2 de jan de 2017

Saiu do portal e matou a família

Isamara e seu filho João Victor, os alvos do assassino machista
Os mortos e feridos na chacina de Campinas são as primeiras vítimas fatais do ódio à esquerda estimulado pela mídia nos últimos anos. Para arrancar o PT do poder, revistas, jornais e emissoras de rádio e TV incentivaram o machismo, a misoginia, a homofobia, a raiva irracional a todo pensamento progressista. Alimentaram a besta.

A carta do assassino nada mais é do que uma colagem dos pensamentos toscos que lemos nos comentários dos portais noticiosos todos os dias, inspirados em (de)formadores de opinião aos quais a mídia deu espaço. Não há nada de surpreendente ali: à parte seus problemas pessoais e psicológicos, o atirador utiliza as mesmas palavras que a direita usa nas redes sociais cotidianamente para atingir “inimigos”, sobretudo mulheres, homossexuais e defensores dos direitos humanos.

Não é à toa que o assassino machista de Campinas apela à mesmíssima expressão para se referir tanto à mãe do seu filho quanto à presidenta Dilma: “vadia”. A palavra “vadia” aparece 12 vezes na carta. Este é o termo mais usado contra mulheres hoje no Brasil, arroz de festa nas redes sociais. Foi o primeiro insulto que recebi ao inaugurar o blog, em 2012, vindo de um roqueiro de direita que se sentiu incomodado por um texto meu — e ele recebeu em seguida o apoio de uma jornalista da Globo.

Contra Dilma, foram incontáveis as vezes em que ela foi chamada de “vadia” e outros termos homólogos a “prostituta” na internet e em cartazes nas manifestações verde e amarelas: “puta”, “vaca”, “vagabunda”, “quenga”. Em 2010, o cartunista Nani foi pioneiro no machismo contra Dilma ao mostrar a candidata “rodando a bolsinha” numa esquina; a charge foi divulgada pelo portal mais visitado, o UOL. Chamar uma mulher de “vadia”, seja ela anônima, jornalista ou presidenta da República virou algo normal, “liberdade de expressão”. No twitter e facebook, xingar mulher rende “likes”. Vão dizer que não? Se até deputados fazem isso e têm milhões de seguidores…

Quem inventou o ódio às feministas presente na carta do atirador de Campinas? Quem o disseminou? Nos programas pseudohumorísticos da televisão aberta e nas redes sociais, é considerado piada inofensiva chamar as feministas de “feminazis”, achincalhá-las noite e dia, demonizá-las. É inegável que, para atingir Dilma, a mídia naturalizou o desprezo às mulheres que se destacam e que lutam contra o machismo. Precisa assumir sua enorme responsabilidade na misoginia que insuflou.

O caso de Campinas infelizmente não é fato isolado. Enquanto a direita brada contra as feministas, todos os dias morrem mulheres vítimas de feminicídio no Brasil. Esta semana, um advogado de Vitória, no Espírito Santo, espancou uma faxineira na porta de casa e teve o desplante de “pedir desculpas”, como se fosse um mero esbarrão. Ficará quanto tempo preso? Em novembro, a sobrinha-neta do ex-presidente José Sarney foi estuprada e morta pelo próprio cunhado, dentro de casa.

Não precisa conferir as estatísticas, basta olhar os portais: todo dia uma mulher é agredida ou morta por ex e atuais companheiros. Desta vez os alvos foram mais numerosos, mas o assassino demonstra sua motivação misógina ao escrever que iria levar junto com ele “o máximo de vadias”. Das 12 vítimas fatais da chacina, nove são mulheres. Em março de 2015, Dilma foi criticada pelo maior jornal do país por sancionar a lei que torna o feminicídio crime hediondo. Em sua carta, o assassino de Campinas chama a lei Maria da Penha de “vadia da penha”.

A combinação de ódio com a defesa do armamento pessoal é literalmente explosiva, e conta com o apoio midiático. Na época do plebiscito, em 2005, a revista mais vendida do Brasil não hesitou em se posicionar, na capa, contra o desarmamento. Uma das bancadas da direita hidrófoba com mais poder dentro do Congresso, todo mundo sabe, é a da bala, formada por políticos que são financiados pela indústria do armamento — a mesma que produz balas de borracha para massacrar estudantes em protestos.

Diante das chacinas que se tornaram praticamente semanais no mundo “civilizado”, seguimos enxergando um uníssono culpado: o fanatismo religioso, esquecendo que todos os fanatismos são igualmente nocivos. O fanatismo político também é sangrento e este encontrou um poderoso eco nas grandes corporações midiáticas, capazes de construir e destruir governantes.

Este é um sentimento perigoso, o ódio. É muita irresponsabilidade para com o país disseminá-lo em nome do antipetismo, estamos alertando há anos. Quantas vezes escrevi aqui aquele provérbio espanhol, “cria cuervos y te sacarán los ojos”? O antipetismo desencaminhou o Brasil, estamos indo para um rumo tenebroso. O único limite para o ódio é o sangue.

E assim começamos 2017… Minha solidariedade às vítimas desta tragédia. Mas sabem o que é ainda mais triste? Saber que nos esgotos de onde o assassino saiu não faltará gente para aplaudi-lo.

Cynara Menezes
No Socialista Morena
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Conferência de Wanderley Guilherme dos Santos — 'Democracia: qual futuro?'


Conferência do professor Wanderley Guilherme dos Santos (UFRJ/Iesp-Uerj), realizada em 7/12/2016, no auditório térreo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e transmitida em tempo real. Presentes na mesa o coordenador do Centro de Estudos Estratégicos (CEE/Fiocruz), Antonio Ivo de Carvalho, e a vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz), Nísia Trindade de Lima.



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Recado de Ano Novo aos minions providos de dois neurônios e raciocínio binário-programável


Man kann den Hintern schminken wie man will, es wird kein ordentliches Gesicht daraus.

"A melhor maquiagem não faz da bunda um rosto apresentável."

(Kurt Tucholsky)

Inauguramos um novo ano, sem novidade nenhuma. De nada adiantarão os tais votos de São Silvestre, com augúrios de felicidade e de um tempo melhor para nossos entes queridos, se não tivermos capacidade de mudar. Está em nossas mãos o destino deste país e do futuro de nossos filhos e netos, mas precisamos começar a pensar com nossa própria cabeça e abandonar a crença ingênua em noticiários, sejam de que cor forem.

Notícias em mídia são como jabutis no alto de uma árvore. Como lá não chegam sozinhos, alguém os colocou lá. Para entender o significado do noticiado, precisamos conhecer a história por trás dele. Por que foi tornado público? Com que intenção? Por que escolheram fulano para escrever a matéria? Por que hoje? Por que na primeira, segunda ou terceira página do jornal? Por que essa manchete? Por que esse lead? Se não tentar responder a essas perguntas, se tomar o conteúdo da notícia pelo seu valor de face, o leitor estará sendo engambelado!

A maioria de vocês, minions, age assim. Vocês lêem um engodo e logo se revoltam. São irritadiços e extremamente impulsivos, o tipo de massa de manobra, "useful idiots", inocentes úteis manobrados por atores inescrupulosos, que usam o que é manifesto para alavancar o que é latente. É claro que a corrupção — o alcance do que é nosso por políticos e empresários de ética deformada — é um fato repulsivo, assim como o tráfico negreiro o era no século XIX. Só que quem monta o circo da comoção pública não está nem aí para o desvalor dessas condutas. Na verdade, sob outras circunstâncias, os manipuladores até as apoiariam com argumentos que vocês, almas binárias, engoliriam com o mesmo histrionismo demonstrado na reação a elas.

