14 de dez de 2017

Cuidado com a tesoura do Tribunal Superior Eleitoral


É preciso cuidado com as propostas de coibir os fakenews, as notícias falsas. Não que não devam ser coibidos. A questão é o critério que será adotado.

Desde 2005, o principal estimulador do fakenews foi a própria imprensa. Confira em “O Caso de Veja”, a série que escrevi quase dez anos atrás sobre o jornalismo da revista.

A relação é extensa:

1. A história das Farcs no Brasil.

2. Os dólares de Cuba.

3. O suposto lobista que jantou na casa de Erenice Guerra e denunciou pedido de propina jamais comprovado.

4. O consultor inventado pela Folha, que tentou financiamento de R$ 7 bilhões para uma empresa de fundo de quintal (e, depois, se descobriu que tinha saído há um mês da prisão, por estelionato).

5. O grampo sem áudio e o grampo no Supremo, criado pelo presidente do STF Gilmar Mendes e endossado por toda a mídia.

6. A história de Dilma assassina de crianças, endossada pela própria esposa de José Serra.

7. A ficha falsa de Dilma.

8. A compra da tapioca com cartão corporativo.

9. A entrega da mala de dinheiro para o Ministro

A lista é infinita e sempre é turbinada em períodos eleitorais.

O que acende o sinal amarelo é que, duas eleições atrás, a procuradora eleitoral Sandra Cureau denunciou uma única publicação, Carta Capital, por suposta propaganda eleitoral. E no primeiro dias após a eleição de Dilma Rousseff, o presidente do TSE Gilmar Mendes apresentar como crime grave até o enquadramento Contábil de máquinas de picotar papéis.

Ficou nítido naquele julgamento que o TSE se tornou instrumento de poder, nessa algaravia que transformou cada órgão público em uma ilha de poder

O que vai acontecer se o poder de veto couber ao Tribunal o Superior Eleitoral (TSE), sob o comando de Luiz Fux? Haverá discernimento para identificar os fake news em qualquer veículo, identificar apenas os veículos falsos ou investir contra a mídia da contracorrente?

Carmen Lúcia, a indizível presidente do STF e do Conselho Nacional da Justiça montou um grupo em defesa da liberdade de imprensa contando apenas com representantes dos veículos tradicionais. As reuniões convocadas em Brasilia para discutir o tema, padecem do mesmo mal: qualquer notícia que venha da mídia, seja falsa, parcial, partidária, é aceita em nome da liberdade de expressão; o que vem de fora ou é fakenews ou não é considerado jornalismo.

É bom acender uma luz amarela para essa decisão.

Luís Nassif
No GGN

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