2 de dez de 2017

A ‘coerência’ de Alckmin: saímos do Governo, mas apoiamos o Governo


A entrevista de Geraldo Alckmin a Mariana Godoy, na Rede TV, é o tucanismo em seus mais típico comportamento: o muro.

Ele sugere que o “desembarque” do PSDB do Governo é mera formalidade:

“O PSDB não vai virar oposição, de jeito nenhum; nós temos responsabilidade e, para votar medidas que nós entendemos que é de interesse do povo brasileiro, que vai ajudar o Brasil a sair da crise, nós não precisamos ter ministérios, vamos apoiar da mesma forma”

Então, ficamos assim: se não se opõem às políticas do governo Temer, porque raios estariam saindo governo Temer?

O paradoxo verbal revela a verdade real: Alckmin quer ser o candidato do Governo. Portanto, o candidato de Temer, mas não quer este rótulo fatal.

Temer, por seu lado, manobra para criar seu “salvo-conduto” pós governo, e se dispõe a guardar seu ódio a Alckmin, bem registrado hoje na Folha por Igor Gielow:

Temer não esquece que Alckmin não trabalhou em seu favor na votação das duas denúncias da Procuradoria-Geral da República que derrubou na Câmara, além de sempre ter sido contra a presença de ministros do PSDB na Esplanada.

O jogo é jogado sempre tendo em mente que a população pode ser facilmente engambelada, com a mídia e as máquinas partidárias.

Afinal, o apoio de Temer não é um trunfo, mas um “mico” eleitoral.

O discurso de serenidade que Alckmin adota – um ponto de inegável superioridade dele em relação a João Dória – dificilmente sustentará ao longo dos 11 meses que restam até as eleições as defesas contra o fato de “ser o candidato do Temer”.

É provável que não venha a ter essa condição única, porque o ‘centrão’ não quer ficar debaixo das asas tucanas.

O fato objetivo é que a candidatura Alckmin ganha força no mundo da articulação política.

Começa agora uma operação para mostrar que pode ganhar votos da população, fora de São Paulo, onde os terá.

No resto do Brasil, não tem. E, com Temer, será mais difícil conseguir.

Fernando Brito
No Tijolaço

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