17 de dez de 2017

Abril está falindo. “Veja” vai sobreviver?

Na quarta-feira passada (13), o Grupo Abril, que edita a asquerosa revista “Veja”, iniciou um novo “plano de reestruturação” – nome fantasia de mais uma sacanagem contra os trabalhadores. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, cerca de 130 profissionais foram demitidos e o facão pode atingir 170 funcionários. O decadente império da famiglia Civita também confirmou a entrega de parte dos imóveis que ocupa na Marginal de Pinheiros e especula-se que várias revistas da editora devem ser extintas. Há boatos de que a empresa encontra-se em estado pré-falimentar. Sem dinheiro em caixa, ela inclusive propôs parcelar o pagamento da rescisão contratual dos demitidos.

Diante da forte boataria, o novo presidente-executivo do Grupo Abril, Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, apressou-se em garantir que a empresa não irá fechar. Em nota, ele apenas comunicou que “demos os primeiros passos de uma reorganização que, infelizmente, envolveu o desligamento de alguns colaboradores" e que visa “alavancar os negócios atuais”. No seu linguajar tecnocrático, que pouco se importa com a situação dos funcionários, ele negou os rumores sobre um pedido de recuperação judicial, o que levaria a empresa a ser administrada por interventores. “Quanto aos boatos de que estaríamos num processo de recuperação judicial, garanto que isso não faz parte da minha missão porque a superação de nossos desafios não requer medidas desse tipo”.

O comunicado oficial, porém, não convenceu os funcionários e nem a entidade da categoria. “O Sindicato dos Jornalistas enviou diretores para a empresa tão logo soube do ocorrido para conversar com os jornalistas e combater as demissões. O número de jornalistas demitidos ainda é incerto: falou-se em 17, e a empresa afirmou que foram 14. O sindicato manifestou sua oposição às demissões, e ainda mais às condições em que ocorreram: a empresa comunicou aos trabalhadores que não pretende pagar no prazo legal as verbas rescisórias (dias trabalhados, aviso prévio, 13º salário e 13º proporcional, férias vencidas e férias proporcionais, folgas devidas e outros direitos)”.

“Pela lei, a empresa tem de pagar as verbas até o 10º dia corrido após a demissão, mas está apresentando aos demitidos um texto para a pessoa assinar aceitando o parcelamento em 10 meses, em parcelas iguais, sem qualquer correção. Na última parcela, a empresa se comprometeria a quitar a multa de um salário a mais, imposta por lei (multa do art. 477 da Consolidação das Leis do Trabalho), quando se chega ao 11º dia após a demissão sem a quitação integral das verbas. O parcelamento corresponde ao ‘acordo’ que a empresa propôs aos jornalistas há mais de três meses, sem aceitar qualquer negociação, e que foi rejeitado pelos jornalistas da empresa em assembleia e pelo SJSP. Por isso, a entidade não aceitou homologar as duas demissões ocorridas antes de 11 de novembro nessas condições”.

“Agora, a orientação da entidade para qualquer trabalhador demitido é que se recuse a assinar qualquer documento de parcelamento de verbas rescisórias e procure imediatamente o sindicato, para que a entidade possa levar uma luta coletiva que garanta o pagamento integral de todos os direitos. ‘Não podemos aceitar que uma empresa de propriedade de bilionários, que acumularam uma fortuna com o trabalho de milhares de pessoas que construíram a editora Abril nas últimas seis décadas, agora demita parte de seus trabalhadores e sonegue os seus direitos, usando na prática o dinheiro dos demitidos para financiar as atividades da empresa’, disse Paulo Zocchi, presidente do sindicato”.

Em tempo: Na edição da semana passada, a revista Veja obrou mais uma das suas capas terroristas contra o ex-presidente Lula. Com base em um depoimento vazado do ex-ministro da Fazenda, o “cachorro” Antonio Palocci, ela afirmou que o dirigente líbio Muammar Gaddafi doou secretamente US$ 1 milhão à campanha presidencial do petista em 2002. Não há qualquer prova sobre a acusação, apenas a informação de que o ex-ministro “prometeu entregar os comprovantes da operação”. O factoide serviu para a revista do esgoto afirmar que a legislação eleitoral brasileira proíbe o recebimento de recursos financeiros de procedência estrangeira e para insinuar que a denúncia serviria para cassar o registro do PT. Será que mais este serviço sujo da “Veja” resultou em alguns “pixulecos” do covil golpista para salvar o falido e decadente Grupo Abril?

Altamiro Borges

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