclos e constantes transformações.

Fontes:

• AFP – Esquerda latina derrotada encara o futuro sem Fidel e com Trump

• UFG – Populismo e neopopulismo na América Latina: o seu legado nos partidos e na cultura política

• UFJF – O Neopopulismo na América do Sul

• Revista Espaço Acadêmico –  Sobre Chávez, Morales e Obrador.


• UFRGS – Populismo e neopopulismo na América Latina: o seu legado nos partidos e na cultura política

Luan Toja
No Voyager
Leia Mais ►

Cisão PT - PDT: Globo (Parte 5/11)



Veja também:

Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4Parte 6Parte 7 — Parte 8 — Parte 9 — Parte 10 — Parte 11
Leia Mais ►

Fernando Haddad: tranquilão, mas na briga

Haddad deixa a prefeitura de São Paulo com reconhecimento internacional e preocupado em fazer parte da construção de um novo projeto nacional. Para ele, a formação de uma frente ampla tem de começar pelo programa


Ao deixar o comando da maior cidade do continente e a casa em ordem em um tempo de estados e municípios falidos, Fernando Haddad revela uma ponta de tristeza por não conseguir se reeleger. Para se completar um ciclo baseado num conceito humanizado de gestão, oito anos estariam de bom tamanho. “Em 2020, não estaríamos discutindo velocidade nas vias ou De Braços Abertos, seriam programas já consolidados”, acredita.

Mas ele próprio entende que as vitórias da esquerda na capital paulista “são pontos fora da curva”. ­Haddad lembra que mesmo com governos sob aprovação de até 80%, como os de Luiz Inácio Lula da Silva, seu partido, o PT, perdeu as eleições presidenciais de 2006, 2010 e 2014 na cidade. E pondera que o país não vive situação normal, depois de um período de mais de 10 anos de intenso ataque dirigido a demonizar a política, como um todo, e a ­esquerda em particular.

Apesar de sucedido por um conservador que vê a cidade como negócio, o agora ex-prefeito duvida que programas que caíram nas graças da população sejam desmontados, por constar de um planejamento “muito bem amarrado”. O Plano Diretor Estratégico, que rendeu à administração reconhecimento internacional e prêmios urbanísticos, pode ser ajustado, mas não desmontado, acredita. A disputa será mais no plano do simbólico do que conceitual, aposta Haddad, agora prestes a retomar carreira de professor de Ciência Política na Universidade de São Paulo.

Ele afirma que não tem ambições políticas pes­soais em seu horizonte e que seu compromisso é estar à disposição das forças progressistas para a construção de um programa para o país. “Quero colaborar para recompor uma condição que permita ao Brasil retomar o processo que foi começado em 2003. Crescemos de forma importante, mas o processo foi abortado e temos de encontrar um caminho de resgatar aquele projeto de um novo Brasil.”

A esquerda se afastou da população? Por exemplo, houve críticas à campanha de Marcelo Freixo (Psol) no Rio, porque muito se falou em desmilitarização da polícia, descriminalização das drogas, direitos humanos, e não se discutiu o que mais preocupa a população em geral, como saúde, tarifa de ônibus, emprego…

Existe esse risco. Se a gente não tiver atenção para aquilo que mais aflige a população, corre o risco de ter uma pauta setorial, que vai dialogar com nichos da sociedade, mas não vai dialogar com o todo. E o que o todo quer é viver num ambiente de prosperidade, que foi a marca do governo Lula.

O sr. disse algumas vezes que não se preocupava com a reeleição, e que importante é fazer o que tem de ser feito. Mas uma preocupação com a continuidade dos programas não seria uma postura republicana? Faltou preocupação com a política?

Olha, procurei alinhavar o desenvolvimento da cidade o quanto eu pude. Eu aprovei a reestruturação da dívida de uma maneira duradoura. São Paulo hoje está na melhor condição financeira dos últimos 20, 25 anos. Deixei o planejamento da cidade pensado até 2030, amarrei o desenvolvimento a um plano de longo prazo, que é o Plano Diretor Estratégico. E licitei o maior conjunto de obras da história da cidade. Muitas eu entreguei, outras estão em curso ou vão ser iniciadas, porque estão conveniadas com o governo federal. Do ponto de vista, tanto do PDE quanto dos planos setoriais, hospitais, UPAs, UBS, habitação, mobilidade, corredores, eu acho que está bem estruturado. Será difícil descontinuar. Acho que a descontinuidade vai ser mais no plano simbólico que no real.

Como no caso da marginal Tietê…

O trânsito da cidade se tornou muito mais civilizado, com corredores e faixas de ônibus, ciclovias, calçadas, diminuição de velocidade, transporte individual por aplicativo, carpooling. Organizamos uma série de coisas e está se discutindo a velocidade em duas vias. É mais simbólico do que real. Pega os programas sociais que eu desenvolvi. O único que está em disputa é o De Braços Abertos. Os outros nem se discute. Às vezes se discute a perfumaria para demarcar território no campo simbólico.

Mesmo passando de uma gestão que se propunha pensar em cidade humanizada para uma que pensa na cidade para os negócios?

Se a disputa simbólica se desdobrar em efeitos práticos e as pessoas não se verem mais como o centro da política, você pode ter um prejuízo civilizacional. Houve um ganho civilizacional importante na cidade de São Paulo. A cultura bombou, os espaços públicos, a apropriação das ruas. É muito simbólico colocar uma ciclovia na principal avenida da América Latina, fechar aos domingos, botar artista de rua, food truck, parklets. Vamos ver até aonde vai a coragem para desmontar essas coisas. E também até onde vai a disposição da cidade, de setores esclarecidos, em defender isso. Se houver essa disputa simbólica, acho que o lado republicano vai ganhar.

O Doria já sinalizou rever o Plano Diretor. E já há um histórico de quando a Marta aprovou Plano Diretor e não houve continuidade.

Eu conhecia as fragilidades e procurei prevenir desta vez. O Plano Diretor está muito bem amarrado. Vai ser pedreira mexer com ele. Foi elogiado pela ONU, teve repercussão internacional. O PDE de São Paulo foi premiado pelo site de urbanismo mais acessado do mundo, o ArchDaily. O representante da ONU participou da sanção e o melhor discurso foi o dele. Ajustar, pode ser, mas desmontar vai ser difícil.

Em 2006, 2010 e 2014, mesmo “apanhando” muito da imprensa, Lula e Dilma venceram eleições por terem alcançado resultados perceptíveis na vida das pessoas. Faltaram em sua gestão ações mais “perceptíveis”?

Aqui a disputa ideológica é muito maior do que em qualquer outro lugar do país. A imprensa é toda alinhada com o ponto de vista conservador. A Erundina ganhou uma vez, a Marta ganhou e eu ganhei. Mas são pontos fora da curva. Nas três eleições que você menciona, perdemos na cidade. E estamos falando de um presidente que teve mais de 80% de aprovação. Por quê? Vamos sair um pouquinho da capital. Veja o que aconteceu no ABC. O Luiz Marinho não conseguiu fazer o sucessor em São Bernardo. O Carlos Grana, em Santo André, e o Donisete Braga, em Mauá, não foram reeleitos. E não foi por falta de realizações, todos fizeram boas administrações. É um contexto muito complexo.

