25 de dez de 2017

Apesar da fama de discreto, Marcelo Bretas mostra que tem gostado de ser popular


O primeiro traço que tem me chamado a atenção no comportamento do juiz Marcelo Bretas é como ele tem se mostrado à vontade com a fama. Não que isso me surpreenda, sempre achei que por trás da imagem de seriedade, havia um ego sendo impulsionado. Para mim, isso ficava nítido quando ele era reconhecido ao circular pelas varas e tribunais. Chegava orgulhoso, contando quem o havia cumprimentado ou parabenizado por alguma sentença recente. Além disso, sempre demonstrava o desejo de sair do interior, chegar a uma vara na capital e trabalhar em casos de visibilidade. Soava como um sonho. Como podemos ver, foi alcançado.

Então, o que me surpreendia em sua visibilidade midiática inicial era ele ser taxado como discreto, quando começou a ganhar destaque na operação Lava Jato. Chegou até a parecer avesso a entrevistas, como foi publicado pela BBC, que tentou entrevistá-lo, mas não obteve resposta. Mas, como podemos ver, ele não tem resistido muito ao mundo da fama. Recentemente, chegou a ser entrevistado na Globo pelo Pedro Bial. Durante a conversa, ele chegou a dizer que não foi fácil convencê-lo, que pensou meses sobre isso. Mas que diferença isso faz agora, se, no fim das contas, ele estava lá, na frente do Brasil inteiro, conversando com um dos apresentadores mais famosos e respeitados do país?

Antes disso, ele já vinha se aproximando do público, inclusive pelo Twitter, desde quando verificou sua conta como oficial, em outubro. O perfil não era usado há muito tempo, mas parece que agora o juiz tem interesse em interagir com a população. Ou percebeu que pode se fortalecer pela opinião pública, que, em geral, tem apoiado suas condenações até o momento.

Minha visão, porém, é que é muito delicado um juiz federal ter tanta visibilidade. Afinal, ele nunca sabe quem julgará amanhã. Quantos casos a internet já não se viu de tweets postados que depõem contra a pessoa anos depois? Por exemplo, entre os posts do dr. Bretas - que condena políticos e empresários por corrupção – encontramos menções a políticos, como Marina Silva e Rodrigo Maia. Se acontecer de um dia ele vir a julgá-los, como defender sua imparcialidade?

Aliás, esses foram dois de seus tweets apagados. Em pouco mais de um mês, ele tinha acumulado mais de 40 posts, mas a maioria foi deletada e agora seu perfil não conta nem 30 tweets.

Além disso, já não tem sido difícil encontrar entrevistas do o dr. Marcelo a jornais de grande visibilidade no país, como Estadão e O Globo, ótimas oportunidades para notar seu gosto pela popularidade. Sempre que pode, ele solta frases de impacto que virarão manchetes em vários sites no dia seguinte, como em sua entrevista ao site El País, quando disse que no Brasil nasceu “uma nova forma de fazer justiça” e que “a Lava-Jato” é eterna. Doa a quem doer”. Não consigo ver, nessas declarações, qualquer intenção que não seja se promover.

Não posso deixar de citar, é claro, a presença do juiz da Lava Jato no Rio de Janeiro na pré-estreia do filme “Polícia Federal – A Lei é Para Todos”, apesar de ele sequer ser retaratado no longa. Parecia que sua função era fazer companhia a Sérgio Moro. Enquanto o principal juiz da operação chegava à sessão sob flashes e aplausos, era possível ver Bretas alguns passos atrás, apenas seguindo o mesmo caminho.

Meu último ponto de questionamento para este primeiro tema sobre o qual venho refletindo é aquela manifestação de apoio que o juiz Bretas recebeu em agosto, reunindo artistas, políticos, juízes e procuradores. Apesar de realmente ter participado do evento com certa discrição pública, sua família não fez a menor questão de esconder o orgulho em ter recebido apoio de personalidades conhecidas e influentes. Sua mulher, Simone Diniz Bretas, e seu filho Caio colocaram a foto da manifestação em seus perfis do Facebook, como imagem de capa.

Luís Nassif
No GGN

Um comentário:

  1. Essa tal de Lava Jato só não é eterna e para todos, quando se trata de punir e prender com rigor os vários CORRUPTOS do Poder Judiciário e do Ministério Público, que vendem sentenças e decisões a torto e a direita. Olha a punição desses arrogantes meliantes: APOSENTADORIA COMPULSÓRIA! KKKKKKK

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