Os ingleses enriqueceram com mão-de-obra escrava em suas colônias. Conseguiram com o ciclo do algodão compensar razoavelmente a crise da lã que quase pôs abaixo a sua indústria têxtil no séc. XVIII. Mas quando em 1774 a King's Bench declarou o trabalho escravo incompatível com o Common Law, a diplomacia britânica esmerou-se na imposição da proibição internacional do comércio escravo. Afinal de contas, sem mão-de-obra escrava nas plantações de algodão, os ingleses perdiam feio em competitividade para os franceses, os espanhóis e os portugueses.

Tudo não passou de "business as usual". Assim, quando interceptavam navios negreiros em alto-mar, na maioria das vezes os ingleses não se davam ao trabalho de rebocá-los de volta à costa d'África. Afundavam os barcos com sua carga humana. Prevalecia a lei do menor custo. Em 1826, impuseram ao Brasil um tratado em que se acordou a proscrição do trabalho escravo. Este fazia parte de um pacote de medidas humilhantes vinculadas ao reconhecimento da independência do País pela coroa britânica. Em 1827, depois de indignados protestos do legislativo imperial, D. Pedro I foi obrigado a ratificar o tratado a bordo de um vaso de guerra inglês. E como o Brasil insistiu em descumprir o tratado, os ingleses anunciaram em 1845, por ato do parlamento (Bill Aberdeen), que perseguiriam embarcações irregulares até em águas territoriais brasileiras e submeteriam sua tripulação a cortes marciais britânicas. Na implementação dessa medida, chegaram a interceptar inúmeras embarcações absolutamente regulares e confiscaram sua preciosa carga. Houve troca de tiros entre navios da armada britânica e navios de guerra brasileiros, com óbitos só de nosso lado. Houve uma tentativa de invasão da Baía da Guanabara, rechaçada pela guarda costeira pátria. E sem a sanção da Lei Eusébio de Queiroz, em 1850, proscrevendo o comércio de escravos, a guerra contra a Inglaterra teria sido inevitável.

Importante é lembrar que, por mais desprezível e desumano que seja a redução de semelhantes à condição de escravos, o discurso manifesto era só uma cortina de fumaça que escondia a intenção latente dos ingleses de submeter o Brasil a seus interesses econômicos e políticos. Ninguém vai por isso ser tolerante ou até bater palmas para o regime escravocrata que permeia nossa cultura de desigualdade até hoje, mas é preciso ser esperto e não deixar que outros nos ditem suas agendas para inviabilizar nosso país. Somos nós que temos que dar o rumo ao nosso desenvolvimento, em vez de moldá-lo aos desígnios estratégicos alheios, até porque quem nos quer impor a pecha de imorais não tem moral nenhuma para fazê-lo.

A cruzada atual contra a corrupção assume essa mesma feição de ditado externo. A pauta de proibição de peita a funcionários estrangeiros, objeto de convenção da OCDE de que o Brasil é parte signatária, para dar maior pujança a seu comércio exterior, atende sobretudo às economias centrais, já que a prática da peita afeta majoritariamente governos periféricos. Não que não haja corrupção nas economias centrais. Ela existe fartamente, tanto no setor público, quanto no privado. O governo americano não teve problemas em depositar recursos classificados como de "cooperação técnica policial" em contas pessoais de autoridades do ramo no Brasil. As empresas norte-americanas corriqueiramente fazem lobby nada kosher com atores políticos do mundo inteiro. Mas ficam à margem da ação de sua Justiça. Afinal de contas, isso é um problema, nesse caso, de restrições legais à territorialidade. Mas quando se trata de nossas empresas estratégicas, os EUA estendem, com subserviente ajuda das nossas autoridades persecutórias, sua jurisdição ao infinito, punindo-as por atos estranhos ao território americano.  Como disse o vice-diretor do FBI, as práticas dessas empresas afetam a segurança nacional americana e repercutem no mercado internacional, no qual as empresas americanas também atuam.

E nossas instituições bobinhas, com complexo de vira-latas, fazem de tudo para agradar ao governo americano, orgulhando-se de prêmios recebidos de instituições e revistas da metrópole. Fazem, com isso, o papel que se espera delas: sufocar a ousadia brasileira de ter um projeto nacional.

Isso, claro está, não serve de perdão a nossos malfeitores corruptos, agora muito mais presentes no governo que se estabeleceu depois do golpe parlamentar turbinado pela meganhagem antinacional do complexo judiciário-policial e pela grande mídia comercial. Mas a resposta a nossas corrupções de cada dia deve ser dada no estrito atendimento aos interesses nacionais. Não pode destruir setores de nossa economia e tornar-nos um pária da globalização. Não pode inviabilizar a governação e anular todo o recente esforço de inclusão social. E nem pode transformar nosso sistema de Justiça num teatro de desmoralização de investigados. Temos de reagir de forma dura, mas preservando nossos ativos estratégicos — exatamente como eles, nossos autoproclamados parceiros, também fazem.

Quem tiver culpa, que responda, mas com a dignidade que nossa constituição garante a todas e todos. Nenhum método de investigação torto justifica-se em função de pretenso "bem maior", pois não há bem maior que a dignidade da cidadania e o legítimo interesse estratégico nacional. É preferível um culpado ser inocentado porque não se logrou provar sua culpa dentro da lei, a culpar um inocente com métodos a seu arrepio.

E, queridos minions, não entrem nessa onda populista de quem quer usá-los para reforçar seus privilégios no serviço público, sugerindo-lhes que são um povo cheio de dignidade lutando contra um bando de canalhas, porque, quando tudo acabar, só sobrará tapera e vocês não serão mais "um povo" orgulhoso do seu verde-amarelo, mas serviçais mal-pagos e desmoralizados do Grande Irmão do Norte.

Oxalá que para nós todos, brasileiros e terráqueos de todas as colorações, a esperança vença em 2017 a injustiça, a traição e a prepotência!

Eugênio Aragão
No GGN
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FHC sabia de tudo e não contou nada


Sete meses depois do afastamento de Dilma Rousseff, centenas de milhares de brasileiros que foram às ruas  apoiar o pedido de impeachment têm todo direito de se mostrar indignados com as descobertas recentes sobre   Michel Temer e  seus auxiliares diretos.

Minha opinião é que essas pessoas deveriam pelo menos admitir que vestiram nariz de palhaço quando resolveram  ignorar  denúncias frequentes que mostravam que o país assistia a um espetáculo de caráter seletivo,  onde objetivos de natureza política  tinham prioridade sobre fatos e provas de caráter criminal.  

A leitura do volume 2 dos Diários da Presidência mostra que Fernando Henrique Cardoso,  tinha perfeita noção de que se preparava um embuste para iludir o país com discursos de falso moralismo mas preferiu emprestar a biografia para dar respeitabilidade a um circo político que Joaquim Barbosa classificou como "encenação" do Congresso.

Os registros das 868 páginas mostram Fernando Henrique preferiu o silêncio quando poderia ter falado — e muito. Deixou lembranças e observações  para a história, aos estudiosos do futuro mas não agiu de acordo com o que conhecera e sabia. O volume 2 veio a público em maio, quando a sorte de Dilma recebia o tratamento final na Câmara de Eduardo Cunha,  Jair Bolsonaro e as lideranças do PSDB, produzindo uma cena lamentável de barbárie política.