Dificuldades não eram esperadas?

Eu vou te falar uma coisa: quando eu estava na reunião com o papa, em Roma, com prefeitos do mundo inteiro, e disse que a OAB havia entrado com ação contra a redução da velocidade nas vias, as pessoas me perguntaram mais de uma vez se era verdade. A entidade representativa dos advogados está processando a prefeitura por seguir uma orientação da OMS? Eu poderia citar dezenas de casos desse tipo. O que acontece aqui não é disputa, virou carnificina em torno de ideologia. O déficit de republicanismo no Brasil é uma coisa que só não percebe quem não quer. Eu nunca vi uma coisa dessas acontecer. A pessoa chamar ciclista de comunista. Criticar faixa de ônibus. Tudo por ideologia. Se fosse outro prefeito a fazer, iriam elogiar.

Sua gestão não foi condescendente com os grandes veí­culos de comunicação? Integrantes da administração deram mais atenção a eles, ofereceram “furos”, enquanto houve desatenção aos menores e alternativos.

Pode ser. Se você está falando, eu acredito. Vocês talvez tenham sido vítimas desse processo. Isso pode ter acontecido, mas não por minha vontade.

Não é algo a ser repensado? Até o governo Lula é criticado no quesito democratização da comunicação.

É verdade. Você veja que os grandes veículos entraram com ação para tirar do ar sites do El País, BBC e The Intercept. Olha a que ponto chegamos! Quererem tirar do ar veículos que são mais independentes, menos impregnados de ideologia conservadora. E ninguém discute isso. Não se viu notícia disso. Eu acho até que vi na Rede Brasil Atual, mesmo. Por onde eu saberia?

O sr. se relaciona com as páginas de seus “clones” das redes sociais, como Prefeito Gato ou o Haddad Tranquilão? Eles dizem coisas que gostaria de dizer e não pode?

Eu tenho identidade com o bom humor e eles são bem-humorados, mesmo sendo críticos às vezes. Isso compõe parte da minha personalidade. Eu sempre procuro manter o humor e a autoironia, então eles captam um traço da minha personalidade.

Tem também o Prefeito Gourmet, mais crítico, abordando que o sr. fez uma gestão voltada para classe média e deixou a periferia de lado.

É desconhecimento. Onde eu construí hospital, CEU, creche, corredor de ônibus, LEDs, Uniceu e praça com Wi-Fi? É tudo na periferia. Às vezes a pessoa acha que conhece São Paulo e repete o que o (comentarista Marco Antonio) Villa diz na Jovem Pan. Eu tenho pena de quem repete o Villa. Isso traz muitas consequências, intolerância e ódio. E demonização da política. Quem são os intelectuais orgânicos desse projeto conservador em curso? Subintelectuais, pessoas despreparadas.

Pode haver uma evasão da população que está sendo atendida pelos De Braços Abertos com a proposta do Doria de cortar o auxílio?

Não consigo entender o argumento de que um drogado rico pode receber salário e um pobre, não, porque ele compra droga. Não tem jornalista que consome droga? Não tem político que consome droga? Eles não recebem salário no final do mês? Por que alguém que cuida da zeladoria da cidade não pode receber salário? E estamos falando de R$ 15 por dia. Não é “bolsa”. É remuneração por trabalho.

Algumas pessoas se dizem mais tristes com a sua derrota do que com o impeachment, por verem na sua administração um projeto inclusivo. O sr. também sente tristeza?

Eu sabia dos riscos, quem viveu 2013 e 2016 não poderia estar otimista. Foi o período mais turbulento que eu vivi. Em uma cidade pequena, talvez, em quatro anos você consegue mostrar a que veio. No Ministério da Educação, por exemplo, se eu tivesse ficado só quatro anos (ficou de 2003 a 2012, sendo a partir de 2005 como ministro) não teria deixado o legado que deixei. Em São Paulo, precisaríamos de oito anos para completar o ciclo. Garanto que não íamos discutir velocidades das marginais em 2020, nem radar, nem Braços Abertos. Tudo estaria consolidado e assimilado.

O que o sr. vai fazer a partir de 2 de janeiro?

Me apresentar na USP, onde eu ganho meu pão. Estou participando dos debates, da discussão com os setores avançados da cidade. No que eu tenho mais interesse em investir agora? Na questão programática. É a mais importante. Antes de discutir quem sairá candidato a isso e aquilo, estou interessado em debruçar sobre a questão do projeto para o país. Não está no meu horizonte disputar uma eleição. Estamos em uma situação tão anormal que tem alguns pressupostos que precisam ser respondidos antes. A questão programática, a renovação do PT, a relação do PT com outras forças progressistas. Há tarefas para cumprir que, se a gente se desviar delas, a gente corre o risco de tomar o essencial pelo acessório. Estou despido de ambições pessoais, quero colaborar para recompor uma condição que permita ao Brasil retomar o processo que foi começado em 2003. Crescemos de forma importante, mas o processo foi abortado e temos de encontrar um caminho de resgatar aquele projeto de um novo Brasil, com oportunidades, com mais esperança. As pessoas ainda não se deram conta dos prejuízos que estão sendo causados.

Começando 2017 na situação em que o país se encontra, dá para alguém ficar tranquilão?

São dimensões diferentes do humor. Em qualquer circunstância, mesmo diante de coisas dramáticas, eu estarei com esse estado de espírito. Eu sou meio budista para lidar com as coisas. Tenho uma compreensão sobre história do Brasil, sei entender os nós institucionais em que estamos imersos. Lamento muito o que está acontecendo, estamos regredindo do ponto de vista institucional. Mas estamos aí para brigar, né?

Com um aparato tão complexo em torno do impeachment – setores do Judiciário, imprensa, oligarquias políticas, interesses externos e uma parcela da população –, esse golpe é reversível?

O que se revelou no Brasil é um déficit de republicanismo a toda prova. As instituições não estão funcionando de forma republicana. E os desdobramentos disso ainda não podem ser entendidos em toda sua magnitude, porque, quando você começa a colocar os alicerces da vida democrática em jogo, não se sabe onde isso vai parar.

Há espaço para eleições diretas antes de 2018?

Têm surgido teses sobre a realização de eleições diretas. E o próprio PSDB reconhece que a escolha indireta de um presidente talvez agrave a crise política, que está na raiz da crise econômica tão aguda quanto ficou. Nós só estamos passando por uma crise econômica tão aguda porque a crise política é um combustível permanente. É difícil prever agora os desdobramentos. No âmbito da Lava Jato ainda tem muita para acontecer. Não sei se as delações que envolvem PMDB e PSDB vão ser tratadas da mesma maneira, no mesmo rigor e até com as arbitrariedades que estão vindo a lume (quando a acusação é contra petistas). O primeiro semestre de 2017 vai ser decisivo nesse processo. As forças mais avançadas da sociedade devem se reorganizar em torno de um polo mais forte. Porque se nos fragmentarmos, não vamos ter chance de disputar o imaginário da sociedade, por melhor que seja o nosso projeto.

