15 de dez de 2017

As fanfarronices da PF de Minas para a violência contra a UFMG


As explicações da Delegacia da Policia Federal de Minas Gerais ao Marcelo Auler, sobre as arbitrariedades contra membros da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) são duplamente preocupantes (clique aqui).

Primeiro, pelos argumentos invocados para explicar o suposto republicanismo dos delegados. É similar ao do dr. Guilhotin explicando os cuidados que toma com o réu antes de soltar a corda.

Depois, pela crença de que um leitor medianamente informado aceitaria as explicações. Só imbecis ou eleitores de Bolsonaro para aceitar os argumentos invocados.

Pelas informações prestadas, todas as denúncias estavam relacionadas com a concessão de bolsas para as pesquisas. Dos R$ 6,5 milhões concedidos para as pesquisas, há indícios até agora de desvio de R$ 100 mil.

A apuração dos desvios é tão simples que até um procurador da Lava Jato conseguiria chegar ao resultado final.

Há duas pontas no jogo: a ponta que autorizou e a ponta que recebeu o dinheiro. Identificar a pontas que recebeu é a tarefa mais simples do mundo. Basta rastrear o caminho do dinheiro e levantar a ficha da pessoa que sacou na ponta. Identificado o beneficiário, um dia em cana será suficiente para que abra o bico sobre seu cúmplice.

Ou os valentes delegados acham que um golpe de R$ 100 mil exige grande sofisticação?

O jogo desses valentões ficou assim. Em vez de enfrenar grandes traficantes, grandes chefes de quadrilha, super-bandidos, para valorizar seu currículo transformam um ladrão de galinha em perigosíssimo delinquente. Para dar mais farol na fanfarronice conduzem coercitivamente reitores, vice-reitores.

Seria o mesmo que mandar deter o Delegado Geral da PF por conta de um desvio em uma operação qualquer.

É evidente que foi um a ação política. O que explicaria a PF levantar o argumento do crime de alta periculosidade – e a juíza aceitar -, para o que tudo indica ser um furto facilmente localizável? E apresentar esses indícios como argumento para invadir residências de reitor, vice-reitor às 6 da manhã, mobilizando mais de 80 policiais? Se invasão de residência for atitude normal, Deus que nos livre do que eles consideram violência.

O fato da única pessoa poupada ser uma ex-Secretário de Aécio Neves, e também ser a única que responde a uma ação por improbidade, fecha o circuito.

Tratar essa violência como operação-padrão é legalizar toda sorte de selvageria.

Ontem conversei com um policial da PF, crítico dos delegados. Há uma crítica generalizada contra delegados que se apossam do trabalho de terceiros – investigadores, peritos -, e usam as informações com o objetivo político de se mostrar influentes.

Pergunto: é para esses sem-noção que se pretende permitir a delação premiada?

Seria conveniente se pensar na possibilidade de proibir os delegados de assistirem séries da Netflix.

Luís Nassif
No GGN

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.