14 de dez de 2017

Estudo indica motivos que fazem o público desconfiar da imprensa e das redes sociais


O Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo divulgou, no mês passado, um relatório que indica algumas das razões que fazem com que o público desconfie da imprensa e das redes sociais. As questões foram detalhadas em um artigo do Nieman Lab, da Universidade de Harvard.

O estudo, realizado em parceria com a firma YouGov em nove países (Alemanha, Austrália, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Irlanda e Reino Unido), ouviu aproximadamente 18 mil pessoas. Os participantes foram perguntados se concordavam com afirmações como “a imprensa faz um bom trabalho para me ajudar a distinguir fato de ficção”, constatando que 25% deles não confiam no que veem nos jornais, enquanto 40% confiam e 35% são indiferentes. Também foram analisadas cerca de 7,9 mil respostas sobre as razões que sustentam as opiniões dos entrevistados.

As razões mais citadas entre os que desconfiam da imprensa foram o enviesamento, a manipulação de informações e o receio de agendas escondidas – cerca de 67% deles mencionou ao menos um desses fatores como o motivo de não acreditarem nas notícias que leem.

O enviesamento se mostrou particularmente relevante para os norte-americanos, gerando desconfiança em pelo menos 34% dos participantes. Nos Estados Unidos, a preocupação também se manifestou três vezes mais entre os que declaram ter opiniões políticas de direita do que para aqueles que se declaram à esquerda do espectro político.

O estudo sugeriu que, no geral, a confiança do público é significativamente maior entre pessoas mais velhas do que entre pessoas mais novas – 42% dos leitores com mais de 35 anos afirmou acreditar no que lê, frente a 34% daqueles com 34 anos ou menos. Os dados indicam também que a descrença é grande entre grupos com rendas baixas (35%).

Segundo o relatório, o que explica essa diferença, além da conquista de credibilidade das organizações de notícias através do tempo, é o fato de que indivíduos mais velhos e mais ricos tendem a ser mais envolvidos com o “status quo”.

Outra questão abordada foi o uso de vídeos nas reportagens. Proporcionando uma sensação de veracidade para o espectador, o formato é visto pelo público como a forma mais transparente e fiel de se trazer credibilidade a uma matéria, especialmente quando comparado a textos e fotos.

Sobre as redes sociais, foi constatado que, apesar de muitos usuários as utilizarem como fonte de notícias, elas não são vistas como ferramenta capaz de distinguir fatos de ficção – somente 24% acreditam que as plataformas são eficazes nesse quesito.

Cerca de 35% dos participantes justificou sua desconfiança com a disseminação de fatos não checados e a quantidade de informação contaminada por opinião na internet. Só 5% disseram se preocupar com os algoritmos das plataformas digitais, demonstrando também que existe uma falta de atenção e preocupação com o papel da tecnologia em ditar o que chega até eles.

O estudo sugere que as empresas de mídia foquem em modelos de negócio de financiamento direto dos leitores, dependendo cada vez menos da receita dos anúncios. Essa estratégia poderia permitir que o bom jornalismo investigativo prevalecesse e se destacasse diante das informações que circulam na internet, reconquistando, aos poucos, a confiança do público geral.

No fAlha

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