O Lula trabalha muito a ideia de uma frente a partir do centro político. E alguns setores da esquerda avaliam que não é mais possível juntar um movimento de conciliação de classes.

Hoje nós temos os extremos adensados e o centro político esvaziado. Eu acredito que, pelas características da população, nós vamos ter de manter um diálogo com as forças democráticas do país. O Brasil tem de estar nesse projeto. E há muita gente boa, com quem se precisa conversar para isso. Eu entendo que se coloque em questão a visão mais conciliadora, em função até de como o outro lado está tratando os temas nacionais, sem nenhum diálogo, tudo feito a toque de caixa, sem discussão com a sociedade, nem com partidos de oposição. Mas eu entendo que nós temos que adensar os setores democráticos, desafiar os riscos que estão colocado a partir do desmonte que está sendo feito do pacto Constitucional de 1988.

No Fórum
Leia Mais ►

Estão mentindo para você sobre o seu FGTS! Saiba como não ser ludibriado


Considerando que praticamente a metade da população economicamente ativa no Brasil trabalha sob o regime da CLT, segundo o IPEA, este texto muito provavelmente trata do seu interesse. E mesmo que você não esteja sob o regime celetista ou desempregado, ainda assim ele vai te interessar, pois quem sabe o dia de amanhã… Talvez em questão de dias você seja contratado num novo emprego sob o regime celetista, não é mesmo?

Toda pessoa que trabalha ou já trabalhou sob regime celetista sabe da existência do FGTS, mas poucos sabem como ele de fato funciona. Esse desconhecimento abre espaço para aqueles que não querem exatamente o bem do trabalhador, que se aproveitam dessa oportunidade para iniciar um discurso enganoso contra o FGTS, bombardeando-o com “críticas” supostamente baseadas em “lógica” e em “estudos econômicos”. Assim temos mais um motivo pelo qual seria interessante você continuar lendo este texto: você precisa estar bem informado sobre o FGTS para não ser ludibriado quando o discurso desses caras chegar até você. Portanto, vamos falar um pouco sobre o FGTS desde sua origem, contando um pouco de sua história, sua função, seu funcionamento e seus problemas. Então sente-se, acomode-se, e leia com atenção as próximas linhas deste texto, porque o que será tratado nele tem a ver com o seu trabalho, o seu futuro, a sua vida.

História do FGTS

O FGTS surgiu como substituto da Estabilidade Decenal, a qual garantia ao trabalhador celetista uma estabilidade no emprego após 10 anos de vínculo empregatício com uma empresa. Se demitido antes desse tempo, lhe era devida uma indenização correspondente ao valor de um mês de salário para cada ano de trabalho. Logo, poderíamos dizer que o trabalhador da iniciativa privada, ao completar o decênio, poderia usufruir de estabilidade como usufrui um funcionário público, isto é, o empregador não poderia demitir seus empregados facilmente, a não ser por justa causa e ainda pagando o dobro do valor referente à indenização devida aos empregados demitidos antes do decênio. Os patrões não gostavam disso e era comum eles demitirem propositalmente seus empregados antes de completarem 10 anos de trabalho, para depois os contratar novamente ou contratar novos empregados.

O FGTS foi criado durante a ditadura, 
no governo de Castelo Branco, 
um dos articuladores do golpe de 64.
Naturalmente, no período também existia uma pressão dos empregadores contra o governo para mudar essa lei. Soma-se a isso, que nessa época o trabalhador não contava com nenhum fundo de amparo ao ficar desempregado, o que levava a uma rápida degradação da sua qualidade de vida e de seus dependentes. Isso gerava uma constante insatisfação dentro da classe trabalhadora, já que, quando caía no desemprego, via a sua família caindo numa situação de miséria em um curto espaço de tempo sem nada poder fazer, o que a aproximava ainda mais de causas socialistas. Essa situação, obviamente, era um risco para a ditadura militar, a qual, diante dessa pressão, tanto por parte da classe patronal, quanto da classe trabalhadora, durante o governo de Castelo Branco, em 1966, criou o FGTS pela Lei nº 5.107.

E aqui cai por terra o primeiro “argumento” contra o FGTS: de que ele é uma criação “socialista”. Nada mais falso. O FGTS foi criado pela ditadura militar para atender a uma exigência da classe patronal, mas tendo o cuidado de não deixar a classe trabalhadora sem amparo, evitando assim uma revolta popular.

O novo regime pelo FGTS, no entanto, não invalidava o anterior, de estabilidade decenal, e aos trabalhadores era garantida a escolha por um dos dois regimes, bastando declararem na Carteira de Trabalho o regime escolhido. Essa liberdade de escolha permaneceu até a publicação da Constituição Federal de 1988, quando então foi definitivamente extinta a estabilidade no emprego após o decênio para os empregados regidos pela CLT.

Como funciona o FGTS


O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, como o próprio nome diz, foi criado para garantir uma renda em caso de emergência ou para ser aplicado em patrimônio, no caso, na aquisição ou financiamento de uma casa própria. É um direito válido para todos os trabalhadores contratados pelo regime da CLT. Ao contrário do que espalham por aí e que muita gente acredita, o FGTS não faz parte do salário do empregado. Na verdade, trata-se do depósito que o empregador deve fazer na conta vinculada do empregado, num valor equivalente a 8% da sua remuneração do mês anterior. Para exemplificar, considere um salário bruto de R$ 1000.00, logo o empregado receberia R$ 1000,00 + R$ 80,00 em depósito do FGTS pago pelo patrão. Ou seja, além do empregado receber o seu salário, o seu patrão é obrigado a depositar mais 8% do seu valor na sua conta de FGTS.

Atente que acabamos de derrubar mais uma das mentiras tão difundidas sobre o FGTS: o depósito do FGTS é responsabilidade do empregador, não se trata de parte do salário do empregado. Ou seja, se um dia acabarem com o FGTS, você nunca mais verá novamente esse dinheiro! Olha só em qual furada aqueles que defendem o fim do FGTS querem te meter!

O empregador deve fazer o depósito do valor correspondente a 8% do salário do empregado até o dia 7 do mês subsequente ao mês trabalhado, em nome do empregado, na Caixa Econômica Federal. O rendimento do depósito é creditado no dia 10 de cada mês.

O FGTS é gerido e administrado pela Conselho Curador do FGTS, que é formado pelos representantes dos trabalhadores (em sua maioria sindicatos), pelos empregadores e pelo próprio Governo Federal; já seus recursos são operados pela Caixa Econômica Federal.

O valor do FGTS pode ser resgatado pelo empregado nos seguintes casos:

• Aposentadoria.
• Doenças graves, como câncer e AIDS.
• Para a aquisição ou financiamento (incluindo amortização e liquidação) da casa própria.
• Quando a conta do FGTS passar mais de 3 anos seguidos sem depósito ou o trabalhador permanecer pelo mesmo período fora do regime da celetista.

