11 de dez de 2017

Ao dizer que quer vencer Lula na urna, PSDB legitima candidatura

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Tom agressivo de Alckmin mira eleitor de Bolsanaro

Ao assumir a presidência do PSDB, no sábado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, destoou do tom cordial que marca sua carreira política. O tucano atacou duramente o ex-presidente Lula.

A fala teve um grau de agressividade bem acima do que é usual nas manifestações do governador. Lembrete: em 2006, quando disputou o segundo turno contra Lula, Alckmin também vestiu um figurino mais hostil.

Para as eleições de 2018, essa atitude tem o objetivo de tentar tirar espaço de Jair Bolsonaro e polarizar com Lula. Acontece que Bolsonaro fica mais confortável num estilo agressivo.

Parcela dos eleitores do deputado federal do PSC já votou no PSDB em eleições presidenciais passadas. É um segmento de extrema-direita que sempre existiu no Brasil e que, por inércia, optou por tucanos como José Serra nas eleições de 2002 e 2010, Aécio Neves em 2014 e o próprio Alckmin em 2006. Agora, esse segmento, muito ativo nas redes sociais, tem um candidato para chamar de seu.

A radicalização do discurso do PSDB desde 2014 abriu espaço para Bolsonaro. Alckmin tenta recuperar parcela desses eleitores. Mas será tarefa dura.

No principal cenário da última pesquisa Datafolha, o governador paulista teve apenas 6% de intenção de voto. É pouco para quem já disputou a Presidência e governa o principal Estado do país. Bolsonaro marcou 17% nesse cenário. Há uma distância grande hoje que Alckmin ainda precisa percorrer para polarizar com Lula.

Riscos eleitorais

Publicamente, os tucanos não querem demonstrar que temem Lula. Daí dizerem que preferem ganhar do petista na eleição do que vê-lo retirado do páreo pela Justiça. FHC afirmou que preferia derrotar Lula nas urnas. Alckmin foi na mesma linha.

Pode ser apenas um discurso da boca pra fora, mas, com essas manifestações públicas, os tucanos vão legitimando a candidatura do ex-presidente. Na prática, FHC e Alckmin reconheceram o direito de Lula disputar a Presidência.

Se até tucanos admitem que seria melhor Lula disputar, uma eventual exclusão do petista da eleição pela Justiça tenderá a transformar o ex-presidente em vítima e poderá aumentar o potencial de transferência de voto dele para outro candidato do campo da esquerda.

Alckmin também fez um aceno para o presidente Michel Temer e partidos da atual base do governo, dizendo que a atual administração realiza reformas importantes. Esse é outro campo minado para Alckmin.

Se se aproximar demais do governo, poderá fazer uma aliança com partidos que apoiam Temer e, assim, obter mais tempo de propaganda eleitoral e formar palanques mais fortes nos Estados. Porém, poderá se contaminar com a impopularidade da atual gestão.

Adversários vão carimbar Alckmin como candidato governista, porque o PSDB apoiou o impeachment e deu suporte ao governo Temer. É uma fantasia o ex-governador Alberto Goldman, que presidiu o partido interinamente, dizer que o PSDB não entrou no governo Temer e que, na realidade, ainda estaríamos na gestão Dilma porque o atual presidente era vice da petista.

O senador Aécio Neves, que saiu vaiado da convenção pela porta dos fundos, lembrou que o PSDB condicionou o apoio ao governo Temer à adoção de uma agenda de reformas que hoje parte da bancada tucana não que votar, como as mudanças na Previdência. Logo, não será fácil para Alckmin estar colado nem descolado do governo Temer.

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