Compreende-se pela leitura do Diário que FHC  conhecera de perto a liderança do PMDB que, em torno de Michel Temer, Geddel Lima e Eliseu Padilha, preparava-se para o assalto ao poder.

Em 1997, dezenove anos antes, Fernando Henrique encontrava-se na segunda metade de seu primeiro mandato como presidente da República, quando teve a oportunidade de redigir suas impressões opiniões sobre o triunvirato Temer-Geddel-Padilha no volume 2 dos Diários da Presidência.

Verdade que em 1997  ele não podia imaginar que estava produzindo um relato precioso para se examinar o comportamento de cada um desses personagens, quase vinte anos mais tarde. Até por isso, o texto tem um caráter especialmente valioso, já que Fernando Henrique Cardoso teve uma experiência bastante concreta, digamos assim.

De olho na joia da coroa da Esplanada, o Ministério dos Transportes, tradicional ponto de negócios com grandes empreiteiras — as mesmas que em nossa época fariam delações premiadas na Lava Jato — o trio queria emplacar Padilha a frente da pasta mais disputada de Brasília. Fernando Henrique resistia. Deixou palavras que mostram uma certa bravura, o esforço de quem precisava do apoio do PMDB mas fazia questão de registrar sua preocupação com princípios e a disposição de resistir a pressões indevidas.  

Está lá, na página 167, uma descrição crua da situação: "o PMDB entrou no nível da chantagem," escreve FHC, referindo-se ao esforço de Geddel para trocar votos para garantir aprovação do Fundo de Estabilização Fiscal, peça-chave do plano Real, "pela nomeação do ministro".   

Já o atual presidente da República, Michel Temer, diz FHC, com uma ponta de ambiguidade, encontrava-se  "um pouco atordoado, mas também participando." Conforme o presidente, "parece que está havendo aí um lobby muito forte (a favor de Padilha).  Isso já torna a nomeação mais perigosa."

Três páginas adiante, na noite de 29 de abril de 1997, a desconfiança fica escancarada. O presidente senta-se para relatar uma conversa com o tesoureiro Sérgio Motta, ministro das Comunicações e operador político do governo. Para FHC, a pressão é tão grande que "está cheirando mal."

Vamos ler o trecho, na íntegra, com riqueza de detalhes:  "no domingo, encontro o Sérgio Motta, ele muito nervoso, realmente nervoso. Foi a uma reunião na casa do Michel Temer, numa festa, e lá o Geddel, o líder do PMDB, dizia que se o Sérgio quisesse aprovar o Fundo de Estabilização Fiscal, tinha que nomear logo o ministro, tem que o ser o Eliseu Padilha, uma coisa explícita. Eu já tinha decidido que não vou nomear Eliseu Padilha nenhum, porque esta pressão está cheirando mal." Em seguida, Fernando Henrique esclarece: "até tenho simpatia pelo Eliseu mas do jeito que as coisas estão se colocando, isso está mal."

Por vários semanas, Fernando Henrique deixou registrada sua má vontade com o ministeriável, que iria se tornar ministro-chefe da Casa Civil e homem forte do governo Temer. Só se referia ao gaúcho  Padilha como  "aquele rapaz do Rio Grande do Sul." (Também parece divertir-se chamado Aécio Neves pelo diminutivo Aecinho). Quem tivesse lido o diário, na época, teria certeza de que Padilha jamais se tornaria ministro de FHC.

Três semanas depois, ocorreu aquilo que costuma se passar no mundo político, com tantos personagens, de todos os partidos, mesmo aqueles que não escrevem Diários. Em 22 maio de 1997,  menos de um mês depois de ter escrito que não iria "nomear Eliseu Padilha nenhum, essa pressão está cheirando mal," Fernando Henrique lhe deu posse no ministério, permitindo que ali ficasse por até novembro de 2001, ou seja, por quatro anos seguidos. A passagem de Padilha pela Esplanada foi marcado por rumores e denúncias, em grande parte vocalizadas por Pedro Simon, voz histórica do PMDB gaúcho. A opinião corrente era que aquele ministério estava mesmo "cheirando mal", embora nada tivesse sido demonstrado contra o ministro. Em qualquer caso, é bom admitir, a oposição não tinha força política para isso. Sequer foi capaz de convocar o ministro para dar explicações no Congresso. "O Geddel se mobilizou para comandar a tropa de choque que protegeu o Padilha," lembra um parlamentar presente, bastante ativo, na época, referindo-se ao futuro ministro cuja permanência no Planalto tornou-se insustentável quando se revelou seu empenho para salvar um apartamento milionário em Salvador num investimento condenado pelo patrimônio histórico.

Duas décadas mais tarde, em julho de 2015, quando especulou-se sobre a possibilidade de um encontro entre FHC e Dilma Rousseff, pois eram claros os sinais de que a democracia encontrava-se em situação de risco, o ex-presidente usou sua página no Facebook para recusar qualquer contato com uma presidente eleita por 53,5 milhões de votos, que no dia de seus 80 anos redigira uma carta-homenagem de reconhecida generosidade, muito além de todo protocolo e toda conveniência política.

"O momento não é para a busca de aproximação com o governo mas sim com o povo", escreveu Fernando Henrique. "Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo."

Na verdade, o que não deveria ser salva era uma articulação que produziu a mais grave ruptura institucional desde abril de 1964, abrindo um processo de destruição de direitos e permanente instabilidade — cuja origem se encontra na quebra da soberania popular. Repetindo 1997, quando acabou cedendo a uma operação que estava "cheirando mal", em 2016 ficou em silêncio e fez o que se sabia que não deveria ser feito.

Paulo Moreira Leite
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72% dos brasileiros leem notícias nas mídias sociais


A televisão ainda tem a audiência de 79% dos brasileiros, mas o consumo de notícias pelas mídias sociais tem aumentado. Segundo pesquisa do Instituto Reuters, da universidade de Oxford, 91% dos brasileiros disseram usar a internet para se informar.

A grande maioria dos internautas brasileiros (72%) lê notícias pelas mídias sociais. O Facebook e o WhatsApp são as plataformas preferidas para se informar. Isso coloca o país em 3º lugar no ranking da pesquisa que foi realizada em 26 países.

O Brasil é o 1º na lista em crescimento de consumo de conteúdo jornalístico on-line. Em 2016 houve um crescimento de 8 pontos percentuais em relação ao ano passado. Essa diferença é a maior entre os países que foram pesquisados.

No quesito interação com as notícias, o país também está no topo do ranking. Os internautas brasileiros ficam em 1º lugar, junto com a Turquia, com 90% dos leitores compartilhando, curtindo ou comentando o conteúdo postado na rede.

O consumo de notícia na web é alto, mas o número de pagantes ainda é baixo. Cerca de 1 em cada 5 brasileiros pagou para ter acesso às notícias em 2015. Em média, o valor pago foi de R$ 46.

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Rombo nas contas enriquece os de sempre e paralisa o país

Com Temer, os ricos continuarão ficando cada vez mais ricos, apropriando-se, sem trabalho árduo, do dinheiro fácil proveniente do orçamento público favorecido pelos juros estratosféricos

A provação pelo governo Temer da PEC 55 que congela em termos reais os gastos federais não financeiros aprisiona os próximos 20 anos à semi-estagnação dos rendimentos do conjunto dos brasileiros. No país da financeirização da riqueza, a referida PEC não limita do crescimento real somente os gastos financeiros que seguem livres para continuar crescendo.

