17 de dez de 2017

Militante de Bolsonaro, fã de Moro. Quem é a sargento que ameaça os militantes que forem a Porto Alegre

Com Bolsonaro: versão diminuta do ex-capitão
A policial que gravou e divulgou nas redes sociais vídeo para ameaçar os manifestantes que forem a Porto Alegre no ato em defesa de Lula já foi submetida a exame psiquiátrico. O laudo apontou um tipo de transtorno que não a incapacita para a vida civil nem a torna inimputável, mas revela uma tendência à agressividade e a imaginar que está sendo perseguida.

Flávia Cristina Abreu, militante de Jair Bolsonaro, foi submetida a exame em um inquérito policial militar realizado pelo Comando de Policiamento Militar de Porto Alegre, quando ela acusou o comandante do batalhão onde trabalhava, o 18º, em Viamão, de persegui-la.

O tenente-coronel Pedro Joel Silva da Silva, comandante na época, determinou a abertura do inquérito quando recebeu citação da Justiça em uma ação por danos morais que a subordinada movia. Flávia pedia indenização por, segundo ela, ser alvo de perseguição do comandante.

Ao se defender, o tenente-coronel disse que não tinha contato direto com ela, achou tudo muito estranho porque foi na mesma época em que combatia o crime organizado em torno do jogo ilegal e fazia mudanças no quartel.

O tenente-coronel, hoje na reserva, ganhou o processo civil na Justiça em primeira instância, aguarda o julgamento de recursos na segunda e foi isentado de qualquer culpa no inquérito policial militar. Já Flávia acabou respondendo por falsas acusações — no final, também foi absolvida. E não ganhou o processo por danos morais.

Flávia, que em suas postagens repete o slogan Força e Honra, tem uma razoável repercussão nas redes sociais. Sua página no Facebook tem mais de 14 mil seguidores, e ela se dedica a promover Bolsonaro e atacar políticos de esquerda.

No Halloween, em 31 de outubro, gravou um vídeo para dar os parabéns às deputadas Maria do Rosário, Manuela D’Ávila, Luiza Erundina e às senadoras Gleisi Hoffmann e Fátima Bezerra, entre outros.

No dia 7 de dezembro, postou uma foto com Bolsonaro em uma mesa de restaurante. Escreveu: Três coisas que eu admiro muito em pessoas iguais a mim: Honestidade, Sinceridade e Humildade.

Publicou foto dela própria em frente a um banner “Somos Todos Moro” e com camiseta da campanha em defesa da liberação das armas. Também publicou  material de campanha de Donald Trump e fotos ridicularizando a filósofa Judith Butler. Ajuda a promover Olavo de Carvalho e esteve na porta do Santander Cultural em Porto Alegre para protestar contra a exposição Queermuseu.

No vídeo em que ameaça os manifestantes que forem a Porto Alegre no dia 24 de janeiro, Flávia diz: “Venham aqui, vocês vão ver o que é o verdadeiro sangue farroupilha. Venham, mortadelas. Venham muitos porque não vai ter mimimi. Não vai ter choro. É linha, pau, gás e bomba”.

A valente Flávia não faz serviço externo, o negócio dela é mexer em papéis, em serviços internos. Mas tem uma língua grande, um olhar que procura ser assustador. No fundo, é uma versão diminuta de seu ídolo, o ex-capitão Jair Bolsonaro, que o general Ernesto Geisel definia como “completamente fora do normal, inclusive um mau militar”.

Na linguagem da caserna, um “bunda suja”, como são chamados pelos militares de alta patente os oficiais que não conseguiram postos mais elevados na carreira. Mas, no Brasil de hoje, ambos conseguem ter alguma repercussão.


Fotos retiradas de sua página no Facebook

Joaquim de Carvalho
No DCM

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