Função Social do FGTS

Aqui chegamos num ponto que tem tudo a ver com uma das principais críticas que o FGTS recebe. Os críticos, quando não defendem o fim do FGTS, falam da “liberdade” que todo o trabalhador deveria ter para usar seu FGTS da forma que melhor lhe convir. Acontece que isso teria como consequência a perda de outras vantagens e necessidades, que dependem dos recursos do FGTS para existirem.

O FGTS não é simplesmente um tipo de “poupança” do trabalhador. Ele também é uma fonte importante e estratégica de alocação de recursos para possibilitar o investimento em Habitação Popular, Saneamento Básico e Urbanização. Além disso, seus recursos são utilizados para financiar e subsidiar a aquisição de imóveis pelos trabalhadores, principalmente os de baixa renda. Quando você vê uma comunidade urbanizada, no que antes era uma favela; quando você vê a construção de habitações populares, como as da COHAB ou do programa Minha Casa, Minha Vida; quando você vê obras de infraestrutura para abastecimento de água, para o escoamento de água das chuvas, para a coleta e tratamento de esgoto; quando você vê ações de controle de pragas ou de doenças transmissíveis, você está simplesmente presenciando o uso dos recursos do FGTS para a melhora de vida de toda a sua comunidade, incluindo você próprio(a). Se você pôde crescer livre de doenças transmissíveis e causadas por parasitas, que foram totalmente erradicadas com as obras de coleta e tratamento de esgoto, agradeça à existência do FTGS. Se você pode ter acesso à água potável com o simples movimento de abrir uma torneira em sua casa, agradeça à existência do FGTS. E, falando em casa, se você conseguiu um financiamento na Caixa Econômica Federal (CEF) com as menores taxas de juros do mercado, ou mesmo recebeu subsídios para realizar o sonho da sua casa própria, agradeça mais uma vez à existência do FGTS!

VLT do Rio de Janeiro:
construído com os recursos do FGTS
Diante desses fatos, podemos compreender melhor por que o FGTS não rende tanto como um dinheiro aplicado na poupança. Diferentemente desta, cujos recursos os banqueiros podem emprestar com taxas de juros absurdas, para depois você receber uma ínfima parte do que eles lucraram com o seu dinheiro, os recursos do FGTS são utilizados para urbanizar, investir em saneamento básico, combater doenças e ajudar as pessoas que mais precisam a realizarem seu sonho da casa própria, possibilitando assim alguma qualidade de vida nas cidades, vilas e bairros. E tudo isso financeiramente é custo, não traz lucro, logo terá um impacto no rendimento do FGTS.

Problemas do FGTS e sobre as críticas que recebe

Primeiramente é necessário alertar que O FGTS é constantemente atacado por pessoas comprometidas com tudo, menos com trabalho e o futuro dos outros, incluindo os seus, caso seja trabalhador celetista. Repare que a maioria dos críticos do FGTS mais extremados, que defendem o seu fim, são geralmente economistas (neo)liberais, pessoas financiadas por think tanks (neo)liberais, os quais por sua vez são financiados por empresários e banqueiros locais ou mesmo bilionários donos de grandes corporações estrangeiras, como é o caso da rede Atlas Economic Research Fundation, com a qual o MBL possui ligações indiretas; e burocratas de instituições que representam os patrões brasileiros, como a FIESP. No geral, esses críticos são todos muito bem financiados por ou bem empregados nessas instituições patronais, cujos interesses eles representam muito bem. Ou seja, eles já estão com a vida feita – diferentemente de você, que se lasca de trabalhar – logo estão pouco se importando com os seus direitos e das demais pessoas que trabalham sob o regime celetista. Portanto, muito cuidado com o que eles dizem.


Agora sobre os problemas do FGTS. Sim, realmente eles existem. O principal alvo de suas críticas é sobre o seu rendimento. Atualmente o FGTS possui uma correção de 3% ao ano, mais uma suposta correção da inflação, feita pela Taxa Referencial (TR). Isso significa, pelo menos teoricamente, que o seu dinheiro aplicado no FGTS acompanharia a inflação e ainda teria um rendimento de 3%. Mas não é isso que ocorre por conta da TR, que na prática não acompanha a inflação, fazendo o FGTS ter uma correção monetária abaixo dela. Nem sempre foi assim: antes o FGTS era corrigido pelo IPCA, o qual, se continuasse como índice de correção do FGTS, garantiria um rendimento maior que a inflação hoje. A mudança ocorreu em 1999, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, e nunca mais mudaram. Porém, os trabalhadores que tiveram depósito na sua conta vinculada entre 1999 e 2013 podem recorrer judicialmente para que seu FGTS seja corrigido de acordo com os índices INPC, IPCA ou IPCA-E. Você inclusive pode fazer uma simulação de como seria seu FGTS corrigido com esses índices aqui.

De qualquer forma, esse baixo rendimento não serve de pretexto para a extinção do FGTS, como costuma fazer seus críticos, afinal, não é porque o seu carro não corre tão velozmente quanto um carro de Fórmula-1, que você irá doá-lo para o primeiro ferro velho que você achar na sua frente; não é porque sua vaca rende pouco leite que você irá matá-la e não é por saber que o seu filho está tendo baixo rendimento na escola que você irá impedi-lo de continuar os estudos. Sim, pelo que você notou, a extinção do FGTS defendida pelos seus críticos mais extremados não possui lógica alguma…

Nós também conferimos que a outra razão para que o rendimento do FGTS seja baixo é que ele possui uma função social, que beneficia a todos nós. Até aqui nós ficamos melhor informados sobre ele, o suficiente para saber que aqueles que comparam o rendimento do FGTS com o rendimento da poupança pecam por serem simplistas demais, se não pessoas de má-fé mesmo, que querem te induzir ao erro.

Outra crítica feita corriqueiramente ao FGTS, inclusive pelos próprios trabalhadores, é sobre a falta de liberdade para utilizar seus recursos pelo trabalhador. Nós também conferimos neste artigo que não é bem assim. Até que é possível o saque do FGTS, mas sempre numa situação de emergência ou para ajudar o trabalhador a construir seu patrimônio:

“Segundo o site do Ministério do Trabalho e Emprego, os objetivos pretendidos com a instituição do FGTS eram: formar um Fundo de Indenizações Trabalhistas; oferecer ao trabalhador, em troca da estabilidade no emprego, a possibilidade de formar um patrimônio; proporcionar ao trabalhador o aumento de sua renda real, pela possibilidade de acesso à casa própria; e formar um Fundo de Recursos para o financiamento de programas de habitação popular, saneamento básico e infraestrutura urbana.”

Conclusão

Obviamente, se eu fosse patrão, eu não seria apenas contra o FGTS, mas também defenderia sua completa extinção. Assim, eu não precisaria mais depositar todo mês o equivalente a 8% do salário do meu empregado na sua conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e embolsaria esse valor, aumentando a minha margem de lucro.

Mas ora, veja só!: não é exatamente o fim do FGTS que defendem a mídia corporativa, sustentada justamente pelo patrocínio dos nossos empregadores; a FIESP e demais representantes do nosso patronato, entre eles think tanks liberais e movimentos conservadores como o MBL, como já alertado no início deste artigo? Entendeu agora por que todos eles são contra o FGTS? É evidente que eles defendem os interesses de apenas uma parte dessa relação entre empregado e patrão, e, caso você seja um empregado, definitivamente não é o seu interesse que eles estão defendendo!