Como o Brasil se encontra há muito tempo entre os países das mais altas taxas de juros do mundo, os rentistas que vivem sem a necessidade do trabalho árduo, mas da fácil apropriação das transferências dos recursos públicos, ganham o passaporte para o futuro. Atualmente, mais de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) nacional encontra-se absorvido pela economia da financeirização da riqueza, o que retira dinamismo da economia real para crescer e, portanto, gerar empregos e renda nacional.

O green card ofertado pelo governo Temer aos ricos tem sido elogiado pelos de sempre, pois defendem que a atual situação fiscal deriva da gastança dos governos. No ano de 2015, por exemplo, o déficit nas contas públicas equivaleu a 10% do PIB, embora 90% deste valor tenham sido produzidos pela conta de juros paga pelo governo.

Neste sentido, o desarranjo nas contas governamentais assenta-se na financeirização da riqueza. Ela tem sido sustentada por escandalosos juros definidos pelo Banco Central e que aplicados sobre o estoque da dívida pública implica soma absurda transferida anualmente do orçamento para os já ricos. São os impostos, taxas e contribuições pagas proporcionalmente mais à renda dos pobres que alimentam a conta da transferência orçamentária dos governos aos privilegiados.

Pela PEC 55, os ricos continuarão ficando cada vez mais ricos, apropriando-se, sem trabalho árduo, do dinheiro fácil proveniente do orçamento público favorecido pelos juros estratosféricos. Mas a população que não é rica perde com o congelamento real dos gastos federais não financeiros, pois deixa de ter o que hoje já é difícil em termos de serviços e bens públicos. O amanhã, neste sentido, poderá ser ainda pior.

A educação e saúde, por exemplo, perderão recursos reais quando considerado o total de recursos gastos anualmente por habitante. Isso tenderá a ocorrer em termos reais somente se a população estiver estagnada.

Mas como para cada ano há mais vivos do que mortos entre os brasileiros, os recursos públicos divididos pelo conjunto da população tenderão a ser cada vez menores. O que significa destoar do que a Constituição Federal de 1988 estabelecia, ou seja, a busca pelo bem-estar social da população.

Em vez do corte nos gastos federais não financeiros per capita, o governo Temer poderia impulsionar, por exemplo, um conjunto de medidas para retirar a economia brasileira da recessão que se encaminha para o seu terceiro aniversário em 2017. Ademais, o corte na desoneração, subsídios e incentivos fiscais implicariam uma nova injeção de recursos aos cofres públicos, tornando desnecessária a PEC 55.

Tudo isso que representaria o caminho para o crescimento econômico e a retomada do bem estar da sociedade não encontra guarida entro os donos do dinheiro no país. Por isso, o governo que exerce a função simultânea de porta voz e garçom dos interesses dos ricos, dificilmente mexerá uma palha neste sentido.

Poderão ser mais dois anos de sofrimento profundo, sem necessidade alguma, salvo agradar os que já têm muito e não abrem mão de nada. A não ser é claro, que a população organizada tome em suas mãos os destinos do país, passando a escrever história diferente. As eleições diretas em 2017 seriam um bom começo.

Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
No RBA
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Doria resgata Jânio Quadros e César Maia no seu primeiro dia como prefeito

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2017/01/02/doria-resgata-janio-quadros-e-cesar-maia-no-seu-primeiro-dia-como-prefeito/

O novo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), escolheu para primeiro ato de seu governo ir às ruas com todo o seu secretariado e presidentes de empresas municipais vestido de gari e empunhando vassouras. A cena, além de constrangedora, não é nada nova. Muito pelo contrário, remete ao populismo imbecilizado que teve em Jânio Quadros seu principal expoente. Jânio, o homem da vassourinha, que depois de renunciar e levar o país ao golpe de 64, se tornou prefeito de São Paulo, em 1985, utilizando os mesmos métodos.

Jânio descia do carro oficial para multar motoristas, dava incertas em hospitais e saia distribuindo ordens para médicos e enfermeiros. Fazia de tudo, mas sempre quando havia algum órgão de imprensa para registrar a cena.

Eleito em 1992 para prefeito do Rio de Janeiro, César Maia resgatou o estilo Jânio. Se tornou conhecido nacionalmente como o “prefeito maluquinho”. Entre outras ações, em meio ao calor carioca pediu sorvetes num açougue e aproveitou o Carnaval carioca para sair junto com os garis (que coincidência, né?) varrendo a Sapucaí.

O misancene de João Dória nada mais é do que uma estratégia de marketing de um produto que foi criado em laboratório e que precisará de muita cobertura positiva da imprensa para não apodrecer em poucos meses.

Dória precisa se lançar numa cruzada enlouquecida por holofotes e notícias de suas ações porque, inclusive, já é candidato a governador do estado.

O velho populismo ganhou um ator à altura. Mas engana-se quem acha que  neste papel Doria vai se permitir ser apenas um coadjuvante, por exemplo, de Alckmin.

Se houver possibilidade e se o governador der mole, ele partirá para cima.

Os populistas não fazem jogo coletivo. Eles jogam sempre sozinhos e para eles mesmos.

Se você achou a cena de hoje bizarra, prepare-se. Vai vir coisa muito pior pela frente. Doria de gari é só uma amostra grátis de um novo contexto político onde Bolsonaro é considerado um mito por boa parte da população.

PS: Só pra não dizerem que falei de tudo, menos do ato em sim, as ruas da Praça 14 Bis que Doria e seus asseclas foram varrer hoje pela manhã, foram limpas de madrugada por uma equipe de trabalhadores de fato. Gente que não veste o uniforme de gari apenas para sair na foto.



Demagogo e falastrão, Doria não terá paz!

Na maior capital do país, São Paulo, o empresário e apresentador de tevê João Doria – também já apelidado de João Dólar – tomou posse neste domingo (1) afirmando que cumprirá todas as suas promessas de campanha. Mas nem a mídia chapa-branca bota fé nas bravatas do novato tucano, uma criação de laboratório do governador Geraldo Alckmin. E muitos já preveem que sua gestão será conturbada. “Pesquisas qualitativas feitas por agências de comunicação mostram que o pavio do paulistano está curtíssimo e que a lua de mel do eleitorado com João Doria pode ser curta”, informa uma notinha da Folha. Ou seja: o demagogo e falastrão não terá paz!

O mesmo jornal – mais ligado ao “chanceler” José Serra, rival de Geraldo Alckmin – fez um balanço das propostas do ricaço e chegou a uma conclusão que já poderia ter tirado durante campanha. “Eleito no primeiro turno das eleições com 3,1 milhões de votos (53% dos votos válidos), o empresário e jornalista João Agripino da Costa Doria Junior assume a Prefeitura de São Paulo com uma bagagem pesada de compromissos assumidos em sua primeira disputa eleitoral. Foram 118 promessas feitas em debates, sabatinas, programas eleitorais e entrevistas... Para honrá-las integralmente nos próximos quatro anos, o prefeito terá que cumprir, em média, uma a cada 12 dias de mandato”.

Ricaço indenizará as vítimas das marginais?

Uma das promessas, a do aumento das velocidades nas marginais Tietê e Pinheiros, já tem data para ser implantada – em 25 de janeiro, data de aniversário de 463 anos da cidade –, e pode trazer baita dor de cabeça ao falastrão. Como lembra a Folha, “os limites dessas vias foram rebaixados por Haddad em julho de 2015, com o objetivo de reduzir acidentes e melhorar a fluidez. Na campanha, a medida foi criticada por Doria: ‘Ela penaliza os motoristas’, afirmou. O fato é que os acidentes com mortes caíram pela metade desde as reduções das velocidades, e a Marginal Tietê completou 19 meses sem nenhum atropelamento”. Prováveis mortes serão debitadas na milionária conta do empresário.

