17 de dez de 2017

As estranhas relações do filho de Miriam Leitão, Vladimir Netto, da Globo, com o poder

Vladimir Netto com Miriam e Moro
Vladimir Netto é repórter do Jornal Nacional, vice presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos, Abraji, e uma subcelebridade nacional.

Filho de Miriam Leitão, ficou relativamente famoso em 2016, quando lançou “Lava Jato: o juiz Sérgio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil”.

É uma homenagem a Moro e aos procuradores, sem meias palavras. Nem a Folha conseguiu engolir a babação de ovo.

Netto, segundo a resenha, “não esconde sua admiração” por Sergio Moro e pela “força tarefa”:

Moro exibe “rigor e coragem” ao conduzir o caso “com maestria”, diz o jornalista, que o descreve no livro como integrante de uma geração “que trabalha com afinco em busca de resultados”.

O ministro Teori Zavascki, responsável pelos inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal), é apresentado como um ser infalível: “Busca sempre a razão, pesa prós e contras e estuda os detalhes de cada processo para tomar decisões bem fundamentadas”. (…)

Também fica sem explicação convincente a decisão de Moro de divulgar as gravações das conversas que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve com Dilma e outros aliados em março, e que Netto reconhece ter sido “a mais polêmica de suas decisões”.

No estranho mundo de Vladimir, na galáxia da Globo, é perfeitamente normal esse tipo de expediente. Há dezenas de fotos com o magistrado que promoveu a super herói em eventos literários.

José Padilha comprou os direitos para produzir uma série na Netflix. No Twitter, Vladimir faz seu merchã. Jactou-se de estar há 34 semanas na lista dos mais vendidos da Veja. Para um fã, garantiu que o segundo volume sai no ano que vem. Por seu lado, Vladimir faz palestras sobre a operação de Curitiba. A agência DMT o vende. 

Ele também não pensou duas vezes quando postou uma selfie com Gilmar Mendes no avião.

O senhor à esquerda é chefe da mulher de Vladimir

“Olha quem encontrei no voo de São Paulo para Brasília na manhã deste domingo”, escreveu na legenda, ao lado de GM, ambos sorridentes.

Gilmar, presidente do TSE, é o superior da mulher de Vladimir, Giselly Siqueira, assessora-chefe de Comunicação do TSE. A partir de fevereiro, ele será substituído por Luiz Fux — e é possível que tenhamos alguns retratos bonitos de Fux com Netto.

O conflito de interesses é explícito. Como esperar que um repórter como Vladimir possa ter alguma isenção na área que cobre no meio de tanta promiscuidade? Que tipo de “reportagem investigativa” ele faz?

Aí entra a aposta na burrice da audiência. A velha máxima de PT Barnum, inventor do circo moderno: ninguém nunca perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do público.

É isso que garante que Vladimir Netto — ou César Tralli com seus jabás, para ficar num outro exemplo recente — possa fazer tudo às claras e ainda aparecer na televisão como mais um paladino na luta contra a corrupção, brilhando em retratos com outros paladinos.

E com mamã também, por supuesto.


Kiko Nogueira
No DCM

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