Como você é um empregado ou não é detentor de grande volume de dinheiro (capital) e de propriedades para fundar o seu próprio negócio (ou seja, você é pobre! – eu sei que é duro admitir isso, mas sejamos realistas, até para evitarmos ser feitos de bobo como estão nos fazendo nessa questão), você, por uma questão de lógica, para o seu próprio bem, da sua esposa/ do seu marido e filhos(as), enfim, de sua família, inclusive o cachorro, o gato, o papagaio e os peixinhos do aquário, que precisam de você, principalmente nos momentos difíceis, para terem a ração que os mantêm vivos, você optará por manter o FGTS, mesmo com todos os seus defeitos, e começará a fazer a sua própria pauta desse debate, exigindo a melhora desse direito ou sua substituição por outro mais vantajoso ou qualquer outra opção que você julgue melhor para a sua felicidade e de todos aqueles que dependem de você. Pois, apesar de você estar no lado mais fraco dessa relação, sendo o empregado, sendo aquele que economicamente é mais frágil, você possui a maior riqueza que a natureza lhe deu sem nada cobrar: um cérebro para você pensar, inclusive sobre o que é melhor para você.

Referências:


• Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – Breve Histórico do FGTS

• Caixa Econômica Federal – Breve Histórico do FGTS (PDF)

• FGTS – O PATRIMÔNIO DO TRABALHADOR MELHORA A VIDA DE TODOS

• Jornada – Reportagem sobre os 50 anos do FGTS

• Conteúdo Jurídico – Do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço

• Revista de Desenvolvimento Econômico – A IMPORTÂNCIA DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO – FGTS PARA O DESENVOLVIMENTO BRASILEIRO (PDF)

• The Atlantic –
Spreading the Free-Market Gospel

Jorge Charon
No Voyager
Leia Mais ►

Quase cinco anos após assassinato de agente da PF, ruralista do Paraná segue impune


Em 2012, um crime na cidade de Cascavel, no Paraná, gerou grande comoção e alertou para os resquícios do coronelismo no país e o poder de influência de ruralistas sobre o sistema político e judiciário, alimentado pela impunidade dessas figuras. Após quase cinco anos, o réu ainda não foi julgado. 

O agente da Polícia Federal, Alexandre Drummond Barbosa, foi a vítima que morreu a tiros no dia 14 de abril de 2012. Após um simples desentendimento em uma boate de Cascavel, foi executado por Alessandro Meneghel. Não foi apenas o relato de testemunhas que narraram a barbárie de uma espingarda calibre 12 com mais de 40 tiros. Vídeos e perícias confirmam o cruel assassinato.

Mas Meneghel, ex-presidente da Sociedade Rural do Oeste, é pessoa influente na região do Paraná. Naquele ano, em 2012, havia lançado a sua pré-candidatura a deputado estadual no Paraná pelo DEM, contando inclusive com o apoio e elogios de Beto Richa (PSDB), atual governador do Estado e então também candidato ao posto:

Alessandro Meneghel (acima) com José Serra e Beto Richa



Diante de sua influência, a própria Polícia Federal se viu obrigada a publicar o vídeo de câmeras nas ruas da boate, que registram o crime, nas redes sociais, sob o temor de que nas mãos da Polícia Civil o arquivo desaparecesse.



A família de Meneghel não se deteve com as provas e indícios de conhecimento público. Inicialmente, chegou a contratar o perito Ricardo Molina, para desmentir a versão da vítima. Mas o pai de Alexandre, Geraldo Barbosa, é ex-professor do Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais e especialista em ótica.

Não se cansou e não se deixou abater para verificar, quantas vezes fossem necessárias, o filho ser morto a tiros para reconstituir as imagens e provas o assassinato por Alessandro Meneghel, resultando em um detalhado e milimetricamente embasado relatório sobre as posições da vítima e do réu, do carro do ruralista, dos ângulos de disparos do dia da morte.

"O primeiro tiro ocorreu no intervalo entres os quadro 156 e o 166, o que corresponde a 10 quadros e ao tempo de 10 X (0,03seg/quadro)=0,3segundos (aproximadamente o tempo de um piscar de olhos). Como existe um tempo para reação coletiva, no Estudo de Imagens estima-se que o primeiro tiro tenha ocorrido no quadro 158. Ou seja 2 X (0,03seg/quadro)=0,06seg=aprox. 0,1seg após o agente ter sido visto de costas nos quadros 155/156. CONCLUSÃO: Tanto o intervalo de tempo de 0,3seg ou o mais provável de 0,1 seg é muito curto para ser possível ao agente ter visto o réu, ter virado, sacado sua arma em baixo da camisa, mirado e atirado conforme declarado pelo réu no seu Interrogatório", é trecho das notas produzidas.

Outras provas foram coletadas, além do estudo e dos vídeos, como depoimentos de testemunhas e presentes na boate em que ocorreu o crime, e pessoas que corajosamente admitiram terem sido intimidadas após prestar informações.

A versão de Meneghel é outra: assumiu que houve uma discussão, fora da boate, chamando o então agente da PF de "vagabundo, filho da puta e que iria bater [em Alexandre]". Mas que na saída, o agente é que teria se aproximado, sacando uma pistola e começando a atirar no réu, quebrando o vidro de sua camioneta. Segundo o influente ruralista, como suposta reação, sacou uma pistola, fez dois disparos e deu ré com o automóvel.

"No Estudo de Imagens [anexo abaixo], fica explicito que todas essas declarações são mentirosas, estórias inventadas e, não fossem os fatos gravados pela câmera, a família os transformaria em verdades. Versões diferentes apareceram posteriormente, sem qualquer convencimento ou que resistam aos fatos registrados pela câmera, a cada fração de segundos", escreveu o pai Geraldo Barbosa.

O histórico do ex-pré-candidato a deputado estadual já mostra outras passagens pela Justiça. Em 2009, já esteve detido na cidade de Toledo, acusado de porte ilegal de armas. Dois anos antes, era indiciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha ou bando armado por ações contra invasões em propriedades rurais do interior do Paraná [leia aqui]. Teria organizado milícias para acabar com acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Mas a sequência de irregularidades não paralisa na própria defesa e atos da família no caso da morte de Alexandre Barbosa. Geraldo denunciou que as armas portadas por Meneghel eram ilegais, que o advogado ilegalmente fez declarações públicas com versões que não conseguiu comprovar no processo, alertou para o desaparecimento de provas e "influências ocultas", e a relação da família do ruralista com autoridades locais.


"A família Meneghel mantém influência em várias instancias do poder local em Cascavel e pode-se até quantificar ações que levam a esta influência, como churrascos oferecidos às polícias Civil e Militar, cavalos dados à Polícia Militar e muitos outros eventos de caráter político", disse Geraldo.

Já preso, o então criminoso logrou a transferência de uma prisão mais dura (Penitenciária Estadual de Cascavel - PEC) para outra quase aberta (Penitenciária Industrial de Cascavel - PIC), solicitada pelo próprio diretor da penitenciária, após um motim que teria sido estimulado, segundo o Ministério Público, pelo próprio ruralista.