Já outras promessas mirabolantes devem desgastar rapidamente a imagem do novo prefeito. Ele prometeu zerar a fila por vagas em creches em apenas um ano. Nenhum especialista da área acredita nesta fanfarrice. “O deficit hoje atinge 133 mil crianças de zero a três anos. Para matricular todas elas até dezembro de 2017, Doria terá de entregar, em média, 2,6 creches por dia”. Outra bravata, a de que vai acabar até o final do ano com as filas para os exames nos estabelecimentos de saúde, também deve cair no ridículo. São 417 mil paulistanos à espera de um exame. João Doria também prometeu renovar toda a frota de ônibus da cidade. Outra picaretagem típica de um ser midiático!

O levantamento da Folha ainda aponta as promessas vagas, sem metas definidas, que caracterizam os demagogos oportunistas. “É o caso do compromisso de ampliar o número de moradias sociais. Embora tenha dito que investiria no Casa Paulista, programa estadual de habitação, Doria não cravou objetivos claros. Foi assim também com as escolas em tempo integral, uma promessa ainda nebulosa. ‘Ensino em tempo integral em todas as escolas onde for possível. Onde não for, vamos ampliar e construir mais escolas’, prometeu, em debate na TV Gazeta. Também não se sabe quantos CEUs ou abrigos para moradores de rua o prefeito construirá – os dois temas são promessas de campanha”.

A bravata do "choque de gestão"


A Folha serrista não é o único jornal que desconfia das promessas do novato tucano. Em reportagem publicada neste domingo (1), o Estadão apresenta opiniões críticas de especialistas em várias áreas. “O novo prefeito começa com a velha prática política de anunciar ‘choques de gestão’, a começar pela zeladoria. Afirma que estará a postos amanhã, às 6h, vestido de gari, com seus 22 secretários, para varrer a Praça 14 Bis, no centro. O mutirão é visto com ressalvas. ‘Ele está certo em fazer ações de zeladoria, mas não é só uma questão de limpar a cidade. Precisa ter investimento para colocar padrões nas calçadas, guias, bancos, tirar a fiação exposta para ficar com cara de cidade do século 21”, diz o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Lúcio Gomes Machado”.

O jornal também questiona as promessas na área da educação. “Doria prometeu zerar, em um ano, a fila de 133 mil crianças por vagas em creche, por meio da ampliação de convênios com entidades da rede privada. Nos cálculos de Cisele Ortiz, coordenadora do Instituto Avisa Lá, o prefeito teria de inaugurar 1 mil unidades com 150 vagas. ‘Algo que não me parece possível de ser feito em um ano’ ... Já na saúde, outra tarefa nada fácil: acabar com a fila por exame, que é de 417 mil, em 90 dias, a partir da contratação de serviços da rede privada. Para Walter Cintra, coordenador do Curso de Especialização em Administração Hospitalar da FGV, o prazo não parece suficiente, mesmo com parcerias”.

Altamiro Borges
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Marcos Nobre: Em 2017, sentimento de insatisfação pode virar contra o STF


No final do ano passado, o filósofo e cientista político Marcos Nobre disse em entrevista ao jornalista André de Oliveira, de El País, que a crise vista durante 2015 se prolongaria por 2016. Também fez a leitura de que o processo de impeachment de Dilma Rousseff, que tinha acabado de ser aceito por Eduardo Cunha, era só uma tática do sistema político para se salvar da Lava Jato. Agora, depois de um ano, ele avalia que a instabilidade vista lá atrás continua e que a operação, sediada em Curitiba, continua ditando o ritmo da vida nacional. Nobre traça um horizonte nebuloso para 2017, em que até o Supremo Tribunal Federal (STF) pode se ver no centro da insatisfação popular.

No final do ano passado, logo depois de Eduardo Cunha deflagrar o impeachment de Dilma Rousseff, você disse que o processo era um mecanismo de autodefesa do sistema político. Funcionou?

Por enquanto não, mas isso não significa que o sistema político não esteja tentando encontrar alguma maneira de se autoanistiar. O problema é que quanto mais tempo passa, quanto mais delação aparece, mais difícil fica. A ideia inicial era tentar circunscrever a Operação Lava Jato à corrupção do PT. Era uma tática semelhante a do mensalão, em que figuras de alto escalão do sistema político foram entregues em uma bandeja e o resto se salvou. Só que dessa vez não deu certo. Do ponto de vista da insatisfação popular, a rejeição antipetista de certos setores virou uma rejeição à política como tal, já que a Lava Jato se estendeu por todo lado.

Na sua leitura, por que lá atrás a tática teve êxito e dessa vez não?

Por causa da maneira de operar da Lava Jato. O juiz Sergio Moro inventou uma espécie de linha de montagem processual penal. Ele não segue os passos clássicos de um processo, como aconteceu no mensalão, em que havia toda uma investigação, depois o estabelecimento de uma teia de ação e do universo de possíveis atingidos. Moro inverteu a lógica e passou a fazer um por um: esse sujeito vai me levar a outro e esse outro vai me levar a outro. Ou seja, só vai haver uma rede, uma narrativa mais consolidada, se, ao final, for possível montá-la. Quando essa lógica foi invertida, o sistema político entrou em pânico, porque já não é possível ter horizonte algum. Ninguém sabe onde isso vai acabar e qualquer acordo fica impossível. Por isso o impeachment não deu certo e, por isso, o Governo Temer está em uma situação praticamente insustentável.

Apesar das delações, é um Governo que conseguiu aprovar uma mudança na Constituição para aprovar o ajuste fiscal mais duro desde 1988. A situação é tão delicada assim?

A lógica do impeachment nunca foi a lógica das ruas. No começo das manifestações de 2015, ninguém pedia a deposição de Dilma Rousseff. Foi só depois de Temer sair da articulação política do Governo e dizer que o país precisava de alguém para reunifica-lo, que a energia foi canalizada para essa pauta. A mensagem dele, naquele momento, foi de que a porta estava aberta e de que ele trabalharia pelo impeachment. Acontece que, uma vez que ele colocou esse mecanismo em marcha, por que ele não pode se voltar contra ele? Esse era o drama na época do Collor, mas naquela época havia um projeto no horizonte. O Plano Real estava lá e a Lava Jato não existia. Agora qual é o projeto? Não há. Só há uma agenda negativa de cortes e cortes, como a PEC 55. Isso, somado ao fato de que o impeachment de Dilma não colocou ninguém a salvo, é explosivo. Se Temer não apresentar um novo Governo, se não conseguir convencer as pessoas de que é um novo Governo, ele não vai conseguir se sustentar até 2018.

Você acredita que a tranquilidade das ruas, então, é tão importante neste momento quanto o apoio da Câmara? Qual é o projeto do Temer? Não há. Só há uma agenda negativa de cortes e cortes, como a PEC 55. Isso, somado ao fato de que o impeachment de Dilma não colocou ninguém a salvo, é explosivo.

