30 de dez de 2017

Merval devia assessorar Marun, o pitbull

Carlos Marun nem bem tomou posse como novo “ministro” da Secretaria de Governo do covil golpista para confirmar a sua trajetória sinistra – de cão-de-guarda do presidiário Eduardo Cunha à pitbull de Michel Temer. Na maior caradura, o falastrão andou ameaçando governadores e prefeitos que não garantirem votos nos seus Estados para aprovar o fim da aposentadoria dos brasileiros. O fisiologismo e a truculência foram tão descarados que resultaram numa reação altiva de oito governadores do Nordeste. Em nota enviada ao chefe da quadrilha, eles informaram que estudam processar o ministro que condicionou a liberação de recursos públicos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil ao apoio à contrarreforma da Previdência.

Na carta, os governadores solicitam que Michel Temer “reoriente seus auxiliares" com o objetivo de “coibir práticas inconstitucionais e criminosas”. O texto é duro: “Protestamos publicamente contra essa declaração e contra essa possibilidade e não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso esta ameaça se confirme... Vivemos em uma Federação, cláusula pétrea da Constituição, não se admitindo atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis”. Ele é assinada por governadores do PT, PCdoB e PSB – partidos de oposição – e também por dois governadores do PMDB - Jackson Barreto (Sergipe) e Renan Filho (Alagoas).

Irritadinho, o petulante Carlos Marun ainda contra-atacou, acusando os governadores nordestinos de oportunistas. “A reação daqueles que querem continuar omitindo a participação do governo federal nas ações resultantes de financiamentos obtidos junto aos bancos públicos só se justifica pela intenção de buscar resultados eleitorais exclusivamente para si”, afirma a nota grosseira do “ministro”. Mas a aparente valentia do pitbull de Michel Temer só demonstra fraqueza. Ele saiu chamuscado do episódio, irritando inclusive líderes da base governista. Sua atitude pegou mal até em setores da mídia chapa-branca, nutrida com milhões de reais em publicidade. Alguns colunistas rotularam o ministro de “cínico”, “autoritário” e outros adjetivos.

Não foi o caso de Merval Pereira, o serviçal da Rede Globo. Em artigo publicado na quarta-feira (27), ele tentou justificar as chantagens do jagunço. “Não há nenhuma surpresa na atuação do ministro Carlos Marun na articulação política do governo. Ou alguém esperava que o deputado conhecido como pitbull fosse agir na negociação parlamentar de maneira diferente da que sempre usou e, aliás, foi a responsável pela sua escolha neste momento? (...) Talvez Marun seja apenas mais explícito na tarefa de angariar votos, e tenha mais poder que o antecessor, o tucano Imbassahy. Toda essa movimentação nos bastidores do governo durante o recesso parlamentar só mostra como ele está empenhado em aprovar a reforma da Previdência, talvez a mais importante das que Temer se propôs a aprovar”. 

Haja cinismo... de Carlos Marun e de Merval Pereira! O jornalista da famiglia Marinho e "imortal" da Academia Brasileira de Letras (ABL) bem que podia se propor a assessorar o pitbull Carlos Marun, que está sendo "muito explícito" na tarefa suja de aprovar "a mais importante reforma de Temer"!

Altamiro Borges

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