Tempos depois, em 2015, conseguiu ainda a mudança do regime para domiciliar por um Habeas Corpus, alegando que a mãe do réu estava em estado crítico de saúde, necessitando da presença do filho para os cuidados. Com isso, alcançou a liberdade controlada, com tornozeleira, para a casa da família [leia aqui]. No mesmo período, a mãe de Meneghel, supostamente doente, foi vista em um casamento, consumindo bebidas alcoólicas, fatos registrados em fotografias.

Mais recentemente, em dezembro do ano passado, o pai da vítima relata que um juiz substituto, Benjamin Acácio de Moura e Costa, chegou a ampliar a liberdade do réu, concedendo a permanência na fazenda da família oficialmente durante um conflito de pareceres entre juízes da segunda instância e promotores do caso.

A defesa de Meneghel também tentou cancelar sessões de julgamento, em diversas ocasiões, para atrasar o processo e condenação do réu. Uma das estratégias adotadas pelo advogado Cláudio Dalledone Junior foi a de provocar os promotores para obter reações que cancelassem o júri.

Em uma das tentativas, em março de 2016, Dalledone Junior dirigiu-se à promotora auxiliar Ana Vanessa Fernandes Bezerra, afirmando que "ela era jovem e ele adoraria ter a oportunidade de brincar com ela". Na audiência, o juiz teve que interceder diversas vezes diante da agitação dos jurados. A promotora abriu um processo de desacato contra o advogado, que ainda está em tramitação. Por outro lado, a defesa conquistou a perda técnica do júri.


Fonte: Vídeo produzido pelo portal CGN

Outra medida tomada pelo advogado foi o anúncio da "necessidade de uma cirurgia em caráter urgente para ele, devido a uma hérnia", marcada justamente no dia da sessão de audiência com os promotores originais. 

"Numa nova estratégia para mais um atraso do Júri, Júnior solicitou um novo desaforamento para cidade diferente de Curitiba. O pedido foi indeferido, somente recentemente, levando a quase um ano de espera até o próximo Júri", relatou ainda o pai da vítima [leia aqui].

A sequência de medidas tomadas pela família e defesa de Meneghel junto a juízes, autoridades, obstaculizando o andamento da investigação e dos julgamentos e prorrogando as sessões, resultou em quase cinco anos de impunidade e supostas benesses fornecidas a Alessandro, após o assassinato cruel e de grande comoção.  Mais uma audiência está marcada para o dia 21 de fevereiro. Segundo Geraldo Barbosa, nada indica impedimentos para o novo Júri. 

Acompanhe aqui as reportagens feitas em 2012:






Patricia Faermann
No GGN
Leia Mais ►

Finlândia experimenta programa de renda mínima

Novo programa piloto será testado em 2017 e 2018 e avaliado em 2019, quando poderá se tornar definitivo

Durante dois anos, 2 mil pessoas receberão
renda fixa mensal de € 560, livre de impostos
Enquanto, no Brasil, o governo ilegítimo de Michel Temer faz contorcionismo ideológico, político e moral para justificar cortes no programa Bolsa Família e outros herdados dos governos Lula/Dilma, a Finlândia prepara-se para executar um programa piloto de renda mínima.

O novo programa entrou em vigor em 1º de janeiro. Abrangerá 2 mil pessoas desempregadas, com idade da casa entre 20 e 50 anos. Durante dois anos essas pessoas receberão uma renda fixa mensal de € 560, livre de impostos, e terão acesso automático a outros programas, como auxílios para moradia e creche.

Uma novidade da iniciativa é que o benefício continuará a ser pago durante o prazo estabelecido mesmo que a pessoa consiga um emprego. Neste caso, o beneficiário perderá o acesso automático aos outros benefícios complementares, mas poderá continuar a candidatar-se a eles por meio dos mecanismos normais.

O programa tem como objetivo saltar sobre uma das dificuldades dos atuais benefícios garantidos aos desempregados, que é a de dificultarem a aceitação de empregos por parte dos beneficiados. Atualmente, o beneficiário que conseguir um emprego perde o auxílio, e isso pode até representar uma diminuição de sua renda, pois há tributação sobre o salário. Ao mesmo tempo, devido à precarização do trabalho, a oferta de empregos atraentes cai, o que desmotiva o beneficiário do auxílio-desemprego a deixar o benefício.

O programa piloto será testado em 2017 e 2018 e avaliado em 2019, quando, se aprovado, se tornará definitivo e amplo, com eventuais modificações.

O tema da renda mínima é polêmico, embora o projeto brasileiro do Bolsa Família tenha ampla aprovação em organismos internacionais, inclusive a própria ONU. Recentemente um programa semelhante foi rejeitado em plebiscito na Suíça. Mas pesquisas também recentes mostram uma maioria expressiva de cidadãos da União Europeia aprovaria programas semelhantes em seus países.

Projetos como esse vêm sendo implementados localmente, como no caso da província de Ontário, no Canadá, e na cidade de Livorno, na Itália.

No Brasil, o ex-senador e atual vereador em São Paulo Eduardo Suplicy (PT) escreveu e lecionou a respeito e é um obstinado defensor de um programa de básica de cidadania – inspirado na experiência do estado norte-americano do Alasca.

De acordo com sua proposta, um valor a ser fixado em lei seria distribuído pelo poder público de forma igualitária a todos os cidadãos, não importando o nível social. A lógica se baseia no entendimento de que todos devem ter o direito a usufruir de parte das riquezas produzidas na região. E fazer com que essa renda, em contrapartida, circule e assegure um funcionamento mínimo das economias locais,

Flávio Aguiar
No RBA
Leia Mais ►

O silêncio de Temer sobre o massacre de Manaus leva sua grande marca: a covardia invencível


Mantendo sua tradição de se manter na sombras, Michel Temer se esconde no momento em que o Brasil vira notícia, mais uma vez, pelos piores motivos.

O silêncio sobre a carnificina de Manaus é constrangedor sob todo e qualquer aspecto. Foram 56 mortos, a maioria degolados. Pessoas que estavam sob a tutela do estado, em masmorras controladas por facções eternas como PCC, Família do Norte, Comando Vermelho etc.

Cármen Lúcia vai à capital do Amazonas. Até o papa se manifestou. Michel faz de conta que não é com ele.

“Quero expressar tristeza e preocupação com o que aconteceu. Convido-vos a rezar pelos mortos, pelas suas famílias, por todos os detidos na prisão e por aqueles que trabalham nele”, declarou Francisco em audiência no Vaticano.

“Eu gostaria de renovar o meu apelo para instituições prisionais sejam locais de reabilitação e reintegração social e que as condições de vida dos detidos sejam dignas de seres humanos”.

Segundo o Estadão, uma espécie de porta voz de Michel, ele “conversou diversas vezes com o ministro da Justiça, Alexandre Moraes”.

“Ele também já falou por telefone com o governador do Amazonas, José Melo de Oliveira, e reforçou a disposição do governo em ajudar no que ‘for preciso para solucionar o caso’”, afirma o jornal.