Sim, os dois são importantes, mas se engana quem acha que não há fraturas na base. Ela está expressa hoje, por exemplo, no funcionamento miúdo do sistema político. A possível indicação do Antonio Imbassahy (PSDB) para a Secretaria Geral e a reação do centrão mostra bem isso [a nomeação do tucano foi vista como um sinal de que Temer apoiaria a recondução de Rodrigo Maia (DEM) à presidência da Câmara, almejada pelo dito centrão]. O que acontece? É que ao mesmo tempo em que existe um interesse generalizado do sistema se salvar, está impossível de achar uma saída para todos e isso cria divisões internas aos montes. Como uma união contrária a Lava Jato não está funcionando como estratégia, cada ator, conforme tiver mais ou menos implicado, está tentando uma saída diferente. Por isso a presidência da Câmara é tão importante e, por isso, essa base do Governo Temer é tão delicada. Cantar vitória agora, nos seis primeiros meses, soa precipitado.

Mas, por enquanto, tirando as manifestações à esquerda, Temer não enfrentou uma rejeição nas ruas como a de Dilma.

O que acontece é que está funcionando já faz algum tempo, do ponto de vista da opinião pública, a história de escolher um inimigo número um, um alvo privilegiado. Por que isso? Porque tem tanta gente delatada, tem tanta gente sob suspeita, que você não pode, do ponto de vista da indignação, dirigir sua ira contra 200 ao mesmo tempo. Uma pessoa, que representa uma ojeriza geral, acaba virando o alvo. Primeiro foi a Dilma, o Lula, o PT, depois com o afastamento da ex-presidente, virou o Eduardo Cunha. Aí vieram as eleições municipais que acalmaram o cenário e agora, depois dos enfrentamentos com o Ministério Público, o alvo virou o Renan Calheiros. Nesse momento, o que o Renan mais queria, provavelmente, era sair da presidência do Senado, submergir no sistema e deixa a poeira baixar. Mas quem será o novo alvo? Vai depender muito das delações, mas o que está parecendo é que será o Temer. E se o alvo é ele, o Governo também é. Acredito que ele tem duas possibilidades: ou dá um jeito de se desviar dessa indignação, sabendo que em algum momento ela pode vir para cima dele, ou, mais uma vez, dá um jeito de se reconfigurar. De fazer com que pareça que ele está começando de novo.

E essa reconfiguração seria uma troca ministerial no começo do ano, por exemplo?

Também. Ele precisa fazer alguma coisa para apresentar um horizonte. A PEC do teto de gastos só foi relativamente compreendida pela população no momento em que ela estava sendo votada em segundo turno no Senado, mas vem aí uma reforma da Previdência. E de Previdência as pessoas entendem. É algo palpável, sensível. É de se esperar que vão reagir de outro modo. Não dá para governar na base de corte. Quer dizer, por enquanto, o Governo consegue aprovar as coisas, porque essa é a especialidade do PMDB: ser base. Mas o que vem funcionando nos últimos 20 anos no Brasil é que você tem dois polos e um centro. Os polos são representados por PT e PSDB, o centro é essa coisa meio amorfa que é o PMDB, especializada em oferecer apoio parlamentar. PT e PSDB são especialistas em coordenar, em criar agendas minimamente transversais que apontam para um lugar. É só pensar nos anos FHC, Lula e Dilma. Você sabia para onde eles estavam indo. A grande questão é que o PMDB não vai conseguir fazer isso sem esse tipo de expertise. Bom, o PT está fora do jogo no momento, então a questão é: ou o PSDB entra com tudo e coordena esse Governo, assumindo sua função clássica, ou esse Governo não dura. O dilema do Temer, no momento, passa por isso, porque ele já perdeu sua cozinha política. Não caiu só o Geddel, mas a capacidade de articulação de figuras como Eliseu Padilha e Moreira Franco também está debilitada. O Temer precisa do PSDB.

E o PSDB precisa do Temer?

O partido está rachado de maneira irremediável e não se sabe como e nem se vai conseguir se reunificar. Hoje, Geraldo Alckmin é o candidato mais forte. Ele tem o segundo e o terceiro orçamento da união: Estado e cidade de São Paulo [comandada por João Doria, prefeito eleito e afilhado político de Alckmin]. Serra e Aécio, por outro lado, não tem dinheiro, mas são mais expressivos e estão fazendo uma aliança contra Alckmin. Para o Governador, o interessante é fugir dessa aliança, mas os dois querem tomar o Governo Temer. É um risco para o futuro? É, mas é como eles podem lutar contra a influência de Alckmin. O que isso significa? Que a política, como funcionou desde 1994, não existe mais. Os polos coordenadores estão fraturados e o centro, que sempre foi responsável por apoio parlamentar e conquista de votos, está desnorteado com a Lava Jato. Ninguém sabe até onde ela vai e nem quanto ela acaba.

Moro vem dizendo que ano que vem gostaria de morar nos Estados Unidos e parece pouco provável agora, mas já falou em encerrar a operação até o final deste ano.

Só que ela continua no STF. Ele terá que lidar com todos os processos com foro privilegiado que vão chegar lá. E aí está uma questão central do problema vivido hoje no Brasil. Quando eu digo que o sistema político não sabe o que fazer, estou incluindo também o Judiciário. Nunca considerei que a Justiça está fora desse sistema. O que quero dizer é que o STF terá problemas pela frente. No momento em que a Corte e as instâncias superiores foram concordando com os procedimentos controversos da Lava Jato, passaram a mensagem de que esse procedimento vale lá também. Como o STF vai fazer para julgar tudo o que vai chegar lá no ano que vem? O risco é que o sentimento de insatisfação que virou contra o Renan, que pode virar contra o Temer, também pode virar contra o STF.

Sim. Uma coisa é você ter um juiz de primeira instância, com dedicação exclusiva, que é o caso do Sergio Moro. Outra coisa é o funcionamento normal do Judiciário. Não foram apenas as sucessivas confirmações do trabalho da Lava Jato, mas também algumas decisões, como a prisão do Delcídio do Amaral, um senador em exercício de mandato, que colocaram em marcha uma maneira de funcionar que não cabe dentro do sistema. Acho que o STF vai receber uma bola de Curitiba que não está preparado para lidar. Se não se preparar, vai ser apedrejado. Não existe nenhuma figura, ou instituição, hoje que seja incontroversa.

Moro não é essa figura?

Não, de jeito nenhum. É só citar a divulgação do áudio em que a presidente aparecia falando, o caso do promotor que apresentou um PowerPoint esdrúxulo, e, mais recentemente, a foto de Moro em uma espécie de convescote com Aécio Neves. Essas coisas só são aceitas sem conflitos por um ódio antipetista ensandecido. Ele é uma figura controversa.

Uma pesquisa recente do instituto Ipsos mostra que 96% da população é favorável à Operação Lava Jato custe o que custar.

O que essa pesquisa mostra é que a luta contra corrupção é uma unanimidade e hoje, no Brasil, Lava Jato virou sinônimo dessa luta. Agora, quando você vai para as figuras, sempre há controvérsias. O principal é que esse sentimento é um reflexo do fato de que a maneira de funcionar do sistema político brasileiro acabou com as manifestações de junho de 2013. Essa história de um Governo que só governa com uma supermaioria não dá mais. Só que ninguém se dá conta disso, porque a Lava Jato impõe um ritmo de salvação para esse sistema. Quem está pensando no futuro, não consegue pensar na semana que vem. É um horizonte muito curto.

