1 de dez de 2017

‘Ministro’ de Bolsonaro foi inventor do ‘candidato Huck’, diz Valor


A reportagem de Vanessa Adachi, na edição de hoje do Valor, não é uma piada, mas uma tenebrosa revelação de como se fabrica, nos “laboratórios’ dos executivos e marqueteiros, candidaturas e “programas” eleitorais, ciborgs da política, que modelam o organismo e o cérebro do candidato às necessidades do “mercado”.

É que Vanessa conta a história da criação do ex-futuro-quase candidato Luciano Huck com uma simplicidade que chega a ser chocante.

Um certa moça, Paula Guedes, “formada pela Universidade do Sul da Califórnia e com MBA em Wharton”, dona de um site de procura de empregos, fazendo pesquisas para um cliente, cuja identidade é - diz ela – protegida por cláusula de confidencialidade, encontrou chances para um candidato jovem, com perfil de empresário, bom comunicador, com forte presença em redes sociais e que fosse percebido como autêntico (!!!) e humano.

Então ela foi procurar o pai, Paulo Guedes, “liberal com formação em Chicago, um dos fundadores do banco Pactual ( hoje do famoso André Esteves) e agora cotado a ministro da Fazenda num eventual governo de Jair Bolsonaro”.

– Papai, papai, papai, olha só o que eu achei!

E a repórter narra:

Paula mostrou tais resultados ao pai e, juntos, os dois concluíram que o perfil correspondia ao do apresentador Luciano Huck. Quem fez a ponte para que Paulo Guedes chegasse a Huck pela primeira vez e contasse a ele sobre os achados de Paula foi o investidor Gilberto Sayão, um amigo em comum dos dois. A partir daí, Huck começou a fazer sua lição de casa. Paulo Guedes também continuou levando a ideia adiante em conversas com outras pessoas. Paula, sem interesse em envolver-se na política, deixou o assunto de lado. “O nome de Huck na verdade já estava colocado, por analogia, desde que Donald Trump foi eleito nos Estados Unidos e João Doria foi eleito em São Paulo.

Como a direita foi ficando sem candidato, o “novo produto” começou a ganhar corpo do mercado de personagens disponíveis para engambelar o povo brasileiro. Até o sábio Fernando Henrique Cardoso desceu da Sorbonne para o caldeirão da trama  que só não funcionou porque as amizades comprometedores, o chamado do dinheiro e a falta de capacidade do “boneco” de ir além de platitudes do tipo “projeto social”.

Guedes deixou de lado a sua criatura e foi se juntar a outro ciborg, Bolsonaro, aquele que prova que a inteligência artificial ainda é algo rudimentar e está mais para “Exterminador do Futuro” do que para o “Eu, Robô” de Huck.

O fecho da matéria é sensacional, mostrando como esta camada de tecnocratas do marketing e dos negócios raciocina:

Paula Guedes concordou em dar algumas explicações genéricas sobre seu trabalho. “A Jobzi tem a missão de aprender a respeito do mundo do trabalho e fazê-lo avançar. Criamos algoritmos proprietários”, explicou. Segundo ela, a empresa tem mais de 140 trilhões de dados, o que a leva a ter um “entendimento holístico a respeito das ansiedades do brasileiro que busca trabalho”. De acordo com ela, esse perfil de brasileiro “se frustra com políticos que não compreendem a realidade que arquitetam e concretizam para 99% da população”. “Buscam um líder real”, completou.

Real, vejam só, real!

Fernando Brito
No Tijolaço

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