6 de dez de 2017

Brasil é 2º país mais alienado e ignorante do mundo


Brasil é 2º país com menos noção da própria realidade, aponta pesquisa

O Brasil é o segundo país do mundo em que as pessoas mais têm a percepção equivocada sobre a realidade.

Segundo pesquisa realizada em 38 nações para avaliar o conhecimento geral e a interpretação que as pessoas fazem sobre o país em que vivem, os brasileiros só ficaram à frente dos sul-africanos.

A informação faz parte da pesquisa "Os Perigos da Percepção", realizada pelo instituto Ipsos Mori e divulgada nesta quarta (6). O estudo apresentou aos entrevistados perguntas sobre a realidade de seus países e em seguida comparou a percepção das pessoas com dados oficiais.

O resultado indica que, por todo o mundo, há pouca familiaridade com temas de segurança, imigração, saúde, religião e mesmo tecnologia. Os países que lideram o chamado Índice de Percepção Equivocada são África do Sul, Brasil, Filipinas, Peru e Índia.

O ranking é o equivalente ao que, na mesma pesquisa realizada no ano passado, foi chamado de Índice de Ignorância, uma média computada a partir da diferença entre as respostas fornecidas pelos participantes do estudo (percepções) e os dados oficiais de cada país (realidade).

Naquela ocasião, o Brasil havia ficado em sexto lugar —por mais que não seja possível comparar diretamente os dois levantamentos, já que as perguntas eram diferentes.

Questionado pela Folha, o Ipsos Mori não apresentou justificativa para ter abandonado o termo usado no ano passado. Disse apenas que mudou o nome do ranking.


MUNDO EQUIVOCADO

"Em todos os 38 países analisados, cada população erra muito em sua percepção. Temos percepção mais equivocada em relação ao que é amplamente discutido pela mídia, como mortes por terrorismo, taxas de homicídios, imigração e gravidez de adolescentes", disse o diretor de pesquisas do Ipsos Mori, Bobby Duffy.

Em escala global, apenas 7% das pessoas acham que a taxa de homicídios em seus países é menor do que a registrada no ano 2000, por mais que a maioria dos países tenha reduzido a quantidade de mortes desse tipo e apesar do fato de que o total de assassinatos caiu 29% nos locais pesquisados.

No Brasil, 76% dos entrevistados disseram achar que a taxa de homicídios é mais alta hoje do que era no ano 2000, por mais que o Ipsos indique que a taxa atual seja a mesma daquele ano.

De forma semelhante, apenas 19% dos entrevistados de forma global disseram achar que o número de mortes por ataques terroristas foi menor nos últimos 15 anos do que nos 15 anos anteriores, por mais que esta rubrica também tenha registrado queda.

Internacionalmente, as pessoas superestimam a quantidade de imigrantes que estão presos em cada um dos países. A percepção média é de que 28% da população carcerária é formada por imigrantes, quando o número real nos países em que a pesquisa foi feita é de 15%.

Além de tratar de dados sobre segurança, a pesquisa também testou a percepção internacional a respeito de alguns comportamentos.

No Esquerda Caviar



http://www.balaiodokotscho.com.br/2017/12/06/que-pais-e-esse-o-brasileiros-nao-conhecem-o-brasil/

Que País é esse? Os brasileiros não conhecem o Brasil

Nas favelas, no Senado

Sujeira pra todo lado

Ninguém respeita a Constituição

Mas todos acreditam no futuro da Nação

(Trecho da música “Que País é esse”, de Renato Russo, gravada pelo Legião Urbana).

O Brazil não conhece o Brasil

O Brasil nunca foi ao Brazil (…)

O Brazil não merece o Brasil

O Brazil tá matando o Brasil

(Trecho da letra da música  “Querelas do Brasil” na gravação imortalizada por Elis Regina).

* * *

Em pesquisa do Instituto Ipsus Mori feita em 38 países e divulgada nesta quarta-feira, o Brasil ficou em segundo lugar entre as nações que menos têm noção da própria realidade, à frente apenas da África do Sul no ranking do Índice de Percepção Equivocada.

O estudo foi feito na comparação entre o que os entrevistados responderam sobre a vida em seus países em comparação com os dados oficiais.

Dois exemplos:
  • os brasileiros acham que 85% da população já tem smartphone (na realidade, o índice é de 38%)
  • os brasileiros acham que 83% já dispõe de conta no Facebook (dados oficiais mostram que o índice é de 47%)
Estes números mostram a realidade de dois Brasis bem diferentes, que não se conhecem.

O das grandes cidades, onde a maioria já utiliza estes apetrechos tecnológicos cruzando a toda hora com pessoas digitando ou falando em celulares. Ou seja, se até eu tenho, todo mundo deve ter.

Não é bem assim no resto do Brasil, este desconhecido, dos grotões e das periferias onde a maioria apenas sobrevive, o progresso ainda não chegou e ainda confundem banda larga com bunda grande.

O abismo é tão grande dentro do mesmo país que 9 entre 10 brasileiros pensam estar entre os mais pobres, como mostra outra pesquisa, divulgada nesta quarta-feira pelo Datafolha em parceria com a ONG Oxfam Brasil, que entrevistou 2.025 pessoas para medir a percepção sobre a desigualdade no décimo país mais desigual do mundo, onde 1% da população fica com 50% da renda da metade mais pobre.

Mesmo entre aqueles considerados mais abonados que ganham pelo menos R$ 4.700 por mês, 68% se acham pobres.

“As pessoas não têm ideia de quanta gente vive com tão pouco. Quem ganha R$ 3 mil por mês, claro, não se acha rico. Existe aquela visão de que rico é o milionário. Na novela, eles têm vários empregados”, explica o economista Naércio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, em reportagem de Júlia Barbon, na Folha.

Quem menos conhece, ou finge que não vê a realidade brasileira, certamente, são os nossos representantes no Congresso e a casta de marajás dos três poderes encastelados em Brasília, preocupados apenas em defender seus próprios interesses, bem longe do Brasil real.

Prova disso é que a reprovação de deputados e senadores chegou ao índice recorde de 60%, segundo a pesquisa Datafolha feita no final de novembro. Só 5% dos entrevistados consideraram a atuação dos parlamentares boa ou ótima, o pior da série histórica.

O que estas três pesquisas demonstram é que há um descolamento cada vez maior entre o andar de cima e o de baixo da nossa sociedade, entre governantes e governados, representantes e representados, entre Brasília e o Brasil.

Como diz Marta Arretche, professora da USP e diretora do Centro de Estudos da Metrópole:

“É uma ilusão achar que, se combatermos a corrupção, a desigualdade vai diminuir. As causas são mais profundas: um atraso educacional imenso, desigualdade de oportunidades, discriminação racial e de gênero”.

Aquele Brasil das músicas de protesto de Aldir Blanc e Renato Russo podem parecer até cantigas de criança diante da brutalidade do atual cenário, em que se criou o “novo normal” da violência fora de controle e da compra de votos no Congresso, da desigualdade crescente e da perda de direitos, do aumento de privilégios e da impunidade seletiva para grandes sonegadores e corruptos em geral.

Vale repetir o apelo patético de Aldir Blanc no final da canção “Querelas do Brasil”.

Do Brasil, S.O.S ao Brazil

Do Brasil, S.O.S ao Brasil

Vida que segue.

Ricardo Kotscho

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