Hoje, poucas pessoas estão contando com a possibilidade de Lula ser candidato, mas ninguém pode colocar alternativa enquanto isso não for resolvido. A reconfiguração da esquerda depende dele

Enquanto o Governo Temer termina o ano envolto em turbulência, a esquerda, por outro lado, não consegue se reorganizar. Talvez o momento mais significativo do ano tenha sido a manifestação de 4 de setembro contrária a deposição de Dilma Rousseff, que reuniu 100 mil pessoas, em São Paulo. Por que isso não se repete?

Aquele foi um momento muito significativo, porque o campo progressista entendeu que a defesa do mandato de Dilma não era uma defesa do Governo dela ou do PT, mas uma defesa da esquerda. É uma pauta que mobiliza, que diferencia. Isso só vai acontecer de novo quando a esquerda construir, novamente, uma agenda. Qual é o programa econômico da esquerda hoje? Quais são as ações propostas para se enfrentar o retrocesso? Não há. O Lula hoje é o principal nome desse campo, continua crescendo nas pesquisas, mas a discussão fica travada porque não se sabe o destino dele. Estão todos à espera do que vai acontecer com ele. Hoje, poucas pessoas estão contando com a possibilidade de ele ser candidato, mas ninguém pode colocar alternativa enquanto isso não for resolvido. A reconfiguração da esquerda depende dele.

No final do ano passado, você disse durante as eleições de 2014, a rua, que protestou em 2013, foi organizada em duas calçadas distintas. 2017 pode começar com a união dessas duas calçadas entorno de uma pauta?

Acho pouco provável. Os últimos anos fraturaram demais a opinião pública. O que pode acontecer, isso, sim, são manifestações que pedem a mesma coisa em dias diferentes ou em locais diferentes. Podem ter o mesmo objetivo e adotarem a pauta do Fora Temer ou se virarem contra a reforma da previdência, mas as razões serem diferentes. E as razões, na política, importam muito”.

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Até logo, Sérgio...


Ano novo é ritual de passagem e, como tal, não se presta a fotos ou exposições públicas. São coisas que fazemos dentro de nós, no recôndito do sagrado. Por isso, escapou-me a triste notícia do encantamento de Sérgio Grando, nessa virada do tenebroso 2016. Na radiante manhã desse 1 de janeiro, fui ver as mensagens e lá estava essa, solitária, num dos aplicativos que a isso se dedicam. Sei que a morte é limiar para outro universo, tempo em que o corpo volta a ser só energia. Ainda assim, a ceifadora sempre nos toca, porque nos lembra – impávida – de que nossa hora também vai chegar.  Por isso choramos. Pelo que se foi e pela pena que nos dá saber que também nós iremos...

Grando não era meu amigo, mas era um companheiro. Com ele trabalhei no tempo em que foi prefeito. Naqueles dias, convidada pelo querido Luis Sabanay, fui fazer o trabalho de divulgação da proposta de Orçamento Participativo, incorporada ao programa da então Frente Popular. Tinha como parceiro o agora precioso amigo Raul Fitipaldi. Esse incrível trabalho que veio da plataforma do PT mergulhava na vida dos bairros, das comunidades, e com os moradores discutia e decidia como o orçamento da cidade seria usado.

Foi uma experiência monumental. Com reuniões em todos os cantos de Florianópolis, podíamos testemunhar a democracia participativa se fazendo real. Não foi coisa fácil, afinal, aquela era a primeira vez na história do município que a prefeitura olhava para os moradores como sujeitos da cidade. Em princípio, tudo era visto com muita desconfiança, mas, na medida em que avançava, a participação crescia. As pessoas decidiam qual rua era prioritária para calçar, se o melhor era colocar esgoto, se precisava melhorar a mobilidade. Um exercício de participação único e generoso.

Também pude testemunhar a subida do primeiro ônibus no Mont Serrat, no maciço do Morro da Cruz. Durante décadas, o povo das comunidades dos morros vivia a dureza de carregar suas compras e seus corpos, ladeira acima, sem que ninguém se importasse. O Grando se importou e colocou os micro-ônibus para fazer as linhas nos morros. Lembro como se fosse hoje dessa primeira viagem, que foi gratuita. A alegria inenarrável dos meninos, com a cabeça para fora da janela, acenando para as famílias que assomavam nas janelas, olhando espantadas, o ônibus subir, subir, subir. E as senhorinhas mais velhas, com suas sacolas de supermercado, rosto em festa. Dentro do ônibus, com eles, ia o Grando, rindo o mesmo riso de criança. Até hoje essa cena me emociona, porque era tão pouco. Uma decisão quase pueril, mas que nunca, ninguém, havia tomado.

O Grando não era fácil também. Turrão e teimoso. Tínhamos divergências, na prefeitura e depois. Mas, uma coisa é certa. Ele amava a cidade e, mais que tudo, tinha respeito pelas pessoas. Durante o seu mandato, elas, as pessoas, foram o seu foco. Era para a gente de carne e osso, a maioria, que ele governava. Isso fazia dele um prefeito especial. E como diria Lula, “nunca antes nessa cidade”, alguém administrou com esse olhar.  

Há pouco tempo o vi, andando na Felipe Schmidt, achei que ele estava um pouco magro e até comentei com minhas amigas. Não sabia que estava doente. Vestia uma roupa toda branca, como se fosse um caribenho. E, ao longo da sua caminhada pelo nosso/dele amado calçadão, ia cumprimentado as pessoas. Parou nas mesinhas de dominó, falou com um ou outro. E os manés históricos, entre uma olhada nas pedras do jogo e outra no homem que passava, sorriam e gritavam seu nome. A oligarquia que domina a cidade não permitiu que ele se elegesse outra vez prefeito, mas a vida real mostrava que as gentes sabiam muito bem que aquele era um homem que havia feito muito pela nossa capital. Ele estava na memória e no coração.

Naquele dia, enquanto observava seu passeio demorado pelo calçadão cheguei a pensar: “tenho que escrever algo sobre o Grando”. Não o fiz. A ceifadora agora me faz recorrer a essa lembrança. Por isso cuido para homenagear as pessoas que amo quando vivas. Porque depois que partem, já não lhes importará mais.

De qualquer sorte fica aqui o registro. O eterno professor de matemática, que mais parecia um urso, ainda que com generosos olhos, já não está mais. Não foi um ser perfeito, teve seus equívocos. Mas, nunca traiu a gente que o elegeu. De fato, nos quatro anos que foi prefeito cumpriu o que prometeu, coisa difícil de encontrar na política. E quando saiu da prefeitura deixou a cidade melhor. Construiu uma linda trajetória.

Fica o meu carinho para a família, especialmente para minha amiga Silvinha, parceira de lutas e de vida. A morte não é o fim, ela é só uma mudança de roupa. Grando cumpriu. E deixou sua marca. "Saúde e felicidade a todos", era seu cumprimento tradicional e inesquecível. Tomara que um dia isso se cumpra para todos nós que vivemos na velha Desterro. 

Valeu, compa!!!!

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes



Morreu na noite deste sábado o ex-prefeito de Florianópolis Sérgio Grando. O político sofria há alguns anos de um câncer no estômago. Ele chegou a ser internado em setembro de 2016, porém havia retornado para casa. Nesta semana, no entanto,teve de voltar ao Hospital Baía Sul, na Capital, para tratar de uma desnutrição e anemia causadas pelo câncer. A informação do falecimento foi confirmada às 22h por Homero Gomes, ex-secretário da prefeitura da Capital.