Mesmo quando se pronuncia, é a contragosto. Sobre a chacina no réveillon, escreveu: “Lamentamos profundamente as mortes ocorridas em Campinas. Manifestamos nosso pesar junto às famílias. Que 2017 seja um ano de mais paz!”

Assunto encerrado.

Não dá para esperar muito de um presidente que foge de velórios, mas MT exagera na confirmação de expectativas. Ao tomar novo chá de sumiço, desta vez diante de um massacre, ele chancela a grande marca de seu governo: a covardia.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

A primeira batalha da Previdência é a Presidência da Câmara


Não foi à toa que Michel Temer deixou de  ir a Davos desfilar a sua insignificância entre as maiores fortunas do planeta.

Ele sabe que a viabilidade da única coisa que tem a oferecer em troca de sua permanência no poder é a degola dos direitos sociais do povo brasileiro.

E que precisa de um presidente da Câmara que lhe seja dócil e a faça aprovar a toque de caixa.

Rodrigo Maia já fez, publicamente, esta profissão de fé sabuja.

Rogério Rosso, um “centrão light”, com aquele seu ar de macarrão sem sal e sem molho, mantém a candidatura, mas que sobre mesmo o tom é Jovair Arantes, que é uma máquina de acordos e conchavos dentro daquela Casa.

Promete levar ao Supremo até uma contestação a eventual reeleição de Maia, o que tem mais efeito político que jurídico, em princípio.

Porque significa colocar a contestação aberta  a Maia à frente do corporativismo parlamentar.

É significativo que André Moura, líder do governo Temer tenha estado na reunião de articulação da candidatura Jovair.

Temer tinha  de 70 a 80% da Câmara.

Pode até conservar os 50% para eleger Rodrigo Maia, mas isso não basta para os 60% que exige a reforma da Previdência, sobretudo porque deixa sequelas fundas, como já se vê.

Temer teria a solução sem Maia candidato, o que deixaria Jovair e Rosso, que não se entendem, disputando e daria à aliança PSDB-Dem o papel de fiel da balança da disputa.

Mas só se  houver “ajuda” judicial para isso, porque estes são hoje seus únicos aliados “programáticos” na pauta de maldades.

Como diria Galvão Bueno, a coisa já esteve melhor para o Michel.

Até  porque, além dos deputados eleitores de Brasília, há um outro, silencioso, lá em Curitiba.

Eduardo Cunha pode não ter mais votos no plenário, mas tem poder – e muito – de tirar.

E o caminho para atingir Maia tem nome.

O nome dele é Moreira.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Temer quebra a indústria do Brasil


O estrago econômico do golpe foi medido pelo banco alemão Deutsche Bank, que colocou a indústria brasileira em último lugar no mundo, em dezembro de 2016, utilizando o índice PMI (que mede as intenções de encomendas do setor).

No Brasil, o índice PMI foi a 45,2 em dezembro e é o menor sem seis meses.

Curiosamente, o mundo voltou a crescer, enquanto o Brasil decidiu afundar com seu golpe contra a democracia e contra os trabalhadores. 

O relatório do Deutsche aponta, por exemplo, que houve crescimento nos Estados Unidos, na Europa, na China e no Japão.

Abaixo, trecho do relatório em inglês:

The December PMI data shows an ongoing strengthening of the global economy in a number of respects:

i) All large economy manufacturing sectors are growing, and the PMIs for all of the US, Japan, EUR and China are up over the last 3m.

ii) Only Greece in the DM world has a PMI below 50. 

iii) Weak spots, like Brazil and Turkey represent ongoing domestic problems, while India’s PMI slide below 50 is easily explained by the demonetization shock. 

On a 12m change basis the US ISM shows the biggest improvement, but this highlights US weakness a year ago, more than unusual strength of late.  This time the US is holding its own despite a strong USD, because global growth is more resilient, thanks to commodity prices finding a floor, less stress on high yield, and less spillover onto risk appetite from China currency weakness. In addition, the US economy has had time to adapt to USD strength and is now looking toward a fiscal stimulus.  These are all reasons why the USD rally will not immediately be ‘the source of its own demise’, when compared with early 2016.

Confira, ainda, o gráfico:





Abaixo, reportagem da Reuters sobre o declínio da indústria brasileira:

SÃO PAULO (Reuters) - A atividade industrial do Brasil atingiu em dezembro o patamar mais fraco em seis meses em meio a fortes quedas nos volumes de produção e no nível de emprego, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado nesta segunda-feira.

O IHS Markit informou que o PMI foi a 45,2 em dezembro de 46,2 em novembro, com a recessão econômica afetando com força a entrada de novos negócios e a produção e ampliando o cenário de retração do setor — leitura abaixo da marca de 50 aponta contração.

Além da fragilidade econômica, a demanda fraca e as pressões competitivas levaram o nível de novos trabalhos a cair em dezembro com a maior força em seis meses. Os novos pedidos para exportação também apresentaram perdas.

Isso levou a produção a cair pela taxa mais rápida desde junho, com reduções em todos os três subsetores pesquisados, sendo a mais acentuada entre os bens de capital.

Esse cenário levou a mais cortes de empregos, chegando ao 22º mês de perdas, com destaque para os trabalhadores do setor de bens de capital.

Já a inflação de custos chegou a um recorde de quatro meses em dezembro, levando a um aumento mais forte nos preços de venda. O enfraquecimento da moeda fez com os preços pagos por produtos importados aumentassem, ao mesmo tempo em que algumas empresas tentaram proteger as margens de lucro.

"O cenário para 2017 parece adverso em meio a vários obstáculos significativos que a economia brasileira enfrenta, incluindo a deterioração do mercado de trabalho, o consumo fraco, cortes de orçamento, distúrbios políticos e demanda fraca nos mercados externos", apontou em nota a economista do IHS Markit Pollyanna De Lima.

Em outubro, a produção industrial recuou 1,1 por cento sobre o mês anterior, no pior resultado para o mês desde 2013 e iniciando o quarto trimestre com mais fraqueza, de acordo com os dados do IBGE.

Leia ainda reportagem da Reuters sobre a retomada europeia:

Atividade empresarial da zona do euro tem ritmo mais forte em mais de 5 anos em dezembro, diz PMI 

LONDRES (Reuters) - A atividade empresarial na zona do euro encerrou 2016 no ritmo mais rápido em cinco anos e meio, mostrou nesta quarta-feira a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), uma vez que a moeda mais fraca impulsionou a demanda em dezembro.

O índice PMI Composto final do IHS Markit para a zona do euro subiu a 54,4 em dezembro ante 53,9 em novembro, contra medição preliminar de 53,9 e no nível mais alto desde maio de 2011.

O índice permanece desde meados de 2013 acima da marca de 50 que divide crescimento de contração.

"As indústrias e, em menor grau, o setor de serviços estão se beneficiando do euro mais fraco, que está impulsionando as exportações de bens e encorajando a demanda por serviços como turismo", disse o economista-chefe do IHS Markit Chris Williamson.

Williamson disse que os dados indicam um crescimento econômico no quarto trimestre de 0,4 por cento, em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters no mês passado.