Grando tinha 66 anos e foi até hoje o único prefeito de esquerda eleito em Florianópolis. Ele governou a cidade entre 1993 e 1996, quando passou o comando da Capital para Angela Amin (PP). Grando foi vereador na década de 1980 e deputado estadual na década de 1990. Natural de Veranópolis (RS), veio ainda criança para Santa Catarina, onde comandou em 1992 uma Frente Popular, com partidos como PCB, PT, PSDB, PCdoB e outras legendas. Seu vice foi o atual vereador Afrânio Boppré (então no PT, hoje no PSOL).

Em sua gestão à frente da prefeitura, dedicou-se a políticas públicas voltadas à infância, aos pescadores e idealizou o Direto do Campo e o Réveillon das Luzes, que ocorre mais uma vez neste sábado. Também levou pela primeira vez o transporte público aos morros da cidade.

Foi candidato a senador em 1998 e novamente a prefeito em 2000 e 2004, porém foi derrotado ainda no primeiro turno em ambas as ocasiões. Grando também trabalhou como professor da antiga Escola Técnica, atual Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

O enterro foi realizado no Cemitério Jardim da Paz, em Florianópolis, neste domingo, 1.
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O desmonte do sistema de Defesa Nacional

“Juiz Sérgio Moro e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atuam em parceria com órgãos dos Estados Unidos contra empresas brasileiras”.
Foto: Reprodução/Ustream/Wilson Center
Nesta altura dos acontecimentos até as pedras sabem que o interesse imperialista nas matérias primas do Brasil (petróleo, minerais, água, biodiversidade da Amazônia) foi um dos carros-chefe do golpe. No entanto, além do interesse econômico imediato — nas matérias-primas e na eliminação de direitos e redução de salários — o golpe tem decisivo componente geopolítico, com cada vez maiores evidências do envolvimento direto das forças de inteligência norte-americanas (CIA, FBI, NSA). Está cada vez melhor documento, por exemplo, o envolvimento da equipe da Lava Jato com estratégias montadas em instituições de inteligência dos EUA.

Ao contrário de 1964, quando a censura e a repressão impediam a circulação de informações, neste golpe, apesar da democracia ter sido restringida, está sendo possível denunciar suas entranhas enquanto ele se desenrola (apesar da blindagem da mídia). Sabemos, por exemplo, da relação de Sérgio Moro com a comunidade de informações dos EUA. Moro fez cursos no Departamento de Estado, dos EUA, em 2007. No ano seguinte fez um programa especial de treinamento na Escola de Direito de Harvard. Em 2009 participou da conferência regional sobre “Illicit Financial Crimes”, promovida pela Embaixada dos Estados Unidos. Foi treinado, segundo o historiador Moniz Bandeira, em ação multi-jurisdicional e práticas de investigação pelos estadunidenses. Inclusive em demonstrações reais, segundo o historiador Moniz Bandeira, de como preparar testemunhas para delação.

Tivemos a informação também, ainda antes do impeachment, que Sérgio Moro, e o procurador-geral da República Rodrigo Janot, atuam em parceria com órgãos dos Estados Unidos contra empresas brasileiras. E que Sergio Moro recentemente autorizou o compartilhamento da delação premiada do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, com investigadores de Londres em processo contra a Petrobrás. Segundo informações divulgadas na imprensa, Sergio Moro tem autorizados conversas feitas diretamente com cada delator da Lava Jato e o Departamento de Justiça dos EUA, sem passar pelo Estado brasileiro, como prevê a lei. Ou seja, os responsáveis pela operação Lava Jato permitem o acesso a órgãos do Estado norte-americano, a informações sigilosas, que são utilizadas para atacar e processar judicialmente a Petrobrás e outras empresas brasileiras. Como podemos nominar esse tipo de atitude? Como podemos chamar também a prisão do Vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, principal responsável pela conquista da independência na tecnologia do ciclo de combustível, que colocou o Brasil em posição de destaque na matéria, no mundo?

Não foi por acaso que na preparação do golpe, nos últimos anos, foi estimulado no povo brasileiro o complexo de vira-latas e se depreciou de forma sistemática tudo que poderia significar orgulho pelo País ou amor pela pátria. A campanha foi tão eficiente que idiotas saíram nas manifestações pró impeachment vestidos com as cores ou enrolados na bandeira dos EUA. Somente um processo sofisticado de manipulação da população poderia possibilitar o apoio a uma operação entreguista como a Lava Jato, pensada para quebrar a Petrobrás e o seu entorno, que gerou R$ 140 bilhões em prejuízo para a economia, provocando a demissão de milhares de trabalhadores, liquidando com dezenas de projetos na área de energia, indústria naval, infraestrutura e defesa. Recentemente, membros do Ministério Público Federal vieram a público para colocar sob suspeição o programa de construção de 36 caças estratégicos com a Suécia, colocando em dúvida a lisura de um ex-presidente da República e dos militares que participaram do negócio.

O golpe e o entreguismo estão só no começo. No apagar das luzes de 2016, o presidente golpista determinou à Comissão Aeronáutica Brasileira na Europa (CABE) a contratação, com urgência, de serviços de sensoriamento remoto por satélite. O custo de importação do equipamento está estimado em cerca de R$ 300 milhões. Segundo informações da imprensa, os membros da CABE estranharam a ordem, visto que este tipo de serviço para as Forças Armadas, só pode ser realizado por empresas nacionais ou constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no País. Salvo raras exceções.

A ordem, que partiu da Casa Civil, tem graves implicações também no campo da soberania e segurança nacional. Segundo informações, a divisão de licitações e contratos da Aeronáutica classificou como ilegal a determinação, visto que esse tipo de fornecimento tem que ser feito por empresas brasileiras, inscritas no Ministério da Defesa. Os oficiais da Força Aérea, segundo os jornais, estão intrigados com o pedido da Presidência da República, que está se metendo diretamente nesse tipo de assunto, e atropelando regras que, dentre outras coisas, exigem a presença de empresas nacionais no processo. O que pode explicar essa entrega voluntária da vigilância do território brasileiro a empresas estrangeiras, senão entreguismo e subserviência? O que representa, do ponto de vista da segurança e soberania, buscar apoios em outros países, se empresas nacionais sabidamente têm condições de fornecer com excelência esse tipo de serviço? É que este não é um golpe qualquer. A agressão imperialista que o Brasil está sofrendo pode se comparar às guerras contra o Iraque e a Líbia, as técnicas de desestabilização utilizadas são semelhantes.

José Álvaro de Lima Cardoso, Economista, DIEESE- SC.
No Sul21
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Réveillon Show impressiona em Balneário Camboriú

Foram 15 minutos nos quais foi possível apreciar mais de 1.350 disparos no céu

Um grande espetáculo de luzes, cores e explosões marcou a passagem de 2016 para 2017, na orla central de Balneário Camboriú. O Réveillon Show, evento promovido há oito anos pela Prefeitura de Balneário Camboriú, por meio da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Sectur), impressionou o público presente. Foram 15 minutos nos quais foi possível apreciar mais de 1.350 disparos no céu e também o show de fogos aquáticos, que floresceram das águas, num diferente momento de reflexão pelo ano que passou. A Sectur estima que cerca de um milhão de espectadores, nas areias, avenida, nas janelas dos edifícios, nos morros próximos e em vários outros locais da cidade, tiveram a oportunidade de ver a festa em comemoração à virada.






























Fotos: Silvia Bomm | Celso Peixoto
No ClickCamboriú
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Você sabe o que é Haagen Dazs?


Os Marcheiros e Vítor Velloso apresentam a paródia:

-Você sabe o que é Hagen Dazs?-

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