O PMI para o dominante setor de serviços caiu para 53,7 de 53,8 em novembro, mas ficou bem acima da preliminar de 53,1. As indústrias tiveram em dezembro o melhor mês em mais de cinco anos, segundo pesquisa divulgada na segunda-feira.

(Reportagem de Jonathan Cable)

No 247
Leia Mais ►

Quem tem medo da Filosofia e Sociologia no ensino médio?


Por que o reacionarismo brasileiro tem medo de Filosofia e Sociologia?

Vejamos um exemplo…

A bandeira brasileira tem um lema: “ordem e progresso“. O lema era inspirado na filosofia formulada por Auguste Comte e batizada por ele de “positivismo“. A “ordem” do lema era a preservação de hierarquias tradicionais, o que num país que mal abolira a escravidão era algo trágico, e o “progresso” o econômico e tecnológico. A mensagem implícita é: o Brasil deve crescer, mas no benefício dos privilegiados tradicionais, descendentes dos senhores e traficantes de escravos convertidos em capitalistas e tecnocratas.

O filósofo francês fundador
do positivismo, Auguste Comte
(Montpellier, 19/01/1798 – Paris, 5/09/1857).
Comte também inventou o termo Sociologia, que acabou se institucionalizando nas universidades, e concebeu uma linhagem de teoria social que nunca deveria questionar a “ordem” instituída. Ou seja, não deveria compreender os processos sociais como uma totalidade, apenas realizar análises fragmentárias de fatos sociais parciais. Várias vezes reciclado, o positivismo ajudou a formar gerações e gerações de intelectuais servis, que muitas vezes se acreditavam pessoas progressistas, mas na prática contribuíam para legitimar situações de injustiça social.

Um exemplo de doutrina positivista é a “teoria da modernização”, que numa versão brasileira afirma que nosso maior mal é a nossa cultura, e que a solução para “progredir” dentro da “ordem” seria a imposição da supremacia do mercado nas relações sociais.

Este é só um exemplo. Sem filosofia ou sociologia os alunos não conheceriam a origem e o significado do lema “ordem e progresso” na bandeira brasileira, da mesma forma que sem história crítica continuariam achando que os quadrados verde e amarelo da bandeira representariam a exuberância da natureza e da riqueza do Brasil, e não a dinastia portuguesa que continuou governando o país por 77 anos após a independência.

E a supremacia de uma oligarquia fanática por seus próprios privilégios, como é a brasileira, exige que todo questionamento seja prevenido e reprimido.

No Voyager
Leia Mais ►

Procuradoria de Israel diz ter provas para investigar possíveis crimes de Netanyahu por corrupção

Caso elevou tensão política no país que tem atualmente preso corrupção seu primeiro-ministro anterior e que viu um ex-presidente sair da prisão recentemente


A procuradoria de Israel afirmou nesta terça-feira (03/01) que a polícia tem provas que justificam uma investigação por suposta recepção de numerosos presentes pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que voltou a negar hoje qualquer irregularidade.

O procurador-geral, Avijai Mandelblit, declarou em comunicado após o interrogatório de três horas realizado nesta segunda-feira (02/01) à noite com o chefe do governo que ele é investigado desde o último dia 10 de julho por "uma longa lista de alegações sobre supostas ofensas relacionadas com a integridade moral".

A investigação e as imagens do comboio da unidade policial Lahav 433 entrando ontem na residência oficial elevaram a tensão política em um país que tem atualmente atrás das grades por corrupção seu primeiro-ministro anterior, Ehud Olmert, e que viu sair da prisão recentemente um ex-presidente, Moshe Katsav, após cumprir uma condenação por assédio sexual.

Em seu comunicado, Mandelblit fez uma apuração de várias suspeitas nas quais se decidiu não seguir adiante com as investigações por não haver indícios suficientes, e deu muito poucos dados sobre o caso dos presentes e favores de empresários, sobre o qual foi realizado um interrogatório após a recomendação do comandante da Unidade de Investigação e Inteligência da Polícia, Meni Yitzhaki.

Entre os casos descartados estão as denúncias de que o apelidado "Bibi" recebeu ilegalmente fundos para sua campanha eleitoral em 2009, a aceitação nessa época de passagens de avião e caros presentes, o duplo financiamento de suas viagens ou supostas irregularidades nas primárias de 2009 de seu partido, o Likud, nas quais foi eleito.

Netanyahu se referiu nesta manhã à exaustiva investigação e afirmou: "após longos anos de perseguição diária contra mim e minha família ontem não provaram nada. Nada. Alguém nos veículos de comunicação deveria desculpar-se pelos milhares de artigos, manchetes e horas de divulgação do 'melhor jornalismo de investigação' que se transformaram em uma coisa sem sentido".

Segundo o jornal Haaretz, o interrogatório se baseou no caso dos presentes, mas há um segundo assunto mais grave do qual, por enquanto, se desconhecem os detalhes.

Ontem à noite os detetives confrontaram Netanyahu com indícios que supostamente mostram que aceitou numerosos presentes (no valor de centenas de milhares de shekels) de empresários com interesses econômicos em Israel e que não informou os mesmos às autoridades, como exige a lei, o que evidencia um possível conflito de interesses.

Uma das testemunhas que teria admitido ter dado alguns presentes é o empresário norte-americano e amigo pessoal de Netanyahu, Ron Lauder, que declarou ter lhe presenteado com um terno e financiado uma viagem de seu filho Yair ao exterior.

A polícia, no entanto, acredita que o valor dos presentes de Lauder é maior do que admite e investiga se foram dados com expectativas de receber algo em troca.

Enquanto isso, o deputado David Amsalem impulsiona uma iniciativa para proibir a investigação de chefes do governo em serviço, que recebeu o apoio do chefe da coalizão governamental, o deputado David Bitan, e da ministra da Justiça, Ayelet Shaked.

Yair Lapid, líder do partido opositor Yesh Atid (que segundo as últimas pesquisas supera o Likud em intenções de voto), advertiu que "se dois primeiros-ministros seguidos caírem por corrupção, será muito difícil restaurar a fé da população no governo".

Além disso, afirmou que, se a investigação se prolongar, Netanyahu terá que renunciar, porque "não pode passar o tempo reunindo-se com seus advogados ao invés de com os chefes do Mossad e do Shin Bet (Inteligência), o chefe do Estado-Maior ou o ministro das Finanças", informou o jornal Yedioth Ahronoth.

Este jornal lembrou hoje as palavras de Netanyahu em 2008 em referência às suspeitas de corrupção de Olmert: "Este primeiro-ministro está afundado até o pescoço em investigações e não tem mandato moral para decidir assuntos fundamentais para o Estado de Israel porque há preocupações fundadas de que tomará decisões com base em seus próprios interesses e sua sobrevivência política e não no interesse nacional".

Leia Mais ►

Cisão PT - PDT: 1989 (Parte 4/11)



Veja também:

Parte 1Parte 2Parte 3Parte 5Parte 6Parte 7 — Parte 8 — Parte 9 — Parte 10 — Parte 11
Leia Mais ►